{"id":96430,"date":"2026-06-23T22:46:53","date_gmt":"2026-06-24T01:46:53","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=96430"},"modified":"2026-06-23T22:46:53","modified_gmt":"2026-06-24T01:46:53","slug":"critica-autoerotica-we-buy-gay-stuff-reconta-a-historia-de-uma-pequena-loja-que-preserva-memorabilia-gay","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/06\/23\/critica-autoerotica-we-buy-gay-stuff-reconta-a-historia-de-uma-pequena-loja-que-preserva-memorabilia-gay\/","title":{"rendered":"Critica: \u201cAutoErotica: We Buy Gay Stuff\u201d reconta a hist\u00f3ria de uma pequena loja que preserva memorab\u00edlia gay"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/_renanguerra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensar na preserva\u00e7\u00e3o das m\u00eddias f\u00edsicas \u00e9 uma quest\u00e3o complexa de um modo geral, seja para revistas, jornais, fanzines, por\u00e9m esse cen\u00e1rio se complica quando falamos de itens de conte\u00fado LGBT ou mesmo sexual \/ pornogr\u00e1fico. Um material que pode ser considerado menor ou inferior por determinadas pessoas, para outras pode ser um meio de reconstruir suas hist\u00f3rias, suas mem\u00f3rias e de repensar como se constru\u00edram desejos, afetos e comunidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro da comunidade gay, isso \u00e9 bastante simb\u00f3lico, uma vez que revistas, peri\u00f3dicos e publica\u00e7\u00f5es independentes ajudam a contar a hist\u00f3ria da pandemia de HIV\/AIDS. Uma hist\u00f3ria pode ser contada pelo ativismo, pelas mem\u00f3rias pessoais ou mesmo pelas mudan\u00e7as sexuais &#8211; \u00e9 muito claro que h\u00e1 uma mudan\u00e7a na forma que a comunidade se relaciona com o sexo entre o in\u00edcio dos anos 1980 e o final da d\u00e9cada, desde as experi\u00eancias de liberdade sexual at\u00e9 a forma como a camisinha e a preven\u00e7\u00e3o passam a ser um t\u00f3pico constante.<\/p>\n<figure id=\"attachment_96434\" aria-describedby=\"caption-attachment-96434\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-96434 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/autoerotica1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/autoerotica1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/autoerotica1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-96434\" class=\"wp-caption-text\"><em>Patrick Batt<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um pequeno recorte dessa hist\u00f3ria ganha voz com o curta-metragem \u201cAutoErotica: We Buy Gay Stuff\u201d, de Jeremy Von Stilb. No filme, visitamos a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/autoerot.ca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">AutoErotica<\/a>, uma pequena lojinha escondida no topo de uma escada estreita no bairro Castro, em S\u00e3o Francisco &#8211; o famoso endere\u00e7o LGBT norte-americano. O que \u00e0 primeira vista parece uma discreta loja gay de conte\u00fado adulto vintage, na realidade se expande como um arquivo vivo que cont\u00e9m d\u00e9cadas de revistas, filmes, m\u00fasicas e materiais diversos que ajudaram a moldar a identidade, a conex\u00e3o e a comunidade queer antes da internet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fundada por Patrick Batt nos anos 1990, a loja \u00e9 resultado de uma trajet\u00f3ria sinuosa: Batt mudou-se para S\u00e3o Francisco em 1980, viveu o sexo livre do Castro, se apaixonou e presenciou o impacto da AIDS na regi\u00e3o. Ainda nos anos 80, ele investiu em um neg\u00f3cio de venda de produtos er\u00f3ticos via caixa postal &#8211; dildos, itens de couro, lubrificantes e outros itens de fetiche eram enviados discretamente para os diferentes estados norte-americanos. Nos anos 90, entendendo a mudan\u00e7a da regi\u00e3o, ele passou a investir em memorab\u00edlia gay de diferentes d\u00e9cadas: revistas, discos, filmes, fotografias, obras de arte e arquivos pessoais foram sendo reunidos em um acervo \u00fanico, funcionando como um arquivo de 50 anos de cultura queer, uma biblioteca que registra como a m\u00eddia disseminou o desejo, criou linguagens e permitiu que pessoas queer se encontrassem em uma \u00e9poca em que a visibilidade representava um risco.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-96435 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/autoerotica2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/autoerotica2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/autoerotica2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ir al\u00e9m do filme, vale pontuar relatos dos anos 80 e 90, especialmente de moradores do Castro, que constroem um panorama dessa \u00e9poca. Era comum que ap\u00f3s a morte de algum amigo pr\u00f3ximo em decorr\u00eancia do HIV\/AIDS, o restante do grupo de amigos fizesse &#8211; o quanto antes &#8211; uma peregrina\u00e7\u00e3o at\u00e9 a casa\/apartamento do morto para uma esp\u00e9cie de \u201climpa\u201d, retirando (e preservando) itens sexuais, objetos fetichistas, livros LGBTs, revistas queer e\/ou pornogr\u00e1ficas e objetos de arte, tudo isso antes que as fam\u00edlias entrassem e pudessem simplesmente descartar ou destruir esses itens. H\u00e1 relatos que refor\u00e7am que essas a\u00e7\u00f5es de \u201cresgate\u201d ajudaram a preservar diferentes obras de arte, incluindo a\u00ed uma boa s\u00e9rie de originais de Tom of Finland, um dos nomes mais influentes da arte gay no final do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ado oficialmente no Frameline Film Festival e exibido em 23 festivais nos Estados Unidos, Europa, Austr\u00e1lia e Nova Zel\u00e2ndia, \u201cAutoErotica: We Buy Gay Stuff\u201d \u00e9 mais uma forma de preservar essas hist\u00f3rias. Patrick, o dono da loja, perdeu seu companheiro para a AIDS (e aqui pode parecer curioso o uso de \u201ccompanheiro\u201d, mas eles n\u00e3o tinham necessariamente uma rela\u00e7\u00e3o pr\u00e9-estabelecida nos ditames monog\u00e2micos, por isso optamos por essa palavra).