{"id":95571,"date":"2026-05-04T06:30:41","date_gmt":"2026-05-04T09:30:41","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=95571"},"modified":"2026-05-04T07:17:12","modified_gmt":"2026-05-04T10:17:12","slug":"dean-wareham-sou-basicamente-o-mesmo-guitarrista-que-eu-era-em-1989","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/05\/04\/dean-wareham-sou-basicamente-o-mesmo-guitarrista-que-eu-era-em-1989\/","title":{"rendered":"Entrevista: \u201cSou o mesmo guitarrista que eu era em 1989\u201d, diz Dean Wareham, que faz dois shows no Brasil nesta semana"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/jeveiga\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jo\u00e3o Eduardo Veiga<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAcho que fizemos lindas can\u00e7\u00f5es. N\u00e3o sei exatamente como, mas fizemos\u201d, disse certa vez <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=dean+wareham\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dean Wareham<\/a> sobre o Galaxie 500.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formada em 1987 por ele (guitarra e voz), Naomi Yang (baixo e voz) e Damon Krukowski (bateria), colegas na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, a banda s\u00f3 precisou de quatro anos e tr\u00eas LPs para, mesmo negando os r\u00f3tulos, se tornar refer\u00eancia fundadora do dream pop e do shoegaze.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a separa\u00e7\u00e3o foi mais ruidosa que os discos, Wareham n\u00e3o levou muito tempo para convocar ex-integrantes de duas de suas maiores influ\u00eancias, The Feelies e The Chills, e montar uma esp\u00e9cie de supergrupo indie (ou, como definiu a Rolling Stone, \u201ca melhor banda da qual voc\u00ea nunca ouviu falar\u201d). O <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2001\/01\/27\/show-luna-em-sao-paulo-e-sao-carlos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Luna<\/a> era capaz de muita coisa, mas sabia bem o que n\u00e3o queria. Foi sempre um pouco menos \u2013 e, talvez por isso, melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No total, o curr\u00edculo de Dean Wareham conta com mais de 20 \u00e1lbuns. Entram nessa conta o duo com Britta Phillips (sua parceira em casa e no trabalho h\u00e1 25 anos, desde os \u00faltimos discos do Luna), m\u00fasica para testes de elenco de antigos filmes experimentais de Andy Warhol, trilhas sonoras para longas do Noah Baumbach (diretor que tamb\u00e9m o escala regularmente para pontas como ator em filmes como &#8220;Frances Ha&#8221;,\u00a0&#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/11\/20\/cinema-mistress-america\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mistress America<\/a>&#8221; e &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/01\/13\/cinema-ruido-branco-de-noah-baumbach-e-interessante-exorbitante-e-entediante-e-merece-ser-visto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ru\u00eddo Branco<\/a>&#8220;, entre outros), can\u00e7\u00f5es de Natal, covers de cl\u00e1ssicos country e \u00f3timos discos solo. S\u00e3o quase quatro d\u00e9cadas de uma trajet\u00f3ria no m\u00ednimo respeit\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, seu instrumento preferido continua sendo o acaso. Algo entre o zen e o cool \u2013 o \u201cn\u00e3o sei exatamente como\u201d da frase que abre este texto (que veio da primeira entrevista que fiz com ele, em 2003, para a revista Rock Press). \u201cMiles Davis disse a John McLaughlin: \u2018toque guitarra como se voc\u00ea n\u00e3o soubesse tocar guitarra\u2019. E eu descobri que toco melhor quando n\u00e3o sei o que estou fazendo\u201d, me contou, dez anos mais tarde, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/12\/15\/entrevista-dean-wareham\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">numa conversa publicada aqui no Scream &amp; Yell<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma que Elvis Costello se negou a endireitar os dentes, com medo de que a mudan\u00e7a interferisse em sua voz, Wareham nunca quis aprender a tocar \u201cmelhor\u201d e correr o risco de deixar de ser o artista que \u00e9. \u201cNo fundo, sou basicamente o mesmo guitarrista que eu era em 1989\u201d, confidencia nesta