{"id":95134,"date":"2026-04-09T04:07:21","date_gmt":"2026-04-09T07:07:21","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=95134"},"modified":"2026-04-10T01:03:39","modified_gmt":"2026-04-10T04:03:39","slug":"pil-faz-grande-show-em-baile-da-saudade-pos-punk-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/04\/09\/pil-faz-grande-show-em-baile-da-saudade-pos-punk-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"PIL faz grande show em Baile da Saudade (P\u00f3s) Punk em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/screamyell\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><br \/>\nfotos de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/dougmosh.prod\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Douglas Mosh<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">No calend\u00e1rio, esse que segue um dia ap\u00f3s o outro nos aprisionando, \u201cNever Mind the Bollocks Here&#8217;s the Sex Pistols\u201d, o disco marco do punk rock, vai completar 50 anos em 2027. Por\u00e9m, no tempo da cultura pop, alguns mil\u00eanios (e dezenas de movimentos musicais e culturais) nos separam de 1977. John Lydon n\u00e3o apenas estava l\u00e1 como fez quest\u00e3o de implodir o punk olhando al\u00e9m dele, para o p\u00f3s. Com o PIL, Jo\u00e3ozinho passou uma vida inteira dan\u00e7ando e escarrando n\u00e3o apenas sobre o t\u00famulo do (punk) rock, mas sobre todo o ide\u00e1rio, buscando sempre o desconforto, o incomodo e o contr\u00e1rio. Virou personagem de si mesmo, mas\u2026 ele estava l\u00e1. E continua aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante de um Cine Joia lotado, John Lydon trouxe a en\u00e9sima forma\u00e7\u00e3o do PIL ao Brasil mais de 30 anos ap\u00f3s seu primeiro show no pa\u00eds (ele voltaria com o Sex Pistols na turn\u00ea do lucro sujo nos anos 90, mas <a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2017\/04\/06\/download-scream-yell-01-janeiro-1997\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">isso \u00e9 outra hist\u00f3ria<\/a>), e fez uma apresenta\u00e7\u00e3o poderosa para uma plateia cuja media de idade estava acima dos 50 anos num n\u00edtido Baile da Saudade (P\u00f3s) Punk, em que Lydon continua (fingindo que est\u00e1) escarrando sobre o rock. Se o teatrinho \u00e9 tipicamente adolescente (com direito a cabelo espetadinho, suspens\u00f3rio, cara de poucos amigos e palavr\u00f5es), a m\u00fasica \u00e9 impressionantemente adulta, um mix tribal e irresist\u00edvel de funk de branco de guitarra que vez ou outra envereda para a disco music pesada.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-95136 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/dougmosh-6746-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/dougmosh-6746-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/dougmosh-6746-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acompanhado por Lu Edmonds (que tocou no The Damned nos anos 1970), na guitarra, teclados e (em quase todo o show) bouzouki, Scott Firth no baixo e o rec\u00e9m chegado Mark Roberts na bateria, John Lydon d\u00e1 a partida de sua \u201cThis Is Not the Last Tour\u201d em S\u00e3o Paulo com \u201cHome\u201d, faixa cl\u00e1ssica de \u201cAlbum\u201d (1986) numa vers\u00e3o mais esparsa que a original, mas n\u00e3o menos empolgante. Duas can\u00e7\u00f5es de \u201cWhat the World Needs Now\u2026\u201d (2015) vem na sequ\u00eancia e surpreendem: &#8220;Know Now&#8221; soa como um choque el\u00e9trico e \u201cCorporate\u201d traz uma letra que o John Lydon das entrevistas e opini\u00f5es \u201cpol\u00eamicas\u201d provavelmente n\u00e3o aprovaria, e o fato dele mesmo t\u00ea-la escrito d\u00e1 um certo n\u00f3 na cabe\u00e7a do f\u00e3 \u2013 tanto quanto ele, um ferrenho apoiador do cada vez mais nazista Donald Trump, mandar uma nazista se foder e abaixar o bra\u00e7o esticado em meio a execu\u00e7\u00e3o de \u201cShoom\u201d no Cine Joia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-95137 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/dougmosh-6683-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/dougmosh-6683-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/dougmosh-6683-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro grande momento da noite \u00e9 outra provoca\u00e7\u00e3o: em 1984, Afrika Bambaataa (ainda surfando na onda de seu revolucion\u00e1rio hino \u201cPlanet Rock\u201d) decidiu diversificar seus lan\u00e7amentos e, para tanto, criou um novo projeto, o Time Zone, cujo primeiro single trazia um feat com James Brown. Para o single seguinte, que trazia uma letra de teor pol\u00edtico, o convidado foi John Lydon, que gostou tanto da experi\u00eancia que tomou \u201cWorld Destruction\u201d para o PIL, inserindo-a nas turn\u00eas oitentistas da banda, e resgatando-a para esta nova turn\u00ea em 2025\/2026: \u00e9 dificil ficar parado quanto o batid\u00e3o de Bambaataa ecoa no ambiente falando sobre\u2026 terceira guerra mundial. Em que anos estamos mesmo?