{"id":95279,"date":"2026-04-17T00:01:26","date_gmt":"2026-04-17T03:01:26","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=95279"},"modified":"2026-04-16T17:30:13","modified_gmt":"2026-04-16T20:30:13","slug":"conexao-brasil-portugal-birds-are-indie-falam-sobre-seu-novo-album-the-stone-of-madness","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/04\/17\/conexao-brasil-portugal-birds-are-indie-falam-sobre-seu-novo-album-the-stone-of-madness\/","title":{"rendered":"Conex\u00e3o Brasil \/ Portugal: Birds Are Indie falam sobre seu novo \u00e1lbum, \u201cThe Stone Of Madness\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.m.salgado.5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>, especial de Lisboa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s abordarem as inquieta\u00e7\u00f5es dist\u00f3picas, a rela\u00e7\u00e3o com a intelig\u00eancia artificial e a ambiguidade entre o mundo real e virtual <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/04\/19\/entrevista-birds-are-indie-surgem-mais-pesados-em-ones-zeros-o-novo-disco-que-tateia-a-ambiguidade-entre-mundo-real-e-virtual\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no disco \u201cOnes &amp; Zeros\u201d<\/a>, os <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/birdsareindie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Birds Are Indie<\/a> aprofundam a tem\u00e1tica iniciada h\u00e1 tr\u00eas anos no novo \u00e1lbum, \u201c<a href=\"https:\/\/birdsareindie.bandcamp.com\/album\/the-stone-of-madness\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Stone Of Madness<\/a>\u201d (2026). Desta vez, a banda de Coimbra adota uma t\u00f4nica mais introspectiva, deslocando a sua an\u00e1lise do coletivo para o indiv\u00edduo, atrav\u00e9s dos seus mecanismos interiores, tens\u00f5es, repeti\u00e7\u00f5es e bloqueios emocionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No disco, editado a 27 de mar\u00e7o pelo selo Lux Records e que dominou a conversa com o vocalista e guitarrista Ricardo Jer\u00f3nimo, pelo Google Meet, o trio continua a fazer uso das caixas de ritmos e dos sintetizadores aliando-os ao lado roqueiro e de indie pop que os caracteriza. Mas, se em 2023 as can\u00e7\u00f5es eram mais diretas e luminosas, no novo trabalho h\u00e1 maior densidade e existe igualmente uma renova\u00e7\u00e3o da intensidade vocal e interpretativa que o \u00e1lbum anterior j\u00e1 patenteava. \u201cQuisemos dar seguimento ao caminho que inici\u00e1mos no disco conceitual \u201cOnes &amp; Zeros\u201d e decidimos manter um pouco a linha anterior com algumas altera\u00e7\u00f5es e evolu\u00e7\u00f5es. Na l\u00f3gica de tornar estes \u00e1lbuns g\u00e9meos, tamb\u00e9m nos fazia sentido que existissem pontes f\u00e1ceis entre os dois trabalhos e que n\u00e3o fossem sonicamente universos completamente diferentes\u201d, conta Jer\u00f3nimo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro single, \u201cNot Today\u201d, espelha bem a sensa\u00e7\u00e3o de adiamento que percorre o \u00e1lbum. Entre a frustra\u00e7\u00e3o e a catarse expressas na faixa, emerge a voz mais madura e emotiva da multi-instrumentista Joana Corker e a sua urg\u00eancia interpretativa intensifica o impacto da can\u00e7\u00e3o e a mensagem do grupo. \u201cI Could Laugh\u201d, o novo single, marca o regresso da banda ao rock can\u00f4nico, a bela e contemplativa \u201cGold And Symmetry\u201d retrata a busca por estabilidade e algum brilho, enquanto a acelerada \u201cBend\u201d aborda a ideia de uma pessoa se encontrar num estado de poss\u00edvel n\u00e3o retorno ou mesmo de loucura (que est\u00e1 muito presente no trabalho).