{"id":96692,"date":"2026-07-15T02:28:25","date_gmt":"2026-07-15T05:28:25","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=96692"},"modified":"2026-07-15T02:28:25","modified_gmt":"2026-07-15T05:28:25","slug":"entrevista-lucio-maia-abandona-a-macholencia-e-amplia-seu-universo-instrumental-em-novo-disco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/07\/15\/entrevista-lucio-maia-abandona-a-macholencia-e-amplia-seu-universo-instrumental-em-novo-disco\/","title":{"rendered":"Entrevista: L\u00facio Maia abandona a \u201cmachol\u00eancia\u201d e amplia seu universo instrumental em novo disco"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ociocretino\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando decidiu assinar seus discos com o pr\u00f3prio nome, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/luciomaia1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">L\u00facio Maia<\/a> percebeu que j\u00e1 n\u00e3o precisava provar mais nada como guitarrista. Depois de d\u00e9cadas ajudando a moldar a sonoridade da Na\u00e7\u00e3o Zumbi, passando por projetos como Maquinado e trilhas sonoras, o m\u00fasico pernambucano chega ao segundo \u00e1lbum solo, \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/album\/3n9nm8chbUJd7h3Awf051Q\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">L\u00facio Maia\u201d<\/a> (2026), disposto a investigar menos a t\u00e9cnica e mais a capacidade da guitarra de contar hist\u00f3rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ado em abril deste ano, o disco instrumental re\u00fane oito faixas que atravessam psicodelia, m\u00fasica cinematogr\u00e1fica, ritmos nordestinos, texturas eletr\u00f4nicas e paisagens sonoras constru\u00eddas ao lado do baixista Marco Gerez e do baterista Arqu\u00e9tipo Rafa. Mas o trabalho n\u00e3o \u00e9 talhado em virtuose: ele nasce do entrosamento de um trio que toca junto h\u00e1 anos e que, segundo o guitarrista, atingiu um grau de comunica\u00e7\u00e3o semelhante ao que viveu nos tempos de Na\u00e7\u00e3o Zumbi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cComecei a perceber que a guitarra \u00e9 um instrumento super vocal\u201d, diz L\u00facio. \u201cAs linhas mel\u00f3dicas s\u00e3o muito parecidas, como se fossem vozes contando uma hist\u00f3ria. Perdi a necessidade de compor letra. Passei a pensar na guitarra como uma forma de contar uma historinha.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parte desse processo criativo aconteceu de maneira pouco convencional: durante as grava\u00e7\u00f5es das guitarras em seu est\u00fadio caseiro, L\u00facio experimentou registrar ideias sob o efeito de cogumelos psilocibinos. Segundo ele, a experi\u00eancia trouxe descobertas importantes, embora tamb\u00e9m tenha revelado seus pr\u00f3prios limites. \u201cAchei perfeito para cria\u00e7\u00e3o. Mas o est\u00fadio \u00e9 o reino dos detalhes. No ao vivo, se voc\u00ea faz 70% bem, voc\u00ea fez um puta show. Se voc\u00ea fizer 70% no est\u00fadio, metade do disco sai ruim\u201d, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista ao Scream &amp; Yell, L\u00facio Maia fala sobre o novo disco, a constru\u00e7\u00e3o de narrativas instrumentais, o desafio de sustentar um show sem vocalista, a influ\u00eancia dos alucin\u00f3genos em seu processo criativo, a abertura do p\u00fablico brasileiro para a m\u00fasica instrumental e as diferen\u00e7as entre os projetos Maquinado, Jackson Bandeira e a fase atual assinada com seu pr\u00f3prio nome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conversa tamb\u00e9m passa por temas como a rela\u00e7\u00e3o entre m\u00fasica instrumental e p\u00fablico, a rejei\u00e7\u00e3o ao virtuosismo excessivo e a pr\u00f3pria ideia de \u201cguitar hero\u201d, r\u00f3tulo que acompanha sua trajet\u00f3ria desde os anos 1990. Embora reconhe\u00e7a o elogio, L\u00facio prefere se enxergar como um m\u00fasico interessado em can\u00e7\u00f5es, atmosferas e comunica\u00e7\u00e3o. \u201cA minha rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 com a guitarra. A minha rela\u00e7\u00e3o \u00e9 com a m\u00fasica. A guitarra \u00e9 apenas a ferramenta pela qual eu me expresso.