{"id":95227,"date":"2026-04-15T00:39:02","date_gmt":"2026-04-15T03:39:02","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=95227"},"modified":"2026-04-15T00:39:40","modified_gmt":"2026-04-15T03:39:40","slug":"fernando-catatau-o-cidadao-instigado-e-quem-me-chamou-de-volta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/04\/15\/fernando-catatau-o-cidadao-instigado-e-quem-me-chamou-de-volta\/","title":{"rendered":"Fernando Catatau: \u201cO Cidad\u00e3o Instigado \u00e9 quem me chamou de volta\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/amusicadofabio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fabio Machado<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/fernandocatatau\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fernando Catatau<\/a> \u00e0 frente do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cidadaoinstigado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cidad\u00e3o Instigado<\/a> \u00e9 fruto direto das viv\u00eancias entre sua cidade natal, Fortaleza, e passagens por S\u00e3o Paulo (onde reside atualmente) e Rio de Janeiro. Foi atrav\u00e9s do Cidad\u00e3o que Catatau cultivou n\u00e3o s\u00f3 uma forma particular de se expressar na guitarra &#8211; congregando diferentes estilos, do cancioneiro radiof\u00f4nico ao rock cl\u00e1ssico, passando por muitos outros timbres e matizes sonoras &#8211; mas tamb\u00e9m no pr\u00f3prio jeito de cantar, com uma voz singular desde o in\u00edcio mas que tamb\u00e9m passou por aprimoramentos nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDesde antes do \u2018Fortaleza\u2019, eu tenho me dedicado muito com esse lance de vocal, de cantar. Fui estudar, fui em busca de um lugar mais confort\u00e1vel, posso falar que essa \u00e9 palavra, como artista e eu como cantor mesmo\u201d, revela Catatau, ao falar sobre os caminhos que o trouxeram de volta \u00e0 sua cria\u00e7\u00e3o mais celebrada, o pr\u00f3prio Cidad\u00e3o Instigado, que agora retorna com um <a href=\"https:\/\/orcd.co\/cidadaoinstigado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00e1lbum auto-intitulado<\/a>, lan\u00e7ado pelo selo RISCO em parceria com a Nublu Records.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, Catatau tamb\u00e9m passou por um distanciamento das seis cordas que sempre o acompanharam nessa trajet\u00f3ria. Durante a pandemia, ele preferiu se dedicar aos samplers e beats aprendendo a operar uma MPC (dispositivo que permite capturar, reproduzir e editar trechos de m\u00fasicas, bastante utilizado no hip-hop e m\u00fasica eletr\u00f4nica). Essa nova abordagem musical j\u00e1 havia aparecido em colabora\u00e7\u00f5es com amigos e no registro solo anterior, mas agora parece mostrar todo o seu potencial em \u201cCidad\u00e3o Instigado\u201d, com uma sonoridade ao mesmo tempo distante e com ecos da sonoridade dos registros anteriores do conjunto &#8211; inclusive com as pazes feitas com a guitarra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTodas as vezes que eu fazia qualquer coisa com essa m\u00e1quina no come\u00e7o, ali na pandemia, todas as vezes eu disse: \u201cCaramba, isso aqui \u00e9 muito Cidad\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 Cidad\u00e3o do \u2018Uhuuu!\u2019, n\u00e3o, nem do \u2018Cidad\u00e3o Instigado e o M\u00e9todo Tufo de Experi\u00eancias\u2019. \u00c9 o Cidad\u00e3o antes do (primeiro) EP ainda, tipo embrion\u00e1rio\u201d. A ponte entre o antigo e o novo surge n\u00e3o apenas no encontro de sonoridades, mas tamb\u00e9m nas parcerias que somaram no disco. H\u00e1 caras novas e conhecidas com as participa\u00e7\u00f5es de Anna Vis, YMA, Edson Van Gogh, Jadsa, Ju\u00e7ara Mar\u00e7al e Kiko Dinucci, mas tamb\u00e9m h\u00e1 a colabora\u00e7\u00e3o dos parceiros de sempre do Cidad\u00e3o Instigado com Clayton Martin, Dustan Gallas, Rian Batista e Regis Damasceno. Mas o resultado, acima de tudo, \u00e9 um disco com cara de Catatau, como deveria ser. Confira abaixo, na \u00edntegra, a entrevista concedida ao Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cidad\u00e3o Instigado\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mQeotJoXqgtg5PgIvZCeP3NrEkHpCYQ4Q\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SCREAM &amp; YELL: Na <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/10\/29\/entrevista-fernando-catatau-relembra-historias-da-carreira-e-adianta-detalhes-e-feats-do-proximo-disco-solo-que-sai-em-2026\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">entrevista anterior que voc\u00ea fez para o Scream &amp; Yell<\/a> (em 2025), voc\u00ea tinha comentado que havia encerrado o que tinha para falar como Cidad\u00e3o Instigado. Pensando nisso, queria saber o que fez voc\u00ea repensar essa ideia e lan\u00e7ar um novo trabalho com o nome da banda novamente.