nova entrevista, que antecede seu retorno ao Brasil ap\u00f3s 15 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com shows confirmados em S\u00e3o Paulo (<a href=\"https:\/\/fastix.com.br\/events\/vapors-of-morphine-e-dean-wareham-em-sao-paulo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">9 de maio, no Cine Joia<\/a>, com <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/04\/30\/entrevista-dana-colley-disseca-discografia-do-morphine-antes-de-show-em-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vapors of Morphine<\/a>) e, pela primeira vez, no Rio de Janeiro (<a href=\"https:\/\/articket.com.br\/e\/5755\/dean-wareham-no-rio-de-janeiro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">8 de maio, no Cord\u00e3o do Bola Preta<\/a>, com Oru\u00e3), baseados sobretudo no repert\u00f3rio do Galaxie 500, ele fala sobre passagens anteriores pelo Brasil, seu disco mais recente e o contato com os antigos colegas de banda. Sem deixar a pol\u00edtica de lado (\u201co Partido Republicano \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o mais perigosa do mundo\u201d), relata ainda um experimento com o ChatGPT (\u201ctentei escrever sobre um coelho lutando no Vietn\u00e3\u201d) e indica os discos, livros, filmes e s\u00e9ries que t\u00eam feito sua cabe\u00e7a.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Luna - Full Performance (Live on KEXP)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rDwaylt7gv0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Luna acabou de encerrar uma turn\u00ea nos Estados Unidos. Como foi?<\/strong><br \/>\nFoi \u00f3timo, seis shows. Para mim, hoje, esse \u00e9 o tamanho certo de uma turn\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea acha que o Luna \u00e9 melhor ao vivo hoje do que era antes?<\/strong><br \/>\nQuando voltamos a fazer show depois de muito tempo, dez anos atr\u00e1s, estudamos a fundo nossos discos, ent\u00e3o estamos tocando muito bem. Al\u00e9m do mais, como n\u00e3o temos contrato com nenhuma gravadora ou qualquer press\u00e3o por um hit, tocamos porque queremos tocar. Por isso podemos simplesmente relaxar e nos divertir. N\u00e3o pegamos a estrada para promover um disco, s\u00f3 fazemos shows quando e onde faz sentido fazermos shows. \u00c9 divertido. Ver uma banda infeliz no palco n\u00e3o \u00e9 divertido para ningu\u00e9m. O p\u00fablico percebe quando voc\u00ea est\u00e1 se divertindo. Mas, para falar a verdade, ainda acho mais divertido fazer um show com a Britta que inclua m\u00fasicas do Galaxie 500, do Luna e dos meus discos solo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando o Luna tocou no Brasil, em 2001, voc\u00ea n\u00e3o estava se divertindo tanto, certo? Pelo menos foi o que deu a entender no seu livro de mem\u00f3rias, &#8220;<a href=\"https:\/\/amzn.to\/4nfniRS\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Black Postcards<\/a>&#8220;, de 2008.<\/strong><br \/>\nFoi uma \u00e9poca complicada porque meu casamento tinha acabado de se desintegrar e terminou oficialmente naquele ver\u00e3o. E tinha tamb\u00e9m o fato de eu estar saindo com a Britta, algo que ainda era um segredo. N\u00e3o para a banda, eles sabiam, mas ainda assim era delicado. N\u00f3s nos divertimos naquela viagem, sim, por\u00e9m foi um ano tenso para o Luna. Qualquer pessoa que tenha passado por um div\u00f3rcio sabe que n\u00e3o \u00e9 legal. Quer dizer, \u00e9 triste e \u00e9 empolgante, tamb\u00e9m. As duas coisas, acho.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Luna - 4th of july (Live in BH, Brazil 2001)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gRmq26xz4D4?list=PL784E8580150C5AD8\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em nossa entrevista de 2013, voc\u00ea disse que o show que fez em S\u00e3o Paulo, em 2011, com o repert\u00f3rio do Galaxie 500, havia sido um dos melhores da sua vida. Como ficou essa lembran\u00e7a depois de 15 anos?