\u201d<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"L\u00facio Maia disco completo.\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UCRRtUeTC-c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Primeiramente, parab\u00e9ns pelo disco. Claro que as guitarras s\u00e3o o chamariz do \u00e1lbum, mas acho que ele tamb\u00e9m tem uns arranjos e umas atmosferas bem diferentes. Voc\u00ea sente que hoje comp\u00f5e mais como um guitarrista ou como compositor e produtor?<\/strong><br \/>\nDepende para o que \u00e9, depende do assunto. Para meus discos, obviamente eu sou guitarrista. Tenho essa maneira de compor assim, porque ao longo dos anos comecei a perceber que a guitarra \u00e9 um instrumento super vocal. As linhas mel\u00f3dicas s\u00e3o muito parecidas com vozes, com as pessoas contando uma hist\u00f3ria. E comecei a pensar desse jeito na maneira de compor, sabe? De contar uma historinha, como se tivesse uma letra ali. E n\u00e3o \u00e9 que os outros instrumentos n\u00e3o sejam dessa forma, mas estou dizendo s\u00f3 da minha maneira de me expressar com o meu instrumento. Ent\u00e3o perdi a necessidade de fazer m\u00fasica com letra. O disco anterior (de 2019) j\u00e1 tem esse comportamento, essa ideia, ent\u00e3o para fazer isso agora foi mais tranquilo, bem suave. Fui compondo os temas, depois quando estavam prontos, a gente sentou, entrou no est\u00fadio, come\u00e7ou a produzir a demo, depois entrou no est\u00fadio e gravou esse material que a gente tem. Mas como trabalho bastante com trilha sonora, geralmente fa\u00e7o de outra forma. Voc\u00ea est\u00e1 fazendo uma m\u00fasica que \u00e9 para agregar algo \u00e0quela cena ou ao personagem. Voc\u00ea n\u00e3o pode pensar de forma protagonista, voc\u00ea tem que ser um pano de fundo. Usar poucos elementos, a n\u00e3o ser quando \u00e9 uma m\u00fasica de abertura, que a\u00ed voc\u00ea fica bem \u00e0 vontade. O diretor deixa voc\u00ea ficar mais livre, mas quando est\u00e1 compondo pra cena, tem que ser bem econ\u00f4mico. Ent\u00e3o o papel de guitarrista j\u00e1 vai pro saco (risos). J\u00e1 vou pensando de outras formas, cara. J\u00e1 vou compondo com outros equipamentos, usando outras ideias, outras coisas, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como \u00e9 que voc\u00ea faz essa diferencia\u00e7\u00e3o entre os materiais? Voc\u00ea pensa \u201cisso aqui eu vou usar pra trilha um dia\u201d, \u201cisso aqui eu vou usar pro meu trabalho solo\u201d? Voc\u00ea pensa esse tipo de coisa?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o uso material antigo, material para tal coisa ou uma sobra daquela coisa. \u00c0s vezes dou uma revisitada, escuto ali, mas n\u00e3o tenho vontade de usar. \u00c9 tipo caf\u00e9 requentado, bolo velho, sabe? N\u00e3o \u00e9 para comer nem para beber mais. Aquilo ali j\u00e1 foi, foi bom naquela \u00e9poca. \u00c9 como se preferisse uma coisa sempre do presente. A n\u00e3o ser que seja uma ideia muito maravilhosa, uma coisa muito incr\u00edvel, um riff foda que nunca usei e queria ter usado, mas acho que aconteceu somente uma vez. Foi quando montei meu est\u00fadio, logo que Chico [Science] tinha morrido, da\u00ed me mudei para um apartamento l\u00e1 em Recife e fiz um estudiozinho dentro de casa, meu primeiro estudiozinho. E a\u00ed compus o riff de &#8220;Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada\u201d. Compus esse riff antes, mas s\u00f3 gravei ele em 2002. Foi a \u00fanica vez que eu achei um riff num CD antigo e resolvi pegar. Mas nunca uso material antigo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada - Na\u00e7\u00e3o Zumbi - MTV Na Brasa\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZawXLuwn9ng?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Entre o disco solo anterior de 2019 e esse novo \u00e1lbum, o que voc\u00ea acha que mudou na tua forma de criar?