{"id":96502,"date":"2026-06-30T01:24:40","date_gmt":"2026-06-30T04:24:40","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=96502"},"modified":"2026-06-30T01:25:35","modified_gmt":"2026-06-30T04:25:35","slug":"critica-the-boys-of-dungeon-lane-e-o-melhor-album-de-paul-mccartney-dos-ultimos-30-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/06\/30\/critica-the-boys-of-dungeon-lane-e-o-melhor-album-de-paul-mccartney-dos-ultimos-30-anos\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: &#8220;The Boys of Dungeon Lane&#8221; \u00e9 o melhor \u00e1lbum de Paul McCartney dos \u00faltimos 30 anos"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.kalporz.com\/author\/conficoni\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Samuele Conficoni<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Descartar a nostalgia como uma mera fuga constante para o passado, a fim de escapar de um presente insuport\u00e1vel, \u00e9 um dos axiomas mais batidos \u2014 e falsos \u2014 que existem. &#8220;The Boys of Dungeon Lane&#8221; (2026), o novo \u00e1lbum de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Paul+McCartney\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Paul McCartney<\/a>, revela os muitos caminhos pelos quais o retorno \u00e0 mem\u00f3ria \u2014 uma escolha comum, por\u00e9m desafiadora \u2014 pode nos conduzir diretamente ao presente, sem aprision\u00e1-lo ou deix\u00e1-lo de lado. De fato, quando a melancolia est\u00e1 enraizada em uma teia densa e suave de conex\u00f5es com o momento presente, a jornada que nos impulsiona rumo ao amanh\u00e3 \u00e9 muito menos inquieta e frustrante do que poderia ser de outra forma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O vig\u00e9simo \u00e1lbum da carreira de Paul McCartney n\u00e3o \u00e9 um disco comum. Ele surge como uma nova maneira \u2014 mais uma \u2014 de Macca lidar com o passado, sem receio de citar a si mesmo ou de celebrar a pr\u00f3pria trajet\u00f3ria. Desta vez, Paul n\u00e3o oferece um ponto de partida claro: a juventude distante cruza-se com as reflex\u00f5es urgentes e contempor\u00e2neas de um homem que se aproxima dos 84 anos, at\u00e9 que as duas vers\u00f5es de si mesmo \u2014 percorrendo esse caminho imagin\u00e1rio e diacr\u00f4nico \u2014 fundem-se em um \u00fanico ponto no tempo e no espa\u00e7o. O t\u00edtulo do \u00e1lbum, por exemplo, combinado com a arte da capa, evoca uma rua de Liverpool pela qual McCartney costumava caminhar com seu irm\u00e3o Mike e com George Harrison quando eram meninos. Em \u00faltima an\u00e1lise, a hist\u00f3ria de composi\u00e7\u00e3o de McCartney \u00e9 um mergulho perp\u00e9tuo no passado: de &#8220;Penny Lane&#8221; a &#8220;Let It Be&#8221; \u2014 transitando do universal para o pessoal, do barbeiro pronto para atender mais um cliente \u00e0 mem\u00f3ria de sua m\u00e3e, falecida prematuramente, que lhe aparece em sonho \u2014, parece que a pr\u00f3pria ess\u00eancia de quem Paul \u00e9 hoje s\u00f3 pode existir verdadeiramente nessas can\u00e7\u00f5es e nos momentos que ele revive por meio delas. Um exerc\u00edcio mental que serve como um novo ponto de partida.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Paul McCartney - Days We Left Behind (Lyric Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2n1IhyF6R0U?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em muitas faixas de &#8220;The Boys of Dungeon Lane&#8221;, \u00e9 o ato de retornar mentalmente aos lugares onde cresceu que leva Paul a encontrar paz com o presente e com sua carreira \u2014 como se o ato de compor o fizesse sentir quase culpado por guardar mem\u00f3rias t\u00e3o v\u00edvidas e avassaladoras. Pode parecer absurdo escrever isso, e talvez n\u00e3o seja exatamente o que lhe passa pela cabe\u00e7a, no entanto, o tom com que ele mergulha na quietude segura da mem\u00f3ria \u00e9 o de algu\u00e9m que sabe que a \u00fanica coisa que se pode realmente mudar n\u00e3o \u00e9 o futuro, mas