{"id":96291,"date":"2026-06-15T10:30:13","date_gmt":"2026-06-15T13:30:13","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=96291"},"modified":"2026-06-15T12:38:08","modified_gmt":"2026-06-15T15:38:08","slug":"entrevista-melissa-auf-der-maur-lanca-livro-de-memorias-e-fala-de-hole-smashing-pumpkins-misticismo-e-feminismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/06\/15\/entrevista-melissa-auf-der-maur-lanca-livro-de-memorias-e-fala-de-hole-smashing-pumpkins-misticismo-e-feminismo\/","title":{"rendered":"Entrevista: Melissa Auf der Maur lan\u00e7a livro de mem\u00f3rias e fala de Smashing Pumpkins, Hole, misticismo e feminismo"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascida em Montreal, no Canad\u00e1, em uma fam\u00edlia profundamente conectada \u00e0s artes e ao pensamento cr\u00edtico, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/xmadmx\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Melissa Gaboriau Auf der Maur<\/a> cresceu cercada por m\u00fasica, fotografia, literatura e pol\u00edtica antes de encontrar seu pr\u00f3prio caminho na efervescente cena alternativa do in\u00edcio dos anos 1990. O que come\u00e7ou como a trajet\u00f3ria de uma jovem apaixonada por arte e cultura independente rapidamente a levou ao centro de um movimento que redefiniria a m\u00fasica contempor\u00e2nea. Primeiro como integrante do Hole, banda liderada por Courtney Love, e depois como baixista do Smashing Pumpkins, Melissa participou de um dos per\u00edodos mais criativos \u2014 e tamb\u00e9m mais turbulentos \u2014 do rock alternativo, convivendo com artistas que ajudaram a moldar toda uma gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais de trinta anos depois, ela rememora esse per\u00edodo em \u201c<a href=\"https:\/\/amzn.to\/3QDRb2e\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Even the Good Girls Will Cry: A \u201990s Rock Memoir<\/a>\u201d, livro de mem\u00f3rias lan\u00e7ado em mar\u00e7o de 2026 pela editora norte-americana Da Capo. Definida pela pr\u00f3pria autora como \u201cuma carta de amor \u00e0 d\u00e9cada que definiu a mim e \u00e0 minha gera\u00e7\u00e3o\u201d, a obra vai muito al\u00e9m dos relatos tradicionais sobre os bastidores da m\u00fasica. Ao revisitar sua juventude, Melissa reconstr\u00f3i um per\u00edodo marcado por descobertas art\u00edsticas, amizades transformadoras, sonhos, excessos, luto e reinven\u00e7\u00e3o. \u00c9 tamb\u00e9m uma reflex\u00e3o sobre o que foi perdido ao longo do caminho. Em suas 432 p\u00e1ginas, Melissa descreve a ascens\u00e3o e a transforma\u00e7\u00e3o da cena alternativa dos anos 1990, um ambiente que, segundo ela, possu\u00eda uma &#8220;verdadeira magia independente&#8221; antes de ser absorvido pelas engrenagens da ind\u00fastria cultural. Entre mem\u00f3rias pessoais e observa\u00e7\u00f5es sobre seu tempo, o livro se torna igualmente um retrato do fim de uma era e da perda de um certo esp\u00edrito criativo que marcou a cultura jovem daquela d\u00e9cada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta entrevista feita por v\u00eddeo chamada, Melissa analisa as mudan\u00e7as na representa\u00e7\u00e3o feminina dentro da ind\u00fastria musical, fala sobre artistas que enxerga como herdeiras do legado constru\u00eddo por sua gera\u00e7\u00e3o e reflete sobre o papel da arte em um mundo atravessado por guerras, desigualdades e polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Entre lembran\u00e7as de um passado que ajudou a construir e reflex\u00f5es sobre o presente, emerge o retrato de uma artista que continua acreditando no poder transformador da cria\u00e7\u00e3o. N\u00e3o por acaso, a estrutura de seu livro \u00e9 organizada em torno de tr\u00eas conceitos que, segundo ela, sempre determinaram sua exist\u00eancia: magia, m\u00fasica e morte. &#8220;Tudo come\u00e7a com a magia, passa pela m\u00fasica e, inevitavelmente, termina&#8221;, filosofa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo da conversa, Melissa fala abertamente sobre os temas que atravessam sua autobiografia e sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria. Ela revisita sua rela\u00e7\u00e3o com Courtney Love e explica por que sentiu que era hora de recuperar uma hist\u00f3ria frequentemente