{"id":96230,"date":"2026-06-12T10:17:13","date_gmt":"2026-06-12T13:17:13","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=96230"},"modified":"2026-06-12T10:17:13","modified_gmt":"2026-06-12T13:17:13","slug":"eleni-mandell-e-os-desafios-de-uma-artista-veterana-em-atividade-acho-que-estou-me-divertindo-mais-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/06\/12\/eleni-mandell-e-os-desafios-de-uma-artista-veterana-em-atividade-acho-que-estou-me-divertindo-mais-agora\/","title":{"rendered":"Eleni Mandell e os desafios de uma artista veterana em atividade: &#8220;Acho que estou me divertindo mais agora&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/gussdelucca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Guss de Lucca<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em tempos de redes sociais, m\u00fasicos que j\u00e1 est\u00e3o na estrada h\u00e1 algumas d\u00e9cadas e que, em outros momentos, seguiam um caminho das pedras desenhado para a divulga\u00e7\u00e3o de um novo trabalho, podem encontrar dificuldade ao buscar f\u00f3rmulas de promo\u00e7\u00e3o diante de tantas bolhas. Esse \u00e9 o caso da cantora e compositora norte-americana <a href=\"https:\/\/www.elenimandell.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eleni Mandell<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s v\u00e9speras de lan\u00e7ar seu d\u00e9cimo-segundo \u00e1lbum de est\u00fadio, \u201c<a href=\"https:\/\/ffm.to\/eleni-mandell-tailspin.OWE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tailspin<\/a>\u201d (2026), a artista compartilhou com os f\u00e3s, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DYxqjetyh28\/?igsh=b3M2ZnBkOGFvNnpt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no seu perfil do Instagram<\/a>, mat\u00e9rias publicadas em revistas e jornais que guarda em uma caixa de recortes &#8211; e, em tom de desabafo, perguntou aos seguidores onde consomem not\u00edcias sobre m\u00fasica atualmente, pois ela havia esgotado seus contatos e queria muito divulgar seu mais recente disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi exatamente essa publica\u00e7\u00e3o que me instigou a entrar em contato e propor uma entrevista com ela a esse site\u2026 e o resto \u00e9 hist\u00f3ria. Ou melhor, um bate-papo descontra\u00eddo sobre uma carreira prol\u00edfica que tem como pedra fundamental o lan\u00e7amento, em 1998, do \u00e1lbum \u201cWishbone\u201d \u2014 que, a t\u00edtulo de curiosidade, tem uma faixa chamada \u201cTristeza\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"How Will I Know\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AFz_SgAzInw?list=OLAK5uy_lL_57CO3pj-xwexC_rUtwnWfj4pZqGI_c\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Obrigado pela oportunidade de conversar contigo. Antes de come\u00e7ar, gostaria de saber como surgiu <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DYxqjetyh28\/?igsh=b3M2ZnBkOGFvNnpt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a ideia do post que nos fez estar aqui<\/a> e entender como voc\u00ea encara hoje a divulga\u00e7\u00e3o de um novo trabalho, com a influ\u00eancia ou depend\u00eancia das redes sociais \u2014 em compara\u00e7\u00e3o com cen\u00e1rios passados.<\/strong><br \/>\nH\u00e1 fatores bons e ruins sobre como as coisas funcionam hoje em dia. Eu diria que a parte boa \u00e9 que posso ter mais controle e ser mais ativa na divulga\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tenho mais um assessor de imprensa que me coloque em revistas, mas \u00e9 poss\u00edvel que eu esteja alcan\u00e7ando um p\u00fablico maior pelas redes sociais. E estou me divertindo bastante com isso. \u00c9 legal ter uma comunica\u00e7\u00e3o direta com as pessoas. Um f\u00e3 pode entrar em contato e dizer que gostou de algo que eu fiz, o que \u00e9 muito gratificante, e posso ser meio boba, experimentar coisas novas. Ser artista \u00e9 uma performance, ser m\u00fasico \u00e9 parte da performance. Tenho amigos que detestam isso e sentem muita falta do