{"id":95199,"date":"2026-04-13T00:57:54","date_gmt":"2026-04-13T03:57:54","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=95199"},"modified":"2026-04-13T00:59:37","modified_gmt":"2026-04-13T03:59:37","slug":"entrevista-steve-von-till-fala-sobre-a-volta-do-neurosis-com-o-disco-mais-inesperado-e-importante-de-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/04\/13\/entrevista-steve-von-till-fala-sobre-a-volta-do-neurosis-com-o-disco-mais-inesperado-e-importante-de-2026\/","title":{"rendered":"Entrevista: Steve Von Till fala sobre a volta do Neurosis com o disco mais inesperado e importante de 2026"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00faltimo dia 20 de mar\u00e7o, uma not\u00edcia que chegou de forma totalmente inesperada \u2013 e at\u00e9 um pouco confusa, pela quantidade de informa\u00e7\u00f5es envolvidas \u2013 mexeu com o mundo do metal underground como n\u00e3o acontecia h\u00e1 muito tempo. Ap\u00f3s sete anos longe dos palcos, o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/neurosisoakland\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Neurosis<\/a> anunciou um show de retorno, ao lado de nomes como Baroness, YOB, Old Man Gloom, Enslaved, Borknagar e Full of Hell, no festival Fire in the Mountains, nos EUA. Mas n\u00e3o era apenas isso: a banda de p\u00f3s-metal\/metal psicod\u00e9lico da Calif\u00f3rnia tamb\u00e9m revelou que estava lan\u00e7ando naquele mesmo dia um disco in\u00e9dito, sobre o qual ningu\u00e9m sabia nada at\u00e9 ent\u00e3o, e com uma nova forma\u00e7\u00e3o, trazendo agora Aaron Turner nos vocais e guitarras, ao lado de Steve Von Till (guitarra e voz), Dave Edwardson (baixo e backing vocal), Noah Landis (teclado\/sintetizadores e backing vocals) e Jason Roeder (bateria).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conhecido por seu trabalho com outro nome essencial do p\u00f3s-metal, o Isis, al\u00e9m de projetos como Old Man Gloom e Sumac, Turner entrou no lugar de Scott Kelly, um dos fundadores do Neurosis, nos anos 1980, que <a href=\"https:\/\/www.npr.org\/2022\/08\/29\/1119972363\/neurosis-scott-kelly-admits-to-abusing-wife-and-children\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">foi expulso da banda<\/a> ap\u00f3s revelar em 2022 ter cometido uma s\u00e9rie de abusos contra a sua pr\u00f3pria fam\u00edlia \u2013 os integrantes disseram na ocasi\u00e3o que, na verdade, Scott n\u00e3o fazia mais parte da banda desde 2019, quando ficaram sabendo dos seus atos, mas que n\u00e3o tinham revelado a informa\u00e7\u00e3o antes em respeito \u00e0 privacidade da fam\u00edlia do m\u00fasico. Na \u00e9poca, a not\u00edcia parecia sinalizar que a banda poderia deixar de existir, apesar de nunca terem anunciado o fim oficialmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis que quatro anos depois, ap\u00f3s passar por um turbilh\u00e3o e ver sua hist\u00f3ria e legado quase desaparecerem, o Neurosis volta com \u201c<a href=\"https:\/\/music.neurotrecordings.com\/burning_world\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">An Undying Love for a Burning World<\/a>\u201d (2026, Neurot), seu primeiro trabalho em uma d\u00e9cada (o \u00faltimo tinha sido o mediano \u201cFires Within Fires\u201d, de 2016) e provavelmente o disco ao mesmo tempo mais pesado e bonito j\u00e1 feito pela banda. E estamos falando de um grupo cuja marca registrada est\u00e1 justamente nessa altern\u00e2ncia entre momentos de calmaria e caos sonoro e que possui no curr\u00edculos obras quase inigual\u00e1veis nesses dois lados, como \u201cEnemy of the Sun\u201d (1994) e \u201cThrough Silver in Blood\u201d (1996) e \u201cA Sun That Never Sets\u201d (2001) e \u201cEye of Every Storm\u201d (2004).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais ainda, tanto o disco quanto a escolha de Aaron Turner levaram a algo muito raro hoje em dia: fazer algumas milhares de pessoas concordarem sobre algo na Internet. Nesse caso, o quanto estavam felizes com a volta da banda, o quanto o disco era bom e significativo para elas, ainda mais no momento atual do mundo, e como Turner era a melhor \u2013 e talvez at\u00e9 a \u00fanica \u2013 escolha poss\u00edvel para esse verdadeiro renascimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista abaixo, feita por videochamada alguns dias ap\u00f3s o mundo conhecer a nova fase do Neurosis, o vocalista e guitarrista Steve Von Till falou sobre o significado desse disco para a banda, como foi gravar e manter tudo em segredo, o que realmente deu o pontap\u00e9 necess\u00e1rio para o grupo avan\u00e7ar com essa volta, a din\u00e2mica de tocar com Aaron e como o \u00e1lbum possui uma rela\u00e7\u00e3o (inconsciente) com \u201cBlackstar\u201d, derradeiro trabalho de David Bowie, que completa 10 anos em 2026. Confira a seguir!