{"id":96380,"date":"2026-06-22T19:52:34","date_gmt":"2026-06-22T22:52:34","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=96380"},"modified":"2026-06-22T21:19:48","modified_gmt":"2026-06-23T00:19:48","slug":"cancoes-sao-como-tatuagens-os-55-anos-do-disco-blue-de-joni-mitchell","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/06\/22\/cancoes-sao-como-tatuagens-os-55-anos-do-disco-blue-de-joni-mitchell\/","title":{"rendered":"Can\u00e7\u00f5es s\u00e3o como tatuagens: os 55 anos do disco \u2018Blue\u2019, de Joni Mitchell"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100011036646439\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lucas Vieira<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>* Vers\u00e3o revisada e ampliada de mat\u00e9ria publicada originalmente na edi\u00e7\u00e3o 10 da Revista 440Hz em junho de 2021<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em janeiro de 2016, Laurie Burrows Grad, colaboradora do Huffpost, <a href=\"https:\/\/www.huffpost.com\/entry\/color-blue-sadness_b_13233778\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publicou um artigo<\/a> em que investigava o uso da palavra \u201cblue\u201d como met\u00e1fora para o sentimento de tristeza e melancolia, para al\u00e9m da correspond\u00eancia do ingl\u00eas para a cor azul. Em sua pesquisa, a colunista encontrou diferentes usos do voc\u00e1bulo ao longo da hist\u00f3ria da l\u00edngua inglesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre as associa\u00e7\u00f5es, h\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o com o fato de navegadores hastearem bandeiras ou vestirem faixas azuis na ocasi\u00e3o da morte de um oficial de suas embarca\u00e7\u00f5es. Na literatura, o registro mais antigo encontrado pela pesquisadora data de 1385, quando o escritor ingl\u00eas Geoffrey Chaucer (1343-1400) usou o termo em seu poema &#8220;Complaint On Mars\u201d. Em 1807, Washington Irving (1783-1859) abreviou o termo \u201cblue devils\u201d, utilizado como sin\u00f4nimo de \u201cpresen\u00e7a amea\u00e7adora\u201d, para \u201cblues\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final do s\u00e9culo XIX, o termo tamb\u00e9m batizou o g\u00eanero musical criado pelos negros escravizados que colhiam algod\u00e3o no Sul dos Estados Unidos. Parte deles vinha do lado ocidental do continente africano, onde era comum pintar as roupas com pigmento azul anil (\u00edndigo blue) em momentos de luto e morte, para indicar sofrimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir de 1971, al\u00e9m do g\u00eanero musical, a cor e o sentimento, a palavra tornou-se o t\u00edtulo de uma obra-prima da m\u00fasica folk. Lan\u00e7ado por <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/jonimitchell\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Joni Mitchell<\/a>, \u2018Blue\u2019 \u00e9 o quarto LP de sua carreira e completa 55 anos em 2026 (mais precisamente no dia 22 de junho de 2026).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atrav\u00e9s de dez faixas que somam aproximadamente 36 minutos, a cantora canadense comp\u00f4s uma das obras mais sinceras e densas produzidas em seu tempo, reverenciada desde seu lan\u00e7amento como um dos mais transparentes retratos de uma artista e que segue se destacando nas listas da cr\u00edtica especializada ao longo das d\u00e9cadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8216;Blue&#8217; \u00e9 um \u00e1lbum de hist\u00f3rias, como \u00e9 caracter\u00edstico da m\u00fasica folk, e narra de forma confessional epis\u00f3dios que marcaram um per\u00edodo turbulento da vida de Mitchell, que viajava em uma estrada solit\u00e1ria.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Joni Mitchell - Little Green ( Live October 26, 1967 ) | The Caf\u00e9 Au Go-Go | New York City, NY \" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/epmz46Fgu4w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Quero brilhar como o Sol<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1964, a canadense Robert Joan Anderson dava os primeiros passos para se tornar uma cantora folk. Aos 21 anos, havia se mudado para Toronto ap\u00f3s abandonar a Alberta College Of Art, em Calgary, por n\u00e3o se adaptar ao ensino tradicional. Posteriormente, essa rejei\u00e7\u00e3o aos m\u00e9todos padronizados se tornaria uma caracter\u00edstica definidora de sua cria\u00e7\u00e3o como musicista, artista pl\u00e1stica e poeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao chegar \u00e0 nova cidade, uma descoberta a desesperou: estava gr\u00e1vida de Brad McMath, seu ex-namorado. Sem v\u00ednculo ou contato com o antigo parceiro, sem trabalho e vivendo na sociedade conservadora canadense, Joni teve que enfrentar a gravidez sob julgamentos. Em 1997, <a href=\"https:\/\/www.latimes.com\/archives\/la-xpm-1997-04-08-ls-46389-story.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">revelou ao Los Angeles Times<\/a>: \u201cIsso te arruinava no sentido social. Voc\u00ea n\u00e3o tem ideia de como era o estigma. Era como se voc\u00ea tivesse assassinado algu\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo com as dificuldades, a cantora manteve a gravidez escondida. Fazer com que os pais n\u00e3o descobrissem n\u00e3o era dif\u00edcil, uma vez que viviam em Saskatchewan, uma prov\u00edncia h\u00e1 tr\u00eas mil quil\u00f4metros de Toronto, em uma \u00e9poca em que a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o era simples. Em 19 de fevereiro de 1965, com complica\u00e7\u00f5es no parto, Kelly Dale Anderson, a \u201cLittle Green\u201d, nasceu, \u201ccom a Lua em C\u00e2ncer\u201d. Ap\u00f3s dez dias internada, Joni saiu do hospital com a inten\u00e7\u00e3o de prover uma vida segura \u00e0 filha, apesar de sua situa\u00e7\u00e3o financeira e profissional inst\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Joni tentava cantar na noite de Toronto, mas n\u00e3o era f\u00e1cil. Uma mulher jovem, que n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es financeiras para ingressar no sindicato local, n\u00e3o conseguia trabalho naquele cen\u00e1rio. Com a ajuda do tamb\u00e9m cantor Vicky Taylor, a musicista conseguiu realizar suas primeiras apresenta\u00e7\u00f5es em casas pequenas, e foi em uma delas que foi vista por Chuck Mitchell, um artista folk estadunidense que estava fazendo shows pelo pelo Canad\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chuck logo se apaixonou por Joni e a pediu em casamento, com a proposta de cuidar dela e da filha rec\u00e9m-nascida. A cantora aceitou, por\u00e9m, os planos n\u00e3o deram muito certo e, em poucos meses, o casal resolveu entregar o beb\u00ea para ado\u00e7\u00e3o, acreditando que seria melhor que Kelly vivesse com uma fam\u00edlia com melhor estrutura. Fragilizada com toda a sua situa\u00e7\u00e3o emocional e financeira, a artista mudou-se com o marido para Detroit.