distorcida pela m\u00eddia. Reflete sobre a influ\u00eancia decisiva de Billy Corgan em sua forma\u00e7\u00e3o art\u00edstica, relembra momentos compartilhados com Dave Grohl e a sua vinda ao Rock in Rio 2001, comenta o impacto de viver em um ambiente marcado pela fama, pelo v\u00edcio, pela morte e pelas press\u00f5es da ind\u00fastria musical. Ao mesmo tempo, a conversa se afasta dos mitos do rock para explorar aspectos mais \u00edntimos de sua vida criativa: sua paix\u00e3o pela fotografia, a escrita como ferramenta de autoconhecimento, sua rela\u00e7\u00e3o com os sonhos e o misticismo e a maneira como essas diferentes linguagens ajudaram a compreender experi\u00eancias que a m\u00fasica, sozinha, nem sempre conseguia traduzir. Leia a entrevista na \u00edntegra!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-96292 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/meliisa1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"546\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/meliisa1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/meliisa1-300x218.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Seu livro de mem\u00f3rias revisita sua jornada por uma das d\u00e9cadas mais intensas do rock alternativo. Olhando para tr\u00e1s, o que os anos 1990 ensinaram a voc\u00ea sobre sobreviv\u00eancia, tanto pessoal quanto profissionalmente?<\/strong><br \/>\nMeu livro \u00e9 realmente uma carta de amor \u00e0 d\u00e9cada que definiu a mim e \u00e0 minha gera\u00e7\u00e3o, de 1991 a 2001. Como digo no in\u00edcio do livro, eu nunca desejaria ter chegado \u00e0 vida adulta em outro momento. Tornar-me uma mulher na casa dos 20 anos naquela \u00e9poca foi muito poderoso, porque era um momento extremamente forte para a cultura jovem e, especificamente, para a cultura da m\u00fasica alternativa. Aprendi tudo sobre o poder da m\u00fasica, da criatividade e de indiv\u00edduos \u00fanicos que sonham, vivem intensamente e assumem riscos. Mas tamb\u00e9m aprendi sobre perda. Nossa gera\u00e7\u00e3o viveu uma perda de inoc\u00eancia quando as grandes gravadoras chegaram e assumiram o controle da cena musical. Perdemos nossa inoc\u00eancia e nossa cena musical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando as grandes gravadoras come\u00e7aram a colocar dinheiro em tudo, muita da magia independente que existia entre 1991 e 1995 foi corrompida. Quando toquei no Lollapalooza de 1995 com o Hole, divid\u00edamos o line-up com algumas das melhores bandas dos anos 90: Sonic Youth, Cypress Hill, Pavement, Moby, Jesus Lizard, Elastica, Beck e muitas outras. Todos eram \u00fanicos. Ningu\u00e9m era parecido com ningu\u00e9m. Cada um era simplesmente ele mesmo. Essa magia de um verdadeiro esp\u00edrito independente pareceu desaparecer quando as gravadoras passaram a empacotar tudo e comprar tudo. Tamb\u00e9m foi um per\u00edodo marcado pela morte, pelo v\u00edcio, pelos perigos da fama, do dinheiro e da corrup\u00e7\u00e3o. Meu livro fala muito sobre o fim de uma forma de vida, o fim de uma era anal\u00f3gica e o fim de um esp\u00edrito jovem e m\u00e1gico \u2014 literalmente o esp\u00edrito de &#8220;Teen Spirit&#8221; (citando o hit do \u00e1lbum \u201cNevermind\u201d, do Nirvana \u2014 que acabou sendo roubado pela m\u00e1quina da ind\u00fastria musical. Al\u00e9m disso, perdi meu pai nos anos 90. Ele foi uma grande inspira\u00e7\u00e3o para mim. Era pol\u00edtico e jornalista, mas tinha um esp\u00edrito muito punk rock. Ent\u00e3o vivi tamb\u00e9m um luto muito pessoal. Aprendi tudo: sobre fazer o que voc\u00ea ama, mas tamb\u00e9m sobre perder aquilo que ama.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-96293 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/melissa2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/melissa2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/melissa2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma palavra que voc\u00ea mencionou na resposta anterior foi \u201cmagia\u201d. Seu livro \u00e9 dividido em tr\u00eas atos: Magia, M\u00fasica e Morte. Por que voc\u00ea escolheu essa estrutura? E como esses tr\u00eas elementos definem sua vida durante aquele per\u00edodo?