{"id":95124,"date":"2026-04-08T10:48:14","date_gmt":"2026-04-08T13:48:14","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=95124"},"modified":"2026-04-08T10:50:04","modified_gmt":"2026-04-08T13:50:04","slug":"steve-gunn-nao-quero-ficar-preso-a-maquina-do-indie-rock-quero-apenas-fazer-discos-e-seguir-em-frente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/04\/08\/steve-gunn-nao-quero-ficar-preso-a-maquina-do-indie-rock-quero-apenas-fazer-discos-e-seguir-em-frente\/","title":{"rendered":"Steve Gunn: &#8220;N\u00e3o quero ficar preso \u00e0 m\u00e1quina do indie rock. Quero apenas fazer discos e seguir em frente&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/hebertonbas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Heberton Barreira<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mostrando a vista do quarto em Donegal, um condado na costa oeste da Irlanda, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/stevegunnstevegunn\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Steve Gunn<\/a>, por um instante, emoldura com a serenidade no olhar, uma paisagem que parece se estender para dentro da m\u00fasica que ele faz: um imenso gramado que desce at\u00e9 um lago cercado por montanhas, onde o sil\u00eancio e a calma imperam todo o ambiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seus \u00faltimos discos \u2014 &#8220;<a href=\"https:\/\/stevegunn.bandcamp.com\/album\/music-for-writers\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Music for Writers<\/a>&#8221; e &#8220;<a href=\"https:\/\/stevegunn.bandcamp.com\/album\/daylight-daylight\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Daylight Daylight<\/a>&#8220;, ambos lan\u00e7ados em 2025 \u2014 s\u00e3o como dois irm\u00e3os criados por um pai que n\u00e3o imp\u00f5e, mas disp\u00f5e. Pacientemente, Steve Gunn coloca cada coisa em seu lugar com zelo, sem precisar for\u00e7ar nada. O primeiro, uma prepara\u00e7\u00e3o \u2014 em suas palavras, \u201cuma forma de limpar um espa\u00e7o criativo&#8221; para, da\u00ed, &#8220;invocar coisas com palavras&#8221; no segundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa postura \u00e9 tamb\u00e9m uma recusa a qualquer pompa. Nos est\u00fadios, Steve prefere a colabora\u00e7\u00e3o de parceiros como James Elkington, com quem a confian\u00e7a facilita a troca produtiva de sugest\u00f5es e arranjos. Satisfeito com o processo, mas sempre com um p\u00e9 atr\u00e1s em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e1quina do indie rock \u2014 os ensaios de fotografia, as campanhas nas redes sociais, a expectativa de um espet\u00e1culo que pouco tem a ver com a m\u00fasica. \u201cEu quero quase voltar a um modelo antigo, onde voc\u00ea faz discos e toca, e talvez 200 pessoas venham te ver, e voc\u00ea vende seus discos. \u00c9 sobre esse aspecto de conex\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa busca pela simplicidade, no entanto, n\u00e3o significa ren\u00fancia, mas sim conquista. Fruto de um longo trabalho, a t\u00e9cnica n\u00e3o precisa ser pensada, ela simplesmente acontece. Steve Gunn fala sobre essa disciplina e a liberdade como resultado &#8211; uma ideia que encontra eco no budismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos gatilhos para essa virada foi o viol\u00e3o cl\u00e1ssico. Durante a pandemia, Gunn se debru\u00e7ou sobre a obra de Segovia e de um violonista carioca que fez mais sucesso nos Estados Unidos do que aqui: Bola Sete. O \u00e1lbum &#8220;Ocean&#8221;, lan\u00e7ado por <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/01\/08\/disco-da-semana-i-am-the-resurrection-tribute-john-fahey\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">John Fahey<\/a> nos anos 70, abriu para Gunn um universo de profundidade e abertura que ele n\u00e3o conhecia at\u00e9 ent\u00e3o. Foi um encontro que, como ele mesmo diz, mudou sua maneira de tocar e de ouvir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O luto aparece em sua m\u00fasica, mas transformado em homenagem, n\u00e3o em lamento. O viol\u00e3o de &#8220;Morning on