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Album - An Undying Love for a Burning World\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_lqczdmPXfrVbfrb-9UIl4vEA6fWOpSiuo\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vi que voc\u00eas fizeram <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DWegttjFAER\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um post nas redes sociais<\/a> agradecendo e dizendo que ficaram comovidos com a resposta do p\u00fablico ao novo disco. Voc\u00eas tinham algum tipo de expectativa quando decidiram voltar com a banda e lan\u00e7ar o disco dessa forma, de surpresa?<\/strong><br \/>\nA \u00e9tica com que trabalhamos geralmente \u00e9 de dar tudo o que voc\u00ea tem sem esperar nada em troca. Porque expectativas costumam levar \u00e0 decep\u00e7\u00e3o. E isso \u00e9 dif\u00edcil quando voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 t\u00e3o envolvido nisso, e especialmente do jeito que nos afastamos h\u00e1 um tempo. E est\u00e1vamos bem cientes da quantidade de bagagem que o nosso retorno carregaria. Por isso, era importante para n\u00f3s fazer disso uma experi\u00eancia de \u00e1lbum, em vez de algo focado em uma m\u00fasica ou uma divulga\u00e7\u00e3o. Parecia que fazer o lan\u00e7amento de surpresa era a \u00fanica maneira de fazer isso direito, de fazer justi\u00e7a \u00e0 m\u00fasica. No sentido de n\u00e3o permitir que&#8230; A mente das pessoas faz muitas coisas interessantes \u2013 e todos n\u00f3s fazemos isso. Voc\u00ea julga um disco pelo primeiro single, por uma m\u00fasica \u201cde trabalho\u201d, ou seja l\u00e1 o que for. E com uma banda como a nossa, voc\u00ea n\u00e3o pode julgar um disco com base em uma \u00fanica parte, porque todas as partes t\u00eam diferentes formas de fluir, diferentes energias e diferentes emo\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, parecia que a \u00fanica maneira de fazer isso era sem aviso pr\u00e9vio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, n\u00f3s n\u00e3o quer\u00edamos falar nada at\u00e9 que o disco estivesse pronto. N\u00e3o quer\u00edamos prometer algo que poderia n\u00e3o se concretizar, ainda mais voltando de algo que parecia bastante fr\u00e1gil. E foi apenas mais para o fim do ano passado, por volta de setembro, em que, por meio de conversas com meus amigos Firekeeper Alliance, que se juntaram ao Fire in the Mountains Festival, que \u00e9 um festival de m\u00fasica pesada que se uniu com a Blackfeet Nation, com foco em reduzir os suic\u00eddios entre jovens ind\u00edgenas. E tendo estado l\u00e1, feito parte do conselho da Firekeeper Alliance e trabalhado com essas pessoas, escutado as hist\u00f3rias e as conversas no festival do ano passado sobre meio que refor\u00e7ar o que n\u00f3s sempre falamos na nossa carreira, que essa m\u00fasica nos salva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa m\u00fasica, a comunidade que encontramos no underground e a catarse que sentimos ao deixar essas energias passarem por n\u00f3s \u00e9 a \u00fanica maneira que temos de achar algum sentido nessa porra de mundo louco em que vivemos. E saber que h\u00e1 profissionais de sa\u00fade mental que reconhecem isso, do tipo \u201cVamos utilizar isso\u201d, isso \u00e9 real, e que podemos ser escolhidos como uma banda para representar essa miss\u00e3o, foi a chama que precis\u00e1vamos para acelerar o nosso at\u00e9 ent\u00e3o lento renascimento \u2013 est\u00e1vamos muito devagar e tateando ainda at\u00e9 aquele momento, sem saber para onde aquilo iria nos levar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As m\u00fasicas estavam vindo, a m\u00fasica era interessante e muito boa. Mas n\u00f3s apenas n\u00e3o t\u00ednhamos um plano, uma linha do tempo para seguir, n\u00e3o t\u00ednhamos nada. Tudo era abstrato. E ent\u00e3o falamos \u201cOk, at\u00e9 quando voc\u00eas podem esperar pela gente para anunciar esse show?\u201d. E eles falaram mais ou menos at\u00e9 o meio de mar\u00e7o. Ent\u00e3o dissemos que \u00edamos gravar um disco e ter ele pronto at\u00e9 l\u00e1 porque n\u00e3o \u00edamos anunciar um show sem um disco novo. N\u00e3o quer\u00edamos fazer algo do tipo um show de reuni\u00e3o da banda para voltar a tocar. Ent\u00e3o precis\u00e1vamos ter um disco novo para anunciar nosso primeiro show. Era apenas como tinha de acontecer. E fizemos isso logo em seguida, agendamos o est\u00fadio no dia seguinte. Gravamos em tr\u00eas finais de semana, um ter\u00e7o do disco a cada fim de semana, com um ensaio no meio. E isso nos deu o foco e a chama que precis\u00e1vamos para realmente aumentar a energia e finalizar o \u00e1lbum.