<\/strong><br \/>\nMinha vida sempre foi determinada por esses tr\u00eas pilares muito poderosos. Acho que eles sempre me definiram. A magia \u00e9 acreditar em algo maior do que voc\u00ea mesma. Algumas pessoas t\u00eam religi\u00e3o. Eu tenho sonhos, m\u00fasica e conex\u00f5es especiais com pessoas da minha vida que parecem fazer parte de algo muito maior do que esta exist\u00eancia. Algo que faz parecer que j\u00e1 nos encontramos em outras vidas. Tudo o que fa\u00e7o come\u00e7a com algum tipo de sentimento m\u00e1gico, como se alguma coisa do universo estivesse me dizendo para seguir uma pessoa, um movimento ou uma ideia. A m\u00fasica est\u00e1 sempre no centro de tudo o que amo fazer. E ent\u00e3o, como acontece com toda vida, a morte chega. Voc\u00ea vive muitas vidas dentro de uma \u00fanica vida. Minha vida na m\u00fasica e na magia foi renascendo e morrendo v\u00e1rias vezes. Quando deixei o Hole, quando deixei o Smashing Pumpkins, quando deixei meu baterista m\u00e1gico, Dave Grohl, eu sa\u00ed porque entendia que algumas coisas precisavam terminar para que outras pudessem come\u00e7ar. Existe sempre um ciclo de vida e morte, mesmo dentro de uma \u00fanica exist\u00eancia. Mas tudo come\u00e7a com a magia, passa pela m\u00fasica e, inevitavelmente, termina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No livro voc\u00ea fala que talvez seu primeiro amor tenha sido a fotografia, que teve um papel importante na sua forma\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Como esse amor pela fotografia moldou sua forma de enxergar a arte, a performance e at\u00e9 mesmo a mem\u00f3ria?<\/strong><br \/>\nEu tive muita sorte porque fui para uma escola de arte e m\u00fasica ainda muito jovem. Desde os sete anos de idade eu estudava artes visuais, artes c\u00eanicas e m\u00fasica ao mesmo tempo. Por isso, sempre acreditei que todas as formas de arte est\u00e3o conectadas. Me considero uma artista multim\u00eddia. A m\u00fasica \u00e9 uma das minhas maiores paix\u00f5es criativas, mas a fotografia foi a primeira linguagem que me fez sentir que eu poderia fazer algo sozinha. O que eu gostava na fotografia era justamente isso: era s\u00f3 eu e a c\u00e2mera. Depois, eu ficava sozinha no laborat\u00f3rio revelando as imagens e decidindo o que fazer com elas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00fasica \u00e9 algo muito compartilhado. Um baixista precisa de um baterista. Uma banda precisa de um est\u00fadio. Um disco precisa de ouvintes. Para uma garota t\u00edmida que jamais imaginava estar diante de milhares de pessoas em um palco, a fotografia era um lugar seguro. Era estar sozinha atr\u00e1s da c\u00e2mera ou no laborat\u00f3rio. A fotografia foi a primeira coisa que achei que poderia fazer no mundo. Depois a m\u00fasica entrou muito rapidamente na minha vida. E entrou de forma inesperada. Eu n\u00e3o planejava entrar para o Hole. Eu sempre digo que o Hole me escolheu. Billy Corgan me encontrou, me recomendou para o Hole, e tudo aconteceu muito rapidamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fotografia era algo que eu fazia desde os 14 anos e que estudei na universidade. Era algo totalmente meu. Eu n\u00e3o precisava de ningu\u00e9m para faz\u00ea-la. Mas quando a m\u00fasica apareceu e eu recebi a oportunidade de tocar em bandas importantes e viajar pelo mundo, todas as minhas linguagens art\u00edsticas come\u00e7aram a se misturar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes do Hole, o assunto das minhas fotografias era eu mesma sozinha em um quarto. Depois que entrei na banda, meus temas passaram a ser os shows, as turn\u00eas, os m\u00fasicos e as plateias. Minha fotografia evoluiu junto com minha carreira musical. Sempre fui escritora tamb\u00e9m. Mantenho di\u00e1rios desde os oito anos de idade. Sempre escrevi sobre meus sentimentos e experi\u00eancias. Ent\u00e3o a escrita sempre esteve presente. Eu escrevia todos os dias. Fotografava todos os dias. E, quando entrei para uma banda, tocava todos os dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para mim, tudo isso faz parte da mesma vida art\u00edstica, embora cada linguagem tenha uma rela\u00e7\u00e3o diferente comigo. O mais incr\u00edvel sobre 2026 \u00e9 que finalmente posso fazer tudo ao mesmo tempo. Meu livro de fotografias ser\u00e1 lan\u00e7ado em setembro junto com uma exposi\u00e7\u00e3o em um museu. Tamb\u00e9m estou fazendo m\u00fasica para acompanhar a exposi\u00e7\u00e3o. Pela primeira vez, fotografia, m\u00fasica e escrita est\u00e3o acontecendo juntas. E sou muito grata por ter chegado a esse momento.