{"id":96122,"date":"2026-06-03T11:58:33","date_gmt":"2026-06-03T14:58:33","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=96122"},"modified":"2026-06-03T11:58:33","modified_gmt":"2026-06-03T14:58:33","slug":"entrevista-deafkids-esta-com-disco-novo-e-mariano-fala-das-influencias-de-musica-latina-de-d-beat-da-neurot-e-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/06\/03\/entrevista-deafkids-esta-com-disco-novo-e-mariano-fala-das-influencias-de-musica-latina-de-d-beat-da-neurot-e-mais\/","title":{"rendered":"Entrevista: Deafkids est\u00e1 com disco novo, e Mariano fala das influ\u00eancias de m\u00fasica latina, de D-Beat, da Neurot e mais"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lage.guilherme66\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Guilherme Lage<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando falamos de underground, estamos falando de botar a m\u00e3o na massa, equipamento nas costas e vai! Bandas que se disp\u00f5em a viver na estrada, mesmo tendo no bolso mais fiapos do que grana e um ch\u00e3o que serve de colchonete em casas de f\u00e3s e at\u00e9 estranhos, s\u00f3 t\u00eam uma motiva\u00e7\u00e3o: a vontade de fazer!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos anos o Brasil viu um ressurgimento de grupos que tiram do \u201cFa\u00e7a Voc\u00ea Mesmo\u201d um modo de vida. Manger Cadavre?, Sangue de Bode, Vazio, s\u00e3o nomes que trazem a m\u00fasica extrema para um p\u00fablico cada vez mais faminto por este tipo de som em cada canto do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentre esses \u00f3timos barulhentos est\u00e1 o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/deaf_kids\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DeafKids<\/a>, uma banda que faz um tipo de m\u00fasica que mescla tudo que h\u00e1 de mais bonito quando o assunto \u00e9 desgra\u00e7a sonora: punk, grind, crust, noise. Tudo permeado por paredes de efeitos de pedais indomados e batuques que parecem tocados por alguma entidade sombria que paira por a\u00ed, em lugares que n\u00e3o conhecemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00fasica da banda ganhou f\u00e3s dos mais ilustres pelo mundo, como os membros do Neurosis (que lan\u00e7aram o fant\u00e1stico \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/04\/13\/entrevista-steve-von-till-fala-sobre-a-volta-do-neurosis-com-o-disco-mais-inesperado-e-importante-de-2026\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">An Undying Love For A Burning World<\/a>\u201d em 2026), que assinaram o Deafkids \u00e0 Neurot, selo do grupo de Oakland. \u00c9 pelo <a href=\"https:\/\/www.neurotrecordings.com\/full-roster\/deafkids\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Neurot<\/a> que o Deafkids lan\u00e7a \u201c<a href=\"https:\/\/neurotrecordings.ffm.to\/cicatrizes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cicatrizes do Futuro<\/a>\u201d. Neste disco, a banda lida, al\u00e9m do coment\u00e1rio social presente em todo trabalho, com as incertezas e como coisas que ainda nem aconteceram podem ser cortantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em conversa com o Scream &amp; Yell, o baterista Mariano de Melo falou sobre o novo disco, al\u00e9m da necessidade de bandas tocarem, n\u00e3o importa como! O m\u00fasico tamb\u00e9m falou sobre as parcerias com os brothers de longa data do Test e Petbrick e como as colabora\u00e7\u00f5es fazem parte do DNA da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Ou\u00e7a o disco na integra abaixo<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"CICATRIZES DO FUTURO\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nnIm37OSdyvtcxe8S7t-n-CAwe2Fnw7lw\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mariano, ouvi os singles do disco novo e queria falar um pouco sobre o t\u00edtulo do \u00e1lbum \u201cCicatrizes do Amanh\u00e3\u201d, porque me remete a uma coisa de voc\u00eas, que costumam trabalhar emo\u00e7\u00f5es que n\u00e3o t\u00eam nome. Essa quest\u00e3o das \u201cCicatrizes do Amanh\u00e3\u201d \u00e9 algo que voc\u00eas pensam de que o amanh\u00e3 pode trazer consigo algo a se enfrentar?