{"id":96539,"date":"2026-07-02T01:22:36","date_gmt":"2026-07-02T04:22:36","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=96539"},"modified":"2026-07-02T01:25:22","modified_gmt":"2026-07-02T04:25:22","slug":"critica-entre-o-impressionante-e-o-revoltante-supergirl-e-um-sinal-de-alerta-para-a-dc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/07\/02\/critica-entre-o-impressionante-e-o-revoltante-supergirl-e-um-sinal-de-alerta-para-a-dc\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: \u201cSupergirl\u201d, entre o impressionante e o revoltante, \u00e9 um sinal de alerta para a DC Comics"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falar de \u201cSupergirl\u201d (2026) n\u00e3o deveria ser t\u00e3o complicado assim. Afinal, o novo longa do DC Studios, dirigido por Craig Gillespie, escrito por Ana Nogueira, e concebido como a segunda produ\u00e7\u00e3o do tipo a pertencer ao universo cinematogr\u00e1fico da DC capitaneado por James Gunn, se mostrou, desde sua concep\u00e7\u00e3o, uma aposta segura \u2013 ao menos na teoria. A nova adapta\u00e7\u00e3o da super-hero\u00edna, o alterego da kryptoniana Kara-Zor-El, n\u00e3o \u00e9 a primeira em que a prima do Superman foi transposta para a tela grande; claro, ningu\u00e9m gosta de se lembrar que o fracasso do filme hom\u00f4nimo, de 1984 (e produzido na esteira da ent\u00e3o recente vers\u00e3o de Richard Donner do Homem de A\u00e7o), sequer existiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de naturalmente prometer e almejar (e, verdade seja dita, alcan\u00e7ar) muito mais do que a vers\u00e3o anterior, o novo \u201cSupergirl\u201d se destaca por ser a primeira obra do tal DCU em se basear mais diretamente em uma narrativa pr\u00e9-existente. Com Milly Alcock no papel principal, o filme adapta, com certa liberdade, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/11\/25\/esse-voce-precisa-ler-supergirl-mulher-do-amanha-aprofunda-e-moderniza-uma-das-mais-incriveis-personagens-dos-quadrinhos\/\">a fant\u00e1stica HQ \u201cSupergirl: Mulher do Amanh\u00e3\u201d<\/a>, escrita por Tom King com um trabalho de arte inacredit\u00e1vel da brasileira Bilquis Evely. Esta \u00faltima, ali\u00e1s, recebe uma das mais not\u00e1veis homenagens no longa \u2013 ou, pelo menos, uma das mais evidentes. No entanto, a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem medo de se aventurar para al\u00e9m da trama que mais a inspirou, tomando liberdades n\u00e3o s\u00f3 para com a caracteriza\u00e7\u00e3o dos personagens j\u00e1 esperados, como tamb\u00e9m das novas adi\u00e7\u00f5es ao elenco, como veremos a frente.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-96541 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/supergiirl3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/supergiirl3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/supergiirl3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s v\u00e9speras de seu vig\u00e9simo-terceiro anivers\u00e1rio, Kara (Alcock) embarca em uma verdadeira turn\u00ea por bares em planetas banhados por s\u00f3is vermelhos, logo na sequ\u00eancia de sua breve apari\u00e7\u00e3o ao fim de \u201cSuperman\u201d (2025). Isso porque, devido \u00e0 sua biologia alien\u00edgena, seu corpo n\u00e3o consegue metabolizar \u00e1lcool na Terra, iluminada por luz solar amarela. O que poderia ser apenas uma comemora\u00e7\u00e3o b\u00eabada ao lado de seu fiel companheiro, o cachorro igualmente superpoderoso Krypto, acaba se tornando uma inesperada (e desesperada) aventura gra\u00e7as a duas apari\u00e7\u00f5es: a de Ruthye Marie Knoll (Eve Ridley), uma jovem que busca vingan\u00e7a pelo assassinato de sua fam\u00edlia, e a de Krem dos Montes Amarelos (Matthias Schoenaerts), um mercen\u00e1rio respons\u00e1vel pelo crime, e l\u00edder de um grupo de piratas espaciais chamados