K Road&#8221; remete ao de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/11\/um-breve-olhar-sobre-a-discografia-de-leonard-cohen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonard Cohen<\/a> em suas ra\u00edzes de trovador. A can\u00e7\u00e3o foi escrita para um amigo que partiu, e ainda assim respira uma leveza que beira a esperan\u00e7a. \u00c9 uma marca recorrente no trabalho de Steve Gunn: a capacidade de estar no espa\u00e7o entre o perigo e a seguran\u00e7a, entre a escurid\u00e3o e a luz. Como ele mesmo diz, viver nesse intervalo \u00e9 essencial \u2014 e a m\u00fasica, para ele, \u00e9 o lugar onde isso acontece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos poucos, Gunn vai construindo uma trajet\u00f3ria que escapa a qualquer r\u00f3tulo estreito. Folk, drone, improvisa\u00e7\u00e3o, rock \u2014 tudo isso aparece, mas nada o define por completo. O que permanece \u00e9 uma liberdade total na condu\u00e7\u00e3o do trabalho, a sensa\u00e7\u00e3o de que cada disco \u00e9 menos uma declara\u00e7\u00e3o do que uma oferenda. Ele n\u00e3o quer ser um virtuose; quer quer habitar a m\u00fasica. E nessa imers\u00e3o reside a for\u00e7a de sua m\u00fasica. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que, ao falar de turn\u00eas, ele sonha com lugares pequenos, plateias atentas e uma conex\u00e3o verdadeira \u2014 talvez, um dia, quem sabe, em uma igreja de arquitetura g\u00f3tica, onde a luz da manh\u00e3, atravessando os vitrais possa encontrar suas can\u00e7\u00f5es. Leia a conversa e ou\u00e7a o \u00e1lbum abaixo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Nearly There\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hV0oB7-0-c0?list=PL6n7xOfvov7CMzt4-dh78MHl6EV-J2pXu\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea disse uma vez que, durante a pandemia, voc\u00ea pegou um viol\u00e3o cl\u00e1ssico e disse que isso mudou sua forma de tocar. Voc\u00ea mencionou Bola Sete como uma grande influ\u00eancia tamb\u00e9m. O que te atraiu nele? Foi o \u00e1lbum &#8220;Ocean&#8221;?<\/strong><br \/>\nSim, foi aquele \u00e1lbum &#8220;Ocean&#8221;. Eu acho que eu estava tocando muito viol\u00e3o de a\u00e7o, e, eu estava interessado em improvisa\u00e7\u00e3o e tinha ouvido muita guitarra el\u00e9trica e viol\u00e3o ac\u00fastico, mas n\u00e3o tinha ouvido muito viol\u00e3o de nylon. Eu tinha interesse, mas pensava mais em pessoas no universo mais cl\u00e1ssico, como Segovia ou alguns violonistas espanh\u00f3is que me interessavam, mas eu ainda n\u00e3o tinha entendido direito. E quando ouvi aquele \u00e1lbum do Bola Sete, acho que o que me conectou a ele foi o John Fahey, porque o John Fahey lan\u00e7ou aquele \u00e1lbum &#8220;Ocean&#8221;. E na \u00e9poca eu n\u00e3o sabia direito quem era Bola Sete, e a m\u00fasica \u2014 sim, ela realmente me tocou porque aquele disco tem uma profundidade muito grande. E depois descobrir que ele era uma estrela da bossa nova e um violonista muito talentoso \u2014 eu n\u00e3o sabia nada da hist\u00f3ria dele. Aquele \u00e1lbum me impactou porque \u00e9 muito aberto e bonito, e com uma profundidade que eu n\u00e3o tinha ouvido antes, especialmente com viol\u00e3o de nylon. \u00c9 t\u00e3o bonito que voc\u00ea nunca enjoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Djalma de Andrade \u00e9 o nome dele.<\/strong><br \/>\nS\u00e9rio? Eu n\u00e3o sabia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bola Sete - Ocean - Guitar Solos [FULL ALBUM LP] 1981\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/28dfH5zqWmI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea pratica de forma obsessiva, mas tamb\u00e9m improvisa livremente. Como essa disciplina e essa liberdade se combinam para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nEssa \u00e9 uma boa pergunta. Acho que elas s\u00e3o meio que, de certa forma, a mesma coisa. De certa maneira, se voc\u00ea consegue mergulhar na disciplina e ter algum tipo de pr\u00e1tica dentro da disciplina que se traduz em liberdade. Ent\u00e3o, o que quero dizer \u00e9: reservar um tempo para praticar ou para explorar sua forma de tocar ou suas ideias, e se voc\u00ea tem essa disciplina, se voc\u00ea tem esse impulso, ent\u00e3o acho que o objetivo \u00e9 que, no fim das contas, isso leve a algum tipo de liberdade de express\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um cantor e poeta brasileiro chamado Renato Russo cantava isso: &#8220;disciplina \u00e9 liberdade&#8221;.