{"id":96850,"date":"2026-07-28T01:18:48","date_gmt":"2026-07-28T04:18:48","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=96850"},"modified":"2026-07-28T01:20:40","modified_gmt":"2026-07-28T04:20:40","slug":"entrevista-vera-fischer-era-clubber-e-a-arte-de-habitar-as-contradicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/07\/28\/entrevista-vera-fischer-era-clubber-e-a-arte-de-habitar-as-contradicoes\/","title":{"rendered":"Entrevista: Vera Fischer Era Clubber e a arte de habitar as contradi\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que exatamente \u00e9 a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/verafischeraclubber\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vera Fischer Era Clubber<\/a>? M\u00fasica eletr\u00f4nica? P\u00f3s-punk? Pop experimental? Rock? Performance? Ao longo de quase duas horas de conversa, as pr\u00f3prias integrantes tentam responder \u00e0 pergunta e uma resposta vai se desenhando: talvez a banda exista justamente para escapar dessas classifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formado em Niter\u00f3i (RJ) por Crystal, Malu, Pek0 e Vickluz, o quarteto carioca surgiu em 2023 entre festas, jams e encontros noturnos, transformando a est\u00e9tica clubber em mat\u00e9ria-prima para can\u00e7\u00f5es que misturam humor, desejo, ansiedade, ironia e vida urbana. Desde o lan\u00e7amento de &#8220;<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/album\/0AVy9WACIOt4oQeBylXfi3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Veras I<\/a>&#8221; (2025), a banda se tornou uma presen\u00e7a bem particular na cena independente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A exposi\u00e7\u00e3o ganhou outra dimens\u00e3o ap\u00f3s uma <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=mM5Dxy9QlwY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">apresenta\u00e7\u00e3o no programa &#8220;Cultura Livre&#8221;<\/a>, da TV Cultura. Trechos da performance circularam intensamente nas redes sociais e desencadearam debates. Houve quem tratasse a proposta como uma provoca\u00e7\u00e3o vazia e quem enxergasse justamente a for\u00e7a do grupo: uma combina\u00e7\u00e3o de refer\u00eancias que atravessa o synthpop, o p\u00f3s-punk, a m\u00fasica eletr\u00f4nica e a performance, dialogando com nomes como Fausto Fawcett, Cansei de Ser Sexy e No Porn. Entre elogios e cr\u00edticas, a repercuss\u00e3o tornou Vera Fischer Era Clubber em um dos nomes mais falados da cena alternativa brasileira nos \u00faltimos tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando receberam nosso som, acho que entraram numa confus\u00e3o mental, sabe? &#8216;Como que isso pode acontecer? Como que isso pode existir? Ah, s\u00f3 pagando pra aparecer'&#8221;, avalia Vickluz. \u201cAcho que as pessoas confundem qualidade de produ\u00e7\u00e3o com qualidade de obra art\u00edstica e isso para mim tem uma diferen\u00e7a clara&#8221;, diz Crystal. \u201cNas m\u00fasicas, uma pessoa virtuosa de qualidade t\u00e9cnica \u00e9 incr\u00edvel, mas existem coisas simpl\u00e9rrimas que soam t\u00e3o bem quanto, s\u00e3o t\u00e3o belas quanto e isso \u00e9 indiscut\u00edvel.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse olhar tamb\u00e9m atravessa a pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o musical da banda. As integrantes falam sobre a recusa da t\u00e9cnica como valor absoluto, a defesa da simplicidade e a busca por uma est\u00e9tica pr\u00f3pria, constru\u00edda mais pela sensibilidade do que pelo virtuosismo. &#8220;O principal para voc\u00ea fazer qualquer arte \u00e9 o \u00edmpeto de fazer. Porque o mito do criador que chega l\u00e1 e arrasa \u00e9 mentira. Todo mundo se fodeu muito para chegar no b\u00e1sico que sabe&#8221;, comenta a vocalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se &#8220;Veras I&#8221; apresentava o universo do Rio de Janeiro entre glamour, decad\u00eancia e vida noturna, o pr\u00f3ximo disco promete um mergulho mais \u00edntimo. Segundo as integrantes, o novo trabalho volta a c\u00e2mera para dentro delas mesmas e um pa\u00eds imagin\u00e1rio chamado Vulgaria, descrito como uma ilha com um vulc\u00e3o, representando um estado de esp\u00edrito de &#8220;excesso&#8221; e uma explora\u00e7\u00e3o consciente e inconsciente. &#8220;Enquanto o &#8216;Veras I&#8217; \u00e9 um filme em que a gente est\u00e1 ali como espectador, eu tenho a impress\u00e3o de que o &#8216;Veras II&#8217; \u00e9 um filme que passa dentro das nossas pr\u00f3prias cabe\u00e7as. E a\u00ed n\u00f3s somos espectadores, produtores e atores do filme que est\u00e1 dentro da nossa cabe\u00e7a&#8221;, resume Vickluz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista ao Scream &amp; Yell, a Vera Fischer Era Clubber fala sobre o que deve vir nesse segundo \u00e1lbum, o lugar da ironia na arte, a rela\u00e7\u00e3o com o cinema, a repercuss\u00e3o nas redes sociais e a permanente sensa\u00e7\u00e3o de existir entre o pop, o punk, a m\u00fasica eletr\u00f4nica e a performance.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"VERAS I\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nDyLTlPsvqTi07mcFh5yLQA3QpPqq6YYE\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que o nome Vera Fischer era Clubber significa hoje para voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nCrystal: Al\u00e9m do nome que a Pek0 trouxe pra nossa jam, acho que ele se tornou um descritivo e expans\u00e3o do universo do primeiro \u00e1lbum. O Rio de Janeiro, sendo esse lugar no Sudeste, onde tem o Projac, onde voc\u00ea \u00e9 conhecido pelos outros estados por encontrar famosos na rua. E a\u00ed vem esse nome com a Vera Fischer para representar esse lado hollywoodiano da coisa e o Era Clubber para trazer esse lado do \u201cAh, ent\u00e3o voc\u00ea tamb\u00e9m vive essa duplicidade ca\u00f3tica do Rio de Janeiro, essa beleza com decad\u00eancia e sujeira\u201d. Enfim, acho que traz esses dois lados da moeda da cidade. Um na imagem de uma mulher maravilhosa, loira, bronzeada, e a atriz que chega na casa dos brasileiros e que todo mundo conhece, ama e acha gata, \u00edcone. E o outro lado, esse lado noturno do Rio de Janeiro, t\u00e3o famoso por a\u00ed, t\u00e3o underground. \u2028\u2028Pek0: Para mim, o que fica para al\u00e9m da hist\u00f3ria, \u00e9 de registrar que a gente teve a nossa fase clubber e que hoje em dia a gente est\u00e1 muito distante disso. Eu pelo menos estou, Vick que ainda n\u00e3o. Talvez eu me reaproxime, quem sabe, mas no geral \u00e9 sobre esse resgate e de tirar o club do lugar dele e de levar pro lugar de banda. \u00c9 um outro formato para outros espa\u00e7os. Sempre resgatando essas sensa\u00e7\u00f5es e mem\u00f3rias do club, mas com esse formato de fazer som ao vivo mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: Eu acho que esse nome traz duas coisas meio avessas. O Rio de Janeiro tamb\u00e9m vive essa dicotomia em diferentes sentidos; de como a noite pode ser glamourosa e como a gente pode encontrar algo decadente, ao mesmo tempo. Como que aqui do nada a gente pode encontrar uma global numa balada, j\u00e1 que aqui h\u00e1 uma certa democracia ilus\u00f3ria sobre ser clubber.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando est\u00e3o fazendo as m\u00fasicas, voc\u00eas pensam num limite entre ironia e verdade ou evitam fazer uma distin\u00e7\u00e3o? \u00c9 uma coisa mais espont\u00e2nea?