<\/strong><br \/>\nO jeito que a gente fez o disco foi diferente. No disco de 2019 eu j\u00e1 estava com essa banda [em formato de quinteto]. Ent\u00e3o a gente montou aquela galera, ensaiou, fez uns quatro ou cinco shows e depois marquei uma sess\u00e3o de est\u00fadio, entrou e gravou o disco. Foi do caralho. Mas eu tinha composto todos os temas anteriormente. Hoje o Marc\u00e3o e o Rafa est\u00e3o comigo h\u00e1 7 anos j\u00e1. Eles est\u00e3o desde 2019, porque logo que os meninos gravaram o disco, eu n\u00e3o consegui mais fazer nenhum show com aquela forma\u00e7\u00e3o. Cada um foi para um lugar, o Carranca acabou falecendo, cada um foi fazer outra coisa. Da\u00ed fiz um outro quinteto com o Marc\u00e3o e o Rafa. E esse quinteto depois eu n\u00e3o consegui tocar para a frente mais porque \u00e9 muito dif\u00edcil rodar com cinco pessoas. Reduzi para um trio, come\u00e7amos a fazer um monte de show, tocando, tocando e tocando. A\u00ed a gente formatou o show e fez uma conex\u00e3o forte de banda, sabe? Um neg\u00f3cio que a gente toca e n\u00e3o precisa mais se olhar. \u00c9 uma coisa que eu tinha com a Na\u00e7\u00e3o, por exemplo. Era uma coisa de entrosamento, de v\u00e1rios anos tocando. Depois de 7 anos, a gente criou isso. A gente toca um ensaio e faz show. E esse bonde que a gente criou, eu aproveitei para gravar esse disco. A gente n\u00e3o comp\u00f4s junto; eu fiz o disco em casa, compus os temas, mas quando a gente chegou no est\u00fadio, os meninos colocaram tanta energia art\u00edstica deles que eles s\u00e3o parceiros da composi\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o o disco foi composto por n\u00f3s tr\u00eas e eles est\u00e3o como parceiros de composi\u00e7\u00e3o em todas as faixas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Soube que voc\u00ea fez uma experi\u00eancia tomando cogumelos na hora da grava\u00e7\u00e3o. \u00c9 de boa voc\u00ea falar abertamente sobre isso? Faria de novo?<\/strong><br \/>\nFoi uma \u00f3tima experi\u00eancia, mas acho que talvez n\u00e3o faria de novo, porque tem b\u00f4nus e \u00f4nus dentro da hist\u00f3ria toda. Consegui aproveitar muita coisa, mas teve momentos ali em que fiquei muito disperso, n\u00e3o conseguia me concentrar muito. Ent\u00e3o foi um lance que eu aproveitei os melhores momentos, mas foi fascinante o resultado para mim. Gravei todo o dia com as guitarras na minha casa, a guitarra e baixo a gente gravou tudo aqui em casa. Ent\u00e3o vim para c\u00e1, gravava, vinha de manh\u00e3 cedo, gravava, passava o dia at\u00e9 umas 5 ou 6 da tarde, depois eu ia embora pra casa da minha namorada e ficava l\u00e1, jantava, dormia e a\u00ed eu vinha no dia seguinte fazer a mesma coisa. Eu tinha a minha casa como est\u00fadio, ent\u00e3o aqui era o trabalho. Ent\u00e3o, fazer essa experi\u00eancia sozinho, dentro da minha casa, foi fant\u00e1stico. Foi maravilhoso, mas nem toda hora eu conseguia focar. Teve hora que eu ficava muito disperso, via TV e parava para ler um pouco. A\u00ed ia dar uma volta no quarteir\u00e3o e voltava para casa, gravava mais um pouco. Eu tinha essa liberdade porque a gravadora sou eu, eu que estou me bancando, entendeu? Pensei em fazer um disco diferente. Depois que terminei a parte da constru\u00e7\u00e3o dele, eu n\u00e3o ouvia as coisas que gravava, eu gravava e ia embora. Chegava no dia seguinte, escutava tudo que tinha gravado, fazia: &#8220;puta, isso aqui ficou legal&#8221;. A\u00ed eu ia botando umas marca\u00e7\u00f5es tipo post it, dizendo \u201cisso aqui eu gostei\u201d, \u201cisso aqui \u00e9 legal\u201d. A\u00ed dropava mais um pouco de cogumelo, ficava esperando uns 45 minutos para bater, pegava a guitarra e fazia o mesmo processo, entendeu? Eu n\u00e3o sei se eu tivesse com algu\u00e9m aqui dentro ia dar certo, sabe? N\u00e3o sei se tivesse em banda dentro do est\u00fadio, doid\u00e3o de cogumelo, se ia conseguir produzir. Talvez fosse querer ficar conversando, mas como eu estava sozinho aqui, consegui fazer. Por isso que estou dizendo que n\u00e3o sei se vou fazer isso de novo algum dia. Acho que n\u00e3o, muito provavelmente. Prefiro tomar cogumelo agora para curtir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pela forma que voc\u00ea contou, entendo que pode ter sido de uma forma bem espont\u00e2nea, mas voc\u00ea teve que editar muita coisa?