{"id":96661,"date":"2026-07-13T02:06:52","date_gmt":"2026-07-13T05:06:52","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=96661"},"modified":"2026-07-13T02:08:00","modified_gmt":"2026-07-13T05:08:00","slug":"entrevista-reel-big-fish-anuncia-retorno-aos-palcos-e-conversa-sobre-ska-punk-a-cena-de-orange-county-shows-no-brasil-e-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/07\/13\/entrevista-reel-big-fish-anuncia-retorno-aos-palcos-e-conversa-sobre-ska-punk-a-cena-de-orange-county-shows-no-brasil-e-mais\/","title":{"rendered":"Entrevista: Reel Big Fish anuncia retorno aos palcos e conversa sobre ska punk, a cena de Orange County, shows no Brasil e mais"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/hebertonbas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Heberton Barreira<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois personagens prontos para serem animados. Ou prontos para comandar um programa infantil matinal (adolescente, adulto, tanto faz). Um deles tem costeletas grandes, topete rockabilly, \u00f3culos de sol com lentes alaranjadas, bigodinho e cavanhaque sem vergonha, al\u00e9m da camisa havaiana. O outro veste macac\u00e3o jeans tipo jardineira, camisa branca por baixo, bon\u00e9 e \u00f3culos de nerd intelectual. Aaron Barrett e Scott Klopfenstein! Para completar, a voz natural de Scott, quando fala, j\u00e1 parece dublar qualquer um desses bichinhos fofinhos das s\u00e9ries animadas 2D. Uma das principais bandas que ajudaram a consolidar o que chamaram de terceira onda do ska (ou simplesmente, ska punk), <a href=\"https:\/\/reel-big-fish.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Reel Big Fish<\/a> retorna aos palcos com as pe\u00e7as fundamentais da maravilhosa balb\u00fardia dan\u00e7ante dos anos 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira onda do ska nasceu na Jamaica no final dos anos 1950, fundindo ritmos caribenhos (mento, o av\u00f4 do reggae, e calipso) com R&amp;B e jazz americanos, marcada pelo contratempo e pela energia dan\u00e7ante. The Skatalites e Desmond Dekker &amp; The Aces s\u00e3o alguns exemplos. A segunda onda surgiu no Reino Unido no final dos anos 1970, com a reinven\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/06\/16\/7-bandas-para-entender-o-movimento-2-tone\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">da gravadora 2 Tone<\/a>, que misturou ska com punk e new wave, trazendo letras politizadas sobre racismo e desemprego. The Specials, aqui, s\u00e3o un\u00e2nimes, mas ainda havia The Selecter, Madness e The Beat \u2014 estes \u00faltimos com elementos latinos na pegada (inspira\u00e7\u00e3o clara para os Paralamas, que beberam do riff de marimba de &#8220;Hands Off&#8230; She&#8217;s Mine&#8221;, de 1980, em &#8220;\u00d3culos&#8221;, de 1984). J\u00e1 a terceira onda explodiu nos EUA nos anos 1990, combinando os ritmos animados do ska jamaicano com os riffs r\u00e1pidos, crus e agressivos do punk rock. Os aspectos teatrais, a fus\u00e3o com o pr\u00f3prio pop e a presen\u00e7a forte dos metais s\u00e3o marcantes nessa fase. Dessa onda surgiram bandas como Mighty Mighty Bosstones, Rancid, No Doubt, Sublime e, talvez, a mais divertida e mais engra\u00e7ada de todas: Reel Big Fish.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boa parte dessas bandas \u00e9 californiana, de cidades como Long Beach, Berkeley, al\u00e9m da regi\u00e3o de Orange County, condado onde foi ber\u00e7o n\u00e3o somente do Reel Big Fish mas tamb\u00e9m de Save Ferris, No Doubt, The O.C. Supertones, Suburban Legends e The Aquabats \u2013 todas elas solares e contagiantes. Mas \u00e9 imposs\u00edvel falar de ska punk sem destacar a banda que avacalhava no palco e nos pr\u00f3prios videoclipes que a MTV passava \u00e0 exaust\u00e3o na segunda metade dos anos 1990, como &#8220;Sell Out&#8221; e a vers\u00e3o de &#8220;Take On Me&#8221; do A-ha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de \u201cTake On Me\u201d, a banda pescava realmente peixe grande: fizeram vers\u00e3o para \u201cBoys Don\u2019t Cry\u201d, do The Cure, e \u201cGigantic\u201d, dos Pixies (em &#8220;Where Is My Mind?&#8221;, tributo lan\u00e7ado em 1999 que tamb\u00e9m tem Nada Surf fazendo \u201cWhere Is My Mind?\u201d e Weezer, \u201cVelouria\u201d). O grupo deixou registradas vers\u00f5es curiosas na compila\u00e7\u00e3o de covers \u201cFame, Fortune and Fornication\u201d que lan\u00e7aram em 2009, obviamente, em vers\u00f5es ska. Gravaram \u201cWon&#8217;t Back Down&#8221;, de Tom Petty, &#8220;Authority Song\u201d do John Mellencamp, &#8220;Brown Eyed Girl&#8221; do Van Morrison e &#8220;The Long Run&#8221; do Eagles, s\u00f3 para citar algumas. E n\u00e3o deixaram de incluir \u201cMonkey Man\u201d, de Toots and the Maytals, naquele arranjo dos Specials.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Curiosas mesmo s\u00e3o as refer\u00eancias musicais da dupla que v\u00e3o de UB40, passando pelo \u201chair metal\u201d de Poison e chegando ao Right Said Fred: \u201cUma das minhas bandas favoritas! Eles tiveram um hit \u2018I&#8217;m Too Sexy\u2019\u201d, com aquele tom que faz a gente nunca saber se ele est\u00e1 falando s\u00e9rio ou n\u00e3o. Mas Scott confirma: \u201cO disco inteiro \u00e9 maravilhoso.\u201d Outra influ\u00eancia n\u00e3o t\u00e3o \u00f3bvia \u00e9 o They Might Be Giants: \u201cQuando vimos que estavam pegando reggae, ska, rock, metal, punk, polca, misturando tudo \u2013 isso \u00e9 incr\u00edvel. N\u00f3s gostamos de bandas que misturam muitos estilos diferentes de m\u00fasica, tipo They Might Be Giants. A cena ska punk de Orange County na \u00e9poca realmente fazia muito isso. Valia tudo naquela \u00e9poca.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reuni\u00e3o do Reel Big Fish marca o retorno de Scott, que saiu da banda em 2010, basicamente para exercer a paternidade. Em 2005, durante uma turn\u00ea que passou pela Nova Zel\u00e2ndia, Scott foi diagnosticado com a s\u00edndrome de Guillain-Barr\u00e9. Ele tratou a doen\u00e7a em Nova York, onde morava na \u00e9poca. Recuperado, agora lida com uma doen\u00e7a de Lyme cr\u00f4nica, provavelmente ligada \u00e0 s\u00edndrome anterior. J\u00e1 Aaron n\u00e3o toca h\u00e1 seis anos, por isso promete que esse reencontro ser\u00e1 \u201calgo\u201d. Para alegria dos f\u00e3s, que consideram a melhor fase da banda aquela com a dupla, nos \u00e1lbuns e no palco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles j\u00e1 vieram ao Brasil em 2008 (S\u00e3o Paulo), 2011 (S\u00e3o Paulo, Rio, Curitiba e Porto Alegre), e 2016 (apresenta\u00e7\u00e3o \u00fanica em S\u00e3o Paulo no Cine Joia, com abertura da curitibana Water Rats). Por agora, a tour est\u00e1 agendada somente nos EUA. Brasil, talvez ano que vem. Aaron e Scott n\u00e3o ouviram Paralamas ainda. Scott, por\u00e9m, \u00e9 f\u00e3 de Gilberto Gil &#8211; que est\u00e1 no top 3 de seus m\u00fasicos her\u00f3is de todos os tempos. Tanto que lembrou at\u00e9 de &#8220;Volks-Volkswagen Blues&#8221;, de 1969.