<\/strong><br \/>\nFizemos dois shows em S\u00e3o Paulo em 2011, um do disco &#8220;13 Most Beautiful: Songs for Andy Warhol&#8217;s Screen Tests&#8221; e outro com m\u00fasicas do Galaxie 500. O p\u00fablico foi incr\u00edvel. Tive uma imensa surpresa ao atravessar o mundo e descobrir que milhares de pessoas, tanto mais velhas quanto jovens, sabiam de cor as letras de cada can\u00e7\u00e3o. E adoro tocar em cidades nas quais n\u00e3o conhe\u00e7o praticamente ningu\u00e9m. \u00c9 exatamente o oposto do que acontece em Nova York, onde tenho fam\u00edlia e amigos aos montes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pela primeira vez voc\u00ea vai tocar no Rio de Janeiro. Em 2001 o Luna passou por cinco cidades brasileiras, inclusive do interior, e nem chegou perto do Rio.<\/strong><br \/>\nBem, at\u00e9 nos Estados Unidos h\u00e1 cidades onde nunca toquei. Miami, por exemplo. \u00c9 um lugar com uma identidade musical muito pr\u00f3pria e onde bandas indie n\u00e3o costumam fazer shows. O mesmo vale para Nashville, Memphis e Nova Orleans. S\u00e3o cidades com uma cena muito forte e muito local. Mas estou animado para tocar no Rio. Confesso que n\u00e3o sei muito sobre a cidade, nunca estive l\u00e1. Britta j\u00e1 esteve uma vez. Quem sabe eu n\u00e3o consiga dar uma volta, estou tentando garantir pelo menos um dia livre. Muitas vezes voc\u00ea viaja meio mundo e tudo o que v\u00ea \u00e9 o interior de uma casa de show. \u00c9 deprimente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que podemos esperar dos shows?<\/strong><br \/>\nDa \u00faltima vez tocamos no Brasil como um quarteto, agora seremos um trio. Gosto das duas forma\u00e7\u00f5es, mas \u00e0s vezes prefiro o trio. Todos precisam se esfor\u00e7ar um pouco mais para fazer um som robusto, mas no fim fica mais parecido com o que o Galaxie 500 era ao vivo. Amanh\u00e3, 21 de abril, vamos ensaiar pela primeira vez. Temos quatro ensaios previstos para as pr\u00f3ximas duas semanas. Quero incluir no setlist pelo menos duas m\u00fasicas do meu disco solo mais recente. A Britta vai cantar, tamb\u00e9m. E vamos tentar descobrir como tocar algumas do Luna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vai ser \u00f3timo poder ouvir alguma coisa dos seus discos solo.<\/strong><br \/>\nAcho que minhas melhores composi\u00e7\u00f5es est\u00e3o nos meus dois \u00faltimos \u00e1lbuns. Mas \u00e9 normal que o p\u00fablico queira ouvir as mais antigas, pois \u00e9 com elas que as pessoas t\u00eam mais hist\u00f3rias. Gosto de colocar pelo menos uma ou outra can\u00e7\u00e3o nova no repert\u00f3rio pois me divirto tocando.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Dean Wareham - Full Performance (Live on KEXP)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/F1QhSL4q2_w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Seu \u00faltimo disco, That&#8217;s the Price of Loving Me, de 2025, re\u00fane voc\u00ea e Kramer, produtor dos \u00e1lbuns do Galaxie 500, pela primeira vez desde 1990. Como foi esse reencontro?<\/strong><br \/>\nPosso dizer que nos esfor\u00e7amos para n\u00e3o nos repetir no est\u00fadio. N\u00e3o quisemos usar os mesmos truques dos discos do Galaxie 500. Al\u00e9m de essa nova leva de can\u00e7\u00f5es ter estruturas de acordes mais complexas, Kramer insistiu para que eu gravasse todas as guitarras. Acho que foi uma boa ideia. No fundo, sou basicamente o mesmo guitarrista que era em 1989.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Basicamente? O que mudou?<\/strong><br \/>\nHoje sei mais acordes. Mas durante os solos sinto que continuo usando as mesmas escalas e tirando os mesmos sons, ainda que nos anos 90 eu tenha experimentado mais com pedais e efeitos estranhos. Agora voltei a usar s\u00f3 um ou outro. Mas nos meus \u00faltimos dois discos me obriguei a compor m\u00fasicas com mudan\u00e7as de tonalidade e acordes com s\u00e9tima maior, por exemplo. Se voc\u00ea for estudar <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/10\/20\/tres-filmes-schumacher-val-the-velvet-underground\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">as m\u00fasicas do Velvet Underground<\/a> vai descobrir que muitas est\u00e3o repletas de acordes, v\u00e1rios deles bem complexos. N\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 tr\u00eas, como muita gente gosta de repetir. Eles n\u00e3o eram idiotas, eram m\u00fasicos de verdade. Alguns deles, pelo menos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O cantor mudou mais que o guitarrista?