{"id":96683,"date":"2026-07-15T01:35:57","date_gmt":"2026-07-15T04:35:57","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=96683"},"modified":"2026-07-15T01:35:57","modified_gmt":"2026-07-15T04:35:57","slug":"um-disco-de-pop-maduro-e-melancolico-9-luas-dos-paralamas-completa-30-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/07\/15\/um-disco-de-pop-maduro-e-melancolico-9-luas-dos-paralamas-completa-30-anos\/","title":{"rendered":"Um disco de pop maduro e melanc\u00f3lico, &#8220;9 Luas&#8221;, dos Paralamas, completa 30 anos"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/hebertonbas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Heberton Barreira<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c9 Luas\u201d chegou em julho de 1996 como um disco de pop maduro e melanc\u00f3lico, numa \u00e9poca em que o rock brasileiro buscava reencontrar-se entre a neblina do grunge e a retomada energ\u00e9tica do ax\u00e9. Os Paralamas, que haviam constru\u00eddo a carreira na tens\u00e3o entre rock, ska e reggae, entregavam sua declara\u00e7\u00e3o mais densa e serena. As guitarras de Herbert Vianna trocaram as distor\u00e7\u00f5es por arranjos mais limpos. O baixo de Bi Ribeiro e a bateria de Jo\u00e3o Barone mantinham a precis\u00e3o, mas agora a servi\u00e7o de um pop de sofistica\u00e7\u00e3o latina, com baladas aveludadas e pegajosas, nunca ma\u00e7antes. O oitavo \u00e1lbum de est\u00fadio iluminou o Brasil e a Am\u00e9rica Latina. Os Estados Unidos descansavam na sombra \u2013 ocupados com &#8220;Macarena&#8221; e o R&amp;B que dominavam as paradas, os vizinhos do Norte simplesmente n\u00e3o viram &#8220;Outra Beleza&#8221; vindo do sul.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-96690 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/paralamas3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"532\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/paralamas3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/paralamas3-300x213.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/paralamas3-120x85.jpg 120w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A produ\u00e7\u00e3o, assinada pela banda com Carlos Savalla, n\u00e3o se rende \u00e0 est\u00e9tica digital que dominava o pop dos anos 90 \u2013 mesmo quando usa samplers, como em &#8220;Busca Vida&#8221;, o resultado soa org\u00e2nico. A abertura j\u00e1 anuncia a for\u00e7a latina: &#8220;Lourinha Bombril&#8221; (vers\u00e3o de &#8220;P\u00e1rate y Mira&#8221;, do Los Pericos) e &#8220;Outra Beleza&#8221; (uma parceria de Herbert com Lulu Santos) trazem maracas, coro do grupo de samba As Gatas (formado em 1967) e, no desfecho, cu\u00edca, tamborim e apitos. As duas faixas s\u00e3o as mais vibrantes e euf\u00f3ricas do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cLa Bella Luna&#8221; invoca uma dan\u00e7a caribenha sobre o dedilhado de Herbert, o \u00f3rg\u00e3o e os teclados de Jo\u00e3o Fera, de charmosa simplicidade, e os metais calorosos de Monteiro Jr. (sax), Sen\u00f4 Bezerra (trombone) e Dem\u00e9trio Bezerra (trompete). O baixo de Bi Ribeiro e a bateria de Jo\u00e3o Barone se entrela\u00e7am com precis\u00e3o; a flexibilidade do ritmo mant\u00e9m o groove vivo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Os Paralamas Do Sucesso - La Bella Luna\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/p-NC8IMzFSA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vers\u00e3o de &#8220;De M\u00fasica Ligera&#8221;, do Soda Stereo, \u00e9 um manifesto de amor \u00e0 banda argentina \u2013 um gesto que reafirma que o &#8220;rock en tu idioma&#8221; nunca foi um mon\u00f3logo, mas uma conversa de m\u00e3o dupla.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A regrava\u00e7\u00e3o de &#8220;Capit\u00e3o de Ind\u00fastria&#8221;, de Marcos e Paulo S\u00e9rgio Valle, lan\u00e7ada originalmente em 1972 como trilha sonora da novela global \u201cSelva de Pedra\u201d, ganha novos contornos: os metais inconfund\u00edveis dos Paralamas vibram com uma energia que a vers\u00e3o original apenas sugeria, enquanto o viol\u00e3o dedilhado de Herbert tece, por baixo de tudo, uma camada macia e reverberante.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Os Paralamas do Sucesso | Busca Vida\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LtSkEyg2ST4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em &#8220;O Caminho Pisado&#8221;, o peso da guitarra distorcida se dissolve na leveza do dedilhado de Herbert e das cordas agudas \u2013 que parecem soar como ecos de bandolim, enquanto os versos se repetem: &#8220;\u00c9 tudo igual, igual, igual\u2026&#8221;. O coro de vozes (&#8220;Pa pa paaaaa&#8221;) que introduz &#8220;Busca Vida&#8221;, a harmonia do viol\u00e3o sobreposta por uma camada de guitarra limpa e, especialmente, o dedilhado que encerra a faixa \u2013 tudo isso possui um poder quase terap\u00eautico: seguir em frente e deixar &#8220;toda a dor para tr\u00e1s&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um drone hipn\u00f3tico que remete ao som oscilante de uma c\u00edtara abre &#8220;O Caro\u00e7o da Cabe\u00e7a&#8221; \u2013 uma engrenagem psicod\u00e9lica a rodar em c\u00e2mera lenta \u2013, parceria de Herbert com Marcelo Fromer e Nando Reis que os Tit\u00e3s tamb\u00e9m registraram no \u00e1lbum \u201cDomingo\u201d (1995). J\u00e1 &#8220;Sempre Te Quis&#8221; \u00e9 uma balada que pondera sobre amor e recome\u00e7o, elevada a um estado contemplativo pelos teclados atmosf\u00e9ricos de Jo\u00e3o Fera.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-96688\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/paralamas1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"381\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/paralamas1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/paralamas1-300x152.