{"id":95377,"date":"2026-04-26T01:27:36","date_gmt":"2026-04-26T04:27:36","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=95377"},"modified":"2026-04-26T12:06:35","modified_gmt":"2026-04-26T15:06:35","slug":"gop-tun-festival-2026-por-um-jornalista-desempregado-cheio-de-amigos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/04\/26\/gop-tun-festival-2026-por-um-jornalista-desempregado-cheio-de-amigos\/","title":{"rendered":"Gop Tun Festival 2026 por um jornalista desempregado cheio de amigos"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">texto de <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/yuri-de-castro-bs\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Yuri de Castro<\/a><br \/>\ncolaborou Pedro \u201cPeu\u201d Vasconcelos<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tirei o fim de semana dos dias 12 e 13 de abril para encontrar amigos no (Mercado Livre Arena) Pacaembu. Quase sempre, estou mais por obriga\u00e7\u00e3o do que por vontade pr\u00f3pria em festivais. Mas havia mist\u00e9rios n\u00e3o resolvidos em meu esp\u00edrito a minha espera no clima ensolarado, de calor ameno e atra\u00e7\u00f5es gringas no Gop Tun Festival. Chaos In The CBD, Takuya Nakamura, Sherelle, Mount Kimbie (destaque na foto de abertura), Jayda G, Yu Su, 1tbsp, Mad Professor, Felipe Gordon e Tama Sumo &amp; Lakuti, por exemplo, formavam o primeiro pelot\u00e3o da curadoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quase todos esses nomes viveram em algum momento em minha constru\u00e7\u00e3o do que \u00e9 m\u00fasica eletr\u00f4nica e alguns espec\u00edficos dos citados me ajudaram a desconstruir tamb\u00e9m o conceito do que \u00e9 \u2014e aqui incluo amigos como os que eu encontrei no festival como respons\u00e1veis diretos tamb\u00e9m pela minha visualiza\u00e7\u00e3o de obras que, talvez, passariam direto por mim nos momentos em que me foram apresentadas: ao longo do texto, voc\u00ea ter\u00e1 a companhia de Peu e Tiago.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes, um pequeno resumo biogr\u00e1fico que me traz ao festival e ao S&amp;Y<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em mais um dia de folga ap\u00f3s perambular pelo jornalismo cultural, casa de aposta e um canal de televis\u00e3o, resolvi pedir ao editor deste Scream &amp; Yell espa\u00e7o para um relato sobre um dos melhores festivais deste pa\u00eds. Para falar, ent\u00e3o, sobre o \u00f3bvio e escrachado objeto principal de uma an\u00e1lise de um evento musical: amigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Principalmente quando este encontro n\u00e3o precisa ser dividido com o meu costumeiro labor neste locais: coletivas in\u00fateis de artistas do lado de fora de camarins improvisados ou em conversinhas quase sempre irrelevantes de jornalistas musicais com artistas musicais em espa\u00e7o de m\u00fasica e onde, hoje em dia, se fala de fama, dinheiro, sucesso, menos sobre m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu sou um entediado apaixonado pelo meu trabalho porque trabalho demais em um sistema falido de jornalismo e n\u00e3o consigo ver mais beleza naquilo que lutei para trabalhar. Estou descobrindo isso, pela primeira vez, por meio do desemprego \u2014que espero seja breve, tempor\u00e1rio, o suficiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como sempre, minha aten\u00e7\u00e3o em festivais \u00e9 sempre dada aos brasileiros. Neste, tinhamos nomes como Omoloko, Capetini, RHR, Verraco, Paulete Lindacelva, Rafa Balera, Akin Deckard e Benjamin Sallum (Pista Quente). Ceres Yo e Diogo Strausz. Este \u00faltimo, por exemplo, me for\u00e7a abrir um par\u00eanteses depois de dois pontos antes que, de fato, entremos no cerne deste texto e falemos de m\u00fasica e amigos: (o produtor tornou-se atra\u00e7\u00e3o de \u00faltima hora do festival ap\u00f3s cancelamento do gan\u00eas Ata Kak, aus\u00eancia explicada pelo festival por \u201cmotivo que foge do nosso controle\u201d em \u201cmomento delicado nas rela\u00e7\u00f5es internacionais\u201d). E, de repente, tamb\u00e9m, era lembrar que, se muito do que se espera da m\u00fasica eletr\u00f4nica \u00e9 um sossego do entendimento, em outras bandas n\u00e3o t\u00e3o distantes como parecem, EUA, Israel e pa\u00edses da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia ainda concordam com e estimulam a mis\u00e9ria moral do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<figure id=\"attachment_95386\" aria-describedby=\"caption-attachment-95386\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-95386 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/pista-quente.