{"id":95149,"date":"2026-04-09T14:12:23","date_gmt":"2026-04-09T17:12:23","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=95149"},"modified":"2026-04-09T14:12:23","modified_gmt":"2026-04-09T17:12:23","slug":"entrevista-nunca-me-canso-de-tocar-two-princes-diz-aaron-comess-spin-doctors","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/04\/09\/entrevista-nunca-me-canso-de-tocar-two-princes-diz-aaron-comess-spin-doctors\/","title":{"rendered":"Entrevista: \u201cNunca me canso de tocar \u2018Two Princes\u2019\u201d, diz Aaron Comess (Spin Doctors)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os dias, bilh\u00f5es de pessoas repetem tarefas em seus trabalhos \u2013 preparar refei\u00e7\u00f5es, limpar o ch\u00e3o, preencher planilhas, fazer relat\u00f3rios que ningu\u00e9m vai ler. \u00c9 o tipo de coisa que frustra muita gente pelo mundo afora. Baterista do Spin Doctors, Aaron Comess tamb\u00e9m faz uma mesma tarefa constantemente: abre a contagem, faz uma virada de bateria e d\u00e1 a senha para que o vocalista Chris Barron cante os versos que levam multid\u00f5es para uma m\u00e1quina do tempo: \u201cIf you wanna call me baby, just go ahead now\u201d. Mas, ao contr\u00e1rio de trabalhadores frustrados, o oper\u00e1rio da can\u00e7\u00e3o Comess n\u00e3o se importa em tocar \u201cTwo Princes\u201d todas as noites em que sobe ao palco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNunca me canso de tocar essa m\u00fasica, nem \u2018Little Miss Can\u2019t Be Wrong\u2019\u201d, diz o baterista, em refer\u00eancia ao outro hit do grupo noventista. \u201cSabe, essas can\u00e7\u00f5es nos mantiveram vivos. Eu n\u00e3o voltaria ao Brasil trinta anos depois se n\u00e3o fosse por elas. Al\u00e9m de tudo, somos uma banda de improvisa\u00e7\u00e3o, o que ajuda a manter as coisas sempre frescas.\u201d Em abril, os brasileiros poder\u00e3o conferir se o hit dos anos 1990 ainda soa como novo ou virou um sapo: ap\u00f3s abrir os shows dos Rolling Stones em 1995, os americanos retornam depois de 31 anos para uma turn\u00ea por diversas capitais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juntos, Comess, Barron, o baixista Jack Daley e o guitarrista Eric Schenkman far\u00e3o quatro paradas por aqui: no Rio (<a href=\"https:\/\/www.ticketmaster.com.br\/event\/somos-rock-festival-rio-de-janeiro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">22\/4, Fundi\u00e7\u00e3o Progresso<\/a>) e em Belo Horizonte (<a href=\"https:\/\/www.beflyhall.com.br\/spin_doctors-smash_mouth\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">30\/4, Befly Hall<\/a>), eles tocar\u00e3o ao lado dos amigos do Smash Mouth. J\u00e1 em S\u00e3o Paulo (<a href=\"https:\/\/www.ticketmaster.com.br\/event\/somos-rock-festival\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">25\/4, Arena Anhembi<\/a>) e Curitiba (<a href=\"https:\/\/www.ticketmaster.com.br\/event\/somos-rock-festival-curitiba\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">26\/4, Expotrade Pinhais<\/a>), as duas bandas far\u00e3o parte da programa\u00e7\u00e3o do Somos Rock Festival, que ter\u00e1 ainda o Candlebox, o Echo and the Bunnymen e uma por\u00e7\u00e3o de grupos do rock nacional. A expectativa de Comess? Que os shows sejam melhores que o da primeira passagem do grupo pelo Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cUm dos shows que n\u00f3s tivemos a\u00ed [com os Stones] foi muito dif\u00edcil. Estava chovendo muito, muito mesmo. Lembro que as pessoas atiravam garrafas em n\u00f3s, lembro do Chris desviando do que estavam atirando na gente. Felizmente, eu estava mais seguro l\u00e1 no fundo, atr\u00e1s da