{"id":96696,"date":"2026-07-16T03:04:54","date_gmt":"2026-07-16T06:04:54","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=96696"},"modified":"2026-07-16T03:06:30","modified_gmt":"2026-07-16T06:06:30","slug":"entrevista-adem-tepedelen-fala-sobre-mudhoney-seattle-e-o-livro-que-escreveu-com-kim-thayil-soundgarden","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/07\/16\/entrevista-adem-tepedelen-fala-sobre-mudhoney-seattle-e-o-livro-que-escreveu-com-kim-thayil-soundgarden\/","title":{"rendered":"Entrevista: Adem Tepedelen fala sobre Mudhoney, Seattle e o livro que escreveu com (e sobre) Kim Thayil (Soundgarden)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ademtepedelen_\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Adem Tepedelen<\/a> t\u00eam mais de tr\u00eas d\u00e9cadas dedicadas ao jornalismo musical tendo se iniciado nos fanzines dos anos 1980 e posteriormente atuado em publica\u00e7\u00f5es como Decibel, Revolver e Rolling Stone. Autor de \u201c<a href=\"https:\/\/link.amazon\/B08N56pDt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Brewtal Truth Guide to Extreme Beers<\/a>\u201d (2013), Tepedelen expandiu sua atua\u00e7\u00e3o para o universo dos livros de mem\u00f3rias musicais com \u201c<a href=\"https:\/\/link.amazon\/B0f98N07r\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mud Ride: A Messy Trip Through the Grunge Explosion<\/a>\u201d (2023), escrito com Steve Turner, do Mudhoney, e \u201c<a href=\"https:\/\/link.amazon\/B09bEBsWl\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Fabulous Disaster: From the Garage to Madison Square Garden, the Hard Way<\/a>\u201d (2025), autobiografia de Gary Holt, do Exodus e Slayer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu trabalho mais recente, \u201c<a href=\"https:\/\/link.amazon\/B0c52FANn\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Screaming Life: Into the Superunknown with Soundgarden and Beyond<\/a>\u201d (2026), escrito em parceria com Kim Thayil, transcende os limites de uma simples autobiografia de m\u00fasico ou de um relato centrado exclusivamente no Soundgarden. A obra utiliza a trajet\u00f3ria de Thayil como ponto de partida para construir um retrato \u00edntimo e abrangente da cena underground de Seattle que, anos depois, daria origem ao fen\u00f4meno global conhecido como grunge.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir das mem\u00f3rias do guitarrista fundador do Soundgarden (ao lado de Chris Cornell e Hiro Yamamoto em 1984), o livro explora as conex\u00f5es entre bandas, artistas, fanzines, casas de shows, selos independentes e personagens que ajudaram a moldar um dos movimentos culturais mais influentes das \u00faltimas d\u00e9cadas. Ao mesmo tempo, apresenta novas perspectivas sobre epis\u00f3dios fundamentais da hist\u00f3ria da banda, incluindo os bastidores de sua forma\u00e7\u00e3o, a din\u00e2mica entre seus integrantes, o impacto da fama e as circunst\u00e2ncias que levaram \u00e0 separa\u00e7\u00e3o em 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta entrevista, Tepedelen revela que seu objetivo nunca foi escrever um livro sobre o Soundgarden, mas sim sobre Kim Thayil como indiv\u00edduo \u2014 suas ideias, influ\u00eancias, rela\u00e7\u00f5es pessoais, interesses culturais e vis\u00e3o de mundo. O autor discute o processo de constru\u00e7\u00e3o da obra a partir de centenas de horas de conversas e explica por que optou por privilegiar as lembran\u00e7as e reflex\u00f5es atuais de Thayil em vez de simplesmente reproduzir vers\u00f5es j\u00e1 conhecidas dos acontecimentos. O resultado, segundo ele, \u00e9 um relato mais humano e emocional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conversa tamb\u00e9m amplia algumas das reflex\u00f5es centrais presentes no livro ao analisar os fatores que permitiram o florescimento daquela comunidade art\u00edstica singular, marcada por um forte senso de pertencimento, colabora\u00e7\u00e3o e independ\u00eancia criativa. Em suas palavras, os m\u00fasicos e artistas locais compartilhavam a sensa\u00e7\u00e3o de que \u201ctodos pareciam fazer parte do mesmo time\u201d, em um ambiente relativamente isolado das press\u00f5es da ind\u00fastria musical. Confira!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-96697 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/life2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"739\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/life2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/life2-300x296.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes de entrarmos no novo livro, gostaria de come\u00e7ar falando sobre o seu trabalho como escritor. O que o atraiu inicialmente para o jornalismo musical? E o que despertou seu interesse em documentar artistas e cenas musicais em formatos mais extensos?<\/strong><br \/>\nComo acontece com a maioria das pessoas que acabam escrevendo sobre m\u00fasica, tudo come\u00e7ou porque eu era um grande f\u00e3 de m\u00fasica. Quando somos jovens, queremos participar desse universo de alguma forma. No meu caso, cresci ouvindo bandas como Beatles e Kiss. Algumas pessoas sonham em se tornar m\u00fasicos e formar bandas; outras preferem escrever sobre m\u00fasica. Fiz um pouco das duas coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das descobertas mais importantes da minha adolesc\u00eancia foi o universo dos fanzines. Nos anos 1980, quando eu estava crescendo, aquilo era algo relativamente novo para mim: a ideia de que qualquer pessoa podia criar sua pr\u00f3pria publica\u00e7\u00e3o independente. Gostei imediatamente desse conceito. Assim, quando tinha cerca de 16 ou 17 anos, comecei a produzir meus pr\u00f3prios fanzines porque estava entusiasmado com a m\u00fasica e queria escrever sobre ela. J\u00e1 havia lido outros fanzines e aquilo me