<\/strong><br \/>\n\u00c9 tanto cicatrizes causadas pelo futuro, se a gente pensar na nossa vida p\u00f3s advento das redes sociais de massa, esse tipo de coisa, a ideia \u00e9 justamente essa. S\u00e3o tanto cicatrizes que v\u00eam, cicatrizes do futuro, das coisas que est\u00e3o por vir, quanto as que s\u00e3o causadas pelo futuro. Eu acho que \u00e9 muito doido, porque, de uma certa forma, o \u201c<a href=\"https:\/\/deafkidspunx.bandcamp.com\/album\/configura-o-do-lamento\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Configura\u00e7\u00e3o do Lamento<\/a>\u201d (disco de 2016) tratava da heran\u00e7a colonial introjetada na gente, dessa coisa fraturada que \u00e9 voc\u00ea ser colonizado, ser terceiro mundista, e o \u201c<a href=\"https:\/\/deafkidspunx.bandcamp.com\/album\/metaprograma-o\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Metaprograma\u00e7\u00e3o<\/a>\u201d (2019) \u00e9 um pouco sobre isso tamb\u00e9m, mas mais voltado para as estruturas da mente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201c<a href=\"https:\/\/deafkidspunx.bandcamp.com\/album\/cicatrizes-do-futuro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cicatrizes do Futuro<\/a>\u201d \u00e9 mais essa coisa da contemporaneidade para a frente, que tem uma complica\u00e7\u00e3o causada pela quantidade de informa\u00e7\u00e3o que a gente recebe \u00e0 revelia, pela eros\u00e3o do debate p\u00fablico, pela depend\u00eancia que a gente tem desse tipo de plataforma pra poder se comunicar, a ponto de esquecer mecanismos que a gente sempre usou. Acho que o disco vai nesse sentido. Teve at\u00e9 o \u201cManifesto Tecnofascista\u201d, da Palantir (Technologies), que saiu agora (em abril de 2026, com &#8220;22 pontos que \u2018redefinem\u2019 &#8211; ou querem tentar redefinir &#8211; o papel da tecnologia na governan\u00e7a global e na guerra&#8221;), ent\u00e3o acho que o &#8220;Cicatrizes do Futuro&#8221; \u00e9 mais nesse sentido mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o cada disco vem sempre com um coment\u00e1rio social e humano muito contundente? Sempre analisa uma \u00e9poca, com um \u201czeitgeist\u201d talvez?<\/strong><br \/>\n\u00c9, acho que tem meio que um fio condutor, nem tanto de ser tem\u00e1tico, mas h\u00e1 esse fio condutor que meio que costura as coisas e d\u00e1 const\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A m\u00fasica de voc\u00eas sempre me causou uma certa inquietude, at\u00e9 de n\u00e3o saber apontar que tipo de som voc\u00eas estavam fazendo. Ela vem de lugares muito diversos, \u00e9 algo que sempre prezaram bastante, certo?<\/strong><br \/>\nAcho que sim. De uma certa maneira, mesmo quando a banda era D-Beat, Crust assim, acho que a coisa sempre foi ter esse furor punk, mas, ainda mais hoje em dia, expressar essa latinidade furiosa, de ter algumas percuss\u00f5es, da maneira que a m\u00fasica \u00e9 constru\u00edda da batida pro resto. Geralmente a batida \u00e9 o ponto inicial da coisa. Acho que \u00e9 mais uma metodologia pr\u00f3pria nossa do que algum g\u00eanero, algo do tipo. \u00c9 uma coisa que interessa muito a gente, mais do que fazer algum tipo de m\u00fasica espec\u00edfica. \u00c9 mais seguir um ethos de feitura inspirado nas coisas que a gente gosta, de m\u00fasica do Marrocos, de m\u00fasica latina, ter um furor, uma febrilidade, que acho que molda muito mais a coisa do que um g\u00eanero ou outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea citou, no in\u00edcio a banda era mais D-Beat, mais crust mesmo, muita gente acha o D-Beat at\u00e9 pouco musical, no sentido da forma que a bateria \u00e9 usada. Isso era uma coisa de tentar trabalhar com essa bagagem vindo do crust punk, tentando deixar mais a cara de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nSim, porque acho que se trata mais de tratar o D-Beat como um groove. Por exemplo, \u201cAs Cicatrizes\u201d, primeiro single que saiu, \u00e9 um D-Beat eletr\u00f4nico, com percuss\u00f5es. E tem m\u00fasicas do \u201cMetaprograma\u00e7\u00e3o\u201d que \u00e9 um D-Beat invertido, ent\u00e3o \u00e9 mais de trat\u00e1-lo como um template e a\u00ed inovar ou virar de ponta-cabe\u00e7a. Existem muitas possibilidades a\u00ed.