bateria\u201d, comenta o baterista, que diz n\u00e3o ter nenhum ressentimento. \u201cQuando voc\u00ea abre para uma banda como os Stones, voc\u00ea precisa saber lidar com as coisas. Lembro de passar \u00f3timos dias no Brasil: as pessoas eram legais, a comida era \u00f3tima e a m\u00fasica era incr\u00edvel\u201d, complementa ele, que quer muito fazer jams com m\u00fasicos locais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m dos hits dos anos 1990, o Spin Doctors tamb\u00e9m traz na mala as can\u00e7\u00f5es do mais recente trabalho \u201cFace Full of Cake\u201d. Lan\u00e7ado em 2025, o disco encerrou 12 anos de hiato e trouxe uma nova forma\u00e7\u00e3o para o grupo, com a chegada do baixista Jack Daley substituindo o membro original Mark White \u2013 ativista de extrema-direita, White disse ter sido demitido da banda por se recusar a ser vacinado contra a covid-19. Comess contemporiza o tema, dizendo que segue em contato com o amigo, mas prefere ressaltar as qualidades do substituto. \u201cTemos muita sorte: Jack tocou com o Lenny Kravitz por mais de quinze anos e fez muita coisa bacana nas \u00faltimas d\u00e9cadas\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao Scream &amp; Yell, Comess conta mais sobre o trabalho recente, gestado durante a pandemia, ao mesmo tempo em que revela hist\u00f3rias dos anos 1990 sobre a conviv\u00eancia com Keith Richards e Ron Wood na \u201csala de afina\u00e7\u00e3o\u201d dos Stones. \u201cPreciso dizer que n\u00e3o vi ningu\u00e9m afinando nada por l\u00e1\u201d, brinca. Ele tamb\u00e9m elege seus bateristas favoritos da vida, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/02\/entrevista-a-gente-amaria-ir-a-america-do-sul-avisa-o-geese-em-papo-sobre-estrada-cena-de-nova-york-e-getting-killed\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">elogia o Geese<\/a> e d\u00e1 um conselho aos m\u00fasicos iniciantes. \u201cA cena de m\u00fasica ao vivo nunca esteve t\u00e3o forte. Voc\u00ea precisa sair de casa e fazer turn\u00eas\u201d, diz. Ou seja: \u201cjust go ahead now!\u201d<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Spin Doctors - Two Princes\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wsdy_rct6uo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para come\u00e7ar, Aaron, queria lembrar da primeira vez que o Spin Doctors veio ao Brasil. Foi em 1995, quando voc\u00eas abriram para os Rolling Stones no Rio e em S\u00e3o Paulo. O que voc\u00ea lembra daquela viagem?<\/strong><br \/>\nFoi incr\u00edvel, cara. Antes de tudo, abrir para os Stones, sabe? Foi uma experi\u00eancia incr\u00edvel. E lembro de passar \u00f3timos dias a\u00ed no Brasil. As pessoas eram muito legais e bonitas, a comida era \u00f3tima, a m\u00fasica era incr\u00edvel. Como baterista, fiquei impressionado como todo mundo a\u00ed tem ritmo. Parece que \u00e9 algo de sangue, \u00e9 impressionante. E ainda tive tempo de tocar com alguns m\u00fasicos locais, foi excelente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas estavam abrindo os shows dos Stones em toda a turn\u00ea da \u00e9poca, n\u00e3o apenas no Brasil. Como surgiu esse convite?<\/strong><br \/>\nBem, eles s\u00e3o conhecidos por escolher bandas populares para tocar com eles. Fizemos uma s\u00e9rie de shows na turn\u00ea Voodoo Lounge nos EUA e no Canad\u00e1, bem como a\u00ed na Am\u00e9rica do Sul. Um dia recebemos uma liga\u00e7\u00e3o do nosso agente e ele disse que o agente dos Stones perguntou se quer\u00edamos abrir alguns shows. Por que n\u00e3o, n\u00e9? (risos). Eles foram muito legais conosco. Eram caras muito acess\u00edveis, muito tranquilos. E para n\u00f3s foi uma onda e tanto. Caramba, cara, s\u00e3o os Rolling Stones, uma das minhas bandas favoritas da vida. Foi uma grande honra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Imagino que voc\u00ea tenha hist\u00f3rias boas pra contar pros netos.