{"id":95976,"date":"2026-05-27T00:32:26","date_gmt":"2026-05-27T03:32:26","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=95976"},"modified":"2026-05-27T00:32:26","modified_gmt":"2026-05-27T03:32:26","slug":"mac-mccaughan-superchunk-ver-shows-ver-bandas-ao-vivo-isso-me-da-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/05\/27\/mac-mccaughan-superchunk-ver-shows-ver-bandas-ao-vivo-isso-me-da-esperanca\/","title":{"rendered":"Mac McCaughan (Superchunk): \u201cVer shows, ver bandas ao vivo, isso me d\u00e1 esperan\u00e7a\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Capelas<\/a><\/strong>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/igrmllr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Igor M\u00fcller<\/a>, do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/programadeindie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje em dia, quando um artista estrangeiro come\u00e7a a frequentar constantemente o Brasil, a piada corrente \u00e9 que ele j\u00e1 re\u00fane todas as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para tirar seu CPF. Se tal m\u00e1xima for verdade, pouca gente merece mais o documento do que <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/macsuperchunk\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mac McCaughan<\/a>, vocalista e guitarrista do <a href=\"https:\/\/superchunk.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Superchunk<\/a> \u2013 afinal, ele j\u00e1 tocou aqui quatro vezes, sendo tr\u00eas com a banda e uma em carreira solo. Al\u00e9m disso, j\u00e1 chegou a gravar (com seu projeto paralelo <a href=\"https:\/\/portastatic.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Portastatic<\/a>) at\u00e9 \u201cDe Mel, De Mel\u00e3o\u201d (2000), um EP com can\u00e7\u00f5es de gente como Joyce, Gilberto Gil e Arnaldo Baptista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Blagues \u00e0 parte, fato \u00e9 que o Superchunk est\u00e1 pronto para matar a saudade do pa\u00eds: nesta semana, o grupo toca no Rio de Janeiro (dia 30, no Agyto, com produ\u00e7\u00e3o da Rio Gold Soundz &#8211; <a href=\"https:\/\/articket.com.br\/e\/5957\/superchunk-no-rio-de-janeiro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ingressos aqui<\/a>) e em S\u00e3o Paulo (dia 31, no Cine Joia, produ\u00e7\u00e3o da Balaclava Records &#8211; <a href=\"https:\/\/ingresse.com\/superchunk-sp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ingressos aqui<\/a>). No repert\u00f3rio, a expectativa \u00e9 de tocar n\u00e3o s\u00f3 as can\u00e7\u00f5es de quatro d\u00e9cadas de carreira, mas tamb\u00e9m do recente \u201cSongs in the Key of Yikes\u201d \u2013 lan\u00e7ado no ano passado, o guitarreiro \u00e1lbum traz em seu t\u00edtulo um jogo de palavras com um cl\u00e1ssico de Stevie Wonder. \u201c\u00c9 um trocadilho que traduz bem o momento do nosso pa\u00eds \u2013 e que aconteceu a\u00ed no Brasil antes, com a ascens\u00e3o do fascismo e do nacionalismo branco. Todos os dias, h\u00e1 alguma not\u00edcia nos jornais que nos faz pensar &#8216;meu Deus, que porra est\u00e1 acontecendo?&#8217;\u201d, comenta McCaughan.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cofundador e at\u00e9 hoje \u00e0 frente do hist\u00f3rico selo <a href=\"https:\/\/www.mergerecords.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Merge Records<\/a>, respons\u00e1vel por cl\u00e1ssicos de Neutral Milk Hotel, Magnetic Fields, Lambchop e Arcade Fire, entre tantos, McCaughan tamb\u00e9m n\u00e3o v\u00ea um bom momento na ind\u00fastria fonogr\u00e1fica. \u201cMais do que nunca, nunca tivemos tanta m\u00fasica boa sendo feita por a\u00ed. Mas tem sido muito dif\u00edcil ganhar dinheiro com a m\u00fasica que fazemos. Os servi\u00e7os de streaming foram criados para dar dinheiro para seus acionistas, n\u00e3o para os artistas \u2013 e agora eles tentam incorporar m\u00fasica de IA para n\u00e3o precisar pagar ningu\u00e9m\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar dos pesares, ele tenta manter o otimismo tanto na pol\u00edtica (\u201cAs pessoas que apoiam Trump s\u00e3o uma minoria\u201d) quanto na m\u00fasica (\u201cVer bandas ao vivo me d\u00e1 esperan\u00e7a\u201d). Uma das formas de manter o otimismo, ali\u00e1s, \u00e9 se colocar na estrada: \u201cTocar ao vivo \u00e9 uma parte importante da vida de uma banda. Se voc\u00ea lan\u00e7a um disco, voc\u00ea precisa tocar ao vivo \u2013 e n\u00f3s amamos fazer isso\u201d, diz o vocalista do Superchunk, que vir\u00e1 ao Brasil ao lado do parceiro Jim Wilbur (guitarra), da baterista Laura King e da baixista Betsy Wright, respons\u00e1vel por substituir a cofundadora do grupo, Laura Ballance. \u201cPara mim e para Jim, \u00e9 muito divertido ter gente nova na banda\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No papo a seguir, gravado originalmente para o <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/3mtmXso87yLwIEHO0MgOJ5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a> e agora publicado no Scream &amp; Yell, McCaughan fala de tudo um pouco: Steve Albini, Donald Trump, David Byrne, dos desafios de sobreviver ao streaming, da paix\u00e3o pela m\u00fasica brasileira e da estranha sensa\u00e7\u00e3o de envelhecer num mundo em que as pessoas assistem filmes inteiros na tela do celular. \u201cTemos que nos adaptar ao jeito como as pessoas consomem m\u00fasica hoje. Felizmente, muita gente ainda quer ouvir discos de vinil e CDs\u201d, suspira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele tamb\u00e9m fala com carinho das primeiras passagens pelo Brasil, que inclu\u00edram visitas a Londrina, Recife e Bras\u00edlia (\u201cQue lugar maluco!), restaurantes de beira de estrada, shows em bares de metal, galinhada e at\u00e9 uma goleada do S\u00e3o Paulo sobre a Portuguesa no Canind\u00e9 \u2013 ainda que nem se lembre de tudo isso. \u201cO mais interessante foi ver que t\u00ednhamos p\u00fablico em todos os lugares \u2013 e um p\u00fablico que mora muito longe do lugar onde viemos!