{"id":95262,"date":"2026-04-16T00:24:45","date_gmt":"2026-04-16T03:24:45","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=95262"},"modified":"2026-04-16T00:25:46","modified_gmt":"2026-04-16T03:25:46","slug":"entrevista-aminoacido-recria-clara-crocodilo-ao-lado-de-arrigo-barnabe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/04\/16\/entrevista-aminoacido-recria-clara-crocodilo-ao-lado-de-arrigo-barnabe\/","title":{"rendered":"Entrevista: Amino\u00e1cido recria \u201cClara Crocodilo\u201d ao lado de Arrigo Barnab\u00e9"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ociocretino\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Clara Crocodilo&#8221;, a obra seminal de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/arrigobarnabe\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Arrigo Barnab\u00e9<\/a> lan\u00e7ada em 1980, j\u00e1 passou dos 40 anos. \u00c9 tempo suficiente para virar pe\u00e7a de museu ou virar um daqueles discos que todo mundo respeita ou cita como refer\u00eancia de m\u00fasica de vanguarda. S\u00f3 que algumas pe\u00e7as art\u00edsticas tamb\u00e9m parecem estar sempre prontas para serem revividas sob outras paletas. E \u00e9 a\u00ed que entra a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/aminovcido\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Amino\u00e1cido<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formada em Londrina (PR) em 2016, a banda surgiu misturando arranjos guitarreiros \u00e0 la Frank Zappa com conceitos tortos, narrativas bizarras e uma liberdade sonora pouco preocupada em soar \u201cpolida\u201d ou &#8220;radiof\u00f4nica&#8221;. Dos primeiros discos instrumentais &#8211; \u201cMeticuloso\u201d (2017), \u201cSem A\u00e7\u00facar\u201d (2018) &#8211; at\u00e9 trabalhos mais estruturados como \u201cBanda Morre\u201d (2021), o grupo foi construindo um mundo pr\u00f3prio para quem aceita entrar no seu mar de refer\u00eancias e piadas internas. Mas e se fosse poss\u00edvel juntar esse universo com a contracultura marginal de &#8220;Clara Crocodilo&#8221;?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A parceria come\u00e7ou a tomar forma em 2020, quando a produtora Janete El Haouli prop\u00f4s a Barnab\u00e9 um show comemorativo do \u00e1lbum em Londrina, cidade-natal do m\u00fasico. Adiado pela pandemia, o projeto s\u00f3 ganhou corpo em 2022, com Arrigo convidando a Amino\u00e1cido para dividir o palco. E assim, o que era apenas uma apresenta\u00e7\u00e3o virou uma colabora\u00e7\u00e3o direta e registro em est\u00fadio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ado em vinil <a href=\"https:\/\/vermelhodiscos.com.br\/produtos\/lp-arrigo-barnabe-e-banda-aminoacido-aminoarrigo-prensagem-unica-e-limitada-a-300-copias-ptjtb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">com tiragem limitada<\/a>, \u201cAminoArrigo\u201d (2025) re\u00fane sete faixas e passa &#8220;Clara Crocodilo&#8221; pelo filtro est\u00e9tico da Amino\u00e1cido, com duas guitarras mais presentes e distorcidas, bateria mais direta, sax atravessando tudo e uma abertura maior para o humor. N\u00e3o \u00e9 um \u00e1lbum que tenta substituir a vers\u00e3o prim\u00e1ria, mas que tamb\u00e9m n\u00e3o se contenta em apenas reverenci\u00e1-la \u00e0 dist\u00e2ncia. E no palco, a dobradinha entre os dois nomes faz muito sentido &#8211; como visto em (poucos) shows de divulga\u00e7\u00e3o que rolaram entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa a seguir com o Scream &amp; Yell, o guitarrista e vocalista Cristiano Pereira conta como esse encontro foi se desenhando dos primeiros contatos ao palco, do palco ao est\u00fadio, os desafios de rearranjar uma obra t\u00e3o singular e como a Amino\u00e1cido encontrou seu pr\u00f3prio jeito de entrar (e sair) de um dos discos mais \u00fanicos da m\u00fasica brasileira. Ser\u00e1 que vem mais shows dessa parceria por a\u00ed?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Aminoarrigo\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nTH2v3oj4vpLd6Zoe7nNULNs1iu65SAws\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pelo que pesquisei, a Amino\u00e1cido nasceu em Londrina em 2016. Olhando para tr\u00e1s, o que que voc\u00ea acha que daquela forma\u00e7\u00e3o inicial ainda est\u00e1 muito presente na banda de hoje?