<\/strong><br \/>\nS\u00f3 de conhec\u00ea-los j\u00e1 foi incr\u00edvel. Sabe, eu pude conhecer o Charlie Watts, um cara de muita classe. Ele estava sempre de terno! Lembro que o encontrei no lobby do hotel em S\u00e3o Paulo e ele adorava sair para fazer compras, sempre comprando um terno novo. Outra coisa que me lembro bem \u00e9 que j\u00e1 t\u00ednhamos feito uns dois ou tr\u00eas shows com eles nos EUA, mas sempre acab\u00e1vamos de tocar e \u00edamos pro nosso camarim. A\u00ed o produtor do Keith Richards chegou para n\u00f3s e disse: \u201co Keith queria conhecer voc\u00eas\u201d. Ele nos levou at\u00e9 \u00e0 chamada \u201csala de afina\u00e7\u00e3o\u201d, onde ele e Ron Wood passavam um temp\u00e3o. Havia um bar e muitas, muitas guitarras. Era onde eles se concentravam antes dos shows, tinha uma vibe legal. Cheguei l\u00e1 e Keith perguntou se eu queria uma Guinness, uma vodka com laranja ou algo assim. Foi um sonho que virou realidade, sabe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 ouvi dizer que a sala de afina\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 usada para as guitarras\u2026<\/strong><br \/>\n\u00c9, preciso dizer que n\u00e3o vi ningu\u00e9m afinando nada por l\u00e1. (risos)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Spin Doctors - Jimmy Olsen&#039;s Blues (Pol&#039;and&#039;Rock Festival, August 2023)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ka3ZZSA8T80?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lendo os jornais da \u00e9poca sobre a vinda de voc\u00eas, encontrei uma reportagem sobre voc\u00eas terem feito uma jam com m\u00fasicos brasileiros. Como foi?<\/strong><br \/>\nFoi demais! Espero que tenhamos tempo de fazer isso de novo. N\u00e3o lembro exatamente como aconteceu, mas acho que algu\u00e9m me levou at\u00e9 uma casa de shows, pudemos tocar com alguns m\u00fasicos brasileiros. E lembro tamb\u00e9m de participar do show de uma banda em algumas m\u00fasicas. Sabe, eu sempre quero aprender mais sobre qualquer estilo de m\u00fasica que eu possa conhecer \u2013 e eu adoro m\u00fasica brasileira. Espero que me levem de novo para fazer algo assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(Nota da reda\u00e7\u00e3o: de acordo com reportagem de Marcel Plasse na Folha de S. Paulo, Comess e o guitarrista Anthony Crizan tocaram com membros dos grupos Heartbreakers, Mistura e Manda e Bar\u00e3o Vermelho no finado Blen Blen, em Pinheiros, numa jam que durou quase tr\u00eas horas. O repert\u00f3rio incluiu \u201ctemas de Raul de Barros, de Dorival Caymmi, Jo\u00e3o Donato e Maur\u00edcio Einhorn, al\u00e9m de improvisos de salsa, funk e jazz\u201d, segundo Plasse).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Espero que te levem tamb\u00e9m para tomar algumas caipirinhas.<\/strong><br \/>\nCaipirinha? O que \u00e9 isso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 uma bebida brasileira, feita com lim\u00e3o e cacha\u00e7a.<\/strong><br \/>\nAaaah, claro! Com certeza! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tamb\u00e9m nessa pesquisa de jornais da \u00e9poca, vi v\u00e1rias resenhas falando que o p\u00fablico dos Stones n\u00e3o recebeu os Spin Doctors muito bem. \u00c9 verdade?