{"id":96564,"date":"2026-07-04T10:23:27","date_gmt":"2026-07-04T13:23:27","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=96564"},"modified":"2026-07-04T10:23:53","modified_gmt":"2026-07-04T13:23:53","slug":"critica-obsessao-e-um-novo-classico-do-horror-contemporaneo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/07\/04\/critica-obsessao-e-um-novo-classico-do-horror-contemporaneo\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: &#8220;Obsess\u00e3o&#8221; \u00e9 um novo cl\u00e1ssico do horror contempor\u00e2neo"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 claro que um filme como \u201cObsess\u00e3o\u201d (\u201cObsession\u201d, 2026) ressoaria com audi\u00eancias da forma como ressoou. O longa de Curry Barker (em seu segundo trabalho como diretor, ap\u00f3s \u201cMilk &amp; Serial\u201d, de 2024) reverbera como uma rocha atirada a um lago em um mundo repleto de rela\u00e7\u00f5es humanas adornadas, com requintes de idealiza\u00e7\u00e3o e busca por conex\u00e3o em meio \u00e0 depend\u00eancia cr\u00f4nica de nossos dispositivos m\u00f3veis. Mais do que isso: \u201cObsess\u00e3o\u201d \u00e9 um longa sobre as partes mais repugnantes da psiqu\u00ea humana \u2013 o tipo de depend\u00eancia emocional que tantos se recusam a reconhecer, ou questionar. Com produ\u00e7\u00e3o do est\u00fadio Blumhouse, e distribui\u00e7\u00e3o da Universal Pictures, a produ\u00e7\u00e3o chegou aos cinemas brasileiros ao final de maio, e seu sucesso se deve, n\u00e3o por acaso, a uma trama \u00e1gil, que faz uso de um n\u00facleo seleto de int\u00e9rpretes para contar uma hist\u00f3ria horripilante, insana e, ao mesmo tempo, realista at\u00e9 demais. Uma produ\u00e7\u00e3o grande, com vibe de cinema indie, acaba resultando em um novo cl\u00e1ssico do horror contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Baron Bailey (Michael Johnston) \u00e9 um jovem com um emprego em uma loja de instrumentos musicais, uma hist\u00f3ria familiar complicada, e um segredo n\u00e3o muito bem guardado: uma paix\u00e3o incessante pela colega de trabalho e amiga Nikki Freeman (Inde Navarrette), que se sobrepuja mesmo \u00e0 s\u00fabita perda de seu animal de estima\u00e7\u00e3o. Apesar de contar com o apoio e os conselhos dos amigos Ian (Cooper Tomlinson) e Sarah (Megan Lawless), o apaixonado rapaz se prepara para revelar seus sentimentos \u00e0 mo\u00e7a amada. Quando a tentativa fracassa, Baron (que Nikki chama carinhosamente de \u201cBear\u201d, t\u00edpico apelido em Ingl\u00eas usado entre casais) apela para o imagin\u00e1rio: fazendo uso de um brinquedo chamado \u201cOne Wish Willow\u201d, que consiste em quebrar um pequeno objeto ao mesmo tempo em que se faz um pedido, Bailey lan\u00e7a ao universo seu desejo de que Nikki o ame mais do que qualquer coisa no mundo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-96566 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/obsessa3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/obsessa3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/obsessa3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contrariando poss\u00edveis expectativas, a estrat\u00e9gia imediatamente parece dar certo, e Baron passa a viver a vida que sempre sonhou, tendo para si a indisput\u00e1vel aten\u00e7\u00e3o e carinho da pessoa que mais ama. At\u00e9, claro, que as coisas parecem sair de controle. Atitudes bizarras \u2013 como observar o namorado dormindo, desenterrar o pet morto para montar um memorial, se revoltar com pedidos por mais espa\u00e7o pessoal \u2013 acabam dando lugar a eventos cada vez mais perturbadores e sangrentos, \u00e0 medida em que, desesperado, o jovem busca uma forma de reverter o pedido, aparentemente m\u00e1gico, que realizou. E, quando o sangue come\u00e7a a respingar em pessoas alheias \u00e0 rela\u00e7\u00e3o, o que se d\u00e1 \u00e9 uma saga pela pr\u00f3pria vida \u2013 ainda que o pre\u00e7o para isso seja muito, muito caro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode parecer sup\u00e9rfluo, em um filme como este, falar sobre cinematografia. No caso de \u201cObsess\u00e3o\u201d, todavia, o trabalho de Taylor Clemons (e do pr\u00f3prio diretor, respons\u00e1vel pela edi\u00e7\u00e3o) acaba tornando a experi\u00eancia de assistir a um filme como este no cinema uma viv\u00eancia \u00edmpar. O uso do espa\u00e7o como gerador de tens\u00e3o, brincando com a percep\u00e7\u00e3o do espectador, \u00e9 fundamental para o \u00eaxito no encaminhamento de uma trama que, subvertendo clich\u00eas em prol de sustos bem-dados, acaba inovando em um g\u00eanero que, por sorte, hoje em dia busca fugir da obviedade. Tudo isso, claro, sem contar a trilha sonora arrepiante de Rock Burwell, que concilia instrumenta\u00e7\u00e3o esparsa em momentos chave com passagens cat\u00e1rticas, tal qual no impactante cl\u00edmax.