\u2028<\/strong><br \/>\nCrystal: Olha (risos), n\u00e3o sei. Esse conceito de verdade, ele \u00e9 meio\u2026 dif\u00edcil. A ironia n\u00e3o deixa de ser um tipo de verdade, \u00e9 uma forma de voc\u00ea falar das coisas. Talvez ela n\u00e3o seja uma forma extremamente descritiva ou literal, mas \u00e9 isso que \u00e9 bom. E eu acho que na era que a gente vive, as coisas perderam completamente a seriedade. A gente est\u00e1 numa era da p\u00f3s-verdade e de um distanciamento t\u00e3o grande do fato humano. As coisas se distorcem muito chegando pra gente a partir de telas. E a ironia \u00e9 meio que o tom do discurso do p\u00f3s-contempor\u00e2neo, se \u00e9 que isso faz sentido. Aho que por mais que isso dessensibilize o discurso de alguma forma, \u00e9 importante ocupar esse espa\u00e7o e usar dessa l\u00edngua para falar alguma coisa, j\u00e1 que a gente foi letrado nesse alfabeto (risos). Acho que nem \u00e9 uma coisa pensada; \u00e9 a minha forma de falar sobre as coisas e a forma das Veras \u00e9 essa. Acho que existe uma coisa na ironia que \u00e9 algo inevit\u00e1vel na vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: Como a Crystal falou, acho que \u00e9 uma linguagem de todas n\u00f3s. Crystal nessa quest\u00e3o da poesia, na performance do corpo e da voz. E acho que a gente tamb\u00e9m carrega isso no som. Para mim, como instrumentista, tem uma certa cobran\u00e7a. Dentro de uma brincadeira que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o brincadeira assim, a gente tem uma hora para levar a s\u00e9rio. Mas o processo come\u00e7a atrav\u00e9s de uma grande ironiza\u00e7\u00e3o de tudo. Um grande \u2018foda-se\u2019 pros formatos que nos foram apresentados, que era assim que se fazia ou se deixava de fazer. E a\u00ed \u00e9 um start, mas no meio do processo a gente repensa tudo e vai buscando formas de se fazer ir\u00f4nica, mas ainda muito certeira e pontual, sabe? Bem precisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Eu acho que a gente nasce de um lugar de ironizar a pr\u00f3pria banda, n\u00e9, Vick? Talvez seja isso que voc\u00ea esteja dizendo (risos). Da bandinha de rock tamb\u00e9m, nesse lugar do eletr\u00f4nico e conceitual pra banda independente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: Eu acho que o processo se d\u00e1 muito a partir das letras de Crystal. O grande start s\u00e3o as letras. Na escrita de Crystal j\u00e1 tem muito dessa ironia, e eu sinto que como banda a gente embarca nessa ironia e fala: &#8220;Vamos embora, vamos esticar isso, como \u00e9 que a gente consegue?&#8221;. Compramos essa ideia e eu acho que o bacana \u00e9 isso, sabe? Por exemplo, quando a letra de \u201cAltinha&#8221; estava sendo pensada e escrita, eu falei: &#8220;P\u00f4, tem um beat de bossa l\u00e1 na bateria que eu uso, a gente deveria usar para essa m\u00fasica&#8221;. Tipo, usar isso j\u00e1 \u00e9 ironizado, sabe? A gente claramente n\u00e3o est\u00e1 fazendo bossa. A gente pega ali o cheiro, o s\u00edmbolo e brinca literalmente com ele, ironiza realmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Principalmente pensando na Pek0, que \u00e9 bateria eletr\u00f4nica. E bossa \u00e9 afina\u00e7\u00e3o, instrumentistas, organicidade, ac\u00fastico. Ent\u00e3o tem v\u00e1rias canibaliza\u00e7\u00f5es no nosso processo que s\u00e3o ironias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: Quando voc\u00ea fala isso, n\u00e3o tem como eu tamb\u00e9m n\u00e3o me identificar pela maneira como eu toco, n\u00e9? O teclado do \u201cVeras I\u201d \u00e9 de uma forma muito mais percussiva na maior parte das faixas. Em outras, eu vou trabalhar com harm\u00f4nicos, com uma coisa que vai tra\u00e7ar a faixa do come\u00e7o ao fim e vai usar pouqu\u00edssimas notas. Ent\u00e3o acho que a ironia tamb\u00e9m est\u00e1 no instrumental. Quando a gente est\u00e1 compondo, acho que sai muito de um lugar que \u00e9 desprezado e meio que visto como invalidado por ser simples demais; ridicularizado por conta de ser arranjos e acordes muito simples. Acho que a gente ironiza quando a gente pega esses c\u00f3digos, esses valores, as coisas que tamb\u00e9m est\u00e3o muito pautadas no nosso n\u00edvel de tecnicidade e faz de uma certa maneira, sabe? Enfim, acho que a gente ironiza bastante esse prop\u00f3sito de m\u00fasica ser levada super a s\u00e9rio, o lugar do m\u00fasico e instrumentista ter que ser super virtuoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ouvindo o primeiro disco, consigo sacar uma coisa mais soturna, meio g\u00f3tica at\u00e9 em alguns momentos. Mas as m\u00fasicas mais novas que voc\u00eas j\u00e1 est\u00e3o tocando em shows parecem apontar para um caminho um pouquinho mais diferente. O que voc\u00eas podem adiantar desse novo material?<\/strong><br \/>\nCrystal: Ah, n\u00e3o tem como repetir o piloto, n\u00e9? Tipo, \u201cVeras I\u201d tem uma vibe, \u00e9 um ciclo fechado, \u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o de um universo que a gente continua a expandir. \u201cVeras I\u201d parece um filme que voc\u00ea assiste e \u201cVeras II\u201d j\u00e1 \u00e9 um mergulho no espelho. A gente come\u00e7ou se baseando nesse lugar imagin\u00e1rio, chamado Vulg\u00e1ria, e as paisagens imagin\u00e1rias come\u00e7aram a se refletir para mim em sentimentos. Esses lugares que compunham essa ilha, que tinha esse vulc\u00e3o e essas pessoas que estavam sempre em frenesi de sexo e tudo isso foi se tornando v\u00e1rias coisas. O vulc\u00e3o aparece como esse s\u00edmbolo de borbulhar qualquer sentimento, seja \u00f3dio, seja tes\u00e3o, as duplicidades do amor, voc\u00ea sentir se sentir bem, se sentir dando o melhor de voc\u00ea e ao mesmo tempo sentindo vergonha. Eu acho que o \u201cVeras II\u201d vai para esse lugar muito mais pessoal e muito mais rico, de certa forma. J\u00e1 tem muito da gente no \u201cVeras I\u201d, mas o Rio de Janeiro \u00e9 um lugar que existe, \u00e9 uma coisa muito concreta e acho que \u00e9 f\u00e1cil de se esconder atr\u00e1s dessa paisagem. Mas sinto que no \u201cVeras II\u201d a gente est\u00e1 levando pra uma viagem nova que \u00e9 a gente. N\u00e3o \u00e9 para voc\u00ea ver o Rio de Janeiro, \u00e9 para voc\u00ea ver um outro lugar.\u2028\u2028Pek0: \u00c9 meio que o nosso mundo, de certa forma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: E ainda assim \u00e9 uma expans\u00e3o do \u201cVeras I\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: \u00c9, enquanto o \u201cVeras I\u201d \u00e9 um filme que a gente est\u00e1 ali como espectador, eu tenho a impress\u00e3o de que o \u201cVeras II\u201d \u00e9 um filme que passa dentro das nossas pr\u00f3prias cabe\u00e7as. E a\u00ed n\u00f3s somos espectadores, produtores e atores do filme que est\u00e1 dentro da nossa cabe\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Peko: Um grande diferencial que sinto no \u201cVeras II\u201d \u00e9 que, diferente do \u201cVeras I&#8221;, \u00e9 a experi\u00eancia que a gente tem agora. A gente est\u00e1 mais consciente da nossa pot\u00eancia, do nosso lugar e assim a gente vem explorando muito bem. Eu pelo menos sinto e gosto muito disso, porque quando a gente fala sobre Vulg\u00e1ria, esse lugar imagin\u00e1rio, na minha cabe\u00e7a eu penso em baterias com tambores. Eu tenho a minha interpreta\u00e7\u00e3o e cada uma vai indo pra sua interpreta\u00e7\u00e3o e traduzindo isso que est\u00e1 no nosso imagin\u00e1rio e transformando isso em som, em algo que \u00e9 concreto, que transmite sentimentos e sensa\u00e7\u00f5es. Enfim, \u00e9 isso a\u00ed (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: O queacho que \u00e9 uma express\u00e3o chave para esse \u00e1lbum seria \u201cdor de crescimento\u201d. A gente est\u00e1 trabalhando nessa m\u00fasica ainda, que se chama \u201cPrantos&#8221;. Tem essa frase \u201cuma hero\u00edna de um filme de terror depois que vence o monstro\u201d. E eu acho que esse \u00e9 o momento que as Veras est\u00e3o, sabe? A gente fez o