{"id":96986,"date":"2026-08-10T00:02:28","date_gmt":"2026-08-10T03:02:28","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=96986"},"modified":"2026-08-10T00:05:39","modified_gmt":"2026-08-10T03:05:39","slug":"entrevista-eduardo-kaze-fala-sobre-a-revista-literaria-boca-do-gato-que-esta-aberta-para-colaboracoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/08\/10\/entrevista-eduardo-kaze-fala-sobre-a-revista-literaria-boca-do-gato-que-esta-aberta-para-colaboracoes\/","title":{"rendered":"Entrevista: Eduardo Kaze fala sobre a revista liter\u00e1ria \u201cBoca do Gato\u201d, que est\u00e1 aberta para colabora\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/lvinhas78\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que leva algu\u00e9m a lan\u00e7ar uma revista liter\u00e1ria com inspira\u00e7\u00e3o de fanzine e coloc\u00e1-la nas ruas, com boa tiragem, em plena era de hiperdisponibilidade digital? Foi essa a pergunta que me motivou a procurar o escritor <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/eduardokaze\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eduardo Kaze<\/a> para essa entrevista. Mas n\u00e3o s\u00f3. \u201c<a href=\"https:\/\/www.eduardokaze.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Boca do Gato<\/a>\u201d, a revista em quest\u00e3o, \u00e9 uma del\u00edcia. Compacta como um gibi em formatinho, com o preto e branco dos zines (salvo nas p\u00e1ginas de HQs), mas projeto gr\u00e1fico clean e impress\u00e3o digital mais que digna. E com muita coisa que vale ser lida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira edi\u00e7\u00e3o foi lan\u00e7ada em julho e a segunda deve vir em setembro. Embora residente em Santo Andr\u00e9, Kaze (pronuncia-se \u201cCaz\u00e9\u201d, apesar da aus\u00eancia do acento agudo) n\u00e3o limitou a sele\u00e7\u00e3o de autores ao ABC, muito menos a seu c\u00edrculo imediato de conhecidos, colocando uma convoca\u00e7\u00e3o aberta online para quem quisesse participar. Valiam contos, cr\u00f4nicas, reportagens, poemas e hist\u00f3rias em quadrinhos \u2013 e nesse primeiro n\u00famero, entrou um pouco de tudo isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como toda colet\u00e2nea, \u00e9 irregular, com algumas coisas muito boas, outras nem tanto, e ao menos tr\u00eas excepcionais (na avalia\u00e7\u00e3o deste que vos escreve, os contos de Stella Maris, Mario Lukas e do pr\u00f3prio Kaz\u00e9). No site de Kaze (<a href=\"https:\/\/www.eduardokaze.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">eduardokaze.com.br<\/a>), \u00e9 poss\u00edvel comprar a vers\u00e3o f\u00edsica ou ler gratuitamente a digital, al\u00e9m de conhecer os outros trabalhos do autor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Kaz\u00e9 conversou com o Scream &amp; Yell para contar a g\u00eanese e os pr\u00f3ximos passos da revista, mas o papo tamb\u00e9m transitou por produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria contempor\u00e2nea, editais, m\u00fasica e quejandos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-96987 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FOTO-KAZE-BOCA-DO-GATO1A.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"678\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FOTO-KAZE-BOCA-DO-GATO1A.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FOTO-KAZE-BOCA-DO-GATO1A-300x271.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mesmo diante da fissura pelo digital e a dificuldade das pessoas em prestar aten\u00e7\u00e3o diante da quantidade absurda de coisas que elas t\u00eam \u00e0 m\u00e3o, voc\u00ea se animou a lan\u00e7ar uma revista liter\u00e1ria com forte inspira\u00e7\u00e3o na verve editorial dos fanzines. De onde veio essa doideira?