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"DEAFKIDS - CICATRIZES (Official Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/m4dIdB0eU2M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como \u00e9 o processo de composi\u00e7\u00e3o? Porque isso me leva a crer que voc\u00eas n\u00e3o tratam a m\u00fasica necessariamente como algo objetivo, ela parece um organismo vivo, que nasce de lugares que a gente n\u00e3o sabe explicar.<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 faz um tempo que virou essa coisa meio tecnorog\u00e2nica, com beat, mas tamb\u00e9m com a parte humana tocada junto. Geralmente a gente parte do ritmo e do ritmo a gente vai tentar bolar riffs, esse tipo de coisa ou varia\u00e7\u00f5es, mas geralmente \u00e9 muito mais um apelo r\u00edtmico que inicia a coisa. Tanto eu quanto o Douglas tocamos percuss\u00e3o, ele toca v\u00e1rios instrumentos, eu tamb\u00e9m, ent\u00e3o facilita porque a gente consegue complementar a ideia um do outro nesse sentido, algu\u00e9m vem com uma batida e vamos quebrar a cabe\u00e7a para bolar um baixo, depois alguma camada mais synth, mais decorativas, entre aspas. \u00c9 assim que a gente se organiza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Engra\u00e7ado analisar uma m\u00fasica que parte geralmente de uma percuss\u00e3o, de uma batida, normalmente as m\u00fasicas surgem da guitarra ou de uma linha vocal. Talvez ent\u00e3o seja uma forma de desconstruir uma faixa tamb\u00e9m.<\/strong><br \/>\nTem uma coisa tamb\u00e9m que vem de m\u00fasica latina, de v\u00e1rias heran\u00e7as musicais que t\u00eam essa coisa que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o composicional. A m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 algo t\u00e3o inten\u00e7\u00e3o, tanto que v\u00e1rias dessas m\u00fasicas nunca v\u00e3o ser executadas do mesmo jeito. Justamente porque a linha que separa a composi\u00e7\u00e3o de algo mais aberto \u00e9 muito t\u00eanue, ent\u00e3o acho que isso faz com que a gente se diferencie um pouco tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou sobre a quest\u00e3o de as faixas n\u00e3o serem reproduzidas exatamente como est\u00e3o no disco e isso sempre me remete a alguma coisa mais lo-fi ou totalmente experimentais, um A Place To Bury Strangers da vida, que voc\u00ea nunca sabe como vai ser o show dos caras. Tem essa quest\u00e3o de explos\u00e3o no palco tamb\u00e9m, de ser algo que vai acontecer ali na hora.<\/strong><br \/>\nComo a gente toca em cima de beat hoje em dia, acaba virando uma coisa, de certa maneira, mais ao vivo ainda. Mesmo tocando em cima do beat eletr\u00f4nico, parece que a coisa ganha um adicional de organicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas, por terem vindo desse universo punk, DIY, eu notei nesses discos colaborativos que voc\u00eas fizeram<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Test\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> com o Test<\/a> e o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/01\/08\/entrevista-iggor-cavalera-fala-do-horrible-noise-do-petbrick\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Petbrick<\/a>, que vem de uma coisa bem punk de coletivo, essa heran\u00e7a at\u00e9 de tape trading. Ainda existe isso no trabalho de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nAcredito que sim, porque, por exemplo, com o Test a gente j\u00e1 tem umas oito tours juntos, j\u00e1 deve ter feito mais de 100 shows juntos facilmente. Acredito que tamb\u00e9m tem uma coisa de se estruturar de uma outra maneira, de