<\/strong><br \/>\nUm dos shows que n\u00f3s tivemos a\u00ed foi muito dif\u00edcil. Foi um dos maiores p\u00fablicos da hist\u00f3ria dentro de um est\u00e1dio, acho at\u00e9 que foi parar no Guinness Book. Era uma noite em que estava chovendo muito, muito mesmo. Lembro que as pessoas atiravam garrafas em n\u00f3s, lembro do Chris [Barron] desviando do que estavam atirando na gente. Felizmente, eu estava mais seguro l\u00e1 no fundo, atr\u00e1s da bateria. \u00c9 dif\u00edcil. Na maior parte dos dias, os shows como os Stones foram muito bem, as pessoas foram muito receptivas. Mas lembro que nesse show resolveram tacar tudo na gente, n\u00e3o sei porqu\u00ea. Ok, sei que sempre pode ter algu\u00e9m que n\u00e3o queria ver a gente\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Algum ressentimento?<\/strong><br \/>\nClaro que n\u00e3o, cara. Claro que n\u00e3o. Quando voc\u00ea abre para uma banda como os Stones, voc\u00ea precisa saber lidar com as coisas \u2013 especialmente no estrangeiro. Nos EUA, \u00e9 mais f\u00e1cil, acho que o cen\u00e1rio era um pouco mais familiar para n\u00f3s. A maioria dos shows no Brasil foram legais, mas esse\u2026 n\u00e3o foi nada bom. E acho que foi sobre esse show que voc\u00ea leu a cobertura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Imagino que tenha sido o primeiro show de voc\u00eas aqui \u2013 e tamb\u00e9m o dos Stones, ent\u00e3o as pessoas estavam ansiosas. Meus pais estavam na plateia, mas acho que eles n\u00e3o jogaram garrafas\u2026<\/strong><br \/>\nEspero que n\u00e3o. Faz parte!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00e3o mais de trinta anos entre essa primeira turn\u00ea e os shows que voc\u00eas v\u00e3o fazer agora em S\u00e3o Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Curitiba. Qual \u00e9 a expectativa? E como o tempo mudou o Spin Doctors?<\/strong><br \/>\nNossa expectativa \u00e9 que os shows sejam realmente bons. Sabe, faz trinta anos, ent\u00e3o estamos animados para voltar. Ainda mais porque teremos shows em festivais, ao lado de amigos como o Smash Mouth. \u00c9 interessante: n\u00f3s tocamos muito aqui nos EUA nos \u00faltimos anos. Notamos que h\u00e1 um novo interesse pela nossa banda, por muitas bandas dos anos 1990. H\u00e1 uma gera\u00e7\u00e3o toda de pessoas mais novas que conhecem nossa m\u00fasica e acabam indo nos ver. Espero que o mesmo aconte\u00e7a no Brasil, acho que teremos uma boa diversidade et\u00e1ria. E estou com os dedos cruzados para que os shows sejam bons! O que sei \u00e9 que estamos soando como nunca antes. Lan\u00e7amos um disco no ano passado (&#8220;Face Full Of Cake&#8221;), que \u00e9 bem bom, mas claro que n\u00e3o deixaremos de tocar as antigas. Espero que todos gostem!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Face Full Of Cake\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nN7CiwgWJqJuad1u0T6ZgZ8YyrZoNeM4U\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sei que voc\u00ea \u00e9 o respons\u00e1vel por criar os setlists do Spin Doctors. Como lidar com essa tarefa?<\/strong><br \/>\nAntes de tudo, \u00e9 preciso saber quanto tempo vamos tocar. Se \u00e9 nosso show solo ou se somos os headliners, tocamos entre 90 e 120 minutos. Se \u00e9 um festival com v\u00e1rias bandas, talvez tenhamos uma hora \u2013 o que deve ser o caso a\u00ed no Brasil. Nesse cen\u00e1rio, eu crio um setlist em que obviamente tocamos os hits. N\u00f3s vamos tocar as m\u00fasicas que as pessoas esperam que toquemos. Mas no meio disso, vamos temperar o repert\u00f3rio com algumas m\u00fasicas novas e outras can\u00e7\u00f5es de \u201cPocket Full of Kryptonite\u201d que n\u00e3o foram hits. Sempre tentamos fazer algo diferente toda noite, para agradar quem vai a mais de um show. Mas sempre vamos tocar \u201cJimmy Olsen\u2019s Blues\u201d, \u201cLittle Miss