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com os trejeitos, gritos, poses e caretas no palco (e videoclipes), nota-se a mesma aura de entretenimento de Steve West e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/02\/09\/entrevista-o-pavement-superou-em-muito-todas-as-nossas-expectativas-reflete-bob-nastanovich-num-papo-sobre-amigos-cavalos-e-berros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bob Nastanovich do Pavement<\/a>. Ou daquele coelhinho saltitante <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/11\/entrevista-chris-ballew-fala-de-seu-disco-solo-e-relembra-projetos-com-mark-sandman-beck-e-o-sucesso-com-the-presidents-of-the-usa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Chris Ballew do Presidents of United States of America<\/a>. Ou dos seus quase irm\u00e3os Aquabats. Esses, mais expl\u00edcitos ainda na encena\u00e7\u00e3o com seus uniformes de super her\u00f3is com camisas de mangas longas azuis, m\u00e1scaras e toucas (de nata\u00e7\u00e3o?) &#8211; capacetes anti-negatividade, segundo eles. Todos figuras caricatas encantadoras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se quiser lembrar &#8211; e rir &#8211; do Reel Big Fish e suas presepadas ao vivo, assista a esse show hil\u00e1rio de 2003 (V\u00e1rios momentos de holofotes no trompetista Tyler Jones &#8211; que faleceu em 2020 &#8211; roubando a cena, entretendo a plateia com reggae! E muita cerveja! E Jack Daniel&#8217;s! Nem a dupla segura os risos.).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Reel Big Fish - LIVE at the House of Blues on 6\/20\/2003\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4fT0kI5hXjs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando assisto aos v\u00eddeos antigos do Reel Big Fish, n\u00e3o vejo apenas uma banda tocando m\u00fasica. Parece que estou vendo um desenho animado em live action, com express\u00f5es exageradas, humor f\u00edsico e uma energia incessante, quase como Tex Avery, Looney Tunes ou Animaniacs. Como esse estilo passou a fazer parte da identidade da banda?<\/strong><br \/>\nAaron: Acho que \u00e9 s\u00f3 a nossa personalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Acho que \u00e9 bem natural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: \u00c9 s\u00f3 quem somos. Simplesmente saiu, n\u00e3o foi planejado, n\u00e3o foi uma ideia do tipo &#8220;vamos ser desenhos animados no palco&#8221;. Cada integrante, quando subia no palco, pegava o instrumento e simplesmente come\u00e7ava. Aquilo sa\u00eda deles naturalmente. E acho que foi o que nos uniu como amigos. Somos esse tipo de pessoa. Gostamos de com\u00e9dia, gostamos de bobagem. Somos f\u00e3s dos desenhos antigos do Pernalonga, ador\u00e1vamos o Steve Martin, o Robin Williams e todos aqueles grandes comediantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Sinto que tamb\u00e9m fazia parte da cena em que a gente estava. Cada um meio que tinha seu pr\u00f3prio sabor de loucura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: E tinha bastante. Toda a nossa cena de Orange County era muito sobre se divertir, ser bobo, fazer palha\u00e7ada. N\u00e3o era uma coisa t\u00e3o s\u00e9ria sobre musicalidade s\u00e9ria, era mais sobre divers\u00e3o. Basicamente isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 hil\u00e1rio ver voc\u00eas fazendo caretas e encenando no palco.<\/strong><br \/>\nScott: Acho que \u00e9 o que acontece naturalmente com a gente. Quando voc\u00ea fica na frente de um monte de gente, ou voc\u00ea est\u00e1 tentando descobrir como se sentir confort\u00e1vel, ou de repente voc\u00ea se sente confort\u00e1vel. \u00c9 uma mistura das duas coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Com certeza, aprendi que se eu tornar engra\u00e7ado, fazer uma piada, fica mais f\u00e1cil subir no palco e ficar na frente das pessoas. Sen\u00e3o, fico aterrorizado.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Reel Big Fish - Everything Sucks - Music Video (1996)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LAc7tc-NSrg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando o Reel Big Fish estourou na MTV, os videoclipes de voc\u00eas chamavam aten\u00e7\u00e3o porque voc\u00eas n\u00e3o tinham medo de parecer rid\u00edculos, enquanto muitas outras bandas estavam tentando parecer descoladas. Essa imagem abriu portas para a banda, ou tamb\u00e9m criou expectativas com as quais voc\u00eas tiveram que lidar depois?<\/strong><br \/>\nAaron: N\u00e3o sei, voc\u00ea acha que pode ter nos prejudicado? (perguntando para Scott) Na verdade, pode ter sim. Muitas vezes as pessoas n\u00e3o gostam de f\u00e3s t\u00e3o malucas e brincalhonas. A maioria quer parecer cool, tipo: &#8220;\u00c9 isso a\u00ed, beleza?&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Acho que houve um momento espec\u00edfico no come\u00e7o e no meio dos anos 1990 em que havia espa\u00e7o para esse tipo de estranheza. Bandas como Presidents of the United States of America me v\u00eam \u00e0 cabe\u00e7a. Existiu uma pequena janela para o esquisito. No fim dos anos 1980 e in\u00edcio dos 1990 havia muita excentricidade, mas normalmente vinha acompanhada de uma certa pretens\u00e3o art\u00edstica, de escola de arte, aquela coisa de &#8220;isso \u00e9 dada\u00edsmo&#8221;, &#8220;isso \u00e9 vanguarda&#8221;. N\u00f3s n\u00e3o. \u00c9ramos apenas bobos. Com\u00e9dia pura e simples. E n\u00e3o h\u00e1 nada de errado com o dada\u00edsmo ou com a arte abstrata, n\u00f3s gostamos disso tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Mas como voc\u00ea ousa ser t\u00e3o dada\u00edsta? (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Ha ha ha ha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso criou uma press\u00e3o para continuar fazendo sempre a mesma coisa?<\/strong><br \/>\nScott: Acho que isso \u00e9 muito natural para n\u00f3s. Seria dif\u00edcil agir de outra forma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: N\u00e3o sinto nenhuma press\u00e3o nesse aspecto. Na verdade, \u00e9 justamente onde sentimos menos press\u00e3o. Ser engra\u00e7ado, fazer brincadeiras e sermos n\u00f3s mesmos \u00e9 a parte mais f\u00e1cil de tudo isso. Basta se divertir sendo idiota.