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Neurosis - Spring Equinox 2026\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NfBrqKndpVc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas tiveram a chance de tocar juntos com a banda toda antes de entrar no est\u00fadio com o Scott (Evans, produtor e guitarrista\/vocalista do Kowloon Walled City)?<\/strong><br \/>\nSim, n\u00f3s est\u00e1vamos ensaiando. Sempre vamos preparados para gravar. Acho que chamamos o Aaron para entrar na banda por volta de maio de 2024. Mas, por conta das nossas agendas, acho que s\u00f3 conseguimos nos reunir umas tr\u00eas vezes naquele ano. E mais algumas vezes no in\u00edcio de 2025. A m\u00fasica veio bem r\u00e1pido at\u00e9 n\u00f3s e come\u00e7amos a ver, tipo \u201cTemos um disco aqui\u201d. Mas n\u00e3o foi at\u00e9 pensarmos, realmente olharmos para isso em agosto\/setembro do ano passado e pensarmos em como poder fazer isso acontecer, tipo \u201cSe realmente nos dedicarmos, se focarmos em um ter\u00e7o do disco, podemos terminar de compor e reescrever um ter\u00e7o do disco em um fim de semana e ent\u00e3o gravar duas semanas depois. Moramos muito longe um dos outros, ent\u00e3o tudo exige avi\u00f5es, barcos e longas horas na estrada. Ent\u00e3o n\u00f3s \u00edamos ensaiar um ter\u00e7o do disco para grav\u00e1-lo duas semanas depois. E a\u00ed duas semanas depois disso, ensai\u00e1vamos o segundo ter\u00e7o para gravar duas semanas depois. Ent\u00e3o n\u00f3s tocamos essas m\u00fasicas juntos, j\u00e1 t\u00ednhamos trabalhado nelas, mas n\u00f3s t\u00ednhamos esqueletos dessas faixas. Ent\u00e3o passamos um fim de semana focados em cada ter\u00e7o do disco para trabalhar nisso. E nos reun\u00edamos online toda semana, uma noite por semana, apenas para falar sobre coisas e ouvir a grava\u00e7\u00e3o dos ensaios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E houve alguma coisa espec\u00edfica que fez com que voc\u00eas falassem \u201c\u00c9 isso, vamos voltar com a banda\u201d? Acho que h\u00e1 uns dois anos o Jason fez um post, ap\u00f3s ser dispensado do Sleep, dizendo que n\u00e3o faria mais shows e que n\u00e3o sabia como seria o futuro do Neurosis. Houve algum momento em que voc\u00ea chegou a duvidar se iam voltar a tocar como uma banda de novo?<\/strong><br \/>\nEm primeiro lugar, n\u00f3s nunca terminamos a banda oficialmente. As pessoas passam por momentos dif\u00edceis e coisas pesadas. E n\u00f3s n\u00e3o ir\u00edamos fazer isso (voltar com a banda) sem ele (Jason). N\u00e3o posso falar sobre a situa\u00e7\u00e3o dele em especial, porque \u00e9 algo privado e a Internet infelizmente \u201cfez a festa\u201d com isso. Apenas ficamos felizes que ele teve a for\u00e7a para continuar colocando um p\u00e9 na frente do outro e seguir pelo processo porque a forma dele tocar \u00e9 \u00fanica, inigual\u00e1vel e absolutamente o cora\u00e7\u00e3o do que fazemos. Mas sempre houve uma d\u00favida ao longo desses anos, se \u00edamos conseguir fazer isso. Tinha de acontecer do jeito certo e tinha de parecer certo. Era algo com o qual t\u00ednhamos de nos sentir bem e que fosse uma evolu\u00e7\u00e3o, no sentido de levarmos a nossa m\u00fasica para um novo n\u00edvel. Quando o Aaron entrou para a banda, n\u00f3s definitivamente vimos que essa era a dire\u00e7\u00e3o musical que quer\u00edamos, tipo \u201cEssa \u00e9 a forma forma\u00e7\u00e3o que pode fazer isso funcionar\u201d. Ent\u00e3o tivemos de superar as dificuldades da vida e da realidade. E foi realmente o convite, feito pelos meus irm\u00e3os e irm\u00e3s da Firekeeper Alliance, que perguntaram \u201cH\u00e1 alguma chance de voc\u00eas virem (ao festival) e serem os representantes da nossa mensagem, serem a banda que representa o que apoiamos?\u201d. E penso que precis\u00e1vamos de algo mais importante do que os nossos egos e do que n\u00f3s mesmos. Algo para realmente nos mostrar que isso era maior do que n\u00f3s enquanto pessoas. E que talvez existisse at\u00e9 uma responsabilidade, no sentido de que se voc\u00ea tem a habilidade de criar algo que pode levantar as pessoas, ajudar elas a compreender algo, a fazer com que n\u00e3o se sintam sozinhas ou at\u00e9 apoiar elas a enfrentarem algo com o qual est\u00e3o lidando. Porque essa \u00e9 a raz\u00e3o pela qual fizemos isso. E, mais uma vez, n\u00e3o alegamos enquanto indiv\u00edduos que somos talentosos o suficiente para fazer isso. Penso que somos apenas sortudos o bastante para tocar nisso. E ent\u00e3o pareceu que realmente existia essa responsabilidade. O meu amigo Robert Hall, da Blackfeet Nation, falou algo no ano passado, que era como \u201cQuando as pessoas te chamam pelo seu dom, voc\u00ea