{"id":95432,"date":"2026-04-29T05:00:02","date_gmt":"2026-04-29T08:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=95432"},"modified":"2026-04-27T22:14:11","modified_gmt":"2026-04-28T01:14:11","slug":"entrevista-rita-braga-apresenta-fado-tropical-seu-novo-disco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/04\/29\/entrevista-rita-braga-apresenta-fado-tropical-seu-novo-disco\/","title":{"rendered":"Entrevista: Rita Braga apresenta \u201cFado Tropical\u201d, seu novo disco"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.m.salgado.5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>, especial de Lisboa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em novembro de 2025, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/11\/28\/entrevista-em-novo-disco-rita-braga-mergulha-na-historia-do-fado-com-ukelele-marimba-e-violoncelo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">numa entrevista ao Scream &amp; Yell<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/superbraguita\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rita Braga<\/a> comentava o single rec\u00e9m-lan\u00e7ado, \u201cFado Tango\u201d, e aflorava os caminhos e as refer\u00eancias que a levaram a criar o \u00e1lbum \u201cFado Tropical\u201d (2026), o seu primeiro trabalho cantado exclusivamente em portugu\u00eas, onde mergulhou no universo do fado antigo e conferiu-lhe uma nova est\u00e9tica. Neste momento, estamos sentados numa esplanada do Parque Vale do Sil\u00eancio, nos Olivais, em Lisboa, a poucos dias do lan\u00e7amento de \u201cFado Tropical\u201d, <a href=\"https:\/\/ritabraga.bandcamp.com\/merch\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">editado em vinil<\/a> pelo selo Braguita Records. O seu quinto disco \u00e9 o foco de uma conversa animada, sempre interessante e reveladora de uma artista que se reinventa sem perder a ess\u00eancia que a define e a motiva\u00e7\u00e3o que a impulsiona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFado Tropical\u201d re\u00fane as boas caracter\u00edsticas que marcam o trajeto da cantora e multi-instrumentista lisboeta, como a fus\u00e3o de g\u00eaneros musicais (a eletr\u00f4nica, jazz, pop e o rock, que se juntam ao fado), a sua capacidade de criar ambientes pr\u00f3prios de trilhas sonoras (algo que se evidenciara no magn\u00e9tico single \u201cFado Tango\u201d, mas que percorre igualmente os instrumentais \u201cFado da Meia-Noite\u201d e \u201cFado Menor\u201d) e um sentido de humor latente que se manifesta, por exemplo, na releitura divertida de \u201cSou Mi\u00fada\u201d (um fado celebrizado pela fadista Herm\u00ednia Silva nos anos 1930).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-95434 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/rita2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/rita2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/rita2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira faixa (a j\u00e1 citada \u201cFado da Meia-Noite\u201d) e na derradeira (\u201cRua do Capel\u00e3o\u201d, uma vers\u00e3o de outro fado cl\u00e1ssico da d\u00e9cada de 30), a cantora e multi-instrumentista lisboeta recriou a m\u00fasica do Hava\u00ed e o imagin\u00e1rio tropical e on\u00edrico do universo dos discos \u201cExotica\u201d (1957), do percussionista californiano Martin Denny. O segundo single, uma comovente vers\u00e3o de \u201cCh\u00e3o de Estrelas\u201d (com a participa\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=JP+Sim%C3%B5es\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">JP Sim\u00f5es<\/a>) faz a ponte entre Portugal e o Brasil e a magn\u00edfica \u201cCinza e P\u00f3\u201d (o single mais recente), inclui um arranjo original e \u00e9 abrilhantada pela guitarra el\u00e9trica de Paulo Furtado (aka <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=The+Legendary+Tigerman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Legendary Tigerman<\/a>). A influ\u00eancia do rock faz-se, igualmente, sentir na faixa \u201cFado Sem Pernas\u201d (uma das tr\u00eas vers\u00f5es de fados cantados por Erc\u00edlia Costa com o guitarrista Armandinho, em 1930), que conta com a participa\u00e7\u00e3o de T\u00f3 Trips (dos <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Dead+Combo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dead Combo<\/a>) cujo desempenho enfatiza \u201co triste poema composto de sofrimento\u201d que a letra evoca. \u201cEu gosto