<\/strong><br \/>\nFernando Catatau: Ent\u00e3o, acho que (essa entrevista) foi na \u00e9poca do disco solo, logo ap\u00f3s a pandemia, n\u00e3o foi isso? Muitas coisas aconteceram de l\u00e1 pra c\u00e1. Inclusive, meu disco solo estava pronto antes da pandemia e eu esperei dois anos pra lan\u00e7ar. E nesse per\u00edodo, quando iniciou a pandemia, eu comecei a gravar essas coisas que agora est\u00e3o nesse \u00e1lbum novo. Comecei na pandemia, quando estava, a gente estava (com tudo) fechado, n\u00e9? Sem poder (circular), sem perspectiva de nada, sem entender direito o que ia acontecer mais pra frente e tal. Eu tinha uma m\u00e1quina que eu tinha comprado, uma Music Station da Roland, a MV-8800, que \u00e9 tipo uma MPC. E quando fechou tudo, eu fiquei bem transtornado. E a\u00ed decidi me dedicar a estudar e tentar aprender (a m\u00e1quina). Eu nunca tinha usado nenhum MPC, nem nada desse tipo de m\u00e1quina que botava sampler. E eu fiquei obcecado. Assim, comecei a fazer v\u00e1rios testes, criar v\u00e1rias coisas nessa m\u00e1quina, mas sem intuito de nada. Sem saber se ia virar disco, se ia ser simplesmente pelo lance de aprender o instrumento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E dentro desse processo, dentro desses testes, desse aprendizado, eu ia, ao mesmo tempo, compondo, criava coisas, gravava, botava no celular, sabe? Tipo, ia fazendo v\u00e1rias coisas. A\u00ed, quando passou um tempo, vi que j\u00e1 havia algumas coisas, alguns esbo\u00e7os levantados. E comecei assim: \u201cAh, isso aqui d\u00e1 pra ser uma m\u00fasica, d\u00e1 pra fazer alguma coisa\u201d. E comecei a fazer testes e (ir) gravando. Eu sempre fa\u00e7o isso. Eu passo o tempo todo\u2026 quando vem alguma ideia na minha cabe\u00e7a, eu gravo no celular, no computador, vou achando meus meios de guardar essas ideias. E como a pandemia foi um per\u00edodo muito extenso, eu criei muitas coisas. Inclusive, no meio do processo, eu tinha recebido o convite da Ju\u00e7ara e do Kiko para fazer uma m\u00fasica que acabou virando uma parceria nossa, que \u00e9 a \u201cLembran\u00e7as que Guardei\u201d (lan\u00e7ada no disco \u201cDelta Est\u00e1cio Blues\u201d de Ju\u00e7ara Mar\u00e7al em 2021). E essa m\u00fasica, acho que foi a primeira que eu lancei a partir desses meus experimentos. Ela \u00e9 do mesmo per\u00edodo do come\u00e7o, quando comecei a mexer na m\u00e1quina, a gente ainda estava &#8211; todo mundo &#8211; de lockdown. E a Ju\u00e7ara e o Kiko entraram em contato comigo para fazer essa m\u00fasica. Eles tinham um primeiro esbo\u00e7o que acabou n\u00e3o dando certo, a\u00ed o Kiko me escreveu e falou: \u201cCara, faz tu a\u00ed, cria do zero, vamos ver se d\u00e1 certo\u201d e tal.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&quot;Lembranc\u0327as que Guardei&quot; - Ju\u00e7ara Mar\u00e7al part. Fernando Catatau\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/P8rqFFdGDG4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o, em \u201cLembran\u00e7as que Guardei\u201d, que saiu no \u201cDelta Est\u00e1cio Blues\u201d com sua participa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 era dessa fase que voc\u00ea estava mexendo na m\u00e1quina.<\/strong><br \/>\nExatamente. Eu sempre falava isso: eu considero essa a minha primeira m\u00fasica desses experimentos. A primeira que foi lan\u00e7ada com esses experimentos com a m\u00e1quina. E ela \u00e9 realmente isso, eu toquei todos os instrumentos a partir da m\u00e1quina, fazendo beat e baixos, alguns synths, tudo dela. E a\u00ed foi caminhando, com o tempo abriu tudo (ap\u00f3s a pandemia), as coisas voltaram a funcionar de uma maneira um pouco capenga ainda, mas voltando, aquela abertura de leve. A\u00ed eu participei do Deb (sigla para \u201cDelta Est\u00e1cio Blues\u201d), foi o primeiro show que eu fiz quando abriu tudo novamente, foi no lan\u00e7amento do Deb. E eu continuei fazendo essas m\u00fasicas, seguindo com elas, mas, assim, sem nenhum intuito de: \u201cAh, vou fazer um disco\u201d. (Apenas) Fui