n\u00e3o aguardar tanto, ficar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o ou \u00e0 merc\u00ea de festival ou de crescimento cibern\u00e9tico, esse tipo de coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A gente \u00e9 uma banda que \u00e9 muito maior no mundo real do que num Instagram da vida, no sentido do quanto a gente j\u00e1 tocou na frente das pessoas, ent\u00e3o acho que vem muito disso assim. Essas bandas come\u00e7aram em 2010, ent\u00e3o tem uma coisa de ser dum universo onde essa era a maneira de se estruturar, ent\u00e3o tem essa coisa de ousar tamb\u00e9m, buscar. N\u00e3o se conformar tanto, buscar ser visto, buscar estar na frente das pessoas tocando.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"DEAFKIDS - REFLEXO (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ozqMIMFS0zo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas est\u00e3o com a Neurot desde 2017 e assim, muita gente fala hoje em dia da dificuldade que \u00e9 de trabalhar com um selo e sem um selo tamb\u00e9m. O que mudou desde a \u00e9poca que voc\u00eas assinaram com a Neurot? O que se tornou mais profissional?<\/strong><br \/>\nAcredito que ajuda muito, principalmente, a estruturar, por exemplo, no caso de um \u00e1lbum. Por exemplo, foi o Dave que entrou em contato com <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/luiz-mazetto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">(Luiz) Mazetto<\/a> (para agilizar essa entrevista). Tem um PR (Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas) m\u00ednimo ali (que ajuda muito!). Mas acho que o que mais mudou foi que a gente j\u00e1 tinha ido pra Europa algumas vezes, mas assim que a gente entrou pra Neurot o esquema das tours na Europa melhorou um pouco tamb\u00e9m, de ir a outros lugares, tocar no (festival) Roadburn, essas coisas. Azeitou um pouco mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sinto que no Brasil a coisa n\u00e3o se alterou tanto porque a Neurot n\u00e3o tem essa capilaridade aqui, n\u00e3o \u00e9 um selo com presen\u00e7a no Brasil, mas \u00e9 muito louco estar no selo dos caras, principalmente porque \u00e9 uma coisa que \u00e9 totalmente punk DIY tamb\u00e9m, n\u00e3o tem nada que impe\u00e7a a gente de fazer nada. N\u00e3o tem nada do tipo de \u201cum m\u00ednimo de x discos\u201d, nada de adiantamento, nada assim. \u00c9 uma galera que acredita e quer ver a coisa acontecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que deu um g\u00e1s, at\u00e9 porque quando rolou a gente tinha acabado de voltar da Europa. Rolou uma conflu\u00eancia do destino tamb\u00e9m, porque eles estavam vindo pra c\u00e1, a\u00ed a gente abriu o show e meio que culminou. Isso foi muito bom tamb\u00e9m, porque meio que j\u00e1 solidificou muita coisa, porque a gente fechou com os caras, depois fizemos cinco datas na Europa com eles, uma tour de 10 shows na Am\u00e9rica do Norte, Estados Unidos e Canad\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 muito louco, porque eles t\u00eam um rol\u00ea muito familiar de fazer as coisas, todo mundo \u00e9 muito pr\u00f3ximo, ent\u00e3o acho que isso ajudou mais nesse sentido, tanto a estrutura deles de PR, quanto obviamente registrar tudo em vinil, ter o m\u00ednimo de distribui\u00e7\u00e3o na Europa e, principalmente, de grosso modo, dar esse salto na visibilidade da banda.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Deafkids Live at #Roadburn 2023 - psychedelic tribal groove\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WJUums3Y9qo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como voc\u00ea enxerga o Brasil? Porque vejo que de uns anos pra c\u00e1 se tornou mais a comum as bandas fazerem turn\u00ea, mas n\u00e3o necessariamente mudou a estrutura das turn\u00eas. \u00c0s vezes continua sendo uma coisa at\u00e9 artesanal. A banda continua lutando pra ir pra estrada. Como voc\u00ea enxerga isso pra voc\u00eas e as bandas com quem voc\u00eas excursionam? Melhorou? Tem muito o que melhorar?