jeito antigo, de como era antes. Mas tamb\u00e9m havia problemas. Eu diria que existem muitos pontos positivos hoje. Ent\u00e3o, estou me divertindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nos anos 90, as maneiras de chegar a um novo artista, ao menos aqui no Brasil, eram lendo revistas especializadas, assistindo \u00e0s faixas n\u00e3o-comerciais da MTV e xeretando nas lojas de discos. A internet facilitou essa busca, mas requer um misto de interesse pelo desconhecido e o acaso. O primeiro CD seu que ouvi, que foi \u201cCountry For True Lovers\u201d (2003), surgiu de uma indica\u00e7\u00e3o em um site de discos usados. Eu havia comprado alguns \u00e1lbuns do Tom Waits e ele me ofereceu uma lista de m\u00fasicos cujos trabalhos tinham inspira\u00e7\u00e3o na obra dele.<\/strong><br \/>\nNossa, isso \u00e9 bem legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ouvi trechos de can\u00e7\u00f5es de todos e as suas m\u00fasicas me instigaram a ponto de comprar o CD e querer saber mais sobre voc\u00ea.<\/strong><br \/>\nRecentemente descobri tr\u00eas grupos novos. Um \u00e9 o <a href=\"https:\/\/www.palehound.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pale Hound<\/a>, de Boston. O outro \u00e9 o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/freakslug\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Freak Slug<\/a>, da Inglaterra. E o terceiro \u00e9 o <a href=\"https:\/\/slipperssss.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Slippers<\/a>, norte-americano. Todas s\u00e3o bandas com vocal feminino de indie pop ou indie rock. Uma delas, a Pale Hound, eu encontrei na XM Radio [esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio online que apoia artistas independentes]. As outras duas foram por causa do algoritmo do Spotify. Qualquer um pode reclamar que n\u00e3o est\u00e1 mais escolhendo o que escuta por conta pr\u00f3pria. Porque as coisas n\u00e3o s\u00e3o mais como eram antes. Mas ainda \u00e9 uma forma que tenho de me conectar com as pessoas e descobrir m\u00fasicas novas. Acho que no momento estou olhando mais para o lado positivo das coisas. E n\u00e3o estou lamentando muito o passado porque, honestamente, eu nunca tive grandes oportunidades l\u00e1 atr\u00e1s. Sempre fui bem underground, ent\u00e3o n\u00e3o mudou muita coisa. Acho que estou me divertindo mais agora. E me sinto bem menos estressada com isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cTailspin\u201d \u00e9 seu d\u00e9cimo-segundo disco de est\u00fadio.<\/strong><br \/>\nObrigada por me dizer isso. Porque as pessoas me perguntam e eu n\u00e3o fa\u00e7o ideia de quantos j\u00e1 lancei. [risos]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foram sete anos entre o trabalho anterior, \u201cWake Up Again\u201d (2019), e esse lan\u00e7amento. Voc\u00ea nunca tinha ficado tanto tempo sem lan\u00e7ar um \u00e1lbum. Como foi essa espera e de onde surgiu a inspira\u00e7\u00e3o para esse novo disco?<\/strong><br \/>\nA pandemia aconteceu e o mundo inteiro meio que parou. E, naquele momento, eu via meu p\u00fablico diminuindo cada vez mais e oportunidades tamb\u00e9m. Ent\u00e3o me senti um pouco aliviada. N\u00e3o precisava ficar mal porque as pessoas n\u00e3o estavam indo aos shows ou porque ningu\u00e9m licenciou uma m\u00fasica minha para um filme ou programa de TV. De repente, est\u00e1vamos todos no mesmo barco. Ningu\u00e9m estava fazendo nada. Ent\u00e3o esse foi o primeiro motivo. Mas eu tamb\u00e9m n\u00e3o me sentia muito inspirada. Estava num relacionamento que n\u00e3o ia muito bem e pensei: talvez eu n\u00e3o seja mais musicista. Simplesmente deixou de ser uma prioridade. Eu tinha que trabalhar e cuidar dos meus filhos. E achei que havia acabado para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o comecei a fazer terapia e logo na primeira consulta disse que eu fui musicista a minha vida inteira, mas que achava que n\u00e3o era mais. E, por acaso, a minha terapeuta \u00e9 artista pl\u00e1stica. Ela disse: &#8220;Espere um minuto. Voc\u00ea precisa voltar a fazer isso. \u00c9 muito importante.