{"id":95416,"date":"2026-04-27T01:30:43","date_gmt":"2026-04-27T04:30:43","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=95416"},"modified":"2026-04-27T08:52:50","modified_gmt":"2026-04-27T11:52:50","slug":"entrevista-brad-roberts-num-papo-sobre-os-35-anos-do-crash-test-dummies","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/04\/27\/entrevista-brad-roberts-num-papo-sobre-os-35-anos-do-crash-test-dummies\/","title":{"rendered":"Entrevista: Brad Roberts num papo sobre os 35 anos do Crash Test Dummies"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/hebertonbas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Heberton Barreira<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que &#8220;Superman&#8217;s Song&#8221;, do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/crashtestdummiesofficial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Crash Test Dummies<\/a>, e &#8220;Homem Primata&#8221;, dos <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Tit%C3%A3s\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tit\u00e3s<\/a>, podem ter em comum? Se voc\u00ea se atrever a descer num batiscafo (cuidado com o casco, n\u00e3o v\u00e1 pegar um tipo OceanGate!) e mergulhar nas profundezas oce\u00e2nicas dessa rede em busca de uma rela\u00e7\u00e3o entre as duas can\u00e7\u00f5es, pode esbarrar numa filosofia t\u00e3o densa quanto a voz de Brad Roberts.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O eterno grave reverberante e reconfortante para qualquer ouvido transforma duas imagens da cultura pop em figuras opostas politicamente: de um lado, Tarzan, um personagem que n\u00e3o quer outra coisa a n\u00e3o ser se isolar na selva, recusando a vida em comunidade; de outro, Superman, um super-her\u00f3i altru\u00edsta, por\u00e9m desvalorizado pelo senso de responsabilidade c\u00edvica e preocupa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. Mesmo no videoclipe, o retrato do funeral do super-her\u00f3i e o clima da can\u00e7\u00e3o acabam gerando uma certa esperan\u00e7a na humanidade, ainda que melanc\u00f3lica, sob o mesmo olhar compassivo do alien\u00edgena. &#8220;O mundo nunca ver\u00e1 outro homem como ele&#8221; avisa a can\u00e7\u00e3o. E ent\u00e3o fica a pergunta: Clark Kent, Superman\u2026 ainda est\u00e1 morto?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o Homem Primata? Esse sim, est\u00e1 mais vivo do que nunca. Representando Tarzan (coitado) ou n\u00e3o, seja na selva do mundo competitivo ou simplesmente num retiro social, o rei da floresta n\u00e3o nos deixa de lembrar que &#8220;o homem ainda faz o que o macaco fazia.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a conversa com Brad Roberts vai al\u00e9m do \u201cPele Branca\u201d e do kriptoniano. Ele conta como sua escrita evoluiu: da invers\u00e3o de sua forma de composi\u00e7\u00e3o, escrevendo a letra primeiro e depois encontrando a melodia, num processo po\u00e9tico baseado em contagem de s\u00edlabas e m\u00e9trica. Hoje os agudos s\u00e3o mais dif\u00edceis, mas os graves ganharam novas notas. O frontman nunca deixou de lado uma li\u00e7\u00e3o simples: se n\u00e3o funcionar no viol\u00e3o, nem adianta seguir para camadas e arranjos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Brad tamb\u00e9m fala um pouco de algumas influ\u00eancias casuais, como os Replacements, e os brit\u00e2nicos do XTC, com seus tipos de harmonia e mudan\u00e7as de tonalidade. Fala com carinho tamb\u00e9m sobre sua colega de faculdade em Winnipeg, Ellen Reid: a backing vocal com uma habilidade natural para harmonias que complementa de forma precisa seu timbre. E sim, aquele &#8220;mmm mmm mmm mmm&#8221; que todo mundo lembra at\u00e9 hoje, era s\u00f3 um espa\u00e7o em branco para refletir nos versos da can\u00e7\u00e3o. E cita ainda com orgulho, o \u00e1lbum \u201cDiva\u201d da escocesa Annie Lennox, a eterna voz do Eurythmics, como respons\u00e1vel pela forma como foi realizado a obra de maior sucesso da banda, \u201cGod Shuffled His Feet\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os bonecos de teste de colis\u00e3o nunca vieram ao Brasil. Mas deixaram para os nost\u00e1lgicos dos anos 90 e para os f\u00e3s saudosos que tamb\u00e9m curtiram o filme &#8220;D\u00e9bi &amp; L\u00f3ide&#8221;, uma esperan\u00e7a de ouvir e redescobrir aquele refr\u00e3o quase imposs\u00edvel de n\u00e3o cantarolar. Agora, com planos de turn\u00ea para 2026 (quem sabe Am\u00e9rica do Sul?), Brad Roberts segue compondo m\u00fasica instrumental para quarteto de cordas e piano. E, felizmente, continua com aquela voz que parece vir do fundo de um vulc\u00e3o que nem sempre entra em erup\u00e7\u00e3o. Leia a conversa a seguir:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ONE ON ONE: Crash Test Dummies - MMM MMM MMM February 21st, 2023 City Winery New York\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/k8AGJco3D7Y?