tem uma responsabilidade te atender o chamado\u201d. E penso que foi isso que aconteceu, penso que sentimos \u201cOk, essa \u00e9 a chama que precis\u00e1vamos para finalizar esse disco e fazer isso do jeito certo\u201d. Se n\u00f3s ir\u00edamos voltar em algum momento, teria que ser por esse motivo, neste momento e por esse prop\u00f3sito. Com essa m\u00fasica e com essa forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-95200 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/NR_UndyingLP__0001_NR138_md26.png\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/NR_UndyingLP__0001_NR138_md26.png 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/NR_UndyingLP__0001_NR138_md26-300x300.png 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/NR_UndyingLP__0001_NR138_md26-150x150.png 150w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E isso tudo influenciou de alguma maneira as letras do novo disco? N\u00e3o sei se voc\u00eas j\u00e1 tinham as letras finalizadas, mas esse me soa um disco ainda mais cru e urgente do Neurosis, desde a faixa de abertura com voc\u00ea gritando as mesmas frases repetidamente. Todos os discos do Neurosis t\u00eam essa caracter\u00edstica de falar com as pessoas de diferentes formas, mas minha percep\u00e7\u00e3o \u00e9 que esse \u00e9 mais direto do que os anteriores nesse sentido.<\/strong><br \/>\nSim, essa introdu\u00e7\u00e3o \u00e9 muito, muito direta. Honestamente, aquelas palavras s\u00e3o o que eu penso todas as manh\u00e3s h\u00e1 anos. E quando olho para as letras do passado, enquanto estou meio que revisitando m\u00fasicas antigas, n\u00f3s estivemos cantando essa m\u00fasica o tempo todo. Essa \u00e9 a m\u00fasica que temos cantado. Temos cantado uma \u00fanica m\u00fasica, e \u00e9 essa m\u00fasica de raiva e tristeza e saudade e uma busca por algo significativo, uma busca por algo real. E se isso \u00e9 mais urgente agora do que antes, acho que depende de para quem voc\u00ea pergunta e qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o dessa pessoa. Acho que a forma como estamos consumindo informa\u00e7\u00e3o e not\u00edcias sobre eventos mundiais hoje em dia faz com que tudo pare\u00e7a amplificado e acelerado e n\u00e3o acho que nossos c\u00e9rebros estejam evoluindo r\u00e1pido o suficiente para lidar com esse n\u00edvel de informa\u00e7\u00e3o e possibilidades catastr\u00f3ficas. Ent\u00e3o acho que isso est\u00e1 deixando todo mundo desnorteado \u2013 e penso que todos n\u00f3s sentimos o mesmo. Alguns dias voc\u00ea tem esperan\u00e7a, outros dias parece que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma. E, no fim das contas, de qualquer forma, precisamos colocar nossos cora\u00e7\u00f5es e mentes no lugar certo. Mesmo que a gente acabe sendo derrubado lutando pelo que \u00e9 certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Queria saber da sua perspectiva como guitarrista, como foi a sua conex\u00e3o com o Aaron? Foi algo que aconteceu logo de cara? Ao longo do disco, podemos ouvir os seus estilos pr\u00f3prios em diferentes momentos, mas no geral tudo soa de forma muito coesa. Como foi para voc\u00ea, desse ponto de vista, o processo de compor e pensar a guitarra junto com ele?<\/strong><br \/>\nSim, boa pergunta. No geral foi bem natural, como acontece com muita coisa, mas h\u00e1 certos pontos em que n\u00f3s dois tivemos que nos ajustar \u2014 ele teve que entender de onde eu vinha, meio que o meu ritmo interno, e eu tive que entender o ritmo interno dele. Estamos acostumados a tocar com o Jason, que toca bem atr\u00e1s do tempo, mais no \u201clado de tr\u00e1s\u201d da batida. E ele est\u00e1 acostumado a tocar com bateristas que ficam mais \u00e0 frente, mais no \u201clado da frente\u201d da batida. Ent\u00e3o encontrar esse ponto de encaixe foi um desafio, tanto para ele quanto para mim, enquanto eu tentava entender os tempos dele. Ele tem muitos tempos meio estranhos nos riffs e v\u00e1rias coisas que, para mim \u2014 eu sou algu\u00e9m que simplifica tudo. Eu n\u00e3o tenho\u2026 eu tenho meu pr\u00f3prio estilo porque passei toda a minha vida adulta no Neurosis, e n\u00e3o preciso descobrir como tocar m\u00fasicas de outros (risos). Eu consigo fazer muita coisa com uma \u00fanica nota. Mas eu gosto muito de texturas \u2014 sou um m\u00fasico de texturas, de atmosfera, sabe \u2014 e tenho um senso de ritmo bem forte, enquanto o dele \u00e9 diferente. Foi interessante ver como a gente se encaixou; tivemos que nos adaptar, encontrar um meio-termo e nos entender. Mas foi empolgante, e acho que isso deu energia e inspira\u00e7\u00e3o para n\u00f3s dois encontrarmos novas formas de compor com outro guitarrista. Ele n\u00e3o tocava com