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa das faixas mais interessantes do \u00e1lbum, \u201cNo More Alibis\u201d, cantada por Joana Corker, os Birds Are Indie criaram uma m\u00fasica viciante e de l\u00edrica sugestiva, recriando a Madchester dos anos 1980. \u201cTentamos tirar partido das caixas de ritmos, que tamb\u00e9m est\u00e3o presentes noutras faixas, mas, neste caso, quisemos mesmo usar o &#8216;beat&#8217; como algo mais &#8216;groovie&#8217;, dan\u00e7\u00e1vel e tamb\u00e9m com o baixo e as guitarras a fazerem linhas diferentes e n\u00e3o simplesmente os acordes que usamos maioritariamente\u201d, explica Jer\u00f3nimo. O disco termina com a melanc\u00f3lica \u201cWhen Something Changes\u201d, iniciada com uma pegada folk e que encerra com o mantra po\u00e9tico e prolongado \u201cSoon you&#8217;ll find me on distant shores I&#8217;ll write my name when you wrote yours\u201d. A faixa ecoa o final de festa que a derradeira \u201cBehind The Sun\u201d representava no \u00e1lbum \u201cOnes &amp; Zeros\u201d e Jer\u00f3nimo espera que \u201cas pessoas entrem no mantra na nossa companhia at\u00e9 ao fim da m\u00fasica\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Relativamente ao futuro, o vocalista e guitarrista dos Birds Are Indie sublinha a ideia da evolu\u00e7\u00e3o como o fator mais importante. \u201cO que tentamos sempre \u00e9 n\u00e3o estagnar, mudar e evoluir. \u00c9 algo que seguimos em termos criativos, a n\u00edvel de composi\u00e7\u00e3o, nos discos e clipes que fazemos, nas grava\u00e7\u00f5es e nos instrumentos que tocamos. Por isso \u00e9 que os nossos primeiros \u00e1lbuns tinham uma guitarra, voz, pandeireta e um xilofone e agora estamos onde estamos. Tudo acontece de forma natural sem haver objetivos pr\u00e9-definidos. A partir da\u00ed, apenas refor\u00e7amos essa naturalidade e questionamos: \u201c\u00c9 por aqui que queremos ir?\u201d ou ent\u00e3o damos continuidade a uma ideia e dizemos: \u201cIsto faz sentido, por isso apostamos nisto\u201d. O que podemos tentar fazer para a frente? Tocar em cidades onde nunca toc\u00e1mos, mas tamb\u00e9m voltar a Espanha com este disco e atuar em alguns festivais onde nunca estivemos. Mas, o importante \u00e9 que as pessoas continuem a gostar dos nossos \u00e1lbuns e, para j\u00e1, estamos satisfeitos\u201d, conclui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Coimbra para o Brasil, Ricardo Jer\u00f3nimo conversou com o Scream &amp; Yell sobre os Birds Are Indie. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Stone Of Madness\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nNb6Cj04TuJqR9aCnwES-zGKIgYvyESSY\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No anterior trabalho, \u201cOnes &amp; Zeros\u201d (2023), voc\u00eas centraram a tem\u00e1tica na ambiguidade entre o mundo real e virtual e na rela\u00e7\u00e3o com a intelig\u00eancia artificial. O vosso disco mais recente, \u201cThe Stone Of Madness\u201d (2026) prop\u00f5e um aprofundamento dessa orienta\u00e7\u00e3o e coloca o foco no indiv\u00edduo, nos seus mecanismos interiores e nas suas viv\u00eancias. Porque resolveram seguir este caminho espec\u00edfico e a via conceitual que iniciaram h\u00e1 tr\u00eas anos?<\/strong><br \/>\nNa verdade, nestes dois trabalhos em conjunto tentamos que eles funcionassem quase como irm\u00e3os siameses. E este segundo, \u201cThe Stone Of Madness\u201d, aconteceu assim porque o anterior tamb\u00e9m se processou daquela forma. O \u00e1lbum \u201cOnes &amp; Zeros\u201d foi um pouco o despoletar de uma maneira diferente de pensar os discos. At\u00e9 esse momento pens\u00e1vamos neles como conjuntos de can\u00e7\u00f5es, quase como um \u00e1lbum de fotografias que de vez em quando tir\u00e1vamos e depois guard\u00e1vamos. Embora as m\u00fasicas pudessem ter alguma coer\u00eancia entre elas e tinham, isso devia-se ao fato de terem sido compostas e gravadas num determinado per\u00edodo da nossa vida. Obviamente que agora somos de uma forma e dois meses ou cinco anos depois mudamos e efetuamos as coisas de maneira diferente. No caso do \u201cOnes &amp; Zeros\u201d foi mesmo um \u00e1lbum conceitual que tent\u00e1mos que fizesse sentido a todos os n\u00edveis, n\u00e3o s\u00f3 nas letras, mas tamb\u00e9m musicalmente, na nossa postura, imagem, fotografias e nos clipes. Tudo isso transmitia o universo de que voc\u00ea falou, da distopia real e virtual. Mas, tinha uma abordagem muito ligada ao coletivo e aquilo