<\/strong><br \/>\nExiste um gosto pessoal. Sou uma pessoa do impresso, nunca consegui me desviar totalmente dele. O digital n\u00e3o \u00e9 uma coisa que me conquistou, de maneira alguma. Mas, por exemplo, no lan\u00e7amento que fizemos no dia 11 de julho [em Santo Andr\u00e9], deu para perceber que tem bastante gente que tamb\u00e9m tem essa mesma pira. O digital traz muita facilidade, sem a menor d\u00favida, mas essa mesma facilidade tamb\u00e9m o transforma em uma coisa muito passageira. As pessoas n\u00e3o conseguem observar nada de uma maneira que dure, \u00e9 uma coisa muito vol\u00e1til. Voc\u00ea simplesmente toma uma informa\u00e7\u00e3o e aquilo acabou. Eu mesmo salvo no Instagram um monte de coisas que eu jamais vou voltar a ver, \u00e9 completamente diferente de ter uma estante com a sua pr\u00f3pria biblioteca. E eu n\u00e3o diria que hoje existe um retorno a isso, mas sim um certo fetiche de alguma forma pelos antigos formatos, tem muita gente, principalmente da minha gera\u00e7\u00e3o, voltando esse tipo de coisa. Est\u00e3o imprimindo quadrinhos que a gente comprava em banca quando a gente era moleque! Ent\u00e3o acho que existe um espa\u00e7o bem definido ainda para esse tipo de publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 interessante que, sendo revista, e com a qualidade de impress\u00e3o que tem, ela precisa ser sustent\u00e1vel. Voc\u00ea conseguiu diversos anunciantes, o que imagino ter viabilizado a empreitada, mas \u00e9 curioso quando a gente lembra que havia muito purismo quanto a ter patrocinadores no universo dos fanzines. Algu\u00e9m chegou a encher teu saco por isso?<\/strong><br \/>\nNa verdade, as pessoas at\u00e9 gostaram dos an\u00fancios! Tentei fazer um pouco de curadoria dos anunciantes, porque eu queria que fossem legais para o universo da revista, que tivesse alguma relev\u00e2ncia. Tem muitos anunciantes do universo da escrita, como gr\u00e1ficas, por exemplo. Acho que, se fosse h\u00e1 uns anos atr\u00e1s, provavelmente poderia ter acontecido alguma reclama\u00e7\u00e3o, porque a pegada era mais punk rock, a coisa de n\u00e3o ficar \u201cse vendendo\u201d. Mas assim\u2026 colocar anunciantes na revista \u00e9 muito menos \u201cvendido\u201d do que o tanto que a gente faz para se vender na internet, com toda a certeza,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 curadoria, eu imagino que foi uma quest\u00e3o de chamar pessoas j\u00e1 conhecidas com se abrir para o novo. Como foi esse processo? Teve alguma limita\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Na verdade, tem um rapaz de Minas Gerais, inclusive, que \u00e9 M\u00e1rio Lukas. Ele mandou pelo formul\u00e1rio do site e entrou j\u00e1 na primeira edi\u00e7\u00e3o. A grande maioria \u00e9 do ABC, sim, porque para a primeira edi\u00e7\u00e3o contatei todo mundo que eu conhecia e falei: &#8220;\u00d3, t\u00f4 fazendo uma revista, quem quiser mandar material, manda\u201d. Mas o formul\u00e1rio j\u00e1 estava online, e\u00a0 recebi algumas coisas, A Stella Maris tamb\u00e9m chegou pelo formul\u00e1rio. Mas minha ideia nunca foi fechar no ABC, porque o que eu quero da revista \u00e9 justamente que ela traga essa amplitude para as pessoas do ABC, mostrando pro pessoal daqui o que est\u00e1 acontecendo em outros lugares. Para a pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o tem um texto da Ucr\u00e2nia, cara! Eu acho isso muito enriquecedor. <a href=\"https:\/\/www.eduardokaze.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Estou com o formul\u00e1rio aberto agora<\/a>, j\u00e1 preparando a segunda edi\u00e7\u00e3o e estou recebendo bastante coisa assim de v\u00e1rios estados: Rio de Janeiro, Cear\u00e1&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bom, com mais e mais textos chegando, logo vai ter que entrar um crit\u00e9rio editorial mais r\u00edgido para selecionar o que entra, n\u00e3o? Qual \u00e9 a r\u00e9gua?<\/strong><br \/>\nCara, para ser bem sincero, a minha r\u00e9gua tem sido um texto bem constru\u00eddo. Aparece muita coisa que n\u00e3o tem muito p\u00e9 nem cabe\u00e7a, sabe? Ent\u00e3o vou privilegiar um texto que est\u00e1 bem estruturado, que tem a coer\u00eancia narrativa.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-96991 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/bocadegato2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/bocadegato2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/bocadegato2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/bocadegato2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os tr\u00eas contos de que mais gostei \u2013 os desses dois autores que voc\u00ea citou, Stella Maris e Mario Lukas, e tamb\u00e9m o seu \u2013 fogem muito dessa \u201cautofic\u00e7\u00e3o\u201d, ou \u201cfic\u00e7\u00e3o autobiogr\u00e1fica\u201d que a gente v\u00ea j\u00e1 h\u00e1 uns anos. Um texto umbiguista, incapaz de criar personagens, falando de si para si. N\u00e3o \u00e9 o caso. Esses tr\u00eas textos parecem carregar uma