outro guitarrista h\u00e1 muito, muito tempo, ent\u00e3o isso foi interessante para ele. E eu sempre fui meio que o guitarrista \u201cestranho\u201d na forma como faz\u00edamos as coisas, fazendo partes mais incomuns para criar as texturas que precis\u00e1vamos. E ele tamb\u00e9m \u00e9 esse tipo de guitarrista. Ent\u00e3o agora a gente simplesmente se reveza fazendo coisas estranhas que voc\u00ea n\u00e3o vai encontrar, acho, em muitos discos pesados. N\u00e3o h\u00e1 muitos clich\u00eas gen\u00e9ricos de heavy metal acontecendo aqui, isso \u00e9 certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa grava\u00e7\u00e3o foi diferente para voc\u00eas em termos de composi\u00e7\u00e3o e o processo de pensar as m\u00fasicas? Porque temos obviamente voc\u00ea e o Aaron nos vocais principais, mas o Dave tamb\u00e9m voltou a cantar depois de muito tempo e at\u00e9 o Noah, n\u00e3o me lembro se ele j\u00e1 tinha cantado antes na banda, apesar de ter lan\u00e7ado h\u00e1 alguns anos um \u00f3timo disco como vocal principal do Tension Span. Isso foi algo consciente, tipo, desde o come\u00e7o voc\u00eas queriam que todo mundo mostrasse literalmente sua voz neste \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nEssa era a esperan\u00e7a. Mas, no fim das contas, independente da ideia que voc\u00ea tenha na sua cabe\u00e7a, \u00e9 preciso dar espa\u00e7o para qual a ideia da m\u00fasica. A m\u00fasica te diz o que ela precisa. Ent\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o pode for\u00e7ar uma voz que n\u00e3o pertence em um determinado trecho. N\u00f3s todos temos timbres \u00fanicos, ritmos \u00fanicos, mesmo com as nossas vozes. Temos maneiras r\u00edtmicas diferentes para cantar. E eu e o Aaron tamb\u00e9m tivemos de nos alinhar as nossas vozes. E o Dave e o Aaron tamb\u00e9m, quando eles cantam juntos, do tipo \u201cComo voc\u00ea segura o som? Em que palavra voc\u00ea segura mais o som?\u201d. \u00c9 parecido com o que fizemos com as guitarras, de nos encontrarmos no meio do caminho. Acho que quer\u00edamos expressar o que quer fosse, quando parecesse correto usar a voz que mais fazia sentido em cada parte das m\u00fasicas. E o Noah j\u00e1 fez alguns vocais antes sim, acho que no \u201cThrough Silver in Blood\u201d (1996) e tamb\u00e9m alguns no \u201cTimes of Grace\u201d (1999).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-95201 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/NR_CASS.png\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/NR_CASS.png 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/NR_CASS-300x300.png 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/NR_CASS-150x150.png 150w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quem canta na \u00faltima m\u00fasica? \u00c9 a Faith Coloccia ou a Chelsea Wolfe, por acaso?<\/strong><br \/>\nSou eu mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas tem um vocal feminino na m\u00fasica.<\/strong><br \/>\nSou eu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nSou eu. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma vocalista nessa m\u00fasica. Depois da parada, quando eu canto sobre os sintetizadores. Na verdade, esse \u00e9 um trecho que eu peguei de uma m\u00fasica que seria para a minha carreira solo. Na verdade, eu gravei esses vocais aqui nessa sala mesmo. Eu canto em falsete em tr\u00eas harmonias diferentes, harmonizando comigo mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso \u00e9 incr\u00edvel. Tem um t\u00f3pico apenas sobre os vocais do disco novo no Reddit. E as pessoas estavam tentando advinhar quem era a vocalista misteriosa, que n\u00e3o aparecia nos cr\u00e9ditos?<\/strong><br \/>\nBom, voc\u00ea pode ir l\u00e1 contar para as pessoas que sou eu (risos). Sou apenas eu cantando em falsete, sem truques de est\u00fadio. Sem harmonias com pitch ou algo assim. Sou apenas cantando at\u00e9 conseguir acertar, brincando com as harmonias. Na verdade, eu estava mixando essa parte no est\u00fadio, para o meu \u00faltimo disco solo, e ent\u00e3o virei para o Randall (Dunn), com quem estava mixando o \u00e1lbum, e falei \u201cQuer saber? Vamos parar. Essa m\u00fasica n\u00e3o pertence a esse disco. Mesmo que a gente n\u00e3o esteja trabalhando em nada, acho que \u00e9 uma parte para o Neurosis, para uma m\u00fasica do Neurosis. Ent\u00e3o n\u00e3o vou deixar nesse disco\u201d. E ent\u00e3o trouxe essa grava\u00e7\u00e3o como estava, nos livramos da bateria, do baixo, guitarras e tudo mais. A\u00ed o Noah adicionou a m\u00e1gica dele em cima dos sintetizadores que j\u00e1 estavam l\u00e1. Mas deixamos os meus vocais. E eu queria ter mixado as harmonias em um tom mais baixo, mas os caras adoraram e queriam que ficassem mais altas. Ent\u00e3o \u00e9 engra\u00e7ado que as pessoas estejam discutindo sobre quem cantou essa parte e quem seria a vocalista secreta. Acho que \u00e9 o meu lado feminino.