{"id":9525,"date":"2011-08-24T00:48:48","date_gmt":"2011-08-24T03:48:48","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=9525"},"modified":"2017-07-14T10:44:09","modified_gmt":"2017-07-14T13:44:09","slug":"uma-ajudinha-para-simon-reynolds","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/08\/24\/uma-ajudinha-para-simon-reynolds\/","title":{"rendered":"Uma Ajudinha Para Simon Reynolds"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-9526 aligncenter\" title=\"simon_reynolds\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/simon_reynolds.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/simon_reynolds.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/simon_reynolds-300x182.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Sob o CEL &#8211; N\u00famero 1<br \/>\npor Carlos Eduardo Lima<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lendo a entrevista que Andr\u00e9 Barcinski fez com o cr\u00edtico ingl\u00eas Simon Reynolds me senti vingado (links para a entrevista no fim do texto). Conhe\u00e7o Reynolds de nome, tenho seu bom livro &#8220;Beijar O C\u00e9u&#8221;, que saiu aqui h\u00e1 alguns anos pela Editora Conrad. Concordo com um monte de coisas que ele diz. Tamb\u00e9m estou curioso para ler seu novo livro, &#8220;Retromania &#8211; Pop Culture&#8217;s Addiction to its Own Past&#8221; (em tradu\u00e7\u00e3o livre de Barcinski, Retromania &#8211; a obsess\u00e3o da cultura pop por seu pr\u00f3prio passado). Explico porque: meu interesse por m\u00fasica popular, inclu\u00eddos a\u00ed nesse balaio todos os g\u00eaneros que a gente gosta, do rock ao reggae, do soul ao funk, passando pelo blues e jazz e eletr\u00f4nicos diversos) passa necessariamente pela capacidade desses estilos sobreviverem no mundo. Essa sobreviv\u00eancia passa, necessariamente, pela capacidade que essa m\u00fasica tem de chegar at\u00e9 n\u00f3s e, a partir disso, ser propagada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se voc\u00ea ouve m\u00fasica com um pouco mais de senso cr\u00edtico e hist\u00f3rico, sabe que essa suposta moleza digital de obter arquivos de mp3 via download, seja gratuito ou mesmo pago, \u00e9 algo relativamente recente. No entanto, hoje em dia, \u00e9 quase impens\u00e1vel compreender a m\u00fasica pop sem essa acessibilidade toda (pra n\u00e3o usar novamente &#8220;moleza&#8221;). O que Reynolds fala na entrevista a Barcinski passa por a\u00ed, por essa ind\u00fastria musical falida que ainda n\u00e3o se reinventou e pela necessidade dos artistas continuarem vivendo de seu trabalho. Como dizem os seus amiguinhos das redes sociais, &#8220;comofaz&#8221;?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de mapear qualquer tend\u00eancia comportamental, \u00e9 preciso entender que um processo hist\u00f3rico importante esteve em andamento ao longo da d\u00e9cada de 1990, o \u00faltimo conjunto de dez anos que obedeceu a uma l\u00f3gica &#8220;velha&#8221;, ainda que permeada de novas tend\u00eancias. Reynolds tamb\u00e9m se refere a ela como um \u00faltimo momento em termos de m\u00fasica pop. O tal processo hist\u00f3rico a que me referi foi o estabelecimento de um in\u00e9dito mundo unilateral, a partir do fim da experi\u00eancia socialista da URSS e dos pa\u00edses da Europa Oriental de 1989, ano da queda do Muro de Berlin, em diante. Essa circunst\u00e2ncia mudou absolutamente tudo no mundo. Subverteu or\u00e7amentos governamentais, turbinou bolsas de valores, gerou gente como Bush pai, Bush filho, mudou a maneira de se ir \u00e0 guerra, promoveu a globaliza\u00e7\u00e3o,monetarizou definitivamente toda e qualquer produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, enfim, o mundo, como o conhec\u00edamos, acabou. E n\u00f3s ficamos aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pra isso, claro, precisamos nos adaptar e \u00e9 o que temos feito. A arte, j\u00e1 dizia o soci\u00f3logo alem\u00e3o Norbert Elias, \u00e9 produto do tempo em que \u00e9 concebida. Por isso n\u00e3o espanta que ela tamb\u00e9m tenha sido afetada, transformada e, por que n\u00e3o, adaptada \u00e0 nossa realidade capitalista puro sangue que se instalou no mundo. Veja, n\u00e3o sou um socialista ut\u00f3pico, saudoso da bandeirona vermelha com a foice e o martelo, mas, por uma quest\u00e3o matem\u00e1tica, o mundo unilateral