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Camisas havaianas e jardineiras n\u00e3o s\u00e3o um figurino que escolhemos para entrevistas. (Aaron estava usando uma camisa havaiana.) \u00c9 assim que a gente vive. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A vers\u00e3o de palco do Reel Big Fish sempre pareceu maior do que a vida real, quase como um elenco de personagens recorrentes em vez de uma banda de rock. Quando o show termina, quanto dessas personalidades desaparece nos bastidores?<\/strong><br \/>\nAaron: Ha ha ha Acho que \u00e9 simplesmente como somos. Acho que essas s\u00e3o as pessoas que somos. Mas, quando subimos no palco, tudo vai para o n\u00edvel onze. Quando descemos, volta para o n\u00edvel tr\u00eas. (risos) N\u00e3o conseguimos evitar. Pisamos no palco e ganhamos vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Tamb\u00e9m faz parte da nossa linguagem de amor um com o outro. A gente faz esquetes, bits de com\u00e9dia, porque \u00e9 mais f\u00e1cil do que ser realmente vulner\u00e1vel.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Reel Big Fish - \u201cBeer\u201d Live (Pro Filmed)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wbWL4_O1TYg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aaron e Scott, o que voc\u00eas fizeram na faculdade? E algum de voc\u00eas teve forma\u00e7\u00e3o musical?<\/strong><br \/>\nAaron: Voc\u00ea teve treinamento musical? (Perguntando para Scott.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: N\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Voc\u00ea fez teatro musical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Ent\u00e3o, eu estudei em uma escola de artes c\u00eanicas no ensino m\u00e9dio, fiz um ano de m\u00fasica instrumental e fui expulso. A\u00ed fui para o teatro musical, ent\u00e3o estudei teatro, atua\u00e7\u00e3o e performance musical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso explica bastante coisa.<\/strong><br \/>\nAaron: Isso explica muito (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Mas na faculdade \u2013 fiz faculdade por nove meses. Seis meses. Estudei cinema como literatura e depois estudei hist\u00f3ria da arquitetura do in\u00edcio da hist\u00f3ria registrada at\u00e9 o in\u00edcio de A.C. N\u00e3o me lembro onde parava \u2013 voc\u00ea entra em muitos zigurates.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: E a\u00ed fizemos ele desistir porque conseguimos um contrato de grava\u00e7\u00e3o e tivemos que fazer turn\u00ea. Eu nunca fiz faculdade nem nada. Tive aulas de guitarra com um professor muito bom que curtia \u201chair metal\u201d, que era minha m\u00fasica favorita na \u00e9poca. Ele me ensinou a tocar shred, dos quinze e meio aos dezessete anos, um ano e meio. E eu achei que sabia tudo &#8211; &#8220;n\u00e3o preciso mais disso, j\u00e1 saquei tudo&#8221;. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Voc\u00ea simplesmente deixa os dedos irem para onde quiserem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Eu queria ter continuado as aulas por mais tempo, tipo um pouco mais, mas me virei bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A maioria das bandas tenta fazer letras tristes soarem tristes. O Reel Big Fish costuma fazer exatamente o oposto, envolvendo decep\u00e7\u00e3o e sarcasmo em m\u00fasicas que soam como uma celebra\u00e7\u00e3o. Como \u00e9 que essa combina\u00e7\u00e3o virou a marca do jeito de compor de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nAaron: Essa \u00e9 uma boa pergunta. N\u00e3o sei. A m\u00fasica \u00e9 t\u00e3o alegre, feliz e divertida, e acho que isso \u00e9 uma grande parte da personalidade. Mas originalmente come\u00e7ou s\u00f3 para ser engra\u00e7ado. Tipo &#8220;e se&#8230;&#8221; E isso vem <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Morrissey\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">de ouvir Morrissey<\/a> e The Smiths, eu acho. Ele fez muitas m\u00fasicas, algumas eram bem depressivas, mas outras tinham uma m\u00fasica super divertida e a letra bem triste. Ele tem bastante&#8230; Acho que foi da\u00ed que veio um pouco. Mas n\u00e3o sei, veio tudo do &#8220;e se a gente fizesse isso, n\u00e3o seria esquisito?&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: A gente sempre quis ser o Oscar Wilde do ska.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A vers\u00e3o de voc\u00eas para &#8220;We Hate It When Our Friends Become Successful&#8221; nunca pareceu uma escolha estranha. Morrissey e Reel Big Fish t\u00eam estilos bem diferentes, mas os dois cantam sobre inseguran\u00e7a e o absurdo do dia a dia com um humor \u00e1cido. Foi isso que chamou voc\u00eas para essa m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nAaron: Sim, com certeza. E a gente gosta de escrever m\u00fasicas sobre m\u00fasica \u2013 muitas das nossas m\u00fasicas s\u00e3o sobre estar numa banda. Ent\u00e3o aquela m\u00fasica, a gente se identificava de certa forma, e pareceu que se encaixava. Especialmente no \u00e1lbum \u201cWe&#8217;re Not Happy\u201d, que tinha muita amargura, muita raiva, ent\u00e3o aquela m\u00fasica foi perfeita para ele. E ainda foi uma desculpa para regravar outra m\u00fasica do Morrissey.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Reel Big Fish   &quot;Ask&quot; (Music Video) &#039;the Smiths&#039; Cover Feat. Rachel Minton\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bxv2cFSrlz8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No Reel Big Fish, a m\u00fasica e o humor, parece que n\u00e3o d\u00e1 pra separar. O som j\u00e1 tem gra\u00e7a, e as piadas t\u00eam ritmo. Como \u00e9 que essas duas coisas cresceram juntas?