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-96294 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/melissa3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/melissa3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/melissa3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea acha que a fotografia ajudou a documentar sua vida emocional de uma forma que a m\u00fasica nem sempre conseguia?<\/strong><br \/>\nA fotografia e a escrita me ajudaram a entender o que estava acontecendo comigo. Elas me ajudaram a processar experi\u00eancias. A fotografia capturava sentimentos complicados e os guardava para mim. Demorei muitos anos para compreender completamente o que vivi aos 20 anos. Quando olho minhas fotografias, vejo algu\u00e9m tentando mostrar \u00e0 c\u00e2mera aquilo que estava sentindo e enxergando. A m\u00fasica \u00e9 muito mais imediata. E, de certa forma, at\u00e9 violenta. Ela \u00e9 extremamente intensa. N\u00e3o existe muito sil\u00eancio na m\u00fasica. N\u00e3o existe muito espa\u00e7o para observar o que voc\u00ea sente. Voc\u00ea simplesmente vive aquilo. J\u00e1 a fotografia e a escrita s\u00e3o silenciosas. S\u00e3o pac\u00edficas. Por isso, elas permitem sentir mais profundamente e entender melhor aquilo que est\u00e1 acontecendo dentro de voc\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No livro voc\u00ea descreve sua rela\u00e7\u00e3o com Courtney Love de uma forma muito humana e \u00edntima, indo al\u00e9m das narrativas criadas pela m\u00eddia na \u00e9poca. O que fez voc\u00ea querer revisitar essa hist\u00f3ria agora?<\/strong><br \/>\nQuando deixei o Hole eu tamb\u00e9m me afastei daquela parte da minha vida. O Hole foi uma experi\u00eancia extraordin\u00e1ria, mas tamb\u00e9m muito dolorosa. Houve muita morte, muita depend\u00eancia qu\u00edmica, muito dinheiro e muita fama sendo jogados sobre a banda. \u201cCelebrity Skin\u201d foi um grande disco, mas tamb\u00e9m foi um disco muito dif\u00edcil de fazer. Minha melhor amiga na banda, Patty (Schemel), a baterista, acabou sendo afastada do \u00e1lbum. Muitas coisas aconteceram naquele per\u00edodo, inclusive a morte do meu pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando sa\u00ed da banda, n\u00e3o queria pensar sobre aquilo durante muito tempo. Corri para muito longe daquela hist\u00f3ria. Eu e Courtney ficamos quinze anos sem nos falar. Mas nos \u00faltimos cinco ou seis anos voltamos a nos aproximar. Ouvi dizer que ela estava muito mais saud\u00e1vel, mais l\u00facida, que a depend\u00eancia qu\u00edmica j\u00e1 n\u00e3o controlava sua vida da mesma forma. Tive muita sorte de poder viver uma segunda vida com Courtney, uma nova amizade. Temos conversado muito, tentando compreender quem \u00e9ramos para n\u00f3s mesmas, quem \u00e9ramos uma para a outra e quem fomos para as mulheres na m\u00fasica naquele per\u00edodo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nos Estados Unidos come\u00e7ou a piorar para as mulheres \u2014 quando come\u00e7aram a amea\u00e7ar direitos reprodutivos ou quando homens acusados de viol\u00eancia sexual passaram a ocupar posi\u00e7\u00f5es de enorme poder \u2014 senti que precis\u00e1vamos nos reconectar com algumas das vozes femininas mais fortes dos anos 1990. Especialmente Courtney. Ela nunca teve medo do poder masculino. Nunca teve medo de enfrentar homens poderosos ou de exigir que mulheres fossem levadas a s\u00e9rio. Senti que o Hole e Courtney precisavam voltar \u00e0 conversa cultural. Precis\u00e1vamos lembrar o que est\u00e1vamos tentando fazer naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para mim, escrever o livro foi um processo de cura pessoal, mas tamb\u00e9m uma forma de recuperar essa hist\u00f3ria e esse significado. Eu queria explicar o que vi acontecer com Courtney. Vi uma mulher extremamente forte, dif\u00edcil, franca e poderosa sendo tratada de forma terr\u00edvel por um mundo muito machista. Muitas