<\/strong><br \/>\nMinha voz est\u00e1 um pouco mais grave, embora eu ainda consiga cantar as m\u00fasicas do Galaxie 500. S\u00f3 n\u00e3o gosto de fazer isso por muitas noites seguidas, porque a garganta reclama. Depois dos shows preciso ter cuidado para n\u00e3o falar demais. Mas no \u00faltimo disco cantei num tom mais grave que a minha extens\u00e3o vocal e muito mais perto do microfone do que de costume. Quando gravamos com o Galaxie 500 eu ficava bem mais longe e cantava alto. Hoje provavelmente sei usar melhor o microfone.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o compositor?<\/strong><br \/>\nA diferen\u00e7a \u00e9 que hoje trabalho mais nas letras. H\u00e1 boas letras no Galaxie 500, claro, mas muitas vezes eu entrava no est\u00fadio s\u00f3 com metade das can\u00e7\u00f5es escritas. Terminava no \u00faltimo minuto. Fazia tudo muito, muito r\u00e1pido. Por isso as letras eram curtas. N\u00e3o era incomum a primeira estrofe ser igual \u00e0 segunda e \u00e0 terceira&#8230; De vez em quando vou cantar alguma delas e penso: \u201cmeu Deus, eu queria ter trabalhado mais nisso.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais, por exemplo?<\/strong><br \/>\nAs letras de algumas das demos do Galaxie 500, aquelas grava\u00e7\u00f5es iniciais que lan\u00e7amos recentemente no &#8220;<a href=\"https:\/\/galaxie500.bandcamp.com\/album\/uncollected-noise-new-york-88-90\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uncollected Noise New York &#8217;88\u2013&#8217;90&#8221;,<\/a> me deixam constrangido. Mas, bem, foi justamente por isso que n\u00e3o as lan\u00e7amos na \u00e9poca. Penso tamb\u00e9m nas do &#8220;Bewitched&#8221;, do Luna. \u00c9 aquela coisa, est\u00e1vamos sempre com tanta pressa para gravar&#8230; Assim era o ciclo do contrato com uma grande gravadora: compor as m\u00fasicas, gravar um \u00e1lbum, sair em turn\u00ea e, pronto, come\u00e7ar tudo de novo para que todo mundo fosse pago. \u00c0s vezes isso nos empurrava para o est\u00fadio antes de estarmos prontos. Hoje posso fazer as coisas no meu pr\u00f3prio ritmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea uma vez falou que palavras n\u00e3o surgem magicamente, precisam ser \u201croubadas\u201d de algum lugar.<\/strong><br \/>\nRoubar, pegar emprestado, lembrar, combinar&#8230; N\u00e3o considero roubo, na verdade. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/04\/17\/os-10-primeiros-filmes-de-godard\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Godard<\/a> disse que n\u00e3o importa de onde voc\u00ea tira, mas para onde voc\u00ea leva. Eu componho tanto m\u00fasica quanto letra, que s\u00e3o dois processos muito distintos. Acontece de eu pegar uma sequ\u00eancia de acordes de que gosto em outra can\u00e7\u00e3o e mudar o tom para se adequar \u00e0 minha voz. Essa \u00e9 a parte f\u00e1cil. Escrever letras \u00e9 a dif\u00edcil. E \u00e0s vezes me pergunto por que me dedico tanto a isso, j\u00e1 que a maioria das pessoas nem presta aten\u00e7\u00e3o ao que est\u00e1 sendo dito. Mas \u00e9 mais para mim mesmo. N\u00e3o quero cantar algo que considero clich\u00ea, fico constrangido. \u201cO c\u00e9u \u00e9 azul\u201d&#8230; Fica mais interessante se o c\u00e9u for de outra cor. Mas a verdade \u00e9 que algumas letras v\u00eam r\u00e1pido, enquanto outras&#8230; Veja s\u00f3 a diferen\u00e7a entre <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/11\/um-breve-olhar-sobre-a-discografia-de-leonard-cohen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonard Cohen<\/a> e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Bob+Dylan\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bob Dylan<\/a>. Cohen trabalhava numa m\u00fasica por seis meses ou algo assim, revisando sem parar. \u00c0s vezes \u00e9 necess\u00e1rio fazer isso. J\u00e1 Dylan parece ser capaz de sentar e escrever tudo de uma vez, embora j\u00e1 tenha dito que n\u00e3o sabe como comp\u00f4s tudo aquilo nos anos 1960. Com um pouquinho de anfetamina, talvez&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Galaxie 500 - Fourth of July (Official Video) HD\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zUD55q_54PE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2013 voc\u00ea me disse que passava semanas pensando na sequ\u00eancia de um disco, embora soubesse que as pessoas simplesmente escolhiam as faixas que queriam ouvir no iTunes. E agora, ent\u00e3o, quando o padr\u00e3o \u00e9 ouvir m\u00fasica em playlists geradas por algoritmos via streaming?