<\/strong><br \/>\nOs quatro integrantes principais da forma\u00e7\u00e3o inicial. Eram duas guitarras, baixo e bateria. Isso est\u00e1 presente ainda. Teve uma \u00e9poca que a gente tocou com um percussionista, no segundo disco (\u201cSem A\u00e7\u00facar\u201d, 2018). Depois que ele saiu apareceu o saxofonista mascarado. O discurso da banda vai mudando com o tempo: o primeiro disco (\u201cMeticuloso\u201d, 2017) \u00e9 praticamente todo instrumental. A partir dele, o processo de composi\u00e7\u00e3o foi se alimentando das coisas que a gente vivia e pens\u00e1vamos no que seria legal de fazer com isso. Somos exploradores de campo vindos do planeta Kepler, que \u00e9 igual a terra, mas um pouquinho diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A forma\u00e7\u00e3o atual est\u00e1 como?<\/strong><br \/>\nEu (Cristiano) e o Thiago fazemos guitarra e voz, Lugue no baixo, Douglas na bateria, F\u00e1bio no saxofone (tenor e bar\u00edtono) e Clara na voz. A Clara se aglutinou recentemente na forma\u00e7\u00e3o do Amino\u00e1cido, apesar de participar do nosso universo desde que chegamos. Ela gravou vozes no segundo disco, mas at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o fazia um show inteiro com a gente. Nesse projeto de tocar o \u201cClara Crocodilo\u201d com o Arrigo, ela entrou com tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00ea acha que a participa\u00e7\u00e3o da Clara abriu de possibilidades pra banda?<\/strong><br \/>\nA voz dela abre muitas possibilidades, porque ela consegue incorporar no palco como uma personagem. A voz dela tem um alcance muito foda e ela n\u00e3o tem essa limita\u00e7\u00e3o de tocar um instrumento enquanto canta. Ent\u00e3o, d\u00e1 para ir longe nos arranjos vocais, di\u00e1logos, explorar mais o texto.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-95265 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/aminoacido1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"592\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/aminoacido1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/aminoacido1-300x237.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 o processo de composi\u00e7\u00e3o hoje? Parte de algu\u00e9m espec\u00edfico ou nasce em grupo?<\/strong><br \/>\nTem uma coisa que eu valorizo muito na banda que \u00e9 a viv\u00eancia que acumulamos durante esses, sei l\u00e1, quase 10 anos. Durante um bom tempo, a gente conseguiu encaixar uma rotina semanal e faz\u00edamos os ensaios religiosamente. Foi sempre no est\u00fadio Tapete Voador, do Thiago, onde dava pra ensaiar e gravar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o tempo a gente foi se conhecendo melhor e come\u00e7ando a pensar cada vez mais sincronizado. A gente construiu isso de trocar refer\u00eancias, conversar sobre os assuntos e levar tudo pra composi\u00e7\u00e3o. Temos um campo est\u00e9tico amplo e isso fez com que a gente come\u00e7asse a escrever separado tamb\u00e9m. Sempre fomos bem abertos. Tanto que o trabalho anterior ao \u201cAminoArrigo\u201d foi o \u201cHomem Tactel&#8221;, um EP e document\u00e1rio sonoro que teve patroc\u00ednio do PROMIC (Programa municipal de incentivo a cultura) aqui em Londrina. O Thiago produziu esse document\u00e1rio sonoro e escreveu as cinco m\u00fasicas. Como era durante a pandemia, ele acabou definindo quase tudo na partitura. Ent\u00e3o foi um processo mais individual de composi\u00e7\u00e3o. Acabamos compondo de v\u00e1rias formas diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inclusive, a gente deu uma oficina de composi\u00e7\u00e3o no Sesc Cadei\u00e3o aqui em Londrina, em que fizemos uma proposta de composi\u00e7\u00e3o a partir de desenhos: &#8220;Vamos tentar imaginar o efeito que queremos alcan\u00e7ar na m\u00fasica em termos mais figurativos? O que seria uma m\u00fasica polvilhada? E uma m\u00fasica \u00famida?