garotas, pessoas queer e garotos sens\u00edveis amavam Courtney. Mas muita gente a odiava. Sempre fiquei horrorizada com a forma como uma mulher t\u00e3o forte era tratada. Achei que era meu dever contar o que vi, por respeito a ela, mas tamb\u00e9m por respeito \u00e0s mulheres em geral. As mulheres continuam sofrendo viol\u00eancia, continuam perdendo direitos, continuam sendo v\u00edtimas de guerras e estruturas de poder. Eu senti que era hora de voltar a falar sobre aquilo que est\u00e1vamos tentando fazer: encorajar mulheres a lutar, ocupar espa\u00e7o e controlar suas pr\u00f3prias vidas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Hole - Malibu\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/v0CYB5V9e64?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea sempre foi uma artista que n\u00e3o teve medo de se posicionar. Em um mundo marcado por guerras, divis\u00f5es sociais e pela ascens\u00e3o de ideias reacion\u00e1rias, qual voc\u00ea acredita ser o papel da arte hoje? Voc\u00ea ainda \u00e9 otimista em rela\u00e7\u00e3o ao futuro da humanidade?<\/strong><br \/>\nAcho que o papel da arte e dos artistas continua sendo o mesmo h\u00e1 centenas ou milhares de anos: tornar os seres humanos mais humanos. Fazer as pessoas sentirem seus sentimentos. Fazer as pessoas enxergarem amor, conex\u00e3o, beleza e o poder da experi\u00eancia humana compartilhada. \u00c9 isso que a arte faz. \u00c0 medida que o mundo se torna mais dividido e a gan\u00e2ncia cresce, \u00e0 medida que o capitalismo chega a extremos em que pode influenciar elei\u00e7\u00f5es, financiar guerras e concentrar poder, sinto que artistas t\u00eam uma responsabilidade semelhante \u00e0 dos ativistas da paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Precisamos representar aquilo que existe de mais bonito na experi\u00eancia humana. Precisamos lembrar \u00e0s pessoas que existe algo que nos une. Mesmo quando o mundo est\u00e1 em guerra. Eu tenho sorte. Vivo na Am\u00e9rica do Norte. N\u00e3o existem bombas caindo sobre minha cabe\u00e7a. Mas existem muitas pessoas vivendo exatamente essa realidade agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, penso muito na import\u00e2ncia da m\u00fasica. Eu acompanho aquele professor de m\u00fasica em Gaza que continua ensinando crian\u00e7as a fazer m\u00fasica mesmo sem casas, sem escolas e muitas vezes sem suas fam\u00edlias. Isso mostra o verdadeiro poder da arte. Quando tudo foi perdido, quando n\u00e3o existe mais casa, escola ou seguran\u00e7a, a m\u00fasica ainda pode criar conex\u00e3o. Ainda pode fazer algu\u00e9m sentir que n\u00e3o est\u00e1 sozinho. A arte \u00e9 aquilo que mant\u00e9m as pessoas unidas durante os momentos mais dif\u00edceis.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Melissa Auf der Maur | The Magnificent Others with Billy Corgan\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/v6sbBhrpH3w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em seu livro voc\u00ea descreve Billy Corgan quase como uma figura paterna. Qual foi a li\u00e7\u00e3o mais importante que ele lhe ensinou, como artista e como pessoa?<\/strong><br \/>\nEm primeiro lugar, ele me ensinou atrav\u00e9s da pr\u00f3pria m\u00fasica. Quando vi o Smashing Pumpkins tocar para cerca de vinte pessoas, por um d\u00f3lar, em 1991, aquilo mudou completamente minha compreens\u00e3o do que era poss\u00edvel fazer com m\u00fasica. Foi o que me fez querer pegar um baixo. Essa foi a primeira grande li\u00e7\u00e3o: a inspira\u00e7\u00e3o. A segunda foi observar o quanto ele trabalha. O compromisso dele com a m\u00fasica \u00e9 incompar\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Costumo brincar com uma frase que ele me disse quando entrei no Smashing Pumpkins: &#8220;As tr\u00eas regras s\u00e3o: sem erros, sem dias de folga e n\u00e3o pode ficar doente.