fazendo, fazendo, fazendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/06\/13\/entrevista-fernando-catatau-fala-de-seu-primeiro-disco-solo-fortaleza-samba-guitarra-e-cidadao-instigado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lancei meu disco solo no meio do processo<\/a>, depois de dois anos da pandemia, era um disco que j\u00e1 estava pronto antes da pandemia. E ao mesmo tempo, fui fazendo e continuando a compor. A\u00ed, o Alexandre Matias me convidou para fazer uma temporada no Teatro Centro da Terra. Eu at\u00e9 ia recusar, estava sem cabe\u00e7a, sem entender direito as coisas, sabe? N\u00e3o (estava) afim de fazer algo que eu j\u00e1 tinha feito, tipo: \u201cAh, vou aqui fazer meus shows tocando m\u00fasica do Cidad\u00e3o\u201d ou do n\u00e3o sei o qu\u00ea, sabe, do meu disco solo. A\u00ed eu disse: \u201cN\u00e3o, cara, j\u00e1 sei o que \u00e9 que eu vou fazer: vou chamar um monte de gente massa, que eu sou f\u00e3 mesmo\u201d. Vou jogar essas m\u00fasicas que eu tenho experimentado desde a pandemia na m\u00e3o delas, e vamos ver o que \u00e9 que sai. E foi assim que surgiram as parcerias desse disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada semana eu tinha algum convidado diferente. O primeiro foi o Kiko Dinucci, a\u00ed no segundo foi a Ju\u00e7ara Mar\u00e7al, a\u00ed o Matheus Fazeno Rock estava vindo para S\u00e3o Paulo, eu disse: \u201cCara, venha participar com a gente\u201d, a\u00ed a Ju\u00e7ara achou massa. E a\u00ed na terceira semana foi a Anna Vis, que eu tinha convidado, e ela disse: \u201cEi, cara, vamos chamar a Jadsa\u201d, a\u00ed a Jadsa tamb\u00e9m chegou junto. E no \u00faltimo foi a Yma e o Edson Van Gogh, que j\u00e1 eram pessoas que eu j\u00e1 tinha parceria, j\u00e1 tinha feito coisas. Isso tudo foi l\u00e1 no Centro da Terra, na temporada que eu chamei de \u201cFrita\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cidad\u00e3o Instigado part. Kiko Dinucci - Medo do Invis\u00edvel (Lyric Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7pRZ3a5rOgk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 engra\u00e7ado porque acabou virando um embri\u00e3o do disco, no final das contas. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/07\/07\/entrevista-as-muitas-vozes-de-jadsa-em-big-buraco\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eu entrevistei a Jadsa no ano passado<\/a> e o processo foi um pouco parecido com o \u201cBig Buraco\u201d que ela tamb\u00e9m fez uma temporada &#8211; acho que ela at\u00e9 convidou voc\u00ea para participar &#8211; e acabou sendo a base para lan\u00e7ar o disco \u201cBig Buraco\u201d mais tarde.<\/strong><br \/>\n\u00c9, exatamente. Ele (o meu disco) n\u00e3o come\u00e7ou l\u00e1 no Centro da Terra &#8211; come\u00e7ou na pandemia mesmo, porque eu j\u00e1 tinha v\u00e1rias m\u00fasicas, mas l\u00e1 eu acho que ele fincou as pessoas, fincou o caminho, sabe? Quando eu sa\u00ed de l\u00e1, disse: \u201cCara, eu tenho um disco\u201d. N\u00e3o sabia nem o que \u00e9 que ia ser, na realidade ele ia ser meu disco, o \u201cFernando Catatau\u201d e tal, e o t\u00edtulo dele ia ser \u201cFrita\u201d, que era o nome da temporada. J\u00e1 tinha tudo meio na cabe\u00e7a quando sa\u00ed de l\u00e1. A\u00ed as coisas foram caminhando, eu tinha chamado o Dustin Galas, que \u00e9 meu parceiro e tal (no Cidad\u00e3o Instigado), para vir em casa para gravar um piano para esse disco. E ele ouviu o disco, se empolgou pra caramba, achou incr\u00edvel, n\u00e3o sei o qu\u00ea, e foi-se embora e n\u00e3o gravou piano nenhum, s\u00f3 foi embora (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed no outro dia ele me mandou uma mensagem falando: \u201cCara, eu tive uma epifania aqui, esse disco a\u00ed, ele \u00e9 Cidad\u00e3o Instigado! Voc\u00ea tem que lan\u00e7ar ele como Cidad\u00e3o Instigado! N\u00e3o, voc\u00ea tem, n\u00e3o, voc\u00ea deve lan\u00e7ar ele\u2026\u201d. E foi ele que trouxe (a id\u00e9ia). Para as pessoas que me perguntam, eu tenho falado que o Cidad\u00e3o voltou a mim; eu n\u00e3o escolhi ser Cidad\u00e3o, porque na hora que ele falou, eu at\u00e9 achei ruim. Eu disse: \u201cCara, uma coisa n\u00e3o combina com a outra\u201d. Mas \u00e9 engra\u00e7ado que todas as vezes que eu fazia qualquer coisa com essa m\u00e1quina no come\u00e7o, ali na pandemia, todas as vezes eu disse: \u201cCaramba, isso aqui \u00e9 muito Cidad\u00e3o&#8221;, mas n\u00e3o \u00e9 Cidad\u00e3o do &#8220;Uhuuu!&#8221; (de 2009), n\u00e3o, nem do &#8220;Cidad\u00e3o Instigado e o M\u00e9todo Tufo de Experi\u00eancias&#8221; (de 2005). \u00c9 o Cidad\u00e3o antes do EP (auto-intitulado, de 2000) ainda, tipo embrion\u00e1rio, \u00e9 a forma de fazer, entende?