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"769\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/pista-quente.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/pista-quente-293x300.jpg 293w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-95386\" class=\"wp-caption-text\"><em>Pista Quente, domingo, Danceteria<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois bem. Com o tempo, a paisagem art-dec\u00f3r do final dos anos 1930 do Est\u00e1dio Municipal Paulo Machado de Carvalho, o c\u00e9u azul\u00edssimo e o som espetacular de dois dos tr\u00eas palcos do festival, iam deixando o amargor da consci\u00eancia de lado. Eu lembrava, ent\u00e3o, ao olhar minha gangue feliz com os movimento do p\u00fablico e das pickups, o que era estar em um festival sem motivos profissionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Peu e o primeiro dia de Gop Tun Festival no Pacaembu<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro \u201cPeu\u201d Vasconcelos \u00e9 amigo de minha namorada Camila. Ambos entusiastas da produ\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica alternativa e da execu\u00e7\u00e3o deste tipo de arte. Por tabela, tive muita sorte ao conhecer os amigos de Camila. Passei a amar Peu por sua curiosidade com qualquer assunto, mas especialmente por ser um fot\u00f3grafo capaz de tabelar em sua fala conhecimentos sobre o drama \u2014pelas vias de uma \u00f3pera italiana montada no Theatro S\u00e3o Pedro ou pela emo\u00e7\u00e3o de estar vendo um japon\u00eas grisalho tocando trompete em meio a drum and bass.<\/p>\n<figure id=\"attachment_95384\" aria-describedby=\"caption-attachment-95384\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-95384\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Takuya-sabado-nao-existe.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Takuya-sabado-nao-existe.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Takuya-sabado-nao-existe-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-95384\" class=\"wp-caption-text\"><em>Takuya, s\u00e1bado, N\u00e3o Existe<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFiquei sabendo que ele estava triste com o tempo de set que teve porque foi um dos melhores que ele j\u00e1 fez\u201d, ele me confidenciou no domingo sobre Takuya Nakamura, um quase sessent\u00e3o que, em Nova Iorque, se apaixonou pelas vertentes londrinas durante a febre eletr\u00f4nica underground dos anos 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nakamura foi um dos destaques do primeiro dia. N\u00e3o houve muito tempo para o p\u00fablico entender o que estava acontecendo: a sequ\u00eancia de drum and bass e jungle empurrava a transi\u00e7\u00e3o da tarde para o poente, fazendo com que os enormes planos de vidro esquentassem o gin\u00e1sio e deixassem feixes dram\u00e1ticos de luz e, do nada, o p\u00fablico j\u00e1 estava fascinado pelo soar do trompete em cima das bases. Foi curto mesmo, \u00e9 o que eu entendo agora. Mas, l\u00e1, na hora, pareceu \u00f3timo. O dia estava ainda por vir.<\/p>\n<figure id=\"attachment_95382\" aria-describedby=\"caption-attachment-95382\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-95382\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Omoloko-danceteria-sabado-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Omoloko-danceteria-sabado-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Omoloko-danceteria-sabado-1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-95382\" class=\"wp-caption-text\"><em>Omoloko, s\u00e1bado, Danceteria<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes, o s\u00e1bado havia come\u00e7ado com Omoloko. Depois que de divulgado no Twitter que come\u00e7aria \u00e0s 13h com duas horas apenas de m\u00fasicas africanas, alguns sortudos chegaram cedo. Faz algum tempo, bastante tempo, que o DJ se embrenhou no Kwaito, estilo sulafricano que mistura a house music a movimentos do pop dos anos 2000. No \u201cpalco do meio\u201d do festival, chamado Danceteria, o \u00fanico dos tr\u00eas a ser em c\u00e9u aberto, foi de Omoloko um dos melhores (e ensolarados) momentos de todo o Gop Tun Festival.