<\/strong><br \/>\nTem muito o que melhorar, porque eu acho que o lance do Brasil \u00e9 justamente a falta desse rol\u00ea artesanal, no sentido que tem certas coisas que, por exemplo &#8211; claro que a quest\u00e3o de classe, divis\u00e3o internacional do trabalho -, na Europa tem aquela coisa que o lugar vai ter, pelo menos, os PAs ali, o t\u00e9cnico de som, e a banda vai viajar com um equipamento. Isso d\u00e1 uma azeitada pra que a coisa aconte\u00e7a, entende?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E aqui sinto que muita gente n\u00e3o faz ideia de como estruturar uma tour, n\u00e3o tem coragem de meter o louco assim. Inclusive de meter o louco no sentido: \u201cmano, vou fazer isso, no primeiro momento se a coisa empata, a gente toca pra pessoas, \u00e9 visto, a coisa acontece\u201d. \u00c9 uma coisa importante de fazer, sabe? De conseguir vencer essa letargia, de n\u00e3o ficar dependente de grandes festivais, que acabam dominando a narrativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por exemplo, o caso do Sesc. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/09\/17\/test-deafkids-lanca-sem-esperancas-em-clima-de-celebracao-em-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00c9 sempre muito bom tocar num Sesc<\/a>, mas s\u00e3o as estruturas que acabam meio que sustentando o rol\u00ea, de uma certa maneira. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/08\/30\/entrevista-eu-nao-sei-fazer-musica-feliz-avisa-joao-k-test-que-esta-lancando-disco-de-seu-projeto-solo-kombi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Jo\u00e3o, do Test<\/a>, eles t\u00eam uma coisa muito vision\u00e1ria de fazer tour, muitas vezes fazer tour em lugares diferentes. A gente colabora faz muito tempo e eu fui em uma tour tocando percuss\u00e3o e sintetizador com eles no interior de Minas. Muitas cidades ali nunca tinham rolado um show durante a semana e a galera ficou \u201cp\u00f4, interessante!\u201d. Entende? \u00c9 uma coisa de voc\u00ea at\u00e9 fazer um esfor\u00e7o educacional muitas vezes, de as pessoas perceberem que, p\u00f4, ter duas bandas por m\u00eas passando ali na sua cidade \u00e9 uma coisa boa, uma coisa interessante, voc\u00ea aquecer a pr\u00e1tica ali, porque as pessoas v\u00e3o querer montar suas bandas e eu acho que \u00e9 disso que sinto falta no Brasil. Essa estrutura azeitada, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas vezes essa estrutura depende de pessoas que estavam fazendo isso em um outro momento em que isso era mais forte, nos 2000, 2010 da vida. Da\u00ed sinto que muitas coisas (mudaram), tamb\u00e9m pela pandemia, de 2015, 2016 pra c\u00e1, em termos do que significa ter uma banda, presen\u00e7a digital. Mas, por exemplo, o Jo\u00e3o e o Test mesmo, v\u00e1rias bandas que agora est\u00e3o, inclusive muito ativas, por exemplo, o Budang, foi uma banda que o Jo\u00e3o viu e notou que tinha uma coisa diferente no carisma, colocou eles pra fazer tour. Eles tomaram gosto pela coisa, come\u00e7aram a fazer tour.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o tem uma coisa de tentar embaratecer o m\u00e1ximo poss\u00edvel a tour pra que ela d\u00ea algum retorno, percebe? \u00c9 mais ou menos isso que acho que \u00e9 a no\u00e7\u00e3o. Se a gente est\u00e1 em um contexto que \u00e9 de precariedade, ent\u00e3o pra fazer um neg\u00f3cio desse a gente vai ter que dar nossos pulos, inclusive em termos de estrutura\u00e7\u00e3o mesmo. Acho que \u00e9 meio por a\u00ed.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rakta + Deafkids - Sess\u00f5es Selo Sesc #6. Ao Vivo (FULL ALBUM)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zfJDAWoiumE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E agora com o lan\u00e7amento do disco, voc\u00eas est\u00e3o com uma turn\u00ea planejada? Como vai ser? Europa e Brasil j\u00e1 engatilhados?