\u201d. Sa\u00edram disso algumas partituras visuais, que depois usamos para fazer uma improvisa\u00e7\u00e3o guiada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Meticuloso\u201d, &#8220;Sem A\u00e7\u00facar\u201d, \u201cBanda Morre\u201d, tanto os t\u00edtulos das m\u00fasicas quanto dos discos por si s\u00f3 desenham algo meio conceitual. Existe uma linha narrativa entre os discos ou s\u00e3o obras separadas?<\/strong><br \/>\nA gente tem um um patrono, uma refer\u00eancia m\u00e1xima, que \u00e9 o Frank Zappa. Ele produziu muito e at\u00e9 o seu p\u00fablico constr\u00f3i e alimenta acervos de entrevistas e coisas transcritas dele. Lendo entrevistas d\u00e1 pra identificar as ideias fortes dele. Uma coisa que ele falou em momentos diferentes da vida e est\u00e1 presente na obra \u00e9 a \u201ccontinuidade conceitual\u201d. Ele argumenta que toda a obra dele estava relacionada de alguma forma. Voc\u00ea vai ouvir e as coisas n\u00e3o necessariamente se conectam, mas ele tinha esse ponto de que a linha do tempo da vida dele \u00e9 uma obra. N\u00e3o que seja exatamente assim com o Amino\u00e1cido, porque eu acho que o Zappa levou isso muito a cabo. Ele inclusive considerava que as entrevistas, apari\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, faziam parte da obra. Mas, pensar sobre isso traz ideias interessantes sobre onde come\u00e7a e onde termina a autoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma forma de compor \u00e9 ter o resultado final em mente e dar um jeito de chegar nele. Uma outra \u00e9 ter um jeito de fazer em mente e ver o que ele produz de resultado e o que d\u00e1 pra ser feito com ele. Eu acho que o Amino\u00e1cido t\u00e1 mais nisso de construir no processo e n\u00e3o controlar diretamente o resultado. A gente lan\u00e7ou o &#8220;Meticuloso\u201d, um ano depois o &#8220;Sem A\u00e7\u00facar\u201d, que continua o primeiro, mas tamb\u00e9m se separa. No terceiro ano a gente construiu uma linha que conecta os dois e disso surgiu o \u201cGoya\u201d [2019], o nosso disco duplo que une os dois primeiros em um artefato ancestral interplanet\u00e1rio.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Homem Tactel\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_k38rZXGU6HBhFbKUfm481jhuoPK_yTLaQ\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o cheguei a ouvir esse outro EP que saiu depois do \u201cBanda Morre\u201d.<\/strong><br \/>\nEsse \u00e9 o \u201cHomem Tactel\u201d. \u00c9 muito massa, quase todo instrumental. O Thiago trouxe esse personagem e come\u00e7amos a conversar sobre ele enquanto ele escrevia as m\u00fasicas. A proposta era fazer um r\u00e1dio document\u00e1rio, e essas m\u00fasicas entraram para compor a trilha. O Homem Tactel aparece no final do &#8220;Banda Morre\u201d (2021), na m\u00fasica \u201cTem pessoas que n\u00e3o sabem conversar\u201d. Recomendo a escuta desse document\u00e1rio para os interessados em informa\u00e7\u00f5es sigilosas e conspirat\u00f3rias sobre o Universo Amino\u00e1cido. Tem no nosso canal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Queria saber como foi o primeiro contato de voc\u00eas com o Arrigo Barnab\u00e9. A ideia inicial era um show comemorativo dos 40 anos do \u201cClara Crocodilo\u201d. Em que momento mudou de ser apenas um show e virou uma colabora\u00e7\u00e3o entre voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nA gente tentou contato com o Arrigo uns anos atr\u00e1s, no <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Psicod%C3%A1lia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Psicod\u00e1lia<\/a>, j\u00e1 conhec\u00edamos ele e a Patife Band tamb\u00e9m. S\u00e3o dois expoentes aqui de Londrina que gostamos muito. A gente at\u00e9 chegou a tocar uma m\u00fasica da Patife Band uma \u00e9poca. O Arrigo acabou ouvindo falar da gente algumas vezes que veio pra Londrina, mas n\u00e3o nos conhec\u00edamos pessoalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi quando a Janete El Haouli, produtora cultural, prop\u00f4s ao Arrigo comemorar os 40 anos do \u201cClara Crocodilo\u201d na \u201cSemana Arrigo Barnab\u00e9\u201d aqui no Teatro Ouro Verde que fomos convidados pelo Arrigo para ser sua banda no show. J\u00e1 conhecendo o nosso som, ele sugeriu fazer o show com a gente. Foi uma ideia dele. A gente topou na hora e ele mandou as partituras de um outro arranjo que ele j\u00e1 tinha escrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de &#8220;Clara Crocodilo\u201d ser muito rock and roll, os arranjos tem mais sopros e instrumentos menos distorcidos. No nosso caso, o desafio foi arranjar esse material para duas guitarras, piano e saxofones. Ent\u00e3o a gente pegou essas partituras para orquestra que o Arrigo mandou e foi destrinchando os blocos e m\u00f3dulos, passando pela personalidade da banda e pelo vi\u00e9s est\u00e9tico. O Arrigo deu total liberdade pra gente, e n\u00f3s levamos ele pro universo Amino\u00e1cido. \u00c9 interessante porque \u00e9 uma rever\u00eancia ao Arrigo, mas tamb\u00e9m uma tentativa de tradu\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes para voc\u00ea traduzir um neg\u00f3cio voc\u00ea tem que trocar as palavras, n\u00e9? Ent\u00e3o, pra transmitir a ideia do Arrigo atrav\u00e9s da linguagem do Amino\u00e1cido, tivemos que modificar as m\u00fasicas. Foi lindo ele topar isso, e ele mesmo sugeriu o nome \u201cAminoArrigo\u201d. O nome passa a ideia de uma parceria, de que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o Amino\u00e1cido tocando m\u00fasicas do Arrigo, mas s\u00e3o as obras do Arrigo um pouquinho diferentes.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Arrigo Barnab\u00e9 e banda Amino\u00e1cido | Sabor de Veneno | Londrina 2026\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0OH0ZDrqbSo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual foi o maior medo ao tentar reinterpretar essa obra?<\/strong><br \/>\nEu fiquei pensando mais nessa coisa das guitarras, do rock and roll mesmo. Fiquei pensando se ele ia curtir o som mais pesado, a batera alta, riff\u00e3o. A gente n\u00e3o conhecia o Arrigo pessoalmente e o pessoal falava que ele era bem exigente. A gente gravou e mandou para ele. N\u00e3o dava para saber, foi um risco mesmo. Para mim era mais a quest\u00e3o do Amino\u00e1cido manter essa coisa do humor, da com\u00e9dia. O Arrigo tamb\u00e9m tem, s\u00f3 que eu acho que no \u201cClara\u201d original \u00e9 um pouco mais velado, um humor mais elegante. E a gente \u00e9 um humor debochado. Ent\u00e3o tinha esses riscos de perder a m\u00e3o ou exagerar. N\u00e3o acho que descaracterizou, mas deu uma outra cara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pode n\u00e3o ser o mesmo estilo de humor, mas quando voc\u00eas come\u00e7am a tocar as m\u00fasicas de voc\u00eas no meio do repert\u00f3rio do &#8220;Clara Crocodilo&#8221;, acaba encaixando e fazendo sentido. Pesquisando sobre o disco, li que voc\u00eas ficaram preparando o repert\u00f3rio por dois anos. Como foi esse processo?<\/strong><br \/>\nFoi exatamente isso, mas foi mais por conta da pandemia. O evento original seria em 2020, mas teve lockdown. A gente foi para casa e ficamos naquele drama pesado. E a\u00ed em 2021 come\u00e7ou a surgir aquele \u201cser\u00e1 que volta?\u201d, n\u00e3o sei o qu\u00ea. Se eu n\u00e3o me engano, do meio pro final de 2021 a gente come\u00e7ou a ensaiar de m\u00e1scara, seguindo todos os protocolos. Ent\u00e3o, de 2021 at\u00e9 o show em 2022, tivemos um ano de escrita e ensaio das partes. Come\u00e7amos a ensaiar toda quinta, e esse trabalho semanal foi importante pra gente conseguir amadurecer o trabalho. Todas as composi\u00e7\u00f5es s\u00e3o meticulosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas voc\u00eas n\u00e3o ensaiaram logo de cara com o Arrigo, certo? Voc\u00eas ensaiavam entre voc\u00eas e mandavam v\u00eddeos e \u00e1udios para ele?<\/strong><br \/>\nSim, a gente escreveu todas as partes, ensaiamos todas as m\u00fasicas e fizemos uma pr\u00e9- grava\u00e7\u00e3o ao vivo, seguindo o processo normal de cria\u00e7\u00e3o que j\u00e1 faz\u00edamos antes. A gente costumava gravar ensaios assim j\u00e1 h\u00e1 um tempo. Ent\u00e3o mandamos pro Arrigo, ele ouviu e falou: &#8220;P\u00f4, gostei, j\u00e1 dava at\u00e9 para gravar. T\u00e1 legal esse som\u201d. Como j\u00e1 sab\u00edamos a data do show, programamos tudo para a grava\u00e7\u00e3o do disco acontecer nesse meio tempo. Gravamos a base ao vivo e ele gravou piano e voz separados. Foi um movimento bem articulado que a gente conseguiu fazer de aproveitar que o cara tava aqui, j\u00e1 levar ele pro est\u00fadio e em uma semana gravar tudo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-95266 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/aminoacido2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/aminoacido2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/aminoacido2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco foi pensado desde o in\u00edcio para ser lan\u00e7ado em vinil?