o passado \u2014 que pode ser moldado e revisitado da maneira que se escolher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;The Boys of Dungeon Lane&#8221;, contudo, n\u00e3o \u00e9 apenas um exerc\u00edcio tedioso de nostalgia; para McCartney, representa o exerc\u00edcio mental necess\u00e1rio para compor um novo cap\u00edtulo em sua jornada art\u00edstica. Para ele, compreender quem \u00e9 hoje \u2014 aos quase 84 anos \u2014 envolve refletir sobre o que o trouxe at\u00e9 este ponto e o que o mant\u00e9m t\u00e3o cheio de energia e inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Paul McCartney - Come Inside (Lyric Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/C8Zw_Cbm2V0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas 14 faixas \u2014 produzidas pelo jovem Andrew Watt, que trabalhou com Lady Gaga, Justin Bieber e Miley Cyrus, e mais recentemente com Elton John e os Rolling Stones (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/10\/25\/critica-hackney-diamonds-um-bom-disco-dos-stones-com-producao-porca\/\">num disco que Paul, inclusive, participou<\/a>) \u2014 d\u00e3o vida \u00e0s mem\u00f3rias pessoais e musicais de McCartney no presente. De forma apropriada, a base de &#8220;The Boys of Dungeon Lane&#8221; \u00e9 constru\u00edda sobre os elementos que mais moldaram a vida art\u00edstica de Paul. Um tributo \u00e0 sua amizade sincera e duradoura com John Lennon permeia a comovente &#8220;Days We Left Behind&#8221; \u2014 uma balada pop rom\u00e2ntica e on\u00edrica na qual o artista brit\u00e2nico fecha a porta para os arrependimentos justamente quando eles est\u00e3o prestes a bater: &#8220;Pois nada permanece igual \/ E ningu\u00e9m precisa chorar&#8221;, ele canta, n\u00e3o mais abatido, mas esperan\u00e7oso. Ringo faz uma participa\u00e7\u00e3o especial na intrigante &#8220;Home to Us&#8221;, faixa que apresenta uma s\u00e9rie de imagens v\u00edvidas nas quais \u2014 dentro de um, ouso dizer, continuum temporal despreocupado \u2014 a Inglaterra de 60 atr\u00e1s e a Inglaterra de hoje parecem coexistir no mesmo momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ecos de George Harrison surgem na doce, por\u00e9m vigorosa, &#8220;Down South&#8221;, uma faixa de rock crua e incisiva que parece remeter ao estilo musical dos anos 1950 que tanto inspirou os primeiros Beatles. &#8220;Life Can Be Hard&#8221; \u00e9 teatral e envolvente \u2014 poderosa e barroca, como sempre foi a grandiosa narrativa musical de Paul \u2014, enquanto o folk po\u00e9tico e intimista de &#8220;First Stars of the Night&#8221; \u00e9 igualmente brilhante, digno de seus melhores \u00e1lbuns das d\u00e9cadas de 1970 e 1980. &#8220;Eu sei que meu pequeno mundo ainda est\u00e1 bem&#8221;, Paul repete \u2014 mais para si mesmo do que para n\u00f3s \u2014, enquanto a melodia e o arranjo parecem transport\u00e1-lo para outra dimens\u00e3o. O pop eletrizante, visceral e envolvente de \u201cMountain Top\u201d \u2014 digno do melhor material dos Wings nos anos 1980 \u2014 talvez seja um tanto bomb\u00e1stico em certos momentos, mas \u00e9 excelente tanto na letra quanto na sonoridade; a faixa se destaca como um dos momentos mais originais e marcantes do \u00e1lbum, assim como a atmosfera de blues-rock \u00e1cido e denso de \u201cCome Inside\u201d, que \u00e9 ao mesmo tempo intensa e combativa.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-96503 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/boys1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"622\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/boys1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/boys1-300x249.