<\/strong><br \/>\n\u00c9, editava e regravava, n\u00e9? Fazia, montava. A\u00ed \u201cputz, isso aqui ficou legal\u201d. A\u00ed eu j\u00e1 fazia uma inteira com aquilo ali, fica pr\u00e1tico. Quando voc\u00ea grava v\u00e1rios takes, vai separando peda\u00e7os de v\u00e1rios takes, monta um take inteiro, depois voc\u00ea grava um daquele jeito ali. \u00c9 uma maneira bacana de trabalhar e n\u00e3o \u00e9 nova, \u00e9 bem antiga. Eu fiz isso em muitos discos tamb\u00e9m, mas n\u00e3o foi o caso desse n\u00e3o. Eu acho que esse disco, por exemplo, tem muito solo de guitarra. Mas eu n\u00e3o tenho aquele jeito tradicional de solar. Para mim, o maior desafio n\u00e3o era fazer arranjo de riff, porque isso era o legal de fazer com cogumelo, mas para gravar os solos eu tinha que estar bem concentrado. A\u00ed era sempre no primeiro hor\u00e1rio da manh\u00e3, depois de ter tomado caf\u00e9 da manh\u00e3, uma x\u00edcara de caf\u00e9. Tentava fazer desse jeito porque n\u00e3o d\u00e1 para voc\u00ea ficar tomando qualquer tipo de droga. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 com cogumelo; se voc\u00ea quiser tomar \u00e1cido, ecstasy, MD, qualquer coisa, voc\u00ea tem que ter muita pr\u00e1tica e controle daquilo que voc\u00ea vai fazer, porque sua cabe\u00e7a vai para outro lugar. A sua m\u00e3o n\u00e3o pode ficar dependendo que voc\u00ea comande ela, porque sen\u00e3o n\u00e3o vai rolar. Qualquer droga que tomar vai romper essa comunica\u00e7\u00e3o que voc\u00ea tem com a sua m\u00e3o que est\u00e1 tocando. J\u00e1 estou acostumado a fazer isso, porque no dia que voc\u00ea toma droga, voc\u00ea faz \u201cuau, uau\u201d. Mas fa\u00e7o isso j\u00e1 h\u00e1 muitos anos, ent\u00e3o a minha m\u00e3o continua. Me lembro a primeira vez que fumei maconha para fazer um show e foi um desastre. E entendi que precisava fumar unzinho no ensaio, sem ningu\u00e9m me olhando, sem nenhuma cobran\u00e7a de p\u00fablico. A\u00ed me acostumei, cara. N\u00e3o consigo hoje em dia tocar sem fumar unzinho antes. Para mim \u00e9 fundamental para poder relaxar, para ficar mais criativo. J\u00e1 liguei uma coisa com a outra. E tomar uma cervejinha, duas e fumar um baseadinho, \u00e9 normal. Agora se voc\u00ea toma uma droga que vai realmente mexer com o teu psicol\u00f3gico, tem que estar acostumado, porque sen\u00e3o \u00e9 desastre total.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"L\u00facio Maia &quot;FETISH MOTEL&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/g-FwDKXN_tc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E de onde veio essa ideia de gravar sob efeito de cogumelos? Voc\u00ea gravou um take primeiro assim e achou que ficou legal e quis repetir a experi\u00eancia? Como foi?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o foi para uma grava\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, eu j\u00e1 vinha tomando antes. Acho que da pandemia para c\u00e1 tomei um bocado, porque tinha tempo para isso, n\u00e9? E no ano passado foi quando comecei a fazer uso disso para shows, comecei a gostar, achava legal. Tomava 0,40, que era uma dose que eu ficava bem, era divertido e a\u00ed achei que poderia funcionar [na grava\u00e7\u00e3o] porque no show estava funcionando. Mas ao vivo \u00e9 uma coisa, est\u00fadio \u00e9 outra. No ao vivo, se voc\u00ea faz 70% bem, voc\u00ea fez um puta show. No est\u00fadio, cara, se voc\u00ea fizer 70%, voc\u00ea s\u00f3 fez merda (risos). Quase metade do disco sai ruim, n\u00e3o pode. Algu\u00e9m me falou isso uma vez, que o est\u00fadio \u00e9 o reino dos detalhes. Ent\u00e3o n\u00e3o pode chegar e querer errar uma nota ou dar uma vacilada. No show tudo bem, passa em branco, tem um contexto. Mas realmente dentro do est\u00fadio n\u00e3o funciona t\u00e3o bem assim para muitas coisas, mas para cria\u00e7\u00e3o eu achei perfeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso me lembrou um pouco aquela hist\u00f3ria do filme \u201cHoly Mountain\u201d do Alejandro Jodorowsky. Diz que antes dele come\u00e7ar as filmagens, ele e os atores foram morar juntos durante um m\u00eas numa casa e todos eles tomaram cogumelo como prepara\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea sabia dessa hist\u00f3ria?