&#8221; Ela s\u00f3 repetia: &#8220;\u00c9 muito importante&#8221;. Ao mesmo tempo, Inara George, com quem tenho um projeto paralelo chamado <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/thelivingsisters\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Living Sisters<\/a> \u2014 tamb\u00e9m com Becky Stark e Alex Lilly \u2014 me instigou a fazer um show com outras garotas, uma noite de mulheres cantando juntas, dizendo que eu precisava ser resgatada. Ent\u00e3o Inara e minha terapeuta me ajudaram a voltar. Eu comecei a ter aulas de piano. Terminei o meu relacionamento. E as m\u00fasicas simplesmente jorraram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agrade\u00e7a a Inara e a sua terapeuta por mim.<\/strong><br \/>\nEu as agrade\u00e7o. Geralmente descrevo como se elas tivessem me trazido de volta \u00e0 minha vida, mas foi realmente um grande al\u00edvio. Acho que fiquei muito irritada durante aqueles anos porque n\u00e3o estava sendo eu mesma. E agora posso ser eu mesma novamente.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Eleni Mandell - &quot;Music and Motion&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/w_VeAckTUpo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A primeira faixa de trabalho, \u201cMusic and Motion\u201d, foi lan\u00e7ada com um videoclipe. Qual a import\u00e2ncia deles para a sua m\u00fasica? A impress\u00e3o que tenho \u00e9 que voc\u00ea gosta dessa forma de comunica\u00e7\u00e3o, mas queria saber mais sobre a sua rela\u00e7\u00e3o com essa maneira de apresentar uma can\u00e7\u00e3o de forma visual.<\/strong><br \/>\nEu fui adolescente nos anos 80, quando os videoclipes eram uma parte importante da cultura e da descoberta da m\u00fasica. Me sinto conectada a essa forma de express\u00e3o, porque assistia muito e era algo importante e divertido. Eu tamb\u00e9m quis ser atriz durante a juventude. Achava que esse seria o meu caminho. Ent\u00e3o, quando me tornei cantora e compositora, percebi que ainda podia ser um pouco atriz. Estar no palco \u00e9 atuar de certa forma, \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o. Tudo para dizer que sim, adoro fazer v\u00eddeos. \u00c0s vezes parece trabalhoso, mas tamb\u00e9m \u00e9 muito prazeroso. E estou num momento da vida em que ficou claro que meu prop\u00f3sito \u00e9 fazer arte com meus amigos. \u00c9 algo que me preenche de alegria, conex\u00e3o e senso de comunidade. O v\u00eddeo de \u201cMusic and Motion\u201d foi feito com o Manny Marquez, com quem colaboro h\u00e1 uns 20 anos e que vive em Oklahoma, a uns 3.200 quil\u00f4metros de onde moro. Um amigo dele, aqui de Los Angeles, me filmou cantando. E eu disse para o Manny: &#8220;Acho que voc\u00ea poderia usar imagens de pessoas em movimento e juntar tudo de alguma forma&#8221;. Ent\u00e3o me filmaram, mandamos para ele e, de repente, t\u00ednhamos nosso clipe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando alguns bons anos l\u00e1 atr\u00e1s, em seu primeiro disco, \u201cWishbone\u201d (1998), h\u00e1 uma faixa cujo t\u00edtulo \u00e9 \u201cTristeza\u201d. Como jornalista cuja l\u00edngua materna \u00e9 o portugu\u00eas, n\u00e3o podia deixar de perguntar de onde veio a ideia dessa can\u00e7\u00e3o e se o t\u00edtulo est\u00e1 no nosso idioma ou em espanhol.<\/strong><br \/>\nEu amo idiomas. Amo palavras. Amo o som das palavras e o significado delas. Lembro de ouvir a m\u00fasica \u201cSodade\u201d, quando Ces\u00e1ria \u00c9vora se tornou uma grande sensa\u00e7\u00e3o em Los Angeles. Mas em que ano foi isso? Acho que foi depois\u2026 Me recordo de ouvir can\u00e7\u00f5es em diferentes l\u00ednguas e pensar que &#8220;Tristeza&#8221; soava como um nome feminino, pelo menos em ingl\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Poderia ser um nome feminino em portugu\u00eas, n\u00e3o muito bom pelo significado.