grande influ\u00eancia de autores dos anos 1970 e 1980, como Ignacio de Loyola Brand\u00e3o, Marcia Denser, Luis Fernando Ver\u00edssimo\u2026<\/strong><br \/>\nAcho que, de um modo geral, a gente continua buscando as mesmas refer\u00eancias. N\u00e3o surgiram novas refer\u00eancias muito bem estabelecidas, sabe? Essa \u00e9poca era quando as pessoas realmente se importavam em criar o texto, foi um momento muito rico para esse tipo de coisa. Como voc\u00ea falou, o que a gente tem hoje em dia \u00e9 muito essa coisa da autofic\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se tenta fugir muito disso, mas voc\u00ea v\u00ea, n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que Clarice Lispector volta e meia aparece entre os mais vendidos. O passado, e especialmente esse per\u00edodo que voc\u00ea citou, \u00e9 a melhor base ainda para uma boa escrita, porque a escrita que tem se formado atualmente tem se adaptado aos formatos que se mostram mais rent\u00e1veis. Eu acho que, de cada de cada 10 textos que se escreve hoje em dia, nove provavelmente s\u00e3o em primeira pessoa. Tem muito pouca gente escrevendo em terceira pessoa, essa escrita que requer sair um pouco mais de si e se colocar como um observador, narrador. As pessoas est\u00e3o muito autocentradas, e isso gera um texto mais f\u00e1cil de se consumir, voc\u00ea conquista o leitor mais facilmente com a sua hist\u00f3ria de vida e talvez at\u00e9 receba menos cr\u00edtica, porque a pessoa fala: &#8220;Ah, n\u00e3o vou falar mal do cara&#8221;, n\u00e9? Poxa. E as pessoas n\u00e3o criticam mais o texto, o formato, se est\u00e1 bem escrito ou n\u00e3o. Criticam a hist\u00f3ria, criticam s\u00f3 o conte\u00fado da coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vira um julgamento moral, uma quest\u00e3o de identifica\u00e7\u00e3o pessoal.<\/strong><br \/>\nAcho que a gente est\u00e1 num momento dif\u00edcil para a literatura, porque (parece que) tanto faz se o texto est\u00e1 mal escrito, pode ser qualquer nota, o que importa \u00e9 a tem\u00e1tica. Importa de onde vem o autor, o que ele representa\u2026 Porra, isso tem a sua relev\u00e2ncia, claro que tem, mas isso n\u00e3o pode ser dissociado de uma primazia da escrita. A escrita precisa ser respeitada e bem feita. N\u00e3o pode ser simplesmente \u201c\u00f3, eu t\u00f4 falando sobre um tema que \u00e9 importante de ser dito, ent\u00e3o eu posso dizer de qualquer forma\u201d, sabe? Na minha percep\u00e7\u00e3o, tem bastante disso e a gente perde muito quando a gente para de olhar pros textos como uma coisa que deve ser bem trabalhada, algo a lapidar. N\u00e3o pode ser isso de \u201cn\u00e3o critiquem porque essa \u00e9 a minha express\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao meu ver, esse tipo de postura tira uma coisa muito importante que \u00e9 o del\u00edrio. A Am\u00e9rica Latina toda tem uma tradi\u00e7\u00e3o maravilhosa com o realismo fant\u00e1stico, escritores muito imaginativos, e essa \u00e9 outra heran\u00e7a que n\u00e3o est\u00e1 sendo resgatada.<\/strong><br \/>\nLi <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/cinema\/matt-damon-diz-que-netflix-pede-repeticao-da-trama-para-quem-assiste-aos-filmes-no-celular\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em algum lugar<\/a> que o Matt Damon falou que, em roteiros de filmes para a Netflix, os produtores s\u00e3o obrigados a repetir informa\u00e7\u00f5es, porque a pessoa fica com o celular, ent\u00e3o a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 dividida. Ou seja, os filmes precisam ser expositivos ao m\u00e1ximo, porque voc\u00ea tem que ficar explicando a hist\u00f3ria para as pessoas entenderem. Imagina isso na literatura! Na literatura, muito dela \u00e9 o que n\u00e3o est\u00e1 escrito, e muitas vezes \u00e9 isso que \u00e9 realmente importante. Naquele conto do [Ernest] Hemingway, \u201cColinas como Elefantes Brancos\u201d, voc\u00ea tem um di\u00e1logo que voc\u00ea n\u00e3o entende porra nenhuma inicialmente, mas ele vai te levando para uma sensa\u00e7\u00e3o, para uma uma pegada alucinante, justamente pelo que n\u00e3o est\u00e1 escrito ali. N\u00e3o vira essa coisa totalmente descritiva. E essas novas literaturas, tipo esses romances de Kindle, o que eles abusam do verbo dicendi, essa do \u201cele disse\u201d&#8230; Fazem isso de uma maneira t\u00e3o brutal que fica um texto