<\/strong><br \/>\nSim! N\u00e3o fazia muito sentido pra gente lan\u00e7ar esse disco de qualquer jeito, como apenas mais um lan\u00e7amento digital. Tudo isso que aconteceu \u00e9 muito importante pra gente. Esperamos dois anos para lan\u00e7ar porque quer\u00edamos fazer direitinho. Ent\u00e3o sim, a ideia era lan\u00e7ar em vinil e conseguir organizar uma turn\u00ea dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que representa para voc\u00eas lan\u00e7ar um LP em tiragem limitada num cen\u00e1rio t\u00e3o ruim como a gente est\u00e1, com streaming e playlists hoje em dia?<\/strong><br \/>\nBom, eu me tornei um consumidor de vinil. E eu sempre pensei que o Amino\u00e1cido deu certo, conseguiu crescer e ressoar com o p\u00fablico porque a gente tamb\u00e9m \u00e9 p\u00fablico do nosso trabalho. E assim, eu gostaria de ter acesso a esse material registrado em algo f\u00edsico. Ent\u00e3o, lan\u00e7ar em vinil acho que \u00e9 uma forma de fortalecer, de credibilizar o que foi feito. Todo mundo da banda curte bastante o vinil: o Thiago coleciona e agora o Douglas l\u00e1 em Berlim t\u00e1 garimpando tamb\u00e9m. \u00c9 uma coisa em que, independente de tend\u00eancias, a gente acredita e consome. Isso acaba fazendo mais sentido pra gente nesse cen\u00e1rio maior, porque se for pensar apenas em coisas que valem a pena do ponto de vista financeiro, voc\u00ea n\u00e3o faz nada. Tivemos o apoio da prefeitura de Londrina porque de fato \u00e9 caro fazer vinil e n\u00e3o conseguir\u00edamos tirar do bolso. Pragmaticamente t\u00e1 bem foda [a situa\u00e7\u00e3o com o streaming], mas a m\u00fasica existe desde sempre e por mais que mercadologicamente n\u00e3o esteja fazendo sentido, as pessoas ainda v\u00e3o escutar m\u00fasica e o vinil ainda \u00e9 essa m\u00eddia que guarda uma certa materialidade. Ent\u00e3o \u00e9 mais uma coisa de se apegar a um marco do que seguir um caminho do mercado mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas tinham feito 300 c\u00f3pias em vinil, certo? Voc\u00ea tem ideia de como \u00e9 que est\u00e1 a venda dele, se voc\u00eas j\u00e1 venderam metade, algo do tipo?<\/strong><br \/>\nCara, a gente j\u00e1 t\u00e1 na metade do estoque sim. Esses \u00faltimos shows em S\u00e3o Paulo nos ajudaram bastante a vender. Aqui em Londrina a gente vendeu legal tamb\u00e9m. Tem como comprar em uma loja f\u00edsica aqui da Vermelho Discos e d\u00e1 para comprar pelo site deles tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-95267 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/aminoacido3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"422\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/aminoacido3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/aminoacido3-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas pensam em fazer mais apresenta\u00e7\u00f5es do \u201cAminoArrigo\u201d?<\/strong><br \/>\nCom certeza! O que sinceramente dificulta um pouco \u00e9 que quatro integrantes da banda est\u00e3o morando em Berlim e isso demanda mais planejamento. Estamos tentando produzir mais datas para esse ano, tanto no Brasil quanto fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 que est\u00e1 funcionando a din\u00e2mica da banda agora? Voc\u00ea falou que tem quatro pessoas da banda que est\u00e3o morando em Berlim. Como essa geografia fragmentada impacta a cria\u00e7\u00e3o e log\u00edstica do grupo?