\u201d, diz, como quem torce para que a sensa\u00e7\u00e3o se repita no pr\u00f3ximo final de semana. Com a palavra, Mac McCaughan.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Superchunk | Shaped by Sound | Full Episode | PBS North Carolina\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UUEsqe5bxBQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mac, essa vai ser a quarta vez do Superchunk aqui no Brasil, depois de passagens em 1998, 2000 e 2011. Do que voc\u00ea se lembra dessas turn\u00eas? Quais s\u00e3o suas principais mem\u00f3rias do Brasil?<\/strong><br \/>\nBem, as duas primeiras vezes que fomos ao Brasil, em 1998 e em 2000, foram alucinantes. Tocamos em muitas cidades! Claro, j\u00e1 t\u00ednhamos ouvido falar de S\u00e3o Paulo e do Rio de Janeiro\u2026 mas foi muito doido chegar em Belo Horizonte e de repente descobrir que era uma cidade gigante, da qual eu nunca tinha ouvido falar. A viagem nos fez perceber o quanto o Brasil \u00e9 gigante. Aprendemos muito sobre o pa\u00eds indo a lugares diferentes. Tocamos em cidades de serra e na praia, muitas paisagens diferentes. Na segunda vez que viemos, fomos a Recife e a Bras\u00edlia. Que cidade maluca \u00e9 Bras\u00edlia! Foi surreal, de verdade. O mais interessante foi ver que t\u00ednhamos p\u00fablico em todos os lugares \u2013 e um p\u00fablico que mora muito longe do lugar onde viemos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na terceira vez que voc\u00eas vieram, em 2011, voc\u00eas tocaram no interior de S\u00e3o Paulo. Como foi?<\/strong><br \/>\nSim! Lembro que foram dois eventos ao ar livre. Havia um festival de noite e depois um festival de dia. Como era o nome daqueles sub\u00farbios?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas tocaram em Sorocaba e em Jundia\u00ed, que s\u00e3o duas cidades do interior. Era um evento chamado Virada Cultural Paulista, que tinha shows rolando 24 horas por dia.<\/strong><br \/>\nPois \u00e9, pois \u00e9, foi incr\u00edvel. Lembro que o show que fizemos \u00e0 noite foi muito doido, a plateia era enorme. O show de dia foi bom tamb\u00e9m. Acho que temos uma filmagem daquele show, que usamos para fazer o clipe de \u201cLearned to Surf\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Superchunk - Learned to Surf\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hvZseXEqdss?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o \u00e9 muito comum que bandas estrangeiras toquem em tantos lugares no interior do Brasil, como Recife, Bras\u00edlia ou Londrina. Era ainda menos comum nos anos 2000. Voc\u00ea lembra como isso aconteceu? Por que voc\u00eas tocaram em tantas cidades?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o lembro exatamente como as coisas rolaram na \u00e9poca. Mas sei que quem nos falou sobre tocar no Brasil foi o pessoal do Fugazi. Lembro de conversar com o Ian [MacKaye] e ele me falar sobre dois caras, chamados <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/mboffa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcos Boffa<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/distancialonga\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jeff Santos<\/a>. Eles cuidavam da (produtora mineira) Motor Music na \u00e9poca. Lembro que o Ian me disse: \u201cEles v\u00e3o dar um jeito de te levar para l\u00e1 e os shows s\u00e3o incr\u00edveis, o p\u00fablico \u00e9 excelente. Mas voc\u00eas precisam estar preparados: quando voc\u00ea sair de S\u00e3o Paulo e for tocar nas cidades menores, vai parecer que s\u00e3o uma banda punk fazendo turn\u00ea pelos Estados Unidos nos anos 1970. A infraestrutura \u00e9 totalmente diferente\u201d. O fato \u00e9 que essa turn\u00ea do Fugazi fez o Marcos e o Jeff pensarem que poderiam levar outras bandas para l\u00e1 \u2013 e funcionou conosco. Tocamos em Curitiba, Londrina, Belo Horizonte\u2026 Acho que tocamos em mais de 11 cidades. Hoje em dia, me parece que seria muito mais dif\u00edcil fazer algo assim. N\u00e3o sei o porqu\u00ea \u2013 daria para achar que, gra\u00e7as \u00e0 internet, seria mais f\u00e1cil promover um show, mas n\u00e3o \u00e9. Enfim, o que sei \u00e9 que o Ian estava certo quanto \u00e0 infraestrutura. Tocamos num bar de metal. Tocamos num restaurante \u2013 e, quando chegamos, eles estavam mexendo nas mesas para abrir espa\u00e7o para um palco. O que me deixou ainda mais impressionado \u00e9 que sempre havia gente para nos ver tocar. Tamb\u00e9m lembro que n\u00f3s dirigimos muito naquelas turn\u00eas. N\u00e3o sei se chegamos a pegar algum voo, para ser sincero. Vimos bastante o interior do Brasil, paramos em restaurantes de beira de estrada e comemos tamb\u00e9m a maravilhosa comida que voc\u00eas t\u00eam a\u00ed. Fomos ver um jogo de futebol\u2026 deve ter sido no Rio de Janeiro, mas n\u00e3o me lembro exatamente. Era o time da cidade do Rio contra\u2026 outro time do Rio? N\u00e3o sei. Talvez tenha sido em S\u00e3o Paulo. Sei que foi alucinante, por v\u00e1rios motivos. Lembro de achar que a cerveja que serviam no est\u00e1dio era horr\u00edvel \u2013 at\u00e9 algu\u00e9m me explicar que era uma cerveja sem \u00e1lcool, porque n\u00e3o podiam vender cerveja normal num jogo de futebol. E lembro tamb\u00e9m que, para dividir as torcidas rivais, havia uma fileira de caras enormes com armas. Achei aquilo tudo muito doido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acredite ou n\u00e3o, ainda \u00e9 assim!