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Neurosis - Last Light\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bxeMscJTzVs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E essa (\u201cLast Light\u201d) \u00e9 uma m\u00fasica incr\u00edvel para fechar o disco, meio que contando uma hist\u00f3ria, te levando por uma jornada. Al\u00e9m de ser algo um pouco raro hoje em dia, ter uma m\u00fasica de 17 minutos para fechar um disco dessa forma.<\/strong><br \/>\nObrigado. Eu gosto que ela se move, porque, \u00e0s vezes, no nosso estilo de m\u00fasica, no metal de forma geral, voc\u00ea pode ter uma m\u00fasica longa apenas para ser longa. E os riffs s\u00e3o arrastados por muito tempo e ficam chatos. Ou \u00e9 apenas algo mais sludge repetitivo. Eu adoro m\u00fasica repetitiva que te leva a um estado de transe quando \u00e9 algo como Swans ou Godspeed You! Black Emperor. Ou at\u00e9 m\u00fasica trance tradicional, m\u00fasica percussiva, m\u00fasica indiana cl\u00e1ssica ou percuss\u00e3o do norte da \u00c1frica. Mas se voc\u00ea est\u00e1 apenas reciclando um riff do Sabbath por 20 minutos, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o interessante. Mas essa m\u00fasica realmente parece com uma jornada que fecha um ciclo. Come\u00e7ando com tipo uma bateria eletr\u00f4nica com sons estranhos at\u00e9 a banda entrando e tocando em harmonia com isso. E ent\u00e3o se transforma em alguns dos riffs mais bonitos que j\u00e1 escrevemos, apenas essas partes de guitarra realmente muito bonitas. Ent\u00e3o depois vai para aquela parte que j\u00e1 falamos e depois de volta para um riff avassalador antes de terminar onde come\u00e7amos. Realmente pareceu uma jornada muito boa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, \u00e0 medida que estou ficando mais velho, acho que essa tecnologia est\u00e1 meio que me causando um problema de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o induzido culturalmente, em que eu j\u00e1 n\u00e3o tenho a mesma capacidade de concentra\u00e7\u00e3o que tinha quando era mais jovem. Eu mesmo tenho preferido discos mais curtos na maior parte do tempo, mas, quando voc\u00ea est\u00e1 fazendo um disco, precisa ouvi-lo mais vezes do que jamais gostaria. E, normalmente, quando terminamos e recebemos a master final, eu j\u00e1 estou de saco cheio, sabe? Mas esses 64 minutos ainda passam muito r\u00e1pido para mim \u2014 seja quando estou mostrando o disco para um amigo ou para algu\u00e9m da minha fam\u00edlia, ou mesmo quando estava conferindo as prensagens de teste para garantir que soavam bem. N\u00e3o sei, sinto que ele passa por muitos lugares, nunca para de se mover e nunca para de mudar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, eu concordo. Penso at\u00e9 que esse \u00e9 provavelmente o disco mais din\u00e2mico e pesado da banda. Por isso, queria saber se voc\u00eas tinham algo em mente quando foram para o est\u00fadio com o Scott (Evans)? E tamb\u00e9m, como foi trabalhar com ele no est\u00fadio depois de tantos discos com o Steve Albini?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s sab\u00edamos que o Scott era o mesmo tipo de engenheiro porque n\u00f3s sempre fomos esse tipo de banda. N\u00f3s montamos nosso equipamento \u2014 \u00e9 o nosso equipamento. Sabemos como ele soa. Passamos muito tempo fazendo com que os nossos sons fossem nossos. A gente se instala em um espa\u00e7o e toca junto. E \u00e9 isso que s\u00e3o os discos. A gente n\u00e3o fica enrolando, a gente n\u00e3o&#8230; No m\u00e1ximo, a gente entra pra corrigir um erro ou algo assim, ou fazer uma edi\u00e7\u00e3o se gostarmos do come\u00e7o de um take e do final de outro \u2014 antigamente voc\u00ea cortaria a fita. Mas, na maior parte do tempo, \u00e9 simplesmente uma performance ao vivo. Depois colocamos os vocais por cima, corrigimos o que precisa ser corrigido e seguimos em frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ele \u00e9 esse mesmo tipo de engenheiro, que passa muito tempo garantindo que conhece o som de uma sala, que sabe quais microfones funcionam em cada lugar e qual posicionamento usar. Que enfia a cabe\u00e7a no gabinete do amplificador de guitarra e descobre qual microfone vai funcionar ali. E n\u00f3s amamos o som dos discos do Kowloon Walled City &#8211; obviamente, j\u00e1 que lan\u00e7amos esses \u00e1lbuns pela nossa gravadora (Neurot). E tamb\u00e9m sab\u00edamos que ele era um cara gente boa, com quem poder\u00edamos nos dar bem, algu\u00e9m em quem poder\u00edamos