primeiro \u00e1lbum, lan\u00e7ou, teve o nosso boom e agora \u00e9 esse pr\u00f3ximo momento, depois que a gente fez um bagulho que parecia meio que imposs\u00edvel. Parecia meio que \u201copa, sobe o cr\u00e9dito do filme\u201d, sabe? Mas n\u00e3o, a coisa continua. E Vulg\u00e1ria \u00e9 esse lugar de vulgariza\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es, quando voc\u00ea exp\u00f5e tudo, sabe? E fazer m\u00fasica e arte no geral, n\u00e3o deixa de ser voc\u00ea expondo um terreno, n\u00e9? Abrir a sua paisagem pro outro e falar assim: &#8220;olha aqui, habita aqui tamb\u00e9m&#8221;. Ent\u00e3o \u00e9 muito interessante para mim essa base que a gente come\u00e7ou a trabalhar de um lugar imagin\u00e1rio. Esse pr\u00f3prio nome Vulg\u00e1ria e o fato da gente permear lugares do pop por nossa sonoridade. Acho que esse lugar do vulgar pode ser v\u00e1rias coisas e tamb\u00e9m pode ser pessoal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: Tem algo que \u00e9 a coisa do gozo, que eu acho que tamb\u00e9m \u00e9 uma coisa boa para falar sobre Vulg\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Sim, o gozo como um conceito filos\u00f3fico. O gozo \u00e9 super complexo, d\u00e1 para levar para v\u00e1rios lugares e ao mesmo tempo \u00e9 uma coisa t\u00e3o simples, tamb\u00e9m material e gr\u00e1fica. E \u00e9 exatamente isso: a vulgariza\u00e7\u00e3o de uma coisa que \u00e9 transcendental, espiritual e filos\u00f3fica, que \u00e9 o gozo, como a raz\u00e3o da nossa sobreviv\u00eancia. E ao mesmo tempo \u00e9 uma mancha num banco de carro, num ch\u00e3o de cinema (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: Essa coisa do tes\u00e3o e do gozo \u00e9 uma coisa que a sociedade percebe que vai se perdendo. As pessoas t\u00eam cada vez menos tes\u00e3o, n\u00e9? E n\u00e3o digo tes\u00e3o de foder n\u00e3o. \u00c9 tes\u00e3o na vida. E para mim fica super pertinente a gente estar nesse caminho, porque situa a gente num contexto tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: \u00c9 muito sobre fazer m\u00fasica sobre o agora. Querendo ou n\u00e3o, a gente est\u00e1 vivendo muito isso, do agora. E muito do que a gente escutou sobre o \u201cVeras I\u201d foi \u201cah, \u00e9 esse soco de vitalidade, \u00e9 esse sopro de loucura que todo mundo precisa\u201d. Ent\u00e3o a gente mergulha mais nisso, vem mais loucura, mais maluquice ainda. E eu acho que esse \u00e9 o lugar das Veras, completamente n\u00e3o dicot\u00f4mico, que pega uma coisa feia e fala que ela \u00e9 bonita, uma coisa filos\u00f3fica e transforma ela em banal, como essa imagem do gozo. Acho que isso \u00e9 o nosso escopo para ver o mundo e isso une completamente o primeiro disco ao segundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: Eu acho que \u00e9 isso: canibalizar esses c\u00f3digos, palavras, assuntos e sentimentos que n\u00e3o s\u00e3o abordados ou falados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: Eu acho que de certa forma s\u00e3o falados sim. O funk, por exemplo, fala muito sobre isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: N\u00e3o da forma como a gente fala, mas cada um tem a sua forma de falar. Um monte de gente vai falar sobre isso, mas com a gente tem a ironia e tal. E eu acho que uma coisa super espec\u00edfica nossa e que eu bato muito na tecla \u00e9 esse lugar extremamente n\u00e3o dicot\u00f4mico, porque bem e mal, nojo e prazer, todas essas coisas, para mim tem o mesmo cerne.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Vera Fischer Era Clubber - Vera Fischer Era Clubber @ Popload Festival, S\u00e3o Paulo - 31\/05\/2025\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/X8WxcP0XOrQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas j\u00e1 t\u00eam uma data de lan\u00e7amento para esse disco novo?\u2028<\/strong><br \/>\nCrystal: N\u00e3o, n\u00e3o\u2026 (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: O disco est\u00e1 em processo ainda. Tem muito processo a ser feito\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Mas vem a\u00ed, n\u00e9? A gente quer lan\u00e7ar at\u00e9 o fim do ano. Nos aconselharam que at\u00e9 novembro deve ser bom lan\u00e7ar, mas a gente vai fazer uns shows agora e tem que tirar uns meses para focar e lan\u00e7ar o \u00e1lbum. Mas vai depender do tempo que a gente levar. Acho muito importante a gente lan\u00e7ar esse ano, mas talvez a gente s\u00f3 reforme o show pro ano que vem, dependendo de quando sair o \u00e1lbum novo. Tem todo o tempo de transforma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica do nosso show e isso leva tempo e n\u00f3s estamos s\u00f3 como quatro velhinhas viajando para tocar e produzindo e indo e voltando e tentando (risos). Mas a nossa expectativa de ter uma coisa nova para mostrar pro p\u00fablico, pras pessoas curtirem, ouvirem mais e mergulharem mais na gente \u00e9 ainda esse ano, sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como ele deve ser? As faixas j\u00e1 est\u00e3o prontas e gravadas ou voc\u00eas ainda est\u00e3o gravando?<\/strong><br \/>\nCrystal: Elas est\u00e3o gravadas em formato de rascunho. Algumas mais finalizadas que outras, mas a gente ainda est\u00e1 trabalhando estrutura e vendo a melhor forma. Algumas a gente j\u00e1 gosta muito, depois volta e fala: &#8220;P\u00f4, podia mudar isso&#8221;. Ent\u00e3o ainda est\u00e1 em processo mesmo. Tem umas que j\u00e1 est\u00e3o bem finalizadas e tem outras que ainda est\u00e3o ali germinando, mas est\u00e1 acontecendo. No geral, a gente precisa organizar as estruturas e decidir o que a gente quer, sentar n\u00f3s quatro, ficar ali e ter um tempinho para pensar sobre isso e parar um pouco de viajar e fazer show para poder focar nisso, sen\u00e3o nunca sai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: E a gente segue nesse mesmo processo do \u201cVeras I\u201d, que \u00e9 o improviso. A gente se junta, tira um tempo e a\u00ed vai puxando uma corda assim \u201caumenta o BPM\u201d \u201cmanda esse timbre\u201d e \u201cih, pera\u00ed que eu tenho uma letra meio assim&#8221;&#8230;. S\u00f3 que assim, eu acho que o que a gente est\u00e1 aprendendo \u00e9 que tem o processo de jam, jogar as letras, mas depois tem que passar por um processo grosso de decupagem desse material gravado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: \u00c9, exato. A nossa ironia vai at\u00e9 certo ponto, porque a gente tem que pensar sobre tudo isso, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: As jams ficam com uns 14 minutos. As faixas ficam gigantes, depois a gente tem que picotar, entender a estrutura delas. \u00c0s vezes eu escrevo letra de um jeito, mas a\u00ed pela jam, pelo formato que est\u00e1 a m\u00fasica, vai de outro jeito e depois tem que reorganizar. Ent\u00e3o assim, \u00e9 um processo que leva tempo e que a gente ainda est\u00e1 entendendo como profissionalizar tamb\u00e9m, sabe? A gente est\u00e1 fazendo esse trabalho. A gente j\u00e1 reouviu as jams, decupou, e agora a gente j\u00e1 est\u00e1 num est\u00e1gio mais final de ter faixas de bons tamanhos, s\u00f3 que a gente est\u00e1 tipo, \u201cp\u00f4, a estrutura n\u00e3o \u00e9 essa, isso \u00e9 o refr\u00e3o, troca isso com aquilo, troca a bateria\u201d, entendeu? Agora a gente j\u00e1 est\u00e1 meio que numa fase mais avan\u00e7ada dessa decupagem, mas ainda falta faixa para acertar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: Eu acho que o legal de pensar os processos e de como eles se repetem \u00e9 que sempre vai gerar coisas fixas que se criam nesse primeiro improviso e coisas que a gente repensa ao longo do tempo. E \u00e9 legal de entender que esse \u00e9 o processo das Veras, de buscar