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por ser mais democr\u00e1tico em termos de acesso, esse foi o palco constantemente mais lotado do festival. O que se viu no set da simpatic\u00edssima dupla Tama Sumo &amp; Lakuti foi uma catarse house. Elas olhavam para o front e sorriam sempre com a rea\u00e7\u00e3o de uma plat\u00e9ia que parecia apaixonada ao ver duas DJs apaixonadas tocando m\u00fasicas igualmente apaixonadas pela pista de dan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Artistas felizes em um festival, quase sempre, mostra acerto da curadoria ao entender algo sens\u00edvel: a vibe. Por exemplo, com o cancelamento de Ata Kak, o festival trocou os hor\u00e1rios de Takuya Nakamura com o de DJ Babatr. Deu certo: entre eles, estava o b2b entre RHR e Verraco. Saia de cena o drum and bass e os contornos dos pancad\u00f5es dali em diante seriam mais \u201cnossos\u201d: o paulistano de Diadema radicado em Londrina fez um baile com o colombiano e, pela primeira vez, aquele gin\u00e1sio parecia ter os melhores e mais cuidadosos beats ali explodidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o venezuelano Babatr entrou, ora sendo tribal, ora trance, ora tudo, eu j\u00e1 estava implorando por algo que me levasse para outra onda. Foi quando encontrei o o\u00e1sis fresco e gay formado por Tama e Lakuti e por ali terminei minha noite, mais do que satisfeito.<\/p>\n<figure id=\"attachment_95381\" aria-describedby=\"caption-attachment-95381\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-95381\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Sherelle-domingo-nao-existe.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Sherelle-domingo-nao-existe.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Sherelle-domingo-nao-existe-281x300.jpg 281w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-95381\" class=\"wp-caption-text\"><em>Sherelle, domingo, N\u00e3o Existe<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mentira. Acabo de me lembrar que teve tamb\u00e9m Sherelle, um dos nomes mais vibrantes da cena londrina. \u201cEra doido ver como ela estava tocando tudo o que ela toca s\u00f3 que em 150, 160 BPM\u201d, reparou Peu. Verdade. Os poucos que permaneceram no calor (inclusive o senhor Nakamura) viram uma DJ marrent\u00edssima sendo muito foda: pesquisa e leitura de pista absurda, repetindo muito pouco do que se ouve em sua discografia. Mas nosso cora\u00e7\u00e3o viajante, por mais fascinado que estiv\u00e9ssemos por ela, queria estar l\u00e1 fora, onde estavam tamb\u00e9m nossos amigos, bailando com a dupla sapatona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(N\u00e3o vou omitir que ainda passei, com o pouco que sobrou de mim, no after \u2013uma parceria do festival com a plataforma Resident Advisor. Mas, l\u00e1, faltou o que marcou o evento como um todo: vibe. A minha inclusa, pois cansada).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Tiago, o amigo que lembrei que perdi, e o segundo dia de festival<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito do que aprendi de m\u00fasica eletr\u00f4nica se deve \u00e0 curiosidade e sabedoria de alguns amigos. Tiago \u00e9 um deles. N\u00e3o planejei ir ao festival em sua companhia, tampouco marquei e, em certa hora, acabei mesmo me esquecendo que poderia encontr\u00e1-lo. Faz algum tempo que brigamos. Tenho com amor seus convites guiados a palcos de festivais como o Dekmantel e o pr\u00f3prio Gop Tun, entremeados por pistas quentes onde quer que estiv\u00e9ssemos. Sabia que ele estaria l\u00e1, mas n\u00e3o me atentei \u00e0 possibilidade de esbarrar com ele. N\u00e3o queria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inclusive, minha \u00faltima vez