<\/strong><br \/>\nAaron: Faz tanto tempo que fazemos essas duas coisas ao mesmo tempo que elas acabaram crescendo juntas. Acho que, no come\u00e7o, quando come\u00e7amos a banda, ainda n\u00e3o \u00e9ramos m\u00fasicos t\u00e3o bons assim. E, quando come\u00e7amos a fazer sucesso, muitos de n\u00f3s ainda est\u00e1vamos descobrindo quem \u00e9ramos como m\u00fasicos. Eu, pelo menos, certamente estava. Naquela \u00e9poca, a parte c\u00f4mica acabava mascarando um pouco essas limita\u00e7\u00f5es e compensava os momentos em que a execu\u00e7\u00e3o musical ainda n\u00e3o era t\u00e3o boa. Com o tempo, por\u00e9m, fomos aprendendo a melhorar nosso timing no palco, e nossa musicalidade tamb\u00e9m evoluiu, porque eu trabalhei nisso. Pelo menos tentei. (olhando para Scott) Parece que voc\u00ea quer dizer alguma coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: N\u00e3o&#8230; quer dizer&#8230; acho que essa \u00e9 uma pergunta interessante. Na verdade, n\u00e3o sei se algu\u00e9m j\u00e1 nos fez essa pergunta de verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Acho que tudo isso \u00e9 resultado dos anos passados no palco. Noite ap\u00f3s noite, show ap\u00f3s show, fazendo pequenos ajustes, tentando melhorar, tentando montar um espet\u00e1culo cada vez melhor, buscando entreter as pessoas e oferecer o melhor que pod\u00edamos a cada apresenta\u00e7\u00e3o. Depois de d\u00e9cadas fazendo isso, se voc\u00ea n\u00e3o evolui, alguma coisa est\u00e1 errada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: \u00c9, eu n\u00e3o sinto que a gente quisesse descansar sobre os louros \u2013 eu nem sei o que s\u00e3o louros, ent\u00e3o n\u00e3o sei onde os encontraria para descansar sobre eles, o que talvez explique por que estou com tanto sono. Mas tamb\u00e9m acho que sempre existiu uma vontade muito grande de simplesmente soar como o Reel Big Fish. Claro, houve momentos em que fomos influenciados por outras pessoas e por outras bandas, mas acho que o Aaron sempre teve um som muito pr\u00f3prio martelando na cabe\u00e7a. E, no fim das contas, o objetivo de todo mundo sempre foi o mesmo: &#8220;vamos soar como Reel Big Fish, custe o que custar.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00eas come\u00e7aram a ouvir quando eram crian\u00e7as?<\/strong><br \/>\nScott: Eu n\u00e3o tinha permiss\u00e3o para ouvir m\u00fasica secular, que \u00e9 a m\u00fasica do r\u00e1dio. Me disseram que o diabo estava nela. Tinha muita coisa espec\u00edfica, tipo Peter, Paul and Mary, do meu pai, que ouvia muito folk. Minha m\u00e3e era muito f\u00e3 do Neil Diamond e do Barry Manilow, o que eu n\u00e3o achava que dava para fazer os dois \u2013 eu sentia que voc\u00ea tinha que escolher um \u2013 mas ela fazia os dois. Ela \u00e9 quebradora de moldes. E a\u00ed o Weird Al (nota: humorista, parodista, sanfonista e produtor de televis\u00e3o americano premiado pelo Grammy). Ele foi meu portal para quase toda a m\u00fasica pop. E a\u00ed quando comecei a ficar angustiado, descobri Fishbone, Pixies, The Cure, coisas assim. Poison\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Minha primeira banda favorita foi UB40, banda de reggae. &#8220;Red Red Wine&#8221;&#8230; e minha segunda banda favorita depois disso foi Poison, a banda de hair metal. Foi por isso que comecei a tocar guitarra, porque eu queria (tocar como eles), eu via aqueles videoclipes de &#8220;Talk Dirty to Me&#8221; e &#8220;Nothing but a Good Time&#8221; e ent\u00e3o: &#8220;Eu quero fazer aquilo, quero tocar shred na guitarra, pular de cal\u00e7a colante e ter um cabel\u00e3o loiro&#8221; (risos). E quero fazer um reggae no meio. A\u00ed tropecei nessa m\u00fasica ska punk e foi &#8220;Ooooooh. \u00c9 meio que o que eu estou procurando. Esse \u00e9 o som que eu estava buscando.&#8221;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Reel Big Fish - Party Down (Music Video 2007) High Quality Vid\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YUebIsfBKMQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As m\u00fasicas de voc\u00eas s\u00e3o engra\u00e7adas, mas tamb\u00e9m s\u00e3o muito mel\u00f3dicas. Como \u00e9 que voc\u00eas combinam essas duas coisas quando comp\u00f5em?<\/strong><br \/>\nAaron: N\u00f3s somos s\u00f3 uns caras estranhos, n\u00e3o sei. N\u00f3s amamos m\u00fasica. E n\u00e3o tem brincadeira na letra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Eu acho que, como o Aaron disse, a gente estudou ou consumiu muita com\u00e9dia. H\u00e1 uma coisa que voc\u00ea encontra em grandes comediantes. Eles usam humor e leveza para abrir as pessoas para terem experi\u00eancias humanas reais. Ent\u00e3o voc\u00ea mant\u00e9m o pessoal rindo, um pouco na brincadeira, e a\u00ed coloca algo realmente bonito ali para criar uma conex\u00e3o humana. N\u00e3o sei se a gente fez isso intencionalmente, mas conforme fui envelhecendo e estudando, descubro que essa \u00e9 uma das caracter\u00edsticas de qualquer grande comediante ou artista c\u00f4mico. H\u00e1 um n\u00edvel de profunda sinceridade pela conex\u00e3o humana nisso, e o humor \u00e9 meio que a ponte para isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: O quebra-gelo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: \u00c9. Voc\u00ea faz as pessoas rirem e a\u00ed elas se abrem, e voc\u00ea chega ao cora\u00e7\u00e3o. Talvez. N\u00e3o sei. Talvez isso fa\u00e7a sentido. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Na verdade, n\u00e3o. Mas tudo bem. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Reel Big Fish geralmente \u00e9 associado ao ska e ao punk, mas ser\u00e1 que voc\u00eas t\u00eam influ\u00eancias que ningu\u00e9m imagina? H\u00e1 discos na cole\u00e7\u00e3o de voc\u00eas que os f\u00e3s nunca imaginariam que ajudaram a moldar o som da banda?<\/strong><br \/>\nAaron: Com certeza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Bem\u2026 Poison!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Muitos. Eu acho que a influ\u00eancia do hair metal aparece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Tamb\u00e9m acho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: \u00c9 bem \u00f3bvia. O que n\u00e3o \u00e9 \u00f3bvio? Uma das minhas bandas favoritas se chama Right Said Fred. Eles tiveram um hit, &#8220;I&#8217;m Too Sexy&#8221;, em 1991. (pausinha ir\u00f4nica e silenciosa, risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: E o resto do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Fiquei surpreso ao descobrir que gosto muito deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Tem tanta coisa boa naquele disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: E eles fizeram muitos outros discos tamb\u00e9m. Mas \u00e9, temos gostos musicais muito diversos. Cada pessoa na banda ouve tanta m\u00fasica diferente e sempre ouviu. Teve um momento em que todos n\u00f3s nos encontramos na cena de Orange County e ficamos tipo &#8220;oh, n\u00f3s gostamos desse tipo de m\u00fasica&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Eu acho que essa \u00e9 a beleza da m\u00fasica ska para come\u00e7o de conversa. \u00c9 um h\u00edbrido da m\u00fasica pop da \u00e9poca com o mento, que era a m\u00fasica da Jamaica na \u00e9poca. E ent\u00e3o ela se presta \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o. E h\u00e1 meio que uma atitude de que, contanto que voc\u00ea esteja honrando de onde ela vem e o esp\u00edrito por tr\u00e1s dela, expandi-la com outras influ\u00eancias \u00e9 meio que a ideia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Foi o que a gente gostou na terceira onda do ska \u2013 nos anos 1990, as pessoas estavam misturando com tudo, e foi o que nos atraiu porque a gente gostava de todos os tipos de m\u00fasica. Ent\u00e3o quando vimos que estavam pegando reggae, ska, rock, metal, punk, polca, misturando tudo. Isso \u00e9 incr\u00edvel. N\u00f3s gostamos de bandas que misturam muitos estilos diferentes de m\u00fasica, tipo They Might Be Giants. A cena ska punk de Orange County na \u00e9poca realmente fazia muito isso. Valia tudo naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Presidents of the United States of America tinha o mesmo clima, claro que um estilo sonoro diferente, mas tinham esse conceito de m\u00fasica de festa.