que somos enquanto sociedade, comunidade e humanidade, bem como as coisas que podem estar a colocar tudo isso em risco ou pelo menos a gerar mudan\u00e7as um pouco assustadoras numa parte delas. O disco novo, \u201cThe Stone Of Madness\u201d, representa uma esp\u00e9cie de dualidade do \u00e1lbum \u201cOnes &amp; Zeros\u201d, porque tem uma l\u00f3gica mais interior, psicol\u00f3gica, individual que n\u00e3o \u00e9 necessariamente a minha nem s\u00f3 a minha. O trabalho anterior n\u00e3o traduzia propriamente a vis\u00e3o pessoal que tenho do mundo, tratava-se de uma constru\u00e7\u00e3o de personagens e de coisas que, naturalmente, tamb\u00e9m me passam pela cabe\u00e7a. \u201cThe Stone Of Madness\u201d funciona um bocado no mesmo sentido. N\u00e3o \u00e9 um \u00e1lbum pessoal sobre as minhas quest\u00f5es ou problemas nem sobre as coisas que eu penso ou aquilo que vivo. Mas, isso estar\u00e1 sempre imbu\u00eddo no disco, pela forma como tentei veicular pensamentos que andam na cabe\u00e7a de pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As personagens que habitam o novo disco revelam v\u00e1rios estados de esp\u00edrito, como a desorienta\u00e7\u00e3o, prepot\u00eancia, contempla\u00e7\u00e3o ou a soltura, mas a ideia de loucura aparenta estar muito presente. Foi por essa raz\u00e3o que deram ao \u00e1lbum o t\u00edtulo de \u201cThe Stone Of Madness\u201d?<\/strong><br \/>\nSim, mas n\u00e3o necessariamente na perspectiva de loucura enquanto estado cl\u00ednico ou em termos da sa\u00fade mental. N\u00e3o \u00e9 nesse sentido. Por isso \u00e9 que demos o t\u00edtulo de \u201cThe Stone Of Madness\u201d que \u00e9 inspirado num quadro de Hieronymus Bosch. A pintura ilustra um procedimento m\u00e9dico, um pouco assustador, em que n\u00e3o percebemos historicamente e fatualmente se acontecia, embora existam ind\u00edcios de que se tenha verificado. Era a ideia ancestral e medieval de que a loucura estava alojada na cabe\u00e7a de uma pessoa e podia ser extra\u00edda atrav\u00e9s de uma t\u00e9cnica. Portanto, a dem\u00eancia era algo f\u00edsico, quase como uma pedra ou um quisto, ou seja, algo que atrav\u00e9s de uma cirurgia podia ser retirado. Como disse, h\u00e1 uma pintura do Bosch que ilustra isso e nos nossos videoclipes e na capa do \u00e1lbum tamb\u00e9m pisc\u00e1mos o olho a esse quadro. O conceito \u00e9 um pouco esse, a loucura n\u00e3o interpretada enquanto um estado cl\u00ednico, porque ao longo dos s\u00e9culos foi assim chamada, por diversas raz\u00f5es. Se uma pessoa tinha epilepsia no s\u00e9culo XIII era considerada louca ou se uma mulher achava que tinha direitos e tentava valer isso tamb\u00e9m era queimada na fogueira e resolvia-se o assunto. Portanto, centrava-se mais na l\u00f3gica de algo interior e do que temos dentro de n\u00f3s. Depois, uma das belezas do quadro de Bosch \u00e9 que a extra\u00e7\u00e3o \u00e9 de uma pedra, mas em cima da mesa est\u00e1 uma flor. Ent\u00e3o o que \u00e9 a loucura na verdade? O que \u00e9 essa tal pedra? S\u00e3o um pouco esses estados de esp\u00edrito que voc\u00ea referiu encarados neste racioc\u00ednio. Mas, tamb\u00e9m de coisas que n\u00f3s pensamos e atravessamos interiormente, psicologicamente, mentalmente e n\u00e3o no sentido cl\u00ednico de algu\u00e9m estar louco ou de ter problemas psiqui\u00e1tricos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No clipe do primeiro single, \u201cNot Today\u201d, a personagem vivida pela Joana Corker exibe sinais de desespero e tens\u00e3o e ilustra muito bem o sentimento de frustra\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m de liberta\u00e7\u00e3o associada \u00e0 can\u00e7\u00e3o. Em que medida este v\u00eddeo reflete a vossa ideia de estender o conceito do \u00e1lbum e enquadrar m\u00fasica, imagem e narrativa?