{"id":96168,"date":"2026-06-08T13:18:00","date_gmt":"2026-06-08T16:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=96168"},"modified":"2026-06-08T13:19:57","modified_gmt":"2026-06-08T16:19:57","slug":"festival-casarao-2026-selvagens-a-procura-de-lei-samuel-bera-band-e-nicles-se-destacam-em-porto-velho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/06\/08\/festival-casarao-2026-selvagens-a-procura-de-lei-samuel-bera-band-e-nicles-se-destacam-em-porto-velho\/","title":{"rendered":"Festival Casar\u00e3o 2026: Selvagens \u00e0 Procura de Lei, MC Marechal, Samuel B\u00e9ra Band e Nicles se destacam em Porto Velho"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/lvinhas78\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a><br \/>\nfotos de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/fitacrepe\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fita Crepe Produ\u00e7\u00f5es<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Completando 26 anos de exist\u00eancia, o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Festival+Casar%C3%A3o\">Festival Casar\u00e3o<\/a>, originado em Porto Velho (RO), \u00e9 filho de uma outra \u00e9poca da produ\u00e7\u00e3o cultural brasileira. E como todos os filhos que crescem, ele pode reter um pouco daquela crian\u00e7a que deu seus primeiros passos no Casar\u00e3o da extinta cidade de Santo Ant\u00f4nio do Madeira, hoje desativado. As mudan\u00e7as pelas quais o festival passa, bem como as adapta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para atravess\u00e1-las e seguir crescendo, s\u00e3o tanto uma resposta ao cen\u00e1rio externo quanto fruto de decis\u00f5es pensadas por seu idealizador e organizador, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/viniciuslemos.ro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vinicius Lemos<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Origin\u00e1rio de uma \u00e9poca em que \u201cindie\u201d ainda era sin\u00f4nimo do som de guitarras, em que a MTV tinha for\u00e7a junto aos ouvintes de diferentes partes do Brasil, de cach\u00eas menos inflados e de custos log\u00edsticos (um pouco) menos desafiadores que os atuais, o Festival Casar\u00e3o chega a um 2026 onde \u201cindie\u201d est\u00e1 mais ligado \u00e0 psicodelia e releitura de brasilidades, onde os nichos cresceram e se intensificaram em grau de isolamento, e onde custos de qualquer natureza se tornaram mais proibitivos \u2013 e veja que nem falamos de m\u00fasica via plataformas, l\u00f3gica algor\u00edtmica, politiza\u00e7\u00e3o acirrada das agendas culturais e outras quest\u00f5es inescap\u00e1veis do mundo atual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quais as respostas que o festival encontrou para navegar por esse mundo? Ser t\u00e3o abrangente quanto poss\u00edvel, ao mesmo tempo que se mant\u00e9m fiel \u00e0 sua ideia de interligar a m\u00fasica autoral da Regi\u00e3o Norte, independentemente da est\u00e9tica que ela traga. Assim, temos artistas n\u00e3o s\u00f3 de Rond\u00f4nia, mas do Acre, do Amazonas e de Roraima, dividindo palco com artistas do Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Sul. E com uma curadoria que vai do pop aut\u00f3ctone aos experimentos com sonoridades locais, do rap ao metal extremo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para dar conta dessa complexidade, o festival tem uma programa\u00e7\u00e3o extensa, dividido em um circuito de shows que come\u00e7a em Porto Velho e se capilariza para Manaus (AM), Rio Branco (AC) e at\u00e9 Bras\u00edlia (DF), estendendo o di\u00e1logo e o alcance, apesar das dificuldades financeiras que isso envolve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 por isso, o festival j\u00e1 mereceria maior aten\u00e7\u00e3o na m\u00eddia sudestina\/sulista, mas em tempos de comunica\u00e7\u00e3o por bolhas, fica dif\u00edcil para alguns prestarem aten\u00e7\u00e3o em iniciativas mais abrangentes. Felizmente, o Scream &amp; Yell p\u00f4de, mais uma vez, acompanhar presencialmente as etapas porto-velhense e manaura do evento, e voc\u00ea encontra essa cobertura nas linhas a seguir.