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Seja Voc\u00ea&#8221; talvez seja a faixa mais paral\u00e2mica do disco: o ska enraizado no baixo de Bi Ribeiro sobe um tom no meio da can\u00e7\u00e3o \u2013 um aviso de que a obsess\u00e3o pela compara\u00e7\u00e3o pode cegar o que j\u00e1 se tem. J\u00e1 &#8220;Na Nossa Casa&#8221; refor\u00e7a o eixo mel\u00f3dico do \u00e1lbum, com um arranjo de cordas melanc\u00f3licas sobre batidas otimistas \u2013 um tema sobre o vazio, a escurid\u00e3o numa casa vazia, o que sobra depois que um relacionamento termina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Um Pequeno Imprevisto&#8221;, parceria de Herbert com Thedy Corr\u00eaa (Nenhum de N\u00f3s), encerra o disco e completa a volta ol\u00edmpica melanc\u00f3lica. A can\u00e7\u00e3o sentencia: n\u00e3o adianta &#8220;querer o que o vento n\u00e3o leva&#8221;, prever o futuro ou tentar consertar o passado \u2013 ainda que se calculem os riscos, de modo ponderado, &#8220;perfeitamente equilibrado&#8221;. N\u00e3o temos controle do vento, muito menos do tempo. O amadurecimento vem com a percep\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as: &#8220;Trocaram os nomes das ruas \/ E as pessoas tinham outras caras \/ No c\u00e9u havia nove luas \/ E nunca mais eu encontrei minha casa.&#8221;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Nove Luas\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_k2dx6rUmNc8YR3x-HWKv8vK4HB7Sd0ZIA\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O t\u00edtulo \u201c9 Luas\u201d pode sugerir tamb\u00e9m gesta\u00e7\u00e3o \u2013 e o disco responde a isso com uma introspec\u00e7\u00e3o conquistada na estrada e no est\u00fadio. As regrava\u00e7\u00f5es escolhidas mostram uma banda consciente de sua linhagem, e Herbert Vianna comp\u00f5e com inspira\u00e7\u00e3o prol\u00edfica, refletindo sobre o amor, relacionamentos desgastados, o trabalho, o abrigo, sonhos adiados e a persist\u00eancia de quem ainda procura sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez a melhor forma de resumir o \u00e1lbum esteja na conclus\u00e3o impl\u00edcita de &#8220;Busca Vida&#8221;: a rotina pode ofuscar, mas n\u00e3o apaga a busca. Ap\u00f3s os 37 minutos de passeio pelas nove luas, para quem quiser prolongar a viagem, a d\u00e9cima lua pode ser encontrada em \u201cSantorini Blues\u201d \u2013 o segundo \u00e1lbum solo de Herbert, gestado nos intervalos de grava\u00e7\u00e3o, um sat\u00e9lite discreto do mesmo sistema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Assim como o disco de est\u00fadio imediatamente anterior, \u201cSeverino\u201d (1994), \u201c9 Luas\u201d tamb\u00e9m ganhou uma vers\u00e3o especial para o mercado latino. Se \u201cDos Margaritas\u201d (a vers\u00e3o do \u00e1lbum \u201cSeverino\u201d em espanhol) trazia apenas tr\u00eas can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum vertidas para o espanhol (\u201cDos Margaritas\u201d, \u201cM\u00fasico\u201d e \u201cEl Amor Duerme\u201d, que se somam a \u201cGo Back\u201d, \u201cCasi un Segundo\u201d e \u201cEl Vampiro Bajo El Sol\u201d, gravadas em espanhol no \u00e1lbum original, e, ainda \u201cCoche Viejo\u201d e \u201cSer\u00e1 Diferente\u201d mais cinco n\u00fameros iguais a edi\u00e7\u00e3o brasileira), \u201c9 Lunas\u201d amplia o leque: das doze can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum, sete foram regravadas em espanhol &#8211; sendo que os dois covers do rock argentino permaneceram em portugu\u00eas. De b\u00f4nus, \u201cUna Brasileira\u201d. \u00danico vacilo: o desenho de Pedro Ribeiro usado na capa nacional foi trocado pelas fotos da contracapa, que estavam a vers\u00e3o para o mercado hisp\u00e2nico. Mas vale a busca. \u201c9 Luas\u201d foi lan\u00e7ado originalmente em CD e fita cassete em 1996, e ganhou uma festejada e hoje rara edi\u00e7\u00e3o em vinil em 2018 pela Noize Record Club.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=paralamas\"><em>Mais sobre os Paralamas no Scream &amp; Yell<\/em><\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-96687 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/paralamas2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/paralamas2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/paralamas2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/hebertonbas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Heberton Barreira<\/a>\u00a0\u00e9 estudante de jornalismo, bandolinista e animador stop-motion. Criador do @<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/yayatedance\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">yayatedance<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Mauricio Valladares.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Talvez a melhor forma de resumir o \u00e1lbum esteja na conclus\u00e3o impl\u00edcita de &#8220;Busca Vida&#8221;: a rotina pode ofuscar, mas n\u00e3o apaga a busca.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/07\/15\/um-disco-de-pop-maduro-e-melancolico-9-luas-dos-paralamas-completa-30-anos\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":164,"featured_media":96686,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,3],"tags":[73],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96683"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/164"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96683"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96683\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":96691,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96683\/revisions\/96691"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96686"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96683"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96683"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96683"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}