inspirou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi assim que tudo come\u00e7ou. Eu gostava do processo e sentia que tinha alguma aptid\u00e3o para a escrita. Trabalhei no jornal da escola e continuei produzindo fanzines durante a universidade. Depois de me formar, mudei-me para Seattle, em 1990, e comecei a trabalhar na revista The Rocket, escrevendo reportagens e resenhas. A partir da\u00ed, minha trajet\u00f3ria profissional seguiu naturalmente esse caminho. Embora eu n\u00e3o tenha escrito exclusivamente sobre m\u00fasica ao longo de toda a carreira, ela ocupou um papel central durante grande parte da minha vida profissional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de muitos anos trabalhando para revistas musicais, passei a desejar escrever livros. Em 2013, surgiu a oportunidade de publicar um livro sobre cervejas artesanais chamado \u201cThe Brutal Truth Guide to Extreme Beers\u201d. Mesmo esse projeto tinha alguma liga\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica, j\u00e1 que eu escrevia para a revista Decibel. Com o tempo, o trabalho em revistas tornou-se financeiramente menos vi\u00e1vel, e eu decidi me concentrar nos livros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2019, a primeira pessoa que procurei para escrever uma autobiografia foi Kim Thayil. Naquele momento, por\u00e9m, ele ainda n\u00e3o estava pronto para esse tipo de projeto. Por diferentes raz\u00f5es, acabei realizando meu primeiro livro do g\u00eanero com Steve Turner, do Mudhoney: \u201cMud Ride\u201d. Foi a primeira vez que escrevi uma obra desse tipo, ent\u00e3o todo o processo serviu como aprendizado. Eu n\u00e3o tinha mentores nem algu\u00e9m que me orientasse sobre como fazer aquilo; fui aprendendo na pr\u00e1tica e encontrando meu pr\u00f3prio m\u00e9todo. Foi esse caminho que acabou me levando \u00e0 escrita de livros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Meu primeiro contato com o seu trabalho foi atrav\u00e9s de \u201cMud Ride\u201d mesmo. Achei o livro notavelmente bem escrito e perspicaz, equilibrando pesquisa hist\u00f3rica, contexto cultural e narrativa. Olhando para tr\u00e1s, o que a escrita desse livro lhe ensinou como autor?<\/strong><br \/>\nComo eu disse, foi a minha primeira experi\u00eancia escrevendo um livro desse tipo, ent\u00e3o aprendi muito. Uma das principais li\u00e7\u00f5es foi perceber que nem sempre \u00e9 a melhor ideia contar uma hist\u00f3ria de forma totalmente cronol\u00f3gica, come\u00e7ando no nascimento da pessoa e avan\u00e7ando linearmente at\u00e9 o presente. \u00c9 poss\u00edvel estruturar a narrativa de maneira mais din\u00e2mica, alternando per\u00edodos e temas, o que costuma tornar a leitura mais interessante. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ser excessivamente linear.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra coisa que aprendi foi a import\u00e2ncia de construir uma conex\u00e3o emocional mais forte dentro da narrativa. Talvez o livro do Steve n\u00e3o tenha alcan\u00e7ado esse aspecto com toda a intensidade que poderia. Estou satisfeito com o resultado e considero que foi um bom primeiro esfor\u00e7o. A recep\u00e7\u00e3o foi bastante positiva, mas acredito que faltou um pouco mais de envolvimento emocional com os leitores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, considero que o livro funciona muito bem como documento hist\u00f3rico. Steve p\u00f4de revelar aspectos importantes sobre as origens do grunge, algo que eu julgava essencial registrar. At\u00e9 ent\u00e3o, essa hist\u00f3ria havia sido contada principalmente por meio de hist\u00f3rias orais, reunindo diversas vozes e perspectivas diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu gostei da ideia de Steve atuar como uma esp\u00e9cie de testemunha principal desse processo. Afinal, ele cresceu em Seattle e esteve presente desde o in\u00edcio. Outras figuras importantes da cena, como Jeff Ament, mudaram-se para a cidade em algum momento de suas vidas. Jeff veio de Montana, por exemplo. Stone Gossard tamb\u00e9m nasceu e cresceu em Seattle, e sua trajet\u00f3ria est\u00e1 profundamente ligada \u00e0 de Steve no surgimento da cena musical local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meu interesse \u2014 e tamb\u00e9m o interesse da editora \u2014 era registrar a vis\u00e3o de Steve sobre como o grunge surgiu, quais eram suas origens musicais e como funcionava a cena de Seattle antes mesmo de o termo \u201cgrunge\u201d existir. Steve participou intensamente daquele per\u00edodo, que estava muito ligado ao hardcore.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse \u00e2ngulo espec\u00edfico ainda n\u00e3o havia sido explorado dessa maneira. Steve possu\u00eda um conhecimento detalhado dos acontecimentos, algo que considerei fascinante. Ainda assim, acredito que eu poderia ter desenvolvido melhor a dimens\u00e3o emocional da narrativa para aproximar mais os leitores da experi\u00eancia humana por tr\u00e1s da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-96698 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/mudreid.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"643\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/mudreid.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/mudreid-300x257.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o a experi\u00eancia adquirida ao escrever \u201cMud Ride\u201d influenciou sua abordagem em \u201cScreaming Life\u201d?