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Existe uma hist\u00f3ria sobre voc\u00ea ter jogado ovos na casa da sua professora de piano na inf\u00e2ncia. Poderia compartilhar um pouquinho dessa hist\u00f3ria e falar como foi a transi\u00e7\u00e3o para o viol\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAh, voc\u00ea quer dizer a professora que costumava bater nos meus dedos com o l\u00e1pis? Sim. O estilo de ensino dela n\u00e3o era algo que eu gostava muito. Ela costumava falar ao telefone enquanto eu tocava as pe\u00e7as para ela. Ficava com o telefone no ouvido, tagarelando, e de vez em quando eu cometia um erro e ela batia nos meus dedos. Ent\u00e3o parei as aulas de piano. Mas n\u00e3o parei de gostar de m\u00fasica. Pouco tempo depois comecei a ter aulas de viol\u00e3o com um professor muito mais gentil, e fiquei muito mais interessado, ent\u00e3o me sa\u00ed bem melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 disse que sua curiosidade musical come\u00e7ou com fontes improv\u00e1veis, como uma revista do Archie. Teve alguma hist\u00f3ria em quadrinhos que te atraiu?<\/strong><br \/>\nEssa \u00e9 uma boa pergunta. N\u00e3o tenho certeza. Sei que, com a revista do Archie, eu olhei um quadro que mostrava os Archies sentados em volta de uma fogueira, e o Jughead estava tocando viol\u00e3o. Naquela \u00e9poca eu fazia aulas de piano, e n\u00e3o gostava do fato do piano ficar parado em um \u00fanico lugar para onde eu precisava ir tocar. Eu queria ter um instrumento que pudesse carregar comigo, algo mais port\u00e1til. Ent\u00e3o aquilo me afetou bastante, porque me fez trocar o piano pelo viol\u00e3o e pensar muito mais sobre m\u00fasica.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-95417 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Sem-Titulo-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"284\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Sem-Titulo-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Sem-Titulo-1-300x114.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Seus estudos universit\u00e1rios em Ingl\u00eas e Filosofia influenciaram naturalmente o aspecto l\u00edrico de suas primeiras composi\u00e7\u00f5es. Mas no processo de constru\u00e7\u00e3o das can\u00e7\u00f5es, voc\u00ea costumava priorizar a melodia antes de escrever a letra?<\/strong><br \/>\nBom, primeiro, a abordagem que eu usava antes era escrever as letras depois de compor a m\u00fasica. Minha l\u00f3gica era que, se eu conseguisse escrever uma melodia cativante o suficiente para que as pessoas quisessem ouvir mesmo sem palavras, ent\u00e3o eu estaria no caminho certo. Com o tempo comecei a fazer o contr\u00e1rio: passei a escrever as palavras primeiro e depois colocar m\u00fasica nelas. Isso mudou muito minha abordagem, porque comecei a escrever pensando em m\u00e9tricas po\u00e9ticas, sabe? Quando voc\u00ea analisa poesia, precisa contar o n\u00famero de s\u00edlabas em cada linha e observar onde caem os acentos. Ent\u00e3o comecei a escrever com esse m\u00e9todo em mente, basicamente escrevendo poemas bem estruturados na p\u00e1gina e depois transformando aquilo em melodia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais leituras influenciaram o desenvolvimento do seu estilo narrativo nos primeiros anos?<\/strong><br \/>\nEssa \u00e9 dif\u00edcil. Fui muito influenciado pelos romances de Thomas Hardy. Ele tem uma vis\u00e3o bastante sombria, que acho que acabou refletida nas minhas letras em certa medida. Ele tamb\u00e9m era um grande poeta, embora seja mais conhecido pelos romances. Na \u00faltima parte da vida dele, escreveu apenas poesia. Ficou bastante desgostoso com o mundo dos romances por causa das quest\u00f5es de censura e tudo mais, e sentia que podia contornar isso melhor atrav\u00e9s da poesia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Crash Test Dummies - Androgynous (Official Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eby-I7hA9nc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Partindo para algumas de suas refer\u00eancias musicais: de que forma bandas como XTC e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=The+Replacements\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Replacements<\/a> contribu\u00edram para a constru\u00e7\u00e3o da sonoridade do Crash Test Dummies?