<\/strong><br \/>\nScott: Eu tamb\u00e9m acho. O que uniu muitos de n\u00f3s e que a gente apreciava quando se reunia \u00e9 que todo mundo tinha, como me lembro de dizer, gostos musicais muito diversos. Ent\u00e3o alguns sabiam mais de jazz, alguns sabiam mais disso e daquilo. E quando nos juntamos, n\u00e3o est\u00e1vamos totalmente formados musicalmente em nossos estados criativos ainda, de modo a poder pegar todos esses elementos e mistur\u00e1-los de uma forma que, felizmente, foi muito \u00fanica. E isso meio que fez a coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Mas a gente n\u00e3o sabia as regras ainda. A gente s\u00f3 ficava tipo &#8220;ah, eu posso fazer isso. Vamos fazer isso. Por que n\u00e3o fazer isso?&#8221;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Reel Big Fish - Take On Me\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QHpU0ZfXZ_g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cTake On Me&#8221; j\u00e1 \u00e9 uma m\u00fasica t\u00e3o ic\u00f4nica que parece imposs\u00edvel melhorar. Mas da\u00ed voc\u00eas chegam e conseguem mudar para ficar mais divertida ainda. Voc\u00eas j\u00e1 tinham uma no\u00e7\u00e3o de que ia dar certo? Ficaram deslumbrados com a vers\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAaron: A gente simplesmente fez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Mais uma vez&#8230; ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: \u00c9, ignor\u00e2ncia. (risos) Eu amo aquelas m\u00fasicas dos anos 80, aquelas m\u00fasicas new wave, de sintetizador. E n\u00e3o sei, simplesmente algo na minha cabe\u00e7a fez sentido e eu tive uma ideia. A inspira\u00e7\u00e3o veio, n\u00e3o foi planejado nada. Foi s\u00f3 &#8220;Ei, vamos fazer isso&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Ele disse: &#8220;Vamos fazer isso.&#8221;. E a gente respondeu &#8220;ok&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: E eles estavam tipo &#8220;A gente tenta qualquer coisa, por que n\u00e3o?&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: O que temos a perder? Estamos aqui para fazer m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: A gente n\u00e3o sabia que ficaria t\u00e3o bom e que as pessoas gostariam tanto. Come\u00e7amos a regravar outras m\u00fasicas dos anos 80 \u2013 &#8220;Boys Don&#8217;t Cry&#8221; (The Cure), &#8220;Hungry Like the Wolf&#8221; (do Duran Duran), algumas outras. Eu cresci nos anos 80, ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem um \u00e1lbum cheio dessas regrava\u00e7\u00f5es, certo?<\/strong><br \/>\nAaron: Mais tarde fizemos um \u00e1lbum principalmente de covers dos anos 80 (\u201cFame, Fortune and Fornication\u201d). Esse \u00e1lbum na verdade era para ser s\u00f3 de covers do Poison, mas a gravadora meio que nos convenceu a desistir e disse que as pessoas talvez n\u00e3o gostassem daquilo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Ent\u00e3o decidimos, pela primeira vez, fazer o que ach\u00e1vamos que as pessoas iriam gostar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Foi sugerido que a gente misturasse um pouco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Eu gosto de &#8220;Won&#8217;t Back Down&#8221; (do Tom Petty). Porque eu estava morando em Nova York na \u00e9poca e n\u00e3o tinha ouvido os ritmos como muitos dos ensaios. E a\u00ed quando ouvi aquilo saindo das caixas de som, eu fiquei tipo &#8220;Legal!&#8221;. Achei que foi uma \u00f3tima escolha porque \u00e9 uma \u00f3tima m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: \u00c9, essa ficou boa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Reel Big Fish - Sell Out\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AEKbFMvkLIc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Sell Out&#8221; brinca com a ideia de sacrificar a integridade art\u00edstica pelo sucesso comercial, e h\u00e1 uma certa ironia no fato de que se tornou um dos maiores sucessos de voc\u00eas. Mas a ind\u00fastria musical mudou drasticamente desde ent\u00e3o. As lojas de discos quase desapareceram. Claro, ainda tem as que resistem, mas hoje o streaming permite que as pessoas ou\u00e7am o que quiserem, quando quiserem. Olhando para tr\u00e1s, voc\u00eas acham que a m\u00fasica assumiu um significado diferente ao longo dos anos? Na m\u00fasica, a ideia de &#8220;vender-se&#8221; ainda existe, ou simplesmente evoluiu?<\/strong><br \/>\nAaron: Com certeza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Eu n\u00e3o sei mais o que \u00e9 se vender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: N\u00f3s testemunhamos a transforma\u00e7\u00e3o mais incr\u00edvel da ind\u00fastria musical. Foi uma loucura. Era como viver num mundo onde todo mundo andava a cavalo e, de repente, inventassem os autom\u00f3veis. Voc\u00ea olhava aquilo e pensava: &#8220;Uau!&#8221;. Foi uma mudan\u00e7a de vida desse tamanho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Ver a tecnologia colocar mais poder nas m\u00e3os dos artistas e, ao mesmo tempo, tirar valor econ\u00f4mico do trabalho criativo foi uma experi\u00eancia muito estranha. A ideia de se vender tinha que ser baseada na ideia de que o poder estava concentrado em um \u00fanico lugar e, para conseguir estabilidade e longevidade, era preciso jogar o jogo da ind\u00fastria. Essa era a piada da coisa toda. Hoje voc\u00ea pode gravar quantas m\u00fasicas quiser no seu quarto e disponibiliz\u00e1-las para o mundo inteiro. Mas provavelmente tamb\u00e9m vai precisar trabalhar em dois empregos ou passar a vida inteira na estrada para sobreviver. Se vender \u00e9 parecido com as redes sociais. Antigamente seria &#8220;voc\u00ea est\u00e1 se transformando num comercial&#8221;, mas pelo menos voc\u00ea est\u00e1 fazendo do jeito que quer. Est\u00e1 tudo confuso. Ningu\u00e9m mais usa essa express\u00e3o, mas as pessoas ainda cantam a m\u00fasica, ent\u00e3o est\u00e1 tudo bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Fico feliz que nossa gravadora teve senso de humor e colocou essa m\u00fasica nas r\u00e1dios. Eles entenderam a piada, eu acho. \u00c9 legal quando todo mundo entende a brincadeira e participa dela junto com voc\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A turn\u00ea de voc\u00eas come\u00e7a no m\u00eas que vem, depois de um longo per\u00edodo sem apresenta\u00e7\u00f5es. O que voc\u00eas est\u00e3o mais curiosos para redescobrir quando voltarem ao palco?