a paisana em um festival da Gop Tun batia j\u00e1 mais de cinco anos, e foi com ele. Para Tiago, a oportunidade de ir dan\u00e7ar momentos como esse eram oportunidades para se encontrar com outros muitos de seus amigos, de S\u00e3o Paulo ou da di\u00e1spora natalense, coisa que tamb\u00e9m me ensinava sobre como viver aqui: lembrar dos amigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O festival ainda se encaminhava para sua metade quando o avistei. Puxei o bra\u00e7o de minha namorada que sem saber caminhava em dire\u00e7\u00e3o ao bolinho em que ele se destacava. Ela n\u00e3o percebeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem estava no palco era o carioca Rafael Capetini. \u201cEle \u00e9 maravilhoso\u201d, disse Peu. Mas, o mais doido, \u00e9 que ele foi ainda mais sutil na doideira. Sem serem notadas, as transi\u00e7\u00f5es iam se tecendo enla\u00e7ando ecos de dub com beats de estampido seco, causando uma sensa\u00e7\u00e3o de abra\u00e7o em um calor horroroso da tardede domingo ali dentro. Seus dois discos lan\u00e7ados no selo 40% Foda\/Maneir\u00edssimo estavam ali presentes em outro n\u00edvel. A quentura do gin\u00e1sio e a minha vontade de evitar um encontro com Tiago tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fumei ansioso um cigarro, minha press\u00e3o baixou, recorri \u00e0s arquibancadas. Culpei o calor, a comida, o l\u00edquido, as drogas. Mas, de fato, acho que o motivo era outro, suficientemente pertinente para eu t\u00ea-lo abordado aqui. O pre\u00e7o de uma amizade relegada ao passado, como se fosse irrepar\u00e1vel, me cobra em forma de um pesadelo que n\u00e3o costumo sonhar, mas que pode me aparecer \u2013como todo pesadelo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_95378\" aria-describedby=\"caption-attachment-95378\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-95378\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Felipe-Gordon-Colombia-domingo-palco-Danceteria.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Felipe-Gordon-Colombia-domingo-palco-Danceteria.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Felipe-Gordon-Colombia-domingo-palco-Danceteria-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-95378\" class=\"wp-caption-text\"><em>Felipe Gordon (Col\u00f4mbia), domingo, palco Danceteria<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes da rebordosa, um dos momentos agudos havia sido a formata\u00e7\u00e3o live do colombiano Felipe Gordon. \u201cEle \u00e9 maravilhoso\u201d, alertou Andrey, outro amigo de minha namorada, este fluente em experi\u00eancias na Col\u00f4mbia e em sets de Jayda G no Canad\u00e1. No palco, Gordon fez aquilo que mais gosto possibilitado por uma curadoria esperta: expandir essa percep\u00e7\u00e3o do palco, do DJ, da m\u00fasica eletr\u00f4nica per se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo de cobertura que despendi recentemente da minha vida (em festivais como Lollapalooza, Rock In Rio, Time Warp, S\u00f3 Track Boa) me ensinou que o objetivo da curadoria deixou de ser o ouvinte e perpetuou a experi\u00eancia de consumo no local. No Gop Tun Festival, no entanto, n\u00e3o se v\u00ea publicidade no palco e a polui\u00e7\u00e3o visual \u00e9 nula. Ativa\u00e7\u00f5es de marca s\u00e3o discretas como em bons festivais a escolha do local \u00e9 quase sempre exultante \u2013os ingressos cobram um pre\u00e7o que acaba sendo poss\u00edvel de ser interessante diante dos praticados por concorrentes muito abaixo da qualidade deste.<\/p>\n<figure id=\"attachment_95380\" aria-describedby=\"caption-attachment-95380\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-95380\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Mad-Professor-Domingo-Nao-existe-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Mad-Professor-Domingo-Nao-existe-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Mad-Professor-Domingo-Nao-existe-1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-95380\" class=\"wp-caption-text\"><em>Mad Professor (Domingo, N\u00e3o Existe)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Peu, de novo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este \u00faltimo dia de festival parecia ser o mais saboroso. Al\u00e9m de Capetini, t\u00ednhamos Pista Quente e Mad Professor concorrendo no mesmo hor\u00e1rio. Evitamos nos distrair com a sele\u00e7\u00e3o maravilhosa da dupla Akin e Benjamin porque quer\u00edamos ver o j\u00e1 quase brasileiro londrino naquela tarde, em sua \u00edntegra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse era minha quarta vez em menos de dois anos assistindo ao mestre do dub. Tive o prazer de faz\u00ea-lo dormir durante uma entrevista para a Billboard Brasil, coisa que ele passou a se recordar e mencionar quando nos encontramos ap\u00f3s. Na pista da Gop Tun, ele brigava com sua mesa de som, falava ao microfone para gastar tempo e, ainda assim, est\u00e1vamos vibrando. Foi o melhor set que eu vi dele, muito at\u00e9 por essa quest\u00e3o t\u00e9cnica: a forma como ele ia contornado, cortando instrumentais, deixando as acapellas enquanto resolvia seus cabos era maravilhosa. Nunca vi erros t\u00e3o parecidos com acertos assim. Peu estava enlouquecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCada palco tinha um mood que oscila de acordo com o estilo do artista. Eu vi que, especialmente neste segundo dia, sem um palco voltado para o techno, todos os outros ganharam vibes diversas, ecl\u00e9ticas. O techno ficou dilu\u00eddo e quando o DJ queria de fato meter um technoz\u00e3o, como foi o Chaos in the CBD, era groovado, n\u00e3o sei explicar, mas era muito sexy\u201d, analisa Peu citando a aus\u00eancia do palco Supernova, que foi deslocado para o after do festival, e que me causou uma esp\u00e9cie de t\u00e9dio no dia anterior.<\/p>\n<figure id=\"attachment_95388\" aria-describedby=\"caption-attachment-95388\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-95388\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Chaos-in-the-CBD-sabado-Main-Stage.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"607\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Chaos-in-the-CBD-sabado-Main-Stage.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Chaos-in-the-CBD-sabado-Main-Stage-300x243.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-95388\" class=\"wp-caption-text\"><em>Chaos in the CBD, s\u00e1bado, Main Stage<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de passar definitivamente mal, peguei parte do b2b entre Paulete Lindacelva e Rafa Balera, no palco principal do festival. Esse foi um dos raros momentos que consegui me desgrudar dos outros dois mais perif\u00e9ricos: em quase todos esses momentos, havia uma decep\u00e7\u00e3o minha com a sonoriza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, um gin\u00e1sio muito amplo que parecia n\u00e3o ter um som \u00e0 altura. Para apreciar, era preciso estar bem no front. Quem esteve, se divertiu muito com a simpatia e as flores distribu\u00eddas em forma de agradecimento no Main Stage.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Peguei o caminho da ro\u00e7a, enjoado e trist\u00edssimo. Tinha muito para aproveitar no domingo e estava ansioso para ver Mount Kimbie (e tamb\u00e9m ansioso para entender onde meu corpo ia se situar: no inferno minimalista que eles, ingleses, provocariam no palco N\u00e3o Existe ou se eu ia me deixar seduzir pela alegria contagiante da canadense Jayda G, atra\u00e7\u00e3o do palco principal). No meio disso tudo, ainda havia o australiano 1tbsp, o irland\u00eas Optimo e a chinesa Yu Su.<\/p>\n<figure id=\"attachment_95387\" aria-describedby=\"caption-attachment-95387\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-95387\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/1stbr-Nao-Existe-Domingo.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"908\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/1stbr-Nao-Existe-Domingo.