uma sonoridade, de buscar algo que n\u00e3o existe concretamente. De pegar o que foi improvisado e pensar \u201chum, isso que a gente gerou \u00e9 meio assim, ent\u00e3o isso combina com tal instrumento\u201d. E desse lugar de realmente construir juntas. E a\u00ed agora nessa segunda fase, a gente est\u00e1 nesse processo de se revisitar, de repensar o caminho que j\u00e1 foi constru\u00eddo,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: J\u00e1 passou da primeira fase e agora a gente j\u00e1 entendeu, j\u00e1 est\u00e1 ali fermentando o p\u00e3o, daqui a pouco vai pro forno e depois fica pronto, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: Mas j\u00e1 est\u00e1 nisso, j\u00e1 tem algumas partes que j\u00e1 est\u00e3o no processo final de voz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Tem muita coisa que a gente tem que decidir o que a gente vai trabalhar para ir pro \u00e1lbum e o que que a gente deixa para trabalhar depois. Tipo \u201cdeixa esse rascunho aqui, depois a gente retoma, porque n\u00e3o faz tanto sentido com esse \u00e1lbum\u201d, por exemplo. A gente est\u00e1 nesse momento de decidir quais a gente vai levar mais \u00e0 frente e dentro de umas faixas que a gente j\u00e1 decidiu, gostou e levou e quais vamos deixar na geladeira mais um pouquinho.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Vera Fischer Era Clubber - A Gata Agora @ SESC Pompeia - 02\/10\/2025\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/55ctdFYcRGs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dei uma pesquisada sobre voc\u00eas e vi que a Crystal estudou cinema. Pela forma que estava falando do disco, d\u00e1 para perceber que voc\u00ea enxerga o conjunto de faixas com uma linguagem meio cinematogr\u00e1fica. Faz sentido?<\/strong><br \/>\nCrystal: Ah, com certeza. P\u00f4, cinema \u00e9 uma coisa que fica na gente, n\u00e9? Se voc\u00ea trabalha e estuda isso, n\u00e3o consegue esquecer nunca. E eu sempre gostei muito. Eu estudei para ser roteirista. At\u00e9 hoje escrevo roteiro, mas fui fazer artes visuais e mestrado justamente para elaborar essa parte espec\u00edfica de ter ideias, porque cinema \u00e9 uma coisa gigante. Eu queria alguma coisa que pudesse fazer sozinha e ver imediatamente o resultado das minhas ideias. E a\u00ed fui para artes visuais, mas o que fui percebendo \u00e9 que s\u00e3o s\u00f3 outras formas de eu escrever e de fazer cinema. Essas divis\u00f5es n\u00e3o existem de verdade. Assim, existem mais no mercado e na academia do que pro artista. Ent\u00e3o, com certeza todos os meus processos se embolam, tudo que eu fa\u00e7o acaba transbordando de uma coisa para a outra. \u00c9 tudo a mesma pessoa. Essa ideia de que \u00e9 tudo segmentado n\u00e3o \u00e9 real. E o cinema est\u00e1 na minha pr\u00e1tica das Veras, na minha pr\u00e1tica de artes visuais, na minha pr\u00e1tica de escrita, na minha forma de ver o mundo, porque foi uma coisa que criou afinidade comigo, que tenho um afeto. Inclusive, depois de fazer artes visuais e o mestrado, eu fiquei tipo: &#8220;Ah, quero voltar a trabalhar com cinema&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas voc\u00ea prefere n\u00e3o misturar muito a sua carreira de cinema com a quest\u00e3o da banda? \u2028<\/strong><br \/>\nCrystal: Meu problema \u00e9 que eu quero fazer tudo ao mesmo tempo, entendeu? Ent\u00e3o j\u00e1 escrevi roteiros para amigos meus, trabalhei na cena independente, fiz meu curta que ficou travado na fase de p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o por falta de dinheiro. Trabalhei no curta de outras pessoas, escrevi editais, escrevi roteiros para outras pessoas. Mas fiquei muito focada em artes visuais, fiz um portf\u00f3lio inteiro em dois anos, expus igual uma maluca, fiz projeto na rua, entreguei panfleto, peguei trampo de produ\u00e7\u00e3o, tipo um milh\u00e3o de coisas. Ent\u00e3o muita coisa aconteceu. Escrevi um livro de poesia, escrevi artigo, eu fiquei \u201cah, eu gosto de tudo isso, eu quero fazer tudo isso\u201d. Depois de dois anos imersa na academia expondo e correndo atr\u00e1s, tendo bolsa CAPES e correndo atr\u00e1s de editais, eu sinto saudade do cinema. E parte do que eu odiava nele \u00e9 parte do que eu senti falta: a correria, a press\u00e3o, enfim, tudo. \u00c9 essa forma de construir todo um universo imag\u00e9tico. E finalmente agora eu sinto que depois de tantos anos eu acumulei conhecimento suficiente, sabe? Na correria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: A Crystal n\u00e3o falou, mas ela escreveu o roteiro do nosso clipe \u201cVera Fischer Era Clubber\u201d que a gente acabou de gravar. E ela tamb\u00e9m dirigiu e produziu. Ela \u00e9 uma profissional da \u00e1rea muito foda. E \u00e9 uma coisa que vai continuar na vida dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: E \u00e9 s\u00f3 o in\u00edcio, n\u00e9? \u00c9 s\u00f3 o in\u00edcio da minha vida (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: Tive o prazer de estar com Crystal nesse curta que ela fez enquanto ela estava se formando, fazendo a prepara\u00e7\u00e3o dos atores, estava na trilha sonora tamb\u00e9m. E eu posso dizer com propriedade que de fato sempre tem o tom da ironia nas obras dela. O trabalho de Crystal sempre est\u00e1 recheado com isso. Eu acho que isso \u00e9 muito incr\u00edvel, porque quando a gente estava fazendo o curta, por exemplo, a gente ainda nem tinha a banda, mas essa linguagem ir\u00f4nica j\u00e1 era muito concreta no trabalho e de certa forma as Veras d\u00e3o vaz\u00e3o a isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: Eu acho que essa quest\u00e3o \u00e9 uma coisa que n\u00f3s compartilhamos. Nas nossas obras fora das Veras, tanto Pek0 no trabalho dela solo e Crystal, no que veio antes da banda e no que continua fazendo. E tem essa quest\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o com est\u00e9tica, que \u00e9 tamb\u00e9m muito o rol\u00ea do cinema, mas tamb\u00e9m \u00e9 muito o meu rol\u00ea e da Pek0, de quem teve uma introdu\u00e7\u00e3o com moda e estudou essas coisas. Eu e a Pek0 est\u00e1vamos conversando esses dias sobre isso, que o fato da gente ter entregue o trabalho que a gente entregou tem muito mais a ver com uma no\u00e7\u00e3o est\u00e9tica do que com virtuosidade musical. E a moda parece que foi o que mais ajudou a gente a encontrar isso com mais facilidade ou buscar as refer\u00eancias e os par\u00e2metros para seguir, e outros n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Eu acho que as pessoas confundem qualidade de produ\u00e7\u00e3o com qualidade de obra art\u00edstica e isso para mim tem uma diferen\u00e7a clara. Principalmente no cinema. Na verdade, o cinema como arte ajuda a perpetuar essa mentira. Nas m\u00fasicas, uma pessoa virtuosa de qualidade t\u00e9cnica \u00e9 incr\u00edvel, mas existem coisas simpl\u00e9rrimas que soam t\u00e3o bem quanto, s\u00e3o t\u00e3o belas quanto e isso \u00e9 indiscut\u00edvel. Voc\u00ea tem compositores e musicistas virtuos\u00edssimos que comp\u00f5em harmonias simples em can\u00e7\u00f5es por quest\u00e3o do som ou beleza est\u00e9tica. Eu acho que as pessoas confundem muito isso, sabe? E eu acho que n\u00e3o tem nada de errado. Acho que a gente est\u00e1 sempre aprendendo e se aperfei\u00e7oando. O principal para voc\u00ea fazer qualquer arte \u00e9 o \u00edmpeto de fazer. Porque o mito do criador que chega l\u00e1 e arrasa \u00e9 mentira. Todo mundo se fodeu muito para chegar no b\u00e1sico que sabe. E \u00e9 isso; como artista independente, o meu trabalho me formou mais do que tudo. Eu escolhi sempre fazer a minha parada e investir nela porque \u00e9 isso: quando voc\u00ea tem uma coisa para