<\/strong><br \/>\nAaron: Bom, esse cara est\u00e1 fora da banda h\u00e1 16 anos, e eu n\u00e3o toco h\u00e1 seis anos, ent\u00e3o vai ser algo&#8230;vai ser uma experi\u00eancia e tanto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Vai ser uma loucura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Acho que vai voltar porque \u00e9 a \u00fanica coisa na qual somos bons. A \u00fanica coisa que sabemos fazer \u00e9 subir no palco e tocar m\u00fasica. J\u00e1 fizemos isso por tanto tempo, mesmo ficando um tempo longe, tudo come\u00e7ou a voltar. A \u00fanica diferen\u00e7a era que os calos nas minhas m\u00e3os tinham desaparecido. Fora isso, eu lembrava de todas as m\u00fasicas, de todas as letras, de todas as coreografias e de todas as piadas. Estava tudo ali. Mas vai ser interessante subir ao palco novamente depois de tanto tempo e descobrir como ser\u00e1 essa sensa\u00e7\u00e3o. Tenho certeza de que vai ser muito boa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Reel Big Fish - Where Have You Been (Music Video 2002)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZOezFIdbFrs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como est\u00e3o os ensaios?<\/strong><br \/>\nAaron: Est\u00e3o indo bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: O Aaron e eu temos ensaiado n\u00f3s dois por&#8230; tr\u00eas meses?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: \u00c9, por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Cerca de tr\u00eas meses, duas vezes por semana. Fizemos um ensaio com alguns dos outros integrantes e teremos outro, com mais gente, na pr\u00f3xima semana. Estamos tentando encaixar os ensaios na agenda de todo mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Muitos dos metais tamb\u00e9m est\u00e3o em outras bandas agora, tipo Goldfinger, Ice Nine Kills, ent\u00e3o tentar reunir todo mundo \u00e9 complicado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas vieram ao Brasil algumas vezes, certo \u2013 S\u00e3o Paulo, Rio, Curitiba \u2013 com o Goldfinger. Quais s\u00e3o as lembran\u00e7as mais fortes desses shows e de tocar para o p\u00fablico brasileiro?<\/strong><br \/>\nAaron: Eu me lembro da energia da plateia \u2013 tanta paix\u00e3o dos f\u00e3s. Cantando junto com as linhas dos metais, com as partes da guitarra. Isso n\u00e3o acontece em qualquer lugar do mundo. A maioria das pessoas s\u00f3 balan\u00e7a a cabe\u00e7a, talvez cante um pouco junto. Mas logo na primeira nota&#8230; Tipo, da da da da dadadaaa. Todo mundo acompanha. Era algo que tamb\u00e9m faz\u00edamos em Orange County: cant\u00e1vamos os metais, as guitarras, tudo. Por isso valorizamos muito quando o p\u00fablico faz isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Aquele primeiro show em S\u00e3o Paulo, aquele lugar tinha tipo 3.000 pessoas, era enorme e estava lotado. Quem \u00e9 que aparece e toca num lugar pela primeira vez na frente de uma plateia que est\u00e1 cantando todas as palavras e simplesmente na pegada? Foi realmente avassalador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: E ainda tinha o Goldfinger junto nessa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Sim. Fomos recebidos de bra\u00e7os abertos. E o Brasil \u00e9 um pa\u00eds lindo. Sou um grande f\u00e3 da m\u00fasica brasileira. Gilberto Gil \u00e9 um dos meus her\u00f3is. Tenho uma foto enorme dele no meu espa\u00e7o de trabalho. Ent\u00e3o mal podemos esperar para voltar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Esperamos que isso aconte\u00e7a logo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No fim dos anos 1990 e in\u00edcio dos anos 2000, quando o Reel Big Fish aparecia na MTV, eu sempre associava aquela onda do ska punk a algumas bandas brasileiras tamb\u00e9m, como Bois de Geri\u00e3o e M\u00f3veis Coloniais de Acaju, que tinham uma forte presen\u00e7a de metais. O Bois de Geri\u00e3o infelizmente acabou, mas voc\u00eas chegaram a conhecer alguma banda brasileira de ska ou m\u00fasica brasileira em geral? Paralamas do Sucesso, por exemplo? Voc\u00ea mencionou Gilberto Gil, que inclusive escreveu uma m\u00fasica para eles.<\/strong><br \/>\nAaron: \u00c9 muito legal ver que o ska punk se espalhou pelo mundo todo. Para onde a gente vai, tem bandas legais tocando. Hoje h\u00e1 mais bandas do que nunca. \u00c9 muito interessante ver isso tudo crescer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Eu n\u00e3o sei se cruzamos com alguma banda de ska brasileira. Eu n\u00e3o sei o que eu faria se algum dia pudesse conhecer o Gilberto Gil. Acho que eu choraria, para ser sincero. Para mim, ele est\u00e1 entre os tr\u00eas maiores m\u00fasicos e compositores de todos os tempos. A primeira coisa que ouvi dele foi o disco 1969, com &#8220;Volkswagen Blues&#8221;. Eu celebro o talento do homem. Ele \u00e9 extraordin\u00e1rio. Mas adorar\u00edamos conhecer mais estrelas brasileiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Estamos sempre procurando m\u00fasica boa para ouvir. Ent\u00e3o, se tiver sugest\u00f5es, pode mandar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A turn\u00ea de voc\u00eas come\u00e7a no m\u00eas que vem, por enquanto apenas com datas nos Estados Unidos. Planos para trazer a turn\u00ea para o Brasil?<\/strong><br \/>\nAaron: Estamos fazendo apenas alguns shows agora s\u00f3 para molhar os p\u00e9s de novo, s\u00f3 para lembrar como se faz. Estamos fazendo o Warped Tour em Long Beach, Calif\u00f3rnia, e em Orlando, Fl\u00f3rida, e a\u00ed vamos fazer um show em Denver com a 311 \u2013 uma das nossas bandas favoritas de todos os tempos, al\u00e9m de Sublime e Slightly Stoopid, num festival de reggae. Depois veremos o que acontece. N\u00e3o temos nenhuma turn\u00ea longa planejada, mas estamos abertos a qualquer coisa. Nosso agente de reservas falou em nos levar para o mundo todo no ano que vem, ent\u00e3o podemos nos ver em breve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tomara! Os f\u00e3s brasileiros esperam h\u00e1 muito tempo por um novo show do Reel Big Fish. E para trazer essa turn\u00ea para a Am\u00e9rica do Sul, quais seriam os maiores desafios hoje?