{"id":96141,"date":"2026-06-05T01:03:24","date_gmt":"2026-06-05T04:03:24","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=96141"},"modified":"2026-06-05T01:10:55","modified_gmt":"2026-06-05T04:10:55","slug":"entrevista-horsegirl-coroa-fim-da-faculdade-com-turne-e-discute-como-o-amadurecimento-culminou-em-album-minimalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/06\/05\/entrevista-horsegirl-coroa-fim-da-faculdade-com-turne-e-discute-como-o-amadurecimento-culminou-em-album-minimalista\/","title":{"rendered":"Penelope Lowenstein (Horsegirl): &#8220;A m\u00fasica de guitarra est\u00e1 vivendo uma pequena crise, mas continua sendo algo muito empolgante&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/helocoptero\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Helo\u00edsa Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banda Horsegirl, de Chicago, abriu o terceiro dia do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=c6fest\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">C6 Fest<\/a>, no Parque Ibirapuera, em S\u00e3o Paulo. A tarde do s\u00e1bado, 23, tinha o clima que costuma assombrar qualquer frequentador de festival \u2014 frio e chuva \u2014, mas a Tenda MetLife deu conta do p\u00fablico que come\u00e7ava, aos poucos, a ocupar o espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No palco, o trio formado por Penelope Lowenstein, Nora Cheng e Gigi Reece apresentou can\u00e7\u00f5es de seu \u00e1lbum mais recente, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/03\/27\/musica-phonetics-on-and-on-horsegirl-ou-tres-garotas-que-querem-salvar-o-rocknroll\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Phonetics On an On<\/a>\u201d (2025), e de seu disco de estreia, \u201cVersions of Modern Performance\u201d (2022), al\u00e9m de faixas in\u00e9ditas. Ao longo do show de cerca de 1h, Gigi se divertiu na bateria, a plateia arrancou sorrisos discretos de Nora, enquanto Penelope se arriscou no portugu\u00eas entre uma m\u00fasica e outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao fim da apresenta\u00e7\u00e3o, Lowenstein recebeu o Scream &amp; Yell nos bastidores. Antes de se sentar para iniciar a entrevista, ela brincou dizendo que ainda estava se acostumando ao modo como os brasileiros cumprimentam: \u201cNunca sei se devo dar um aperto de m\u00e3o ou um beijo na bochecha\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A guitarrista \u00e9 a integrante mais nova do grupo e acabou de se formar na Universidade de Nova York, pouco depois de Cheng concluir seu curso na mesma institui\u00e7\u00e3o. Junto a Reece, elas passaram a morar na cidade que nunca dorme para estudar. At\u00e9 2025, planejavam retornar para Chicago, onde nasceram e iniciaram a carreira musical, \u201cs\u00f3 que Nova York \u00e9 uma cidade muito especial\u201d, disse Lowenstein, ao revelar que a banda se mudou para um novo apartamento no Brooklyn.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois dias ap\u00f3s a estreia no Brasil, o grupo fez uma apresenta\u00e7\u00e3o gratuita no Mam\u00e3e Bar. \u201cAgora que o show acabou, \u00e9 hora das f\u00e9rias. Vamos s\u00f3 curtir com os nossos amigos e conhecer a cidade\u201d, contou a artista. Ela demonstrou interesse em ir ao show do Manu Chao, durante a Virada Cultural, e ainda comparou S\u00e3o Paulo \u00e0 sua casa: \u201cSinceramente, me lembra bastante Nova York\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A guitarrista conversou tamb\u00e9m sobre o equil\u00edbrio entre as dores da vida adulta e as del\u00edcias da vida na estrada, passando pela parceria com Cate Le Bon e o amadurecimento que levou o trio a assumir uma sonoridade mais minimalista. Confira a seguir a entrevista com Horsegirl na \u00edntegra:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Horsegirl - Switch Over - Mam\u00e3e Bar, S\u00e3o Paulo - 25 de maio de 2026 (Danger Boss)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-ZnarnQvjew?