dizer, voc\u00ea tem que vender o seu pr\u00f3prio peixe e tem que fazer o seu. Voc\u00ea tem que ficar batendo na porta das pessoas, subindo na mesa e falando: &#8220;Ei, eu t\u00f4 aqui, eu tenho isso, eu tenho aquilo&#8221;. Porque ningu\u00e9m vai te pedir para mostrar nada, ningu\u00e9m vai te pedir para falar nada nunca, sabe? Pelo contr\u00e1rio, as pessoas v\u00e3o querer que voc\u00ea entre no moedor de carne e cale a boca. Tudo bem, fiz est\u00e1gio, trabalhei, fiz trampos, mas acho que muito do que eu sei fazer de parte t\u00e9cnica, foi muito mais sobre o meu pr\u00f3prio trabalho. At\u00e9 para come\u00e7ar a trampar, eu aprendi as coisas fazendo meu pr\u00f3prio trabalho, edi\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo, edi\u00e7\u00e3o de foto, produ\u00e7\u00e3o\u2026 O artista independente acaba sendo for\u00e7ado a ser muito mais completo e isso \u00e9 bom e ruim por causa da exaust\u00e3o e tudo, mas no geral, \u00e9 isso. As pessoas confundem muito qualidade de produ\u00e7\u00e3o com qualidade est\u00e9tica, com qualidade musical, com o que faz elas sentirem alguma coisa. Eu acho que o meu objetivo como artista, e eu acho que o objetivo das Veras tamb\u00e9m, \u00e9 fazer as pessoas sentirem alguma coisa, atravessar as pessoas com som e performance. Eu n\u00e3o acho que isso \u00e9 uma coisa que tem que se discutir a partir de quem toca mais ou toca menos. Com certeza tem mil cantoras mais virtuosas, tecladistas mais virtuosas, bateristas mais virtuosas que n\u00f3s. Mas n\u00e3o \u00e9 sobre isso. Ser o melhor em alguma coisa \u00e9 extremamente subjetivo. Voc\u00ea s\u00f3 pode ser voc\u00ea. As Veras est\u00e3o a\u00ed porque a gente \u00e9 a gente, temos uma coisa para dizer e isso teve resson\u00e2ncia com outras pessoas. E que bom, isso \u00e9 maravilhoso. Mas \u00e9 isso: a gente n\u00e3o est\u00e1 aqui porque somos melhores em nada n\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 sobre ser melhor do que ningu\u00e9m. N\u00e3o \u00e9 sobre ganhar trof\u00e9u em primeiro lugar. A vida n\u00e3o \u00e9 isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: A gente est\u00e1 s\u00f3 fazendo o nosso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: \u00c9 simplesmente sobre n\u00e3o seguir uma receita de bolo e viver a sua vida. Eu acho que a nossa m\u00fasica \u00e9 muito sobre isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: E propositalmente n\u00e3o buscar essa receita de bolo, \u00e9 tentar faz\u00ea-la sozinha. N\u00e3o que a gente vai conseguir, todo mundo vai ter as suas refer\u00eancias de uma forma inconsciente, mas \u00e9 um esfor\u00e7o para tamb\u00e9m negar um pouco essa receita, sabe? E eu acho que essa receita pode ser muito uma corda para se enforcar, n\u00e9? Uma liga\u00e7\u00e3o do in\u00edcio da engrenagem, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Eu acho que parte do hate que a gente recebeu na internet, eu sinto que vem desse lugar, entendeu? A receita de bolo, ela vai para todos os lugares da forma que voc\u00ea tem que seguir a sua vida, de quem voc\u00ea \u00e9, do que \u00e9 m\u00fasica, do que \u00e9 arte. \u00c9 uma coisa que se estende para mil complexidades que formam a imagem da sociedade como ela \u00e9. E quando eu vejo a indigna\u00e7\u00e3o das pessoas em rela\u00e7\u00e3o ao nosso corpo e coisas assim, eu penso \u201co qu\u00ea? foda-se\u201d, sabe? A pessoa est\u00e1 parando o seu dia para falar isso. A indigna\u00e7\u00e3o com as m\u00fasicas, com os assuntos, e eu fico tipo: deve ser muito frustrante voc\u00ea passar sua vida inteira tentando acertar, fazendo um caminho que \u00e9 isso a\u00ed, e de repente voc\u00ea v\u00ea outra pessoa t\u00e3o viva quanto voc\u00ea, usufruindo dos mesmos direitos de estar e existir e transitar, fazendo tudo que voc\u00ea nunca fez porque voc\u00ea achou que n\u00e3o pudesse fazer, porque voc\u00ea achou que o seu direito de existir e pertencer era baseado nisso. \u00c9, deve doer mesmo. E \u00e9 isso que eu percebo. E eu acho que tamb\u00e9m por isso que \u00e9 esse lugar do pr\u00f3ximo \u00e1lbum falar de gozo: porque gozo \u00e9 realmente uma vitalidade essencial, \u00e9 uma coisa que as pessoas t\u00eam medo e \u00e9 uma coisa que as pessoas querem e ao mesmo tempo que elas querem, quando chega \u00e9 o terror da vida delas. (risos)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Vera Fischer Era Clubber - Ina @ Casa Rockambole, S\u00e3o Paulo - 31\/07\/2025\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kBHOgGWqyy8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu at\u00e9 ia entrar j\u00e1 nessa parte do hate um pouquinho mais para frente, mas j\u00e1 que voc\u00ea tocou nesse assunto: o que voc\u00eas acham que foi a coisa mais equivocada que j\u00e1 falaram de voc\u00eas nessa quest\u00e3o toda?<\/strong><br \/>\nPek0: Os dois milh\u00f5es ou bilh\u00f5es da Lei Rouanet que dizem que a gente recebeu. Olha, eu queria que essa fosse a realidade, entende? (risos) Essa eu li e fiquei assim: \u201cai que \u00f3dio, cara. S\u00e9rio, tipo, realmente voc\u00eas acreditam nisso?\u201d (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Mas isso parte de pessoas que n\u00e3o t\u00eam no\u00e7\u00e3o de como funcionam as leis de cultura. E Lei Rouanet \u00e9 uma lei federal, n\u00e3o tem nada a ver. S\u00e3o muitas coisas equivocadas, n\u00e3o existe \u201cmais equivocado\u201d. E qualquer coisa que voc\u00ea fala sobre um corte de dois minutos na internet \u00e9 equivocado, porque todo mundo \u00e9 muito mais complexo do que isso, entendeu? Ent\u00e3o todas as concep\u00e7\u00f5es s\u00e3o equivocadas. As pessoas t\u00eam o direito de tirar as conclus\u00f5es loucas delas e falar o que quiserem. E isso \u00e9 muito doido, porque obviamente elas falam o que elas querem, como discurso de \u00f3dio e tal. Tudo isso est\u00e1 envolvido e n\u00e3o deveria ser permitido, mas estou falando mais no sentido de elas olharem e falarem: &#8220;Ah, essas garotas moram em mans\u00e3o\u201d, \u201cessas garotas est\u00e3o a\u00ed porque elas pagaram a Roberta Martinelli&#8221;. Entendeu? Tipo, nada impede elas de falarem isso, tirarem conclus\u00f5es. De certa forma, a internet \u00e9 para isso, sabe? Para voc\u00ea dar opini\u00f5es equivocadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: Mas eu acho que essa falta de embasamento \u00e9 insuport\u00e1vel. E a\u00ed a gente conversa sobre isso do tipo \u201ccaralho amiga, o que a gente fez para acharem que a gente \u00e9 milion\u00e1ria? Nossa, a gente deve estar arrasando muito nos looks\u201d (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Mas as pessoas n\u00e3o t\u00eam no\u00e7\u00e3o como essas coisas funcionam e acontecem, entendeu? E essa imagem nas redes te descola, te desumaniza. No mundo real, as pessoas te veem ali no Rio e elas n\u00e3o est\u00e3o nem a\u00ed. Se elas olhassem na sua cara, elas jamais falariam isso para voc\u00ea. Se elas assistissem ao seu show, talvez elas at\u00e9 aplaudiriam e n\u00e3o falariam nada, entendeu? \u00c9 essa posi\u00e7\u00e3o do comentador an\u00f4nimo, da pessoa que est\u00e1 ali, que passa uma coisa no Instagram. \u00c9 um despejo de \u00f3dio que \u00e9 um um reflexo da pr\u00f3pria pessoa, entendeu? Do que ela tem dentro dela, de como ela passa os dias dela. Enfim, eu acho isso tudo muito doido, mas eu tamb\u00e9m acho que \u00e9 sintoma da \u00e9poca que a gente vive. N\u00e3o tem o que fazer. E tamb\u00e9m sintoma de se tornar uma imagem, que \u00e9 um um lugar inevit\u00e1vel de fazer arte hoje em dia. Querendo ou n\u00e3o, a sua arte chegar nas pessoas \u00e9 muito parte do desejo do artista. Voc\u00ea produz, voc\u00ea