<\/strong><br \/>\nO clipe em termos de imagem vai buscar muito \u00e0 capa do disco. Como disse anteriormente, fizemos tudo na mesma altura. A grava\u00e7\u00e3o da m\u00fasica em est\u00fadio e depois o desempenho da Joana enquanto atriz no v\u00eddeo derivou bastante daquilo que \u00e9 a performance dela em palco. Porque \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o onde nos \u00faltimos concertos, que fizemos antes de come\u00e7ar a gravar o disco, j\u00e1 a t\u00ednhamos tocado. Foi uma das primeiras faixas que compusemos e fomo-la testando nos shows e a Joana ganhou uma confian\u00e7a, exterioriza\u00e7\u00e3o e catarse no palco que nos surpreendeu. As pessoas que compunham o p\u00fablico diziam: \u201cA Joana naquela m\u00fasica entrega-se \u00e0 atua\u00e7\u00e3o de uma maneira incr\u00edvel\u201d. N\u00f3s dissemos-lhe que quando grav\u00e1ssemos a faixa ela tinha de imaginar que estava no palco e devia soltar tudo e foi assim que aconteceu. Isso refletiu-se no v\u00eddeo e na personagem que voc\u00ea referiu, que de repente come\u00e7a a ter umas vis\u00f5es um pouco estranhas. Quando vir os outros clipes que lan\u00e7aremos (n\u00f3s fizemos tr\u00eas) vai perceber que a ideia \u00e9 irmos cruzando universos entre m\u00fasicas, letras, figurinos e as coisas v\u00e3o se misturando de uma forma algo caleidosc\u00f3pica. Nesse primeiro clipe, a Joana come\u00e7a a atirar livros pelo ar e a jogar outras coisas fora que j\u00e1 n\u00e3o lhe interessam. Por isso, ela \u00e9 a personagem principal do single \u201cNot Today\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Birds Are Indie - I COULD LAUGH (official video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JVMPpt3dKTI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outra m\u00fasica que me chamou \u00e0 aten\u00e7\u00e3o foi o vosso novo single, \u201cI Could Laugh\u201d, porque conjuga um sentido mel\u00f3dico pop com uma cad\u00eancia roqueira e \u00e9 interessante a forma como voc\u00eas estabelecem uma correla\u00e7\u00e3o entre a aliena\u00e7\u00e3o e a catarse e criam uma faixa contagiante.<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma faixa que ainda n\u00e3o toc\u00e1mos ao vivo mas, nos ensaios, sentimos muita energia nela e na altura em que a compusemos, tamb\u00e9m. \u00c9 uma das can\u00e7\u00f5es que n\u00e3o tem \u00b4drum machines\u00b4. Trata-se da Joana Corker a tocar bateria, o Henrique Toscano a tocar o baixo e eu toco guitarra e canto. Em certa medida, a letra \u00e9 um bocado ir\u00f4nica: \u201cI could laugh but crying sounds so much better\u201d. \u00c9 algu\u00e9m que est\u00e1 quase a gozar com a situa\u00e7\u00e3o e a p\u00f4r em causa se \u00e9 melhor rir ou chorar. Normalmente, n\u00f3s dizemos rio para n\u00e3o chorar. A m\u00fasica e o refr\u00e3o em particular invertem um pouco essa l\u00f3gica, no sentido em que eu choro porque rir j\u00e1 n\u00e3o me d\u00e1 tanto gozo e chorar d\u00e1-me mais satisfa\u00e7\u00e3o. O resto da letra \u00e9 de certa forma a catarse de algu\u00e9m que est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o limite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais s\u00e3o as vossas expectativas relativamente ao acolhimento do p\u00fablico para o novo disco?<\/strong><br \/>\nNormalmente, criamos poucas expectativas. N\u00e3o sei se ser\u00e1 uma estrat\u00e9gia de defesa, por isso avan\u00e7amos e depois logo se v\u00ea qual foi a rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. As pessoas n\u00e3o costumam atirar-nos pedras nem ovos e no fim dos shows batem palmas, dizem que gostaram e n\u00f3s continuamos (risos). Se nos tiv\u00e9ssemos desiludido muitas vezes, provavelmente j\u00e1 t\u00ednhamos perdido a motiva\u00e7\u00e3o. As coisas continuam a correr bem, as pessoas gostam de ver os concertos, falam connosco no final e o ambiente que se cria nos shows e no p\u00f3s-shows \u00e9 bom. Por outro lado, os espa\u00e7os em que tocamos propiciam isso. Estou a pensar em salas como o Maus H\u00e1bitos, no Porto, que conhecemos bem e onde iremos iniciar o tour de apresenta\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum. Em Lisboa, a Bota, onde j\u00e1 nos encontr\u00e1mos consigo, tamb\u00e9m tem um esp\u00edrito muito fixe (legal). Na nossa cidade, Coimbra, o Sal\u00e3o Brasil \u00e9 quase como uma segunda casa para n\u00f3s. Portanto, os espa\u00e7os e as pessoas que fazem esses lugares e est\u00e3o \u00e0 frente dos mesmos, tal como os t\u00e9cnicos ou os respons\u00e1veis da produ\u00e7\u00e3o, s\u00e3o nossos conhecidos. Esse conforto faz com que nos sintamos \u00e0 vontade para que as coisas corram bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual \u00e9 a vossa mensagem para os leitores do Scream &amp; Yell?