{"id":95190,"date":"2026-04-13T00:20:31","date_gmt":"2026-04-13T03:20:31","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=95190"},"modified":"2026-04-13T00:22:35","modified_gmt":"2026-04-13T03:22:35","slug":"critica-com-lado-b-holly-brickley-mostra-que-nao-e-sally-rooney-nem-nick-hornby-em-tentem-compara-los","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/04\/13\/critica-com-lado-b-holly-brickley-mostra-que-nao-e-sally-rooney-nem-nick-hornby-em-tentem-compara-los\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: Com &#8220;Lado B&#8221;, Holly Brickley mostra que n\u00e3o \u00e9 Sally Rooney nem Nick Hornby (embora tentem compar\u00e1-los)."},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/jorgewagnerm\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jorge Wagner<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a cr\u00edtica do <a href=\"https:\/\/www.newyorker.com\/magazine\/2019\/01\/07\/sally-rooney-gets-in-your-head\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The New Yorker<\/a> carimbou na testa de Sally Rooney o slogan de marketing de &#8220;Salinger da gera\u00e7\u00e3o Snapchat&#8221;, pecha que acabou sendo seguida por outras reducionistas e midi\u00e1ticas como &#8220;voz da gera\u00e7\u00e3o millennial&#8221; e semelhantes, o que estava em pauta n\u00e3o era exatamente o talento da autora em contar hist\u00f3rias, mas sim seu dom em dar voz a anseios e d\u00favidas de seus contempor\u00e2neos. N\u00e3o se tratava exatamente do seu talento para o o qu\u00ea, sen\u00e3o para o de que modo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sejamos francos: as hist\u00f3rias de Rooney, o &#8220;sobre o qu\u00ea&#8221; s\u00e3o seus livros podem ser resumidos em 140 caracteres, como um bom e velho tu\u00edte dos tempos \u00e1ureos: &#8220;casal de amigas e ex-namoradas conhecem um casal mais velho e uma delas vira amante do cara&#8221;, &#8220;um casal de adolescentes de classe social diferente se envolve no sigilo e tem idas e vindas ao longo dos anos&#8221; etc. E \u00e9 isso, nada muito al\u00e9m disso. Exceto pelo fato da autora conseguir entrar na cabe\u00e7a de seus personagens com uma clareza \u00edmpar, de traduzir anseios e ansiedades destes, e tamb\u00e9m de seus leitores, em meio a fluxos de consci\u00eancia, aus\u00eancia de aspas, reflex\u00f5es sobre consci\u00eancia de classe, desesperan\u00e7a para com o futuro, a f\u00e9 ou a falta dela, as formas atuais de relacionamento interpessoais e mais. Sob suas teclas, suas personagens s\u00e3o para os nascidos neste recorte geracional <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/01\/28\/jd-salinger-1919-2010\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o que Holden Caulfield<\/a> foi para os primeiros a acordarem para o conceito de juventude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Holly Brickley n\u00e3o \u00e9 Sally Rooney. N\u00e3o importa que a contracapa de &#8220;Lado B&#8221; (originalmente &#8220;Deep Cuts&#8221;, seu romance de estreia, lan\u00e7ado em 2025 e editado no Brasil pela Rocco com tradu\u00e7\u00e3o de Marcela Isensee) inclua declara\u00e7\u00f5es como &#8220;o medley perfeito de &#8216;Alta Fidelidade&#8217;, Sally Rooney e &#8216;Amanh\u00e3, Amanh\u00e3 e Outro Amanh\u00e3'&#8221; para emplacar. E, ainda que insista bastante, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=hornby\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nick Hornby<\/a>. N\u00e3o que se trate de um livro ruim, muito pelo contr\u00e1rio. &#8220;Lado B&#8221; \u00e9 sem d\u00favida uma leitura divertida, principalmente para quem j\u00e1 estava por aqui quando Interpol lan\u00e7ava seu disco de estr\u00e9ia, quando Decemberists come\u00e7ava a despontar, quando Beach House&#8230; Bem, voc\u00ea entendeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Sally, Holly traz muito de seu ponto mais fraco &#8211; hist\u00f3rias que s\u00e3o um fiapo e v\u00e3o do nada a lugar algum &#8211; e pouco de seu principal talento. Diferente de Marianne Sheridan, Connell Waldron ou Frances, as d\u00favidas e questionamentos de Percy Marks s\u00f3 a tornam pedante e insegura, sem conseguir conectar suas quest\u00f5es com algo maior &#8211; geracional, que seja. Joe Morrow, seu parceiro de composi\u00e7\u00f5es\/interesse rom\u00e2ntico \u00e9 apenas um m\u00fasico de talento mediano tamb\u00e9m pelo qual \u00e9 dif\u00edcil simpatizar &#8211; nem mesmo com aquela simpatia meio torta que sentimos por Rob Fleming &#8211; ou