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/1stbr-Nao-Existe-Domingo-248x300.jpg 248w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-95387\" class=\"wp-caption-text\"><em>1tbsp, domingo, N\u00e3o Existe<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felizmente, pedi a Peu que me dissesse uma breve resenha dos shows que n\u00e3o acompanhei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1tbsp: \u201dEu j\u00e1 esperava que fosse um pouco chocante mas que n\u00e3o seria TANTO. Vi que ele lan\u00e7ou uma m\u00fasica nova e no set recente do Coachella, uma cantora performou com ele. Da\u00ed, fui percebendo ele tamb\u00e9m tomando esse lugar. N\u00e3o sabia que ele cantava. Pegou o mic e cantou algumas m\u00fasicas, deixou tudo com cara de show. Em n\u00edvel de refer\u00eancia mundial foi muito amplo, tinha timbres de v\u00e1rios lugares sem deixar de ficar queer. Isso foi muuuito bom. Passei um tempo com os amigos assistindo mas, de repente, um por um foi indo embora e me vi sozinho assistindo. Mas tava t\u00e3o acolhedor que me senti abra\u00e7ado. Vi a segunda metade inteira sozinho praticamente porque foram todas pra Jayda G (que eu j\u00e1 tinha visto em 2023). Queria muuuito t\u00ea-lo visto tocar num ambiente mais intimista tamb\u00e9m? Quem sabe\u2026\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mount Kimbie: \u201cA\u00ed, eu j\u00e1 tava sozinha e sabia que n\u00e3o ia trocar esse set por nada. Sou f\u00e3 da banda h\u00e1 muitos anos, bote a\u00ed uns 15 anos. E foi interessante ver esse lugar da pista porque apesar deles serem conhecidos por m\u00fasicas n\u00e3o t\u00e3o dan\u00e7antes, eles vieram dessa repagina\u00e7\u00e3o do dubstep l\u00e1 por 2009\/2010, com elementos org\u00e2nicos e sampleados. Mas como j\u00e1 tinha ouvido o DJ-kicks deles v\u00e1rias e v\u00e1rias vezes j\u00e1 sabia que seria ESTRANHO por\u00e9m muito fino. Essa linha a\u00ed foi muito singular no festival. Ao mesmo tempo que a entrega de pista tava excelente, eles derrubavam, deixavam mel\u00f3dico, at\u00e9 ambient teve. Foi especial, quando come\u00e7ou a entrar as m\u00fasicas e tools do Mount Kimbie do jeitinho old school deles, teve uma hora que a voz de King Krule percorreu todo o espa\u00e7o da quadra em reverb. Mesmo tendo me perdido de todo mundo, acabei fazendo amizades na pista e conheci uma menina, a Milena, que tamb\u00e9m era f\u00e3 da banda e grudaaaamos na grade. Cantamos todos os hits. Quando acabou convenci ela a ir comigo pro Optimo\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Optimo: convenci Milena a terminarmos no Optimo porque nunca tinha visto ao vivo, mas a grande surpresa foi ele n\u00e3o estar interessado em focar numa sonoridade &#8220;acolhedora&#8221;. Muita densidade, foi set pra amassar todo mundo que ficou at\u00e9 o fim. Teve fluidez mas tava pesadinho do jeito que as clubbers velhas gostam. Ele viu que o p\u00fablico tava engajando nos cl\u00e1ssicos, tocou \u201cFuck the Pain Away\u201d, da Peaches, e foi todo mundo \u00e0 louca (eu inclusa). Mas a\u00ed lembrei que existia Yu Su e todos os amigos tavam l\u00e1. Corri.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Yu Su: \u2026e peguei Yu Su linda fin\u00edssima encerrando, uma coisa gostosa mas sem deixar a marca dela de lado (estranheza e refer\u00eancias microtonais). Todo mundo tava babando pelo set dela e foi uma finaliza\u00e7\u00e3o digna. A Danceteria esse ano acabou sendo o centro do festival por estar entre os dois palcos, a gente passava ali o tempo todo ent\u00e3o foi chic encerrar ali. Ainda teve um dropz\u00e3o perto do fim do set que todas ficaram loucassss. Em 2022 ela tocou no peaktime no Festival N\u00e3o Existe e pra quem ama a produ\u00e7\u00e3o dela mais calma e tranquila foi lindo v\u00ea-la fazendo hist\u00f3ria encerrando dois dias de festival.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-95389 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Pacaembu.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"871\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Pacaembu.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Pacaembu-258x300.jpg 258w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>&#8211; Yuri de Castro \u00e9 jornalista, estrategista, pesquisador e respons\u00e1vel pelo <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/equipebotasom\/\">Bota Som<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Nakamura foi um dos destaques do primeiro dia. 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