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a forma que eu, quando decidi criar o Cidad\u00e3o Instigado, ficava \u201cfritando\u201d sozinho em casa. Fiquei dois anos s\u00f3 compondo para o Cidad\u00e3o existir! Foi 1994 a 1995 s\u00f3 compondo, s\u00f3 montei a banda em 1996. Ent\u00e3o, o Cidad\u00e3o foi a partir da minha primeira sa\u00edda para morar em S\u00e3o Paulo em 1994, depois eu morei um ano no Rio e em 1996 voltei para Fortaleza, s\u00f3 a\u00ed que eu montei a banda, entendeu? Ent\u00e3o ele \u00e9 um projeto a partir da minha sa\u00edda, e parecia muito daquele jeito, sabe? Aquela forma de ir pensando todos os arranjos, criava um riff que eu j\u00e1 tinha decidido fazer com zabumba na \u00e9poca &#8211; porque na \u00e9poca era dividido, zabumba e caixa e prato &#8211; e eu ia criando as linhas em casa, criando tudo. S\u00f3 que agora eu tinha a m\u00e1quina onde eu ia criando e ela j\u00e1 ia se transformando num instrumento. E automaticamente j\u00e1 ia fazendo o arranjo completo, ao inv\u00e9s de estar com fita cassete, que antigamente eu ficava com a fita cassete puxando de um lado para o outro. Ent\u00e3o, assim, o Cidad\u00e3o Instigado, na realidade, me chamou de volta. \u00c9 o que eu acredito e que eu entendo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Fernando Catatau + Ju\u00e7ara Mar\u00e7al + Mateus Fazeno Rock @ Centro da Terra (17.10.2022)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kEc2b1SvfCk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o, d\u00e1 para dizer que o disco tem dois elementos essenciais: a Roland MV, que como voc\u00ea citou, cria boa parte ali dos beats, dos elementos que tem no disco; e as participa\u00e7\u00f5es. Pessoas bem diferentes entre si, mas acho que elas t\u00eam em comum esse esp\u00edrito inquieto na m\u00fasica brasileira. Ju\u00e7ara, Ava Rocha, Anna Vis, Matheus Fazendo Rock, enfim, todos os envolvidos. Quando voc\u00ea come\u00e7ou a elaborar as can\u00e7\u00f5es em si, voc\u00ea j\u00e1 tinha visualizado: \u201cAh, essa aqui Ju\u00e7ara vai participar, essa aqui eu vou mandar para Jadsa, essa aqui para o Matheus\u2026\u201d ou foi algo mais org\u00e2nico?<\/strong><br \/>\nFoi mais org\u00e2nico, n\u00e9? \u00c9 louco, assim, at\u00e9 porque essas pessoas chegaram, eu poderia ter chamado instrumentistas para participar da minha temporada, e ser uma coisa bem do instrumento. Mas nos \u00faltimos anos, desde o \u201cFortaleza\u201d (\u00e1lbum do Cidad\u00e3o Instigado lan\u00e7ado em 2015), (na verdade) desde antes do \u201cFortaleza\u201d, eu tenho me dedicado muito com esse lance de vocal, de cantar. Fui estudar, fui em busca de um lugar mais confort\u00e1vel, posso falar que essa \u00e9 palavra, como artista e eu como cantor mesmo. Tanto que o meu disco solo \u00e9 um disco que eu praticamente n\u00e3o toquei guitarra. Toquei pouqu\u00edssima guitarra, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque entrei numa crise existencial com a guitarra mesmo, assim, que eu olhava para o instrumento e n\u00e3o me sentia \u00e0 vontade de tocar. Passei quase dois anos sem pegar na guitarra direito e isso que voltou agora, tipo, voltou de outra forma. Voltou que agora eu estou bem com a guitarra, eu acho at\u00e9 que esse disco agora que eu lancei \u00e9 a minha volta realmente para a guitarra. Tipo, que eu voltei e achei um lugar muito legal que eu acho, de guitarra. Nesse disco, al\u00e9m da m\u00e1quina, pra mim, a guitarra chegou de uma forma que eu acredito muito. Antes eu tentava preencher tudo com guitarras e tal, que era uma coisa assim que&#8230; \u00c9 uma coisa de violonista frustrado, aquela coisa quando voc\u00ea vai tocar o viol\u00e3o, e o viol\u00e3o j\u00e1 preenche tudo. E a guitarra eu ficava tentando preencher tudo, porque eu sempre me senti muito violonista&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu sou violonista de cancioneiro, e a guitarra, ela deixa um pouco esse vazio, pelo menos da forma que eu utilizo a guitarra. A\u00ed, para mim, eu tenho uma luta eterna com ela nesse lugar, entendeu? E eu acho que, nesse disco novo, eu achei um caminho muito legal como guitarrista mesmo, n\u00e3o como guitarrista cancioneiro, entende? Que est\u00e1 pensando que est\u00e1 com viol\u00e3o de nylon fazendo (imita uma levada de