&#8221; \u00c9 uma frase meio louca, mas demonstra o n\u00edvel de dedica\u00e7\u00e3o dele. Para Billy, a m\u00fasica sempre esteve acima de tudo. Mas acho que a maior li\u00e7\u00e3o foi simplesmente ser eu mesma. Quando me apresentei para ele aos 19 anos, eu era apenas eu mesma. Uma f\u00e3 de m\u00fasica. Ele respondeu a isso. Ele sempre acreditou em mim porque eu mostrei meu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meu conselho para qualquer pessoa \u00e9: se voc\u00ea ama algu\u00e9m ou ama alguma coisa, diga isso. N\u00e3o esconda. Meu amor pela m\u00fasica acabou criando uma amizade e uma rela\u00e7\u00e3o de mentoria que duram at\u00e9 hoje. Acho que fui a primeira f\u00e3 do Smashing Pumpkins. E Billy me ensinou a seguir aquilo que eu amo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea me disse no in\u00edcio da entrevista que nunca veio ao Brasil para tocar com suas bandas, mas esteve aqui com o Foo Fighters no Rock in Rio de 2001. O que voc\u00ea lembra daquela experi\u00eancia? Lembra que a C\u00e1ssia Eller estava no palco contigo?<\/strong><br \/>\nSim, eu estava l\u00e1. Era anivers\u00e1rio do Dave. Levei um bolo ao palco e todo mundo cantou parab\u00e9ns para ele. Essa \u00e9 a principal lembran\u00e7a que tenho. Tamb\u00e9m me lembro de o Rock in Rio ser o maior festival que eu j\u00e1 tinha visto na vida. Quando voc\u00ea mencionou a cantora brasileira que estava conosco naquele momento, infelizmente n\u00e3o consegui lembrar imediatamente, mas lembro daquela situa\u00e7\u00e3o toda ser muito ca\u00f3tica. O que nunca esqueci foi a dimens\u00e3o do festival e a paix\u00e3o do p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil \u00e9 conhecido no mundo inteiro pelo amor ao rock. Quando fa\u00e7o eventos, lan\u00e7amentos de livros ou encontro f\u00e3s em cidades como Londres, Los Angeles ou Nova York, frequentemente encontro brasileiros. Sempre os reconhe\u00e7o pela paix\u00e3o que demonstram pela m\u00fasica. E sempre quis voltar ao Brasil justamente por causa disso. Lamento muito que o Hole nunca tenha tocado a\u00ed e que eu tamb\u00e9m nunca tenha ido com o Smashing Pumpkins. Mas espero que ainda aconte\u00e7a um dia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Happy Birthday Dave Grohl (Live Rock in Rio)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hsLDmGEOExQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea nasceu no Canad\u00e1, mas tamb\u00e9m viveu em diferentes cidades dos Estados Unidos ao longo da sua carreira. Voc\u00ea acredita que os lugares onde viveu influenciaram diretamente sua vis\u00e3o art\u00edstica e seu processo criativo?<\/strong><br \/>\nCom certeza. Sou muito influenciada pelo ambiente ao meu redor. Cada fase da minha vida em um lugar diferente acabou criando cap\u00edtulos muito diferentes da minha hist\u00f3ria e tamb\u00e9m processos criativos muito diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Los Angeles, por exemplo, foi onde \u201cCelebrity Skin\u201d foi feito. E o disco soa como Los Angeles. Minha vida no Hole teve muito a ver com a Calif\u00f3rnia. Por outro lado, minha cria\u00e7\u00e3o em Montreal foi fundamental para quem eu sou. Como voc\u00ea v\u00ea no livro, dediquei um cap\u00edtulo inteiro \u00e0 cidade onde cresci. Montreal realmente me formou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois vieram Los Angeles e Nova York. E tamb\u00e9m existe um pequeno lugar \u00e0 beira-mar em Massachusetts, ligado \u00e0 fam\u00edlia da minha m\u00e3e. Foi l\u00e1 que escrevi meu segundo disco solo, \u201cOut of Our Minds\u201d (2010). Foi um per\u00edodo muito diferente da minha vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meu primeiro \u00e1lbum solo (\u201cAuf der Maur\u201d, 2004) foi escrito em Nova York. Ent\u00e3o existem cap\u00edtulos muito distintos. Mas, acima de tudo, esses lugares afetam quem eu sou como pessoa. Eles mudam a maneira como me relaciono com o mundo. Sou muito sens\u00edvel ao ambiente em que vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando sobre o mercado musical atual, quem voc\u00ea acredita que carrega hoje o esp\u00edrito ou o legado do Hole, especialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 representa\u00e7\u00e3o feminina no rock?<\/strong><br \/>\nO que mais me chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a quantidade de mulheres tocando guitarra. Seja Olivia Rodrigo ou Gracie Abrams, que est\u00e3o entre os maiores nomes do momento, ou bandas mais pesadas como Wet Leg e Die Spitz, h\u00e1 muitas mulheres empunhando guitarras. Quando comecei a tocar, isso simplesmente n\u00e3o existia nessa escala.