<\/strong><br \/>\nO que sei \u00e9 que foi incr\u00edvel poder viver um pouquinho como um brasileiro por alguns dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(Nota da reda\u00e7\u00e3o: como o leitor pode imaginar, n\u00e3o existe exatamente um time \u201cda cidade do Rio de Janeiro\u201d no futebol brasileiro. Al\u00e9m disso, nos anos 1990, era poss\u00edvel beber cerveja com \u00e1lcool nos est\u00e1dios cariocas. Em S\u00e3o Paulo, por\u00e9m, a venda de bebidas alc\u00f3olicas em est\u00e1dios \u00e9 proibida desde 1996. Al\u00e9m disso, gastamos um tempo tentando descobrir em que jogo o Superchunk foi. <a href=\"https:\/\/x.com\/andre_barcinski\/status\/1276974348188991494\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Neste tweet<\/a>, o jornalista Andr\u00e9 Barcinski publicou uma foto do grupo no est\u00e1dio do Canind\u00e9, supostamente em 1998 curtindo um jogo da Portuguesa ap\u00f3s comer uma galinhada do Bahia. Na foto, Mac e Laura aparecem ao lado de Barcinski, Boffa, Paulo Cesar Martin e F\u00e1bio Massari. Mas no per\u00edodo em que o Superchunk esteve no Brasil em 1998, a Portuguesa n\u00e3o jogou em casa. Um WhatsApp enviado a Paulo Cesar Martin matou a charada. \u201cFoi quando eles vieram tocar em 2000. Era um jogo do Campeonato Paulista: eles comeram pra caramba na Galinhada do Bahia e depois emendamos com o jogo, um S\u00e3o Paulo 4 x 2 Portuguesa. O jogo teve tr\u00eas gols do atacante Fran\u00e7a).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Superchunk mudou de forma\u00e7\u00e3o desde a \u00faltima vez que esteve aqui. N\u00e3o s\u00f3 a Laura King entrou no lugar do Jon Wurster na bateria, mas tamb\u00e9m a Laura Ballance deixou de tocar com voc\u00eas ao vivo. Como essas mudan\u00e7as fazem o Superchunk soar hoje em dia no palco?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 estamos tocando com a Laura King h\u00e1 alguns anos. Ela definitivamente tem um estilo bem diferente do estilo do Jon. Ela toca pesado, como o Jon tocava, mas de um jeito mais selvagem. Nos nossos dois primeiros discos, nosso baterista era um cara chamado Chuck Garrison. A Laura toca como o Chuck \u2013 o que nos fez voltar a tocar algumas can\u00e7\u00f5es antigas, como o repert\u00f3rio de \u201cNo Pocky for Kitty\u201d (1991). \u00c9 uma caracter\u00edstica interessante, faz com que eu e Jim voltemos no tempo e permite que a banda soe mais como nos discos de antigamente. Laura \u00e9 uma baterista excelente, al\u00e9m de ser uma \u00f3tima companhia nas turn\u00eas. Al\u00e9m disso, teremos a Betsy Wright, do Ex Hex, no baixo, nessa turn\u00ea. N\u00f3s a conhecemos h\u00e1 um temp\u00e3o e ela tem tocado conosco h\u00e1 algum tempo. Juntas, Betsy e Laura fazem uma \u00f3tima se\u00e7\u00e3o r\u00edtmica. Para mim e para Jim, \u00e9 muito divertido ter gente nova na banda, gente que gosta de tocar ao vivo como n\u00f3s gostamos. \u00c9 um bom time!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Superchunk &quot;Stuck in a Dream&quot; (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SbfKf1ymcc8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que os f\u00e3s podem esperar para os setlists aqui no Brasil? Como voc\u00eas criam um setlist, ali\u00e1s?<\/strong><br \/>\nEscrevemos um setlist diferente todas as noites. Hoje temos uma por\u00e7\u00e3o de discos, o que n\u00e3o nos permite mais tocar m\u00fasicas de todos eles numa noite s\u00f3. Mas tentamos fazer um set bem variado, colocando algumas can\u00e7\u00f5es de \u201cSongs in the Key of Yikes\u201d, mas tamb\u00e9m de \u201cNo Pocky for Kitty\u201d, que est\u00e1 fazendo 35 anos agora. Vamos tocar algumas de \u201cMajesty Shredding\u201d (2010), de \u201cHere\u2019s Where The Strings Come In\u201d (1995), de \u201cOn The Mouth\u201d (1993). Tentamos percorrer todo o nosso repert\u00f3rio. Vou fazer um post <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/macsuperchunk\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">nas redes sociais<\/a> para que as pessoas possam pedir m\u00fasicas. Se n\u00e3o forem pedidos muito lado-B, podemos tentar incluir algumas favoritas dos f\u00e3s. Mas tentamos sempre tocar o m\u00e1ximo poss\u00edvel do nosso repert\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bem, n\u00f3s temos um pedido especial: \u201cThis Summer\u201d. Foi a primeira do Superchunk que tocamos no programa!<\/strong><br \/>\nOk, ok, vou anotar aqui! Voc\u00eas v\u00e3o em S\u00e3o Paulo ou no Rio?