<\/strong><br \/>\nSim, eu acho que \u00e9. Acho que tem muito disso, por exemplo, no budismo, \u00e9 um princ\u00edpio tamb\u00e9m. Voc\u00ea precisa ter essa disciplina em si mesmo, e se voc\u00ea pratica, digamos, o deixar-se levar, isso tamb\u00e9m \u00e9 uma pr\u00e1tica. Ent\u00e3o voc\u00ea tem que ser disciplinado nisso, e ent\u00e3o a liberdade \u00e9 o resultado. Eu tamb\u00e9m sempre fui um grande f\u00e3 do Sun Ra, e grande parte da filosofia dele era disciplina. E se voc\u00ea olhar para tr\u00e1s e ouvir algumas entrevistas com ele e com os m\u00fasicos da banda dele, a disciplina era um grande fator naquela comunidade. E eu acho que n\u00e3o tem como aquele universo que ele criou ter funcionado sem disciplina. E ele tinha uma amplitude de express\u00e3o muito grande, e era uma pessoa muito amorosa, pac\u00edfica, mas tamb\u00e9m era r\u00edgido nessa disciplina. E acho que ele via grandeza, via potencial naqueles m\u00fasicos ao redor dele, que eram mais jovens, e ele era meio que esse l\u00edder. E acho que ele realmente criou uma m\u00fasica linda a partir desses princ\u00edpios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea disse <a href=\"https:\/\/www.thefader.com\/2013\/06\/18\/interview-steve-gunn\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em outra entrevista<\/a> que aprendeu com umas fitas VHS de Stefan Grossman. E que o John Fahey tinha duas delas, e que o John Renbourn, do Pentangle, tinha uma. Voc\u00ea ainda se sente aquele aprendiz, ou algo mudou?<\/strong><br \/>\nSim, com certeza \u2014 estou sempre aberto. Quer dizer, n\u00e3o sou t\u00e3o estudante quanto costumava ser. Sabe, eu costumava tocar obsessivamente e praticar quase num n\u00edvel disfuncional. Eu fiquei t\u00e3o obcecado, e fico feliz por ter dedicado aquele tempo. Mas agora, sim, acho que vejo o tocar de forma diferente. Sabe, eu gosto de fazer pausas, gosto de fazer outras atividades que s\u00e3o saud\u00e1veis, e acho que tenho uma ideia diferente do que o viol\u00e3o significa para mim. Acho que antes eu estava &#8220;adquirindo minhas habilidades&#8221;, por assim dizer, e agora estou mais vivendo isso e me expressando dentro de tudo o que aprendi. N\u00e3o quero me tornar esse g\u00eanio da guitarra mega mental, esse virtuose. Sinto que tenho o b\u00e1sico do que preciso, e estou sempre explorando coisas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Fingerpicking  Guitar Exercises &amp; Hot Licks for the Blues &amp; Ragtime Guitarist - Stefan Grossman\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ElAyhZsWsdk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nos seus estudos, voc\u00ea chegou a usar aquele livro &#8220;The Natural Classical Guitar: The Principles of Effortless Playing&#8221;, do Lee Ryan? Toda essa coisa de disciplina, voc\u00ea falou em budismo, nesse livro tem umas ideias de aplica\u00e7\u00e3o do m\u00ednimo esfor\u00e7o, encontrar formas mais eficientes e interessantes de tocar o viol\u00e3o cl\u00e1ssico, filosofia Zen\u2026 Parece que esse autor, Lee Ryan, teve aula com o Segovia. Enfim, &#8220;<a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/Natural-Classical-Guitar-Principles-Effortless\/dp\/0136100635\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Natural Classical Guitar<\/a>&#8220;, voc\u00ea j\u00e1 leu?<\/strong><br \/>\n[Risos] N\u00e3o, eu deveria pegar esse livro. Vou anotar aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Algum violonista brasileiro que voc\u00ea conhece? Douglas Lora, por exemplo?