<\/strong><br \/>\nAaron: Ah, n\u00e3o sei. Temos pessoas boas. Sempre h\u00e1 bons promotores, e nosso agente trabalha com eles, e tudo correu bem no passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Eu acho que hoje em dia a parte comercial. A gente precisa estar um pouco atento a isso. N\u00e3o quero ser pol\u00edtico, mas o estado das coisas est\u00e1 tenso e desafiador. N\u00e3o s\u00f3 pessoalmente, mas financeiramente tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Mas se h\u00e1 f\u00e3s a\u00ed que querem nos ver, n\u00f3s vamos fazer dar certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Vamos fazer o poss\u00edvel para acontecer.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Reel Big Fish - &quot;Boys Don&#039;t Cry&quot; (Live at &quot;The Bottleneck&quot; | June 7, 1997)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/s1zxuW_ZpHg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Scott, voc\u00ea deixou a banda em 2010, certo?<\/strong><br \/>\nScott: Sim, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea \u00e9 originalmente da Calif\u00f3rnia. Naquela \u00e9poca j\u00e1 morava em Nova York?<\/strong><br \/>\nScott: Sim, eu estava morando em Nova York na \u00e9poca. Mudei para Nova York em 2005, e a\u00ed voltei para a Calif\u00f3rnia em 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea tamb\u00e9m foi diagnosticado com a s\u00edndrome de Guillain-Barr\u00e9. Como voc\u00ea tem passado desde ent\u00e3o?<\/strong><br \/>\nScott: Felizmente tive uma recupera\u00e7\u00e3o praticamente completa. Fiquei paralisado do pesco\u00e7o para baixo durante um per\u00edodo. Hoje convivo com a doen\u00e7a de Lyme cr\u00f4nica, que os m\u00e9dicos acreditam estar relacionada \u00e0 s\u00edndrome de Guillain-Barr\u00e9. \u00c9 um desafio constante. Mas voc\u00ea toma seus suplementos, descansa, tenta viver da forma mais saud\u00e1vel poss\u00edvel&#8230; e, at\u00e9 agora, isso ainda n\u00e3o conseguiu me matar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Continua firme e forte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas t\u00eam filhos?<\/strong><br \/>\nScott: Tenho dois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aaron?<\/strong><br \/>\nAaron: Eu n\u00e3o. Tenho um cachorro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que a paternidade te ensinou, Scott? O que significa ser pai para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nScott: Ah, significa tudo. Nossa, essa pergunta \u00e9 t\u00e3o grande. Meus filhos s\u00e3o algumas das minhas pessoas favoritas. S\u00e3o incr\u00edveis, interessantes e muito mais inteligentes do que eu jamais fui na idade deles. Na verdade, acho que j\u00e1 s\u00e3o mais inteligentes do que eu sou hoje. Ser pai muda a maneira como voc\u00ea enxerga as novas gera\u00e7\u00f5es. Quando voc\u00ea convive com elas de forma t\u00e3o \u00edntima, isso traz muita esperan\u00e7a. Tamb\u00e9m me mant\u00e9m jovem. Conhe\u00e7o gente que diz que a paternidade faz a pessoa se sentir mais velha. Comigo aconteceu o contr\u00e1rio. Eu me sinto bastante jovem. Posso jogar videogame com meus filhos, assistir filmes de terror, fazer trilhas, acampar&#8230; simplesmente passar tempo com eles. Meus filhos gostam de brincar, fazer bagun\u00e7a e aproveitar a vida. Mas tamb\u00e9m aprendo muito com eles. Escuto o que t\u00eam a dizer, o que pensam, quais s\u00e3o seus medos, e percebo que todos n\u00f3s enfrentamos os mesmos problemas, apenas em intensidades diferentes. E ainda tem a parte de aliment\u00e1-los&#8230; isso tamb\u00e9m \u00e9 importante. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Ele poderia ficar falando sobre isso por horas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Eu gosto de ser pai, \u00e9 divertido. Sou um pai bem presente.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"HD Documental Ska Pick It Up! - Ska in the &#039;90s  @skamadosska #documental #ska #usa #film #punk\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sramYse04mY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas est\u00e3o no document\u00e1rio &#8220;Pick It Up!: Ska in the &#8217;90s&#8221;. Tem uma parte engra\u00e7ada em que o Scott entrevista pessoas na rua e elas n\u00e3o o reconhecem. Aaron, no document\u00e1rio, voc\u00ea comenta que as bandas da Costa Leste eram mais s\u00e9rias quanto \u00e0 musicalidade e um pouco &#8220;desconfiadas&#8221; das bandas da Costa Oeste. Havia um certo tipo de tens\u00e3o entre essas duas cenas?<\/strong><br \/>\nAaron: Ah, eu n\u00e3o acho que havia muita tens\u00e3o. Todo mundo era bastante acolhedor e s\u00f3 feliz por ver outra banda de ska tocando. Havia alguns que ficavam meio &#8220;Quem s\u00e3o esses caras?&#8221; Mas ningu\u00e9m nunca chegou na nossa cara: &#8220;O que voc\u00eas est\u00e3o fazendo na nossa cena, cara?&#8221;. Pelo menos na nossa experi\u00eancia, todo mundo sempre foi muito legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Acho que quem implicava conosco teria implicado de qualquer jeito, mesmo que estiv\u00e9ssemos tocando ska tradicional. Simplesmente nunca foi natural para n\u00f3s seguir regras r\u00edgidas. Sempre existir\u00e1 algu\u00e9m dizendo: &#8220;Esses caras est\u00e3o fazendo errado.&#8221; E a\u00ed fazemos do nosso jeito e a pessoa continua reclamando porque &#8220;n\u00e3o era assim que deveria ser&#8221;. Tem gente que simplesmente gosta de reclamar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Naquela \u00e9poca, por volta de 1995 e 1996, o ska punk estava explodindo nos Estados Unidos. Havia um entusiasmo enorme. As pessoas estavam felizes em descobrir novas bandas. O clima n\u00e3o era de competi\u00e7\u00e3o nem de &#8220;esses caras est\u00e3o fazendo errado&#8221;. Claro que sempre existem cr\u00edticos, mas, de maneira geral, havia muito apoio. N\u00e3o existia uma rivalidade Costa Leste versus Costa Oeste como aconteceu no rap com Tupac. Existia muito mais amor do que rivalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Eu me lembro de pessoas dizerem que havia uma treta do Reel Big Fish com o Less Than Jake, e a gente nunca tinha se conhecido. A\u00ed nos encontramos no Arizona, assistimos ao show deles e ficamos tipo &#8220;Esses caras s\u00e3o fodas pra caralho&#8221;, e a\u00ed nos conhecemos e ficamos &#8220;A gente devia se odiar?