escreve, voc\u00ea quer ser lido, voc\u00ea faz m\u00fasica, voc\u00ea quer ser ouvido, voc\u00ea quer compartilhar com as pessoas, sen\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o faria, sabe? Voc\u00ea s\u00f3 pensava em fazer ou fazia e deixava quieto, mas uma vez que lan\u00e7ou, voc\u00ea quer que as pessoas vejam. Ent\u00e3o \u00e9 isso, n\u00e9? \u00c9 de novo essa duplicidade das coisas. \u00c9 bom e ruim. P\u00f4, foi foda a gente ter se transformado em uma imagem no celular e ter chegado na casa de v\u00e1rias pessoas e v\u00e1rias delas terem se apaixonado pelo nosso som. Voc\u00ea viu l\u00e1 a galera que estava l\u00e1 no show do (festival) 5 Bandas cantando. Isso \u00e9 muito emocionante, \u00e9 muito lindo. Mas tamb\u00e9m tem esse lado negativo: voc\u00ea se tornou uma imagem ali, a pessoa n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed para quem voc\u00ea \u00e9. Ela viu teu rosto por dois segundos e vai tirar a conclus\u00e3o dela, vai falar &#8220;foda-se\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: Uma coisa que eu ia pontuar \u00e9 que as coisas que surgem da MPB s\u00e3o t\u00e3o clich\u00eas, n\u00e9? As coisas s\u00e3o t\u00e3o pautadas dentro de um formatinho, principalmente essa coisa da MPB carioca. A coisa est\u00e1 t\u00e3o dentro de um aspecto de expectativa ou do que as pessoas esperam receber, que quando receberam nosso som, acho que entraram numa confus\u00e3o mental, sabe? \u201cComo que isso pode acontecer? Como que isso pode existir? Ah, s\u00f3 pagando pra aparecer\u201d. A\u00ed colocaram a gente numas caixinhas que n\u00e3o s\u00e3o as nossas, mas eu acho que isso se d\u00e1 muito por conta de uma cena que tamb\u00e9m n\u00e3o entrega coisas in\u00e9ditas. N\u00e3o que n\u00f3s sejamos assim t\u00e3o in\u00e9ditos, mas talvez sejamos para esse pessoal que nos viu nesse lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: Quando a gente come\u00e7ou a existir como banda, a tocar e sair do circuito de Niter\u00f3i, come\u00e7amos a tocar no Rio, tinha um desencaixe. A gente n\u00e3o se encaixava, n\u00e3o era como se o que a gente estava fazendo tinha uma outra galera fazendo tamb\u00e9m, n\u00e9?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"CULTURA LIVRE | VERA FISCHER ERA CLUBBER | 28\/03\/26\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mM5Dxy9QlwY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Entendo. Queria perguntar se j\u00e1 rolou algum convite para gravar algo com a Vera Fischer, participar de um show ou coisa assim. J\u00e1 tentaram? \u2028<\/strong><br \/>\nCrystal: A gente est\u00e1 esperando ela ir no show. \u00c9 s\u00f3 ela ir no show.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: Ah, n\u00e3o existe isso! N\u00e3o existe isso de esperando ela, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Existe sim. Pek0, parou! A gente poderia mandar um e-mail, s\u00f3 que a gente j\u00e1 chamou ela no show, ela sabe que a banda existe, s\u00f3 que ela est\u00e1 rodando por a\u00ed com teatro\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: Ela est\u00e1 rodando por a\u00ed com teatro, ela tem a vida dela. Mas eu n\u00e3o imagino ela indo num show nosso, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Ela \u00e9 uma diva, para que que ela ia querer parar e fazer isso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: A gente sonha com isso, a\u00ed se um dia ela for, vai estar l\u00e1 numa \u00e1rea vip pra ela, entendeu? Mas esse show ainda n\u00e3o chegou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Eu acho que um dia ela vai colar quando a gente estiver num lugar bem babado e a agenda dela tiver batendo com a nossa, sabe? Tipo um lugar que n\u00e3o seja um inferninho pra gente tocar, sabe? Que seja um lugar mais maneiro. Acho que ela iria. Eu acho, ela falou que iria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: Mas \u00e9 assim, nunca existiu esse contato, esse contato realmente concreto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Eu j\u00e1 mandei um v\u00eddeo para ela dizendo que amava ela, j\u00e1 estive com o maluco que contracena com ela na pe\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: Mas n\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 um contato direto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: N\u00e3o \u00e9 um contato direto? O maluco contracena com ela na pe\u00e7a, eu pedi para mandar um v\u00eddeo para ela. Ela est\u00e1 sabendo horrores, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: N\u00e3o, ela est\u00e1 sabendo sim! Mas o contato direto de voc\u00ea falar com ela: &#8220;Oi, Vera Fischer!&#8221;, nunca existiu isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: Ah, mas teve o v\u00eddeo que ela gravou com Angelina pra gente, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Teve o coment\u00e1rio dela no post do Popload. \u201cSucesso, meninas\u201d. Eu acho que ela comentou isso. Que ela postou que ouviu a nossa m\u00fasica tamb\u00e9m. Enfim \u00e9 um flerte a\u00ed que existe. Ela sabe que a gente existe, mas s\u00f3 n\u00e3o estivemos com ela ainda. Mas vai acontecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Malu: Eu acho que ela ainda n\u00e3o teve tempo de estar ali com a gente. Mas \u00e9 uma progress\u00e3o e aos poucos vamos chegando l\u00e1. A gente vai se aproximando aos poucos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Esses dois planetas ainda v\u00e3o se colidir. \u00c9 isso!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"vera fischer era clubber @ audio rebel: lololove u\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3OOmU5GJ7Mc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Onde voc\u00eas acham que a Vera Fischer era Clubber se encaixa hoje na m\u00fasica brasileira?<\/strong><br \/>\nPek0: M\u00fasica eletr\u00f4nica. M\u00fasica eletr\u00f4nica experimental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: Eu acho que \u00e9 rock. Porque pra mim rock, punk \u00e9 atitude. Rock n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um sonzinho que voc\u00ea faz assim ou assado\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Malu: Eu acho que est\u00e1 entre o experimental e o pop. S\u00e3o as coisas que mais se destacam, mas \u00e9 dif\u00edcil\u2026\u2028\u2028Vickluz: O pop \u00e9 cheio de atitudes e c\u00f3digos do rock. Ent\u00e3o para mim, Vera Fischer Era Clubber est\u00e1 recontextualizando o que \u00e9 rock hoje, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: N\u00e3o, eu acho que n\u00e3o \u00e9 rock n\u00e3o. Acho que n\u00f3s somos o pop brasileiro. Acho que a gente est\u00e1 junta com o pop de certa forma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Ah, eu n\u00e3o acredito nisso de g\u00eanero musical. Acho que tem pessoas que produzem m\u00fasica de g\u00eanero, mas eu acho que as fronteiras j\u00e1 se misturaram h\u00e1 muito tempo, entendeu? Voc\u00ea tem indie porque \u00e9 independente, indie g\u00eanero porque e as coisas v\u00e3o desenvolvendo caracter\u00edsticas pr\u00f3prias enquanto elas v\u00e3o existindo no mercado e se tornando linguagem. Ent\u00e3o assim, \u201cAAAA eu n\u00e3o sei!