imenso da m\u00fasica do T\u00f3 Trips e ele tem um estilo com influ\u00eancias de fado, entre outras coisas. A minha ideia na m\u00fasica foi substituir a guitarra portuguesa pela do T\u00f3 Trips e ele fez v\u00e1rias camadas com a guitarra el\u00e9trica\u201d, conta Rita. A esse respeito, apresenta a sua vis\u00e3o sobre as semelhan\u00e7as entre os dois universos: \u201cOs m\u00fasicos de rock n&#8217;roll eram vistos como \u2018outlaws\u2019. Eles iam parar \u00e0 pris\u00e3o muitas vezes e os fadistas do s\u00e9culo XIX tamb\u00e9m passavam metade do tempo presos (risos). Por isso, a faixa lembra um pouco o lado marginal do fado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a elabora\u00e7\u00e3o de \u201cFado Tropical\u201d, Rita Braga contou com uma banda formada por Bruna Moura (violoncelo), Ryoko Imai (marimba, violoncelo, caj\u00f3n, &#8220;junk percussion&#8221;, bombo e castanholas), Suse Ribeiro e Jo\u00e3o Cabrita (saxofone), An\u00edbal Andrade (lap steel), Rui Rodrigues (percuss\u00f5es extras), JP Sim\u00f5es (voz) e as guitarras de Paulo Furtado e de T\u00f3 Trips. A forma como Rita Braga conduziu os arranjos e conciliou-os com a parte instrumental deu ao \u00e1lbum tonalidades surpreendentes. Pelo meio, ela edificou um ambiente onde paira a sensa\u00e7\u00e3o de estranhamento encantador e a tradi\u00e7\u00e3o musical do fado \u00e9 recriada, respeitando a parte l\u00edrica e a configura\u00e7\u00e3o primordial. H\u00e1 semelhan\u00e7as com o primeiro disco de Rita, \u201cCherries That Went To The Police (2011)\u201d, um trabalho igualmente composto por vers\u00f5es de m\u00fasicas antigas com novos arranjos e \u00e1lbuns como \u201cTime Warp Blues\u201d (2020), permanecem intoc\u00e1veis pela sua qualidade, mas \u201cFado Tropical\u201d aprofunda a sua identidade art\u00edstica e integra as refer\u00eancias anteriores num discurso musical mais coeso e pessoal. Com uma agenda de espet\u00e1culos bastante preenchida at\u00e9 novembro, incluindo shows em Fran\u00e7a, Inglaterra, Alemanha e apresenta\u00e7\u00f5es do novo disco em Portugal, a artista assume o presente como um momento de realiza\u00e7\u00e3o. \u201cSinto-me satisfeita criativamente porque me reinventei e concebi algo novo\u201d, conclui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Lisboa para o Brasil, Rita Braga conversou com o Scream &amp; Yell. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Fado Tropical\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mBiY1xfuApOR99ydz6iYk7_E4gMGe_Soo\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No seu novo disco, \u201cFado Tropical\u201d, sente-se uma reinven\u00e7\u00e3o do fado atrav\u00e9s da introdu\u00e7\u00e3o de novos instrumentos e de uma paleta emocional muito diversa. H\u00e1 momentos de leveza, nostalgia, anima\u00e7\u00e3o, alguma conten\u00e7\u00e3o do dramatismo tradicional e arrojo musical. De que forma se processou no trabalho o caminho de constru\u00e7\u00e3o das novas tonalidades sonoras com que dotou o fado primordial?<\/strong><br \/>\nAntes de produzir o disco passei pelo trabalho de pesquisa para conhecer muito do fado primordial, da hist\u00f3ria do fado, das grava\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m de textos antigos. Na palete sonora j\u00e1 vinha com a ideia de chamar o fado tropical e partir do ukelele, marimba e violoncelo. Era o trio original. Entretanto, as coisas evolu\u00edram e conheci o Jo\u00e3o Cabrita. Apesar do saxofone n\u00e3o ser muito comum no fado, ele disse-me, por coincid\u00eancia, que come\u00e7ou a\u00ed o seu trajeto. Foi assim que o Cabrita entrou. Depois introduziram-se imensas percuss\u00f5es, vibrafone e misturei v\u00e1rias influ\u00eancias. O caminho de constru\u00e7\u00e3o sonora partiu mesmo das percuss\u00f5es e do ukelele, que me acompanha sempre. Houve tamb\u00e9m violoncelo, baixo, sax bar\u00edtono e depois cresceu, as guitarras de rock entraram e o trabalho foi-se expandindo. Mas, partiu desse ponto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 um arco muito claro e interessante no \u00e1lbum, que come\u00e7a ao som de uma trovoada e de uma atmosfera tropical em &#8220;Fado da Meia-Noite&#8221; e termina com essa fus\u00e3o inesperada entre fado e sonoridades havaianas em \u201cRua do Capel\u00e3o. Podemos olhar para esse arco como um sonho, com in\u00edcio, desvios e um lugar inesperado de chegada?