<\/strong><br \/>\nPor enquanto estamos abrindo m\u00e3o de tocar junto, o que abre espa\u00e7o para outras viv\u00eancias individuais. Todos est\u00e3o amadurecendo, inclusive musicalmente, com essa experi\u00eancia. Isso j\u00e1 faz diferen\u00e7a nas nossas conversas e no pr\u00f3prio som. N\u00f3s constru\u00edmos um entrosamento de banda muito forte, e tocando juntos recentemente deu pra ter certeza de que ela t\u00e1 bem firme. Temos um universo enorme em aberto para explorar, muitas ideias que a gente n\u00e3o lan\u00e7ou ainda, textos, coisas que d\u00e1 pra continuar produzindo \u00e0 dist\u00e2ncia. O que eu sinto \u00e9 que esse disco com o Arrigo a gente fez com muito esmero, ent\u00e3o o pr\u00f3ximo lan\u00e7amento vai ter ainda mais inten\u00e7\u00e3o. O fato da gente estar separado n\u00e3o compromete fazermos turn\u00eas, e acredito que esse per\u00edodo vai trazer coisas diferentes pro grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobre Londrina, como voc\u00eas veem a cena local hoje em dia?<\/strong><br \/>\nLondrina \u00e9 uma cidade que tem fases, n\u00e9? Tem pessoas muito fodas desde sempre: aqui acontece o Festival de M\u00fasica de Londrina h\u00e1 pelo menos 30 anos e era um dos maiores festivais de m\u00fasica do Brasil, o que trouxe muita gente foda para c\u00e1. O Hermeto, Tom Z\u00e9, uma galera sinistra j\u00e1 passou por aqui. Por mais que n\u00e3o tenha muita infraestrutura, Londrina \u00e9 muito viva culturalmente. Ter uma faculdade enriquece tamb\u00e9m, sendo ainda um reduto de pesquisa e socializa\u00e7\u00e3o. Eu t\u00f4 no segundo ano de m\u00fasica na UEL e d\u00e1 para ver que a discuss\u00e3o sobre cultura e sociedade \u00e9 muito avan\u00e7ada. Mas, Londrina n\u00e3o tem uma musculatura t\u00e3o boa assim de bancar projetos. O que acaba acontecendo sempre s\u00e3o investimentos pessoais e acaba tendo fases por isso, porque surge essa vontade, esse tes\u00e3o, junta uma galera e faz o neg\u00f3cio acontecer por conta pr\u00f3pria. N\u00f3s come\u00e7amos num momento assim. Acho que isso acontece em todo lugar e em Londrina n\u00e3o \u00e9 diferente. \u00c9 uma cidade que que t\u00e1 tentando crescer e tem muita gente foda trabalhando aqui, ent\u00e3o \u00e9 uma pena que \u00e0s vezes falte f\u00f4lego para seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois de um disco t\u00e3o ancorado em uma obra cl\u00e1ssica como \u201cClara Crocodilo\u201d, o que vem a seguir? D\u00e1 vontade de radicalizar ainda mais ou voltar para algo mais simples, mais voltado pro Amino\u00e1cido?<\/strong><br \/>\nOlha, as \u00faltimas conversas que a gente teve v\u00e3o para uma coisa mais dist\u00f3pica. Eu acredito que o caminho seja matar o \u201cBanda Morre\u201d. Eu acho que a tend\u00eancia \u00e9 continuar acidificando ali, fermentando aquilo. A gente veio de outro planeta e a quest\u00e3o \u00e9 justamente coletar o que est\u00e1 acontecendo aqui na Terra e processar isso. Com certeza os temas devem tratar de intelig\u00eancia artificial, rela\u00e7\u00f5es parassociais, gadgets. O que nunca vai faltar s\u00e3o coisas estranhas acontecendo.<\/p>\n<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=RcrweMa2_rY&#038;list=PLOTU2qWQJVoY7eoyq_EstAaof8ULNekC4<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Arrigo Barnab\u00e9 se apresenta no Cena Musical\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6sv_A9WVE-Y?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O disco \u201cAminoArrigo\u201d re\u00fane sete faixas e passa &#8220;Clara Crocodilo&#8221; pelo filtro est\u00e9tico da Amino\u00e1cido, com duas guitarras, bateria, sax atravessando tudo e uma abertura maior para o humor.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/04\/16\/entrevista-aminoacido-recria-clara-crocodilo-ao-lado-de-arrigo-barnabe\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":95268,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[3754,2240],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95262"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=95262"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95262\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":95264,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95262\/revisions\/95264"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95268"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=95262"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=95262"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=95262"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}