<\/strong><br \/>\nNo caso do The Replacements, eles fizeram a m\u00fasica &#8220;Androgynous&#8221; (no \u00e1lbum &#8220;Let It Be&#8221;, de 1984) com uma abordagem meio improvisada: s\u00f3 piano e voz, um jeito casual de tocar. N\u00f3s pegamos aquela m\u00fasica e fizemos nossa pr\u00f3pria vers\u00e3o, com um arranjo diferente. Descobri essa m\u00fasica porque um amigo me enviou uma fita cassete no fim dos anos 80 com coisas que ele estava ouvindo, e quando ouvi aquela m\u00fasica pensei: que m\u00fasica incr\u00edvel, quero muito tocar isso. J\u00e1 com o XTC foi uma paix\u00e3o de longa data. Descobri a banda quando tinha uns 16 anos, acho. Eles t\u00eam uma abordagem completamente diferente da do The Replacements. Claro que s\u00e3o muito mais polidos musicalmente, n\u00e3o quer dizer que sejam melhores, s\u00f3 muito diferentes na abordagem. Sempre adorei como o XTC escrevia m\u00fasicas que te levavam por uma jornada harm\u00f4nica diferente da maioria das m\u00fasicas pop. Eles faziam mudan\u00e7as de tonalidade interessantes e viradas que a maioria das bandas n\u00e3o faziam. Sempre fui fascinado por isso, e isso certamente influenciou a composi\u00e7\u00e3o de \u201cGod Shuffled His Feet\u201d, quando eu estava trabalhando com mudan\u00e7as de tonalidade.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Androgynous\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/E3dFmNolsPA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A qu\u00edmica vocal entre voc\u00ea e a Ellen Reid parece ser o cora\u00e7\u00e3o sonoro da banda. Nos ensaios, como voc\u00eas decidiam quando uma m\u00fasica precisava da pureza da voz dela para equilibrar com a aspereza da sua voz principal?<\/strong><br \/>\nEu conheci a Ellen na Universidade de Winnipeg. Tive muita sorte de conhec\u00ea-la, porque ela \u00e9 uma backing vocal natural. A harmonia simplesmente transborda dela, e ela canta comigo como ningu\u00e9m mais conseguiu. Eu n\u00e3o tinha nenhum plano mestre nem nada assim. S\u00f3 me sinto muito sortudo por ter me conectado com algu\u00e9m que tem essas habilidades e cujas qualidades complementaram tanto as minhas. Acho que minha voz ficaria um pouco cansativa se fosse s\u00f3 eu o tempo todo. A Ellen realmente ajuda a suavizar isso com um pouco de do\u00e7ura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas estudaram juntos?<\/strong><br \/>\nSim. Na verdade n\u00e3o fizemos aulas juntos, mas estudamos na mesma universidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O uso da gaita e do bandolim por Benjamin Darvill deu uma textura bem espec\u00edfica ao \u00e1lbum \u201cThe Ghosts That Haunt Me\u201d (1991). Quando voc\u00eas caminharam para o estilo mais cheio de camadas de \u201cGod Shuffled His Feet\u201d, como reposicionaram esses instrumentos tradicionais para que eles n\u00e3o soassem como refer\u00eancias celtas?<\/strong><br \/>\nBoa pergunta. O Ben Darvill \u00e9 um gaitista excelente, e acho que ele conseguiu se adaptar ao novo estilo do nosso segundo disco porque, como voc\u00ea mencionou, ele \u00e9 muito mais cheio de camadas e bem menos folk. Tamb\u00e9m usamos bandolim em &#8220;Swimming in Your Ocean&#8221;, onde o bandolim toca a linha tem\u00e1tica que acompanha a m\u00fasica e se junta \u00e0 guitarra, criando uma textura diferente. Mas foi desafiador tentar encaixar esses instrumentos na nova dire\u00e7\u00e3o, e n\u00f3s nos esfor\u00e7amos bastante para fazer isso. Para ser bem sincero, acho que o Ben n\u00e3o ficou muito feliz com a mudan\u00e7a de dire\u00e7\u00e3o, porque ficou muito mais dif\u00edcil para ele se encaixar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Crash Test Dummies - Swimming In Your Ocean (Official Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OVYDTyGAj8s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ele acabou montando o Son of Dave, n\u00e9? A sa\u00edda dele chegou a afetar a forma como voc\u00ea pensava sobre o trabalho da banda? Teve algum impacto na composi\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Acho que o Ben tem uma abordagem de composi\u00e7\u00e3o bem diferente da minha, e n\u00e3o havia muita troca criativa nesse sentido. Parte da raz\u00e3o pela qual ele saiu da banda foi porque queria ser o frontman, para ser honesto. Ele n\u00e3o queria ficar em segundo plano para outra pessoa. Ent\u00e3o seguiu o pr\u00f3prio caminho e fez o que queria. O que ele faz \u00e9 realmente interessante, a forma como combina instrumentos com loops e tudo mais. Eu acho bom, mas depois de uns 15 minutos eu j\u00e1 meio que me canso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Boa parte da sua m\u00fasica tem uma carga melanc\u00f3lica. Voc\u00ea sente que precisa estar em um estado emocional espec\u00edfico para compor?