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o sabia. Eu tenho interesse em smart drugs, droga de divers\u00e3o. Mas n\u00e3o tenho essa rela\u00e7\u00e3o de drogadito. Acho isso um saco, uma merda. Sou pai de fam\u00edlia, tenho filho para criar, conta para pagar. Acho que para ser viciado em coca\u00edna, essas coisas, voc\u00ea tem que ter um certo desprendimento, n\u00e3o ligar para ningu\u00e9m. Ent\u00e3o nunca foi a minha. E eu acho que n\u00e3o \u00e9 voc\u00ea que encontra a droga; acho que a droga te encontra, cara, porque \u00e9 um lance do encaixe, da pessoa usar o neg\u00f3cio e aquilo ali ser bom para voc\u00ea. N\u00e3o vai fazer mal para ningu\u00e9m em volta, sabe? Se faz s\u00f3 mal para voc\u00ea, velho, o problema \u00e9 seu. Mas se voc\u00ea tem um controle e conviv\u00eancia com o neg\u00f3cio de forma sadia, madura\u2026 Velho, o \u00e1lcool \u00e9 uma merda, brother. O \u00e1lcool \u00e9 o que mais estraga todo mundo. Se voc\u00ea for ver as estat\u00edsticas de tudo, de viol\u00eancia dom\u00e9stica, at\u00e9 acidente de tr\u00e2nsito, o \u00e1lcool \u00e9 o topo, muito distante, cara. E n\u00e3o \u00e9 bom. Mas quem \u00e9 que n\u00e3o gosta de tomar uma cervejinha, de provar bebida alco\u00f3lica? J\u00e1 bebi muito e at\u00e9 hoje gosto, cara. S\u00f3 que acho que \u00e9 uma porra de hipocrisia voc\u00ea dizer que uma coisa pode, outra coisa n\u00e3o pode. Ent\u00e3o a minha rela\u00e7\u00e3o com droga \u00e9 da vida toda, cara. Eu entrei, gravei meu primeiro disco com 22 anos. Eu j\u00e1 fumava maconha nessa \u00e9poca e o resto veio dentro desse universo. At\u00e9 os caras mais caret\u00f5es tinham isso. N\u00e3o estou dizendo que todos eles cheiraram, mas eles tiveram contato de perto com isso, com algu\u00e9m que usava. A primeira banda de reggae da hist\u00f3ria que n\u00e3o fumava maconha era o Skank. Mas eles tinham algum contato com isso porque, velho, \u00e9 inevit\u00e1vel nesse mundo. Ent\u00e3o eu tive uma rela\u00e7\u00e3o com essas paradas, mas nada disso me afetou. A partir do momento que comecei a ter esse contato, por que n\u00e3o usar isso para alguma coisa, sabe? O pai de um amigo meu falava isso: &#8220;porra, vai fumar maconha para ficar de bobeira? Fuma maconha e vai fazer alguma coisa \u00fatil\u201d! Falei \u201ctem raz\u00e3o\u201d. As drogas talvez tenham mais efeitos se voc\u00ea utilizar para alguma coisa boa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muita gente costuma te definir como um guitar hero. Voc\u00ea concorda com isso ou esse r\u00f3tulo te incomoda?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, v\u00ea s\u00f3. \u00c9 um elogio e tanto. Dizer que eu n\u00e3o gosto de ouvir isso \u00e9 foda, \u00e9 mentira. Mas eu n\u00e3o me acho isso. N\u00e3o me acho uma pessoa que tem essa log\u00edstica de guitarrista, de que eu fa\u00e7o parte desse universo. N\u00e3o fa\u00e7o, na verdade. Se a gente for ver, sempre que tem esses grandes encontros de guitarristas, eu nunca estou, cara. Ningu\u00e9m nunca me chama! N\u00e3o \u00e9 que eu n\u00e3o v\u00e1 n\u00e3o; se quiser me chamar, eu vou, bicho. Mas ningu\u00e9m chama, cara. De qualquer forma, eu acho bom ser visto pelo p\u00fablico como um guitar hero ou guitarrista, como eu acho bom tamb\u00e9m n\u00e3o ser visto como um guitarrista pra galera da guitarra, entendeu? Eu acho legal porque no fundo a minha rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 com a guitarra. A minha rela\u00e7\u00e3o \u00e9 com a m\u00fasica. A guitarra \u00e9 o meu instrumento, a ferramenta pela qual eu me expresso. A guitarra \u00e9 de madeira cheia de ferro, cheio de arame e tal. As guitarras n\u00e3o t\u00eam vida. Aquela guitarra Black Strat do David Gilmour, por exemplo, ser vendida por 6 milh\u00f5es de libras\u2026 Cara, isso \u00e9 um absurdo. Tudo bem, ela tem uma hist\u00f3ria na m\u00e3o de uma pessoa e \u00e9 por isso que ela vale isso, a m\u00e3o da pessoa que pegou nela a vida toda fez ela ser quem ela \u00e9, n\u00e9? Mas a guitarra em si, se voc\u00ea botar na m\u00e3o de uma pessoa que n\u00e3o toca nada, ela n\u00e3o vai fazer um puta som, entendeu? \u00c9 s\u00f3 uma ferramenta, galera. \u00c9 tipo um casaco do Paul McCartney: vai valer um dinheiro do caralho, mas \u00e9 s\u00f3 um casaco, n\u00e3o \u00e9 o Paul, entendeu? Mas voltando ao neg\u00f3cio do r\u00f3tulo de guitar hero, quero me enxergar como um m\u00fasico que foi influente dentro do meu \u00e2mbito, da minha proposta, sabe? Fiz o que quis e consegui ter uma flu\u00eancia, uma sobreviv\u00eancia dentro disso. Isso para mim j\u00e1 t\u00e1 legal, cara. Fico bem satisfeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acho que diferente daquela coisa do guitar hero que quer ficar se mostrando solando o tempo inteiro, n\u00e9? Eu acho que o guitar hero humilde que sabe a hora de aparecer e dar espa\u00e7o para outras coisas s\u00e3o os mais legais, na verdade.