de Bandoleiros. Quando o caminho dos tr\u00eas se cruza, e Krypto \u00e9 gravemente ferido pelo vil\u00e3o, que escapa com a nave de Zor-El, a hero\u00edna se lan\u00e7a em uma corrida contra o tempo para encontrar Krem e salvar a vida de seu melhor amigo, ao mesmo tempo que \u00e9 (relutantemente) acompanhada por Ruthye em uma saga interplanet\u00e1ria que tamb\u00e9m guarda algumas surpresas \u2013 como a do sanguin\u00e1rio ca\u00e7ador de recompensas czarniano Lobo (Jason Momoa), que pode vir a ser um aliado em sua obstinada miss\u00e3o&#8230;ou apenas mais um empecilho no caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Empecilhos no caminho, ali\u00e1s, s\u00e3o o que n\u00e3o falta para \u201cSupergirl\u201d. A come\u00e7ar pela din\u00e2mica entre seus principais personagens. Milly Alcock \u00e9, disparado, o grande acerto aqui: Kara transborda cinismo e relut\u00e2ncia em se deixar levar apenas pelos pr\u00f3prios traumas passados. O trabalho de atua\u00e7\u00e3o de Alcock n\u00e3o apenas se destaca com louvor da interpreta\u00e7\u00e3o de David Corenswet como Superman (quem, previsivelmente, faz uma participa\u00e7\u00e3o breve aqui), como tamb\u00e9m ganha novos tons e nuances nos dram\u00e1ticos flashbacks distribu\u00eddos ao longo da produ\u00e7\u00e3o. Nestas cenas, a medida que o espectador testemunha a trag\u00e9dia que se aplacou sobre os sobreviventes do planeta Krypton (principalmente atrav\u00e9s da pontual atua\u00e7\u00e3o de David Krumholtz como Zor-El, pai da hero\u00edna), tamb\u00e9m se presencia o aprofundamento de uma protagonista que poderia passar por totalmente unidimensional em uma produ\u00e7\u00e3o menos ambiciosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Infelizmente, o restante do elenco n\u00e3o tem a mesma sorte (ou privil\u00e9gio) de Alcock. Eve Ridley acaba sendo o maior sacrif\u00edcio aqui: toda a multidimensionalidade que Ruthye demonstra no quadrinho de King e Evely \u00e9 substitu\u00edda, na adapta\u00e7\u00e3o, por um n\u00edvel quase infantilizado de imaturidade que, em momentos, parece ter sido pensado como uma esp\u00e9cie de al\u00edvio c\u00f4mico que terminou por n\u00e3o alcan\u00e7ar seu potencial, e acabou perdendo um pouco seu prop\u00f3sito. O mesmo pode, ali\u00e1s, ser dito do principal antagonista. Matthias Schoenaerts faz o que pode sob uma maquiagem rid\u00edcula e uma performance carregada de caricaturas \u2013 e ainda assim, o resultado de sua performance como Krem fica muito, muito aqu\u00e9m do esperado. Mas a cereja neste decepcionante bolo n\u00e3o poderia ser de outra pessoa: reescalado do papel de Aquaman que desempenhou no finado DCEU de Zack Snyder, Jason Momoa foi al\u00e7ado ao papel que, segundo alguns, sempre deveria ter sido seu. No entanto, embora cercado desde o in\u00edcio de expectativas, seu Lobo \u00e9 completamente desnecess\u00e1rio na trama, alternando entre sequ\u00eancias de a\u00e7\u00e3o promissoras e passagens cheias de piadotas caricatas. O mercen\u00e1rio imortal, que esperou por anos at\u00e9 ser propriamente representado no audiovisual, ainda est\u00e1 para encontrar uma transposi\u00e7\u00e3o de sua desbocada natureza quadrin\u00edstica.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SUPERGIRL | Trailer Oficial\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/adg5hgsYx2E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o a valores de produ\u00e7\u00e3o, \u201cSupergirl\u201d fica entre o impressionante e o revoltante. De modo semelhante ao que ocorre com a boa trilha sonora de Claudia Sarne, algumas montagens s\u00e3o criativas e espertas, e ajudam a criar um sentimento de imers\u00e3o e descobrimento dos confins mais c\u00f3smicos deste novo universo. Outros momentos, entretanto, n\u00e3o poderiam ser mais propensos a desconectar espectadores, principalmente