<\/strong><br \/>\nAcho que a ideia de que voc\u00ea precisa estar sofrendo para fazer arte \u00e9 equivocada. Claramente voc\u00ea precisa estar com a mente alerta quando est\u00e1 sendo criativo. N\u00e3o acho que sofrimento emocional seja um componente necess\u00e1rio para fazer boa arte. Se voc\u00ea vai trabalhar sofrimento emocional na sua arte, precisa fazer isso de forma reflexiva, n\u00e3o como uma rea\u00e7\u00e3o impulsiva. \u00c9 assim que eu vejo isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muitos cantores perdem as notas mais agudas com o passar dos anos, mas bar\u00edtonos frequentemente descobrem novas texturas nos registros graves. A mudan\u00e7a f\u00edsica da sua voz alterou sua rela\u00e7\u00e3o com o material antigo?<\/strong><br \/>\nO material mais agudo, as m\u00fasicas cantadas em faixas mais altas definitivamente ficaram mais desafiadoras agora que estou mais velho. Mas eu ganhei novas notas nos graves. Ent\u00e3o voc\u00ea acertou em cheio.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"XTC - The Ballad Of Peter Pumpkinhead\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pYupSHWEJxA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Crash Test Dummies - The Ballad Of Peter Pumpkinhead (Official Video) ft. Ellen Reid\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nLt60MUv7AU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>M\u00fasicas como a vers\u00e3o de voc\u00eas para &#8216;The Ballad of Peter Pumpkinhead&#8217; do XTC e a sua &#8216;Superman&#8217;s Song&#8217; lidam com figuras ic\u00f4nicas. Era sobre her\u00f3is poderosos mas frustrados, personagens fracassados? Voc\u00ea era f\u00e3 de quadrinhos?<\/strong><br \/>\nPrimeiro, &#8220;Superman&#8217;s Song&#8221; foi a primeira m\u00fasica que escrevi. A raz\u00e3o de escrever sobre o Superman foi porque achei que poderia abordar um tema s\u00e9rio de uma forma que n\u00e3o fosse pesada demais. Usando personagens de hist\u00f3rias em quadrinhos, eu podia expressar coisas que poderiam parecer pesadas de um jeito mais leve. Eu n\u00e3o lia muitos quadrinhos, mas toda vez que ia fazer a limpeza dos dentes no dentista, minha m\u00e3e me deixava comprar uma revista. Havia uma loja de quadrinhos perto do consult\u00f3rio. Uma vez escolhi uma revista do Superman em que ele estava lutando contra um personagem chamado Solomon Grundy. O Solomon Grundy aparece em &#8220;Superman&#8217;s Song&#8221;. Na verdade, muitos f\u00e3s de quadrinhos vieram atr\u00e1s de mim por causa dessa m\u00fasica e disseram: \u201cAh, o Superman nunca lutou contra um personagem chamado Solomon Grundy\u201d. Eu tive que pegar exemplares da revista e enviar para cr\u00edticos de jornais para provar que, sim, o Superman j\u00e1 tinha lutado contra o Solomon Grundy. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em \u201cSuperman\u2019s Song\u201d, voc\u00ea retratou um Superman \u00e9tico e desapegado do dinheiro. Em uma entrevista no in\u00edcio dos anos 90, voc\u00ea disse que ele \u00e9 uma figura pol\u00edtica de esquerda, contraposta ao Tarzan como um capitalista liberal isolado da comunidade. Ent\u00e3o, para voc\u00ea, o Superman sempre teve uma ess\u00eancia pol\u00edtica de esquerda?<\/strong><br \/>\nBom, claro que a imagem do Superman n\u00e3o seria manchada com algo como comunismo (risos), se dependesse das pessoas que escreviam aquelas hist\u00f3rias. Mas sim, acho que ele tem uma esp\u00e9cie de perspectiva de esquerda, no sentido de ser um outsider, bastante outsider. Veio de outro planeta. (risos)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Crash Test Dummies - Superman&#039;s Song (Official Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EeyhKWjQaKk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E que Tarzan, o rei da selva, um individualista que quer viver na floresta, um capitalista liberal que rejeita a ideia de comunidade\u2026<\/strong><br \/>\nEu contrastei esses dois personagens: um representando a cultura e o outro representando a natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aqui no Brasil, h\u00e1 uma m\u00fasica com o refr\u00e3o \u2018Homem primata, capitalismo selvagem\u2019. No seu caso, talvez o Tarzan de &#8220;Superman\u2019s Song&#8221; pudesse ser visto como esse \u2018homem primata\u2019 liberal.<\/strong><br \/>\n(Gargalhadas!) Muito bom! Sim. Quando voc\u00ea tem essa for\u00e7a, pode se dar ao luxo de ser liberal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 mencionou ser f\u00e3 de estruturas complexas. Existe alguma m\u00fasica que voc\u00ea escreveu e que hoje sente que foi elaborada demais?Algo que gostaria de reduzir, por exemplo, apenas ao viol\u00e3o?