<\/strong><br \/>\nSem d\u00favida, cara! Primeiro que assim, eu n\u00e3o sou e nunca fui um m\u00fasico daqueles escaleiros, n\u00e9? Eu n\u00e3o sei escala de porra nenhuma. Eu vou de ouvido, no feeling. Esse obviamente n\u00e3o \u00e9 meu approach, cara. Nunca foi. N\u00e3o tenho nada contra, acho massa o universo e \u00e9 uma bolha gigante. Tem uma excel\u00eancia no neg\u00f3cio ali. Porque \u00e9 foda, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil fazer aquilo. S\u00e3o muitos anos de estudo. O cara tem uma dedica\u00e7\u00e3o do caralho para tocar daquele jeito. Mas acho que tem uma galera que gosta de m\u00fasica, que gosta de guitarra, que n\u00e3o absorve aquilo, sabe? Aquele excesso de nota, velocidade, n\u00e3o quer dizer muita coisa pra mim. Tocar r\u00e1pido para mim n\u00e3o quer dizer nada, n\u00e3o significa uma virtude, sabe? Tocar r\u00e1pido \u00e9 tipo andar r\u00e1pido de carro, sair correndo toda hora na rua em vez de andar normalmente. N\u00e3o quer dizer que \u00e9 um cara virtuoso. Por exemplo, o Kiko Loureiro \u00e9 um cara que tem um trabalho foda, forte para caralho. Voc\u00ea v\u00ea as obras dele, tem bai\u00e3o, tem rock progressivo, tem metal, tem de tudo. O mano tem uma entrega musical forte, at\u00e9 porque o Kiko \u00e9 maestro. O cara toca flauta, teclado, toca tudo. Eu fui duas vezes no show dele e realmente tem uma parada diferente. Ele n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o cara que fica sentado na frente de uma c\u00e2mera dentro do quarto mostrando que sabe tocar r\u00e1pido. Ele tem outro rol\u00ea. Ele \u00e9 o cara que produz os solos para os caras ficarem dentro do quarto gravando, filmando, tentando tocar igual a ele. Ent\u00e3o ele est\u00e1 na frente. Eu o admiro muito. Inclusive fui no show ver ele e o Marty Friedman juntos. Foi animal ver os dois. Duas gera\u00e7\u00f5es do Megadeth juntas. Foi incr\u00edvel, cara. Mas n\u00e3o \u00e9 a minha praia [tocar assim], nunca foi e n\u00e3o vai ser, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu n\u00e3o sabia que voc\u00ea gostava de Megadeth.<\/strong><br \/>\nVoc\u00ea est\u00e1 brincando, n\u00e9, velho? L\u00f3gico, cara. L\u00f3gico! O \u201cRust in Peace\u201d (1990) \u00e9 uma obra de arte do metal. Para mim ele e o \u201cKill \u2018Em All\u201d (1983) do Metallica s\u00e3o discos que foram marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00ea acha que ainda te desafia como guitarrista hoje em dia?<\/strong><br \/>\nAh, fazer um show inteiro sem precisar de voz. Tocar uma hora, 1 hora e 15, sem precisar de um vocalista. Acho isso um desafio maravilhoso. Mas isso j\u00e1 est\u00e1 rolando desde 2023, quando o trio come\u00e7ou. Acho que hoje a gente conseguiu montar um show que consegue dialogar com a plateia, quebrando os paradigmas de n\u00e3o ter um cantor. At\u00e9 canto duas m\u00fasicas no show, mas n\u00e3o sou cantor. Inclusive penso que \u00e9 legal eu cantar no show, porque d\u00e1 o respiro para a guitarra. Tem que ter algo dentro de um show para ser um respiro, \u00e9 fundamental pra ser din\u00e2mico. O Rafa tem um momento que ele toca sozinho e se expressa, sabe? Ent\u00e3o, abro espa\u00e7o pros m\u00fasicos serem eles mesmos. Tudo isso para mim \u00e9 uma maneira da gente tornar o show palat\u00e1vel, para um p\u00fablico que gosta de rock, de blues, de rock pop, enfim, a gente tenta entrar dentro dessa. E esse desafio para mim \u00e9 foda, esse di\u00e1logo da guitarra com o p\u00fablico. Acho que a gente j\u00e1 tem isso. S\u00f3 \u00e9 preciso conseguir mais espa\u00e7o para tocar, n\u00e9?