viol\u00e3o) \u201cxango-xango\u201d, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas encaixei ela nos lugares que eu achava massa, porque tem outras coisas que preenchem esse espa\u00e7o que eu sentia falta. Inclusive, esses discos &#8211; tanto esse at\u00e9 o meu solo &#8211; tamb\u00e9m j\u00e1 era um caminho que eu estava buscando, que era de aceitar vazios, de aceitar o espa\u00e7o que a m\u00fasica pede pra voz aparecer. E a\u00ed surgem todas essas pessoaa convidadas, que s\u00e3o pessoas que eu admiro muito, como cantoras, cantores. At\u00e9 o Edson Van Gogh, que eu convidei tamb\u00e9m pro disco, ele \u00e9 um guitarrista dos mais incr\u00edveis, toca com o Jonnata Doll, mas eu convidei ele pro disco pra cantar, tipo assim: \u201cN\u00e3o, Ed, n\u00e3o quero que voc\u00ea toque guitarra n\u00e3o, quero que voc\u00ea cante aqui, entendeu?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem uma m\u00fasica que a Jadsa divide guitarra comigo, que \u00e9 uma m\u00fasica nossa, \u201dNuvem Movimento\u201d. E tem os meninos (do Cidad\u00e3o Instigado), que tocaram tamb\u00e9m, meus parceiros na segunda faixa. Eles est\u00e3o l\u00e1, e \u00e9 uma coisa muito emocionante para mim ter eles nesse lugar, porque na hora que entra voc\u00ea diz: caramba! Eu mesmo senti isso, assim: \u201cisso aqui eu j\u00e1 conhe\u00e7o de algum lugar\u201d, entendeu? Ent\u00e3o, \u00e9 quase uma mistura, uma passagem, por toda a hist\u00f3ria do Cidad\u00e3o, n\u00e9? Est\u00e1 l\u00e1, entra a galera e sai, a\u00ed ao mesmo tempo \u00e9 como se eu estivesse voltando l\u00e1 pra tr\u00e1s, entendeu?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 uma ponte, n\u00e9?<\/strong><br \/>\n\u00c9, exatamente. Ent\u00e3o todo mundo a\u00ed faz parte desse rol\u00ea, inclusive essa galera nova que \u00e9 a galera que eu tenho j\u00e1 me linkado nos \u00faltimos tempos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cidad\u00e3o Instigado no Cultura Livre\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cVHSA-qOXSY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea citou essa quest\u00e3o da guitarra e naquela \u00faltima entrevista do Scream &amp; Yell, voc\u00ea tamb\u00e9m tinha falado que a sua fase roqueira tinha se encerrado ap\u00f3s o \u201cFortaleza\u201d. Ent\u00e3o, \u00e9 interessante voc\u00ea falar que s\u00f3 agora est\u00e1 reencontrando o instrumento, depois desse tempo. Eu tamb\u00e9m acho interessante que voc\u00ea sempre foi um cara que usou guitarras fora do padr\u00e3o, instrumentos que o pessoal chama de \u201cvintage\u201d, mais antigos de marcas brasileiras. Isso, h\u00e1 10 anos, era uma coisa meio incomum de ver. Mas hoje em dia, na cena, voc\u00ea v\u00ea muita gente que est\u00e1 usando instrumentos antigos, marcas nacionais e tudo mais. Voc\u00ea acha que influenciou de certa forma esse movimento, esse olhar para a guitarra nacional?<\/strong><br \/>\nAh, cara, talvez sim. Acho que n\u00e3o s\u00f3 eu, mas uma galera que nessa \u00e9poca ficava obcecada em achar os instrumentos &#8211; at\u00e9 porque eram mais baratos, hoje j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais, j\u00e1 virou um mercado muito forte. Mas a minha busca mesmo era pela sonoridade, n\u00e3o era muito pelo fetiche. Porque eu ia muito tamb\u00e9m pelo visual das guitarras, mas tinha que juntar com o som, tinha muita coisa, umas guitarras mais padr\u00e3o, assim, me incomodavam, entendeu? Acho que a madeira mais seca (do instrumento) tem toda aquela fantasia e aquele mundo mirabolante da guitarra ali, que tem muitos caminhos. Eu consegui experimentar muitas guitarras, ter v\u00e1rias guitarras, n\u00e3o dava certo, eu passava pra frente, pegava outra, ent\u00e3o eu consegui ter um fluxo muito grande para, tanto de sa\u00edda e entrada, poder experimentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E tem muitas coisas que eu queria ver, mas \u00e9 engra\u00e7ado que hoje em dia, inclusive, eu tenho algumas guitarras que s\u00e3o novas, feitas agora, que estou amando. Ent\u00e3o, acho que eu sa\u00ed um pouco desse lugar, acho que isso foi importante nessa mudan\u00e7a, esse pulo da guitarra, da minha crise com ela. Hoje eu estou mais preocupado no que \u00e9 que eu posso fazer com elas, entendeu? Tenho ainda v\u00e1rias guitarras antigas, tenho algumas novas, e acho que eu tenho meu som de guitarra, que \u00e9 uma coisa espec\u00edfica minha, do meu jeito de tocar, dentro das minhas dificuldades, tamb\u00e9m, de tocar o