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Joni sempre acreditou ter feito a escolha certa pensando na crian\u00e7a. N\u00e3o teve outros filhos e seguiu a vida sem nunca tirar a \u201cLittle Green\u201d \u2013 personagem da sua can\u00e7\u00e3o gravada em &#8216;Blue&#8217; \u2013 da mem\u00f3ria. A artista manteve a hist\u00f3ria em segredo por muitos anos e, ap\u00f3s encontrar estabilidade em sua carreira, passou a procurar a filha. Em 1993, um fato mudou o destino: uma ex-colega de quarto da cantora da \u00e9poca da faculdade vendeu a hist\u00f3ria sobre o beb\u00ea para um jornal. Mitchell considerou a atitude uma trai\u00e7\u00e3o, por\u00e9m a not\u00edcia abriu portas para o reencontro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Simultaneamente, em Toronto, Kelly Dale Anderson &#8211; que recebeu o nome de Kilauren Gibb ap\u00f3s a ado\u00e7\u00e3o &#8211; procurava por sua m\u00e3e biol\u00f3gica ap\u00f3s descobrir, aos 27 anos e gr\u00e1vida, que havia sido adotada. O encontro entre as duas aconteceu em 1997, quatro anos ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria, com a ajuda de um f\u00e3 que criou um site para auxiliar na busca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mitchell conheceu Kelly quando a filha tinha 32 anos e o neto, Marlin, 3. A \u201cLittle Green\u201d tinha uma carreira como modelo e, durante a d\u00e9cada de 1980, ambas haviam morado em Nova York ao mesmo tempo. Ao Los Angeles Times, <a href=\"https:\/\/www.latimes.com\/archives\/la-xpm-1997-04-08-ls-46389-story.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mitchell confessou<\/a> que a beleza do fim da hist\u00f3ria era um contraste ao tamanho da tristeza de seu come\u00e7o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_96382\" aria-describedby=\"caption-attachment-96382\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-96382\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Joni-e-Leonard-Cohen-David-Gahr-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Joni-e-Leonard-Cohen-David-Gahr-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Joni-e-Leonard-Cohen-David-Gahr-1-300x133.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-96382\" class=\"wp-caption-text\"><em>Joni e Leonard Cohen \/ foto de David Gahr \/ Reprodu\u00e7\u00e3o Instagram Joni Mitchell<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Crosby, Cohen, Nash e Mitchell<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cWhy do fools fall in love?\u201d (\u201cPor que os idiotas se apaixonam?\u201d) pergunta o t\u00edtulo da can\u00e7\u00e3o de Frankie Limon and The Teenagers que Joni ouvia quando crian\u00e7a e regravou em seu \u00e1lbum ao vivo, \u2018Shadows And Light\u2019 (1980). Tudo indica que a canadense ainda n\u00e3o tenha encontrado a solu\u00e7\u00e3o para essa quest\u00e3o. Aos 76 anos, em 2020, a cantora confessou em entrevista a Cameron Crowe: \u201cEu sou uma idiota em rela\u00e7\u00e3o ao amor, cometo o mesmo erro v\u00e1rias e v\u00e1rias vezes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a segunda metade da d\u00e9cada de 1960, a vida e a obra de Joni foram marcadas por relacionamentos &#8211; alguns curtos, mas todos intensos &#8211; com cantores folk. Algumas dessas hist\u00f3rias serviram de inspira\u00e7\u00e3o para as letras cantadas em \u2018Blue\u2019, que n\u00e3o falam diretamente sobre esses homens, mas sobre a forma como Joni se relacionou com eles.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-96384 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/joni1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"569\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/joni1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/joni1-300x228.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos que se seguiram \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de Kilauren, Joni conseguiu efetivamente iniciar sua carreira como cantora folk. Suas primeiras grava\u00e7\u00f5es foram feitas entre 1963 e 1967 e, em 2020, foram lan\u00e7adas em \u2018Archives Vol 1: The Early Years (1963-1967)\u2019, um box contendo cinco discos (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/playlist?list=OLAK5uy_ndW7LPViwcls-_C9f0blTt6im59_kwp24\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">e 119 m\u00fasicas<\/a>). Ap\u00f3s quase 50 anos, Mitchell fez as pazes com grava\u00e7\u00f5es que ela questionava se eram ou n\u00e3o parte can\u00f4nica de sua discografia. Conforme revelou tamb\u00e9m a Crowe, em 2004, a artista considerava as m\u00fasicas muito ing\u00eanuas e \u201cvulner\u00e1veis para esses tempos t\u00e3o duros, como se pertencessem a um mundo antigo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro disco efetivamente lan\u00e7ado por Joni foi \u2018Song to A Segull\u2019 (1968), gravado em 1967 ap\u00f3s a cantora \u2013 j\u00e1 separada de Chuck \u2013 ter se mudado para Nova York e come\u00e7ado a ficar conhecida por apresenta\u00e7\u00f5es realizadas em caf\u00e9s, festivais e pequenas casas de shows.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O disco teve produ\u00e7\u00e3o de outro nome que se tornaria ic\u00f4nico no folk norte-americano: David Crosby, com quem Joni havia iniciado um romance. Mas a parceria rom\u00e2ntica durou pouco, chegando ao fim logo ap\u00f3s o lan\u00e7amento do LP, com a descoberta de que, com o deterioramento da rela\u00e7\u00e3o, o cantor havia tra\u00eddo Mitchell com uma ex-namorada.