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E a\u00ed, como foi o show?<\/strong><br \/>\nMeu Deus, incr\u00edvel! Sinto que ainda estou tentando absorver tudo at\u00e9 agora. Mas \u00e9 t\u00e3o louco\u2026 Eu estava l\u00e1 em cima pensando: \u201cN\u00e3o acredito que estamos tocando no Brasil\u201d. \u00c9 a nossa primeira vez aqui na Am\u00e9rica do Sul, ent\u00e3o \u00e9 muito especial, sinceramente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea acha que a temperatura e a atmosfera estavam ideais para apresentar esse \u00e1lbum ao vivo? Isso lembrou voc\u00eas da \u00e9poca em que estavam gravando em Chicago?<\/strong><br \/>\nAcho que a chuva e a temperatura aqui est\u00e3o bem diferentes do que eu esperava. Em Nova York, onde a gente mora, est\u00e1 fazendo uns 90 \u00baF [cerca de 32 \u00baC] agora, muito calor. N\u00f3s colocamos roupas de ver\u00e3o na bagagem para essa viagem, mas, quando chegamos aqui, percebi que podia at\u00e9 tocar usando meu cachecol. Na verdade, isso me fez sentir meio que em casa, porque normalmente \u00e9 assim que a gente se veste. Al\u00e9m disso, a chuva, junto com toda essa vegeta\u00e7\u00e3o daqui\u2026 \u00c9 algo muito bonito. Ent\u00e3o, sinceramente, eu n\u00e3o fiquei chateada com a chuva. Mas, \u00e9, foi diferente do que eu imaginava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa \u00e9 a primeira vez de voc\u00eas no Brasil. Voc\u00eas t\u00eam planos de explorar a regi\u00e3o? E quais t\u00eam sido as impress\u00f5es de voc\u00eas at\u00e9 agora?<\/strong><br \/>\nAt\u00e9 agora, eu tenho amado tudo. Temos alguns amigos aqui de Nova York, que s\u00e3o de S\u00e3o Paulo e fizeram faculdade em Nova York. Ent\u00e3o, a gente tem sa\u00eddo com pessoas que realmente moram aqui. E tem sido muito divertido. Sinceramente, me lembra bastante Nova York. A vida noturna, todo mundo na rua, as pessoas meio doidas. Tem sido muito legal. E, hoje \u00e0 noite, vou tentar assistir ao Manu Chao. Ele vai fazer um show gratuito, e a gente pretende aproveitar v\u00e1rias outras coisas gratuitas por aqui.<\/p>\n<figure id=\"attachment_96142\" aria-describedby=\"caption-attachment-96142\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-96142\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/2026-05-23-01-Horsegirl-3000px-113.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/2026-05-23-01-Horsegirl-3000px-113.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/2026-05-23-01-Horsegirl-3000px-113-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-96142\" class=\"wp-caption-text\"><em>Penelope Lowenstein \/ Foto de Fernando Yokota<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estamos no final de semana de um evento chamado Virada Cultural. Acontecem v\u00e1rios shows e atividades gratuitas pela cidade.<\/strong><br \/>\nUau! Parece que estamos aqui durante uma semana realmente especial para a cidade. Vamos ficar aqui por mais tr\u00eas dias. Agora que o show acabou, \u00e9 hora das f\u00e9rias. Vamos s\u00f3 curtir com os nossos amigos e conhecer a cidade. Ent\u00e3o, estou muito animada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tenho forma\u00e7\u00e3o em jornalismo, mas agora estou estudando hist\u00f3ria. \u00c0s vezes, quando estou escrevendo um texto acad\u00eamico, preciso tomar cuidado para n\u00e3o acabar escorregando para uma escrita mais jornal\u00edstica, por exemplo. Ent\u00e3o, voc\u00ea sente que a faculdade ajudou a expandir a forma como voc\u00ea escreve m\u00fasicas, ou v\u00ea a composi\u00e7\u00e3o como algo completamente diferente?