\u201d, mas eu acho que eu concordo com todas, entendeu? \u00c9 experimental para caralho, tem uma coisa do pop do chiclete, com certeza tem punk para caralho sim. \u00c9 eletr\u00f4nico tamb\u00e9m, Pek0. \u00c9 tudo isso ao mesmo tempo e n\u00e3o \u00e9 nada, entendeu? \u00c9 tipo assim, \u201cAAAA\u201d todos esses alfabetos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: Eu acho que quem misturou muito bem todos esses elementos \u00e9 o pop. E eu acho que o que de certa forma conecta a gente \u00e9 o pop\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Porque o que \u00e9 pop tamb\u00e9m, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: O pop \u00e9 uma coisa que muda de tempos em tempos n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: \u00c9 porque a gente nasce na gera\u00e7\u00e3o do pop&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Tudo bem, a gente consome as refer\u00eancias de atitude, de destrui\u00e7\u00e3o, de m\u00fasica at\u00e9 pode ser, mas assim, n\u00e3o sei, \u00e9 dif\u00edcil dizer porque assim, quando voc\u00ea olha a cena pop brasil \u00e9 Marina Sena, \u00e9 Anitta, \u00e9 Duda Beat\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: E n\u00e3o encaixa muito bem com a gente, n\u00e3o encaixa\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: N\u00e3o encaixa em lugar nenhum, mas eu entendo. A gente dialoga com elementos pop, faz parte, a gente usa desse alfabeto tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: Eu acho que a gente cria narrativas em cima desse universo, constr\u00f3i letra e tal\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>[Nesse momento todas as integrantes come\u00e7am a falar ao mesmo tempo para dar suas pr\u00f3prias opini\u00f5es e o \u00e1udio fica confuso e dif\u00edcil de acompanhar ou transcrever com exatid\u00e3o o papo todo, abaixo \u00e9 o melhor esfor\u00e7o desde rep\u00f3rter para tentar traduzir isso]<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: A gente pode ter c\u00f3digos do universos pop, mas tem a releitura ir\u00f4nica, a gente n\u00e3o faz pop tanto em performance quanto som. Por mais que possa ter uma m\u00fasica tipo \u201cA Gata Agora\u201d, vai ter uma pegadinha assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Eu sou filha da Britney, pode fazer o teste de DNA!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: Amiga, quem escuta s\u00e3o as gays, as monas e as\u2026<br \/>\nCrystal: N\u00e3o, teve um cara que mandou um heterossexual curtindo. Porra, Pek0\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: A gente est\u00e1 agradando. \u00c9 uma coisa mais universal\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: \u00c9 o qu\u00ea?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: Acho que para ser pop \u00e0s vezes tem que ser uma coisa mais universal assim.<br \/>\nPek0: Arca n\u00e3o \u00e9 um pop experimental?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Malu: (rindo)\u2028\u2028Vickluz: N\u00e3o! Arca nunca foi pop!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Arca \u00e9 100% experimental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: Mas \u00e9 experimental ou m\u00fasica eletr\u00f4nica?\u2028\u2028Malu: Pega leve! (rindo) \u2028\u2028Pek0: Eu acho meio pop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Mas ela traz esses elementos para, enfim, mastigar e canibalizar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: \u00c9 como eu acho que esse ponto da gente brinca com isso, entende? Da mesma forma que ela brinca com essa\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Mas assim. Ser\u00e1 que ela vai ler essa mat\u00e9ria? Mami beejoo. Ai gataaaa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: Ela \u00e9 a pura \u201c A Gata Agora\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Voc\u00ea queria isso, n\u00e9, Alexandre? [Crystal fala e olha s\u00e9rio pra c\u00e2mera]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00f3 para falar a minha percep\u00e7\u00e3o, quando voc\u00eas estavam falando o que faz parte do processo de ideias de composi\u00e7\u00e3o de voc\u00eas, me veio na cabe\u00e7a algo punk. Esse lance de procurar unir o que cada um gosta, n\u00e3o primar por uma t\u00e9cnica e procurar fazer algo diferente me vem muito a coisa do punk na cabe\u00e7a. Talvez voc\u00eas sejam punk em ess\u00eancia, mas n\u00e3o necessariamente no som.<\/strong><br \/>\nCrystal: N\u00e3o, tudo bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: Eu acho que \u00e9 por a\u00ed tamb\u00e9m. Eu concordo com voc\u00ea, \u00e9 bem por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: \u00c9 bem por a\u00ed, sim. \u00c9 completamente por a\u00ed.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"vera fischer era clubber @ circo voador: eu sem depress\u00e3o\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bZ8_h1z7FTk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda dentro na quest\u00e3o das m\u00fasicas: voc\u00eas come\u00e7am com as jams, uma coisa bem de experimenta\u00e7\u00e3o e tal, mas existe uma vontade de dialogar com o pop mais mainstream? Voc\u00eas est\u00e3o procurando isso?<\/strong><br \/>\nCrystal: Eu acho que n\u00e3o \u00e9 uma coisa que a gente busca conscientemente, n\u00e3o. Eu acho que a gente s\u00f3 est\u00e1 tentando fazer m\u00fasica sobre o agora, a\u00ed tudo fica junto nesse mesmo zeitgeist.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: Eu tenho um pouco isso com a quest\u00e3o instrumental sim, mas n\u00e3o trazendo refer\u00eancias diretas do que est\u00e1 acontecendo e tentando me posicionar naquilo que estou produzindo instrumentalmente. Mas acho que tenho uma afinidade por isso. Eu gosto, esse universo me encanta. Ent\u00e3o, querer fazer uma m\u00fasica, como eu sinto que foi fazer \u201cA Gata Agora\u201d, talvez fosse sobre encarar esse pop mainstream, porque \u00e9 a faixa que a gente teve mais ouvintes. Eu acho que at\u00e9 tenho esse flerte, mas n\u00e3o \u00e9 de uma forma t\u00e3o consciente assim. Eu deixo as coisas irem mais a princ\u00edpio de uma forma mais relaxada. Mas conforme a gente vai ali rebuscando a parada, tem um apelo em fazer com que os acordes sejam chicletes, e encontrar harmonias que grudem. Com &#8220;Fantasmas\u201d e \u201cA Gata Agora\u201d acho que t\u00eam um apelo mais assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: Eu acho que tem uma coisa legal que vejo e interpreto \u00e9 que as Veras \u00e9 um laborat\u00f3rio experimental de ir pesquisando juntas. Nesse nosso novo processo que estamos, com novos equipamentos e coisas do tipo, estamos explorando sonoridades e n\u00e3o necessariamente com pop mainstream, mas mais com coisas mais conscientes. Vamos explorar um house e a\u00ed vamos entender tecnicamente o que que \u00e9 um house, mas como a gente pode se apropriar disso e fazer coisas desse tipo, sabe? Mas sempre de uma forma muito l\u00fadica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobre essa quest\u00e3o l\u00fadica e de teatralidade, cinema, etc. Quando v\u00e3o se apresentar ao vivo, voc\u00eas interpretam um tipo de papel no palco ou s\u00e3o aquilo mesmo?