<\/strong><br \/>\nAprendi v\u00e1rias li\u00e7\u00f5es sobre o que funciona e o que n\u00e3o funciona em uma narrativa desse tipo. Al\u00e9m disso, entre os dois livros escrevi outro projeto: a autobiografia de Gary Holt, guitarrista do Slayer e do Exodus. Trabalhar nesse livro e com outro editor tamb\u00e9m me ensinou muito. Quando cheguei ao projeto com Kim Thayil, j\u00e1 havia aprimorado significativamente minha abordagem geral, minha escrita e minha forma de construir hist\u00f3rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m tive a sorte de trabalhar com um excelente editor na HarperCollins. Para ser sincero, tive algumas dificuldades no in\u00edcio da escrita de \u201cScreaming Life\u201d. Houve algumas tentativas frustradas. Escrevi quatro ou cinco cap\u00edtulos, e o editor me disse que aquilo n\u00e3o correspondia exatamente ao que estavam procurando. Ele fez observa\u00e7\u00f5es muito \u00fateis e me apresentou boas sugest\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuei trabalhando no material at\u00e9 encontrar o caminho certo. Quando finalmente consegui definir a abordagem adequada, o restante do processo transcorreu de maneira bastante tranquila.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambos os livros tratam de hist\u00f3rias ligadas principalmente aos anos 1980 e 1990, e grande parte do seu trabalho gira em torno da m\u00fasica alternativa e da cultura desse per\u00edodo. O que continua fascinando voc\u00ea nos anos 1980 e 1990 como momento criativo e cultural?<\/strong><br \/>\nH\u00e1 v\u00e1rias raz\u00f5es para isso. Em certo sentido, os anos 1990 foram o \u00faltimo grande per\u00edodo do rock, por assim dizer. Cresci ouvindo bandas como Beatles e Kiss, ent\u00e3o possuo uma forma\u00e7\u00e3o musical profundamente ligada ao rock. Esse sempre foi o g\u00eanero que mais me atraiu. Mais tarde, no final dos anos 1970 e in\u00edcio dos anos 1980, passei a ouvir a New Wave of British Heavy Metal e o heavy metal em geral, que tiveram enorme influ\u00eancia sobre meu gosto musical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na metade dos anos 1980, meus interesses come\u00e7aram a se expandir. Fui apresentado ao punk e \u00e0 filosofia do \u201cfa\u00e7a voc\u00ea mesmo\u201d. Eu j\u00e1 tinha alguma familiaridade com essa ideia por causa dos fanzines, mas passei a apreci\u00e1-la tamb\u00e9m aplicada \u00e0 m\u00fasica. Esse contato com o punk \u2014 tanto musical quanto est\u00e9tica e ideologicamente \u2014 me fez compreender que o rock podia ser interpretado de in\u00fameras formas. N\u00e3o era algo r\u00edgido ou limitado a categorias como punk ou metal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi justamente nessa \u00e9poca que surgiram bandas dif\u00edceis de classificar. Onde encaixar Jane\u2019s Addiction? No metal? No punk? No funk? O mesmo acontecia com os Red Hot Chili Peppers, que misturavam diversas influ\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando ouvi as primeiras bandas de Seattle, em meados dos anos 1980, tive uma experi\u00eancia semelhante. A primeira delas foi Green River, atrav\u00e9s do EP \u201cCome On Down\u201d (1985). Curiosamente, descobri o grupo por meio de uma revista de metal chamada Metal Forces. A partir daquele momento, Green River se tornou minha porta de entrada para toda a cena. Conheci a colet\u00e2nea \u201cDeep Six\u201d (1986), e foi como se um novo universo se abrisse diante de mim. Foi nesse momento que conheci bandas como Melvins, Malfunkshun, Soundgarden, U-Men, Green River e outros grupos fundamentais daquela cena. A partir da\u00ed, fui completamente conquistado, porque aquelas bandas dialogavam diretamente com os meus interesses musicais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Havia uma escurid\u00e3o sonora que podia remeter tanto ao metal quanto ao p\u00f3s-punk, a grupos como Bauhaus. Ao mesmo tempo, havia influ\u00eancias claras do hardcore punk. Skin Yard tamb\u00e9m estava presente naquela colet\u00e2nea. Existiam ainda elementos psicod\u00e9licos. Era uma verdadeira fus\u00e3o de estilos. O mais interessante \u00e9 que eu gostava de todos aqueles g\u00eaneros individualmente, mas nunca havia imaginado que eles pudessem ser combinados daquela forma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que os anos 1980 e 1990 representaram um florescimento extraordin\u00e1rio do rock. O g\u00eanero passou a incorporar influ\u00eancias muito diversas e tornou-se muito mais aberto. O pr\u00f3prio metal passou por um processo semelhante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acredito que a maioria das pessoas desenvolve uma liga\u00e7\u00e3o especial com determinada \u00e9poca ou estilo musical. \u00c9 como se aquele per\u00edodo deixasse uma marca permanente. Para o resto da vida, elas continuam retornando \u00e0quela m\u00fasica. No meu caso, esse per\u00edodo foi justamente o final dos anos 1980 e o in\u00edcio dos anos 1990. \u00c9 a m\u00fasica que mais me agrada, o contexto com o qual me sinto confort\u00e1vel para escrever e uma \u00e9poca que vivi de perto. Morei em Seattle entre 1990 e 2002, ent\u00e3o testemunhei toda a agita\u00e7\u00e3o, a empolga\u00e7\u00e3o e o crescimento daquela cena. Foi um per\u00edodo extremamente estimulante.<\/p>\n<figure id=\"attachment_96699\" aria-describedby=\"caption-attachment-96699\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-96699\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/life3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"682\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/life3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/life3-300x273.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-96699\" class=\"wp-caption-text\"><em>Registro do primeiro encontro entre Kim e Adam, em 2019 \/ Foto de Sara Bennett<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sua resposta dialoga bastante com a pr\u00f3xima pergunta. Em \u201cA Screaming Life\u201d, Seattle aparece como uma verdadeira comunidade underground, onde m\u00fasicos, f\u00e3s, promotores, selos independentes e casas de show pareciam profundamente conectados. Olhando para tr\u00e1s, que fatores permitiram que aquele ambiente florescesse?