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minha filha tem 14 anos e est\u00e1 come\u00e7ando a fazer m\u00fasica. Recentemente tive a oportunidade de lev\u00e1-la para conhecer Olivia Rodrigo depois de um show. E Olivia disse para minha filha que, sem o Hole, artistas como ela talvez n\u00e3o existissem hoje. Foi algo muito poderoso de ouvir. E foi muito importante para minha filha ouvir isso tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque, quando eu estava no Hole, era exatamente isso que eu esperava. Eu trabalhava e me dedicava acreditando que mais mulheres fariam m\u00fasica e que mais mulheres se sentiriam convidadas a fazer m\u00fasica alta, baseada em guitarras. E isso realmente aconteceu. Isso me deixa muito feliz. Tamb\u00e9m me deixa feliz ver minha filha crescer vendo essa realidade. \u00c9 muito bonito.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"1979 - Smashing Pumpkins Live\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/X3piyO5veDI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea acha que uma mulher no rock ainda enfrenta o mesmo tipo de julgamento e press\u00e3o que Courtney Love e outras artistas enfrentavam nos anos 1990? Ou a ind\u00fastria realmente mudou?<\/strong><br \/>\nAcho que mudou. A ind\u00fastria percebeu o quanto as mulheres s\u00e3o poderosas e o quanto as f\u00e3s mulheres s\u00e3o dedicadas. Eles constru\u00edram essa ind\u00fastria para artistas como Olivia Rodrigo, Billie Eilish e Taylor Swift porque enxergaram a paix\u00e3o do p\u00fablico feminino. Mas, para eles, isso \u00e9 neg\u00f3cio. S\u00e3o empresas. E eu nunca espero que empres\u00e1rios fa\u00e7am alguma coisa por qualquer motivo al\u00e9m dos neg\u00f3cios. Eles sabem onde est\u00e1 o dinheiro. E o dinheiro est\u00e1 em mulheres bonitas fazendo m\u00fasica e em jovens garotas comprando essa m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 alguns meses assisti \u00e0 entrevista que Billy Corgan fez com voc\u00ea em seu podcast. Se entendi corretamente, voc\u00ea mencionou a exist\u00eancia de um \u00e1lbum in\u00e9dito gravado com ele. Isso procede?<\/strong><br \/>\nNa verdade, n\u00e3o \u00e9 um \u00e1lbum. S\u00e3o duas m\u00fasicas in\u00e9ditas. N\u00f3s gravamos essas m\u00fasicas enquanto eu estava escrevendo meu segundo disco solo. Tamb\u00e9m tenho muitas demos in\u00e9ditas dos meus dois \u00e1lbuns solo. \u00c9 uma boa pergunta. Preciso pensar sobre isso. Nem sei exatamente onde est\u00e3o algumas dessas grava\u00e7\u00f5es. Tenho algumas mixagens antigas e estranhas guardadas. Talvez um dia elas apare\u00e7am. Talvez eu fa\u00e7a m\u00fasicas novas. Veremos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No seu livro voc\u00ea fala bastante sobre sua rela\u00e7\u00e3o com o misticismo, que \u00e9 outro tema forte do seu relato. Como essa dimens\u00e3o espiritual influenciou seu processo criativo e sua compreens\u00e3o sobre fama e perda?<\/strong><br \/>\nSim. Meus sonhos e minha cren\u00e7a em algo que existe al\u00e9m da experi\u00eancia humana sempre tiveram uma influ\u00eancia enorme na minha vida. Tudo mudou quando eu tinha 19 anos e tive alguns sonhos muito marcantes. Esses sonhos me mostraram o poder dos esp\u00edritos e das mensagens que v\u00eam de al\u00e9m da mente e da experi\u00eancia humana. Eles mudaram completamente o rumo da minha vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu n\u00e3o estaria conversando com voc\u00ea hoje se n\u00e3o tivesse escutado esses sonhos e acreditado neles. Eles me ensinaram tudo sobre m\u00fasica, magia e sobre o tipo de conex\u00e3o que eu teria com esta vida. Eu praticamente recebi a mensagem de que meu papel nesta exist\u00eancia seria me dedicar \u00e0 m\u00fasica. Que seria atrav\u00e9s da m\u00fasica que eu encontraria a forma mais poderosa de me conectar com outras pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez em outra vida eu volte como veterin\u00e1ria e cuidar de animais seja meu caminho. Mas nesta vida ficou muito claro para mim que, se eu quisesse aproveitar ao m\u00e1ximo minha exist\u00eancia, deveria me comprometer com a m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois de revisitar tanto do seu passado enquanto escrevia este livro, o que a Melissa de hoje gostaria de dizer para a Melissa dos anos 1990?