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-96383 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/mitchell1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"517\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/mitchell1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/mitchell1-300x207.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em biografia do supergrupo Crosby, Stills, Nash &amp; Young, o escritor David Browne revelou que o produtor \u201cadorava apresentar a cantora aos amigos como uma posse valiosa e talentosa\u201d. \u00c0 seu bi\u00f3grafo, David Yaffe, autor de \u201c<a href=\"https:\/\/amzn.to\/4w5rYgg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Reckless Daughter: A Portrait of Joni Mitchell<\/a>\u201d, a artista revelou que o ex-namorado agia \u201cde um jeito embara\u00e7oso, uma vez que eu era tratada como a descoberta dele\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouco antes da grava\u00e7\u00e3o, ainda em 1967, Joni teve um \u201cdesencontro amoroso\u201d com outro membro do quarteto que lan\u00e7ou o lend\u00e1rio LP \u2018Deja V\u00fa\u2019 em 1970. Em uma noite em Ottawa, no Canad\u00e1, tanto a artista quanto o grupo The Hollies faziam shows na cidade. Depois das apresenta\u00e7\u00f5es houve uma festa, na qual a artista conheceu Graham Nash, ent\u00e3o um dos integrantes da banda. Ambos j\u00e1 haviam ouvido falar um no outro e, naquela noite, ficou no ar uma expressa vontade de se aproximarem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por conta de estarem sempre viajando e se apresentando em cidades diferentes, Mitchell e Graham n\u00e3o viam possibilidade de ficarem juntos naquele momento. Um dia, ainda casado, o cantor voou para Nova York para encontrar Joni, por\u00e9m, chegando l\u00e1 teve uma decep\u00e7\u00e3o: a cantora estava namorando com Leonard Cohen.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1967, Cohen estava entre as atra\u00e7\u00f5es do Newport Folk Festival, assim como Joni. Naquele evento, come\u00e7aram o que daria origem a uma rela\u00e7\u00e3o batizada pelo cantor como \u201cuma extens\u00e3o da amizade\u201d. O namoro acabou em poucos meses, por\u00e9m os artistas foram amigos at\u00e9 o falecimento <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/11\/um-breve-olhar-sobre-a-discografia-de-leonard-cohen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">do autor de \u201cFamous Blue Raincoat\u201d<\/a>, em 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito se especula se a m\u00fasica \u201cA Case Of You\u201d, presente em \u2018Blue\u2019, foi feita para Nash ou para Cohen. Por\u00e9m, ao que tudo indica, o segundo \u00e9 o verdadeiro homenageado desta \u201ccan\u00e7\u00e3o de amor e \u00f3dio\u201d, embora Joni nunca tenha confirmado esse fato. Apesar de j\u00e1 ter dom\u00ednio na escrita, a artista n\u00e3o sabia muito sobre literatura na segunda metade da d\u00e9cada de 1960. Interessada, pediu a Cohen uma lista de livros para se aprofundar. Segundo revelado no livro \u201cJoni Mitchell In Her Own Words\u201d, de Malka Marom, ao ler \u201cO Estrangeiro\u201d, de Albert Camus, a cantora percebeu que Leonard havia roubado um verso da obra e inserido na m\u00fasica \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/01\/06\/hey-thats-no-way-to-say-goodbye\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hey That\u2019s No Way To Say Goodbye<\/a>\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Joni Mitchell \u2013 A Case of You (Live at the Newport Folk Festival 2022) [Official Video]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9evpH6yjxrI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito admiradora de Cohen, a quem tem tamb\u00e9m como influ\u00eancia art\u00edstica, Mitchell ficou desapontada com a descoberta. Talvez buscando vingan\u00e7a, em \u201cA Case Of You\u201d a artista escreveu uma hist\u00f3ria de t\u00e9rmino em que usou um verso dito por Leonard sem credit\u00e1-lo. Tamb\u00e9m no livro de Marom, Joni explicou: \u201cQuando lhe mostrei \u2018A Case Of You\u2019 ele disse: \u2018Estou feliz por ter escrito isso\u2019. Leonard ficou com raiva de mim, na verdade, porque eu coloquei um verso dele, algo que ele disse, em uma das minhas can\u00e7\u00f5es. Para mim, isso n\u00e3o \u00e9 pl\u00e1gio. Ou voc\u00ea rouba da vida ou dos livros. Com a vida \u00e9 jogo limpo, com a literatura n\u00e3o. Essa \u00e9 a minha opini\u00e3o pessoal. N\u00e3o roube a arte de outra pessoa, isso \u00e9 trapa\u00e7a. Roube da vida &#8211; isso est\u00e1 em jogo, certo?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, depois do epis\u00f3dio com Cohen, Joni e Graham namoraram. Diferente de como ocorreu com os dois \u00faltimos namorados, com Nash a rela\u00e7\u00e3o foi duradoura. Mitchell e o m\u00fasico chegaram a morar juntos por cerca de dois anos, at\u00e9 1970. \u00c9 sobre o cotidiano do casal que o cantor escreveu a faixa \u201cOur House\u201d, inclu\u00edda no j\u00e1 referido LP \u2018Deja Vu\u2019. A cantora tamb\u00e9m fez m\u00fasicas sobre a vida ao lado de Graham, que foram gravadas em &#8216;Blue&#8217;. As dela, por\u00e9m, falam sobre o rompimento, e s\u00f3 foram ouvidas pelo ex-companheiro ap\u00f3s o t\u00e9rmino.