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao revisitar sua trajet\u00f3ria como compositor, McCartney inevitavelmente faz o mesmo no plano musical; abundam refer\u00eancias \u00e0s suas facetas musicais multifacetadas \u2014 embora nunca de forma excessivamente \u00f3bvia. Seja o Paul das baladas orquestrais rom\u00e2nticas, o Paul das can\u00e7\u00f5es mais leves e a\u00e7ucaradas ou o Paul do rock &#8216;n&#8217; roll en\u00e9rgico e visceral, nenhuma dessas facetas est\u00e1 ausente em &#8220;The Boys of Dungeon Lane&#8221;. No entanto, cada uma delas busca se reinventar para os dias atuais por meio de novas formas e inclina\u00e7\u00f5es \u2014 e consegue isso plenamente. Tal feito n\u00e3o se d\u00e1 por uma originalidade for\u00e7ada \u2014 algo que nem sequer \u00e9 particularmente buscado \u2014, mas sim por uma ambi\u00e7\u00e3o impressionante e uma subst\u00e2ncia s\u00f3lida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, &#8220;Never Know&#8221; talvez seja o exemplo mais claro e bem-sucedido dessa abordagem. \u00c9 uma faixa que parece ter surgido em meados dos anos 1960 \u2014 uma destila\u00e7\u00e3o de pop puro, contagiante e envolvente, enriquecida por um arranjo particularmente psicod\u00e9lico e preciso. A progress\u00e3o de acordes parece remeter a momentos de &#8220;Rubber Soul&#8221; (1965) ou &#8220;Revolver&#8221; (1966), enquanto seu toque ocasional de blues evoca, em parte, a sonoridade dos Beatles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos pontos altos do \u00e1lbum \u00e9 a faixa de encerramento, &#8220;Momma Gets By&#8221; \u2014 uma balada de estilo cl\u00e1ssico e abrangente. Aqui, as orquestra\u00e7\u00f5es de Giles Martin brilham, ecoando naturalmente as de seu pai \u2014 aqueles floreios deslumbrantes que desempenharam um papel fundamental no sucesso de uma das eras mais fascinantes e inovadoras do Fab Four. &#8220;The Boys of Dungeon Lane&#8221; \u00e9, sem d\u00favida, um dos melhores \u00e1lbuns de McCartney em mais de 30 anos; n\u00e3o se aventura por territ\u00f3rios in\u00e9ditos, n\u00e3o pretende causar espanto e n\u00e3o tenta servir como o \u00e1pice definitivo da intermin\u00e1vel carreira do ex-Beatle. Contudo, talvez seja justamente gra\u00e7as a essa franqueza vibrante e essencial que \u2014 mesmo sem atingir o patamar de seus melhores trabalhos solo \u2014 o \u00e1lbum consegue cativar o ouvinte com seu estilo e dedica\u00e7\u00e3o sincera.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/06\/22\/discografia-comentada-paul-mccartney\/\">Discografia comentada (quase completa) de Paul McCartney<\/a><\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Boys of Dungeon Lane\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nIwfkdc5xIOiFtYmF1toSqBYyrL4gjJaQ\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Texto publicado originalmente no site italiano\u00a0<a href=\"http:\/\/www.kalporz.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Kalporz<\/a>, parceiro de conte\u00fado do Scream &amp; Yell.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Paul n\u00e3o se aventura por territ\u00f3rios in\u00e9ditos, n\u00e3o pretende causar espanto e n\u00e3o tenta registrar o \u00e1pice definitivo da intermin\u00e1vel carreira, e talvez por tudo isso cative o ouvinte\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/06\/30\/critica-the-boys-of-dungeon-lane-e-o-melhor-album-de-paul-mccartney-dos-ultimos-30-anos\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":98,"featured_media":96504,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,3],"tags":[1187],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96502"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/98"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96502"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96502\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":96506,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96502\/revisions\/96506"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96504"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96502"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96502"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96502"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}