<\/strong><br \/>\nDouglas Lora? Acho que n\u00e3o. Violonista brasileiro? N\u00e3o o conhe\u00e7o, vou procurar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, tem forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, faz parte do Trio Brasileiro, um grupo de choro. J\u00e1 tocou com o Los Angeles Guitar Quartet. Se n\u00e3o me engano, est\u00e1 tocando com o quarteto ainda.<\/strong><br \/>\nOnde voc\u00ea est\u00e1 no Brasil?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bras\u00edlia. E voc\u00ea, na Irlanda, certo? Dublin?<\/strong><br \/>\nNa verdade, Donegal, um condado na costa oeste. Um lugar muito bonito. Vou te mostrar. <em>(Mostra a vista pela janela do quarto: um horizonte emoldurado por um extenso gramado que se alonga at\u00e9 um lago cercado de montanhas.)<\/em> Legal, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que vista!<\/strong><br \/>\nEstou num pr\u00e9dio escolar. Estou produzindo um \u00e1lbum aqui na Irlanda para um m\u00fasico que est\u00e1 l\u00e1 embaixo gravando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fale mais sobre isso.<\/strong><br \/>\nEstou trabalhando com um compositor. Produzi o \u00faltimo album dele. O nome dele \u00e9 <a href=\"https:\/\/www.oisinleech.com\/about\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ois\u00edn Leech<\/a>. Produzi o disco \u201cCold Sea\u201d que saiu alguns anos atr\u00e1s. Ele \u00e9 um poeta e compositor irland\u00eas e estou produzindo seu novo album tamb\u00e9m. Estou aqui com ele e outro amigo nosso tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea fazendo alguns shows por a\u00ed tamb\u00e9m, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nSim, eu tenho um m\u00eas de tour que come\u00e7a em breve. Acho que em uma semana deve come\u00e7ar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea lan\u00e7ou &#8220;Music for Writers&#8221; logo antes de &#8220;Daylight Daylight&#8221;. Fazer um disco instrumental foi uma forma de esvaziar a mente antes de voltar para as can\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nSim, acho que sim. Acho que eu queria fazer isso h\u00e1 muito tempo, um disco instrumental. E fui fazer uma resid\u00eancia na Latvia, que era um est\u00fadio e espa\u00e7o de conviv\u00eancia, e queria fazer m\u00fasica sem letra. Eu estava passando por uma transi\u00e7\u00e3o criativa e pessoal, e foi uma experi\u00eancia muito legal simplesmente n\u00e3o estar confinado \u00e0 composi\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es, e meio que voltar a tocar como vinha fazendo ao longo dos anos em colabora\u00e7\u00f5es. E senti que tinha improvisado muito em colabora\u00e7\u00f5es, e queria fazer isso sozinho e fazer um disco pessoal. Ent\u00e3o, sim, foi uma forma de limpar um espa\u00e7o criativo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sky (debesis)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/iu10v6mvoRk?list=PL6n7xOfvov7Aw5Z7oplQFGTXZBJjMtsZ7\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea disse que esse \u00e1lbum foi feito para <a href=\"https:\/\/www.splicetoday.com\/music\/steve-gunn-makes-music-for-writers-primarily-himself\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ajudar as pessoas a se concentrarem<\/a>. &#8220;Daylight Daylight&#8221; tem um prop\u00f3sito parecido para voc\u00ea, ou exige algo diferente?<\/strong><br \/>\nAcho que \u2014 eu n\u00e3o diria &#8220;exigir&#8221;, porque n\u00e3o gosto de exigir nada na minha vida, na verdade [risos]. Simplesmente n\u00e3o \u00e9 da minha natureza \u2014 talvez por padr\u00e3o. Mas acho que \u00e9 diferente \u2014 acho que, sabe, h\u00e1 uma narrativa meio abstrata acontecendo em &#8220;Daylight Daylight&#8221;. E acho que aqueles dois discos coincidem um com o outro. Acho que era assim que eu queria fazer. Eu queria fazer o disco &#8220;Music for Writers&#8221; e imediatamente ir para o pr\u00f3ximo \u2014 porque eu estava meio que escrevendo os dois ao mesmo tempo. Quando eu estava fazendo &#8220;Music for Writers&#8221;, eu estava escrevendo &#8220;Daylight Daylight&#8221;. Ent\u00e3o eles sa\u00edram tipo bum, bum. Quando terminei &#8220;Music for Writers&#8221;, eu estava: &#8220;partiu pr\u00f3ximo&#8221;. E