Can\u2019t Be Wrong\u201d e, claro, \u201cTwo Princes\u201d. Outra coisa que come\u00e7amos a fazer \u00e9 tocar alguns covers \u2013 e provavelmente vamos tocar \u201cPurple Rain\u201d, do Prince. \u00c9 uma can\u00e7\u00e3o incr\u00edvel, t\u00e3o ic\u00f4nica. N\u00f3s come\u00e7amos a toc\u00e1-la depois de participar de um canal no YouTube que d\u00e1 algumas horas para uma banda recriar um hit. Nosso desafio foi fazer essa m\u00fasica \u2013 e foi muito dif\u00edcil. Acho que nunca escolher\u00edamos \u201cPurple Rain\u201d de partida, mas n\u00e3o quer\u00edamos estragar a m\u00fasica. Acabou dando t\u00e3o certo que come\u00e7amos a toc\u00e1-la ao vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 tocar \u201cTwo Princes\u201d e \u201cLittle Miss Can\u2019t Be Wrong\u201d em praticamente todas as noites que voc\u00ea est\u00e1 no palco?<\/strong><br \/>\nEu adoro. Sabe, essas can\u00e7\u00f5es nos mantiveram vivos. Eu n\u00e3o voltaria ao Brasil trinta anos depois se n\u00e3o fosse por essas m\u00fasicas. S\u00e3o grandes m\u00fasicas e adoramos toc\u00e1-las, sempre \u00e9 divertido. Claro: n\u00f3s respeitamos a m\u00fasica, mas somos uma banda de improvisa\u00e7\u00e3o, o que ajuda a manter as coisas sempre frescas. Nunca me canso de tocar essas m\u00fasicas. S\u00f3 quero que elas soem melhores a cada noite. E \u00e9 muito bom ouvir as pessoas cantando!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos falar de \u201cFace Full of Cake\u201d, o disco mais recente do Spin Doctors. Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre ele e \u201cPocket Full of Kryptonite\u201d. O que motivou voc\u00eas a gravar um disco depois de 12 anos sem in\u00e9ditas?<\/strong><br \/>\n\u00c9 verdade: fazia um tempo que n\u00e3o lan\u00e7\u00e1vamos algo novo. N\u00f3s adoramos escrever m\u00fasicas \u2013 isso \u00e9 o que as bandas fazem! Come\u00e7amos a escrever na pandemia, porque n\u00e3o est\u00e1vamos em turn\u00ea. Est\u00e1vamos bem aborrecidos, para falar a verdade, e come\u00e7amos a testar ideias. Em algum tempo, conseguimos reunir um conjunto de m\u00fasicas bacanas. Nesse \u00ednterim, as coisas j\u00e1 tinham melhorado um pouco e n\u00f3s conseguimos voltar para a estrada. Era muito dif\u00edcil: havia testes, havia m\u00e1scaras, havia lugares em que n\u00e3o se podia ir. Quando finalmente conseguimos nos juntar, resolvemos come\u00e7ar a fazer algumas demos, sem press\u00e3o. Fomos para o est\u00fadio do Jack [Daley], nosso baixista que tem um est\u00fadio incr\u00edvel em Asbury Park, em Nova Jersey. E as coisas come\u00e7aram a dar certo. \u00c9 engra\u00e7ado: com os Spin Doctors, j\u00e1 aprendi que, se colocarmos muita press\u00e3o, tudo pode ir por \u00e1gua abaixo. Nossos melhores momentos acontecem de forma bem tranquila, org\u00e2nica. Em algumas semanas, percebemos que t\u00ednhamos mais que demos, t\u00ednhamos um disco. \u00c9 um disco que amamos. Nesse ponto da minha carreira e nessa fase da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica, n\u00e3o acho que d\u00ea para dizer que um disco seja bem-sucedido baseado nas vendas. \u00c9 diferente: ningu\u00e9m compra mais discos, \u00e9 s\u00f3 streaming ou algo assim. Mas sei que temos um bom disco porque temos tr\u00eas ou quatro m\u00fasicas que funcionam bem no nosso repert\u00f3rio. Duas delas praticamente n\u00e3o saem do nosso setlist: \u201cStill a Gorilla\u201d e \u201cRock\u2019n Roll Heaven\u201d. Sei que elas nos deram uma nova vida e que vamos toc\u00e1-las no Brasil.