<\/strong><br \/>\nVoc\u00ea ouve muita m\u00fasica assim, em playlists geradas por algoritmos? Eu raramente fa\u00e7o isso. Prefiro criar minhas pr\u00f3prias playlists ou encontrar um DJ em que confie. De qualquer forma, ainda produzo m\u00fasica no formato de \u00e1lbum e sei, ou espero, que quem \u00e9 f\u00e3 de verdade ou\u00e7a tudo at\u00e9 o fim. Ent\u00e3o ainda paro e penso sobre o fluxo das faixas, mesmo tendo em mente que algumas pessoas n\u00e3o v\u00e3o passar das tr\u00eas primeiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00ea acha da intelig\u00eancia artificial, uma m\u00e1quina que pode gerar conte\u00fado infinitamente? Faz voc\u00ea repensar alguma coisa sobre o que significa escrever?<\/strong><br \/>\nNunca usei IA. Quer dizer, tentei uma vez. Pedi ao ChatGPT para escrever uma m\u00fasica sobre um coelho lutando na Guerra do Vietn\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um coelho lutando no Vietn\u00e3?<\/strong><br \/>\nFoi a coisa mais estranha que me veio \u00e0 cabe\u00e7a. Queria ver o que o ChatGPT iria inventar. O resultado nem foi t\u00e3o ruim, mas n\u00e3o usei para nada. E foi a \u00fanica vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por falar em Vietn\u00e3&#8230; &#8220;That&#8217;s the Price of Loving Me&#8221; parece ser seu disco mais pol\u00edtico. Fecha com \u201cThe Cloud Is Coming\u201d, que diz, no refr\u00e3o, \u201cn\u00e3o vejo diferen\u00e7a entre o azul e o vermelho\u201d. \u00c9 uma vis\u00e3o sombria da democracia americana, os dois partidos como uma coisa s\u00f3.<\/strong><br \/>\nTem gente que diz que Republicanos e Democratas s\u00e3o duas alas do mesmo grande partido. No que se refere \u00e0 pol\u00edtica externa, pelo menos, s\u00e3o de fato muito parecidos. Mas, claro, o Partido Republicano est\u00e1 completamente ensandecido. \u00c9 a organiza\u00e7\u00e3o mais perigosa do mundo. O que vimos nos \u00faltimos anos foi que ambos enfrentaram candidatos outsiders com ideias fortes que amea\u00e7avam suas lideran\u00e7as. Os Democratas foram amea\u00e7ados por Bernie Sanders. Os Republicanos, por Donald Trump. O que aconteceu foi que Democratas conseguiram fazer uma manobra para derrotar Sanders. O establishment Republicano, no entanto, n\u00e3o foi capaz de deter Trump, o que acabou sendo uma b\u00ean\u00e7\u00e3o para eles. Agora \u00e9 o partido de Trump. E, claro, ele tem sido um desastre em muitos n\u00edveis. Para nossas institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, para pessoas queer e imigrantes, para o clima, para o mundo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"That\u2019s the Price of Loving Me\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_lEi8dt4EugY5qjIEAQeLndO3th0L-yYzo\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando ao &#8220;Uncollected Noise New York &#8217;88-&#8217;90&#8221;. Como foi fazer a compila\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nDamon e Naomi, quando sugeriram lan\u00e7armos aquelas grava\u00e7\u00f5es, pensavam que t\u00ednhamos umas duas ou tr\u00eas faixas in\u00e9ditas. Eu disse: \u201cn\u00e3o, temos muito mais, pelo menos sete\u201d. Acho que eles ficaram surpresos, n\u00e3o se lembravam de muita coisa. Eu tamb\u00e9m n\u00e3o ouvia aquilo h\u00e1 muito tempo. O que posso dizer \u00e9 que n\u00e3o s\u00e3o nossas melhores m\u00fasicas, mas ainda assim d\u00e1 para perceber que somos n\u00f3s tr\u00eas tocando juntos. E aqui e ali tem uns 20 segundos com uma guitarra bacana ou uma percuss\u00e3o bonita. Cada faixa tem algo interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi se reaproximar de Damon e Naomi para esse trabalho? Existe alguma possibilidade de a colabora\u00e7\u00e3o ir al\u00e9m disso?<\/strong><br \/>\nSomos como pais divorciados cuidando dos filhos que tiveram juntos. Ainda temos coisas a discutir. Relan\u00e7amentos, camisetas, essas coisas. N\u00e3o somos amigos nem inimigos. Mas, n\u00e3o, nossa colabora\u00e7\u00e3o n\u00e3o vai mais longe do que isso.