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Graham Nash Performing &quot;Our House&quot; in Howard Stern&#039;s Studio\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sFL0fMSoVwU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o ex-parceiro, Mitchell dedicou \u201cMy Old Man\u201d e \u201cRiver\u201d. Na primeira, a inspira\u00e7\u00e3o veio de um dos motivos do t\u00e9rmino. Nas palavras de Nash, a can\u00e7\u00e3o foi feita a partir de um pedido de noivado que ele fizera \u00e0 ent\u00e3o namorada: \u201cEu a pedi em casamento, mas acho que ela entendeu que eu queria uma \u2018esposa\u2019 para cozinhar para mim e coisas do tipo, o que nunca foi minha inten\u00e7\u00e3o. Eu queria que ela fosse livre, o qu\u00e3o brilhante fosse poss\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o livro \u201c<a href=\"https:\/\/amzn.to\/4vvRwDm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CSNY: Crosby, Stills, Nash &amp; Young<\/a>\u201d, de Peter Dogget, ap\u00f3s o t\u00e9rmino, Nash recebeu um telegrama po\u00e9tico de Mitchell, que viajava pela Europa, que talvez confirme o receio. Dizia a mensagem: \u201cSe voc\u00ea segurar a areia com muita for\u00e7a, ela ir\u00e1 escapar pelos seus dedos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A outra m\u00fasica sobre a rela\u00e7\u00e3o com Nash presente em &#8216;Blue&#8217; \u00e9 \u201cRiver\u201d. Apesar de a can\u00e7\u00e3o falar sobre um momento dif\u00edcil da vida de ambos, Graham <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/music\/2022\/may\/03\/graham-nash-on-families-joni-mitchell-and-toxic-masculinity-if-you-could-kill-putin-would-you-i-would\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">revelou ao The Guardian<\/a> que sente orgulho do fato de a can\u00e7\u00e3o ser dedicada a ele: \u201c\u2018River\u2019 me deixou triste, porque narrava o fim do nosso relacionamento, mas tamb\u00e9m contente porque era uma m\u00fasica t\u00e3o linda e ela [Joni] teve coragem de despir sua alma. N\u00f3s \u00e9ramos muito apaixonados. Eu valorizava aquela rela\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de retratar a melancolia do rompimento, com o passar dos anos, a can\u00e7\u00e3o passou a receber uma curiosa interpreta\u00e7\u00e3o, como se fosse uma can\u00e7\u00e3o de Natal. A grava\u00e7\u00e3o, de fato, possui elementos que podem direcionar a essa leitura, uma vez que come\u00e7a com as notas da tradicional \u201cJingle Bells\u201d ao piano e diz, j\u00e1 no primeiro verso, que a \u00e9poca natalina est\u00e1 chegando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o passar dos anos, \u201cRiver\u201d passou a ser inclu\u00edda no repert\u00f3rio de diversas apresenta\u00e7\u00f5es e discos natalinos, fato que causa surpresa naqueles que t\u00eam conhecimento de que a can\u00e7\u00e3o fala sobre o t\u00e9rmino com Nash. Nas palavras de Mitchell, <a href=\"https:\/\/www.npr.org\/2014\/12\/09\/369386571\/the-music-midnight-makes-in-conversation-with-joni-mitchell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em entrevista \u00e0 NPR em 2014<\/a>, a can\u00e7\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria sobre \u201cassumir responsabilidade pessoal pelo fracasso de um relacionamento\u201d. Na mesma mat\u00e9ria, indagada sobre a nova conota\u00e7\u00e3o que sua composi\u00e7\u00e3o recebeu, a cantora respondeu, com humor: \u201cprecis\u00e1vamos de uma can\u00e7\u00e3o triste de Natal, n\u00e3o \u00e9 mesmo?\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Joni Mitchell - River (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OLHxxBTl71I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Detroit, 1968?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ano de 1968 tamb\u00e9m ficou marcado na carreira da cantora como \u201ca \u00faltima vez que ela viu Richard\u201d. Por anos, acreditava-se que a hist\u00f3ria da can\u00e7\u00e3o que encerra \u2018Blue\u2019 ocorreu durante um encontro de Joni Mitchell com Chuck, no ano seguinte ao div\u00f3rcio. Por\u00e9m, o personagem da can\u00e7\u00e3o foi inspirado em Patrick Sky, cantor folk tamb\u00e9m surgido na d\u00e9cada de 1960.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascido no estado da Georgia, Patrick Sky teve sua carreira marcada por fazer duras cr\u00edticas pol\u00edticas atrav\u00e9s de s\u00e1tiras. Entre os anos de 1965 e 1969, teve o per\u00edodo mais constante de sua carreira, gravando discos anualmente. Em 1971, mesmo ano do lan\u00e7amento de \u2018Blue\u2019, gravou seu LP mais radical, \u2018Songs That Made America Famous\u2019 que, por seu conte\u00fado, enfrentou dificuldades para ser lan\u00e7ado e s\u00f3 foi aceito por uma gravadora em 1973.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Joni e o cantor fizeram parte do mesmo circuito de m\u00fasica folk nos Estados Unidos, aparecendo tamb\u00e9m em programas de r\u00e1dio e shows em universidades. Segundo a cantora revelou em entrevista a Michelle Mercer para o livro \u201c<a href=\"https:\/\/amzn.to\/4xE5Xql\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Will You Take Me As I Am<\/a>\u201d, em que a autora investiga a hist\u00f3ria do LP, \u201cThe Last Time I Saw Richard\u201d surgiu ap\u00f3s uma frase dita pelo colega: \u201cPatrick Sky, um amigo e cantor de folk, me disse uma noite em um bar de Nova York: \u2018Joni, voc\u00ea \u00e9 uma rom\u00e2ntica incur\u00e1vel. S\u00f3 h\u00e1 uma maneira de voc\u00ea seguir na vida: com cinismo incur\u00e1vel\u2019\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Fight for Liberation\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rHdgyl2lJ0k?list=PLWK6acBfjEzDJ4NYjw9i36ubyFHQMWqtw\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na can\u00e7\u00e3o, Joni uniu realidade e fic\u00e7\u00e3o para criar uma de suas letras mais profundas. H\u00e1 elementos fict\u00edcios em \u201cThe Last Time I Saw Richard\u201d porque, como a pr\u00f3pria cantora revela em seu site, ela e Patrick se encontraram em um show na Syracuse University, em 1969. Logo, a \u00faltima vez em que se viram at\u00e9 o momento de grava\u00e7\u00e3o do disco n\u00e3o foi em 1968. Al\u00e9m disso, a frase foi dita em Nova York, e n\u00e3o em Detroit.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar dessas considera\u00e7\u00f5es, h\u00e1 tamb\u00e9m fatos verossimilhantes na can\u00e7\u00e3o, segundo depoimento de Mitchell. No mesmo livro que traz o verso de \u201cCalifornia\u201d no t\u00edtulo, a cantora afirma que Patrick, assim como Richard, estava naquele momento casado com uma patinadora e que sa\u00eda pouco, bebendo em casa e vivendo uma vida mais dom\u00e9stica. Apesar do depoimento da artista, a \u00fanica mulher citada como c\u00f4njuge de Sky em sites como Allmusic e em not\u00edcias sobre seu falecimento por c\u00e2ncer em 2017 \u00e9 Cathy Larson Sky, musicista e escritora, com quem ele se casou em 1981 e gravou, em dueto, o \u00e1lbum \u2018Down To Us\u2019 (2009).