<\/strong><br \/>\nEu escrevo todas as minhas m\u00fasicas no viol\u00e3o. Minha teoria \u00e9 que, se uma m\u00fasica soa convincente apenas com um viol\u00e3o, ent\u00e3o voc\u00ea tem algo que vale a pena levar para um arranjo maior. Minhas m\u00fasicas precisam passar no teste do viol\u00e3o ac\u00fastico para que eu queira lev\u00e1-las para a banda. Para ser honesto, n\u00e3o sinto que precise retirar nada para chegar ao n\u00facleo das m\u00fasicas. Eu gosto das camadas, gosto da produ\u00e7\u00e3o. Mas tem uma m\u00fasica, agora que voc\u00ea mencionou, &#8220;Heart of Stone&#8221;. Ela apareceu em um disco que fizemos depois chamado \u201cOoh La-La\u201d (2010). Hoje tocamos essa m\u00fasica ao vivo s\u00f3 com guitarra el\u00e9trica, minha voz e a voz da Ellen, sem banda. Acho que ela funciona muito melhor assim, mais enxuta.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ONE ON ONE: Crash Test Dummies - Heart Of Stone February 21st, 2023 City Winery New York\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pTy9UfGQbaM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A hist\u00f3ria por tr\u00e1s do refr\u00e3o do seu maior sucesso \u00e9 que voc\u00ea n\u00e3o encontrava as palavras certas, correto? Isso acabou facilitando a constru\u00e7\u00e3o dos retratos das tr\u00eas crian\u00e7as que se sentem deslocadas?<\/strong><br \/>\nQuando escrevi a m\u00fasica, fiz uma demo para a banda aprender. Eu disse: \u201cOlhem, o refr\u00e3o, ainda n\u00e3o descobri as palavras, ent\u00e3o s\u00f3 cantarolei a melodia. Aprendam a m\u00fasica assim por enquanto, depois eu coloco as palavras.\u201d Ent\u00e3o a banda voltou e disse: \u201cN\u00e3o, n\u00e3o fa\u00e7a isso. N\u00f3s gostamos do refr\u00e3o assim, vocalizado. N\u00e3o mude isso.\u201d Ent\u00e3o mantive daquele jeito. Na verdade, isso teve mesmo a ver com o fato de eu n\u00e3o conseguir pensar em palavras. Mas, no fim das contas, n\u00e3o ter palavras acabou sendo o melhor caminho. Para mim, aquilo soa como um momento de reflex\u00e3o entre os versos. Voc\u00ea tem um verso, que conta a hist\u00f3ria de uma crian\u00e7a, e depois o refr\u00e3o vem como um cantarolar, como se refletisse sobre o que acabou de acontecer naquele verso,e ent\u00e3o a m\u00fasica segue adiante. N\u00e3o tem uma fun\u00e7\u00e3o narrativa no sentido tradicional de usar letras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um cantarolar mmm mmm para refletir.<\/strong><br \/>\nSim, obrigado por colocar dessa forma.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&quot;Weird Al&quot; Yankovic - Headline News (Parody of &quot;Mmm Mmm Mmm Mmm&quot; - Official Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dU95v23MQ4c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Weird Al Yankovic parodiou &#8220;Mmm Mmm Mmm Mmm&#8221; como &#8220;Headline News&#8221;, transformando seu retrato de crian\u00e7as diferentes em um coment\u00e1rio sobre espet\u00e1culos sensacionalistas. Algumas pessoas acham que a vers\u00e3o dele fazia mais sentido. Na \u00e9poca, voc\u00ea pensou muito nas possibilidades de significado?<\/strong><br \/>\nBom, o Weird Al Yankovic fazer uma vers\u00e3o da nossa m\u00fasica foi um grande marco para n\u00f3s. Eu nunca imaginei que isso aconteceria comigo, ent\u00e3o fiquei extremamente feliz quando ele quis gravar a m\u00fasica. Tenho muito respeito por ele. Ele \u00e9 um excelente acordeonista, o que n\u00e3o \u00e9 um instrumento f\u00e1cil de tocar, e foi uma pessoa muito agrad\u00e1vel de trabalhar. Eu estava realmente tentando retratar uma situa\u00e7\u00e3o bastante concreta. O Weird Al fez uma abordagem completamente diferente da letra, claro, isso \u00e9 algo que ele faz muito bem. Nunca tinha pensado muito em comparar as duas vers\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aquela refer\u00eancia renascentista na capa de \u201cGod Shuffled His Feet\u201d (arte abaixo), com o rosto de cada integrante da banda nos personagens da pintura de Ticiano&#8230; Voc\u00ea sentiu que essa est\u00e9tica antiga, de alguma forma, serviu de contraponto para o rock alternativo dos anos 90?<\/strong><br \/>\nO cara que fez a arte dos \u00e1lbuns \u00e9 um amigo muito pr\u00f3ximo meu. <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/kfmutch\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O nome dele \u00e9 Kevin Mutch<\/a>. Inclusive, fui tomar caf\u00e9 com ele hoje \u00e0 tarde antes de falar com voc\u00ea. Foi ele quem tomou essas decis\u00f5es. Fiquei muito feliz em coloc\u00e1-lo nessa posi\u00e7\u00e3o, porque, para ser sincero, eu n\u00e3o tenho tanta sensibilidade para o visual. Sou mais uma pessoa do som. Ent\u00e3o fiquei feliz em delegar essa tarefa a algu\u00e9m. Por algum motivo, esse era o tipo de imagem que o Kevin gostava de usar. Para ele fazia sentido, e olhando hoje em retrospecto, faz sentido para mim tamb\u00e9m, embora provavelmente eu n\u00e3o tivesse ido por esse caminho sozinho.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-95419 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/crash.