{"id":9555,"date":"2011-08-28T22:50:45","date_gmt":"2011-08-29T01:50:45","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=9555"},"modified":"2016-08-31T03:27:51","modified_gmt":"2016-08-31T06:27:51","slug":"entrevista-nuno-prata","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/08\/28\/entrevista-nuno-prata\/","title":{"rendered":"Entrevista: Nuno Prata"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-9556\" title=\"nuno1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/nuno1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\">Pedro Salgado<\/a>, especial de Lisboa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como baixista do grupo Ornatos Violeta, Nuno Prata esteve ligado a um dos maiores fen\u00f4menos de popularidade e reconhecimento da cr\u00edtica da m\u00fasica popular portuguesa da d\u00e9cada dos anos 90. A banda da cidade do Porto caracterizou-se por praticar um rock alternativo de fus\u00e3o com sonoridades como o ska e o jazz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o \u00e1lbum \u201cC\u00e3o!\u201d (1997) e, principalmente, \u201cO Monstro Precisa de Amigos\u201d, de 1999, onde desfilaram sucessos como &#8220;Capit\u00e3o Romance\u201d (em dueto com Gordon Gano, vocalista do Violent Femmes) ou \u201cChaga\u201d, o conjunto portuense encerrou as actividades em 2002 e, no mesmo ano, Nuno Prata gravou uma maquete com doze temas, regravados pelo multi-instrumentista franc\u00eas Nicolas Tricot e que estariam na base do seu primeiro disco de originais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTodos Os Dias Fossem Estes \/ Outros\u201d, de 2006, reunindo 19 can\u00e7\u00f5es escritas entre 2000 e 2005, traduziu uma est\u00e9tica est\u00e1vel na crueza e uma abordagem ir\u00f4nica \u00e0s intrincadas rela\u00e7\u00f5es sociais, bem patentes no swing jazz\u00edstico de \u201cN\u00e3o, Eu N\u00e3o Sou Um Fantasma\u201d e em \u201cAlegremente Cantando E Rindo Vamos\u201d, juntando os seus velhos companheiros dos Ornatos, um baixo pulsante e um teclado vibrante que davam cor a uma letra \u00e1cida: \u201cVamos cantando e rindo at\u00e9 que a merda nos chegue aos ouvidos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora a solidez do seu \u00e1lbum de estreia fosse ineg\u00e1vel, Nuno Prata n\u00e3o alcan\u00e7aria com ele o sucesso desejado e iniciaria uma pausa das atividades musicais, concluindo durante esse tempo um curso de Escultura. Ap\u00f3s algumas colabora\u00e7\u00f5es para discos tem\u00e1ticos e de homenagens, no final de 2008, \u00e9poca em que trabalhava na se\u00e7\u00e3o de discos da FNAC, sentiu vontade de regressar \u00e0s composi\u00e7\u00f5es originais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como resultado de um acentuado pendor criativo, nasceu o seu mais recente trabalho: \u201cDeve Haver\u201d (2010). Produzido por H\u00e9lder Gon\u00e7alves (Cl\u00e3), o disco traz semelhan\u00e7as ao primeiro \u00e1lbum solo, pelo fato de Nuno Prata e Nicolas Tricot assinarem a execu\u00e7\u00e3o de todos os temas. Mas, um car\u00e1ter mais elaborado confere-lhe distin\u00e7\u00e3o do anterior, pelo soberbo carrossel pop eficaz e multifacetado de \u201cSe Acabou, Acabou\u201d ou da par\u00f3dia mundana em jeito de pai de fam\u00edlia para \u201cUm Dia N\u00e3o S\u00e3o Dias N\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos grandes escritores portugueses de can\u00e7\u00f5es, Nuno Prata \u00e9 algu\u00e9m que pisca o olho a S\u00e9rgio Godinho e Chico Buarque, mas que refere: \u201cAs letras s\u00e3o quest\u00f5es que tento resolver\u201d. Uma no\u00e7\u00e3o imediata, mas v\u00edvida, do seu talento pode ser encontrada em: <a href=\"http:\/\/tramavirtual.uol.com.br\/nuno_prata\" target=\"_blank\">http:\/\/tramavirtual.uol.com.br\/nuno_prata<\/a> e o rigor das suas letras combinado com uma dose saud\u00e1vel de perspic\u00e1cia human\u00edstica n\u00e3o cessa de surpreender. Da cidade do Porto para o Brasil, Nuno Prata conversou com o Scream &amp; Yell. Confira:<\/p>\n<p align=\"center\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/6tq0hUdUKeU\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/6tq0hUdUKeU\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais s\u00e3o as maiores diferen\u00e7as entre \u201cTodos Os Dias Fossem Estes\/Outros\u201d E \u201cDeve Haver\u201d ?