<\/strong><br \/>\nTem alguns shows. A gente vai tocar no Rio uma semana antes do lan\u00e7amento. J\u00e1 est\u00e1 marcado na Europa no final do ano e tamb\u00e9m tem algumas outras possibilidades que prefiro n\u00e3o falar pra n\u00e3o agourar, sabe? (risos). Mas existem possibilidades a\u00ed de a gente ir pra lugares que a gente n\u00e3o foi ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E vamos tentar fazer alguns rol\u00eas aqui, tocar mais. A gente est\u00e1 muito curioso pra ver como vai ser a repercuss\u00e3o, porque os discos do Deafkids geralmente s\u00e3o discos mais de experi\u00eancia. Esse disco \u00e9 nove m\u00fasicas, m\u00fasicas mesmo! Nove beats, e \u00e9 o disco mais posado que a gente fez, de uma certa maneira. Posado para os padr\u00f5es do Deafkids, porque sempre foi um bagulho de maluco. Tem umas tr\u00eas, quatro m\u00fasicas ali, mais musicais e tem os seus momentos de tens\u00e3o. Ent\u00e3o estou muito curioso pra ver como as pessoas v\u00e3o reagir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E isso \u00e9 realmente verdade! Me corrija se eu estiver errado, mas quando eu escutava os outros discos, sempre notei umas coisas um pouco levadas pro noise e percebi isso vindo do grindcore norte-americano e europeu, de uns 15 anos pra c\u00e1, que est\u00e1 rolando essa jun\u00e7\u00e3o bem forte com o eletr\u00f4nico. Ent\u00e3o estou bem curioso pra ouvir, como voc\u00ea falou: nove m\u00fasicas, m\u00fasicas!<\/strong><br \/>\nE est\u00e1 bem latino tamb\u00e9m, no sentindo de que a gente foi bem fundo em colocar padr\u00f5es interessantes de percuss\u00e3o ali. Porque tem m\u00fasicas que \u00e9 um beat eletr\u00f4nico, bateria, guitarra. Tem m\u00fasica que \u00e9 beat eletr\u00f4nico e eu estou tocando percuss\u00e3o, ent\u00e3o tem um lado bom no Deafkids, que a gente chegou numa certa maturidade, que tem v\u00e1rios m\u00f3dulos. Anteriormente era uma banda cl\u00e1ssica com baixo, guitarra e bateria. Hoje em dia \u00e9 isso: tem v\u00e1rios momentos em que a m\u00fasica \u00e9 o beat e \u00e9 a gente tocando por cima. Isso nos d\u00e1 v\u00e1rias possibilidades de v\u00e1rias formas, v\u00e1rios templates para trabalhar, e isso \u00e9 bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Talvez seja algo que abra at\u00e9 uma boa porta de varia\u00e7\u00e3o, porque h\u00e1 bandas que fazem isso: um set ac\u00fastico, um set el\u00e9trico, d\u00e1 pra variar em diversos modelos em uma turn\u00ea.<\/strong><br \/>\nSim, e ao mesmo tempo, d\u00e1 pra tocar timbres eletr\u00f4nicos, tocar uma chapa de metal, por exemplo. D\u00e1 pra acrescentar muito timbre, d\u00e1 pra soar de uma maneira que nenhuma banda standart conseguiria soar, e isso me agrada muito, por isso estou muito curioso pra ver como as pessoas v\u00e3o reagir (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como \u00e9 a recep\u00e7\u00e3o de um p\u00fablico europeu ou norte-americano a uma banda que traz essa capilaridade t\u00e3o grande de influ\u00eancias e que, principalmente, introduz tanta m\u00fasica latina?<\/strong><br \/>\nAcho que a galera gosta muito. No Brasil h\u00e1 uma coisa atual, que \u00e9 o seguinte: principalmente no rol\u00ea que a gente est\u00e1, a galera n\u00e3o d\u00e1 tanto valor pra essas formas de m\u00fasica. M\u00fasica percussiva, esse tipo de coisa, mesmo que a galera eventualmente goste, a galera quer banda mesmo. Mas tamb\u00e9m tem o lance da proximidade, tipo assim, santo de casa n\u00e3o faz milagre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na gringa tem essa coisa tanto da galera estar procurando algo que seja aut\u00eantico, que carregue uma coisa que eles nunca v\u00e3o ter, quanto essa combina\u00e7\u00e3o em espec\u00edfico. Na Europa e nos Estados Unidos tamb\u00e9m, v\u00e1rias dessas formas de m\u00fasica s\u00e3o vanguarda de m\u00fasica louca que existem a\u00ed h\u00e1 30, 40 anos, e se misturaram com outras vanguardas de m\u00fasica louca, como m\u00fasica concreta, como m\u00fasica cl\u00e1ssica do norte da \u00cdndia, entende?