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/crash.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/crash-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00ea mais escutava naquela \u00e9poca?<\/strong><br \/>\nUm dos discos que teve um grande efeito em mim quando est\u00e1vamos fazendo \u201cGod Shuffled His Feet\u201d foi um \u00e1lbum da Annie Lennox chamado \u201cDiva\u201d. Ele tem uma m\u00fasica chamada &#8220;Why&#8221;. Ah\u2026 qual era mesmo o nome da banda em que ela tocava? Estou esquecendo\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eurythmics?<\/strong><br \/>\nEurythmics, exatamente. Aquele disco solo dela (\u201cDiva\u201d) me influenciou bastante. Voc\u00ea usou a palavra \u201ccamadas\u201d antes, e esse disco \u00e9 muito assim. Tem texturas de sintetizador lind\u00edssimas por toda parte. \u00c9 tudo programado, o que foi um pouco decepcionante, eu teria gostado de ouvir um baixista de verdade naquele \u00e1lbum. Mas, mesmo assim, foi um disco que ouvi muito. E claro, eu ouvia tudo que o XTC lan\u00e7ava, porque sou praticamente um f\u00e3 obsessivo desde sempre. Eu n\u00e3o ouvia muita m\u00fasica contempor\u00e2nea nos anos 90, porque estava muito ocupado fazendo a minha pr\u00f3pria. S\u00f3 fui absorver muita m\u00fasica dos anos 90 depois, com o passar do tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea poderia contar um pouco sobre a inspira\u00e7\u00e3o para o t\u00edtulo \u201cGod Shuffled His Feet?\u201d<\/strong><br \/>\nO tipo de pensamento que estava me influenciando\u2026 eu escrevi um trabalho sobre os argumentos do David Hume contra a religi\u00e3o natural quando estava na universidade. Basicamente, ele desmonta todas as chamadas provas racionais da exist\u00eancia de Deus que eram comuns nos estudos metaf\u00edsicos do per\u00edodo dele. Ent\u00e3o isso foi uma das coisas que eu estava lendo e que me influenciou. H\u00e1 tamb\u00e9m uma refer\u00eancia a \u201cum garoto com cabelo azul\u201d, que na verdade vem de um filme chamado \u201cThe Boy with Green Hair\u201d, uma imagem da minha inf\u00e2ncia, em vez de algo que veio das minhas leituras. Achei \u00fatil transformar Deus em um personagem naquela m\u00fasica, algu\u00e9m mais ou menos no mesmo n\u00edvel das pessoas, porque isso combinava com o tema que eu queria explorar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Boy With Green Hair Trailer\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/N683gK0dMsM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na d\u00e9cada passada, voc\u00ea lan\u00e7ou: em 2010 &#8216;Ooh La-La&#8217;, em 2011 &#8216;Demo-litions&#8217; (uma colet\u00e2nea), em 2015 &#8216;Promised Land&#8217;, em 2016 &#8216;I&#8217;ll Be Peaceful&#8217;. J\u00e1 em 2023, saiu o single &#8216;Sacred Alphabet&#8217;. Voc\u00ea ainda est\u00e1 lan\u00e7ando singles sem compromisso com \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, para ser honesto, n\u00e3o tenho escrito muita m\u00fasica. Existe tanta m\u00fasica por a\u00ed, \u00e9 esmagador. S\u00e3o centenas de milhares de m\u00fasicas sendo enviadas todos os dias para a internet. Sinto que qualquer coisa que eu fa\u00e7a simplesmente se perderia no meio disso tudo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Moon Prince Trailer\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5H3wZg-b0NQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conte um pouco sobre o trailer animado da graphic novel The Moon Prince. Ele mostra dois \u00f3rf\u00e3os birraciais indo \u00e0 Lua, encontrando habitantes fant\u00e1sticos e piratas do c\u00e9u, com uma mensagem antirracista. Nesse v\u00eddeo, &#8220;Mmm Mmm Mmm Mmm&#8221; ganhou nova letra\u2026<\/strong><br \/>\nO Kevin me pediu para fazer isso para ajudar a divulgar a graphic novel dele, \u201cThe Moon Prince\u201d. Fiquei feliz em fazer isso por ele. Ele escreveu a nova letra de acordo com a hist\u00f3ria do livro. Foi algo que fiz porque ele \u00e9 um velho amigo e eu queria ajud\u00e1-lo a promover o trabalho dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O mesmo cara (Kevin Mutch) que fez a arte de \u201cGod Shuffled His Feet\u201d?<\/strong><br \/>\nSim. N\u00f3s nos conhecemos trabalhando em um restaurante chamado \u201cSchmuckers\u201d, em Winnipeg, muitos anos atr\u00e1s. Conhe\u00e7o ele desde que tinha uns 16 anos, e continuamos muito pr\u00f3ximos at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 descreveu o Crash Test Dummies como uma \u201cbanda que faz turn\u00ea vendendo camisetas\u201d, por causa do decl\u00ednio do formato de \u00e1lbum. Com o streaming, voc\u00ea acha que ficou mais dif\u00edcil o p\u00fablico entender o \u00e1lbum como uma hist\u00f3ria cont\u00ednua, tipo um livro em que cada faixa \u00e9 um cap\u00edtulo?