confiar nossos segredos, e que seria tudo direto ao ponto, sabe? A gente poderia simplesmente fazer o trabalho. E ele foi perfeito. Foi \u00f3timo. Ele realmente correspondeu \u00e0 ocasi\u00e3o. Acho que ele entendeu o quanto aquilo significava para n\u00f3s. Entendeu que n\u00e3o era o Steve Albini e que n\u00e3o tentaria ser, mas que honraria a nossa forma de trabalhar, de apenas capturar o som natural. Essa era a filosofia do Steve Albini: \u201cvou simplesmente tentar n\u00e3o estragar o seu disco\u201d. Ent\u00e3o acho que ele \u00e9 assim tamb\u00e9m, ele realmente faz o melhor que pode, sabe o que est\u00e1 fazendo, \u00e9 um \u00f3timo engenheiro e nos deu tempo e aten\u00e7\u00e3o. E n\u00f3s fizemos \u2014 n\u00e3o t\u00e3o r\u00e1pido quanto nos discos anteriores, porque tivemos que gravar nesses fins de semana separados por causa da vida \u2014 mas foram seis dias de grava\u00e7\u00e3o e dois dias e meio de mixagem. Ainda assim, tudo se juntou de forma muito natural, do jeito que j\u00e1 fazemos h\u00e1 bastante tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea mencionou sobre confiar o segredo ao Scott. Qu\u00e3o dif\u00edcil foi para voc\u00eas manter tudo isso em segredo? Eu vi uma publica\u00e7\u00e3o do Nate Newton, do Converge, nas redes sociais quando o disco foi lan\u00e7ado, e ele disse algo como: \u201cUau, n\u00e3o acredito nisso, que incr\u00edvel. Aaron, que vergonha voc\u00ea ter escondido isso de mim por tanto tempo\u201d (risos). O qu\u00e3o dif\u00edcil foi estar perto desses colegas e amigos, conversando com as pessoas, e ter que ficar o tempo todo de boca fechada, mesmo quando o assunto surgia?<\/strong><br \/>\nPara ser honesto, foi meio divertido. Alguns dos nossos amigos sabiam que est\u00e1vamos tentando nos reunir e fazer algo acontecer, mas n\u00e3o \u00edamos anunciar nada at\u00e9 que fosse algo real. Mas quando percebemos que t\u00ednhamos essa oportunidade de fazer isso dessa forma, sentimos que tinha que ser assim. Assim que a coisa ficou s\u00e9ria, vamos dizer, n\u00f3s ficamos em sil\u00eancio e simplesmente paramos de falar sobre isso. Tipo, at\u00e9 alguns dos nossos familiares n\u00e3o tinham ideia, era s\u00f3 algo como \u201cVou sair com os amigos no fim de semana\u201d. E sim, definitivamente havia aquele medo de algu\u00e9m descobrir e dizer algo. E conforme fomos chegando mais perto da data de lan\u00e7amento, o c\u00edrculo teve que crescer, porque precis\u00e1vamos de pessoas, engenheiros de masteriza\u00e7\u00e3o, f\u00e1bricas de prensagem de discos, distribuidores e nossa equipe de assessoria de imprensa preparados para quando aquele dia chegasse. E as pessoas da equipe do Fire in the Mountains. Mas todas as pessoas fora da banda, esse tipo de c\u00edrculo estendido, sabiam o quanto isso era importante e guardaram esse segredo como algo sagrado, quase de forma religiosa, como \u201cn\u00e3o seremos n\u00f3s que vamos estragar isso\u201d. E isso foi lindo, acho que essa energia alimentou tudo isso, toda essa energia de manter esse belo segredo foi adicionada a isso. Todas as pe\u00e7as se juntaram de uma forma que pareceu muito alinhada cosmicamente, devo dizer.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"David Bowie - Lazarus (Official Video) [HD]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/y-JqH1M4Ya8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E tamb\u00e9m tem o fato que o disco saiu cerca de 10 anos depois do &#8220;Blackstar&#8221; (2016), do David Bowie, que tamb\u00e9m foi um disco lan\u00e7ado de forma surpresa, mas com um prop\u00f3sito diferente. Ele queria ressignificar, dar um novo sentido \u00e0 pr\u00f3pria morte. E voc\u00eas estavam dando um significado diferente ao renascimento de voc\u00eas, de certa forma.<\/strong><br \/>\nSim, mas nesse sentido espero que n\u00e3o seja o nosso \u201cBlackstar\u201d. Embora o nosso disco tamb\u00e9m tenha uma estrela preta na capa (Nota: Cuja arte foi feita por Aaron Turner). \u00c9, agora que voc\u00ea mencionou isso. Eu acho que isso n\u00e3o foi consciente, mas \u00e9 uma \u00f3tima compara\u00e7\u00e3o no sentido de que eu sempre penso muito nesse disco (\u201cBlackstar\u201d) quando estou conversando com outros nerds de m\u00fasica sobre o quanto aquilo foi perfeito. Tipo, se voc\u00ea pudesse planejar a sua sa\u00edda, voc\u00ea vai estar deixando o planeta, especialmente sendo um artista t\u00e3o ic\u00f4nico como ele, sair com algo assim, com uma profundidade e um peso e uma resson\u00e2ncia, foi lindo. E tudo o que est\u00e1vamos tentando fazer era criar o melhor disco poss\u00edvel neste momento de nossas vidas e fazer justi\u00e7a ao resgatar o nosso legado e recuperar uma parte das nossas vidas. E n\u00e3o poder\u00edamos ter previsto como outras pessoas o abra\u00e7ariam, o sentiriam e falariam sobre o disco com as palavras emocionalmente intensas com que falam. Foi algo bastante avassalador, que nos fez enxergar tudo com muita humildade. Estamos falando sobre legado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas j\u00e1 pensaram em quais m\u00fasicas v\u00e3o tocar nesse show de retorno? Talvez tocar o disco novo na \u00edntegra?