<\/strong><br \/>\nEm ambos os discos o ponto de partida foi o mesmo: can\u00e7\u00f5es escritas por mim, arranjadas e tocadas por mim e pelo Nico Tricot. As diferen\u00e7as musicais s\u00e3o o reflexo dos diferentes contextos em que decorreram as grava\u00e7\u00f5es. No primeiro caso eu e o Nico fizemos quase todo o trabalho, e tudo, com exce\u00e7\u00e3o da mixagem e masteriza\u00e7\u00e3o, foi feito de uma forma relativamente amadora. Neste \u00faltimo disco cont\u00e1mos com o trabalho de produ\u00e7\u00e3o de H\u00e9lder Gon\u00e7alves, e foi tudo feito de forma mais profissional e convencional no seu est\u00fadio. Resumidamente: o primeiro \u00e9 mais cru, o segundo mais cozido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As suas can\u00e7\u00f5es t\u00eam uma vertente existencialista muito forte. Porqu\u00ea?<\/strong><br \/>\nEscrevo as can\u00e7\u00f5es na tentativa de resolver quest\u00f5es comigo e com o mundo; tenho imensa dificuldade em escrever algo que n\u00e3o tenha origem em epis\u00f3dios concretos, mas, durante o processo, as can\u00e7\u00f5es acabam por se transformar em interpreta\u00e7\u00f5es ou relatos perfeitamente subjetivos desses epis\u00f3dios \u2014 talvez seja isso a tal \u201cvertente existencialista\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gosto particularmente do tema \u201cSe Acabou, Acabou\u201d. Qual \u00e9 a ideia sonora e l\u00edrica associada \u00e0 can\u00e7\u00e3o ?<\/strong><br \/>\nPara mim, e neste caso em particular, os t\u00edtulos s\u00e3o uma boa s\u00famula da l\u00edrica das can\u00e7\u00f5es; \u00e9 tamb\u00e9m um bom exemplo relativamente a uma forma intuitiva de trabalhar: ir ouvindo a can\u00e7\u00e3o e ir acrescentando e retirando pequenos motivos at\u00e9 sentir que estes formam um todo, sem subjugar o arranjo a uma f\u00f3rmula instrumental preestabelecida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que ficou dos Ornatos Violeta na sua m\u00fasica ?<\/strong><br \/>\nO que de mim se encontrava na m\u00fasica dos Ornatos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como avalia o atual momento da moderna m\u00fasica portuguesa ?<\/strong><br \/>\nA m\u00fasica portuguesa est\u00e1 atravessando um momento particularmente criativo. Creio que isso se deve a tr\u00eas fatores: facilidade em gravar e mostrar a m\u00fasica que se faz, o que permite aos m\u00fasicos confrontar o seu trabalho com outros e, sobretudo, consigo; facilidade em apresent\u00e1-la ao vivo numa mir\u00edade de locais, desde pequenos espa\u00e7os mais ou menos improvisados a locais maiores e melhor preparados; facilidade em acesso a todo o tipo de m\u00fasica, o que permite aos m\u00fasicos absorver todo o tipo de influ\u00eancias e perceber que n\u00e3o h\u00e1 uma maneira certa de fazer m\u00fasica. O engenho, que foi sendo agu\u00e7ado pelas dificuldades, \u00e9 agora potenciado por estas facilidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para quando teremos um novo \u00e1lbum do Nuno Prata ?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei voltarei a fazer um \u00e1lbum. \u00c9 um formato que parece fazer pouco sentido nos dias que correm. Pelo menos no meu caso, j\u00e1 que nem as vendas nem os concertos subsequentes aos dois discos que fiz chegaram para recuperar o investimento financeiro e pessoal.<\/p>\n<p align=\"center\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/go7Rqsm8pU4\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/go7Rqsm8pU4\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Pedro Salgado (siga <a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Especial: conhe\u00e7a a nova cena musical portuguesa, por Pedro Salgado (<a href=\"..\/2011\/06\/07\/2010\/12\/11\/especial-como-anda-a-cena-portuguesa\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Deolinda ao vivo em Lisboa: o triunfo do fado pop, por Pedro Salgado (<a href=\"..\/2011\/06\/07\/2011\/01\/30\/deolinda-o-triunfo-do-fado-pop\/\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; B Fachada: as ra\u00edzes portuguesas atravessaram uma alma, por Pedro Salgado (<a href=\"..\/2011\/04\/27\/b-fachada-tradicao-inovadora\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p align=\"center\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um dos grandes escritores portugueses de can\u00e7\u00f5es, Nuno Prata \u00e9 algu\u00e9m que pisca o olho a S\u00e9rgio Godinho e Chico Buarque..\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/08\/28\/entrevista-nuno-prata\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[47],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9555"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9555"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9555\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39633,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9555\/revisions\/39633"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9555"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9555"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9555"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}