<\/p>\n<figure id=\"attachment_96169\" aria-describedby=\"caption-attachment-96169\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-96169\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/esteban1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/esteban1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/esteban1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-96169\" class=\"wp-caption-text\"><em>Esteban \/ Foto de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/italo.felipe.psd\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Italo Felipe<\/a><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Porto Velho \u2013 Semana da M\u00fasica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/semanamusicacasarao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Semana da M\u00fasica Casar\u00e3o<\/a>, programa\u00e7\u00e3o gratuita com shows, workshops, conversas e outras atividades, j\u00e1 havia come\u00e7ado na sexta, dia 29, com tr\u00eas apresenta\u00e7\u00f5es intimistas, apenas voz e viol\u00e3o, do rondoniense Sandro Bacelar, da acreana Duda Modesto (uma habitu\u00e9 do Casar\u00e3o, e um dos nomes mais interessantes da cena local) e do ga\u00facho Esteban, um nome h\u00e1 muito aguardado pelo p\u00fablico frequentador do festival. O s\u00e1bado foi dedicado ao rap, com um grande n\u00famero de MCs se revezando entre apresenta\u00e7\u00f5es individuais e batalhas, e tendo o encerramento por conta do paulista F\u00e1bio Brazza. O domingo, especialmente interessante, foi dedicado \u00e0s Mulheres da Beira, com artistas da cena local como Gabri\u00ea, Sandra Braids, D\u00e9bora Feliciano, Kryssia, Andressa Silva, DJ Peste, Bloco Eu Te Avisei e As Pastoras do Asfalto. A segunda-feira, 1 de junho, teve tr\u00eas nomes da cena pop rock local (Amezma, Ultimato e Versalle). Todas as apresenta\u00e7\u00f5es ocorreram na frente do Teatro Banzeiros \u2013 que, por sua vez, abrigou oficinas, coletivas de imprensa e bate-papos durante a tarde de cada um desses dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Scream &amp; Yell chegou a Porto Velho na ter\u00e7a, dia 2, com este que vos escreve se juntando aos jornalistas Orlando Lima J\u00fanior e Dennis Weber para o bate-papo \u201cJornalismo e Arte: como a m\u00eddia influencia na identidade cultural?\u201d, seguido por um breve e animado lan\u00e7amento dos livros \u201c<a href=\"https:\/\/editorabarbante.com.br\/produtos\/eu-nem-queria-dar-entrevista-o-melhor-do-scream-yell-vol-1-d59kd\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eu nem Queria Dar Entrevista \u2013 O Melhor do Scream &amp; Yell vol. 1<\/a>\u201d e \u201c<a href=\"https:\/\/editorabarbante.com.br\/produtos\/o-evangelho-segundo-odair-censura-igreja-e-o-filho-de-jose-e-maria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Evangelho segundo Odair<\/a>\u201d. Antes disso, o veterano carioca MC Marechal, o rapper e professor de comunica\u00e7\u00e3o Carlos Mossor\u00f3, e o grafiteiro e educador Gaspar Knyppel protagonizaram um \u00f3timo debate sobre como a arte influencia na forma\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria das periferias brasileiras.<\/p>\n<figure id=\"attachment_96170\" aria-describedby=\"caption-attachment-96170\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-96170\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/versalle.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/versalle.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/versalle-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-96170\" class=\"wp-caption-text\"><em>Versalle \/ Foto: Fita Crepe<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos shows, mais uma vez no palco armado na rua Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio, o peso met\u00e1lico deu o tom. Da cena local, a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/banda_ecdise\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ecdise<\/a> tempera o som gutural (que vai do hardcore ao thrash) com humor e cr\u00edtica social, e o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/daordemaocaos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Da Ordem ao Caos<\/a> veio estreando forma\u00e7\u00e3o nova (com o guitarrista Junior h\u00e1 apenas duas semanas no posto) e vociferando palavras de ordem contra a apatia, a ignor\u00e2ncia e o \u201cgenoc\u00eddio animal\u201d (\u00f3tima \u2013 e tristemente correta \u2013 express\u00e3o). O vocalista M\u00e1rio Vicente \u00e9 uma figura \u00e0 parte: guitarrista de banda de forr\u00f3 e DJ, n\u00e3o se furta de berrar as letras com o timbre caracter\u00edstico do estilo, mas tamb\u00e9m traz alguns momentos de voz mais l\u00edmpida, que permitem entender melhor as letras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O headliner da noite foi o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/matanza_inc\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Matanza Inc<\/a>. O Matanza original participara de duas edi\u00e7\u00f5es do festival, e j\u00e1 tinha constru\u00eddo uma rela\u00e7\u00e3o de afeto e