<\/strong><br \/>\nAcho que houve uma combina\u00e7\u00e3o de fatores. Seattle sempre foi um lugar muito criativo. Havia muitas pessoas criativas e a cidade tinha uma mentalidade bastante aberta nesse sentido. Al\u00e9m disso, Seattle era um tipo diferente de cidade porque, de certa forma, era relativamente isolada do restante do pa\u00eds. Pode parecer estranho dizer isso, mas especialmente naquela \u00e9poca era uma cidade bastante distante dos grandes centros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cidade grande mais pr\u00f3xima era Portland, e l\u00e1 ainda tinha um perfil bastante oper\u00e1rio. Se pensarmos em grandes metr\u00f3poles, a mais pr\u00f3xima era San Francisco, que ficava muito longe. Em v\u00e1rios aspectos, Seattle funcionava como uma esp\u00e9cie de ilha. Estava livre da aten\u00e7\u00e3o constante das gravadoras e de muitas outras influ\u00eancias externas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pessoas se sentiam confort\u00e1veis para fazer suas pr\u00f3prias coisas. N\u00e3o estavam necessariamente preocupadas com o que acontecia em San Francisco, Los Angeles ou Nova York. Simplesmente seguiam o seu pr\u00f3prio caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m parecia haver muitos m\u00fasicos e artistas que compartilhavam uma vis\u00e3o semelhante. Havia ainda um sentimento de que todos estavam do mesmo lado. N\u00e3o existia muita competi\u00e7\u00e3o. Em parte porque n\u00e3o havia muito pelo que competir. N\u00e3o havia dinheiro circulando. Ningu\u00e9m estava enriquecendo. N\u00e3o existiam grandes oportunidades financeiras em disputa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, todos pareciam fazer parte do mesmo time. A cena tamb\u00e9m contava com boas revistas e fanzines apoiando os artistas locais, como a revista The Rocket e o fanzine Backlash. Era um ambiente muito amig\u00e1vel. Pelo que pude observar, as pessoas se davam bem e apoiavam umas \u00e0s outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Do seu ponto de vista como pesquisador e escritor, voc\u00ea v\u00ea algo compar\u00e1vel ao ecossistema de Seattle daquela \u00e9poca no cen\u00e1rio musical atual?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, e acredito que dificilmente veremos algo parecido novamente. O mundo \u00e9 diferente hoje. A forma como as pessoas descobrem m\u00fasica mudou completamente. Atualmente, um amigo pode mencionar uma banda e, imediatamente, voc\u00ea pode procurar a p\u00e1gina dela no Bandcamp ou em outra plataforma e ouvi-la na mesma hora. Naquela \u00e9poca, era diferente. Voc\u00ea precisava comprar o CD ou o disco, pedir uma m\u00fasica na r\u00e1dio, ouvi-la em uma r\u00e1dio universit\u00e1ria ou pegar o \u00e1lbum emprestado com um amigo. Era uma maneira completamente diferente de descobrir bandas e de consumir m\u00fasica. Por isso costumo dizer que, de certa forma, a cena do rock morreu nos anos 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A internet come\u00e7ou a mudar tudo. Depois veio o MySpace, e o impacto foi semelhante. De repente, era poss\u00edvel ouvir instantaneamente praticamente qualquer banda que tivesse colocado m\u00fasicas online. Isso mudou completamente as coisas. N\u00e3o acredito que veremos novamente uma cena local como a de Seattle se desenvolver da mesma forma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seattle ainda possui uma cena musical muito vibrante. Continua sendo uma cidade com muita atividade musical. Mas hoje ela \u00e9 muito mais ampla e diversificada. J\u00e1 a cena da qual surgiu o grunge era extremamente pequena. Havia relativamente poucas pessoas envolvidas, tanto entre os m\u00fasicos quanto entre os f\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso s\u00f3 come\u00e7ou a mudar quando bandas como Nirvana, Soundgarden e Pearl Jam alcan\u00e7aram reconhecimento nacional. Foi ent\u00e3o que muitas pessoas dos sub\u00farbios descobriram aquela cena e passaram a frequentar os clubes da cidade. Elas tomaram conhecimento de um estilo musical que existia praticamente ao lado delas, mas que s\u00f3 perceberam quando o viram na MTV ou em outros meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, embora Seattle continue tendo uma boa cena musical, trata-se de algo muito diferente. Pessoalmente, n\u00e3o acredito que veremos uma cena semelhante \u00e0 de Seattle surgir em outro lugar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Soundgarden - Live In Lollapalooza Brasil 2014\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZgOpjttYDnA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos falar agora sobre \u201cA Screaming Life\u201d. Qual foi a centelha inicial para o projeto? Por que aquele parecia ser o momento certo para um livro relacionado ao universo do Soundgarden?<\/strong><br \/>\nNa verdade, eu nunca enxerguei o projeto como um livro sobre o Soundgarden. Sempre o vi como um livro sobre Kim Thayil. Obviamente, o Soundgarden ocupa uma parte muito importante da hist\u00f3ria dele, mas meu interesse principal era contar a trajet\u00f3ria de Kim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Achei que aquele seria um bom momento para isso por algumas raz\u00f5es. Em primeiro lugar, o Soundgarden j\u00e1 n\u00e3o existia mais como uma banda ativa. Quando procurei Kim pela primeira vez, em 2019, j\u00e1 haviam se passado alguns anos desde a morte de Chris Cornell e o grupo n\u00e3o estava realizando nenhuma atividade significativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Kim tamb\u00e9m \u00e9 cerca de sete anos mais velho do que eu. Naquele momento, aproximava-se dos 60 anos de idade, e n\u00e3o me parecia algu\u00e9m prestes a iniciar uma nova banda ou embarcar em um projeto semelhante. Por isso imaginei que talvez ele estivesse disposto a refletir sobre sua trajet\u00f3ria e sua carreira. Creio que o momento foi relativamente