<\/strong><br \/>\nSim, sim. Mas acho que eu estava brincando com a linguagem e com a ideia, essa met\u00e1fora de que a tristeza poderia se manifestar como uma mulher. E a\u00ed eu ficava pensando que sempre fui meio apaixonada por algu\u00e9m que n\u00e3o me amava de volta. Ent\u00e3o era tudo uma mistura de sensa\u00e7\u00f5es&#8230; Mas agora eu definitivamente vou me concentrar no portugu\u00eas. \u00c9 uma l\u00edngua realmente linda. Eu adoro.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Eleni Mandell &quot;Tristeza&quot; live at El Lokal, Z\u00fcrich. 28.1.2013\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YeSbHefolO8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pensando na Eleni desse per\u00edodo, a cantora em come\u00e7o de carreira lan\u00e7ando seu primeiro \u00e1lbum, como voc\u00ea avalia hoje essa experi\u00eancia inicial e que paralelos consegue tra\u00e7ar com o lan\u00e7amento de \u201cTailspin\u201d?<\/strong><br \/>\nEu diria que a maior mudan\u00e7a \u00e9 que estou muito mais confiante agora. Fa\u00e7o quest\u00e3o de trabalhar com pessoas de quem gosto e que respeito imensamente, tanto profissionalmente quanto criativamente. E com quem posso ter a liberdade de explorar a minha criatividade com conforto e divers\u00e3o. Isso \u00e9 extremamente importante. Quando comecei, eu pensava: &#8220;Talvez essa seja a minha grande chance&#8221;. Mas a\u00ed os produtores originais abandonaram o projeto sem dar explica\u00e7\u00f5es, antes do trabalho estar conclu\u00eddo, e Brian Kehew entrou em cena e me ajudou a terminar. Ele administrava o est\u00fadio e nos tornamos grandes amigos. Levamos dois anos. E nesse momento veio a minha primeira li\u00e7\u00e3o: trabalhar com pessoas com quem voc\u00ea tenha amizade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem sempre d\u00e1 para ser assim, principalmente quando voc\u00ea est\u00e1 come\u00e7ando. Mas agora, doze \u00e1lbuns depois, eu consigo fazer isso. Sei com quem quero trabalhar. N\u00e3o quero que seja a pessoa mais bem-sucedida, mais famosa e com mais dinheiro. Quero trabalhar com meu amigo Sheldon Gomberg, com quem adoro passar o tempo, tenho conversas significativas e sei que se importa comigo, sabe? Ent\u00e3o, sim, \u00e9 muito bom me sentir mais confort\u00e1vel comigo mesma, mais confiante no que estou fazendo e saber de que tipo de pessoas quero estar rodeada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu gostaria de repassar alguns momentos da sua discografia, tamb\u00e9m como uma forma de apresentar o seu trabalho para novos ouvintes. Depois da estreia com &#8220;Wishbone&#8221;, voc\u00ea lan\u00e7ou os discos &#8220;Thrill&#8221; (2000) e &#8220;Snakebite&#8221; (2001). Pouco tempo separa esses dois trabalhos. O que voc\u00ea pode dizer sobre esse per\u00edodo da sua carreira e sobre esses \u00e1lbuns?<\/strong><br \/>\nDemoramos dois anos para terminar o \u201cWishbone\u201d. E a\u00ed, quando eu e o Brian est\u00e1vamos conversando sobre fazer outro disco, eu disse: &#8220;De jeito nenhum quero levar dois anos&#8221;. E fizemos \u201cThrill\u201d em tr\u00eas semanas. A mesma coisa com o \u201cSnakebite\u201d. Quando penso nesses primeiros \u00e1lbuns, eu estava faminta, animada, triste e desiludida no amor \u2014 emo\u00e7\u00f5es juvenis muito intensas que simplesmente me impulsionavam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando ou\u00e7o esses discos, na maioria das vezes penso: \u201cNossa, eu fui t\u00e3o corajosa. N\u00e3o acredito que gritei daquele jeito em uma grava\u00e7\u00e3o. O que diabos eu estava pensando?\u201d. Tamb\u00e9m gostaria de ter feito escolhas musicais diferentes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sonoridade deles. Lembro-me de dizer na \u00e9poca: \u201cN\u00e3o quero nenhum reverb na minha voz\u201d. E hoje penso que foi uma exig\u00eancia insana. N\u00e3o \u00e9 assim que se faz para soar bem. Existem coisas que eu mudaria. Mas quanto \u00e0 rapidez com que fizemos e \u00e0 inspira\u00e7\u00e3o que senti para continuar avan\u00e7ando, era como se eu estivesse simplesmente vivendo a vida intensamente, cheia de desejo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_96231\" aria-describedby=\"caption-attachment-96231\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-96231\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/eleni_discografia.