<\/strong><br \/>\nAh, ainda estamos pensando nisso neste momento. Provavelmente vamos misturar, como sempre gostamos de fazer. Provavelmente vamos dar uma misturada. A gente n\u00e3o toca h\u00e1 muito tempo (nota: o \u00faltimo show da banda foi em 2019). E acho que tamb\u00e9m precisamos recuperar o ritmo, pegar o jeito de novo. Ou como os marinheiros dizem, recuperar nossas \u201cpernas de mar\u201d. Ent\u00e3o, tenho certeza de que vai ter bastante coisa do disco novo, provavelmente n\u00e3o ele inteiro, mas acho que uma boa parte. E misturar isso com m\u00fasicas antigas que queremos trazer de volta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas est\u00e3o abertos a fazer mais shows no futuro pr\u00f3ximo, incluindo turn\u00eas nos EUA, Europa e quem sabe na Am\u00e9rica do Sul de novo?<\/strong><br \/>\nAgora estamos s\u00f3 tentando chegar ao nosso primeiro show, tentando dar esse primeiro passo. E queremos que as pessoas v\u00e3o at\u00e9 l\u00e1 &#8211; pessoas que vivem naquela terra h\u00e1 mais de 15.000 anos nos convidaram para ir ter esse momento. Ent\u00e3o \u00e9 nisso que estamos focados agora. Mas tenho certeza de que n\u00f3s vamos, conforme for poss\u00edvel. A vida \u00e9 diferente para n\u00f3s. Todo mundo realmente tem compromissos e somos sortudos quando nossas agendas coincidem com trabalhos e tudo mais, como outras pessoas da classe trabalhadora. Mas tenho certeza de que depois desse show a gente vai acender uma chama e vamos querer sair por a\u00ed querendo derreter rostos onde for poss\u00edvel.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-95203 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/FIRE_IN_THE_MOUNTAINS_2026-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"937\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/FIRE_IN_THE_MOUNTAINS_2026-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/FIRE_IN_THE_MOUNTAINS_2026-copiar-240x300.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a>\u00a0\u00e9 autor dos livros \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885339\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo dos EUA<\/a>\u201d e \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885649\/ref=pd_lpo_14_t_0\/145-6204651-9007215?_encoding=UTF8&amp;pd_rd_i=8562885649&amp;pd_rd_r=0e02080e-01a3-422c-9e95-933a79ef9d17&amp;pd_rd_w=qJ5vJ&amp;pd_rd_wg=0obt1&amp;pf_rd_p=6102dabe-0e19-4db6-8e11-875a53ad30be&amp;pf_rd_r=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH&amp;psc=1&amp;refRID=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade, Vol 2 \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo pelo Mundo<\/a>\u201d, ambos pela Edi\u00e7\u00f5es Ideal. Tamb\u00e9m colabora coma a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vice.com\/pt_br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Vice Brasil<\/a>, o\u00a0<a href=\"https:\/\/cvltnation.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CVLT Nation<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.loudmagazine.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Loud!<\/a>\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Eis que quatro anos depois, ap\u00f3s passar por um turbilh\u00e3o e ver sua hist\u00f3ria e legado quase desaparecerem, o Neurosis volta com \u201cAn Undying Love for a Burning World\u201d\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/04\/13\/entrevista-steve-von-till-fala-sobre-a-volta-do-neurosis-com-o-disco-mais-inesperado-e-importante-de-2026\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":88,"featured_media":95204,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[2436],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95199"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=95199"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95199\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":95205,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95199\/revisions\/95205"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95204"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=95199"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=95199"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=95199"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}