&#8221; &#8220;N\u00e3o, vamos tomar uma cerveja.&#8221; E eles assistiram a gente, e somos amigos desde ent\u00e3o. Amamos aqueles caras como fam\u00edlia. Parte disso \u00e9 s\u00f3 o que as pessoas gostam de inventar. Elas querem que haja algum tipo de rivalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Acho que muito disso vinha das batalhas entre Costa Leste e Costa Oeste do rap nos anos 90. As pessoas projetavam isso no ska, mas nunca existiu de verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: N\u00f3s gostamos da maioria das bandas, independentemente do tipo de ska que toquem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Naquela \u00e9poca havia t\u00e3o poucas bandas de ska punk que era imposs\u00edvel n\u00e3o gostar de todas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Qualquer pessoa disposta a passar horas ensaiando numa garagem abafada ou no quarto de algu\u00e9m, entrar numa van que pode quebrar a qualquer momento, carregar equipamentos caindo aos peda\u00e7os e tocar para vinte pessoas num clube pequeno merece respeito. Voc\u00ea aprende a valorizar quem faz isso porque \u00e9 justamente esse apoio m\u00fatuo que mant\u00e9m todos seguindo em frente. Comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Comunidade. Isso me leva \u00e0 \u00faltima pergunta. No document\u00e1rio \u201cPick It Up!\u201d, Christian Jacobs, do The Aquabats, diz que montar uma banda deveria ser sobre se divertir, fazer as pessoas felizes e colocar as crian\u00e7as para dan\u00e7ar. Scott tamb\u00e9m j\u00e1 disse: &#8220;Que se dane o dinheiro. Que se dane a fama. Fa\u00e7a diferen\u00e7a. Nada disso importa se n\u00e3o houver uma conex\u00e3o humana.&#8221; No fundo, voc\u00ea acha que o ska e toda aquela cena eram, acima de tudo, uma forma de construir comunidade e um sentimento de pertencimento?<\/strong><br \/>\nAaron: Ah, com certeza. Absolutamente. Era definitivamente sobre encontrar um lugar onde voc\u00ea pudesse pertencer, se sentir voc\u00ea mesmo, se expressar, curtir, aproveitar a vida. Deixar os problemas do mundo de lado e estar com seus amigos se divertindo. Especialmente na cena de Orange County, era realmente assim, voc\u00ea n\u00e3o precisava ter um moicano ou uma roupa espec\u00edfica. Qualquer pessoa era bem-vinda. Foi por isso que comecei a usar camisas havaianas. Ningu\u00e9m me batia porque eu parecia engra\u00e7ado. Era um ambiente extremamente acolhedor e inclusivo. No fim das contas, tudo girava em torno da divers\u00e3o e do amor pela m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Era sobre comunidade, encontrar um lugar para pertencer. Parecia que qualquer um podia simplesmente chegar, ficar e fazer parte, e a\u00ed se voc\u00ea ficasse tempo suficiente, algu\u00e9m diria &#8220;Ei, voc\u00ea toca alguma coisa?&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Sim. N\u00f3s \u00e9ramos uns garotos estranhos e desajeitados, e encontramos um lugar onde pertenc\u00edamos. Foi legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Esse n\u00edvel de confian\u00e7a que voc\u00ea est\u00e1 vendo n\u00e3o vem do nada (Scott apontando para Aaron e para si mesmo, Aaron rindo). Ela nasceu do cadinho da dor e de muito constrangimento. Voc\u00ea aprende muito quando est\u00e1 numa banda de ska porque h\u00e1 muitas personalidades diferentes. \u00c9 um microcosmo de aprender a lidar com um monte de pessoas diferentes. E a comunidade era assim em grande escala: muitos contextos diferentes, personalidades. Diferentes convivendo juntas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Comunidade e divers\u00e3o. \u00c9 para isso que o show come\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alguma mensagem para os f\u00e3s brasileiros?<\/strong><br \/>\nAaron: Sentimos saudades de voc\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: N\u00f3s amamos voc\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Mal podemos esperar para v\u00ea-los. J\u00e1 faz muito tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott: Estamos trabalhando nisso, estamos trabalhando para chegar a\u00ed. Aaron: 2027!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Reel Big Fish - Sell Out (Cine Joia \/ S\u00e3o Paulo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PQbdQKNdu0Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Reel Big Fish - Live in St. Petersburg, FL 2\/15\/15 - Pro Filmed (FULL CONCERT)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IdItnmCmcqs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Reel Big Fish - (2001) Live at Milwaukee Summerfest (Full Concert)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bdM09Bvf8wI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Reel Big Fish - Take on Me (2001) - Live at Tokyo Summer Sonic Festival\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TH7UW-NX_qw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/hebertonbas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Heberton Barreira<\/a>\u00a0\u00e9 estudante de jornalismo, bandolinista e animador stop-motion. Criador do @<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/yayatedance\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">yayatedance<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Jonathan Thorpe<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma das bandas que ajudou a consolidar o que chamaram de terceira onda do ska, Reel Big Fish retorna aos palcos com as pe\u00e7as fundamentais da maravilhosa balb\u00fardia dan\u00e7ante dos anos 1990.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/07\/13\/entrevista-reel-big-fish-anuncia-retorno-aos-palcos-e-conversa-sobre-ska-punk-a-cena-de-orange-county-shows-no-brasil-e-mais\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":164,"featured_media":96664,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[8294],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96661"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/164"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96661"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96661\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":96667,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96661\/revisions\/96667"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96664"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96661"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96661"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96661"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}