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"OBSESS\u00c3O  | Trailer Oficial\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OYueQyeNgOk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o elenco \u00e9 a outra grande carta na manga de \u201cObsess\u00e3o\u201d. Isso se d\u00e1 por n\u00e3o haver, em momento algum, qualquer distra\u00e7\u00e3o do duo principal do filme: Michael Johnston e Inde Navarette carregam um tipo impressionante de qu\u00edmica \u2013 do tipo que, mesmo em momentos mais conflituosos, seja muito dif\u00edcil saber por quem torcer. Enquanto Baron conquista a simpatia do espectador apenas para, gradativamente, se mostrar um ind\u00edviduo desprovido de qualquer fibra ou amor pr\u00f3prio, a Nikki de Navarette \u00e9 um fen\u00f4meno do tipo que n\u00e3o se v\u00ea todo dia. Sua interpreta\u00e7\u00e3o chama para si os holofotes gra\u00e7as ao magnetismo m\u00f3rbido da personagem, que, em trechos pontuais, \u00e9 o principal respons\u00e1vel por suscitar muitas das quest\u00f5es atuais que o longa busca, ainda que de maneira sutil, pontuar. Seja a partir das \u00f3timas performances do elenco coadjuvante \u2013 como figuras condizentes a um comportamento indiscutivelmente t\u00f3xico \u2013 seja em momentos no qual o protagonista se encontra acuado frente ao terror que atravessa, h\u00e1 um subtexto de responsabiliza\u00e7\u00e3o: em momento nenhum a filme conduz a trama como se o espectador devesse sentir pena de Bailey, que criou seu pr\u00f3prio inferno particular em busca de sua satisfa\u00e7\u00e3o pessoal \u2013 mesmo que em detrimento da exist\u00eancia de outra pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naturalmente, h\u00e1 quem diga que filmes como \u201cObsess\u00e3o\u201d n\u00e3o buscam nada al\u00e9m de lacra\u00e7\u00e3o e problematiza\u00e7\u00e3o extrema (se bem que n\u00e3o d\u00e1 para levar t\u00e3o a s\u00e9rio assim algu\u00e9m que usa a palavra \u201clacra\u00e7\u00e3o\u201d de forma s\u00e9ria em 2026). Tal ponto de vista, por outro lado, pode muito bem proceder do sentimento de desconforto que brota quando pessoas normais se v\u00eaem diante de alguns dos mais grotescos aspectos da personalidade de qualquer um, projetados em uma tela enorme. E esse, d\u00e1 para aferir, \u00e9 o objetivo de \u201cObsess\u00e3o\u201d desde o primeiro momento: o de escancarar o que h\u00e1 mais in\u00f3spito e hostil em algo t\u00e3o prosaico quanto uma paix\u00e3o intensa, apenas para estender, obsessivamente (sem trocadilho) diante do espectador aquilo que h\u00e1 de mais desconfort\u00e1vel \u2013 e que, nem por isso, torna-se menos admir\u00e1vel. Ou necess\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-96565 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/obsessa1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1111\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/obsessa1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/obsessa1-203x300.jpg 203w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/strong><\/p>\n<p><em>\u2013<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4cfQaQO-YD4\">\u00a0Davi Caro<\/a>\u00a0\u00e9 professor<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4cfQaQO-YD4\">,<\/a>\u00a0tradutor, m\u00fasico, escritor e estudante de Jornalismo. Leia mais textos dele\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/davi-caro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cObsess\u00e3o\u201d \u00e9 um longa sobre as partes mais repugnantes da psiqu\u00ea humana. o tipo de depend\u00eancia emocional que tantos se recusam a reconhecer, ou questionar.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/07\/04\/critica-obsessao-e-um-novo-classico-do-horror-contemporaneo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":134,"featured_media":96567,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4],"tags":[8281],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96564"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/134"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96564"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96564\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":96569,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96564\/revisions\/96569"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96567"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96564"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96564"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96564"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}