para mim, eles meio que ocupam o mesmo esp\u00edrito. E n\u00e3o sei se eu estava exigindo algo com &#8220;Daylight Daylight&#8221;, mas com certeza eu queria cantar de novo. Eu queria meio que invocar coisas com palavras e, sabe, fazer um disco de verdade, porque j\u00e1 fazia um tempo. E sim, aconteceu naturalmente, e eu queria mant\u00ea-los separados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"https:\/\/www.rollingstone.com\/music\/music-features\/steve-gunn-new-album-interview-1235458209\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Voc\u00ea disse na Rolling Stone<\/a> que a faixa-t\u00edtulo surgiu facilmente, quase sem esfor\u00e7o, e comparou com o Neil Young gravando &#8220;Will to Love&#8221; em um take s\u00f3. Voc\u00ea pode falar um pouco mais sobre esse processo \u2014 quando uma can\u00e7\u00e3o chega assim? Voc\u00ea a v\u00ea como um presente?<\/strong><br \/>\nSim, acho que h\u00e1 algo a se dizer sobre. Passei muitos anos tentando fazer as can\u00e7\u00f5es perfeitas e acertar tudo. E percebi que grande parte do que importa ao fazer um disco \u00e9 capturar o esp\u00edrito e a ess\u00eancia daquela pessoa e da sua express\u00e3o. E isso n\u00e3o precisa ser exato ou perfeito. E acho que parte do melhor material, pelo menos no meu caso, algumas das coisas mais legais que inventei foram fluxo de consci\u00eancia, como entrar em uma mentalidade \u2014 como estamos falando de budismo de novo \u2014 quase entrar nesse estado meditativo e simplesmente deixar as coisas se desenrolarem assim. E acho que \u00e9 assim que abordo as can\u00e7\u00f5es. E quando citei isso, fico fascinado por essa m\u00fasica &#8220;Will to Love&#8221; do Neil Young, porque aparentemente ele estava sentado numa fogueira sozinho e tinha um gravador e inventou a m\u00fasica na hora. Acho que ele tinha uma premissa, mas \u00e9 bem improvisado. E eu fiz um podcast e o cara que fez o podcast me mandou a vers\u00e3o completa daquela grava\u00e7\u00e3o, porque ele remasterizou. Mas isso me fez pensar sobre a ideia de ser um improvisador e tamb\u00e9m um compositor, mas tamb\u00e9m combinar essas duas ideias. Acredito nesse processo. E quando falo sobre a faixa-t\u00edtulo desse disco, era eu simplesmente pensando nessas imagens da minha experi\u00eancia pessoal. E era quase uma lista dessas imagens que eu tinha na cabe\u00e7a, e foi f\u00e1cil simplesmente deix\u00e1-las fluir. E toda a prepara\u00e7\u00e3o era ficar confort\u00e1vel o suficiente para simplesmente deixar aquilo sair.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea estudou cinema e agora est\u00e1 fazendo trilhas para filmes mudos. Quando voc\u00ea trabalhou nos arranjos de cordas com o produtor e multi-instrumentalista James Elkington, voc\u00ea estava pensando como um compositor de cinema?<\/strong><br \/>\nAcho que sim. Acho que o Jim \u2014 James e eu somos amigos muito pr\u00f3ximos, e ele \u00e9 um m\u00fasico incr\u00edvel \u2014 \u00e9 muito ligado a trilhas sonoras de cinema, ele \u00e9 muito f\u00e3 de compositores de cinema, m\u00fasica de cinema, m\u00fasica de biblioteca \u2014 que \u00e9, sabe, m\u00fasica dos anos 60 feita para programas de TV. Muita coisa disso acontecia na Inglaterra, e tem muita m\u00fasica instrumental interessante por a\u00ed. E o James \u00e9 muito versado nisso tudo. Ele conhece muito sobre <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/09\/29\/tres-filmes-blonde-ennio-o-maestro-athena\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ennio Morricone<\/a> e todos esses compositores italianos de cinema. E eu sempre tive um interesse meio superficial, mas ele me fez me interessar cada vez mais, no que diz respeito \u00e0 estrutura e \u00e0 composi\u00e7\u00e3o. E quando est\u00e1vamos trabalhando nas cordas, ele criou tudo aquilo. Eu at\u00e9 dava algumas sugest\u00f5es, mas foi uma colabora\u00e7\u00e3o pura, onde eu escrevia uma m\u00fasica e mandava para ele, e a\u00ed ele me respondia em alguns dias, e me enviava esses arranjos, e eu ficava tipo &#8220;uau, ok, isso soa \u00f3timo&#8221;. Foi simples assim. N\u00e3o sei escrever partituras. N\u00e3o sou desse ramo, sentar ao piano, n\u00e3o \u00e9 quem eu sou. Mas acho que o Jim tem o conhecimento de arranjos. Eu sou um amador. Com certeza, eu vou pelo ouvido, o que funciona para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como esse tipo de colabora\u00e7\u00e3o se compara ao seu trabalho solo?