Rob Gordon, caso voc\u00ea prefira o filme &#8211; em &#8220;<a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/?s=Alta+Fidelidade\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alta Fidelidade<\/a>&#8220;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas voltemos brevemente \u00e0 hist\u00f3ria: Percy e Joe se conhecem na faculdade, ela colabora com algumas das composi\u00e7\u00f5es dele, o que d\u00e1 in\u00edcio a uma parceria de anos em paralelo a um relacionamento mal concretizado e repleto de m\u00e1goas bobas. Para contar esse enredo, Brickley passa aproximadamente 350 p\u00e1ginas enfileirando refer\u00eancias, como uma extensa nota de rodap\u00e9s de algum verbete na Wikipedia. De folk, de hip-hop, de britpop e, principalmente, do vasto e prol\u00edfico meio Indie, com todas as suas vertentes, do come\u00e7o dos anos 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como exerc\u00edcio nost\u00e1lgico, vale, mas j\u00e1 tivemos contato com algo muito mais fluido e menos verborr\u00e1gico quando Andr\u00e9 Takeda lan\u00e7ou seu &#8220;<a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2021\/06\/28\/clube-dos-coracoes-solitarios-20-anos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Clube dos Cora\u00e7\u00f5es Solit\u00e1rios<\/a>&#8220;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 bom ler algu\u00e9m falando sobre quando The Shins surgiu discretamente antes de fazer algum barulho, ou de como s\u00f3 se falava em <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/04\/05\/entrevista-daniel-kessler-interpol-scream20anos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&#8220;Turn On the Bright Lights&#8221; em 2002<\/a>, ou de como Strokes j\u00e1 soavam ultrapassados na metade da primeira d\u00e9cada. Mas quando isso \u00e9 feito de modo a fazer pensar em um Nick Hornby sob efeitos de anfetaminas tentando lembrar de todas as m\u00fasicas e bandas que ouviu entre 2000 e 2010, a divers\u00e3o d\u00e1 lugar \u00e0 pregui\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A boa not\u00edcia \u00e9 que a obra ganhar\u00e1 uma adapta\u00e7\u00e3o para o cinema, com Cailee Spaeny e Drew Starkey no elenco, e \u00e9 pouco prov\u00e1vel que gastem tanto tempo em tela apenas citando tudo o que Percy ouvia, assistia ao vivo e pensava a respeito. Sem os excessos, talvez as qualidades sejam refor\u00e7adas e a obra se torne menos cansativa que em seu formato original.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-95193 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ladob2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ladob2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ladob2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ladob2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/jorgewagnerm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jorge Wagner<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista,\u00a0<a href=\"https:\/\/jorgewagner.bandcamp.com\/releases\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">sambista<\/a>\u00a0e produtor do tributo \u201cAinda Somos os Mesmos\u201d, ao \u00e1lbum \u201cAlucina\u00e7\u00e3o\u201d, de Belchior,\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/03\/26\/download-ainda-somos-os-mesmos-belchior\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">lan\u00e7ado pelo Scream &amp; Yell<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Lado B&#8221; \u00e9 sem d\u00favida uma leitura divertida, principalmente para quem j\u00e1 estava por aqui quando Interpol lan\u00e7ava seu disco de estr\u00e9ia&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/04\/13\/critica-com-lado-b-holly-brickley-mostra-que-nao-e-sally-rooney-nem-nick-hornby-em-tentem-compara-los\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":20,"featured_media":95195,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,9],"tags":[8165,4490],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95190"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=95190"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95190\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":95198,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95190\/revisions\/95198"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95195"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=95190"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=95190"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=95190"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}