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00faltima faixa do LP tamb\u00e9m foi o primeiro contato de muitos brasileiros com o disco e com a obra da cantora canadense, atrav\u00e9s da vers\u00e3o feita pela banda Legi\u00e3o Urbana em 1992 no especial \u2018Ac\u00fastico MTV\u2019 \u2013 lan\u00e7ado oficialmente apenas em 1999. Em fala antes de tocar a m\u00fasica, o vocalista Renato Russo diz: \u201cEssa \u00e9 uma m\u00fasica de um dos maiores poetas do rock\u2019n\u2019roll, e ela se chama Joni Mitchell. \u00c9 de um disco chamado \u2018Blue\u2019, de muito tempo atr\u00e1s, e \u00e9 uma letra ser\u00edssima\u201d (Renato tamb\u00e9m regravou \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/01\/06\/hey-thats-no-way-to-say-goodbye\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hey That\u2019s No Way To Say Goodbye<\/a>\u201d em sua carreira solo).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Legi\u00e3o Urbana - The Last Time I Saw Richard\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ueQlVlkF6p4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Viajando em uma estrada solit\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No come\u00e7o de 1970, o relacionamento entre Nash e Joni estava se encaminhando para o fim. Em fevereiro, a cantora se juntou a uma amiga, a poetisa canadense Penelope Ann Schafer, e resolveu fazer uma viagem pela Europa, com a primeira parada na Gr\u00e9cia. Para a estrada, a artista resolveu n\u00e3o levar o viol\u00e3o, mas sim um instrumento que havia descoberto recentemente: um salt\u00e9rio dos Apalaches.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradicionalmente feito com tr\u00eas cordas, o instrumento da fam\u00edlia das c\u00edtaras foi descoberto por Mitchell durante o festival folk de Big Sur em 1969, onde ela adquiriu o salt\u00e9rio da musicista e luthier Joellen Lapidus, que se tornou tamb\u00e9m uma refer\u00eancia nesse tipo de tric\u00f3rdio, conhecido em ingl\u00eas como \u201cdulcimer\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escolha de levar o salt\u00e9rio (e uma flauta) no lugar do viol\u00e3o teve como principal motivo o fato de ambos serem mais leves. A op\u00e7\u00e3o mudaria n\u00e3o s\u00f3 a viagem como a sonoridade de \u2018Blue\u2019, uma vez que a artista comp\u00f4s e gravou parte do disco no novo instrumento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem nunca ter ouvido um dulcimer antes, Joni criou sua pr\u00f3pria t\u00e9cnica de tocar o tric\u00f3rdio. Enquanto a forma tradicional utiliza um tipo de pena como palheta, a cantora optou por uma abordagem percussiva nas cordas do instrumento, adaptando sua linguagem de violonista. Foi no salt\u00e9rio que comp\u00f4s can\u00e7\u00f5es definidoras de sua carreira, como \u201cCarey\u201d, \u201cCalifornia\u201d, \u201cA Case Of You\u201d e \u201cAll I Want\u201d, todas registradas em \u2018Blue\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Can\u00e7\u00e3o que abre o \u00e1lbum, \u201cAll I Want\u201d \u00e9 um resumo de \u2018Blue\u2019, de Joni e da pr\u00f3pria jornada pela Europa feita em 1970. \u00c9 uma m\u00fasica que fala sobre uma viagem solit\u00e1ria em busca por algo desconhecido e por liberdade. Versa sobre a vontade de amar e as dificuldades vividas nos relacionamentos ao som inconfund\u00edvel do salt\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Joni revelou <a href=\"https:\/\/jonimitchell.com\/library\/view.cfm?id=4423\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00e0 revista Mojo em 2019<\/a> que, mesmo que acreditem que existam mensagens nas entrelinhas \u2013 em versos po\u00e9ticos como \u201cI want to shampoo you\u201d \u2013, \u201cAll I Want\u201d \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o sincera: \u201cEu n\u00e3o sou uma compositora evasiva. Voc\u00ea n\u00e3o tem que cavar os significados nas palavras. Os significados est\u00e3o todos ali. \u00c9 muito claro\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Joni Mitchell: Carey, 1983.04.24\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/u_exMiFgP5I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o muito tempo ap\u00f3s chegar \u00e0 Gr\u00e9cia, Joni decidiu ir de barco para a ilha de Creta, onde fez uma viagem de Fusca por mais de 70 quil\u00f4metros at\u00e9 M\u00e1tala, um vilarejo de pescadores no qual hippies viviam naquela \u00e9poca, alojando-se em pequenas cavernas pr\u00f3ximas ao mar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dia, passeando pelo vilarejo, Joni ouviu um grande barulho e, ao olhar na dire\u00e7\u00e3o do som, vislumbrou a figura de um homem de barba ruiva vestindo um turbante branco. N\u00e3o se tratava de uma alucina\u00e7\u00e3o: aquele era Cary Raditz, um jovem norte-americano ent\u00e3o com 24 anos, que fora arremessado do caf\u00e9 onde trabalhava ap\u00f3s um forno explodir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cary e Joni se envolveram na mesma noite em que Penelope desapareceu, sem dar not\u00edcias, para seguir um outro rumo em sua viagem. A partir desse momento, o norte-americano acabou se tornando a nova companhia da artista durante sua estadia na Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma das noites em M\u00e1tala, Joni escreveu \u201cCarey\u201d \u2013 que ganhou um \u201ce\u201d por erro ortogr\u00e1fico da cantora \u2013, que narra esse per\u00edodo passado na Gr\u00e9cia. A m\u00fasica foi apresentada ao companheiro na noite de seu anivers\u00e1rio e fala de seu jeito retr\u00f3grado (\u201cyou\u2019re a mean old daddy\u201d), sobre o caf\u00e9 que a cantora frequentava em M\u00e1tala (\u201ccome on down the Mermaid Cafe\u201d) e diversas outras lembran\u00e7as, como a bengala de ferro que Cary vivia carregando, as ruas da ilha e o vento vindo da \u00c1frica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A indecis\u00e3o do pr\u00f3ximo destino tamb\u00e9m aparece em \u201cCarey\u201d (\u201cmaybe I\u2019ll go to Amsterdam, or maybe I\u2019ll go to Rome\u201d), mas, na hora da decis\u00e3o, Mitchell acabou optando pela Fran\u00e7a. L\u00e1 encontrou a inspira\u00e7\u00e3o ilustrada nos primeiros versos de \u201cCalifornia\u201d, outra can\u00e7\u00e3o em que Cary \u00e9 um dos personagens, referido como \u201cum caipira em uma ilha grega\u201d. Apesar da cita\u00e7\u00e3o, o ruivo n\u00e3o \u00e9 o protagonista da m\u00fasica, que fala sobre um sentimento de tristeza e fim da era hippie de paz e amor (\u201creading the news and it sure looks bad, they won\u2019t give peace a chance\u201d), cita uma festa ocorrida na casa do editor da revista Rolling Stone, Jann S. Wenner (\u201ca party down a red dirt road\u201d) e revela uma vontade da cantora de voltar para casa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Joni Mitchell with James Taylor - You Can Close Your Eyes (Official Audio)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7VrkaMlPGw0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Joni e James<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A volta para os Estados Unidos \u2013 ap\u00f3s a viagem que tamb\u00e9m contou com uma passagem pela Espanha \u2013 marca o per\u00edodo em que Joni Mitchell iniciou um relacionamento com James Taylor, importante nome da m\u00fasica folk que teve participa\u00e7\u00e3o decisiva em \u2018Blue\u2019. Ainda era 1970 e a cantora estava de volta a Laurel Canyon, bairro californiano onde boa parte dos m\u00fasicos folk daquela gera\u00e7\u00e3o moravam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No per\u00edodo em que Joni trabalhava nas composi\u00e7\u00f5es de \u2018Blue\u2019, Taylor se adaptava a uma nova vida, ap\u00f3s um per\u00edodo de interna\u00e7\u00e3o para tratar de seu v\u00edcio em hero\u00edna. O casal permaneceu junto durante cerca de um ano e, quando n\u00e3o estavam separados pelas turn\u00eas, acompanhavam o processo criativo um do outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Taylor tamb\u00e9m preparava as m\u00fasicas para um novo \u00e1lbum, \u2018Mud Slide Slim and the Blue Horizon\u2019 (1971), o terceiro de sua obra, no qual Joni participou fazendo vocais. Em agosto, a cantora viajou com o parceiro para o Novo M\u00e9xico, onde James gravou o filme \u201cCorrida Sem Fim\u201d (\u201cTwo-Lane Blacktop\u201d, 1971). Segundo revela o livro \u201c<a href=\"https:\/\/amzn.to\/3SXiGo4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Girls Like Us<\/a>\u201d, de Sheila Weller, durante a grava\u00e7\u00e3o do longa-metragem Mitchell tricotou um su\u00e9ter que o namorado passou a vestir constantemente. Estaria a\u00ed a inspira\u00e7\u00e3o ou a realiza\u00e7\u00e3o do verso \u201cI wanna knit you a sweater\u201d de \u201cAll I Want\u201d?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sheila sugere em seu livro que confiss\u00f5es de Mitchell sobre como o parceiro a tratava originaram \u201cThis Flight Tonight\u201d, que fala do per\u00edodo em que passaram no set de filmagens: \u201cJoni parece ter escrito \u2018This Flight Tonight\u2019 sobre aquela \u00e9poca no Novo M\u00e9xico. Seu amante \u2018gentil e doce\u2019 a magoa com \u2018aquele olhar t\u00e3o cr\u00edtico\u2019, mas ela se arrepende de ir embora quase assim que o avi\u00e3o decola. Ela repassa um momento de ternura em que observaram uma estrela no c\u00e9u entre os trailers do set de filmagem e quer que o piloto \u2018vire esse p\u00e1ssaro louco\u2019 para que ela possa voltar para ele\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meses depois, em outubro, Joni e Taylor estavam fazendo shows juntos. Um deles foi gravado no dia 16 daquele m\u00eas, em um evento beneficente do lan\u00e7amento da ONG ambiental Greenpeace. A apresenta\u00e7\u00e3o pode ser ouvida no \u00e1lbum \u2018Amchitka\u2019 (2009), e tem Mitchell mostrando boa parte das can\u00e7\u00f5es de \u2018Blue\u2019 que j\u00e1 estavam prontas naquele momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Doze dias depois, a dupla performou no Royal Albert Hall, em Londres, durante uma breve temporada na Inglaterra em que ficaram instalados em um apartamento com o guitarrista Peter Asher. Segundo depoimento do m\u00fasico no livro de Sheila Weller, ele estava presente na noite em que a artista comp\u00f4s a can\u00e7\u00e3o que batiza seu \u00e1lbum lan\u00e7ado em 1971: \u201cTenho uma mem\u00f3ria distinta\u201d, diz Peter, \u201cde ouvir Joni tocar \u2018Blue\u2019, que ela acabara de compor no piano.\u201d Asher achou a m\u00fasica extraordin\u00e1ria. As refer\u00eancias \u00e0s \u2018agulhas\u2019 de um viciado em drogas e ao fato de Joni oferecer uma concha para seu amante &#8211; John Fischbach se lembra dela dando uma concha para James em uma noite em Los Angeles &#8211; deixam bem claro que \u2018Blue\u2019 \u00e9 sobre James\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo sendo inspira\u00e7\u00e3o de ao menos duas can\u00e7\u00f5es de \u2018Blue\u2019, James Taylor <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/culture\/2021\/jun\/22\/joni-mitchell-blue-my-favourite-song-james-taylor-carole-king-graham-nash-david-crosby-kt-tunstall-birdy\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">revelou ao The Guardian<\/a>, em mat\u00e9ria sobre os 50 anos do \u00e1lbum, que sua faixa favorita do LP \u00e9 \u201cCalifornia\u201d, que dialoga tamb\u00e9m com o momento de separa\u00e7\u00e3o do casal: \u201cDepois de viajar, sua casa ganha um contexto diferente e essa can\u00e7\u00e3o capta isso. \u00c9 encantador, pessoal e genu\u00edno. Quando eu estava levando Joni para encontrar minha fam\u00edlia na Carolina do Norte, entre os voos, ela repentinamente disse que precisava voltar para a Calif\u00f3rnia e me deixou no aeroporto &#8211; no altar, por assim dizer. Talvez ela tenha sentido os destro\u00e7os dos meus pr\u00f3ximos 15 anos e n\u00e3o quisesse ser amarrada. Ela \u00e9 totalmente