<\/strong><br \/>\nTrabalhando com o James, eu confio nele e ele me conhece muito bem. E eu estava animado para t\u00ea-lo envolvido por causa da troca que temos, e \u00e9 como um vai e volta. E, sabe, \u00e9 quase como um \u2014 n\u00e3o vou tocar em budismo de novo, mas o conceito do terceiro caminho, onde voc\u00ea tem dois elementos que est\u00e3o trocando, ou voc\u00ea tem duas ideias, e quando voc\u00ea combina essas ideias da maneira certa, cria uma terceira entidade. E n\u00e3o quero ser muito filos\u00f3fico ou prolixo com minha m\u00fasica, mas acho que aquela colabora\u00e7\u00e3o me animava porque criava coisas que eu n\u00e3o conseguiria pensar. E acho que quando fa\u00e7o coisas sozinho, \u00e9 muito mais obviamente solit\u00e1rio, e \u00e9 muito mais pessoal, e \u00e9 como um mergulho profundo em mim mesmo e na emo\u00e7\u00e3o. Gosto disso, mas tamb\u00e9m gosto de meio que me expressar para fora e ver como as coisas acabam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea comentou uma vez sobre m\u00fasica drone ser para &#8220;ouvintes profundos&#8221;. Voc\u00ea imagina um ambiente espec\u00edfico onde seu novo disco deveria ser ouvido? Eu senti as cordas em &#8220;Daylight Daylight&#8221;, como uma c\u00e2mera passeando por uma paisagem. Parece que voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 mais apenas fazendo can\u00e7\u00f5es \u2014 voc\u00ea est\u00e1 construindo ambientes. Essa \u00e9 uma forma justa de descrever o que mudou para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nSim, acho que isso \u00e9 um elogio muito bonito. Acho que sim, eu estou tentando criar um ambiente. E acho que quando falamos de &#8220;Music for Writers&#8221; e &#8220;Daylight Daylight&#8221;, e que eles sa\u00edram meio que ao mesmo tempo, ambos est\u00e3o criando esses espa\u00e7os. Gosto de viver dentro desses espa\u00e7os. N\u00e3o me considero necessariamente um compositor de can\u00e7\u00f5es no sentido cl\u00e1ssico. Tenho mais interesse em poesia e em criar ambientes com m\u00fasica. Ent\u00e3o, sabe, acho que quando come\u00e7o a cantar, estou vivendo nesses espa\u00e7os que criei. N\u00e3o estou apenas folheando um cancioneiro e sentado perto de uma fogueira. E sinto que as palavras nas minhas m\u00fasicas mais recentes t\u00eam se tornado cada vez mais abstratas, e a m\u00fasica est\u00e1 meio que nesse espa\u00e7o flutuante. E \u00e9 simplesmente onde estou na minha vida e como quero me expressar. E, sabe, eu fiz a coisa do rock por um tempo \u2014 estava em turn\u00ea com uma banda grande (nota: Steve foi integrante da banda de apoio de Kurt Vile, The Violators), e h\u00e1 muita expectativa, muita postagem no Instagram, ensaios fotogr\u00e1ficos, todas aquelas coisas que \u2014 grande parte disso era meio desgastante em termos de nutri\u00e7\u00e3o espiritual. Eu me sentia um pouco com s\u00edndrome do impostor em alguns desses lugares onde estava. Mas para fazer m\u00fasica honesta e seguir em frente, estou entrando em um som diferente e tentando mudar. Acho que a mudan\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 importante.