instrumento, porque eu n\u00e3o sou o cara mais t\u00e9cnico, sabe, mas eu acho os meus caminhos ali, dentro do instrumento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que eu achei a minha t\u00e9cnica, de conseguir me expressar na guitarra. E hoje, pra mim, eu tenho dado muito valor a cada instrumento que eu tenho, como posso utiliz\u00e1-los, como eles se encaixam dentro do que eu vou fazer, dentro da banda que eu vou tocar, ou dentro do som, pra ele aparecer. Ent\u00e3o, isso a\u00ed acabou virando uma coisa\u2026 Mudou um pouco, antigamente eu era obcecado, sempre achava que a guitarra que eu tinha n\u00e3o ia ser a melhor, que era sempre uma ou outra, ent\u00e3o eu ficava nessa loucura, tipo, uma obsess\u00e3o louca de tentar achar, buscar o som perfeito. E na realidade eu passei por milhares de sons perfeitos, s\u00f3 n\u00e3o era aquele momento, entendeu? E eu quebrei um pouco isso, n\u00e3o estou mais obcecado de ir atr\u00e1s.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Daqui desse lugar\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6jKWeOOicOk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando agora de algumas m\u00fasicas do disco, h\u00e1 faixas como \u201cDaqui desse lugar\u201d, que \u00e9 daquelas m\u00fasicas que a levada e a melodia v\u00e3o te pegando aos poucos, \u00e9 bem pop. Ao mesmo tempo, voc\u00ea tem m\u00fasicas como \u201cNuvem movimento\u201d e \u201cFrita\u201d, que t\u00eam aquela batida que te pega, mas ao mesmo tempo tem momentos ali que s\u00e3o quase experimentais, com as vozes e guitarras. Como voc\u00ea tentou equilibrar essas partes que s\u00e3o mais viagem, que s\u00e3o mais experimentais, com as coisas mais pop do disco?<\/strong><br \/>\nCara, eu acho que essas coisas j\u00e1 est\u00e3o j\u00e1 est\u00e3o no meu rol\u00ea, j\u00e1 est\u00e3o inseridas. Esse disco, como eu falei ali no come\u00e7o, \u00e9 um disco que eu sa\u00ed fazendo sem pensar muito. Acho que ele saiu muito dentro do meu repert\u00f3rio de cria\u00e7\u00e3o. O meu disco solo, ele foi um trabalho muito pensado, muito elaborado, ent\u00e3o eu elaborava arranjos, fazia tal coisa\u2026 N\u00e3o que esse n\u00e3o tenha sido, mas muito das coisas desse disco (novo do Cidad\u00e3o Instigado), eu ia experimentando, entrando no flow da m\u00fasica sem pensar muito. Eu gosto de m\u00fasica pop, e voc\u00ea at\u00e9 falou daquele lance que eu encerrei a minha carreira de rock e tal, (mas) isso a\u00ed n\u00e3o se encerra, porque eu tenho o rock dentro da minha alma e dentro do meu cora\u00e7\u00e3o, e \u00e9 isso a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas era uma maneira de eu falar que, tipo, assim: &#8220;Ah, cara, fiz um disco que eu considero um disco do meu sonho de adolesc\u00eancia, que era o &#8216;Fortaleza&#8217;, com riffs de rock, aquela coisa bem bem fechadinha dentro do estilo&#8221;. Por mais que tenha experimentos ali dentro. Mas esse outro agora n\u00e3o, entendeu? Inclusive tem muito a ver com o meu resgate de dan\u00e7a, de pista, esse disco agora. Ent\u00e3o, assim, nos \u00faltimos tempos eu voltei a escutar muita m\u00fasica pop que eu sempre ouvi, eu sempre ouvi de tudo, passei pelo forr\u00f3 eletr\u00f4nico dos anos 80, passei pelo romantismo desesperado dos anos 70 (eu nasci em 71), passei pelos anos 80 e aquela m\u00fasica internacional, e quando teve o Rock in Rio 1 (em 1985) foi quando eu disse: \u201cCara, eu quero ser isso aqui\u201d. Mais pela rebeldia do que pelo som. Era&#8230; ser roqueiro naquela \u00e9poca nos anos 80 era, tipo, &#8220;caramba&#8221;, sabe? A\u00ed eu vi aquele lance do metal, mas passei por&#8230; eu gosto de muita coisa, gosto de sofr\u00eancia, sabe, gosto dos piseiros, gosto de grime, de trap, n\u00e3o tudo, mas muita coisa de todos os estilos. Assim, sempre tem coisa massa, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sempre tem artistas incr\u00edveis, mas eu me considero cancioneiro, s\u00f3 que eu sou um cancioneiro que, tipo, acho que hoje em dia n\u00e3o estou preso naquele lugar, n\u00e3o vou ficar s\u00f3 no cancioneiro de voz e viol\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 meu rol\u00ea (mais). Tanto que eu&#8230; Eu voltei a morar em Fortaleza em 2016, at\u00e9 2020 vivi l\u00e1. Agora eu moro em S\u00e3o Paulo, voltei antes da pandemia, e nesse per\u00edodo, Fortaleza \u00e9 um\u2026 assim, \u00e9 muito peculiar, a gente escuta forr\u00f3, a gente escuta&#8230; Eu sempre, desde