<\/strong><br \/>\nVickluz: Eu acho que \u00e9 uma coisa meio espiritual. O palco \u00e9 uma descarga emocional\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Essa pergunta \u00e9 engra\u00e7ada\u2026 Eu acho que n\u00e3o existe isso de interpretar um papel no palco. Tipo, eu nem sei o que \u00e9 ser a mesma pessoa no palco e o que que \u00e9 ser eu. Mas assim, definitivamente palco e c\u00e2mera s\u00e3o coisas que fazem voc\u00ea agir diferente. \u00c9 da \u00edndole da coisa, n\u00e3o tem como fazer diferente, entendeu? Mas \u00e9 um lugar de responsabilidade, de fazer, morrer ou matar. Ent\u00e3o \u00e9 um outro tipo de pique de cabe\u00e7a, sabe? N\u00e3o \u00e9 como se voc\u00ea ficasse em casa de um jeito assistindo TV e se de repente seu ar condicionado pega fogo, voc\u00ea fica de outro. O palco \u00e9 um outro estado de esp\u00edrito. Mas n\u00e3o tem esse neg\u00f3cio de n\u00e3o ser a mesma pessoa. \u00c9, sei l\u00e1\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: E tipo assim, para mim \u00e9 sempre isso. Tem essa coisa da pessoa que eu sou depois do show, tem a que eu era, a que eu sou antes. E acho que est\u00e1 t\u00e3o preocupado e carregado do nosso pr\u00f3prio corpo, das nossas emo\u00e7\u00f5es, de estar em cima do palco, sabe? Isso gera uma s\u00e9rie de recompensas para n\u00f3s mesmos e modifica a gente. Ent\u00e3o, acho que a gente tem que considerar sim que somos pessoas diferentes no palco, porque na vida a gente assume de certa forma alguma coisa, mas n\u00e3o \u00e9 um personagem, \u00e9 o nosso corpo conversando com aquela din\u00e2mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: A minha m\u00e3e sempre fala para mim que \u00e9 um personagem\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[nesse momento a liga\u00e7\u00e3o do Google Meet cai e voltamos minutos depois para encerrar o papo]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu acho que talvez a Crystal n\u00e3o tenha curtido muito a pergunta que eu fiz, mas vou fazer meu mansplaining e comentar o porque fiz essa pergunta. Eu pergunto porque sou um cara t\u00edmido e reservado, mas tamb\u00e9m toco em bandas e fa\u00e7o shows, mas pra mim estar no palco \u00e9 muita adrenalina, passa muito r\u00e1pido e j\u00e1 me disseram que pare\u00e7o outra pessoa. E o David Bowie, por exemplo, quando subia no palco, tamb\u00e9m encarnava personagens porque era uma pessoa t\u00edmida. N\u00e3o foi no sentido de dizer que voc\u00eas n\u00e3o s\u00e3o pessoas verdadeiras no palco ou coisa do tipo. Foi mais nesse sentido de assumir uma postura diferente que eu quis dizer.<\/strong><br \/>\nCrystal: N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 isso de n\u00e3o gostar da pergunta! \u00c9 aquilo que te falei, n\u00e9? Voc\u00ea com essas suas coisas de \u201cverdade\u201d, \u201cquem \u00e9 voc\u00ea quando voc\u00ea t\u00e1 no palco\u201d, se voc\u00ea \u00e9 \u201coutra pessoa\u201d. \u00c9 que eu n\u00e3o acredito nessas coisas. Acredito que o que voc\u00ea est\u00e1 sendo ali no palco, \u00e9 uma faceta de voc\u00ea. Eu tamb\u00e9m n\u00e3o acredito nesse conceito de \u201cquem \u00e9 voc\u00ea?\u201d. Eu n\u00e3o sei quem eu sou. \u00c9 isso. A minha m\u00e3e disse para mim, \u201cn\u00e3o, voc\u00ea \u00e9 um personagem no palco\u201d, ela afirma, com certeza, mas eu n\u00e3o acho que ela sabe quem eu sou, entendeu? Se eu n\u00e3o sei, como \u00e9 que ela vai saber? Ent\u00e3o, \u00e9 porque eu acho que ser algu\u00e9m realmente n\u00e3o \u00e9 um conceito fixo. Sim, a gente se apega a algumas coisas, mas eu constantemente me surpreendo comigo mesma, com os meus limites e me recuso a descreditar a ideia de que aquilo sou eu, de que eu preciso fantasiar uma personalidade. Eu acho que todas as personalidades s\u00e3o fantasia, sabe? A gente age o tempo todo no presente, num modo meio\u2026 desesperado mesmo, n\u00e9? Enfim, eu acho meio dif\u00edcil. \u00c9 um ato de muita consci\u00eancia se descrever. E muito limitante tamb\u00e9m de certa forma. Mas eu amei essa pergunta (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: Eu n\u00e3o sei o que eu acho. Eu, por exemplo, venho do teatro. E nas Veras, eu tenho uma dificuldade de performar. Eu fico ali t\u00e3o concentrada, t\u00e3o presa ao que eu tenho que fazer, a me agarrar no \u201cn\u00e3o errar\u201d, que acho que me desmonto um pouco visualmente. \u00c0s vezes, se dan\u00e7o um pouquinho, me desconcentro e falo: &#8220;Meu Deus, n\u00e3o vou errar\u201d. Ui, fico nervosa. Acho que s\u00e3o rela\u00e7\u00f5es diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse pr\u00f3ximo disco vai sair por um selo ou independente?<\/strong><br \/>\nMalu: Continua independente, apesar de sair pela Palat\u00e1vel Records.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Sim, eles tamb\u00e9m s\u00e3o independentes, mas a gente ama e lan\u00e7a com eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: A gente continua independente. E a Palat\u00e1vel ajuda no nosso corre. O Augusto F\u00e9lix d\u00e1 todo esse amparo t\u00e9cnico e ajuda a gente para caramba, a divulgar show tamb\u00e9m. Mas o trabalho criativo e da concep\u00e7\u00e3o criativa \u00e9 muito nosso, temos muita autonomia. E isso que \u00e9 o legal de ser independente, de conseguir ter as nossas escolhas, a nossa liberdade. Mas quando as pessoas v\u00eaem a gente no Cultura Livre, parece que a gente est\u00e1 muito bem. Pelo recorte que as pessoas v\u00eam, parece que \u00e9 muito glamour, que \u00e9 muito lindo, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Mas foi-se a \u00e9poca onde ter um selo significava que voc\u00ea est\u00e1 muito bem, onde um selo tamb\u00e9m era uma grande coisa. As pessoas hoje em dia gravam e fazem selo em casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: Exatamente isso. Pessoas que olham de fora, n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o dessa precariza\u00e7\u00e3o. Aconteceu em todas as \u00e1reas e tamb\u00e9m para os artistas. Estar na televis\u00e3o n\u00e3o significa mais porra nenhuma, n\u00e9? H\u00e1 um tempo atr\u00e1s, estar na televis\u00e3o significava que voc\u00ea tinha vencido, que voc\u00ea estava com dinheiro. Hoje n\u00e3o\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: \u00c9, mas estamos vencendo, gente. \u00c9 mais sobre isso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Vera Fischer Era Clubber - Fantasmas @ Popload Festival, S\u00e3o Paulo - 31\/05\/2025\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HGMex7tHrYY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu sei que n\u00e3o tem nada de glamour porque vi voc\u00eas saindo no final do festival 5 Bandas carregando os pr\u00f3prios equipamentos. Ent\u00e3o, quem v\u00ea voc\u00eas aparecendo no Cultura Livre, pensa que devem estar ricas por a\u00ed, mas nada a ver (risos). Mas em termos de agenda de shows, o que voc\u00eas podem divulgar?<\/strong><br \/>\nCrystal: A gente vai em agosto para Goi\u00e1s, tocar no Festival Bananada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem alguma coisa espec\u00edfica que voc\u00eas gostariam de falar nessa entrevista que eu n\u00e3o perguntei?\u2028Malu: Uma coisa que vem a\u00ed \u00e9 um feat com Katy da Voz e As Abusadas. Ainda n\u00e3o tem data para sair, mas vamos decidir com a Palat\u00e1vel e vai ser muito foda e estamos muito animadas para isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: Vai ser um hino, vai ser a pior m\u00fasica do mundo. Escreve isso!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: Queria deixar um apelo assim para chamar a gente pra trabalhar, porque as Veras querem trabalhar. (Risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vickluz: Isso, a gente precisa rodar por a\u00ed e tocar mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crystal: As Veras tem que sentar o cu, trabalhar e fazer o \u00e1lbum sair, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: Mas as Veras querem dinheiro tamb\u00e9m. Elas querem fazer show por onde tiver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas voc\u00eas n\u00e3o est\u00e3o ricas com a Lei Rouanet, etc e tal? (risos)<\/strong><br \/>\nVickluz: Pior que n\u00e3o estamos! A gente precisa mesmo \u00e9 trabalhar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pek0: Chamem a gente! (risos)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"VERA FISCHER ERA CLUBBER - Ao Vivo no Centro de Artes UFF (11\/10\/2024)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GVG06j3hO4k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O que exatamente \u00e9 a Vera Fischer Era Clubber? 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