favor\u00e1vel, porque ele demonstrou certa receptividade \u00e0 ideia. No entanto, a pandemia acabou interrompendo os planos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s nos encontramos pela primeira vez em novembro de 2019 e hav\u00edamos combinado um novo encontro para mar\u00e7o de 2020. Isso n\u00e3o aconteceu porque a fronteira foi fechada. Eu morava no Canad\u00e1 e n\u00e3o podia viajar para Seattle. O projeto acabou sendo adiado, mas mantivemos contato. Kim continuou demonstrando interesse na proposta. Quando as restri\u00e7\u00f5es da pandemia come\u00e7aram a diminuir, voltamos a nos encontrar pessoalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em algum momento, entre 2022 e 2023, ele decidiu seguir adiante com o projeto, e ent\u00e3o iniciamos efetivamente o trabalho. \u00c9 um processo longo. Mesmo depois que duas pessoas concordam em trabalhar juntas, ainda existe toda a etapa de conseguir um contrato editorial e organizar a publica\u00e7\u00e3o. H\u00e1 outro ponto importante. No fim das contas, a decis\u00e3o sempre foi de Kim. N\u00e3o posso falar por ele nem afirmar exatamente quais foram suas motiva\u00e7\u00f5es. O que posso dizer \u00e9 que ele estava receptivo \u00e0 ideia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outras entrevistas, ele comentou um pouco sobre isso, mas minha impress\u00e3o \u00e9 que simplesmente sentiu que aquele era o momento certo para falar sobre determinadas quest\u00f5es. E n\u00e3o apenas sobre o Soundgarden. Ele queria abordar muitos outros aspectos da sua vida, interesses e experi\u00eancias. Acredito que, de modo geral, ele sentiu que havia chegado a hora adequada para compartilhar essa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando sobre o processo, que tipo de pesquisa voc\u00ea realizou para o livro? Houve alguma fonte, arquivo ou entrevista que tenha sido particularmente valiosa para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nPara ser sincero, como este \u00e9 um livro de mem\u00f3rias e n\u00e3o uma biografia propriamente dita, ele trata das lembran\u00e7as de Kim e da hist\u00f3ria que ele queria contar. Por isso, n\u00e3o dediquei muito tempo \u00e0 pesquisa de entrevistas antigas ou materiais semelhantes, porque esse n\u00e3o era o meu interesse principal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando voc\u00ea consulta esse tipo de material, est\u00e1 ouvindo a opini\u00e3o que uma pessoa tinha naquele momento espec\u00edfico da vida. O livro deveria refletir a fase atual da vida dele, porque, ao olhar para tr\u00e1s, provavelmente possui pontos de vista, sentimentos e percep\u00e7\u00f5es diferentes sobre os acontecimentos. Era isso que eu queria registrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fiz pesquisas, mas de forma cont\u00ednua e pontual, principalmente para esclarecer detalhes espec\u00edficos. Durante nossas conversas, \u00e0s vezes n\u00e3o t\u00ednhamos certeza sobre uma data ou sobre a ordem em que determinados acontecimentos ocorreram. Nesses casos, eu verificava as informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas eu n\u00e3o estava tentando confront\u00e1-lo constantemente com os fatos. Afinal, como acontece em qualquer livro de mem\u00f3rias, a narrativa deve ser constru\u00edda a partir das lembran\u00e7as da pr\u00f3pria pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, Kim tem uma mem\u00f3ria extraordinariamente boa. Posso afirmar isso sem hesita\u00e7\u00e3o. Na maioria das vezes, quando eu questionava algum detalhe e perguntava se ele tinha certeza sobre determinada informa\u00e7\u00e3o, ele acabava estando correto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, n\u00e3o diria que realizei uma pesquisa extensa nem que utilizei algum arquivo espec\u00edfico de forma sistem\u00e1tica. O que eu fazia era verificar determinados fatos ao longo do processo, porque queria que o livro refletisse as lembran\u00e7as atuais de Kim e seus sentimentos presentes em rela\u00e7\u00e3o aos acontecimentos do passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Posso dar um exemplo. Se algu\u00e9m decide pesquisar por que o Soundgarden se separou e consulta as declara\u00e7\u00f5es da \u00e9poca, encontra a vers\u00e3o apresentada pela banda em 1997. A mensagem era algo como: \u201cChegou a hora de seguirmos caminhos diferentes\u201d, uma explica\u00e7\u00e3o bastante amig\u00e1vel, sugerindo que todos estavam confort\u00e1veis com a decis\u00e3o. Mas, como o livro mostra, essa n\u00e3o era exatamente a realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 verdade que alguns integrantes estavam esgotados. Mas o que realmente aconteceu foi que Chris Cornell decidiu deixar a banda. Ele procurou cada integrante individualmente e disse que estava saindo. Foi isso. E, como relatado no livro, ningu\u00e9m tentou impedi-lo. Ben Shepherd parece ter sido quem ficou mais incomodado com a situa\u00e7\u00e3o, mas Matt Cameron e Kim simplesmente aceitaram a decis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olhando para tr\u00e1s, Kim reconhece que talvez deixar Chris sair n\u00e3o tenha sido a melhor escolha. Talvez a banda devesse ter feito uma pausa em vez de encerrar suas atividades. O ponto \u00e9 que determinadas quest\u00f5es precisam ser compreendidas a partir do contexto atual. Em vez de me concentrar na vers\u00e3o divulgada vinte e cinco ou trinta anos atr\u00e1s, eu estava interessado em saber como Kim entende aqueles acontecimentos hoje.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Soundgarden Talk &#039;Superunknown&#039; &amp; &#039;Spoonman&#039; in Seattle (1994) | MTV Rewind\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8igylZAq6k4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Durante o processo de escrita, voc\u00ea se deparou com alguma hist\u00f3ria ou descoberta que realmente o surpreendeu?