<\/strong><br \/>\nSim. Eu tinha a ideia concreta de come\u00e7ar com um trov\u00e3o. \u00c9 algo impactante e marca o in\u00edcio do disco, tal como os sons de natureza que aparecem nessa faixa e no fim. O uso desses sons transporta-nos para outro lugar. Tudo isso ajuda e a sonoplastia aliada aos instrumentos cria um determinado ambiente ou atmosfera. E no final, claro, volta-se a\u00ed pelos passarinhos e pelo Hava\u00ed. \u00c9 um lugar e um tempo um pouco imaginados. Tem algo do passado, mas n\u00e3o s\u00f3. Tamb\u00e9m est\u00e1 relacionado com os discos \u201cExotica\u201d, do final dos anos 1950, de Martin Denny, e tamb\u00e9m de outros autores que estiveram na moda nesse per\u00edodo e imaginavam-se em s\u00edtios como uma ilha paradis\u00edaca. Representavam lugares ex\u00f3ticos, no entanto eram fabricados e n\u00e3o existiam. \u00c9 um pouco como a capa do meu disco, \u201cFado Tropical\u201d, aquilo parece uma \u00e1rvore, mas \u00e9 cimento e mistura a fantasia com o arquivo hist\u00f3rico.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rita Braga - Cinza e P\u00f3\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RcLWqmAqr4M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cCinza e P\u00f3\u201d \u00e9 uma das faixas que tem letra in\u00e9dita de um fadista do s\u00e9culo XIX que voc\u00ea musicou e conta com a participa\u00e7\u00e3o especial de Paulo Furtado na guitarra el\u00e9trica. Tematicamente, evoca esqueletos e cemit\u00e9rios e musicalmente sugere uma orquestra em andamento a criar diversos momentos sugestivos. Foi pelo seu imagin\u00e1rio peculiar que a escolheu para novo single?<\/strong><br \/>\nA letra vem no livro do Pinto de Carvalho (conhecido como \u201cTinop\u201d). Ele escreveu o livro \u201cHist\u00f3ria do Fado\u201d (1903). \u00c9 uma obra superimportante, porque o \u201cTinop\u201d foi \u00e0s tabernas (botecos) investigar e conheceu contempor\u00e2neos da lend\u00e1ria fadista Severa. No meio do livro h\u00e1 imensos textos sem autor identificado. Se calhar havia muita improvisa\u00e7\u00e3o, mas ele foi fazendo a recolha e escreveu v\u00e1rios desses versos. Achei curioso existirem tantas quadras sobre esqueletos e cemit\u00e9rios (risos). Por isso, fiz um levantamento, editei a letra e compus a m\u00fasica. Foi na altura em que conheci o Cabrita e disse-lhe: \u201cExperimenta aqui gravar na demo\u201d. Eu gostei imenso do arranjo de saxofone que ele fez e o Cabrita disse-me que era \u201cuma mistura de fado com Tom Waits\u201d e achei a defini\u00e7\u00e3o engra\u00e7ada. A partir da\u00ed a Ryoko Imai fez um som de \u00b4junk percussion\u00b4 que parece um \u00e1udio de esqueletos nos desenhos animados e a Suse Ribeiro juntou outras percuss\u00f5es e eletr\u00f4nica e no final ainda convidei o Paulo Furtado com as guitarras. Portanto, foi um supergrupo (risos). Escolhi a \u201cCinza e P\u00f3\u201d como single por essas caracter\u00edsticas e por ser uma faixa que se destaca um pouco no disco, porque \u00e9 diferente das outras. Tamb\u00e9m tinha ideias concretas para fazer um v\u00eddeo dessa m\u00fasica e da\u00ed a escolha como single.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A vers\u00e3o de \u201cCh\u00e3o de Estrelas\u201d, de S\u00edlvio Caldas, com a participa\u00e7\u00e3o de JP Sim\u00f5es, tem nuances e uma suavidade pr\u00f3ximas do fado e o vosso dueto traz uma nova dimens\u00e3o emocional \u00e0 can\u00e7\u00e3o. Considera que este single poder\u00e1 ser um bom cart\u00e3o de visita para o \u00e1lbum nas suas pr\u00f3ximas atua\u00e7\u00f5es no Brasil?<\/strong><br \/>\nSim. Sem d\u00favida. \u00c9 o \u00fanico tema brasileiro e n\u00e3o foi escolhido ao acaso. Por um lado, existe a teoria, que \u00e9 defendida por music\u00f3logos, como Rui Vieira Nery, de que o fado veio do Brasil. Por outro lado, esta m\u00fasica do S\u00edlvio Caldas sempre me soou um pouco a fado e a forma dele cantar indiciava um dramatismo contido muito pr\u00f3ximo dessa sonoridade. No entanto, em Portugal, ele \u00e9 pouco conhecido e se calhar \u00e9 a primeira vers\u00e3o portuguesa desse cl\u00e1ssico brasileiro. O sotaque deles tamb\u00e9m tinha a ver com o nosso e eu aproveitei para fazer a liga\u00e7\u00e3o, esbater os contornos e fundi-los em algo luso-brasileiro. Acho que poder\u00e1 ser um bom cart\u00e3o de visita no Brasil, porque a faixa \u00e9 bonita e on\u00edrica. Eu gostei muito da can\u00e7\u00e3o e senti que tinha de ser um single. Entretanto, sa\u00edram v\u00e1rias cr\u00edticas no Brasil \u00e0 minha vers\u00e3o e o feedback foi muito bom.