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o \u00e9 m\u00fasica de vanguarda. Ent\u00e3o a galera vai ter uma bagagem, mesmo que n\u00e3o direta, pra reconhecer que aquilo ali \u00e9 um tipo de m\u00fasica aut\u00eantica que vem formado por outras coisas. A\u00ed eu sinto que, n\u00e3o \u00e0 toa, inclusive, a carreira do Deafkids na Europa \u00e9 algo bem longevo. A gente foi em 2014 pela primeira vez e de l\u00e1 pra c\u00e1, acho que a gente foi nove vezes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inclusive fomos algumas vezes sem material novo, o que \u00e9 muito raro l\u00e1, porque como est\u00e1 todo mundo circulando, chega uma hora que se voc\u00ea n\u00e3o tem nada de novo pra apresentar, mesmo que voc\u00ea fa\u00e7a outro show, as pessoas v\u00e3o intuir que o show vai ser do material que voc\u00ea j\u00e1 tem, ent\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o vai conseguir marcar show e muita coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, nesse sentido, isso pra mim mostra at\u00e9 uma boa vontade, um interesse que a galera tem no que o Deafkids faz, mesmo que n\u00e3o tivesse nada novo do Deafkids, porque nesse \u00ednterim saiu o (dsco com o) Deafbrick. O \u201cMetaprograma\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 o \u00faltimo disco do Deafkids mesmo, e \u00e9 de 2019, gravado em 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o estou curioso pra ver como as pessoas v\u00e3o reagir, porque o Deafkids tem essas coisas que s\u00e3o muito loucas nas parcerias, mas que \u00e9 uma sina tamb\u00e9m, porque muitas vezes a galera acaba vendo como glutamato monoss\u00f3dico (risos), como vinagrete, uma parada que n\u00e3o \u00e9 foda por si s\u00f3, \u00e9 foda junto. E a\u00ed eu quero ver como as pessoas v\u00e3o reagir ao material novo do Deafkids nesse momento.<\/p>\n<figure id=\"attachment_96129\" aria-describedby=\"caption-attachment-96129\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-96129 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/deafkids2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/deafkids2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/deafkids2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/deafkids2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-96129\" class=\"wp-caption-text\"><em>Arte da capa de \u201cCicatrizes do Futuro\u201d, do Deafkids<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>\u2013 Guilherme Lage (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lage.guilherme66\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fb.com\/lage.guilherme66<\/a>) \u00e9 jornalista e mora em Vila Velha, ES.\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/guilherme-lage\/\">Leia outras entrevistas dele<\/a>!<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O baterista Mariano de Melo falou sobre o novo disco, al\u00e9m da necessidade de bandas tocarem, n\u00e3o importa como, e sobre as parcerias com os brothers de longa data do Test e Petbrick\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/06\/03\/entrevista-deafkids-esta-com-disco-novo-e-mariano-fala-das-influencias-de-musica-latina-de-d-beat-da-neurot-e-mais\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":58,"featured_media":96126,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[8158],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96122"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/58"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96122"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96122\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":96130,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96122\/revisions\/96130"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96126"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96122"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96122"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96122"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}