<\/strong><br \/>\nHouve coisas que eu realmente n\u00e3o sabia. Toda a hist\u00f3ria sobre Chris ter deixado a banda quando ela se separou, por assim dizer. Eu n\u00e3o sabia disso. Na verdade, ningu\u00e9m sabia, porque, como eu disse, essa n\u00e3o era a vers\u00e3o apresentada pela banda na \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que Kim se sentiu \u00e0 vontade para contar o verdadeiro motivo. Em vez de eu relatar tudo e acabar estragando a experi\u00eancia para os leitores, diria apenas que h\u00e1 algumas surpresas no livro que as pessoas provavelmente nunca ouviram ou leram antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 natural que, quando voc\u00ea conversa com algu\u00e9m com esse n\u00edvel de profundidade, acabe descobrindo coisas das quais n\u00e3o fazia ideia. Dito isso, eu n\u00e3o sou o tipo de f\u00e3 que conhece cada pequeno detalhe da hist\u00f3ria de uma banda. N\u00e3o sou algu\u00e9m que leu todas as entrevistas j\u00e1 concedidas por um artista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu conhecia bastante a trajet\u00f3ria do Soundgarden, obviamente. Conhecia a carreira da banda, todas as m\u00fasicas e esse tipo de coisa. Mas n\u00e3o tinha lido todas as entrevistas que eles deram desde o final dos anos 1980. Portanto, eu n\u00e3o era a pessoa que estava tentando descobrir informa\u00e7\u00f5es obscuras que nunca tinha ouvido antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O foco era permitir que Kim contasse suas hist\u00f3rias. Ao longo das nossas muitas conversas, surgiram relatos que eu sabia que jamais haviam sido divulgados publicamente ou pela imprensa. Isso foi muito interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, para ser sincero, parte desse material nem chegou ao livro por diferentes motivos. Mas certamente algumas dessas hist\u00f3rias est\u00e3o l\u00e1 quando faziam sentido dentro da narrativa que est\u00e1vamos construindo. A hist\u00f3ria da separa\u00e7\u00e3o da banda foi uma das que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o, porque eu realmente n\u00e3o conhecia a verdade sobre aquilo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para mim uma coisa que me chamou aten\u00e7\u00e3o foi descobrir que Chris Cornell era baterista no come\u00e7o do Soundgarden\u2026<\/strong><br \/>\nSim, eu j\u00e1 sabia disso. Definitivamente. Infelizmente, nunca tive a oportunidade de v\u00ea-los naquela fase da carreira. Pelo que Kim se recorda, eles fizeram talvez pucos shows com Chris na bateria. Mesmo nesses shows, eles trocavam de instrumentos em alguns momentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o me lembro exatamente como funcionava. Acho que Hiro (primeiro baixista da banda) costumava cantar em algumas m\u00fasicas. De qualquer forma, eles fizeram talvez meia d\u00fazia de apresenta\u00e7\u00f5es com Chris tocando bateria. Dito isso, eles compuseram muito material durante esse per\u00edodo e chegaram a gravar essas m\u00fasicas. A banda registrava muitas das pr\u00f3prias grava\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o boa parte dessa fase ficou documentada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles continuaram tocando algumas dessas m\u00fasicas mesmo depois que Scott Sundquist entrou como baterista e Chris passou a assumir os vocais. Mas certamente houve m\u00fasicas que acabaram sendo deixadas de lado porque Scott n\u00e3o se sentia confort\u00e1vel tocando-as. Esses primeiros anos da banda s\u00e3o muito interessantes. Por isso, fico feliz que o livro apresente hist\u00f3rias novas para as pessoas conhecerem.<\/p>\n<figure id=\"attachment_96702\" aria-describedby=\"caption-attachment-96702\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-96702\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/life6.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/life6.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/life6-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/life6-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-96702\" class=\"wp-caption-text\">Soundgarden em Londres<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como era a din\u00e2mica entre voc\u00eas durante o processo de escrita?<\/strong><br \/>\nBasicamente, por falta de uma express\u00e3o melhor, trabalhar com algu\u00e9m em suas mem\u00f3rias \u00e9 algo bastante \u00edntimo. A pessoa inevitavelmente compartilha aspectos muito pessoais da pr\u00f3pria vida. E eu diria que talvez seja por isso que os livros do Gary e do Kim tenham tido uma resson\u00e2ncia emocional maior do que o livro do Steve. Eles estavam dispostos a se abrir mais e falar sobre quest\u00f5es mais profundas e emocionais. Por isso, precisa existir confian\u00e7a. Eles precisam confiar que voc\u00ea n\u00e3o vai compartilhar algo que n\u00e3o deveria ser compartilhado e que tratar\u00e1 com cuidado e respeito as informa\u00e7\u00f5es que est\u00e3o lhe confiando. Voc\u00ea acaba desenvolvendo uma amizade e uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a com a pessoa com quem est\u00e1 trabalhando. No caso de Kim e eu, nos encontramos pessoalmente talvez umas seis vezes para nossas conversas. Mas, para ser sincero, a maior parte do trabalho foi feita por telefone. N\u00f3s convers\u00e1vamos regularmente, tentando fazer pelo menos uma liga\u00e7\u00e3o por semana. Essas conversas duravam cerca de uma hora e meia ou duas horas, dependendo do dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois, elas eram transcritas e se tornavam a mat\u00e9ria-prima da qual eu retirava o material para escrever o livro e contar a hist\u00f3ria. O livro acabou tendo aproximadamente noventa mil palavras. Mas n\u00f3s transcrevemos algo pr\u00f3ximo de trezentas mil palavras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, houve uma enorme quantidade de material que n\u00e3o foi utilizada. Isso n\u00e3o significa que as outras duzentas mil palavras fossem todas aproveit\u00e1veis. Muitas coisas se repetiam ou simplesmente n\u00e3o faziam sentido dentro do livro. Mas conversamos muito. Passamos muito tempo cobrindo in\u00fameros assuntos por meio dessas conversas telef\u00f4nicas que depois eram transcritas. E eu procurei preservar ao m\u00e1ximo a voz de Kim no livro. N\u00e3o queria pegar as palavras dele e reinterpret\u00e1-las. Queria manter suas pr\u00f3prias palavras da forma mais pr\u00f3xima poss\u00edvel de como foram ditas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse sentido houve momentos em que sua perspectiva e a de Kim divergiram? Mas imagino que isso n\u00e3o tenha sido um problema.