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rita Braga ft. JP Sim\u00f5es - Ch\u00e3o de Estrelas\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WBDUo6r8rAw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considera que a diversidade instrumental que o \u00e1lbum exibe, aliada ao canto integral em portugu\u00eas e ao fato de trazer novas roupagens para o fado acrescenta uma nova dimens\u00e3o \u00e0 sua identidade musical ou \u00e9 mais um cap\u00edtulo da sua evolu\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAcho que s\u00e3o as duas coisas. Eu quis fazer um contraste com os dois \u00faltimos discos que tinham teclados e caixas de ritmo e j\u00e1 ouvi v\u00e1rias pessoas a dizer: \u201cA Rita Braga \u00e9 aquela artista que tem uns \u00e1lbuns cheios de caixas de ritmo\u201d (risos) e tamb\u00e9m havia o objetivo de contrariar essa ideia. No fundo, pretendia fazer algo de novo e mergulhar no universo de fado e numa hist\u00f3ria que est\u00e1 esquecida e se associa \u00e0 m\u00fasica de Lisboa, \u00e0 l\u00edngua portuguesa e a um vocabul\u00e1rio que j\u00e1 n\u00e3o se usa. Nesses poemas que eu recolhi eles chamavam \u00e0 guitarra portuguesa \u201cbanza\u201d. \u00c9 um cap\u00edtulo in\u00e9dito e uma etapa nova para mim. Julgo que n\u00e3o ficarei demasiado vinculada \u00e0 minha faceta atual, porque \u201cFado Tropical\u201d \u00e9 o meu quinto disco e se pensarmos no EP \u201cGringo in S\u00e3o Paulo\u201d (2015) j\u00e1 \u00e9 o sexto que fa\u00e7o. O meu trabalho \u00e9 caracterizado por uma reinven\u00e7\u00e3o, existe sempre uma transforma\u00e7\u00e3o e estou muito associada a isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gostaria de deixar uma mensagem para os leitores do Scream &amp; Yell?<\/strong><br \/>\nEu agrade\u00e7o a colabora\u00e7\u00e3o com o Scream &amp; Yell, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/03\/13\/a-nova-cena-portuguesa-rita-braga\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que se iniciou em 2015<\/a> com o EP \u201cGringo in S\u00e3o Paulo\u201d, e confesso que gostaria muito de voltar a atuar no Brasil para apresentar o disco \u201cFado Tropical\u201d, que ali\u00e1s j\u00e1 est\u00e1 a ser divulgado l\u00e1. \u00c9 algo que ainda n\u00e3o consigo prever, mas estou a desenvolver v\u00e1rios contatos para fazer shows. Adorava regressar ao Sudeste do Brasil e tamb\u00e9m tocar no Nordeste. Pode acontecer daqui a alguns meses ou no pr\u00f3ximo ano, no entanto espero v\u00ea-los a\u00ed. \u00c9 igualmente poss\u00edvel que ocorram parcerias com m\u00fasicos brasileiros quando retornar. J\u00e1 falei com o Marcelo Callado nesse sentido. Para j\u00e1, \u00e9 apenas um plano, mas ele est\u00e1 dispon\u00edvel para colaborar. Seria bom ter algu\u00e9m na percuss\u00e3o e como somos amigos l\u00e1 no Rio de Janeiro lembrei-me logo dele. Mas, logo se ver\u00e1 porque ainda \u00e9 cedo (risos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rita Braga - Fado Tango\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0PMmPGBPY2s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Pedro Salgado (siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010 contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/pedro-salgado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;O meu trabalho \u00e9 caracterizado por uma reinven\u00e7\u00e3o, existe sempre uma transforma\u00e7\u00e3o e estou muito associada a isso&#8221;, explica Rita Braga\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/04\/29\/entrevista-rita-braga-apresenta-fado-tropical-seu-novo-disco\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":95433,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[47,6842],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95432"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=95432"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95432\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":95435,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95432\/revisions\/95435"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95433"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=95432"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=95432"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=95432"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}