<\/strong><br \/>\nQue ela j\u00e1 sabe tudo o que precisa saber. Que ela s\u00f3 precisa confiar em si mesma, ser ela mesma e continuar seguindo seu caminho. Na verdade, ela n\u00e3o precisa de nenhum conselho meu. \u00c9 engra\u00e7ado dizer isso, mas a Melissa jovem tem dado conselhos para mim agora, aos cinquenta anos. Escrever este livro me ajudou a reencontrar parte da magia e da beleza da minha vida na m\u00fasica e da minha vida com as pessoas. Ent\u00e3o eu n\u00e3o tenho grandes conselhos para dar a ela. Al\u00e9m de: siga seus sonhos, escute quem voc\u00ea \u00e9 e acredite em si mesma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea acredita que sua autobiografia ainda possa ganhar uma edi\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas?<\/strong><br \/>\nEu sei que as edi\u00e7\u00f5es em espanhol e franc\u00eas acabaram de ser negociadas. Por enquanto, s\u00e3o as \u00fanicas confirmadas. Gostaria muito que houvesse uma edi\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas. Cresci em um bairro portugu\u00eas em Montreal e adoro o som da l\u00edngua portuguesa. Mas, neste momento, n\u00e3o posso prometer uma edi\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas. Espero que algum editor do mercado lus\u00f3fono apare\u00e7a e torne isso poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes de encerrarmos, gostaria de agradecer pela entrevista. Foi uma honra conversar com voc\u00ea.<\/strong><br \/>\nQuando vi que havia chegado um pedido de entrevista do Brasil, eu disse imediatamente: \u201cPor favor, por favor\u201d. Quase nunca tenho a oportunidade de falar com o Brasil, e isso me deixa triste. Por favor, diga ao Brasil que eu gostaria de conhecer mais f\u00e3s brasileiros de m\u00fasica e que quero visitar o pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu tive acesso ao seu trabalho porque minha esposa um dia, durante a adolesc\u00eancia, me emprestou os CDs do \u201cLive Through This\u201d e do \u201cCelebrity Skin\u201d\u2026<\/strong><br \/>\nQue bom que as mulheres do Brasil encontraram nossa m\u00fasica. Obrigada a elas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Melissa Auf Der Maur &#039;Real a Lie&#039; (HD)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LZDjc07jq_c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Auf Der Maur - Followed The Waves\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/K4LObO91WTA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Melissa Auf der Maur - Followed The Waves- Printemps de Bourges\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qBhFR4C93wA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Hole - Big Day Out 1999 - FULL CONCERT\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/iS4uJJCNcDM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ShockHound Session: Melissa Auf Der Maur (Live)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vydY0-fkMVw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0 escreve no Scream &amp; Yell desde 2014.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mais de trinta anos depois, ela rememora os anos 90 em \u201cEven the Good Girls Will Cry: A \u201990s Rock Memoir\u201d, livro de mem\u00f3rias lan\u00e7ado em mar\u00e7o de 2026 pela editora norte-americana Da Capo.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/06\/15\/entrevista-melissa-auf-der-maur-lanca-livro-de-memorias-e-fala-de-hole-smashing-pumpkins-misticismo-e-feminismo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":96295,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[8266],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96291"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96291"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96291\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":96302,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96291\/revisions\/96302"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96295"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96291"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96291"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96291"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}