parceria com a organiza\u00e7\u00e3o. Depois da cis\u00e3o, em que o vocalista Jimmy London montou o Matanza Ritual e tr\u00eas outros integrantes formaram o Matanza Inc., coube a esse \u00faltimo manter a proximidade, se apresentando sob essa alcunha em 2022, e agora retornando para a vers\u00e3o completa do circuito \u2013 se apresentariam tamb\u00e9m em todas as outras quatro sedes. Agora, apenas com o guitarrista Donida da forma\u00e7\u00e3o original, a banda chegou com sua sonoridade feia, suja &amp; malvada que faz a alegria dos f\u00e3s, mas n\u00e3o convence quem n\u00e3o entra na pilha do humor da banda. N\u00e3o que isso fosse problema: quem saiu na rua numa noite de calor ameno (para os padr\u00f5es locais) visivelmente era f\u00e3, e viu uma banda bem afiada em seu punk de voca\u00e7\u00e3o metaleira e festiva. Daniel Pacheco tem uma atua\u00e7\u00e3o vocal bem mais interessante e modulada que seu antecessor, Vital Cavalcante, e a cozinha formada pelo batera Marcos Williams e pelo baixista Marcelo Massa faz mais que n\u00e3o deixar a peteca cair, especialmente pelo timbre poderoso e pelas solu\u00e7\u00f5es pouco \u00f3bvias que Massa encontra para o seu instrumento. Uma festa suarenta, com uma roda de pogo formada majoritariamente por garotos (e garotas) que certamente n\u00e3o haviam nascido quando o Matanza estava em seu auge.<\/p>\n<figure id=\"attachment_96171\" aria-describedby=\"caption-attachment-96171\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-96171\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/matanza1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/matanza1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/matanza1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-96171\" class=\"wp-caption-text\"><em>Matanza Inc. \/ Foto: Fita Crepe<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">O leitor mais atento pode ter visto as refer\u00eancias a humor nos tr\u00eas shows e talvez tenha acreditado que se tratou de uma noite de rock engra\u00e7adinho. Nada mais longe da verdade: humor, aqui, se refere ao fato de as tr\u00eas bandas claramente gostarem da sonoridade que escolheram, mas n\u00e3o levarem a s\u00e9rio os clich\u00eas que circundam o estilo. Mesmo o Matanza Inc. (ali\u00e1s, principalmente eles) sabe que aquilo \u00e9 um pretexto para a festa, uma est\u00e9tica de escapismo volunt\u00e1rio e divertido. E \u00e9 importante notar que o Da Ordem ao Caos tem em suas fileiras uma baixista de grande destaque (Angela Gomes), enquanto Marcelo Massa ostentava uma bra\u00e7adeira do arco-\u00edris. Se ainda tem headbanger de cabe\u00e7a fechada por a\u00ed, a culpa n\u00e3o \u00e9 das bandas \u2013 pelo menos, n\u00e3o daquelas selecionadas pela curadoria do Festival Casar\u00e3o e apreciadas pelo p\u00fablico porto-velhense.<\/p>\n<figure id=\"attachment_96172\" aria-describedby=\"caption-attachment-96172\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-96172 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Festival-Casarao-02-06-26-@fitacrepe-27.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Festival-Casarao-02-06-26-@fitacrepe-27.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Festival-Casarao-02-06-26-@fitacrepe-27-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-96172\" class=\"wp-caption-text\"><em>Foto: Fita Crepe<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Porto Velho &#8211; Z\u00e9 Beer &#8211; Dia 1<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Z\u00e9 Beer \u00e9 uma casa ampla, com um agrad\u00e1vel quintal para onde o espectador pode se refugiar quando quiser escapar do poderos\u00edssimo ar-condicionado, fumar um cigarro ou comer um espetinho \u2013 ou at\u00e9 realizar uma batalha informal de rap, como a reportagem testemunhou no in\u00edcio da madrugada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas bem antes disso, o rap j\u00e1 estava no palco Petrobr\u00e1s, com MCs locais que sequer estavam anunciados no lineup se revezando antes do primeiro show \u201coficial\u201d da noite. A rapper <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/jhukaandrade_cantora\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Juhka<\/a> fez uma apresenta\u00e7\u00e3o breve (cerca de 20 minutos), marcada especialmente pela homenagem \u00e0 Dina Di, falecida em 2010. A vers\u00e3o de \u201cMente Engatilhada\u201d, do Vis\u00e3o de Rua (grupo do qual Dina fazia parte), teve vocais divididos com a decana do rap local, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/sandra.braids.oficial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sandra Braids<\/a>, e imagens da homenageada ao fundo. Bela e justa homenagem encerrando uma apresenta\u00e7\u00e3o simples, mas cativante.