<\/strong><br \/>\nMeu trabalho era, em grande medida, respeitar a vis\u00e3o dele. Tivemos algumas discuss\u00f5es. N\u00e3o diria discuss\u00f5es no sentido de brigas, mas conversas mais intensas. \u00c0s vezes ele dizia que n\u00e3o queria incluir determinado trecho da forma como estava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E eu, em algumas ocasi\u00f5es, defendia com bastante convic\u00e7\u00e3o que aquilo deveria permanecer. Tivemos debates sobre a maneira de formular certas passagens ou mesmo sobre a inclus\u00e3o de determinados conte\u00fados Se eu achava que algo era importante ou que ele estava sendo excessivamente cauteloso, tentava argumentar a favor da inclus\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o porque eu tivesse algum interesse pessoal em ver aquilo publicado, mas porque acreditava que melhorava a hist\u00f3ria. Com o tempo, tivemos tantas conversas que passamos a falar com bastante franqueza um com o outro. Ele podia contestar minhas opini\u00f5es, e eu podia fazer o mesmo. N\u00e3o chegamos a ter discuss\u00f5es propriamente ditas, mas houve situa\u00e7\u00f5es em que precis\u00e1vamos conversar bastante at\u00e9 chegar a uma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso \u00e9 normal! Depois de tanto tempo trabalhando juntos, o que voc\u00ea aprendeu sobre Kim que mais o surpreendeu?<\/strong><br \/>\nEu procurei n\u00e3o come\u00e7ar o projeto com ideias preconcebidas sobre quem ele era. Por isso, n\u00e3o diria que fiquei surpreso. Mas aprendi muitas coisas sobre ele. Ele \u00e9 extremamente inteligente. Realmente muito inteligente. E incrivelmente talentoso como m\u00fasico, algo que eu obviamente j\u00e1 sabia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Krist Novoselic&#039;s Giants in the Trees + Kim Thayil - &quot;Drone&quot; Alice In Chains | MoPOP Founders Award\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Q0MK0rEL1wE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00f3 uma curiosidade: eu adorei a hist\u00f3ria sobre o roteiro de Superman que ele escreveu para a DC Comics, mas que acabou n\u00e3o sendo aprovada\u2026<\/strong><br \/>\nEle era um enorme f\u00e3 de hist\u00f3rias em quadrinhos quando era mais jovem. E acho que, em algum momento, imaginou a possibilidade de se tornar roteirista de quadrinhos. Mas, acima de tudo, ele \u00e9 uma pessoa extremamente inteligente, muito gentil e muito generosa. \u00c9 uma pessoa realmente interessante e \u00fanica. N\u00e3o existe ningu\u00e9m como ele. Passei a apreciar profundamente quem ele \u00e9 como indiv\u00edduo, e n\u00e3o apenas como m\u00fasico ou artista. Ele \u00e9 simplesmente uma pessoa boa, inteligente, interessante e atenciosa. E fico feliz por ter tido a oportunidade de trabalhar com ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos falar sobre o Soundgarden. Por que voc\u00ea acha que a banda continua ressoando entre gera\u00e7\u00f5es mais jovens que n\u00e3o viveram a fase original da banda?<\/strong><br \/>\nBem, especialmente os dois \u00faltimos \u00e1lbuns da primeira fase da banda, antes da primeira separa\u00e7\u00e3o, \u201cSuperunknown\u201d (1994) e \u201cDown on the Upside\u201d (1996), tiveram alguns sucessos realmente impressionantes. Acho que essas m\u00fasicas continuam sendo tocadas e mant\u00eam o Soundgarden presente na mem\u00f3ria das pessoas. Voc\u00ea ouve essas can\u00e7\u00f5es e pensa: \u201cQuero ouvir o \u00e1lbum de onde elas vieram\u201d. Depois, talvez voc\u00ea descubra que gosta muito daquele disco e passe a explorar mais profundamente a carreira da banda. Ent\u00e3o voc\u00ea percebe que eles tiveram uma trajet\u00f3ria bastante interessante. Acho que a maioria dos \u00e1lbuns do Soundgarden tem uma identidade pr\u00f3pria. Cada um soa diferente dos demais de alguma maneira, e todos cont\u00eam material muito interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De certa forma, comparo isso \u00e0 minha pr\u00f3pria descoberta do Led Zeppelin. Eu n\u00e3o ouvia Led Zeppelin quando era crian\u00e7a. Ouvia mais Beatles porque era o que minha m\u00e3e escutava. Mas, quando fiquei mais velho e comecei a formar meus pr\u00f3prios gostos musicais, conheci o Led Zeppelin. Ent\u00e3o quis aprender tudo sobre a banda. Voltei aos diferentes \u00e1lbuns e percebi quantos tipos de m\u00fasica eles eram capazes de fazer. E acho que, em muitos aspectos, acontece algo semelhante com o Soundgarden. N\u00e3o estou dizendo que o Soundgarden seja o novo Led Zeppelin \u2014 n\u00e3o me entenda mal. N\u00e3o acredito nisso. Eles s\u00e3o uma banda \u00fanica e extraordin\u00e1ria por m\u00e9rito pr\u00f3prio. Mas possuem uma variedade muito ampla de material, que atrai diferentes pessoas por diferentes motivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parte desse material \u00e9 pesada, r\u00e1pida e agressiva. Outra parte \u00e9 extremamente emocional e bela. H\u00e1 muitos elementos distintos com os quais as pessoas podem se identificar e dos quais podem gostar. E, no fim das contas, eles simplesmente t\u00eam \u00f3timas m\u00fasicas. M\u00fasicas muito marcantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Concordo. Esses dois \u00e1lbuns que voc\u00ea mencionou provavelmente s\u00e3o os meus favoritos.