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s sabemos que no Brasil h\u00e1 muita gente a escutar as nossas m\u00fasicas, porque os n\u00fameros chegam-nos pelas plataformas e ficamos contentes. Muitas vezes lemos coment\u00e1rios ou mensagens de brasileiros a dizer que gostariam que fossemos a S\u00e3o Paulo ou a Belo Horizonte. Curiosamente, um ter\u00e7o dos Birds Are Indie, o Henrique Toscano, esteve recentemente no Brasil a tocar com outra banda de Coimbra, os So Dead. Ele gostou bastante da experi\u00eancia e veio de l\u00e1 com boas hist\u00f3rias. Quem sabe se um dia isso nos poder\u00e1 acontecer. Enquanto grupo, os Birds Are Indie t\u00eam uma log\u00edstica diferente, porque n\u00e3o tocamos num &#8216;setup&#8217; tradicional de instrumentos. A banda que eu referi, os So Dead, com quem o Henrique se deslocou ao Brasil, n\u00e3o levou instrumentos de Portugal para l\u00e1. Nem guitarras ou pedais, absolutamente nada. Isso estava dispon\u00edvel nas cidades onde atuaram, porque s\u00e3o instrumentos standard de uma banda rock t\u00edpica. No nosso caso, as coisas s\u00e3o de tal forma personalizadas que torna a log\u00edstica dif\u00edcil. Por isso, estamos um pouco mais voltados para fazer outros tours na Europa que nos permitam continuar a viajar de carro, como fazemos sempre em Espanha. Mas, nunca se sabe. Agora que trabalhamos mais com &#8216;drum machines&#8217; \u00e9 poss\u00edvel que no futuro possamos tornar o &#8216;setup&#8217; mais transport\u00e1vel para outros continentes. Quanto ao disco, esperamos que as pessoas do Brasil gostem e que o escutem da forma que quiserem. Provavelmente ser\u00e1 mais pr\u00e1tico ouvi-lo nas plataformas digitais. Tamb\u00e9m h\u00e1 muitos brasileiros a viver em Portugal. Por isso, quem nos conhece no Brasil podia sugerir \u00e0 fam\u00edlia que tem c\u00e1 para nos ir ver tocar nas cidades onde os seus parentes vivem. Seria uma intera\u00e7\u00e3o muito engra\u00e7ada.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"BIRDS ARE INDIE - Ones &amp; Zeros (video album)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pWn7NYLmOhg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Pedro Salgado (siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010 contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/pedro-salgado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 do est\u00fadio\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/tsunami.alert\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tsunami.alert<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Muitas vezes lemos coment\u00e1rios ou mensagens de brasileiros a dizer que gostariam que fossemos a S\u00e3o Paulo ou a Belo Horizonte.&#8221;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/04\/17\/conexao-brasil-portugal-birds-are-indie-falam-sobre-seu-novo-album-the-stone-of-madness\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":95281,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[3676,47],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95279"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=95279"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95279\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":95282,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95279\/revisions\/95282"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95281"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=95279"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=95279"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=95279"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}