real e \u00e9 uma das melhores coisas da minha vida que eu a tenha conhecido\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Joni Mitchell - Blue (Full Album) [Official Video]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MvR7Dkg4NQU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Enfim, o \u00e1lbum<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com seu vocabul\u00e1rio po\u00e9tico, Joni contou em entrevistas como estava sua sa\u00fade mental quando \u2018Blue\u2019 foi gravado. \u00c0 revista Rolling Stone revelou: \u201cEu n\u00e3o tinha defesas. Me sentia como a embalagem de celofane de um ma\u00e7o de cigarros. Eu sentia que n\u00e3o tinha segredos para o mundo e que n\u00e3o poderia fingir ser forte ou feliz na minha vida\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra analogia da cantora sobre \u2018Blue\u2019 foi publicada em \u201c<a href=\"https:\/\/amzn.to\/4g26xYH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Joni Mitchell: In Her Own Words<\/a>\u201d. A artista revelou ter tido um sonho em que estava assistindo \u201cuma banda de mulheres meio gordas tocando tuba. Mulheres enroladas em vestidos de n\u00e1ilon tocando grandes trompas e eu era uma sacola pl\u00e1stica cheia de \u00f3rg\u00e3os expostos, solu\u00e7ando em uma cadeira no audit\u00f3rio. Foi como me senti, com minhas entranhas expostas. Eu fiz \u2018Blue\u2019 nessa condi\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em janeiro de 1971, Joni come\u00e7ou a gravar &#8216;Blue&#8217;, ao lado de poucos m\u00fasicos: James Taylor (viol\u00e3o), Russ Kunkel (percuss\u00e3o), Stephen Stills (baixo e viol\u00e3o) e Sneaky Pete Kleinow (pedal steel). As grava\u00e7\u00f5es se estenderam at\u00e9 mar\u00e7o, nos est\u00fadios da A&amp;M Records, em Hollywood.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mesmo est\u00fadio e per\u00edodo, a banda Carpenters estava fazendo grava\u00e7\u00f5es para seu terceiro disco e a cantora Carole King, que era amiga do casal, registrava \u2018Tapestry\u2019, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/09\/10\/500-toques-carla-bruni-aimee-mann-e-carole-king\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">seu hist\u00f3rico LP de estreia<\/a> que contou com a participa\u00e7\u00e3o de James e Joni na produ\u00e7\u00e3o. No mesmo ano, Taylor gravou \u201cYou\u2019ve Got A Friend\u201d, sucesso composto pela pianista e registrado tamb\u00e9m neste seu primeiro disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto Carole gravava no est\u00fadio B, Joni escolheu a sala ao lado para registrar \u2018Blue\u2019. L\u00e1 havia um piano Steinway de cauda que seria fundamental para a sonoridade do disco. Em uma manh\u00e3 antes de Mitchell chegar para as grava\u00e7\u00f5es, King aproveitou as horas vagas e gravou com o instrumento o cl\u00e1ssico \u201cI Feel The Earth Move\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se era poss\u00edvel aproveitar o est\u00fadio C quando Mitchell estava ausente, na presen\u00e7a da cantora tudo era diferente. A artista optou por fazer uma grava\u00e7\u00e3o bastante reclusa, na qual apenas ela e os profissionais respons\u00e1veis pela grava\u00e7\u00e3o transitavam pelo est\u00fadio &#8211; \u201cse algu\u00e9m entrasse pela porta, eu me acabaria em l\u00e1grimas\u201d, confessou. Com percuss\u00f5es abafadas, majoritariamente utilizando instrumentos ac\u00fasticos, a cantora fez registros carregados de emo\u00e7\u00f5es profundas, como revela o livro de David Yaffe: \u201cJoni estava traduzindo aquelas emo\u00e7\u00f5es que ningu\u00e9m gostaria de ter em uma m\u00fasica que todos gostariam de ouvir\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando \u2018Blue\u2019 chegou \u00e0s lojas, em 22 de junho de 1971, causou rea\u00e7\u00f5es diversas. Johnny Cash, por exemplo, sentiu o pesar do disco, como revelou a Joni: \u201cVoc\u00ea est\u00e1 suportando o peso do mundo\u201d. Quando Mitchell mostrou o LP ao cantor country Kris Kristofferson, sua rea\u00e7\u00e3o foi dizer: \u201cJesus, Joan, preserve algo sobre si mesma\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-96401 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/joniitchell1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/joniitchell1-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/joniitchell1-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/joniitchell1-1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao chegar nas lojas, com fotografia feita por Tim Considine de Joni tonalizada de azul na capa, \u2018Blue\u2019 foi um grande sucesso internacional, atingindo lugares expressivos em listas das grava\u00e7\u00f5es mais ouvidas, e recebeu um certificado de disco de platina duplo (600 mil c\u00f3pias) pela Britsh Phonography Industry (BPI). Al\u00e9m de consolidar Mitchell como cantora e compositora, tornou-se um par\u00e2metro de qualidade de grava\u00e7\u00e3o na \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O disco tamb\u00e9m foi bem recebido pela cr\u00edtica especializada. Com repert\u00f3rio que j\u00e1 vinha sendo celebrado por publica\u00e7\u00f5es como NME e Melody Maker, o LP recebeu uma longa an\u00e1lise na edi\u00e7\u00e3o de agosto de 1971 da Rolling Stone, feita por Timothy Crouse, que encerra o texto com a seguinte declara\u00e7\u00e3o: \u201cAo se retratar de forma t\u00e3o n\u00edtida, ela arriscou o rid\u00edculo para alcan\u00e7ar o sublime. Os resultados raramente s\u00e3o rid\u00edculos; em \u2018Blue\u2019, ela combinou suas habilidades musicais populares com a pureza e a honestidade do que uma vez foi chamada de m\u00fasica folk e, por meio da combina\u00e7\u00e3o, ela nos deu alguns dos mais belos momentos da m\u00fasica popular recente\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em tom confessional para Cameron Crowe, Joni refletiu sobre sua obra: \u201cNa \u00e9poca do meu quarto \u00e1lbum eu estava vivendo aquela terr\u00edvel oportunidade que as pessoas t\u00eam em sua vida, quando descobrem que s\u00e3o completamente idiotas e precisam decidir seus valores, quais partes s\u00e3o realmente necess\u00e1rias. \u2018Blue\u2019 foi um ponto de virada em diversos aspectos da minha vida\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O disco foi precisamente resumido por Rob Hughes, em texto publicado na revista Uncut em 2017: \u201cMitchell estava tentando reconciliar sua vida com sua arte, comprimindo uma busca indescrit\u00edvel por contentamento pessoal em uma grande declara\u00e7\u00e3o art\u00edstica. \u2018Blue\u2019 \u00e9 triste, engra\u00e7ado, po\u00e9tico, revelador e, muitas vezes, dolorosamente sincero. \u00c9 uma experi\u00eancia t\u00e3o intensa que parece muito mais longa do que relativamente breves 35 minutos\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-96387 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/blue.