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Steve Gunn: &quot;Morning On K Road&quot; (In-Studio)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ATNtCoJdhkc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Morning on K Road&#8221; foi inspirada por um amigo seu que faleceu. A m\u00fasica neste disco soa leve, at\u00e9 esperan\u00e7osa. Como escrev\u00ea-la ajudou voc\u00ea a processar essa perda? E como voc\u00ea equilibrou esse peso com a leveza na m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nAcho que gosto de viver nesse espa\u00e7o, o espa\u00e7o entre o perigo e a seguran\u00e7a. E, gosto de brincar com os dois elementos, a escurid\u00e3o e a luz, e meio que estar no meio disso. Porque, de novo \u2014 n\u00e3o vou mencionar budismo de novo \u2014 mas, sabe, o equil\u00edbrio entre sofrimento e alegria \u00e9 essencial para a felicidade, e reconhecer os dois e viver nesse espa\u00e7o intermedi\u00e1rio \u00e9 fundamental. E acho que, musicalmente falando, gosto de ter um pouco de calor, sabe, e definitivamente alguma esperan\u00e7a. Acho que uma ideia geral \u00e9 a esperan\u00e7a, mas tamb\u00e9m ser vulner\u00e1vel e viver um pouco no perigo tamb\u00e9m. E transformar isso e colocar isso na m\u00fasica \u2014 \u00e9 importante. Acho que escrevi aquela m\u00fasica sobre um amigo que morreu, mas \u00e9 algo sobre o esp\u00edrito dele. N\u00e3o \u00e9 apenas uma can\u00e7\u00e3o triste de lamento sobre algu\u00e9m que deixou a Terra. \u00c9 mais uma homenagem ao esp\u00edrito dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00f3 uma curiosidade: no \u00e1lbum &#8220;The Unseen In Between&#8221;, tem uma m\u00fasica chamada &#8220;Luciano&#8221;. \u00c9 sobre o relacionamento entre um dono de mercearia e seu gato?<\/strong><br \/>\n[Risos] Sim. \u00c9 meio que vagamente inspirado nisso. Era sobre um gato \u2014 \u00e9 da perspectiva de um gato. E o Luciano \u00e9 o dono da loja. E, sabe, eu morei no Brooklyn por muito tempo, e tinha um cara incr\u00edvel que administrava essa loja antiga, e ele e esse gato eram t\u00e3o queridos. Eles tinham esse relacionamento amoroso. E eu fiquei muito comovido com isso. E acho que aquela m\u00fasica era sobre esses relacionamentos amorosos \u2014 n\u00e3o necessariamente sobre um gato em si, mas eu usei aquele modelo para expressar isso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Steve Gunn - Luciano (Live on KEXP)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DwzXzkxQw_0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea se ficou bem pr\u00f3ximo de dois violonistas: a lenda do folk brit\u00e2nico Michael Chapman e o guitarrista americano Jack Rose. O que voc\u00ea aprendeu com eles?<\/strong><br \/>\nBem, o Jack morreu h\u00e1 muito tempo \u2014 quase 15 anos atr\u00e1s, algo assim. Mas ele era muito jovem. E ele foi muito inspirador para mim porque ele praticava muito e ficou muito bom. E n\u00f3s mor\u00e1vamos na mesma cidade, na Filad\u00e9lfia. E lembro que trabalh\u00e1vamos no mesmo mercado \u2014 ele trabalhava na cafeteria e eu na sorveteria. Eu tinha acabado de sair do col\u00e9gio. E lembro que ele foi demitido porque n\u00e3o deu um caf\u00e9 gr\u00e1tis para um policial. Ele simplesmente recusou. E o patr\u00e3o o demitiu. E isso diz muito sobre o Jack \u2014 ele era muito teimoso, e exigia respeito e aten\u00e7\u00e3o, sabe. E lembro que quando ele perdeu o emprego, ficou no seguro-desemprego e n\u00e3o o vi por alguns meses, mas ele simplesmente praticava o dia todo, todos os dias. E ele fez um show solo, e fiquei completamente impressionado. Ele fez essa transi\u00e7\u00e3o para esse m\u00fasico. E isso me inspirou muito. Aprendi muito com ele, e fiquei &#8220;talvez eu tente trabalhar t\u00e3o duro quanto ele&#8221;. E aprendi muito com ele sobre como fazer um show, como se comunicar, como se fazer pagar, como exigir sil\u00eancio do p\u00fablico, como dominar um espa\u00e7o e pedir respeito como artista. E ele incutiu isso em mim quando eu era bem jovem. E foi uma perda dif\u00edcil para mim e para muitos amigos meus. E acho que depois que ele faleceu, isso me impulsionou ainda mais a continuar com aquela \u00e9tica de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E eu conheci o Michael Chapman atrav\u00e9s da morte do Jack, porque o Jack e o Michael eram pr\u00f3ximos. E quando o Jack faleceu, o Michael veio ao seu memorial na Filad\u00e9lfia e tamb\u00e9m em Nova York, e meio que nos tornamos amigos rapidamente, e acabamos fazendo muitos shows juntos. E eu produzi os dois \u00faltimos \u00e1lbuns dele e me tornei muito pr\u00f3ximo dele. E ele era parecido: um m\u00fasico muito trabalhador, muito talentoso, muito profundo, muito inteligente, muito generoso. E ele j\u00e1 estava em turn\u00ea h\u00e1 50 anos, e ele tinha muita sabedoria e conhecimento. E passou por muitas fases na vida, e era muito forte e dur\u00e3o, e um cara muito ador\u00e1vel. E fiquei muito feliz por ter passado um bom tempo com ele. E, sim, s\u00f3 de conversar sobre m\u00fasica, ver como ele tocava, trocar ideias foi realmente incr\u00edvel.