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Spin Doctors - Still A Gorilla (Lyric Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vULjnd8YUMw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma das novas m\u00fasicas se chama \u201cI Liked You Better When Your Butt Was Big\u201d (\u201ceu gostava mais de voc\u00ea quando sua bunda era grande\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o literal). Como\u2026 surgiu essa m\u00fasica?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma boa m\u00fasica! Foi uma das primeiras letras que Chris escreveu para esse disco novo. Ele \u00e9 um letrista s\u00e9rio, \u00e0s vezes meio sarc\u00e1stico, mas ele tamb\u00e9m n\u00e3o tem medo de escrever letras bobas como essa. N\u00f3s gostamos de m\u00fasicas sobre bundas grandes, temos uma outra chamada \u201cBig Fat Funky Booty\u201d. Somos totalmente a favor de bundas grandes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tal como Sir Mix-A-Lot, voc\u00eas gostam de bundas grandes e n\u00e3o mentem sobre isso.<\/strong><br \/>\nExatamente! (risos). \u00c9 uma m\u00fasica que dev\u00edamos tocar! Bem, Chris tinha essa letra e sab\u00edamos que precis\u00e1vamos us\u00e1-la. Eu, ele e Eric est\u00e1vamos fazendo uma jam, come\u00e7amos um groove e quando vimos, t\u00ednhamos a can\u00e7\u00e3o feita em cinco minutos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O novo disco tamb\u00e9m conta com um novo baixista, Jack Daley. Ele entrou depois da sa\u00edda de Mark White, que estava com voc\u00eas desde o come\u00e7o. Por que Mark saiu?<\/strong><br \/>\nAs coisas acontecem, cara. As pessoas entram e saem das bandas. O Eric saiu em 1994, o Mark chegou a sair da banda em 1999. Depois, os dois voltaram, agora o Mark saiu de novo. Mas estamos bem, n\u00e3o brigamos, nos mantemos em contato. E temos sorte: Jack Daley \u00e9 um baixista incr\u00edvel. Ele tocou com o Lenny Kravitz nos anos 1990 e 2000, fez muita coisa bacana nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Tocamos com ele v\u00e1rias vezes e ele foi uma escolha \u00f3bvia. Acho que, no fim das contas, tudo funcionou bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Achei interessante o que voc\u00ea falou sobre a sua percep\u00e7\u00e3o de sucesso. \u201cPocket Full of Kryptonite\u201d n\u00e3o foi um sucesso instant\u00e2neo. Foi um disco que demorou para ganhar tra\u00e7\u00e3o, seja com o r\u00e1dio ou com a MTV. Uma hist\u00f3ria dessas seria poss\u00edvel hoje? Como voc\u00ea v\u00ea a ind\u00fastria fonogr\u00e1fica hoje em dia?<\/strong><br \/>\nAcho que seria totalmente poss\u00edvel. Sabe, h\u00e1 uma multid\u00e3o de artistas que vieram do nada como n\u00f3s e chegam ao sucesso. Ao mesmo tempo, \u00e9 totalmente diferente agora. Os anos 1990 eram \u00f3timos para ter uma banda: por mais que fosse dif\u00edcil, havia r\u00e1dios, havia a MTV, o rock estava na moda. Ou seja, as r\u00e1dios queriam saber de n\u00f3s e a MTV garantia uma grande exposi\u00e7\u00e3o. N\u00f3s tivemos sorte de pegar aquela onda. Acho que as coisas est\u00e3o mais dif\u00edceis para as bandas de rock, mas h\u00e1 uma multid\u00e3o de gente interessada em m\u00fasica no mundo \u2013 e a cena de m\u00fasica ao vivo nunca foi t\u00e3o forte. Ou seja: como sempre, voc\u00ea precisa sair de casa e fazer turn\u00eas. \u00c9 o que n\u00f3s fizemos. N\u00f3s t\u00ednhamos de convencer a gravadora a fazer qualquer coisa por n\u00f3s, mas tocando por a\u00ed conseguimos conquistar uma base de f\u00e3s antes mesmo de estarmos no r\u00e1dio. \u00c9 claro que as redes sociais podem ajudar, elas s\u00e3o v\u00e1lidas, mas n\u00e3o h\u00e1 nada como se conectar com as pessoas ao vivo. \u00c9 f\u00e1cil ser pessimista, mas acho que vivemos uma boa era para a m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00ea est\u00e1 ouvindo agora?