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"542\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/blue.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/blue-300x217.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Cinquenta e cinco anos depois<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo informa o site oficial de Joni Mitchell, a soma das vezes que as m\u00fasicas de \u2018Blue\u2019 foram regravadas de forma oficial nos 55 anos ap\u00f3s seu lan\u00e7amento ultrapassa 1400 vers\u00f5es. S\u00f3 \u201cRiver\u201d recebeu 793 regrava\u00e7\u00f5es. Com o passar dos anos, o \u00e1lbum se posicionou entre as obras mais importantes de diversas listas publicadas pela imprensa, com destaque para o ranking publicado pela NPR em 2017, que posicionou o LP como o maior \u00e1lbum feito por mulheres entre 150 obras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2021, Joni Mitchell celebrou o cinquenten\u00e1rio de \u2018Blue\u2019 em dois lan\u00e7amentos. O primeiro deles foi o box \u2018The Reprise Albums\u2019, que re\u00fane os quatro primeiros \u00e1lbuns da cantora em edi\u00e7\u00f5es em vinil e CD. O outro, nas plataformas digitais, foi o EP \u2018Blue (Demos &amp; Outtakes)\u2019 que traz vers\u00f5es alternativas de \u201cA Case Of You\u201d, \u201cCalifornia\u201d e \u201cRiver\u201d, al\u00e9m de \u201cHunter\u201d e \u201cUrge For Going\u201d, can\u00e7\u00f5es gravadas nas mesmas sess\u00f5es, mas que n\u00e3o entraram na edi\u00e7\u00e3o original da obra. Em 2024, uma reedi\u00e7\u00e3o especial em LP foi prensada pelo selo norte-americano Mobile Fidelity, voltado para audi\u00f3filos, com dois discos de 45 rota\u00e7\u00f5es. J\u00e1 em 2025, foi a vez de um edi\u00e7\u00e3o em blu-ray audio, contando com som quadraf\u00f4nico e tecnologia dolby atmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em mar\u00e7o de 2026 Joni foi condecorada no Juno Awards pelo conjunto de sua obra. Para celebrar os 55 anos de \u2018Blue\u2019, no dia exato do anivers\u00e1rio foram anunciadas novas edi\u00e7\u00f5es do disco pelo selo Rhyno High Fidelity, em LP numerado com capa dupla exclusiva e tamb\u00e9m no formato de fitas reel to reel. Ao longo dos meses de junho e julho, a Pitchblack Playback tamb\u00e9m ir\u00e1 promover comemora\u00e7\u00f5es em cidades como Glasgow, Los Angeles, Londres e Manchester, com sess\u00f5es de audi\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum em salas com escuro total, proporcionando aos f\u00e3s uma experi\u00eancia completamente imersiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Aos 27 anos, a cantora criou uma obra que a consolidou no mercado e tornou-de ideal para momentos de sofrimento e \u201cdark cafe days\u201d. Quem j\u00e1 sentiu na pele o peso desse disco entende o que a cantora quis dizer com os versos que abrem a m\u00fasica que o batiza: \u201cBlue, songs are like tattoos\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Joni Mitchell - Live at the BBC Television Centre, London, UK \/ Sept. 3, 1970 (several songs in HD)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/E-he9mzrjCU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Joni Mitchell - Live at the New Victoria Theatre, London, UK \/ April 22, 1974 (several songs in HD)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rXJZqZi3xP4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Amanda Seyfried Covers Joni Mitchell\u2019s \u201cCalifornia\u201d on the Dulcimer | The Tonight Show\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ly0kgS2UioA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"NPR Music Listening Party: Joni Mitchell&#039;s &#039;Blue&#039; At 50\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/R6RNq3XKIQw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Lucas Vieira (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100011036646439\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">facebook<\/a>) \u00e9 jornalista e escreve sobre m\u00fasica desde 2010! Siga no <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/vieirarlucas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">instagram.com\/vieirarlucas<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma jornada atrav\u00e9s dos bastidores de uma das obras-primas da m\u00fasica folk que completa cinco d\u00e9cadas em 2026\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/06\/22\/cancoes-sao-como-tatuagens-os-55-anos-do-disco-blue-de-joni-mitchell\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":37,"featured_media":96388,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,3],"tags":[5272],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96380"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/37"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96380"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96380\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":96402,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96380\/revisions\/96402"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96388"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96380"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96380"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96380"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}