<\/p>\n<figure id=\"attachment_96173\" aria-describedby=\"caption-attachment-96173\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-96173\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Festival-Casarao-02-06-26-@fitacrepe-15.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Festival-Casarao-02-06-26-@fitacrepe-15.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Festival-Casarao-02-06-26-@fitacrepe-15-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-96173\" class=\"wp-caption-text\"><em>N\u00f3DaMassa \/ Foto: Fita Crepe<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia, o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nodamassaoficial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3DaMassa<\/a> subiu ao palco secund\u00e1rio (no canto oposto ao principal) e veio trazendo seu skate rock direto, quase sem solos, e de vibe pacifista. O vocalista Mael KB compensava o alcance vocal limitado com uma performance en\u00e9rgica, e a objetividade das can\u00e7\u00f5es rendeu uma primeira metade do show interessante, mas a participa\u00e7\u00e3o da cantora Carol Moura cantando duas de suas composi\u00e7\u00f5es mudou o tom para um pop pouco original e um tanto incipiente, e ao fim, restringida pelo tempo de apresenta\u00e7\u00e3o, a banda n\u00e3o retomou o pique.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro momento de grande surpresa \u2013 e tamb\u00e9m um dos melhores show das duas etapas presenciadas pelo Scream &amp; Yell \u2013 veio a seguir. A <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/samuelberaband\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Samuel B\u00e9ra Band<\/a> veio trazendo caboclada, carimb\u00f3 e outros g\u00eaneros amaz\u00f4nicos embaladas em peso, psicodelia, espiritualidade selv\u00e1tica e \u00f3timos refr\u00f5es. Era rock com a verdadeira identidade beradeira \u2013 ou, como dizia Raul Seixas, rock brasileiro, n\u00e3o rock feito no Brasil. Tamb\u00e9m integrante da (boa) banda <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/quilomboclada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Quilomboclada<\/a>, B\u00e9ra se mostra ainda mais \u00e0 vontade no projeto que leva seu nome, e acompanhado por um power trio poderoso, chegou aludindo \u00e0s queimadas na floresta, invocando o curupira e botando todo mundo pra dan\u00e7ar \u2013 tudo isso nos tr\u00eas minutos iniciais. O restante da apresenta\u00e7\u00e3o manteve o tom, incluiu algumas can\u00e7\u00f5es da Quilomboclada, e entregou pelo menos um refr\u00e3o que merecia ser cantado pelo pa\u00eds inteiro: \u201cNa boca de quem presta eu n\u00e3o valho nada\u201d. Se voc\u00ea puder ver, n\u00e3o perca. E se voc\u00ea \u00e9 produtor de shows, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/samuelberaband\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">leve para sua cidade<\/a>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_96175\" aria-describedby=\"caption-attachment-96175\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-96175\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/samuel.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/samuel.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/samuel-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-96175\" class=\"wp-caption-text\"><em>Samuel B\u00e9ra Band \/ Foto: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nos.criativa_\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00d3S<\/a><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rap local voltou ao palco secund\u00e1rio, com <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/carlosguerrajunior\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Carlos Mossor\u00f3<\/a> e Sandra Braids fazendo a sua primeira apresenta\u00e7\u00e3o conjunta oficial. O primeiro \u00e9 potiguar e mora na cidade h\u00e1 quatro anos, mas j\u00e1 vem construindo o seu \u201cRAPente\u201d h\u00e1 anos; enquanto Sandra, como j\u00e1 se disse, \u00e9 uma figura de refer\u00eancia para as manas de Porto Velho. Problemas no som prejudicaram o in\u00edcio da apresenta\u00e7\u00e3o, que se anunciava poderosa, e foram resolvidos apenas parcialmente, com a voz de Sandra muito baixa e interfer\u00eancias constantes no microfone de Mossor\u00f3. Mesmo assim, a dupla conseguiu manter a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico \u2013 j\u00e1 bastante numeroso a essa altura \u2013 trouxe Juhka e outros rappers para