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/eleni_discografia.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/eleni_discografia-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-96231\" class=\"wp-caption-text\"><em>Discografia de Eleni Mandell<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na sequ\u00eancia, em 2003, veio &#8220;Country for True Lovers&#8221;, que \u00e9 o meu favorito. De onde veio a ideia de gravar um disco inspirado por esse estilo?<\/strong><br \/>\nVoc\u00ea conhece <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=%09Exene\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a banda punk X<\/a>, de Los Angeles?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim.<\/strong><br \/>\nA X foi minha primeira banda favorita. E quando os vi tocar, por volta dos treze anos, eles j\u00e1 eram um grupo bem famoso, e eu pensei: \u00e9 isso que quero fazer. Alguns anos depois, eles lan\u00e7aram um disco com o nome The Knitters (&#8220;Poor Little Critter On The Road&#8221;, de 1985). E essa foi a primeira vez que ouvi m\u00fasica country e entendi que tamb\u00e9m podia gostar desse g\u00eanero. Eu n\u00e3o precisava me limitar a um \u00fanico estilo. Ent\u00e3o comecei a ouvir outros artistas country como George Jones, Buck Owens, The Louvin Brothers, por meio de diferentes pessoas. Foi como se sinais estivessem apontando: v\u00e1 para a esquerda, v\u00e1 para a direita, v\u00e1 para l\u00e1. E, no fim das contas, v\u00e1rios amigos me chamaram para ver o Mike Stinson tocar num clubezinho chamado Cinema Bar, em Los Angeles. Eu j\u00e1 conhecia o Tony Gilkeson, que tocava na banda do Mike. Comecei a ir l\u00e1 toda semana e um dia eu simplesmente disse: \u201cTony, voc\u00ea produziria um disco country para mim?\u201d E ele disse que sim. A\u00ed eu escrevi um monte de m\u00fasicas country e foi assim que aconteceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um adendo que n\u00e3o posso deixar de falar: &#8220;Tell Me Twice&#8221; \u00e9 uma m\u00fasica t\u00e3o divertida e empolgante.<\/strong><br \/>\nS\u00e9rio?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acho que n\u00e3o tem como ouvi-la e ficar parado.<\/strong><br \/>\nMeu pai adorava esse disco. Eu costumava gravar em fita cassete mensagens de voz que as pessoas me deixavam. Eu ficava l\u00e1 com meu gravador, apertava o play na minha secret\u00e1ria eletr\u00f4nica e gravava alguns recados para guardar. E meu pai deve ter deixado umas cinco ou seis mensagens dizendo: \u201cNossa, eu amo esse disco country.\u201d Acho que vou ouvir \u201cTell Me Twice\u201d de novo, porque voc\u00ea \u00e9 a segunda pessoa nos \u00faltimos dias que me lembra desta m\u00fasica.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Tell Me Twice\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5QqJkae8B5g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois, em 2004, voc\u00ea lan\u00e7ou outro \u00e1lbum que eu adoro, \u201cAfternoon\u201d. E isso, novamente, num intervalo de apenas um ano. Voc\u00ea estava em plena produ\u00e7\u00e3o nesse per\u00edodo, n\u00e3o? O que pode me falar desse disco?<\/strong><br \/>\nEu conheci o Joshua Grange durante a grava\u00e7\u00e3o do disco country. Ele tocava guitarra e baixo para o Mike Stinson. Todos faziam parte dessa pequena cena que tinha se desenvolvido ao longo de alguns anos. E o Tony disse: &#8220;Acho que esse cara devia tocar guitarra no seu disco&#8221;. Ent\u00e3o nos conhecemos, viramos amigos e eu acabei ficando apaixonada por ele. A\u00ed eu perguntei se ele queria produzir um \u00e1lbum meu. Ele j\u00e1 tinha trabalhando com a Victoria Williams e me convidou para gravar na casa dela, em Joshua Tree. E foi tudo feito num gravador DAT, bem simples. N\u00e3o era um est\u00fadio chique. Nem era \u00e0 prova de som. Est\u00e1vamos no meio do deserto, numa casa. E foi assim que fizemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois voc\u00ea lan\u00e7ou &#8220;Miracle of Five&#8221; (2007) e &#8220;Artificial Fire&#8221; (2009), seus \u00faltimos trabalhos pela gravadora Zedtone. Como foi fechar esse ciclo de quatro discos num mesmo selo e como voc\u00ea enxerga hoje esses dois \u00e1lbuns?