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos em S\u00e3o Paulo! Uma coisa que percebemos, Mac, \u00e9 que o Superchunk sempre inclui um cover ou outro no setlist, de artistas como Sebadoh ou Magnetic Fields. Por que tocar m\u00fasicas dos outros, ainda mais quando voc\u00eas t\u00eam um repert\u00f3rio t\u00e3o extenso? Qual \u00e9 a gra\u00e7a?<\/strong><br \/>\nSempre fizemos covers! No come\u00e7o da banda, n\u00f3s ador\u00e1vamos pegar uma m\u00fasica como \u201cA Hundred Thousand Fireflies\u201d, do Magnetic Fields. A original \u00e9 bem espec\u00edfica, com teclados, uma bateria eletr\u00f4nica e um som bem tosco, bem rudimentar. N\u00f3s a transform\u00e1vamos numa m\u00fasica bem diferente. O mesmo vale para o Sebadoh. A maioria das m\u00fasicas deles que fazemos covers s\u00e3o ac\u00fasticas, mas n\u00f3s gostamos de toc\u00e1-las bem alto. De maneira geral, \u00e9 divertido tocar m\u00fasicas que a gente ama. Tamb\u00e9m \u00e9 legal porque sabemos que muita gente na plateia pode conhecer essas m\u00fasicas e gostar delas, mas n\u00e3o esperar que a gente as toque. \u00c9 o tipo de coisa que pega a plateia de surpresa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos falar um pouco de \u201cSongs in the Key of Yikes\u201d, que voc\u00eas lan\u00e7aram em 2025. O primeiro tema que eu preciso debater \u00e9, obviamente, o trocadilho no t\u00edtulo com o disco de Stevie Wonder (\u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/05\/19\/air-revela-os-discos-que-influenciaram-moon-safari\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Songs in the Key of Life<\/a>\u201d, de 1976). De onde ele surgiu?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um trocadilho que traduz bem o momento do nosso pa\u00eds. \u00c9 um momento que tamb\u00e9m aconteceu a\u00ed no Brasil antes, com a ascens\u00e3o do fascismo e do nacionalismo branco. S\u00e3o movimentos bem nocivos se consolidando no poder. Todos os dias, h\u00e1 alguma not\u00edcia nos jornais que nos faz pensar \u201cmeu Deus, que porra t\u00e1 acontecendo?\u201d. Quanto ao disco do Stevie Wonder, \u00e9 um disco que sempre esteve na estante da minha fam\u00edlia, ouv\u00edamos muito quando eu era crian\u00e7a e adolescente. \u00c9 uma express\u00e3o que sempre usamos. Mas acho que transform\u00e1-la em algo um pouco menos positivo encaixa bem no momento que estamos vivendo agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que assusta nos Estados Unidos \u00e9 saber que Trump voltou ao poder. \u00c9 algo que n\u00e3o achamos que iria acontecer. Aqui no Brasil, agora vivemos a possibilidade n\u00e3o de ter Bolsonaro, mas sim seu filho na Presid\u00eancia. Voc\u00ea tem algum conselho?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s \u00e9 que dev\u00edamos pedir conselhos para os brasileiros, porque voc\u00eas conseguiram tirar Bolsonaro do poder e coloc\u00e1-lo na pris\u00e3o. Trump deveria estar na cadeia, mas n\u00e3o conseguimos fazer isso. Sinceramente, n\u00e3o sei. O que podemos fazer agora \u00e9 saber que as pessoas que apoiam Trump s\u00e3o uma minoria. Precisamos entender como enfrentar um sistema que eles est\u00e3o manipulando em benef\u00edcio pr\u00f3prio.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Is It Making You Feel Something\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/m54Moh4SYzQ?list=OLAK5uy_l2RZKW1zt1Zv10XUEITKIRd1eTIkSGMss\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apesar de ter \u201cyikes\u201d \u2013 algo como \u201ceca\u201d ou \u201ceita\u201d em portugu\u00eas \u2013, ainda assim este \u00e9 um t\u00edtulo bem humorado para um disco. Como foi grav\u00e1-lo?<\/strong><br \/>\nParte do esp\u00edrito do disco se deve \u00e0 Laura King. Como disse, ela se juntou a n\u00f3s alguns anos antes desse disco. Tocamos muito ao vivo juntos e o jeito dela tocar bateria foi uma das inspira\u00e7\u00f5es para que escrev\u00eassemos as can\u00e7\u00f5es do disco, porque sab\u00edamos que elas poderiam ter baterias marcantes. Com isso em mente, come\u00e7amos a criar as primeiras demos. Foi uma dire\u00e7\u00e3o diferente do que fizemos em \u201cWild Loneliness\u201d (2022), um disco mais ac\u00fastico, feito durante o per\u00edodo de isolamento social. \u00c9 natural: depois de um \u00e1lbum assim, quer\u00edamos ter um disco mais roqueiro e a Laura nos ajudou muito nesse sentido. Esse foi o nosso ponto de partida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma das m\u00fasicas que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o em \u201cSongs in the Key of Yikes\u201d foi \u201cNo Hope\u201d. O que te d\u00e1 esperan\u00e7a agora no mundo, Mac?<\/strong><br \/>\nVer shows, ver bandas ao vivo, estar numa sala com um monte de gente que est\u00e1 tentando achar uma forma de manter uma comunidade ativa. Isso me d\u00e1 esperan\u00e7a, ainda mais num momento em que h\u00e1 tantas for\u00e7as tentando destruir as comunidades. Tamb\u00e9m tenho esperan\u00e7a quando vejo quantas pessoas v\u00e3o \u00e0s ruas para protestar contra esse governo, para protestar contra o ICE, a pol\u00edcia de imigra\u00e7\u00e3o dos EUA. S\u00f3 uma minoria de pessoas apoia essas pol\u00edticas e esses pol\u00edticos. A for\u00e7a est\u00e1 do nosso lado quando conseguimos nos unir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E que shows bons voc\u00ea tem visto ultimamente?