<\/strong><br \/>\nEu normalmente escuto m\u00fasica mais antiga, para ser sincero. Sou um grande f\u00e3 de jazz, amo Miles Davis, Coltrane e todas essas coisas. Tamb\u00e9m passo bastante tempo ouvindo Stones, Zeppelin, The Band. Acho que eu n\u00e3o conseguiria te dar uma lista de coisas novas para ouvir agora, mas estou sempre expandindo meus horizontes. Vi recentemente um v\u00eddeo do Geese, fiquei bem entusiasmado com eles. S\u00e3o caras super criativos, eles fazem m\u00fasica de verdade. E eles mostram algo bom da nossa era: antigamente, a menos que voc\u00ea fosse super cult, era preciso ter um hit [para tocar na TV]. Hoje, n\u00e3o: \u00e9 poss\u00edvel ver uma banda como o Geese tocando essa m\u00fasica cool, meio obscura, em um programa como o \u201cSaturday Night Live\u201d. Para mim, isso \u00e9 super encorajador!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Geese - Trinidad (Live on SNL)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CFo_c4UNoXM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nosso tempo est\u00e1 acabando, mas antes preciso fazer uma \u00faltima pergunta. Quais s\u00e3o os seus cinco bateristas favoritos de todos os tempos?<\/strong><br \/>\nHmmm, me deixe pensar. John Bonham, Tony Williams, Bernard Purdie, Elvin Jones e Steve Gadd. Tenho uma longa lista, mas definitivamente acho que esses s\u00e3o os principais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para fechar, alguma mensagem para os brasileiros?<\/strong><br \/>\nMal posso esperar para tocar a\u00ed de novo. Por favor, venham ao show. E vamos tocar! Quero muito fazer uma jam por a\u00ed.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-95153 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/somosrock.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"928\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/somosrock.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/somosrock-242x300.jpg 242w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013 Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@noacapelas)<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista. Apresenta o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/programadeindie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a>\u00a0e escreve a newsletter\u00a0<a href=\"https:\/\/meusdiscosmeusdrinks.substack.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Meus Discos, Meus Drinks e Nada Mais<\/a>. Colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Dona de um dos maiores hits dos anos 1990, banda volta ao Brasil para quatro shows; em entrevista, baterista analisa ind\u00fastria e relembra hist\u00f3rias de turn\u00ea com os Rolling Stones\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/04\/09\/entrevista-nunca-me-canso-de-tocar-two-princes-diz-aaron-comess-spin-doctors\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":95154,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[8162],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95149"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=95149"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95149\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":95155,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95149\/revisions\/95155"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95154"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=95149"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=95149"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=95149"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}