o palco, e mostrou um rap que usa a identidade regional para falar de quest\u00f5es globais. Suspeito que Chico Science aprovaria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pisando na cidade pela primeira vez, o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/mcmarechal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">MC Marechal<\/a> se mostrou praticamente um segundo headliner \u2013 isso com metade da programa\u00e7\u00e3o ainda por vir. O apelido \u201cMarechal\u201d vem da adolesc\u00eancia, oriundo do jogo de tabuleiro \u201cCombate\u201d, mas se fosse para dar um t\u00edtulo ao niter\u00f3iense Rodrigo Vieira, o mais justo seria \u201cprofessor\u201d. N\u00e3o porque ele se proponha a palestrar: Marechal ensina pela modula\u00e7\u00e3o aparentemente infinita do seu flow, que jamais se repete ou resvala na obviedade; nas \u00f3timas refer\u00eancias musicais que comp\u00f5em seus beats; na capacidade de contornar eventuais atropelos no som, e na maneira de comandar e cativar o p\u00fablico sem precisar recolher a palavras de ordem.<\/p>\n<figure id=\"attachment_96174\" aria-describedby=\"caption-attachment-96174\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-96174\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Festival-Casarao-02-06-26-@fitacrepe-34.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Festival-Casarao-02-06-26-@fitacrepe-34.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Festival-Casarao-02-06-26-@fitacrepe-34-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-96174\" class=\"wp-caption-text\"><em>Samuel B\u00e9ra Band \/ Foto: Fita Crepe<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 poss\u00edvel que um artista cuja maior parte dos registros \u00e9 informal (ele provavelmente tem mais m\u00fasicas registradas em v\u00eddeos de Youtube do que em grava\u00e7\u00f5es de est\u00fadio) tenha tantas can\u00e7\u00f5es memorizadas pelo p\u00fablico? Como algu\u00e9m t\u00e3o apto ao improviso consegue trazer a sensa\u00e7\u00e3o de familiaridade nas melodias vocais? Como rolou de ele praticamente n\u00e3o ter ensaiado com o local DJ Dedei e ter estabelecido uma sincronia imediata com o mano? Essas s\u00e3o algumas perguntas que v\u00e3o se apresentando ao longo de uma apresenta\u00e7\u00e3o poderosa, h\u00e1 muito aguardada pela cena do rap local, e que cativou at\u00e9 quem n\u00e3o \u00e9 apto ao estilo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do Marechal,a tarefa de dar sequ\u00eancia parecia ingrata, mas os <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/bandaosultimos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Os \u00daltimos<\/a>, de Ariquemes (RO), j\u00e1 gozavam de popularidade entre parte do p\u00fablico, que cantava alguns refr\u00f5es ou arriscava umas dan\u00e7as aqui e ali. O som da banda \u00e9 competente \u2013 em especial os riffs do baixista Rog\u00e9rio Madeira \u2013 e o guitarrista Thiago Maziero \u00e9 um dos mais importantes agitadores da cena local, mas ainda falta alguma coisa ali para as bem-vindas aspira\u00e7\u00f5es pop da banda se concretizarem na pr\u00e1tica. N\u00e3o \u00e9 excel\u00eancia musical \u2013 como se disse, \u00e9 ineg\u00e1vel a habilidade do quarteto, bem como seu apre\u00e7o por boas melodias. Talvez um pouco de ousadia? Um pouco mais de Lulu Santos e menos Jota Quest? Seja como for, segurou com dignidade a energia p\u00f3s-Marechal.<\/p>\n<figure id=\"attachment_96176\" aria-describedby=\"caption-attachment-96176\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-96176\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/ultimos.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/ultimos.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/ultimos-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-96176\" class=\"wp-caption-text\"><em>Os \u00daltimos \/ Foto: Fita Crepe<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">E h\u00e1 quem diga que a energia se manteve em alta com o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/bandazimbra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zimbra<\/a>, que veio na sequ\u00eancia. Os santistas est\u00e3o comemorando 10 anos do \u00e1lbum \u201cAzul\u201d e eram h\u00e1 muito requisitados pelo p\u00fablico porto-velhense. Pedidos atendidos, e a gratid\u00e3o era mostrada com a pista abarrotada (ingressos esgotados, e boa parte das 900 pessoas estava na pista naquele momento). Mas, por mais bem-intencionada que a banda seja, e por mais emocionados que estivessem seus f\u00e3s, a sonoridade do quarteto est\u00e1 em algum lugar entre os