<\/strong><br \/>\nBem, vi um show incr\u00edvel esses dias. David Byrne tocou aqui em Durham com sua banda, incluindo o Mauro\u2026 (pensa um pouco)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mauro Refosco?<\/strong><br \/>\nSim, \u00e9 o percussionista que toca com ele h\u00e1 algum tempo. Foi um dos melhores shows que j\u00e1 vi. E olha que j\u00e1 vi Byrne outras vezes e j\u00e1 vi o Talking Heads, mas esse show foi incr\u00edvel. O que mais\u2026 (pensa). Sabe o que \u00e9 engra\u00e7ado? Meu filho tem 18 anos hoje. Ele toca bateria numa banda, outro dia eles estavam ensaiando uma m\u00fasica do Built to Spill. Pude ver o Built to Spill ano passado, foi um baita show. Sempre \u00e9 bom, mas agora eles t\u00eam uma cozinha que est\u00e1 muito forte. Todos os cl\u00e1ssicos e as m\u00fasicas novas funcionaram muito bem.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Superchunk - Wild Loneliness (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/87wgYBJNIEc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cWild Loneliness\u201d, de 2022, \u00e9 um dos nossos discos favoritos do Superchunk. Nesse disco, voc\u00eas t\u00eam a participa\u00e7\u00e3o de Raymond McGinley, do Teenage Fanclub. Como foi trabalhar com ele? \u00c9 uma amizade antiga?<\/strong><br \/>\nQuando come\u00e7amos o Superchunk l\u00e1 atr\u00e1s, lan\u00e7amos nossos tr\u00eas primeiros discos pela Matador Records \u2013 e o Teenage Fanclub tamb\u00e9m. Lembro que nos conhecemos naquela \u00e9poca, chegamos a fazer uma turn\u00ea juntos pelos Estados Unidos no come\u00e7o dos anos 1990. Talvez tenha sido na \u00e9poca de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/04\/06\/1991-the-year-creation-records-broke\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bandwagonesque<\/a>\u201d. Lembro tamb\u00e9m que abrimos para eles na Inglaterra na turn\u00ea de \u201cThirteen\u201d. J\u00e1 viajamos bastante juntos. Al\u00e9m disso, a Merge Records lan\u00e7ou todos os discos deles aqui nos Estados Unidos desde o \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/01\/12\/musica-man-made-teenage-fanclub\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Man Made<\/a>\u201d, de 2005. J\u00e1 trabalhamos muito juntos! Quanto ao \u201cWild Loneliness\u201d, preciso dizer que foi um disco dif\u00edcil de ser feito. Ele foi gravado exatamente nesta sala onde estou agora, isolado do resto do mundo. Por outro lado, como todo mundo estava trancado em casa, com seus pr\u00f3prios est\u00fadios, em meio \u00e0 pandemia, todo mundo estava online. Gra\u00e7as \u00e0 tecnologia, era f\u00e1cil mandar arquivos pela internet. Assim, pod\u00edamos mandar um al\u00f4 para o Norman [Blake] e o Raymond e pedir para eles colocarem vocais em uma m\u00fasica. Ou para a Tracyanne [Campbell], do Camera Obscura. Ou ent\u00e3o pedir para o Franklin Bruno, do Nothing Painted Blue, tocar piano. Apesar de n\u00e3o estarmos perto das pessoas, foi muito bom colaborar com tanta gente \u2013 e no fim das contas, colaborar a dist\u00e2ncia \u00e9 algo bem divertido!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 um disco que soa quente, mesmo tendo sido gravado com cada um em um canto\u2026<\/strong><br \/>\nQue bom! Bem, n\u00e3o foi t\u00e3o sozinho assim. Quando come\u00e7amos a gravar, o Jon vinha e montava a bateria de um lado da sala. Eu ficava aqui do outro lado, gravando com o notebook, apertando o bot\u00e3o de rec. N\u00f3s dois usamos m\u00e1scaras, claro. Foi um processo bem\u2026 fragmentado, mas no fim das contas deu certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 que estamos falando de colabora\u00e7\u00f5es, vamos falar sobre dois produtores com quem voc\u00eas trabalharam ao longo da carreira. Um deles \u00e9 o saudoso <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/07\/16\/entrevista-steve-albini\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Steve Albini<\/a>. Do que voc\u00ea se lembra quando pensa em Steve?<\/strong><br \/>\nSteve era um cara \u00fanico. Creio que ele mudou muito ao longo dos anos que nos conhecemos. Ele sempre foi muito legal conosco. Quando fizemos \u201cNo Pocky for Kitty\u201d, foi incr\u00edvel trabalhar com ele. Est\u00e1vamos muito nervosos, porque bem, ele j\u00e1 era o Steve Albini e n\u00f3s est\u00e1vamos apenas no nosso segundo disco. Mas ele foi capaz de reconhecer o que era importante na banda que estava gravando. Ele era muito intencional em capturar o que cada banda queria fazer. Mais do que isso, ele sabia fazer isso de um jeito muito eficiente \u2013 especialmente porque ele sabia que gravar era muito caro e as bandas pagavam com a conta. Ele realmente colocava o artista no centro do processo quando trabalhava. \u00c9 muito especial trabalhar com algu\u00e9m assim, em vez de trabalhar com algu\u00e9m que est\u00e1 s\u00f3 tentando impor sua pr\u00f3pria marca nas coisas. Entende? Claro, Steve tinha um som caracter\u00edstico por conta do jeito que ele trabalhava, mas esse era o som que n\u00f3s quer\u00edamos fazer. Ao longo dos anos, sempre o v\u00edamos quando est\u00e1vamos em Chicago. Tamb\u00e9m gravamos v\u00e1rias vezes no Electrical Audio. Steve era um grande defensor de que os artistas fizessem o que tinham vontade de fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O outro \u00e9 o Jim O\u2019Rourke, com quem voc\u00eas trabalharam no final dos anos 1990.