gra\u00e7as a um trabalho de CGI que vai do bom ao assustador em pouqu\u00edssimo tempo. O roteiro ajuda quando poss\u00edvel, trazendo para a tela o que funciona de melhor do quadrinho no qual se baseia, e modificando o necess\u00e1rio para uma trama mais coerente. E ainda assim, o ato final de \u201cSupergirl\u201d derrapa terrivelmente. \u00c9 quase como se, ao se encerrar, pouca ou nenhuma mudan\u00e7a pudesse ser realmente sentida em Kara, que acabou de atravessar um processo doloroso e desesperado, ou em Ruthye, que v\u00ea na hero\u00edna extraterrestre uma esp\u00e9cie de mestre \u2013 mas que n\u00e3o demonstra ter aprendido qualquer li\u00e7\u00e3o em particular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao fim, \u201cSupergirl\u201d \u00e9 justamente sobre li\u00e7\u00f5es: aquelas que ainda esperam por ser aprendidas, e aquelas que j\u00e1 deveriam ter sido aprendidas h\u00e1 muito tempo. Com sorte, n\u00e3o deve demorar muito para que a Supergirl retorne aos cinemas: a personagem de Milly Alcock deve retornar para \u201cHomem do Amanh\u00e3\u201d, sequ\u00eancia do filme do Superman programada para ser lan\u00e7ada em 2027. Embora n\u00e3o seja o \u00faltimo projeto do DC Studios a ser lan\u00e7ado este ano \u2013 uma s\u00e9rie live-action do Lanterna Verde, \u201cLanternas\u201d, e um filme de terror focado no vil\u00e3o Cara de Barro chegam \u00e0s telinhas e \u00e0s telonas muito em breve \u2013 o filme de Craig Gillespie dever\u00e1 ser lembrado, nos meses e anos que vir\u00e3o, como um sinal de alerta para a DC, para James Gunn, e para a crescente base de f\u00e3s que estes tentam, com esfor\u00e7o, (re)conquistar. Apenas o tempo h\u00e1 de dizer se \u201cSupergirl\u201d \u00e9 apenas um trope\u00e7o (ou \u201cflop\u201d, como queira) em meio \u00e0 tentativa de al\u00e7ar v\u00f4os mais altos, ou uma queda retumbante rumo ao limbo no qual tamb\u00e9m habitou o predecessor de 1984: o do esquecimento.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-96540 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/supergiirl1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"938\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/supergiirl1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/supergiirl1-240x300.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4cfQaQO-YD4\">\u00a0Davi Caro<\/a>\u00a0\u00e9 professor<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4cfQaQO-YD4\">,<\/a>\u00a0tradutor, m\u00fasico, escritor e estudante de Jornalismo. Leia mais textos dele\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/davi-caro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Apenas o tempo h\u00e1 de dizer se \u201cSupergirl\u201d \u00e9 apenas um trope\u00e7o (ou \u201cflop\u201d, como queira) em meio \u00e0 tentativa de al\u00e7ar v\u00f4os mais altos, ou uma queda retumbante rumo a\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/07\/02\/critica-entre-o-impressionante-e-o-revoltante-supergirl-e-um-sinal-de-alerta-para-a-dc\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":134,"featured_media":96542,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4],"tags":[1092],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96539"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/134"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96539"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96539\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":96544,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96539\/revisions\/96544"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96542"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96539"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96539"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96539"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}