filhotes de Los Hermanos e o romantismo adolescente, com at\u00e9 mesmo alguns momentos que remetem ao pop evang\u00e9lico (ou vai dizer que aqueles pans e drones n\u00e3o lembram o worship?). Quando surge algum momento de maior intensidade ou personalidade, ele logo \u00e9 substitu\u00eddo pela placidez p\u00f3s-adolescente que d\u00e1 o tom da banda. \u00c9 uma prega\u00e7\u00e3o que atinge em cheio os convertidos, mas que n\u00e3o dialoga com quem n\u00e3o compactua do mesmo credo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_96177\" aria-describedby=\"caption-attachment-96177\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-96177\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Festival-Casarao-02-06-26-@fitacrepe-110.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Festival-Casarao-02-06-26-@fitacrepe-110.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Festival-Casarao-02-06-26-@fitacrepe-110-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-96177\" class=\"wp-caption-text\"><em>Zimbra \/ Foto: Fita Crepe<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ponteiro amea\u00e7ou subir pra valer com a \u00faltima apresenta\u00e7\u00e3o do palco secund\u00e1rio. O rapper <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/fdoisoficial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">F\u2019Dois<\/a> \u00e9 talvez o artista dessa cena com a identidade art\u00edstica mais rica e s\u00f3lida da regi\u00e3o. Para essa apresenta\u00e7\u00e3o, veio com DJ e um \u00f3timo power trio, e entregou tr\u00eas faixas pesad\u00edssimas, groovadas e com flow muito pessoal. Por\u00e9m, um problema t\u00e9cnico apagou completamente os microfones na que ele chamou Sandra Braids ao palco, e a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguiu solucionar o problema, restringindo a apresenta\u00e7\u00e3o apenas \u00e0quelas tr\u00eas m\u00fasicas. Uma pena; prometia ser um dos grandes momentos da noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos nomes mais proeminentes do rap atual, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/fbctadoido\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">FBC<\/a> veio fechar uma noite rondoniense quase que inteiramente dedicada ao estilo. Embora esteja lan\u00e7ando \u00e1lbum novo, o pesado e furioso \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/05\/06\/entrevista-fbc-fala-sobre-tambores-cafezais-fuzis-guaranas-e-outras-brasilidades-seu-novo-album-voltado-ao-rock\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tambores, Cafezais, Fuzis, Guaran\u00e1s e Outras Brasilidades<\/a>\u201d, o mineiro optou por uma esp\u00e9cie de greatest hits que ignorou completamente o disco mais recente. \u00c9 compreens\u00edvel: embora se apresente habitualmente com banda, veio \u00e0 Porto Velho acompanhado apenas de DJ, e como era a primeira apresenta\u00e7\u00e3o na cidade, provavelmente preferiu compensar a aus\u00eancia (ou talvez jogar no seguro). O come\u00e7o foi meio lento, mas Fabr\u00edcio Teixeira sabe ir do trap ao Miami bass com muita naturalidade, e a segunda metade do show foi dedicada a esse lado mais dan\u00e7ante. Quem segurou a onda madrugada adentro \u2013 praticamente todo mundo \u2013 literalmente dan\u00e7ou. Mas que fez falta trazer um pouco da f\u00faria hardcore do \u00faltimo \u00e1lbum, isso fez.<\/p>\n<figure id=\"attachment_96178\" aria-describedby=\"caption-attachment-96178\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-96178\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Festival-Casarao-02-06-26-@fitacrepe-64.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Festival-Casarao-02-06-26-@fitacrepe-64.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Festival-Casarao-02-06-26-@fitacrepe-64-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-96178\" class=\"wp-caption-text\"><em>FBC \/ Foto: Fita Crepe<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Porto Velho &#8211; Z\u00e9 Beer &#8211; Dia 2<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quinta-feira de feriado come\u00e7ou \u201cquase\u201d na hora \u2013 n\u00e3o foram nem 30 minutos de atraso, e a porto-velhense <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/amandahikague\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Amanda Hikague<\/a> e sua sonoridade inspirada pelo p\u00f3s-grunge e pelo pop de guitarras do come\u00e7o dos anos 00. A mo\u00e7a tem uma boa voz e ideias mel\u00f3dicas interessantes, algumas em parceria com o guitarrista Alex Caldas, mas as letras majoritariamente em ingl\u00eas e a timidez no palco seguram um pouco