<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-96693 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/luciomais2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/luciomais2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/luciomais2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/luciomais2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea acha que o p\u00fablico brasileiro t\u00e1 mais aberto hoje \u00e0 m\u00fasica instrumental do que h\u00e1 anos atr\u00e1s?<\/strong><br \/>\nSim, cara. A m\u00fasica instrumental mudou demais, ela n\u00e3o era assim na \u00e9poca que eu era moleque na d\u00e9cada de 1980, que era minha adolesc\u00eancia. M\u00fasica instrumental era sin\u00f4nimo de banda chata, aquelas bandas de fusion\u2026 Aquelas bandas que eram chatas para um caralho porque era m\u00fasica feita para m\u00fasico, n\u00e3o era m\u00fasica para curti\u00e7\u00e3o. N\u00e3o era m\u00fasica que voc\u00ea botava para correr, andar de bicicleta. Aho que quando foi virando os anos 1990, foi uma d\u00e9cada que deu uma afunilada nesse universo, sabe? Assim, n\u00e3o tem mais espa\u00e7o para essas bandas. Tanto que, as bandas que eram de fusion come\u00e7aram a voltar pro jazz para ter um espa\u00e7o para tocar, porque aquilo ali meio que deu uma desaparecida, o mercado ficou muito restrito. Eu n\u00e3o tinha interesse nenhum por essas bandas. At\u00e9 meados de 2015, 2014, que come\u00e7aram a surgir esses trios que tem hoje e que s\u00e3o mega bandas. Tipo Khruangbin, Arc De Soleil, Los Baltos, eh, Glass Beams, tem banda para caralho hoje em dia. E s\u00e3o sempre trio. E voc\u00ea vai ver a plateia, ela \u00e9 bem mista. S\u00e3o muitos casais, tem muita mulher. Nesses shows que eu fui de metaleiro, s\u00f3 tem homem, cara. \u00c9 97% homem, sabe? \u00c9 muito nichado esse universo da guitarra shred, mas dessas outras bandas n\u00e3o. \u00c9 um neg\u00f3cio muito mais aberto. Tem muita mina que vai e eu acho important\u00edssimo esse neg\u00f3cio, porque m\u00fasica \u00e9 para todo mundo, sabe? Eu acho que tem que ser bem aberto assim. E eu acho que esse meu disco novo est\u00e1 tendo um apelo bem feminino. As meninas est\u00e3o gostando, minhas amigas ligando para mim dizendo: &#8220;Puta, adorei teu disco&#8221;. Eu achei foda que consegui isso. Porque fazer disco s\u00f3 para homem \u00e9 o fim da picada, brother. \u00c9 o fim da picada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco t\u00e1 mais dan\u00e7ante tamb\u00e9m. Eu enxergava um pouco disso no disco anterior tamb\u00e9m.<\/strong><br \/>\n\u00c9. Eu entendo isso, ele fala mais com o corpo. Acho que desde 2014 ou at\u00e9 antes ainda, 2010 ali com Almaz, eu fui dando uma cancelada na \u201cmachol\u00eancia\u201d. Aquele lance de ficar fazendo m\u00fasica pesada, para gurizada. Eu fui largando isso, sabe? Fui deixando isso para tr\u00e1s e hoje em dia eu abandonei completamente. Cheguei ainda a gravar umas m\u00fasicas com o Ferr\u00e9z e o Boka e o Formig\u00e3o, que \u00e9 o Fugitivos da Fema, que foi uma banda que a gente montou em 1995, gravamos tr\u00eas m\u00fasicas. Mas fora isso eu n\u00e3o tenho mais muita vontade de trabalhar metal, nem rock pesado, essas coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E qual \u00e9 a diferen\u00e7a que voc\u00ea enxerga entre o L\u00facio Maia, o Maquinado e o Jackson Bandeira?<\/strong><br \/>\nCara, olha s\u00f3, s\u00e3o tr\u00eas \u00e9pocas diferentes da vida. Cada \u00e9poca, cada personagem desse a\u00ed tinha uma idade diferente. Ent\u00e3o \u00e9 parte da minha evolu\u00e7\u00e3o, s\u00e3o alteregos. Nem chega a ser porque sou eu mesmo, n\u00e9 cara? Mas assim, o Maquinado j\u00e1 era um disco que eu produzi, fazendo todas as can\u00e7\u00f5es, cheio de convidados e etc. Aquilo ali eu j\u00e1 poderia ter chamado de L\u00facio Maia, mas acho que eu tinha algumas quest\u00f5es. Talvez eu n\u00e3o tivesse a minha convic\u00e7\u00e3o como artista solo ainda totalmente fundamentada, porque eu fiz um disco com 18 pessoas. Como \u00e9 que eu posso dizer que aquilo \u00e9 L\u00facio Maia, sabe? Eu n\u00e3o concordo. Por isso que chamei de Maquinado, que era um