<\/strong><br \/>\nGravamos \u201cCome Pick Me Up\u201d com Jim O\u2019Rourke justamente no est\u00fadio do Steve Albini. Jim tamb\u00e9m \u00e9 um cara incr\u00edvel. Adoro os discos que ele faz, adoro as ideias dele. Na \u00e9poca, sab\u00edamos que ele seria capaz de trazer algo especial para aquelas can\u00e7\u00f5es. Lembro que n\u00f3s pass\u00e1vamos o dia inteiro no est\u00fadio, gravando sem parar. Quando acab\u00e1vamos de gravar, Jim voltava para casa e passava a noite inteira escrevendo as partituras para cordas, os arranjos para metais, e depois voltava para o est\u00fadio. N\u00e3o sei a que hora ele dormia. Ok, ele \u00e0s vezes tirava um cochilo ou outro no sof\u00e1. Mas era realmente sensacional ver algu\u00e9m que estava a fim de trabalhar t\u00e3o duro quanto a gente, fazendo hor\u00e1rios malucos, para ver o disco acontecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por falar em horas de trabalho malucas, voc\u00ea tem outro trabalho al\u00e9m do Superchunk, que \u00e9 a Merge Records. \u00c9 uma gravadora cuja hist\u00f3ria se confunde com a hist\u00f3ria da pr\u00f3pria banda. Como est\u00e3o as coisas agora para voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nViver de m\u00fasica tem sido muito dif\u00edcil hoje em dia. Mais do que nunca, nunca tivemos tanta m\u00fasica boa sendo feita por a\u00ed. Mas tem sido muito dif\u00edcil ganhar dinheiro com a m\u00fasica que fazemos, porque os servi\u00e7os de streaming nos pagam muito pouco. Os servi\u00e7os de streaming, em sua maioria, foram criados para gerar dinheiro para seus donos e acionistas, n\u00e3o para os artistas. Isso chegou a um ponto em que eles agora tentam incorporar m\u00fasica feita por IA, para n\u00e3o precisar pagar ningu\u00e9m. \u00c9 contra esse tipo de coisa que estamos lutando hoje. Mas, como eu disse, h\u00e1 muita m\u00fasica incr\u00edvel sendo feita hoje em dia, o que ainda faz ser divertido lan\u00e7ar discos no mundo. Acabei de ouvir o disco novo do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Lambchop\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lambchop<\/a>, que deve sair em breve. Outro disco que vamos lan\u00e7ar nos pr\u00f3ximos meses \u00e9 o do Ibibio Sound Machine. S\u00e3o artistas dos quais somos f\u00e3s \u2013 e sempre que eles lan\u00e7am um disco novo, \u00e9 muito legal poder ouvir o que eles est\u00e3o fazendo. Hoje \u00e0 noite, vou ver o The New Pornographers ao vivo. Lan\u00e7amos o disco novo deles [\u201cThe Former Site Of\u201d] em mar\u00e7o, ent\u00e3o estou bem animado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Est\u00e1 mais dif\u00edcil hoje do que quando voc\u00eas come\u00e7aram, no final dos anos 1980?<\/strong><br \/>\nCom certeza. Quando come\u00e7amos, n\u00e3o havia nenhum jeito de ter acesso a discos de gra\u00e7a. N\u00e3o havia uma forma de fazer streaming de gra\u00e7a. As pessoas apoiavam as bandas comprando LPs, comprando CDs. Quando o Superchunk fez sua primeira turn\u00ea, tudo o que n\u00f3s t\u00ednhamos lan\u00e7ado era um compacto. Talvez tiv\u00e9ssemos dois. Mas poder\u00edamos fazer uma turn\u00ea com base nesses dois compactos \u2013 e as pessoas descobriam o que faz\u00edamos nas lojas de discos ou com ajuda do r\u00e1dio. Agora, com o streaming e a quantidade de lan\u00e7amentos que existem hoje, \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil se destacar em meio a tanto ru\u00eddo, \u00e9 dif\u00edcil furar a bolha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 um tema interessante. Crescemos usando a internet no Brasil \u2013 e acreditando que a internet era uma coisa boa. Gra\u00e7as a ela, pudemos descobrir bandas como o Superchunk, os <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Replacements\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Replacements<\/a> ou o Teenage Fanclub. S\u00e3o bandas que n\u00e3o tocavam no r\u00e1dio no Brasil. Mas agora, temos a mesma impress\u00e3o que voc\u00ea: \u00e9 muito dif\u00edcil passar por cima do ru\u00eddo e chegar a algo legal \u2013 e a\u00ed a internet virou um lugar chato.<\/strong><br \/>\nPois \u00e9. Constantemente, me pego tentando ouvir discos e consumir as coisas de um jeito moderno. Sei que tem gente que consegue ler o jornal no celular, ler longos artigos no smartphone. Para mim, n\u00e3o rola. Meus filhos assistem um filme inteiro na tela do celular! Mas \u00e9 esse o mundo que n\u00f3s vivemos hoje. Temos que nos adaptar ao jeito como as pessoas consomem m\u00fasica hoje. Felizmente, muita gente ainda quer ouvir discos de vinil e CDs. Mas \u00e9 sempre uma d\u00favida: quando vamos lan\u00e7ar um disco, sempre nos questionamos. \u201cSer\u00e1 que as pessoas querem CDs?\u201d \u201cSer\u00e1 que as pessoas querem vinil?\u201d. \u201cQual \u00e9 o jeito que as pessoas est\u00e3o ouvindo m\u00fasica?\u201d. E em muitos casos, acho que \u00e9 no streaming, ent\u00e3o\u2026 temos de estar l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No Brasil, muitas bandas est\u00e3o lan\u00e7ando discos de vinil agora. E isso \u00e9 bom, mas \u00e9 curioso: temos amigo que \u00e9 colecionador de CDs, e ele fica chateado que ningu\u00e9m mais lan\u00e7a CDs hoje em dia. (risos)<\/strong><br \/>\nPois \u00e9, faz parte! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(Nota da reda\u00e7\u00e3o: o amigo \u00e9 ningu\u00e9m mais que Marcelo Costa, editor deste site. Bandas do Brasil e do mundo, sigam fazendo CDs para continuar forrando a parede da casa do Marcelo!)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m de ser mais dif\u00edcil ganhar dinheiro com o streaming, tamb\u00e9m parece que est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil fazer turn\u00eas. Tanto com o Superchunk quanto apoiando novos artistas na Merge, como as coisas est\u00e3o funcionando para voc\u00eas?<\/strong><br \/>\n\u00c9 dif\u00edcil fazer turn\u00eas \u2013 e \u00e9 muito dif\u00edcil ganhar dinheiro com turn\u00eas. Nem sei como as coisas v\u00e3o ser, agora que o pre\u00e7o da gasolina aumentou consideravelmente por aqui. O que sei \u00e9 que sempre achamos um jeito de rodar, porque amamos tocar ao vivo. \u00c9 uma parte importante da vida de uma banda. Se voc\u00ea lan\u00e7a um disco, voc\u00ea precisa tocar essas can\u00e7\u00f5es ao vivo. N\u00f3s amamos fazer isso. Ir ao Brasil, por exemplo, custa muito caro. N\u00e3o ser\u00e1 uma turn\u00ea em que vamos ganhar muito dinheiro. Mas uma das melhores coisas de estar numa banda \u00e9 poder tocar ao vivo. \u00c9 poder conhecer lugares aos quais voc\u00ea n\u00e3o iria se fosse de outra forma. Vejo que muitas bandas est\u00e3o tentando encontrar um jeito de fazer isso funcionar. Mas tamb\u00e9m consigo entender se uma banda disser que n\u00e3o vai para a estrada at\u00e9 que o pre\u00e7o da gasolina baixe, por exemplo, porque n\u00e3o pode correr o risco de perder dinheiro numa turn\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda falando sobre a Merge, voc\u00eas j\u00e1 lan\u00e7aram muitos discos hist\u00f3ricos \u2013 caso de \u201cIn the Aeroplane over the Sea\u201d, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/03\/30\/musica-funeral-arcade-fire\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Funeral<\/a>\u201d ou \u201c69 Love Songs\u201d, s\u00f3 para citar tr\u00eas. Mas qual \u00e9 o maior orgulho que voc\u00ea tem ao longo desses mais de 35 anos?<\/strong><br \/>\nTemos muita sorte de poder trabalhar com todos os artistas que j\u00e1 trabalhamos. Uma das coisas que mais me orgulho \u00e9 o fato de que temos relacionamentos muito duradouros com alguns artistas \u2013 e eles continuam querendo que n\u00f3s lancemos os seus discos. Bandas como o Lambchop, The Clientele ou o Teenage Fanclub, por exemplo. \u00c9 um privil\u00e9gio poder ver esses artistas evolu\u00edrem, crescerem e se transformarem \u2013 e ainda poder participar disso lan\u00e7ando seus discos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas voc\u00ea tem discos favoritos? Tipo uma lista da ilha deserta s\u00f3 da Merge?<\/strong><br \/>\nMeu Deus! Acho que n\u00e3o. N\u00e3o quero citar nomes, n\u00e3o quero que pare\u00e7a que estou favorecendo ningu\u00e9m! (risos)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"De Mel, De Mel\u00e3o\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mYWVowpyAQ2l8w5kv_BtWWEChmdharYTs\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 justo, \u00e9 justo! Vamos falar de outros favoritos ent\u00e3o: voc\u00ea tem um relacionamento muito pr\u00f3ximo com a m\u00fasica brasileira, at\u00e9 pelo que foi registrado no EP \u201cDe Mel, De Mel\u00e3o\u201d, do Portastatic. Como esse relacionamento come\u00e7ou? Foi quando o Superchunk veio ao Brasil? Foi antes? Como a m\u00fasica brasileira chegou at\u00e9 voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nQuando eu era crian\u00e7a, meu pai tinha os discos de bossa nova do Stan Getz, como \u201cGetz\/Gilberto\u201d. Eu n\u00e3o sabia bem o que era aquilo, mas era algo que n\u00f3s ouv\u00edamos muito, que sempre esteve no meu inconsciente. Em algum momento dos anos 1990, meu amigo Jonathan Marx, que tocava no Lambchop, tocou um disco do Caetano para mim. Era um dos discos mais malucos do Caetano, \u201cAra\u00e7\u00e1 Azul\u201d (1972). N\u00e3o sei se entendi bem o que estava acontecendo no disco, mas achei aquele som muito interessante. Jonathan tamb\u00e9m me falou dos Mutantes. Naquela \u00e9poca, era bem dif\u00edcil achar esses discos nos Estados Unidos, mas comecei a procurar pelos CDs. Se havia algo de m\u00fasica brasileira nos EUA na \u00e9poca, \u00e9 porque estavam relan\u00e7ando os CDs aqui. Lembro de falar sobre m\u00fasica brasileira com Jim O\u2019Rourke quando est\u00e1vamos gravando \u201cCome Pick Me Up\u201d. Quando finalmente fomos ao Brasil, eu tinha uma lista imensa de discos que eu estava procurando. N\u00e3o vou conseguir lembrar o nome da loja, mas lembro de estar numa loja gigante de discos em S\u00e3o Paulo. Havia s\u00f3 CDs, mas era gigante. Passeei pelos corredores com o Boffa e ele ficava apontando os discos: \u201cesse \u00e9 bom, esse tamb\u00e9m\u201d. Tamb\u00e9m lembro que fizemos uma noite de aut\u00f3grafos numa loja de discos em S\u00e3o Paulo, era um lugar bem chique, parecia uma Tower Records \u2013 e aproveitei para comprar um monte de discos ali tamb\u00e9m. Espero que a gente tenha tempo de comprar alguns discos novos dessa vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi escolher as m\u00fasicas que voc\u00ea queria registrar no EP?