sempre escutei de tudo, a gente ia pros shows de metal, tinha o show dos punk, ia pro forr\u00f3, ia pra n\u00e3o sei o qu\u00ea, era tudo ao mesmo tempo e isso \u00e9 uma coisa que marca muito a personalidade de quem \u00e9 de l\u00e1. Acredito que n\u00e3o seja s\u00f3 de l\u00e1; acredito n\u00e3o, tenho certeza que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de l\u00e1. Mas, assim, Nordeste em geral, Norte, assim, a gente tem essa riqueza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00f3gico, \u00e0s vezes voc\u00ea v\u00ea a galera se fechar: \u201cah, eu sou do metal\u201d. Ent\u00e3o, se voc\u00ea se afirmou que voc\u00ea \u00e9 do metal, voc\u00ea \u00e9 do metal e pronto, voc\u00ea vai vestir a indument\u00e1ria e est\u00e1 ali (nessa cena), mas, ao mesmo tempo, voc\u00ea \u00e9 do metal, e voc\u00ea est\u00e1 saindo de casa e voc\u00ea est\u00e1 escutando o forr\u00f3 e, de repente, voc\u00ea come\u00e7a a gostar, mesmo n\u00e3o querendo, voc\u00ea emociona naquele (fragmento de tempo)&#8230; Isso a\u00ed faz parte, entendeu? Eu sempre fui assim, sempre fui muito aberto, mas tinha minhas escolhas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"O grande vazio\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-YaK2yzHcH8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Queria falar tamb\u00e9m de \u201cO Grande Vazio&#8221;, na verdade, citar um trecho aqui: \u201cO Grande Vazio perambula pelas ruas sombrias dessa cidade fatal\u201d. Quando voc\u00ea pensou nessa letra, voc\u00ea tinha em mente S\u00e3o Paulo, Fortaleza ou \u00e9 uma cidade em aberto?<\/strong><br \/>\nVisualmente, na minha cabe\u00e7a, eu me imagino andando em Fortal. Mas esse disco \u00e9 engra\u00e7ado assim, porque eu imagino ele como se fosse uma cidade imagin\u00e1ria. \u00c9 tudo dentro da mente. \u00c9 dentro do que eu imagino de cidades, de vontades. Quando estou falando com algu\u00e9m, \u00e0s vezes estou falando comigo mesmo ou com esse ser que eu n\u00e3o consigo ver, mas ao mesmo tempo, n\u00e9, tipo, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. Porque a gente vive uma realidade, a gente vive num lugar. Mas quando eu falava, eu falo at\u00e9, primeiro, antes de fatal, eu falo \u201cnessa cidade fenal\u201d, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E isso \u00e9 muito Fortaleza. Fenal \u00e9 o feno, sabe, quando voc\u00ea vai no centro de Fortaleza \u00e0 noite e que n\u00e3o tem ningu\u00e9m e \u00e9 aquele lugar g\u00f3tico, ao mesmo tempo de praia, saca? E eu sempre imagino, assim, sabe, o medo de estar ali, \u00e0s vezes, n\u00e9, tipo, de voc\u00ea n\u00e3o saber se vai vir algu\u00e9m pra (cima de voc\u00ea), sabe? Voc\u00ea tem esse lugar aqui que a gente vive e que eu vivi uma grande parte da minha vida, e principalmente nesses quatro anos que eu morei em Fortaleza, ultimamente, eu morava no centro da cidade e eu ia, tipo, eu sempre imaginava: \u201cCaralho, parece que estou numa cidade fantasma\u201d, sabe? \u00c0 noite no centro \u00e9 isso, em outros bairros n\u00e3o, mas no centro era isso. E a\u00ed eu imaginava s\u00f3 o feno rolando, e falo sobre isso. Mas \u00e9 o grande vazio n\u00e3o s\u00f3 da cidade que a gente vive ou que a gente caminha; \u00e9 essa cidade tamb\u00e9m imaginariamente, que a gente cria os fantasmas, o medo do que voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Certo. E agora, com o disco lan\u00e7ado, quais os planos agora para o futuro? O Cidad\u00e3o vai voltar a subir nos palcos? Como vai ser a forma\u00e7\u00e3o? Ou voc\u00ea n\u00e3o pensou nada disso ainda?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, a gente j\u00e1 est\u00e1 ensaiando. Estamos organizando tudo, j\u00e1 tem alguns show em vista a\u00ed. A gente lan\u00e7a em Fortaleza no final de abril, dia 25 de abril, e depois em S\u00e3o Paulo. A forma\u00e7\u00e3o atual sou eu, Dustan e Clayton da forma\u00e7\u00e3o, pode-se dizer, um pouco antiga\u2026 a forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, pode-se dizer isso. \u00c9 porque muitas pessoas conhecem essa forma\u00e7\u00e3o que veio a partir do \u201cUhuuu!\u201d, todo mundo acha que \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o l\u00e1 do come\u00e7o, mas n\u00e3o \u00e9. At\u00e9 se transformar nessa que era eu, Clayton (Martin), Dustan (Gallas), Rian (Batista), Regis (Damasceno) e Kalil, n\u00e9, foi depois do \u201cUhuuu!