conglomerado, uma f\u00e1brica de gente trabalhando junta. E foi assim um tanto no segundo \u00e1lbum tamb\u00e9m. O segundo n\u00e3o foram 18 pessoas, mas foram, sei l\u00e1, umas 10. Ent\u00e3o deu a mesma coisa. Agora, quando chegou no disco de 2019, eu levei um mont\u00e3o de tempo para pensar no que ia fazer. Foi exatamente numa casa que eu morava l\u00e1 no Alto da Lapa, que tinha um est\u00fadio. Ent\u00e3o, aluguei a casa basicamente por causa desse est\u00fadio e l\u00e1 dentro produzi muita coisa e aquele disco. E a\u00ed eu senti que era o momento de assinar com meu nome, porque era sobre isso, n\u00e9? Eu ainda pensei em botar \u201cCinco\u201d porque eram cinco pessoas. Mas quando foi ver tinha v\u00e1rios hom\u00f4nimos, v\u00e1rias bandas aqui na Am\u00e9rica Latina chamadas &#8220;Cinco\u201d. Ent\u00e3o, o cara do selo, o Dudu, ele virou para mim e fez: &#8220;Cara, por que voc\u00ea n\u00e3o bota seu nome? Da\u00ed acaba esse problema&#8221;. A\u00ed, pronto, da\u00ed em diante eu j\u00e1 tenho convic\u00e7\u00e3o disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi meio por praticidade ent\u00e3o. Eu achei que voc\u00ea ia vir com uma coisa mais existencial, mas tudo bem (risos)<\/strong><br \/>\nEu acho que tinha medo de assinar meu nome no primeiro disco. \u00c9 uma coisa muito forte, n\u00e9, cara? Muito pesado. E pessoalmente eu n\u00e3o gostaria de fazer um disco de produtor. Sabe, ser o cara que junta um monte de artistas e no final bota o nome dele? N\u00e3o tenho o menor problema com quem faz isso, mas fico pensando que ali \u00e9 todo mundo, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 voc\u00ea, Esse disco que fiz agora, os caras est\u00e3o l\u00e1 comigo. Botei meu nome, \u00f3bvio que sou eu. Sou eu que compus, eu que estou botando. Mas os caras entraram nas composi\u00e7\u00f5es, eles est\u00e3o l\u00e1, entendeu? Somos uma banda que \u00e9 L\u00facio Maia Trio, com o Rafa e o Marc\u00e3o. A gente criou uma unidade, gravamos um disco inteiro desse jeito, n\u00e9? Fomos n\u00f3s que fizemos, n\u00e3o tem fulaninho cantando m\u00fasica tal, ciclaninho\u2026 Isso a\u00ed para mim \u00e9 um neg\u00f3cio que desvirtua muito para voc\u00ea no final botar seu nome, entendeu? Eu n\u00e3o tenho nada contra quem faz isso, mas para mim n\u00e3o funciona. N\u00e3o tenho essa vis\u00e3o de lucro, sabe?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"PATTERNS | Lucio Maia feat. Dow Raiz e Arqu\u00e9tipo Rafa - m\u00ednimo do m\u00ednimo\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/T1pFQXOsVaE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"27 de mar\u00e7o de 2025\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BOAiGOyFD4w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Guilherme Held + Lucio Maia @ Centro da Terra (13.4.2026)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IakdvMJulpw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"L\u00facio Maia no Para\u00edso do Rock 2025\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QZ7onOq5NyI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"L\u00facio Maia fala sobre o novo disco, a constru\u00e7\u00e3o de narrativas instrumentais, o desafio de sustentar um show sem vocalista e a influ\u00eancia dos alucin\u00f3genos em seu processo criativo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/07\/15\/entrevista-lucio-maia-abandona-a-macholencia-e-amplia-seu-universo-instrumental-em-novo-disco\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":96694,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[4023],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96692"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96692"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96692\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":96695,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96692\/revisions\/96695"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96694"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96692"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96692"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96692"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}