<\/strong><br \/>\nAcho que \u201cMiracle of Five\u201d e \u201cArtificial Fire\u201d s\u00e3o os discos que, de certa forma, ainda fazem parte da minha vida. Acredito que foi porque eu finalmente tinha encontrado minha banda. Est\u00e1vamos em turn\u00ea, ensaiando e parecia muito com o grupo que eu sempre quis ter.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMiracle of Five\u201d \u00e9 um pouco diferente porque apesar de j\u00e1 contar com Kevin Fitzgerald na bateria e Ryan Feves no baixo, teve Woody Jackson e Nels Cline tocando guitarras em algumas partes. Mas quando Nels n\u00e3o p\u00f4de fazer a turn\u00ea comigo, ele indicou o Jeremy Drake \u2014 e ele se tornou meu guitarrista favorito. N\u00f3s quatro [Jeremy, Ryan, Kevin e eu] parec\u00edamos uma fam\u00edlia musical. E eu os amava muito. Me sentia muito pr\u00f3xima deles. Ent\u00e3o fizemos a turn\u00ea do \u201cMiracle of Five\u201d e depois come\u00e7amos a tocar e ensaiar as m\u00fasicas que acabaram entrando no \u201cArtificial Fire\u201d. Esses dois trabalhos s\u00e3o simplesmente incr\u00edveis. Todos os meus \u00e1lbuns s\u00e3o importantes para mim, mas esses dois permanecem muito especiais. Sempre digo que foi como se meu sonho de adolescente finalmente se tornasse realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;I Can See the Future&#8221;, de 2012, marca sua entrada na Yep Roc. E tamb\u00e9m uma grande mudan\u00e7a na sua vida pessoal: a chegada de seus filhos. Eu li que voc\u00ea o gravou aos oito meses de gesta\u00e7\u00e3o. \u00c9 isso mesmo?<\/strong><br \/>\n\u00c9 verdade. Eu tive que voltar e regravar algumas partes porque eu estava t\u00e3o gr\u00e1vida que minha voz soava diferente \u2014 n\u00e3o s\u00f3 pelos horm\u00f4nios, mas tamb\u00e9m por causa do peso que eu tinha ganhado. Minha voz estava muito mais grossa. Por isso, precisei refazer alguns vocais depois que as crian\u00e7as nasceram. Mas foi uma mudan\u00e7a. Eu n\u00e3o conhecia muito bem o produtor, Joe Chiccarelli. Me senti um pouco menos \u00e0 vontade. Ele queria usar um baterista e um tecladista que ele gostava, e eu n\u00e3o os conhecia. No fim, parece que \u00e9 um disco que n\u00e3o me representa tanto. Embora agora eu consiga olhar para tr\u00e1s e apreciar muito mais do que apreciei por v\u00e1rios anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea foi obrigada a confiar nas escolhas dele, que era o produtor na \u00e9poca.<\/strong><br \/>\nComo mulher neste ramo, houve momentos meio clich\u00eas em que senti que meus sentimentos n\u00e3o eram respeitados o suficiente. E nem sempre me senti confort\u00e1vel em ser assertiva e dizer: \u201cDesculpe, mas \u00e9 isso que eu quero\u201d. Achava que tinha que ceder. E isso aconteceu tamb\u00e9m com o \u00e1lbum &#8220;Let&#8217;s Fly A Kite&#8221; (2014), que gravei em Londres com o produtor Neil Brockbank. Eu sabia que indo para a Inglaterra, ele n\u00e3o seria gravado com a minha banda. Seriam as escolhas dele. E em uma faixa, sem a minha presen\u00e7a, ele adicionou uma se\u00e7\u00e3o de cordas. Eu disse que n\u00e3o gostava. E ele respondeu que tinha que estar l\u00e1, pois era um arranjo muito bom e ele achava que eu ia mudar de ideia. E eu pensei: &#8220;Meu Deus, eu gosto tanto dele. Quero preservar nossa amizade. Ent\u00e3o, tudo bem, voc\u00ea pode ter sua se\u00e7\u00e3o de cordas na minha m\u00fasica.