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-95583 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/dean3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/dean3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/dean3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea e Britta est\u00e3o juntos como casal h\u00e1 mais de 20 anos e colaboram em praticamente todos os projetos musicais um do outro. Como tem sido sustentar uma parceria pessoal e criativa por tanto tempo?<\/strong><br \/>\nTem sido \u00f3timo. Temos a sorte de ser dois m\u00fasicos vivendo sob o mesmo teto, sempre colaborando e viajando juntos. E temos habilidades diferentes. Eu componho mais, mas Britta \u00e9 muito boa em mixagem e arranjos. Ela \u00e9 a engenheira de som da casa. Estamos sempre trabalhando em alguma m\u00fasica, lan\u00e7amos duas can\u00e7\u00f5es por m\u00eas <a href=\"https:\/\/www.patreon.com\/deanandbritta\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no nosso canal no Patreon<\/a>. Covers, demos, grava\u00e7\u00f5es ao vivo. E um novo \u00e1lbum de <a href=\"https:\/\/deanandbritta.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dean &amp; Britta<\/a> est\u00e1 nos planos para o ano que vem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pode adiantar alguma coisa?<\/strong><br \/>\nAinda est\u00e1 muito no in\u00edcio. Tenho umas sete can\u00e7\u00f5es que ainda n\u00e3o s\u00e3o can\u00e7\u00f5es de fato, mas trabalho nelas todo dia. Recentemente gravamos uma vers\u00e3o de uma m\u00fasica antiga dos Rolling Stones para o nosso Patreon. Ainda n\u00e3o saiu, mas cantamos juntos e ficou bem bonito. Acho que s\u00f3 d\u00e1 para cantar assim com algu\u00e9m com quem voc\u00ea est\u00e1 junto h\u00e1 muito tempo. \u00c9 como os Everly Brothers, as vozes deles simplesmente funcionam juntas. Acho que as nossas tamb\u00e9m. N\u00e3o somos irm\u00e3os, mas somos um casal. E quem faz as harmonias \u00e9 a Britta, que entende disso muito melhor do que eu. Ela cresceu cantando harmonias com a irm\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2003 voc\u00ea me disse que seu disco favorito do Galaxie 500 era &#8220;Today&#8221; e o do Luna, &#8220;Penthouse&#8221;. Continua assim?<\/strong><br \/>\nSim, esses ainda s\u00e3o meus \u00e1lbuns favoritos do Galaxie 500 e do Luna. Do Dean &amp; Britta, nosso primeiro \u00e1lbum, &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/01\/12\/l-avventura-dean-wareham-britta-phillips\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">L&#8217;Avventura<\/a>&#8220;, talvez seja meu preferido, mas tamb\u00e9m adoro a trilha sonora que fizemos para o filme &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/11\/20\/cinema-mistress-america\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mistress America<\/a>&#8220;. E tenho muito orgulho dos meus dois \u00faltimos \u00e1lbuns solo. \u00c9 bom saber que ainda d\u00e1 para fazer m\u00fasica boa depois dos 50 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Shoegaze e dream pop est\u00e3o de volta, especialmente entre a gera\u00e7\u00e3o Z. Bandas como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Slowdive\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Slowdive<\/a> parecem maiores hoje do que jamais foram. Mesmo que voc\u00ea nunca tenha gostado do r\u00f3tulo, o Galaxie 500 sempre foi associado aos g\u00eaneros. Voc\u00ea tem percebido um p\u00fablico novo nos seus shows?<\/strong><br \/>\nPois \u00e9, o Slowdive agora toca para p\u00fablicos grandes. L\u00e1 atr\u00e1s ningu\u00e9m sabia quem eles eram. Mas o Galaxie 500 \u00e9 um pouco diferente. Chegamos um pouco antes disso tudo e nunca fizemos exatamente essa coisa de \u201cparede sonora\u201d, cheia de reverb e com guitarras sobrepostas. Nas nossas m\u00fasicas sempre \u00e9 poss\u00edvel ouvir bem as letras e os solos. \u00c9 outra coisa. E minha banda de shoegaze favorita sempre foi o My Bloody Valentine, acho que eles eram simplesmente os melhores de todos. Mas, sim, nos meus shows com repert\u00f3rio do Galaxie 500 vejo cada vez mais gente jovem na plateia. Gosto bastante disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00ea leu, escutou e assistiu recentemente que marcou de verdade?