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos 2020, com a pandemia de COVID, Patrick passou por tempos dif\u00edceis na AutoErotica e \u00e9 isso que traz uma virada para o espa\u00e7o: com a colabora\u00e7\u00e3o de Bradley David Roberge, o espa\u00e7o entrou em sua era on-line, com uma ampla digitaliza\u00e7\u00e3o dos materiais e a entrada nas redes sociais e na era das newsletters. Atualmente o perfil da AutoErotica no Instagram (<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/autoerot.ca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@autoerot.ca<\/a>) possui quase 80 mil seguidores e se tornou um espa\u00e7o global de mem\u00f3ria gay e LGBT. Virtualmente, o acervo de Patrick ganhou um status novo, servindo tanto para pesquisas, investiga\u00e7\u00f5es e debates, ao mesmo tempo em que ajuda a construir uma nova possibilidade de comunidade, uma comunidade interessada nessas hist\u00f3rias, mem\u00f3rias e viv\u00eancias, num trabalho para recuperar e proteger o que resta antes que desapare\u00e7a.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"AutoErotica: We Buy Gay Stuff (Screener)\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/1088537398?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"747\" height=\"420\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a\u00ed voc\u00ea pode se perguntar: por que um curta-metragem sobre uma pequena loja em S\u00e3o Francisco merece um longo texto por aqui? Por que a hist\u00f3ria de Patrick \u00e9 uma dessas pequenas pe\u00e7as de um quebra-cabe\u00e7a que forma uma cena muito maior. <a href=\"https:\/\/www.autoeroticadoc.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">No site do projeto<\/a>, intitulado \u201cA Very Oral History\u201d (\u201cUma hist\u00f3ria essencialmente oral\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre), eles resumem da seguinte forma: \u201ca hist\u00f3ria queer muitas vezes sobreviveu fora das institui\u00e7\u00f5es tradicionais. Ela vive em cole\u00e7\u00f5es particulares, lojas de discos, revistas, fotografias, panfletos, filmes e nas pessoas que escolheram preserv\u00e1-los. \u00c0 medida que a gera\u00e7\u00e3o mais impactada pela crise da AIDS continua a envelhecer, hist\u00f3rias, artefatos e a mem\u00f3ria cultural est\u00e3o desaparecendo. \u2018A Very Oral History\u2019 examina n\u00e3o apenas o que sobrevive, mas como sobrevive \u2014 e as pessoas que se dedicam a perpetu\u00e1-lo. O filme faz uma pergunta simples: o que herdamos daqueles que vieram antes de n\u00f3s e qual \u00e9 a nossa responsabilidade em preserv\u00e1-lo?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O passado constru\u00eddo l\u00e1 em S\u00e3o Francisco nos anos 70, 80 e 90 \u00e0s vezes nos ajuda a entender desejos e imagin\u00e1rios atuais &#8211; e em mesma medida nos fazem olhar para como nascem estere\u00f3tipos e preconceitos. Em pouco mais de 15 minutos, \u201cAutoErotica: We Buy Gay Stuff\u201d nos leva para diferentes locais e narrativas, nos lembrando que a hist\u00f3ria queer \u00e9 marginal, sexual e, especialmente, resistente!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAutoErotica: We Buy Gay Stuff\u201d est\u00e1 dispon\u00edvel gratuitamente e na integra acima, e tamb\u00e9m pode (e deve) ser assistido no site <a href=\"https:\/\/www.autoeroticadoc.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">autoeroticadoc.com<\/a>, por\u00e9m apenas com \u00e1udio e legenda no original, em ingl\u00eas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-96432 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/autoerotica3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"938\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/autoerotica3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/autoerotica3-240x300.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista<\/em>\u00a0e<em>\u00a0escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014. Faz parte do\u00a0<a href=\"http:\/\/vamosfalarsobremusica.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/vamosfalarsobremusica.com.br\/&amp;source=gmail&amp;ust=1630729890879000&amp;usg=AFQjCNGttyQx5OWOAKRyi7iGq8E4oacvuw\">Podcast Vamos Falar Sobre M\u00fasica<\/a>\u00a0e colabora com o\u00a0<a href=\"https:\/\/monkeybuzz.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/monkeybuzz.com.br\/&amp;source=gmail&amp;ust=1630729890879000&amp;usg=AFQjCNFjG1FOw9vBGrawiUhocH4mshwTtw\">Monkeybuzz<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"https:\/\/revistabalaclava.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/revistabalaclava.com\/&amp;source=gmail&amp;ust=1630729890879000&amp;usg=AFQjCNFqHswo4qEcyg8fw9VPM8IWsRH5oQ\">Revista Balaclava<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O filme faz uma pergunta simples: o que herdamos daqueles que vieram antes de n\u00f3s e qual \u00e9 a nossa responsabilidade em preserv\u00e1-lo?\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/06\/23\/critica-autoerotica-we-buy-gay-stuff-reconta-a-historia-de-uma-pequena-loja-que-preserva-memorabilia-gay\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":96433,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96430"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96430"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96430\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":96436,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96430\/revisions\/96436"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96433"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96430"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96430"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96430"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}