engessad\u00edssimo. Ent\u00e3o, perde-se muito espa\u00e7o do que seria a sensa\u00e7\u00e3o de estar dentro daquele universo, viajar dentro daquela coisa. Os di\u00e1logos humanos de verdade, normalmente eles tamb\u00e9m s\u00e3o assim: se perdem, ficam meio vagos, a gente compreende muito na express\u00e3o, no gesticular e o escritor, na minha opini\u00e3o, tem a responsabilidade de fazer isso sem ser violento. Eu n\u00e3o gosto de descrever sentimento. N\u00e3o gosto de chegar l\u00e1 e falar: &#8220;Ah, ent\u00e3o ela estava triste&#8221;. N\u00e3o, cara, voc\u00ea tem que botar a\u00e7\u00e3o que determine a tristeza para que aquela tristeza seja percebida e n\u00e3o dita, sen\u00e3o fica muito pobre. E eu acho que a gente est\u00e1 indo muito para essa pobreza, at\u00e9 porque a gente hoje em dia tem que ser muito c\u00e9lere, as pessoas querem fazer a coisa ser r\u00e1pida. Porra, cara, leva-se anos para escrever um livro!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso me leva a minha \u00faltima pergunta, que \u00e9 a periodicidade da Boca do Gato. \u00c9 muito dif\u00edcil uma publica\u00e7\u00e3o independente sair com regularidade, ent\u00e3o queria saber como voc\u00ea pretende cuidar disso e da log\u00edstica de distribui\u00e7\u00e3o das pr\u00f3ximas edi\u00e7\u00f5es.<\/strong><br \/>\nA minha ideia imediata \u00e9 fazer bimestral, porque fiz a primeira edi\u00e7\u00e3o sendo vendida no lan\u00e7amento, mas tenho plena consci\u00eancia de que isso n\u00e3o se sustenta. A segunda edi\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o vai ter o mesmo hype, e eu n\u00e3o vou conseguir juntar as pessoas num evento para comprarem a edi\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o quero que a revista seja gratuita, distribu\u00edda dentro da rede de bibliotecas da cidade, porque acho que vou conseguir atingir alguns leitores \u2013 pelo menos os que frequentam bibliotecas \u2013 e conseguir manter a revista a partir dos patrocinadores, aumentando a tiragem. Se aumentar um pouco o valor do an\u00fancio, d\u00e1 para bancar a edi\u00e7\u00e3o. Cansei de ver revista que come\u00e7a e nossa, o lan\u00e7amento \u00e9 sensacional, s\u00f3 que a segunda edi\u00e7\u00e3o \u00e9 mais dif\u00edcil. Por isso a segunda, a terceira edi\u00e7\u00e3o, elas s\u00e3o mais importantes. Da primeira todo mundo vai, compra, participa. Eu n\u00e3o quero uma edi\u00e7\u00e3o s\u00f3, tamb\u00e9m n\u00e3o quero s\u00f3 lan\u00e7ar ocasionalmente, porque a\u00ed tamb\u00e9m se perde muito, o neg\u00f3cio esfria. Ent\u00e3o j\u00e1 estou fazendo parcerias para que a segunda tenha uma tiragem maior, tenha distribui\u00e7\u00e3o, acho que vou conseguir um bom valor ali para impress\u00e3o\u2026 E n\u00e3o estou muito afim de ficar atr\u00e1s de edital, n\u00e3o. Isso \u00e9 um saco, cara. Se eu n\u00e3o fizer um produto que se sustente por si s\u00f3, e dependa s\u00f3 de editais, a probabilidade disso acabar rapidamente \u00e9 muito grande. \u00c9 isso que acabou com os espa\u00e7os musicais. Eu tenho uma banda, a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/take.9001\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">TAKE 9001<\/a>, a gente ganhou uns editais, veio uma grana, mas depois a pr\u00f3pria galera fica na parada do \u201cn\u00e3o vamos tocar de gra\u00e7a\u201d e esquece do prop\u00f3sito da parada, que \u00e9 fazer e mostrar a m\u00fasica. Os editais colocam os artistas como concorrentes, e deveria ser justamente o contr\u00e1rio. A gente deveria estar se ajudando, e n\u00e3o ficar todo mundo se batendo por uma verba ali de tr\u00eas, quatro paus, com todo mundo inimigo um do outro.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"H\u00f3stia Com Dend\u00ea\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/otQQ7IDFby4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) \u00e9 produtor e<\/em><em>\u00a0autor do livro \u201c<a href=\"https:\/\/editorabarbante.com.br\/produtos\/o-evangelho-segundo-odair-censura-igreja-e-o-filho-de-jose-e-maria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Evangelho Segundo Odair: Censura, Igreja e O Filho de Jos\u00e9 e Maria<\/a>\u201c.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A primeira edi\u00e7\u00e3o foi lan\u00e7ada em julho e a segunda deve vir em setembro. 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