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas \u00e9 uma forma\u00e7\u00e3o que reflete uma era da banda, certo?<\/strong><br \/>\n\u00c9, exatamente. Depois do \u201cUhuuu!\u201d, essa forma\u00e7\u00e3o se fixou, mas eu sou amigo da galera, tirando o Clayton que veio depois do \u201cM\u00e9todo Tufo\u2026\u201d, s\u00e3o amigos de muitos e muitos anos, de antes ainda de existir o Cidad\u00e3o Instigado. Ent\u00e3o, da galera que estava tocando (nessa forma\u00e7\u00e3o) \u00e9 Dustan, Clayton, a\u00ed Samuel Fraga entrou agora para essa nova forma\u00e7\u00e3o, junto com Anna Vis &#8211; que tamb\u00e9m \u00e9 minha parceira no disco &#8211; e Rubi Assump\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o atual que a gente vai fazer nesses shows agora, pelo menos esses primeiros. E ainda estamos entendendo como v\u00e3o ser os pr\u00f3ximos passos. Mas \u00e9 meio que isso por enquanto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muito massa. Bom, encerrei minhas perguntas aqui e meu tempo tamb\u00e9m est\u00e1 acabando, mas queria deixar o espa\u00e7o se voc\u00ea quiser falar alguma coisa do disco que eu n\u00e3o perguntei&#8230;<\/strong><br \/>\nAh, cara, o que eu tenho para falar \u00e9 que eu estou muito feliz e realizado, com esse (disco)&#8230; Com tudo, com as parcerias, inclusive com os selos, com toda a galera que est\u00e1 trabalhando, com todo mundo que participou do disco. Para mim, \u00e9 massa essa troca, esse momento agora de parcerias com outras pessoas, de trocas com outras pessoas, principalmente nesse lugar de compositores e compositoras, que para mim \u00e9 uma coisa que \u00e9 (novidade)\u2026 (pausa) Ao inv\u00e9s de ser essa troca com os instrumentistas, com a galera que teve comigo o tempo todo, inclui esse outro lugar. (Porque) antes eu fazia tudo sozinho, fazia as composi\u00e7\u00f5es s\u00f3, e \u00e9 muito massa ter essa troca real, agora, nesse momento. E estou muito feliz, agora ansioso para voltar aos palcos com o rol\u00ea todo. Vamos voltar com tudo, vai ter duas baterias (no palco), vai ser massa, um esquema bem legal.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Fernando Catatau - Raios na imensid\u00e3o\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VIVxfX4coTw?list=PL0UW4Lo6AFrLdbnRgrPjgNIJOgpvIZ6VK\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mercado da Arte | Rock Cordel Fortaleza 2026 | Fernando Catatau - O Nada - Cabe\u00e7\u00e3o\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ns0nva0JkT4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Document\u00e1rio Cidad\u00e3o Instigado - Guardo tudo nas lembranc\u0327as que \u00e9 pra nunca desistir\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6BWP9ZvAkzc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Catatau no Cultura Livre\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ut_ofVyEyZ0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Fernando Catatau - Nada acontece (part. Juliana R e Giovani Cidreira)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZWBo4oNWH5I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/amusicadofabio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fabio Machado<\/a>\u00a0\u00e9 m\u00fasico e jornalista (n\u00e3o necessariamente nessa ordem). Baixista na Falsos Conejos, Mevoi, Thrills &amp; the Chase e outros projetos.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A ponte entre o antigo e o novo surge n\u00e3o apenas no encontro de sonoridades, mas tamb\u00e9m nas parcerias que somaram no disco. que marca o retorno do Cidad\u00e3o Instigado.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/04\/15\/fernando-catatau-o-cidadao-instigado-e-quem-me-chamou-de-volta\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":143,"featured_media":95229,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[7101,3958],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95227"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/143"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=95227"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95227\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":95231,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95227\/revisions\/95231"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95229"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=95227"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=95227"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=95227"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}