o potencial que se escuta em suas can\u00e7\u00f5es. Tudo bem: Amanda \u00e9 jovem, e as chances dessas quest\u00f5es se resolverem conforme ela matura seu of\u00edcio s\u00e3o grandes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio de Amanda, que estreava no Casar\u00e3o, a conterr\u00e2nea <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/gabishima\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gabi Shima<\/a> j\u00e1 havia participado de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=casar%C3%A3o\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">edi\u00e7\u00f5es anteriores<\/a>. Gabi segue a voca\u00e7\u00e3o para a tradi\u00e7\u00e3o de cantautora \u00e0 brasileira: \u00e9 consciente de seu alcance vocal, e comp\u00f5e can\u00e7\u00f5es adequadas para sua voz, que remetem tanto ao pop nacional de boa cepa quanto, em alguns momentos pontuais, ao folk rock. O que compromete s\u00e3o os excessos do guitarrista Felipe Macedo, esbanjando virtuosismo onde ele n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio e pesando a m\u00e3o em solos e firulas que nada acrescentam \u00e0s can\u00e7\u00f5es. Ainda assim, uma boa apresenta\u00e7\u00e3o, que contou com breve (e apagada) canja de Bonfanti, que mais tarde subiria ao palco para uma apresenta\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n<figure id=\"attachment_96179\" aria-describedby=\"caption-attachment-96179\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-96179\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/nicles.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/nicles.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/nicles-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-96179\" class=\"wp-caption-text\"><em>Nicles \/ Foto: Fita Crepe<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m estreantes no Casar\u00e3o, o quarteto <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/niicles\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nicles<\/a> mudou o tom e o volume da noite: com um peso que suas grava\u00e7\u00f5es de est\u00fadio apenas sugerem, os acreanos fizeram um dos shows mais impressionantes do festival. O vocalista Quilrio se porta como algu\u00e9m que recebeu um diagn\u00f3stico fatal e decide soltar tudo que reprimiu ao longo de toda a vida para compensar o tempo perdido. Os m\u00fasicos \u2013 a baixista Isabel Darah, o guitarrista Marcos Casas e o baterista Dhonatan \u2013 ficam naquela vibe de quem est\u00e1 curtindo na deles, mas em sintonia com o companheiro, criando aquele carisma \u201cgente como a gente \u2013 s\u00f3 que mais doida\u201d. \u201cA Voz\u201d traz elementos beiradeiros, e junto com \u201cCoito Interrompido\u201d, formam dois pontos de destaque num repert\u00f3rio pra l\u00e1 de digno. Bela e promissora surpresa!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPromissor\u201d tamb\u00e9m cabe aos manauaras <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nexistesdd\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00e3o Existe Saudade em Ingl\u00eas<\/a>. A base do som \u00e9 o indie do in\u00edcio do s\u00e9culo (Strokes, Arctic Monkeys\u2026 voc\u00ea conhece o esquema), mas devidamente atualizado pela perspectiva do tempo. Procuram registrar suas can\u00e7\u00f5es ao vivo em est\u00fadio, e isso ajuda para que sejam uma das bandas nortistas que melhor transp\u00f5em para as plataformas de streaming o que acontece no palco. As letras soam como pequenos coment\u00e1rios entre o cotidiano e o existencial, numa linguagem simples e direta, e que orna com os riffs. Em algum momento, lembrei dos ga\u00fachos da Superv\u00e3o \u2013 \u201cDias Ruins\u201d faria uma boa dobradinha com \u201cLove e V\u00edcio em Sunshine\u201d. Delicinha de show.<\/p>\n<figure id=\"attachment_96180\" aria-describedby=\"caption-attachment-96180\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-96180\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Festival-Casarao-04-06-26-@fitacrepe-116.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Festival-Casarao-04-06-26-@fitacrepe-116.