<\/strong><br \/>\nS\u00e3o realmente muito bons!<\/p>\n<figure id=\"attachment_96701\" aria-describedby=\"caption-attachment-96701\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-96701\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/life5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/life5.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/life5-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/life5-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-96701\" class=\"wp-caption-text\"><em>Kim e Chris ao vivo com o Soundgarden<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois de concluir \u201cA Screaming Life\u201d, o que voc\u00ea espera que os leitores levem consigo, n\u00e3o apenas sobre o Soundgarden, mas tamb\u00e9m sobre criatividade, comunidade e o contexto cultural que deu origem \u00e0 banda?<\/strong><br \/>\nAcho que o livro mostra com bastante clareza como tudo isso surgiu e se desenvolveu em uma \u00e9poca diferente. N\u00e3o estou dizendo que as pessoas devam tentar reproduzir aquilo, ou que isso sequer seja poss\u00edvel. Mas, do ponto de vista hist\u00f3rico, \u00e9 interessante olhar para tr\u00e1s e entender como tudo aconteceu e em quais circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m \u00e9 importante observar a dedica\u00e7\u00e3o que aqueles m\u00fasicos tinham \u00e0 m\u00fasica e uns aos outros. Um dos temas centrais do livro, e algo muito importante para Kim, s\u00e3o os relacionamentos. Ele valorizava \u2014 e continua valorizando \u2014 os relacionamentos que construiu com as pessoas que fizeram parte do Soundgarden.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E n\u00e3o me refiro apenas a Matt, Ben e Chris, que s\u00e3o os integrantes mais conhecidos. Ele ainda tem sentimentos muito fortes em rela\u00e7\u00e3o a Hiro Yamamoto e tamb\u00e9m a Scott Sundquist, que permaneceu na banda por um per\u00edodo relativamente curto. Kim considera Scott uma parte muito importante da hist\u00f3ria do Soundgarden.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, os relacionamentos s\u00e3o um tema fundamental: a import\u00e2ncia de preserv\u00e1-los, cultiv\u00e1-los e mant\u00ea-los. Kim tamb\u00e9m aponta que, quando se perde isso de vista, podem surgir alguns dos problemas que o Soundgarden enfrentou. Acho que, para os jovens de hoje, o livro oferece a oportunidade de olhar para os anos 1980 e 1990 e entender como as coisas eram naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o est\u00e1vamos todos olhando para celulares ou para telas de computador. N\u00f3s frequent\u00e1vamos clubes, assist\u00edamos a shows, escrev\u00edamos nossas pr\u00f3prias m\u00fasicas e produz\u00edamos nossos pr\u00f3prios fanzines. Era uma cultura muito diferente daquela em que tudo isso se desenvolveu. Por isso, para algumas pessoas, o livro pode ser revelador simplesmente por mostrar como era aquele ambiente. Como era a cena que deu origem a essas bandas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para finalizar, existe algum novo projeto em andamento sobre o qual voc\u00ea possa falar?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 nada que eu possa anunciar neste momento. Estou sempre trabalhando em algo novo, mas isso \u00e9 tudo o que posso dizer. Gostaria de ter algo oficial para anunciar, mas ainda n\u00e3o \u00e9 o caso. Espero que haja alguma novidade em um futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Espero que o livro do Kim seja traduzido e publicado em algum momento em portugu\u00eas. N\u00e3o sei se isso vai acontecer, mas espero que sim.<\/strong><br \/>\nGostaria que ele fosse traduzido para muitos idiomas e pudesse estar dispon\u00edvel no mundo todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um dos motivos dessa entrevista \u00e9, quem sabe, despertar o interesse de alguma editora brasileira. Espero que alguma veja o qu\u00e3o o livro \u00e9 interessante e decida public\u00e1-lo em portugu\u00eas. Ent\u00e3o estou torcendo por isso.<\/strong><br \/>\nEu tamb\u00e9m adoraria que isso acontecesse. Se esta entrevista puder ajudar de alguma forma, acho fant\u00e1stico. Muito obrigado pelo interesse no livro e por ter conversado comigo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-96700 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/life4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/life4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/life4-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0 escreve no Scream &amp; Yell desde 2014.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Tepedelen revela que seu objetivo nunca foi escrever um livro sobre o Soundgarden, mas sim sobre Kim Thayil como indiv\u00edduo \u2014 suas ideias, influ\u00eancias, rela\u00e7\u00f5es, interesses culturais e vis\u00e3o de mundo.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/07\/16\/entrevista-adem-tepedelen-fala-sobre-mudhoney-seattle-e-o-livro-que-escreveu-com-kim-thayil-soundgarden\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":96703,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96696"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96696"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96696\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":96707,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96696\/revisions\/96707"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96703"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96696"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96696"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96696"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}