tem menos preocupa\u00e7\u00f5es e mais dinheiro de sobra quando n\u00e3o precisa competir na corrida espacial, na corrida armamentista ou na guerra de propaganda ideol\u00f3gica que ficaram obsoletas da noite pro dia. Nessa mesma esteira vieram o politicamente correto, o pensamento \u00fanico, a censura subliminar, a falsa liberdade da Internet, a verdadeira liberdade da Internet, as trocas de arquivo, tudo isso, claro, mudou a cara e a mente do ser humano. Velhos ficaram mais nost\u00e1lgicos, jovens s\u00e3o cada vez mais obcecados pelo presente, ignorando futuro ou passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Reynolds, a m\u00fasica pop parece se repetir e n\u00e3o consegue fazer nada de realmente novo porque a m\u00fasica deixou de ter a import\u00e2ncia que tinha at\u00e9 a d\u00e9cada de 1990. E eu, humildemente, completo: porque n\u00e3o h\u00e1 mais produ\u00e7\u00e3o cultural instigante sendo feita. A combina\u00e7\u00e3o desses dois fatores coloca em xeque o aparecimento de novos Clash, Nirvana, Michael Jackson, Prince, Hendrix, Dylan, enfim, gente que mude, transforme ou chegue para ficar. Pode parecer contradit\u00f3rio, uma vez que h\u00e1 novos artistas surgindo a cada dia, nenhum deles, no entanto, capaz de entrar para esse clube seleto. Se a m\u00fasica ficou mesmo menos interessante que games ou filmes de Harry Potter, n\u00e3o d\u00e1 pra saber agora. D\u00e1 pra afirmar, no entanto, que o mainstream nunca esteve t\u00e3o pobre, que o rock nunca esteve t\u00e3o esvaziado, que a atitude nunca esteve t\u00e3o longe e que a certeza de que quantidade \u00e9 pior que qualidade nunca foi t\u00e3o presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como mudar isso? Sugest\u00f5es s\u00e3o aceitas aqui ou no <a href=\"mailto: blogdocel@gmail.com\" target=\"_blank\">blogdocel@gmail.com<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9527 aligncenter\" title=\"simon_reynolds_livros\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/simon_reynolds_livros.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CEL \u00e9 Carlos Eduardo Lima, historiador, jornalista e f\u00e3 de m\u00fasica. Conhece Marcelo Costa por carta desde o fim dos anos 90, quando o Scream &amp; Yell era um fanzine escrito por ele e amigos, l\u00e1 em sua natal Taubat\u00e9. J\u00e1 escreveu no S&amp;Y por um bom tempo, em idas e vindas. Hoje tem certeza de que o mundo como o conhec\u00edamos acabou l\u00e1 por volta de 1994\/95 mas n\u00e3o est\u00e1 conformado com isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Entrevista de Andr\u00e9 Barcinski com Simon Reynolds na Folha de S\u00e3o Paulo: <a href=\"http:\/\/andrebarcinski.folha.blog.uol.com.br\/arch2011-08-21_2011-08-27.html#2011_08-22_10_27_02-147808734-0\" target=\"_blank\">Parte 1<\/a> \/ <a href=\"http:\/\/andrebarcinski.folha.blog.uol.com.br\/arch2011-08-21_2011-08-27.html#2011_08-22_10_14_06-147808734-0\" target=\"_blank\">Parte 2<\/a><br \/>\n&#8211; Total recall: why retromania is all the rage, por Simon Reynolds em ingl\u00eas no Guardian (<a href=\"http:\/\/www.guardian.co.uk\/music\/2011\/jun\/02\/total-recall-retromania-all-rage\" target=\"_blank\">aqu<\/a>i)<br \/>\n&#8211; Conhe\u00e7a a coluna anterior de Carlos Eduardo Lima na vers\u00e3o 1.0 do Scream &amp; Yell (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/outros\/colunistas.html\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Sob o CEL #1\nO jornalista Carlos Eduardo Lima volta a escrever para o S&#038;Y, e avisa: n\u00e3o h\u00e1 mais produ\u00e7\u00e3o cultural instigante sendo feita.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/08\/24\/uma-ajudinha-para-simon-reynolds\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":44,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[46],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9525"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9525"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9525\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43472,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9525\/revisions\/43472"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9525"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9525"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9525"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}