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Festival-Casarao-04-06-26-@fitacrepe-116-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-96180\" class=\"wp-caption-text\"><em>N\u00e3o Existe Saudade em Ingl\u00eas \/ Foto: Fita Crepe<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/benvindoaopacifico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Benvindo ao Pac\u00edfico<\/a> navela naquela escola Muse de buscar conciliar peso e grandiosidade, com um grunge aqui e um post rock de leve ali. \u00c9 curioso que eles mesmo definam seu som como uma mistura de rock, MPB e ritmos regionais, porque o primeiro elemento \u00e9 o protagonista disparado, enquanto os outros podem at\u00e9 entrar como inspira\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o se fazem notar no resultado final. \u00c9 um power trio firme, e que trabalha muito bem o que seus instrumentos e pedais t\u00eam a oferecer (os timbres realmente merecem destaque), mas faltam bons refr\u00f5es e uma identidade mais particular que os tire do espa\u00e7o de mera compet\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois deles, o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/selvagensaprocuradeleioficial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Selvagens \u00e0 Procura de Lei<\/a> veio como uma esp\u00e9cie de \u201csegundo headliner\u201d, embora fosse o antepen\u00faltimo da noite. A cis\u00e3o que separou a forma\u00e7\u00e3o mais conhecida da banda machucou o vocalista e guitarrista Gabriel Arag\u00e3o, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/07\/16\/do-racha-ao-renascimento-gabriel-aragao-detalha-o-novo-momento-dos-selvagens-a-procura-de-lei\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">como ele contou de peito aberto ao Scream &amp; Yell<\/a>, mas tamb\u00e9m lhe deu f\u00f4lego renovado, compartilhado com entusiasmo pelos novos parceiros \u2013 Matheus Brasil (bateria), Pl\u00ednio C\u00e2mara (guitarra) e Jonas Rio (baixo). Abriram o show com \u201cBrasileiro\u201d, garantindo que os poucos que ainda estavam na \u00e1rea externa do Z\u00e9 Beer fossem imediatamente para a pista, e seguraram a onda com a face mais pesada e\/ou acelerada do seu repert\u00f3rio, muitas delas favoritas dos f\u00e3s. O Selvagens sempre foi uma banda que, \u201cbem editada\u201d, tinha mais for\u00e7a que em seus \u00e1lbuns, bastante irregulares. O \u00faltimo, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/05\/09\/faixa-a-faixa-gabriel-aragao-apresenta-y-o-novo-disco-da-selvagens-a-procura-de-lei\/\">Y<\/a>\u201d (2025), \u00e9 certamente o trabalho mais consistente da banda, e suas can\u00e7\u00f5es entram no setlist ajudando a costurar uma identidade mais forte e assertiva ao repert\u00f3rio. Oxal\u00e1 a banda siga explorando os caminhos abertos por essa trilha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas para este rep\u00f3rter, o fim do show seria o fim da primeira noite. Ainda haveria Bonfanti e C\u00edcero encerrando a data, mas eu tinha que seguir para o aeroporto para uma noite insone de conex\u00f5es aeroportu\u00e1rias que me levariam para a etapa Manaus do festival. Ent\u00e3o bora que ainda tem mais duas noites intensas pela frente\u2026<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-96181 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/selvagens.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1125\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/selvagens.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/selvagens-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) \u00e9 produtor e<\/em><em>\u00a0autor do livro \u201c<a href=\"https:\/\/editorabarbante.com.br\/produtos\/o-evangelho-segundo-odair-censura-igreja-e-o-filho-de-jose-e-maria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Evangelho Segundo Odair: Censura, Igreja e O Filho de Jos\u00e9 e Maria<\/a>\u201c.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Completando 26 anos de exist\u00eancia, o Festival Casar\u00e3o, originado em Porto Velho (RO), \u00e9 filho de uma outra \u00e9poca da produ\u00e7\u00e3o cultural brasileira.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/06\/08\/festival-casarao-2026-selvagens-a-procura-de-lei-samuel-bera-band-e-nicles-se-destacam-em-porto-velho\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":96182,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,3],"tags":[8249,8248,6660,7755,5948,5693,8250,6650,8245,5733,3635,8247,5722,5728,8246,7762,914,1872,7900],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96168"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96168"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96168\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":96187,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96168\/revisions\/96187"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96182"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96168"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96168"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96168"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}