&#8221; Mas eu n\u00e3o consigo ouvir essa can\u00e7\u00e3o. Ela simplesmente me d\u00e1 arrepios, sabe? Isso meio que influencia a forma como me sinto em rela\u00e7\u00e3o a grande parte do \u00e1lbum. De novo, eu n\u00e3o me sinto t\u00e3o conectada a esse disco. Pois sinto que n\u00e3o fui ouvida e n\u00e3o me defendi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Novamente voc\u00ea fez uma dobradinha lan\u00e7ando, em 2014 e 2015, &#8220;Let&#8217;s Fly A Kite&#8221; e &#8220;Dark Lights Up&#8221;. De novo um momento de alta produtividade \u2014 e com duas crian\u00e7as pequenas. Deve ter sido puxado esse per\u00edodo.<\/strong><br \/>\nTudo fez sentido para mim na \u00e9poca. Eu tinha minha fam\u00edlia por perto e n\u00e3o ficava horas no est\u00fadio. Todo mundo estava trabalhando profissionalmente em alto n\u00edvel e tudo foi feito com muita agilidade. O \u00e1lbum \u201cDark Lights Up\u201d foi gravado ao vivo, at\u00e9 a minha voz. Isso tornou o processo muito empolgante. Acho que fizemos um dia de ensaio e uns tr\u00eas dias de grava\u00e7\u00e3o \u2014 e foi isso. Ent\u00e3o foi bem r\u00e1pido e divertido.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Eleni Mandell - &quot;Circumstance&quot; (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MI3g9MPE-xQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Wake Up Again&#8221; (2019) foi marcado por uma fase em que voc\u00ea dava aulas de composi\u00e7\u00e3o para detentas em um pres\u00eddio feminino. Como essa experi\u00eancia influenciou esse \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nEu estava ensinando composi\u00e7\u00e3o para elas, mas n\u00e3o tinha um plano ou um curr\u00edculo. Pedia, por exemplo, para que todas escrevessem o que viesse \u00e0 mente sobre elementos como fogo, \u00e1gua, ar\u2026 E compunha enquanto elas desenvolviam suas ideias para mostrar o meu processo. Eu simplesmente pegava um viol\u00e3o e cantava algo de improviso, s\u00f3 para mostrar a elas que d\u00e1 para se divertir. Que n\u00e3o precisa ser a coisa mais significativa que voc\u00ea j\u00e1 fez. Voc\u00ea s\u00f3 escreve e v\u00ea o que acontece. E a\u00ed, algumas delas me diziam coisas que ficavam na minha cabe\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teve uma mulher com quem conversei individualmente sobre o que escrever e eu disse que ela poderia falar sobre por que estava ali ou como se sentia em rela\u00e7\u00e3o a isso. E ela disse: \u201cSimplesmente aconteceu.\u201d E pensei: \u201cNossa, ela est\u00e1 presa para o resto da vida. N\u00e3o \u00e9 algo que aconteceu por acaso.\u201d Eu n\u00e3o conversava com elas sobre suas situa\u00e7\u00f5es, mas captava pequenos fragmentos e, \u00e0s vezes, elas diziam algo que me marcava. Essa conversa se tornou a m\u00fasica \u201cCircumstance\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu ouvi tantas hist\u00f3rias comoventes e tristes. Teve uma mulher chamada Evelyn, que era uma garota jovem, alegre e cheia de energia. Ela tinha uns 21 anos e chegava sempre feliz da vida, me contando o quanto amava a aula. Um dia perguntou se podia trazer uma amiga para quem havia escrito uma can\u00e7\u00e3o, pois a colega estava saindo da pris\u00e3o. Eu concordei. A amiga veio, ela cantou e as duas choraram e se abra\u00e7aram \u2014 e eu pensei em como algu\u00e9m t\u00e3o legal e t\u00e3o feliz acaba na pris\u00e3o. A\u00ed escrevi a letra da faixa \u201cEvelyn\u201d e, no \u00faltimo dia que estive l\u00e1, disse a ela que havia composto uma m\u00fasica com o seu nome. N\u00e3o falei que era sobre ela, pois n\u00e3o tinha certeza de como reagiria. E ela disse: \u201cEspero ouvi-la algum dia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uns seis anos depois, notei que uma mulher chamada Evelyn come\u00e7ou a me seguir no Instagram. Ent\u00e3o mandei uma mensagem e perguntei: \u201cVoc\u00ea fez o meu curso?