<\/strong><br \/>\nEscolhi as coisas que eu estava mais escutando na \u00e9poca. Tamb\u00e9m fiz um filtro para ver o que eu conseguiria cantar. Lembro que mandei algumas das letras para a Al\u00ea [Briganti], dos <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Pin+Ups\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pin Ups<\/a>. Pedi a ela para traduzir as letras para mim, s\u00f3 para ter certeza de que eu entendia o significado daquelas m\u00fasicas. N\u00e3o \u00e9 como se eu estivesse s\u00f3 cantando essas palavras sem que elas significassem algo para mim. Foi muito bacana fazer esse disco \u2013 mesmo que tenha sido muito dif\u00edcil cantar algumas das m\u00fasicas ali. Mas confesso que fazer os novos arranjos foi bem, bem divertido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 mais alguma m\u00fasica brasileira que voc\u00ea gostaria de gravar por agora?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei! Ultimamente, ando bastante ocupado reaprendendo a tocar can\u00e7\u00f5es antigas para a turn\u00ea. Temos tocado muita coisa que n\u00e3o tocamos h\u00e1 um bom tempo, ent\u00e3o n\u00e3o tenho tido muito tempo para pensar em gravar algo novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Faz sentido! Para fechar, Mac: temos uma pergunta tradicional para encerrar nossas entrevistas, que \u00e9 saber os cinco discos que voc\u00ea levaria para a ilha deserta.<\/strong><br \/>\nAh n\u00e3o! Voc\u00ea n\u00e3o pode me perguntar isso no \u00faltimo minuto da entrevista, cara. Voc\u00ea tem que me dar tr\u00eas dias para eu poder pensar numa lista dessas! (risos) Vou tentar fazer algo r\u00e1pido, com as primeiras coisas que vierem na cabe\u00e7a. Vamos l\u00e1. \u201cPower, Corruption and Lies\u201d, do New Order. \u201cThe River\u201d, do Bruce Springsteen. \u201cCompilation\u201d, uma colet\u00e2nea do The Clean. Tenho tr\u00eas at\u00e9 agora, n\u00e9? \u201cTreasure\u201d, do Cocteau Twins. E vou com uma colet\u00e2nea da Joyce \u2013 em CD, porque tem um monte de can\u00e7\u00f5es nela!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muito bom. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=joyce\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Joyce \u00e9 incr\u00edvel<\/a>, ela fez um show do \u201cFeminina\u201d no ano passado e foi excelente!<\/strong><br \/>\nSabe que eu nunca a vi ao vivo? Muitos artistas brasileiros j\u00e1 vieram aqui. Vi Caetano algumas vezes, Gal Costa, Gilberto Gil, Jorge Ben. Mas nunca vi a Joyce. Ela sempre toca em Nova York e em Los Angeles. Ela toca no Blue Note de Nova York, mas nunca consegui ir l\u00e1 para v\u00ea-la.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Superchunk live @ MTV Brasil\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/23OU6vv2GqI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mac McCaughan (Superchunk) - Digging for Something (Centro Cultural S\u00e3o Paulo \/ S\u00e3o Paulo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hu9_R-V4LZw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Superchunk - My Gap Feels Weird @ Virada Cultural Paulista\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cS83r0GuqGI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Superchunk - Full Performance (Live on KEXP)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0qjx3JNvlMI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Superchunk, \u201cThrowing Things,\u201d Indieplaza 2026, Rockefeller Center, NYC, 4\/18\/2026\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xhyJa9get_s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/x.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@noacapelas<\/a>)\u00a0\u00e9 jornalista. Apresenta o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/programadeindie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a>\u00a0e escreve a newsletter\u00a0<a href=\"https:\/\/meusdiscosmeusdrinks.substack.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Meus Discos, Meus Drinks e Nada Mais<\/a>. Colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010.<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/igrmllr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0Igor M\u00fcller<\/a>\u00a0\u00e9 locutor de r\u00e1dio e um dos respons\u00e1veis pelo\u00a0Programa de Indie.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"McCaughan fala de tudo um pouco: Steve Albini, Donald Trump, David Byrne, dos desafios de sobreviver ao streaming, da paix\u00e3o pela m\u00fasica brasileira\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/05\/27\/mac-mccaughan-superchunk-ver-shows-ver-bandas-ao-vivo-isso-me-da-esperanca\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":95977,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[8232],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95976"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=95976"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95976\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":95978,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95976\/revisions\/95978"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95977"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=95976"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=95976"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=95976"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}