<\/strong><br \/>\nAcho que essa \u00e9 uma \u00f3tima pergunta, porque tenho pensado muito sobre isso. Tipo, ler poesia e depois escrever letras de m\u00fasica. Eu amo poesia, mas tamb\u00e9m acho que letras s\u00e3o poesia. S\u00f3 que, ao mesmo tempo, \u00e0s vezes, uma m\u00fasica precisa ser mais direta do que um poema. \u00c0s vezes, uma can\u00e7\u00e3o \u00e9 mais impactante quando a letra \u00e9 simplesmente sincera e um pouco mais intuitiva do que talvez um poema seja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, a forma como fui treinada para ler literatura \u00e9 muito baseada na ideia de que cada palavra importa e que devo focar na forma, sabe? \u00c9 uma perspectiva muito anal\u00edtica. Mas acho que, quando voc\u00ea est\u00e1 fazendo arte, n\u00e3o quer ficar se analisando enquanto escreve. Voc\u00ea quer que aquilo seja mais sincero. Ent\u00e3o, eu tento n\u00e3o analisar demais o que estou criando enquanto estou trabalhando, porque sinto que s\u00e3o estados mentais muito diferentes e, de certa forma, trabalhos diferentes tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, sinto que sou mais inspirada pelo que leio do que algu\u00e9m que realmente aplica aquilo que aprende diretamente no processo de fazer arte. Porque, sen\u00e3o, voc\u00ea acaba pensando demais sobre tudo, eu acho.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Horsegirl - &quot;Rock City&quot; (Official Lyric Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_2Q3W0bQH7I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quando a Nora se formar, voc\u00eas pretendem voltar para Chicago, certo?<\/strong><br \/>\nNa verdade, eu sou a \u00faltima a me formar. Sou a mais nova. E me formei na semana passada. Ent\u00e3o, agora terminamos tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parab\u00e9ns!<\/strong><br \/>\nObrigada! Foi tipo: formatura e logo depois a gente veio direto para c\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 uma \u00f3tima forma de celebrar.<\/strong><br \/>\nEu sei, eu sei. \u00c9 muito bom j\u00e1 ficar ocupada imediatamente depois, sabe? Mas n\u00e3o vamos voltar para Chicago. N\u00f3s acabamos de nos mudar para um apartamento novo no Brooklyn e queremos ficar l\u00e1 pelo m\u00e1ximo de tempo que conseguirmos pagar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu amo Chicago. Acho que vou voltar para casa mais para frente. S\u00f3 que Nova York \u00e9 uma cidade muito especial. E a gente se sente muito conectade com o lugar agora, depois de morar l\u00e1 por uns quatro ou cinco anos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_96143\" aria-describedby=\"caption-attachment-96143\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-96143\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/2026-05-23-01-Horsegirl-3000px-122.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/2026-05-23-01-Horsegirl-3000px-122.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/2026-05-23-01-Horsegirl-3000px-122-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-96143\" class=\"wp-caption-text\"><em>Gigi Reece \/ Foto de Fernando Yokota<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como voc\u00eas lidam com o equil\u00edbrio entre a carreira musical \u2014 um universo t\u00e3o particular \u2014 e as responsabilidades da vida adulta que afetam todo mundo?<\/strong><br \/>\nAcho que fazemos um bom trabalho equilibrando isso. A gente escolheu continuar estudando e ter uma vida al\u00e9m da m\u00fasica. Acho que muita gente que assina contrato muito jovem acaba dizendo \u201csim\u201d para toda oportunidade, porque se sente muito sortuda por poder fazer aquilo. E a\u00ed, quando chega aos 25 anos, j\u00e1 est\u00e1 completamente exausto e meio que nunca construiu amizades com pessoas que n\u00e3o sejam m\u00fasicos em turn\u00ea. Acho que pode ser muito isolador ser sugado pela rotina de shows t\u00e3o cedo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas sentimos que somos muito conectades \u00e0 vida em Nova York, e acho que isso faz com que a gente sempre volte para casa e mantenha rela\u00e7\u00f5es que n\u00e3o t\u00eam a ver apenas com m\u00fasica, turn\u00eas ou a ind\u00fastria musical. Acho importante cercar-se de pessoas que fazem coisas completamente diferentes, n\u00e3o s\u00f3 m\u00fasica e n\u00e3o apenas o seu pequeno c\u00edrculo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, acho que isso nos manteve com os p\u00e9s no ch\u00e3o. E tamb\u00e9m, sei l\u00e1, quando eu estiver de volta em Nova York, quero dar aulas para estudantes do ensino m\u00e9dio. Acho que nossos interesses s\u00e3o bem amplos, e eu n\u00e3o me vejo como algu\u00e9m que vai viver na estrada para sempre \u2014 por mais incr\u00edvel que isso seja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Assim como eu, voc\u00eas fazem parte da gera\u00e7\u00e3o Z, mas a m\u00fasica de voc\u00eas n\u00e3o est\u00e1 exatamente ligada ao tipo de pop mainstream que \u00e9 extremamente popular entre pessoas da nossa idade. De onde v\u00eam as influ\u00eancias de voc\u00eas? E como foi abrir shows para algumas das suas pr\u00f3prias refer\u00eancias, como Pavement e Wilco?<\/strong><br \/>\nAcho que tivemos uma grande evolu\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s nossas influ\u00eancias. Quando \u00e9ramos mais jovens, absorv\u00edamos m\u00fasica o tempo inteiro \u2014 \u00e9ramos completamente obcecades por m\u00fasica \u2014 e est\u00e1vamos processando tudo aquilo que am\u00e1vamos. Especialmente naquela \u00e9poca, tivemos muitas oportunidades de tocar com bandas mais velhas. Isso ensinou muita coisa para a gente. Colocou a banda diante dos maiores p\u00fablicos para os quais j\u00e1 t\u00ednhamos tocado, e foi muito gratificante \u2014 e ainda nos sentimos assim. Mas acho que hoje falamos menos sobre essas refer\u00eancias, porque agora estamos tentando olhar mais para n\u00f3s e pensar: &#8220;O que queremos construir? Algo diferente de qualquer d\u00e9cada do passado?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que a m\u00fasica de guitarra est\u00e1 vivendo uma pequena crise atualmente, porque \u00e9 dif\u00edcil fazer com que ela soe realmente nova. Mas, para mim, a guitarra continua sendo algo muito empolgante. Ent\u00e3o, tento pensar menos nas minhas influ\u00eancias de forma t\u00e3o espec\u00edfica, porque, sen\u00e3o\u2026 Acho que \u00e9 dif\u00edcil para a gera\u00e7\u00e3o Z entender o que criar que pare\u00e7a novo. A internet \u00e9 uma influ\u00eancia enorme para a nossa gera\u00e7\u00e3o, mas, ao mesmo tempo, eu n\u00e3o quero fazer m\u00fasica eletr\u00f4nica \u2014 s\u00f3 que ainda quero que o som pare\u00e7a contempor\u00e2neo. E isso \u00e9 um desafio. Ainda estamos descobrindo esse caminho.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Horsegirl - &quot;2468&quot; (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YF1odzEHAAY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como seus pais ajudaram a tornar esse sonho poss\u00edvel?<\/strong><br \/>\nCresci em uma cidade grande e, por causa disso, via muitas bandas o tempo inteiro. Existe muita m\u00fasica em Chicago. E isso simplesmente fez com que eu quisesse estar em uma banda. Crescer em um ambiente t\u00e3o musical torna quase imposs\u00edvel n\u00e3o acabar montando uma banda em algum momento. Na verdade, S\u00e3o Paulo \u00e9 um lugar bem parecido. \u00c9 quase imposs\u00edvel n\u00e3o estar em uma banda quando todo mundo est\u00e1 em uma banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, meu irm\u00e3o tamb\u00e9m toca em uma banda. Durante a pandemia, a gente passava o dia inteiro ensaiando. Tudo o que eu fazia era tocar m\u00fasica no por\u00e3o da casa dos meus pais. Era muito barulhento. E meus pais precisavam