\u201d. N\u00e3o disse que foi na pris\u00e3o. E ela respondeu que sim e que estava livre. E que as minhas aulas significaram muito para ela, que havia dado muita esperan\u00e7a. Contou que no dia em que saiu da pris\u00e3o, o irm\u00e3o dela estava l\u00e1 segurando uma caixa de som tocando essa m\u00fasica. \u00c9 t\u00e3o devastador e t\u00e3o lindo. Ent\u00e3o posso dizer que foi uma experi\u00eancia muito significativa poder dar algo a essas mulheres e ouvir que isso realmente teve um efeito, um impacto positivo. Pelo menos, com certeza, para a Evelyn.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Eleni Mandell - &quot;Evelyn&quot; (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/P2txPdRwW8M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Finalizando nosso papo eu volto ao lan\u00e7amento de \u201cTailspin\u201d, que aconteceu h\u00e1 poucos dias, e pergunto quais os planos de turn\u00ea e se n\u00f3s, aqui no Brasil (e na Am\u00e9rica do Sul), podemos esperar por uma passagem sua pelo nosso peda\u00e7o.<\/strong><br \/>\nEu adoraria. Tenho um grande amigo com quem trabalhei por muitos anos em Montreal e ele recentemente deixou a gravadora que criou para se dedicar a trazer m\u00fasicos da Am\u00e9rica Latina para tocarem no Canad\u00e1. Ele viaja para pa\u00edses como o Chile, a Col\u00f4mbia e o M\u00e9xico em busca de novos talentos. Acho que ele \u00e9 a pessoa certa. S\u00f3 preciso pedir que fa\u00e7a o processo inverso e me leve at\u00e9 voc\u00eas. Espero muito que isso aconte\u00e7a. Se voc\u00ea puder me levar ao Brasil, eu aprendo uma m\u00fasica em portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vou te enviar algumas op\u00e7\u00f5es de can\u00e7\u00f5es brasileiras que acho que ficariam \u00f3timas na sua voz. E voc\u00ea escolhe uma.<\/strong><br \/>\nEu adoro m\u00fasicas antigas, como as do Gilberto Gil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deixo anotado aqui. E quando publicarmos a entrevista, envio o link a voc\u00ea. Mas vai precisar traduzir.<\/strong><br \/>\nEm portugu\u00eas est\u00e1 perfeito. Me faz parecer mais descolada.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Eleni Mandell - &quot;Man on Fire&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RxtbDocARWQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"My New Song &#039;Lemon Tree&#039; in the wild with Milo Jones\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/s-uApVcxqkk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Eleni Mandell &quot;Make-Out King&quot;\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qRAAfWwVTiA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Guss de Lucca (<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/gussdelucca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@gussdeluca<\/a>) \u00e9 jornalista, historiador e no passado\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/bernardbertrand\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">j\u00e1 foi cartunista do Scream &amp; Yell<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Laura Heffington.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um bate-papo descontra\u00eddo sobre uma carreira prol\u00edfica que tem como pedra fundamental o lan\u00e7amento, em 1998, do \u00e1lbum \u201cWishbone\u201d\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/06\/12\/eleni-mandell-e-os-desafios-de-uma-artista-veterana-em-atividade-acho-que-estou-me-divertindo-mais-agora\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":145,"featured_media":96232,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[8255],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96230"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/145"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96230"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96230\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":96233,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96230\/revisions\/96233"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96232"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96230"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96230"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96230"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}