<\/strong><br \/>\nLi o novo romance de Ian McEwan, &#8220;<a href=\"https:\/\/amzn.to\/42bEkqo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O que Podemos Saber<\/a>&#8220;. Parte da hist\u00f3ria se passa num futuro dist\u00f3pico, depois que o planeta foi devastado pela guerra e pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, mas sempre olhando para tr\u00e1s e fazendo refer\u00eancia ao nosso tempo, o in\u00edcio do s\u00e9culo 21. \u00c9 fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, mas tamb\u00e9m levanta quest\u00f5es sobre literatura, mem\u00f3ria e o que podemos de fato saber sobre a vida de poetas e artistas. \u00c9 um pouco da ideia que tamb\u00e9m est\u00e1 numa m\u00fasica minha, \u201cThe Past is Our Plaything\u201d. Tentamos entender o passado, mas toda hist\u00f3ria tem muitas camadas. Os historiadores precisam juntar os peda\u00e7os e, claro, t\u00eam seus pr\u00f3prios vieses. Li tamb\u00e9m o livro de Mary Beard <a href=\"https:\/\/amzn.to\/4uwnbUt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">sobre o Imp\u00e9rio Romano<\/a>. Todos aqueles imperadores que sentiam a necessidade de colocar seus nomes em moedas e edif\u00edcios&#8230; Acho que \u00e9 assim que Trump se v\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escutei&#8230; boa pergunta. Ouvimos tanta coisa, mas muito pouco marca de verdade. Meu disco favorito dos \u00faltimos anos \u00e9 &#8220;Here in the Pitch&#8221;, da Jessica Pratt. Tem noites em que ouvimos Brahms, em outras Rolling Stones, Velvet Underground ou Spacemen 3. Uma banda nova de que gosto: En Attendant Ana, da Fran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assisti e adorei a s\u00e9rie documental do Adam Curtis, &#8220;TraumaZone&#8221;, sobre o colapso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e da Europa Oriental. \u00c9 algo que o Ocidente celebra, mas o que vemos s\u00e3o pessoas tendo seu mundo virado de cabe\u00e7a para baixo e de repente precisando sobreviver num sistema econ\u00f4mico para o qual n\u00e3o estavam preparados. Ele fez uma s\u00e9rie parecida sobre a Inglaterra sob Margaret Thatcher e o surgimento do neoliberalismo. E tem tamb\u00e9m o novo document\u00e1rio sobre Elvis Presley, &#8220;Epic&#8221;. \u00c9 todo feito com imagens ao vivo de 1970 a 1973, quando ele estava no auge e tinha uma banda incr\u00edvel. Britta e eu fomos assistir no cinema e sa\u00edmos chorando, tamanho o poder da m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mais alguma coisa para contar?<\/strong><br \/>\nA \u00fanica coisa na minha agenda \u00e9 a turn\u00ea latino-americana!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Dean Wareham Plays Galaxie 500 Today- The Chapel, San Francisco Ca. 7\/15\/17 LIVE\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Cl0khiQQpZc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/jeveiga\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jo\u00e3o Eduardo Veiga<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista e j\u00e1 entrevistou o Codeine para o Scream &amp; Yell.\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/21\/codeine-distantes-e-permanentes\/\">Confira<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Prestes a tocar no Brasil, l\u00edder do Galaxie 500 e do Luna fala sobre novo disco, IA e pol\u00edtica\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/05\/04\/dean-wareham-sou-basicamente-o-mesmo-guitarrista-que-eu-era-em-1989\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":169,"featured_media":95584,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[294],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95571"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/169"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=95571"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95571\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":95598,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95571\/revisions\/95598"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95584"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=95571"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=95571"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=95571"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}