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o acho. Acho que est\u00e1 tudo bastante aberto em termos do que voc\u00ea pode fazer. N\u00e3o penso isso de forma alguma. Havia refer\u00eancias liter\u00e1rias na \u00faltima m\u00fasica que escrevi, &#8220;Sacred Alphabet&#8221;, e isso n\u00e3o criou nenhuma barreira para mim.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Crash Test Dummies - Sacred Alphabet - Official Lyric Video\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rb1KwA7foGY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 disse uma vez que tudo em que est\u00e1 trabalhando sempre parece seu melhor trabalho naquele momento. Acho que muitos artistas se identificam com isso. O tempo costuma confirmar essa sensa\u00e7\u00e3o ou voc\u00ea olha para tr\u00e1s e v\u00ea as coisas de forma diferente?<\/strong><br \/>\nEu olho para tr\u00e1s e vejo de forma diferente. Escuto nosso primeiro disco e n\u00e3o gosto muito. Ele foi mal gravado. Nosso baterista n\u00e3o era muito bom, e n\u00f3s o demitimos. Eu consideraria aquelas m\u00fasicas como \u201cjuvenilia\u201d, coisas que escrevi quando era jovem e que hoje n\u00e3o significam muito para mim, exceto por &#8220;Superman&#8217;s Song&#8221;, que acho realmente uma boa m\u00fasica. Quando chegamos ao segundo disco, eu j\u00e1 tinha tido muito mais tempo para escrever m\u00fasicas e estava ficando melhor nisso. Acho que nosso segundo disco ficou muito bom, e tenho orgulho dele olhando hoje. Muitas pessoas dizem que o primeiro disco \u00e9 f\u00e1cil porque voc\u00ea teve a vida inteira para escrev\u00ea-lo, mas o segundo \u00e9 mais dif\u00edcil porque precisa criar material totalmente novo. Eu acho isso um pensamento invertido. Se voc\u00ea presta aten\u00e7\u00e3o no que est\u00e1 fazendo, tende a melhorar com o tempo. Acho que foi isso que aconteceu conosco. Nosso segundo disco \u00e9 muito melhor que o primeiro e fico feliz que tenha sido justamente ele que fez tanto sucesso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Existe algum momento da sua carreira que pareceu uma decep\u00e7\u00e3o ou um desvio errado na \u00e9poca? O que voc\u00ea aprendeu com isso?<\/strong><br \/>\nQuando lan\u00e7amos nosso terceiro disco e n\u00e3o houve execu\u00e7\u00e3o nas r\u00e1dios, isso foi uma decep\u00e7\u00e3o. Nossos dois primeiros discos foram muito bem. O primeiro fez enorme sucesso no Canad\u00e1, o segundo foi bem internacionalmente. E o terceiro n\u00e3o aconteceu. Voc\u00ea coloca muito trabalho em um disco e depois ele simplesmente n\u00e3o acontece, e isso \u00e9 muito decepcionante. Mas \u00e9 assim que o mundo funciona. N\u00e3o acho que tenha aprendido muita coisa com isso, porque quando escrevia as m\u00fasicas que deram certo nos dois primeiros discos, eu escrevia para mim, fazendo o que eu achava que me agradaria e, portanto, talvez agradasse aos outros. Foi exatamente isso que fiz no terceiro disco tamb\u00e9m. N\u00e3o tentei agradar ao p\u00fablico. Continuei escrevendo o que parecia verdadeiro para mim. Quando isso n\u00e3o resultou em um disco bem-sucedido, continuei fazendo a mesma coisa. Escrevi outro disco e segui meus instintos. N\u00e3o mudei meu rumo por causa do fracasso. Fiquei surpreso por ter tido qualquer sucesso, para ser honesto. Eu simplesmente n\u00e3o contava com isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na faculdade, voc\u00ea se considerava um nerd?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o era popular na escola. Quando cheguei \u00e0 universidade, fiquei completamente envolvido com o estudo de filosofia e literatura, enquanto muitos colegas estavam apenas passando pelas aulas sem tirar muito proveito delas. Eu certamente estava aproveitando muito aquilo. Ent\u00e3o, acho que eu era nerd nesse sentido. (risos)<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-95420 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/crash2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1061\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/crash2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/crash2-212x300.jpg 212w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea escreveu sobre her\u00f3is, sobre um Deus que arrasta os p\u00e9s, sobre o estranho e o comum. Ainda h\u00e1 alguma pergunta que voc\u00ea busca responder?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1. Agora, na minha velhice, me voltei para escrever m\u00fasica instrumental. N\u00e3o publiquei nada ainda, mas estou compondo pe\u00e7as para quarteto de cordas e para piano. N\u00e3o sei se alguma delas ser\u00e1 divulgada publicamente um dia. Mas n\u00e3o, n\u00e3o existe nenhuma pergunta que eu continue tentando responder. Na verdade, hoje eu prefiro muito mais escrever m\u00fasica sem letra. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea teve um problema nas costas, certo? Est\u00e1 tudo bem agora?<\/strong><br \/>\nIsso j\u00e1 est\u00e1 praticamente resolvido, obrigado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas est\u00e3o se preparando para sair em turn\u00ea novamente com a reuni\u00e3o de 2026, certo?<\/strong><br \/>\nSim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A forma\u00e7\u00e3o inclui voc\u00ea nos vocais e guitarra, seu irm\u00e3o Dan Roberts no baixo, Ellen Reid nos vocais e acordeon, e Mitch Dorge na bateria. Eu vi um v\u00eddeo do Lincoln Theater no ano passado e notei um tecladista que tinha uma certa vibe do Jack Black.<\/strong><br \/>\nAh sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Era o Lee Fleming Smith, certo?<\/strong><br \/>\nAquele \u00e9 o Lee Fleming Smith, isso mesmo. Ele \u00e9 a adi\u00e7\u00e3o mais recente ao Crash Test Dummies. Sempre tivemos uma esp\u00e9cie de rotatividade de tecladistas ao longo dos anos. O Lee Fleming Smith est\u00e1 em turn\u00ea conosco j\u00e1 h\u00e1 alguns anos. Ele \u00e9 um cara ador\u00e1vel e um baita tecladista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu vi que ele trabalha tamb\u00e9m com outros artistas da cena roots canadense, como Dave Simpson e Dave Miles. Dentre os m\u00fasicos desse circuito, algum outro artista que voc\u00ea considera ter uma sintonia parecida com a sua?<\/strong><br \/>\nTemos outro m\u00fasico tocando conosco \u2014 Stuart Cameron toca guitarra, e ele definitivamente \u00e9 uma sintonia, assim como o Lee Fleming Smith. N\u00e3o sei se me identifico tanto com as bandas de roots rock canadense que voc\u00ea mencionou. Eu gosto dessa m\u00fasica, e acho que as pessoas com quem estou tocando s\u00e3o \u00f3timas, mas n\u00e3o sei se temos tantas coisas em comum musicalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vi <a href=\"https:\/\/www.crashtestdummies.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no site de voc\u00eas<\/a> que a turn\u00ea de 2026 come\u00e7a no Canad\u00e1 em julho e depois segue para a Europa em outubro. Por enquanto, \u00e9 isso?<\/strong><br \/>\nEsse \u00e9 o plano por enquanto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Am\u00e9rica do Sul?<\/strong><br \/>\nEstamos analisando possibilidades na Am\u00e9rica do Sul. A gente est\u00e1 estudando fazer uns shows por a\u00ed, torcendo para que seja no Brasil, mas ainda n\u00e3o tem nada confirmado.N\u00e3o posso dar datas, mas se tivermos algo, posso providenciar para que essa informa\u00e7\u00e3o chegue at\u00e9 voc\u00ea.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Crash Test Dummies - Live at  Alabama halle , Munich, Germany 1994-07-13 (FULL SHOW)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/O1o1oGDZJWo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Crash Test Dummies - Mmm Mmm Mmm Mmm (Official Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eTeg1txDv8w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ONE ON ONE: Brad Roberts of Crash Test Dummies August 12th, 2016 City Winery New York Full Session\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/O4z3u4dQdYc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/hebertonbas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Heberton Barreira<\/a>\u00a0\u00e9 estudante de jornalismo, bandolinista e animador stop-motion. Criador do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/yayatedance\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@yayatedance<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Brad tamb\u00e9m fala um pouco de algumas influ\u00eancias casuais, como os Replacements, e os brit\u00e2nicos do XTC, com seus tipos de harmonia e mudan\u00e7as de tonalidade.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/04\/27\/entrevista-brad-roberts-num-papo-sobre-os-35-anos-do-crash-test-dummies\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":164,"featured_media":95421,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95416"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/164"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=95416"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95416\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":95426,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95416\/revisions\/95426"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95421"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=95416"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=95416"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=95416"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}