trabalhar de casa por causa da pandemia, mas nunca reclamaram. Eles s\u00f3 ficavam felizes porque n\u00f3s est\u00e1vamos felizes e deixaram a gente construir nosso pr\u00f3prio espa\u00e7o l\u00e1 embaixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos pais jamais permitiriam isso. E acho que meus pais tamb\u00e9m nunca julgaram o caminho que escolhi seguir. Eles sempre me deram bons conselhos, tipo: \u201cFa\u00e7a o que te faz feliz\u201d. Mas nunca disseram algo como: &#8220;Voc\u00ea precisa ter sucesso na ind\u00fastria musical\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, eu nunca senti essa press\u00e3o. E acho que isso me permitiu seguir por esse caminho sem sentir que precisava virar uma estrela. Enquanto eu amar o que fa\u00e7o e estiver feliz, eles tamb\u00e9m ficam felizes. Eles n\u00e3o se metem muito, e eu gosto disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cPhonetics On and On\u201d saiu pouco tempo depois do \u00e1lbum de estreia de voc\u00eas, mas voc\u00eas j\u00e1 tinham passado por grandes mudan\u00e7as pessoais. Nora e voc\u00ea foram para a faculdade, enquanto Gigi se assumiu como uma pessoa n\u00e3o bin\u00e1ria. Como essas experi\u00eancias moldaram o \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nAcho que crescemos muito. Tudo isso fazia parte do processo de amadurecer. Quando escrevemos muitas das m\u00fasicas do \u201cVersions of Modern Performance\u201d, eu tinha 16, 17 anos. Eu nunca tinha me apaixonado, por exemplo. Essas experi\u00eancias transformam completamente a forma como voc\u00ea enxerga tudo. Acho que as experi\u00eancias pessoais pelas quais voc\u00ea passa entre os 17 e os 21, 22 anos acabam sendo literalmente tudo. Por isso, faz sentido para mim que tenhamos feito dois trabalhos t\u00e3o diferentes. A gente simplesmente n\u00e3o conseguia mais fazer aquilo que fazia no ensino m\u00e9dio, porque j\u00e1 nos sent\u00edamos pessoas completamente diferentes daquela \u00e9poca.<\/p>\n<figure id=\"attachment_96144\" aria-describedby=\"caption-attachment-96144\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-96144\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/2026-05-23-01-Horsegirl-3000px-124.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/2026-05-23-01-Horsegirl-3000px-124.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/2026-05-23-01-Horsegirl-3000px-124-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-96144\" class=\"wp-caption-text\"><em>Nora Cheng \/ Foto de Fernando Yokota<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como surgiu a conex\u00e3o de voc\u00eas com Cate Le Bon? E como foi ter uma perspectiva externa sobre o trabalho de voc\u00eas durante o processo de produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nAcho que j\u00e1 t\u00ednhamos dito em uma entrevista, anos atr\u00e1s, que, se pud\u00e9ssemos trabalhar com qualquer pessoa, seria com a Cate. Fizemos essas demos gravadas em casa, e nossa equipe disse: \u201cAcho que a Cate seria uma influ\u00eancia muito boa aqui. Tipo, voc\u00eas t\u00eam interesse em minimalismo e tudo mais\u2026\u201d Ent\u00e3o, eles entraram em contato com ela. E, sinceramente, isso transformou completamente a forma como eu enxergo m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trabalhar com ela foi como a melhor aula que j\u00e1 tive. Acho que ela me mostrou muita coisa \u2014 ela tinha um papel criativo, mas, ao mesmo tempo, deixava a gente seguir nossa pr\u00f3pria vis\u00e3o. E a postura dela no est\u00fadio era muito aberta, de um jeito que fazia parecer que qualquer coisa era poss\u00edvel ali. Existia um grande senso de descoberta e explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Normalmente, quando vou gravar, penso: \u201cOk, isso precisa soar exatamente como soa ao vivo\u201d. Mas ela dizia: &#8220;Divirtam-se&#8221;. Ela realmente criou a atmosfera certa. E ter uma perspectiva externa em que voc\u00ea confia \u00e9, provavelmente, a coisa mais importante. Porque, se voc\u00ea n\u00e3o confia nessa pessoa, come\u00e7a a duvidar dela e, depois, de si mesmo, tudo vira um caos. Mas tamb\u00e9m acho que o fato de ela ser uma artista por si s\u00f3 ajudou muito a construir essa confian\u00e7a entre n\u00f3s. Porque ela entende esse lugar tamb\u00e9m, entende o processo como artista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Infelizmente, temos que encerrar. Tenho uma pergunta boba: voc\u00eas compartilham o nome com a DJ horsegiirL, cujo nome faz refer\u00eancia a algo bem \u00f3bvio. Mas e o nome da banda de voc\u00eas, de onde vem?<\/strong><br \/>\nEstamos juntas desde muito novas. A Nora e eu come\u00e7amos a tocar quando \u00e9ramos crian\u00e7as. Uma vez, nos inscrevemos para uma esp\u00e9cie de noite de microfone aberto, ent\u00e3o precis\u00e1vamos de um nome. Pensamos: \u201cE se fosse Horsegirl?\u201d Simplesmente escolhemos a partir de uma lista de coisas que eu tinha anotado e que tinham vindo \u00e0 cabe\u00e7a em algum momento. E, antes que voc\u00ea perceba, se passam oito anos e voc\u00ea ainda se chama Horsegirl.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nunca paramos para pensar qual deveria ser o nome da nossa banda. Simplesmente aconteceu. E a\u00ed voc\u00ea fica preso a isso e pensa: \u201cEu escolhi esse nome quando tinha 16 anos\u201d. Mas hoje o nome j\u00e1 significa algo para mim, tipo: \u201cEsse \u00e9 o nome da minha banda\u201d. E eu gosto dele, mas nunca o escolhemos. E agora ainda existe uma DJ com uma cabe\u00e7a de cavalo. Tipo, o que est\u00e1 acontecendo? Mas essa \u00e9 a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Horsegirl - Where&#039;d You Go @ C6 Fest, S\u00e3o Paulo - 23\/05\/2026\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qOTIaK0WxdA?list=PLO5R8iu7UKiw\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Horsegirl - Live in Lawrence, KS\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5J4c8N6qywc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Primavera Sound Porto 2025: HORSEGIRL\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fXqrxiAj6ME?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/fracionadx.com\/channel\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Helo\u00edsa Lisboa<\/a> \u00e9 jornalista com passagens pela Folha de S.Paulo e Rolling Stone. Leia <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/heloisa-lisboa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">outros textos de Heloisa<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ao fim da apresenta\u00e7\u00e3o do Horsegirl no C6 Fest, a guitarrista e vocalista Penelope Lowenstein recebeu o Scream &#038; Yell nos bastidores para um bate papo.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/06\/05\/entrevista-horsegirl-coroa-fim-da-faculdade-com-turne-e-discute-como-o-amadurecimento-culminou-em-album-minimalista\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":160,"featured_media":96146,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[7635],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96141"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/160"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96141"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96141\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":96156,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96141\/revisions\/96156"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96146"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96141"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96141"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96141"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}