<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-95138 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/dougmosh-6619-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/dougmosh-6619-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/dougmosh-6619-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inicia-se, ent\u00e3o, uma sequ\u00eancia de hits para f\u00e3s do PIL n\u00e3o colocarem defeito: \u201cThis Is Not a Love Song\u201d, \u201cPoptones\u201d, \u201cDeath Disco\u201d e \u201cFlowers of Romance\u201d surgem intensas e cantadas em coro pelos presentes, que ainda festejam \u201cWarrior\u201d e encorpam os vocais de \u201cShoom\u201d (&#8220;Fuck you, fuck off, fuck sex is bollocks. All sex is bollocks&#8221;). Para encerrar a primeira parte do set, a m\u00fasica mais deslocada do batid\u00e3o branquelo da noite: \u201cPublic Image\u201d, a can\u00e7\u00e3o, com seu riff de guitarra matador e baixo e bateria galopantes que influenciaram metade do rock nacional (Tit\u00e3s e Legi\u00e3o seriam outras bandas se o PIL n\u00e3o existisse &#8211; o pr\u00f3prio Dado Villa-Lobos confessa isso <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/09\/15\/entrevista-jose-emilio-rondeau-fala-sobre-sera-livro-em-que-rememora-as-gravacoes-do-disco-de-estreia-da-legiao-urbana\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no livro de Jos\u00e9 Emilio Rondeau<\/a>). Ali\u00e1s, de velhos punks (Ariel, da Restos de Nada) a \u201cnovos\u201d punks (Juninho Sangiorgio, baixista do Ratos de Por\u00e3o) passando por punks de boutique (Supla), a ala roqueira bateu ponto no Cine Joia contando ainda com Gabriel Thomaz, BNeg\u00e3o, Apollo Nove, Lucinha Turnbull e Thunderbird, entre outros (a ala jornal\u00edstica tamb\u00e9m: al\u00e9m de Andr\u00e9 Barcinski, um dos respons\u00e1veis por trazer o PIL ao Brasil em 2026, estavam no recinto Andr\u00e9 Forastieri, Lucio Ribeiro, Jos\u00e9 Norberto Flesch e S\u00e9rgio Martins)&#8230;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-95139 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/dougmosh-6484-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/dougmosh-6484-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/dougmosh-6484-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem queria rock, por\u00e9m, teve de aceitar uma vers\u00e3o estupenda de \u201cOpen Up\u201d, de Leftfield, outro batid\u00e3o que far\u00e1 muito idoso acordar com o lombo dolorido em plena quinta-feira. Tudo bem, pois quem queria cantar tamb\u00e9m ganhou seu momento: \u201cRise\u201d \u2013 a can\u00e7\u00e3o que diz que \u201craiva \u00e9 energia\u201d \u2013 foi o n\u00famero mais celebrado e filmado da noite, abrindo caminho para o trecho final do set, que trazia outro hino da primeira edi\u00e7\u00e3o do PIL, \u201cAnnalisa\u201d, para desespero da voz de Lydon (e dos f\u00e3s), nitidamente sofrendo para canta-la. Encaixotadas no mesmo arranjo, \u201cAttack\u201d e \u201cChant\u201d encerraram o show ap\u00f3s 95 minutos de apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-95135 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/dougmosh-6468-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/dougmosh-6468-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/dougmosh-6468-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com 50 anos de carreira nas costas (e 70 na certid\u00e3o de nascimento), John Lydon \u00e9 o (p\u00f3s-)punk que todos amam odiar. Ele n\u00e3o colabora, muito pelo contr\u00e1rio, riscando f\u00f3sforo sobre tanques de gasolina enquanto tenta mais confundir do que explicar. Ao vivo em S\u00e3o Paulo, por\u00e9m, Lydon permitiu vislumbrar, mais uma vez, que quem ainda o admira como Johnny Rotten n\u00e3o percebeu o quanto ele estava \u00e0 frente de seus pares com o PIL j\u00e1 no ano seguinte, em 1978. Quase cinco d\u00e9cadas depois, John Lydon \u00e9 um sobrevivente (do punk, dos punks e de si mesmo), e o PIL uma banda\u00e7a que soa t\u00e3o fresca ao vivo quanto era no s\u00e9culo passado, oferecendo um impec\u00e1vel Baile da Saudade (P\u00f3s)Punk para senhores e senhorinhas de meia-idade. This is your religion.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Public Image  ( PiL) - Rise - Cine Joia \/ S\u00e3o Paulo 2026\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uJL7Hp1SKpw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a>.<\/em><br \/>\n<em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/dougmosh.prod\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Douglas Mosh<\/a>\u00a0\u00e9 fot\u00f3grafo de shows e produtor. Conhe\u00e7a seu trabalho em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/dougmosh.prod\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">instagram.com\/dougmosh.prod<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Com 50 anos de carreira nas costas (e 70 na certid\u00e3o de nascimento), John Lydon \u00e9 o (p\u00f3s-)punk que todos amam odiar. 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