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Michael Chapman - Just Another Story (live @TivoliVredenburg Utrecht)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rsqb1q0Cuos?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m desses mentores, Pentangle, Fairport Convention, Richard Thompson, Bert Jansch, Jimmy Page, Nick Drake \u2014 toda aquela cena da Gr\u00e3-Bretanha do final dos anos 60 \u2014 como aquele universo moldou voc\u00ea como violonista e compositor?<\/strong><br \/>\nCresci fazendo aulas e tocando punk rock, e adoro Jimi Hendrix, e curtia rock e tal. E a\u00ed comecei a tocar mais viol\u00e3o ac\u00fastico, e ent\u00e3o descobri o Fahey e o blues. E atrav\u00e9s do Fahey, coisas de blues antigo, e ent\u00e3o atrav\u00e9s desse canal eu descobri violonistas como o Bert Jansch \u2014 ele era um dos meus favoritos. E acho que toda aquela influ\u00eancia era o que estava acontecendo com aqueles m\u00fasicos, como Bert, John Renbourn, Davy Graham, essas pessoas, e o Michael Chapman tamb\u00e9m. Eles estavam expandindo o viol\u00e3o ac\u00fastico. Eles estavam imersos na tradi\u00e7\u00e3o folk \u2014 tem folk ingl\u00eas, folk irland\u00eas que se estende por s\u00e9culos \u2014 mas tamb\u00e9m havia o jazz que lhes interessava, e tamb\u00e9m m\u00fasica de outras partes do mundo. Tem influ\u00eancias do Oriente M\u00e9dio em algumas coisas tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, para mim, na \u00e9poca eu estava ouvindo toda aquela m\u00fasica, e ela simplesmente me tocou profundamente..<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sua m\u00fasica tem sido frequentemente mencionada ao lado de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/04\/12\/entrevista-stephen-malkmus-2002-scream20anos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Stephen Malkmus<\/a>. Eu percebo isso especialmente em &#8220;Traditional Techniques&#8221; \u2014 o trabalho que ele fez com Matt Sweeney tem uma textura semelhante. Voc\u00ea se sente pr\u00f3ximo a ele, musicalmente?<\/strong><br \/>\nSinto. Quer dizer, isso \u00e9 muito interessante. Acho que ele \u00e9 um grande guitarrista. E eu me pergunto por que \u2014 acho que, de forma semelhante, ele provavelmente tem gostos parecidos. E sim, lembro que ele mencionou em alguma entrevista que gostava do meu jeito de tocar. E ele disse que tamb\u00e9m gostava de Bert Jansch, e eu fiquei muito impressionado porque eu era muito f\u00e3 do Pavement, e tamb\u00e9m do trabalho solo dele. E sim, nunca pensei nisso, mas talvez nossa abordagem tenha algum tipo de trajet\u00f3ria parecida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, eu te vi em 2022 quando voc\u00ea abriu para o Pavement no Kings Theatre, no Brooklyn. Na verdade, cheguei atrasado e s\u00f3 peguei o final do seu show. Enfim, voc\u00ea j\u00e1 conhecia os caras, n\u00e9? Da Matador? J\u00e1 tinha encontrado com eles antes?<\/strong><br \/>\nSim, quer dizer, eu conhecia alguns deles. Na verdade, a primeira vez que conheci o Malkmus foi naquela noite. Ele me convidou para fazer aquele show, ent\u00e3o ele conhecia minha m\u00fasica, e temos amigos em comum. Ent\u00e3o foi \u00f3timo conhec\u00ea-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sua carreira transita por coisas como folk, drone, improvisa\u00e7\u00e3o e rock. O que te leva a explorar tantos territ\u00f3rios diferentes? \u00c9 uma necessidade de continuar se movendo ou \u00e9 simplesmente o jeito que sua mente criativa funciona?<\/strong><br \/>\nAcredito que est\u00e1 sempre em movimento. Sempre sinto que quero explorar. Tenho uma natureza explorat\u00f3ria, e sempre fui assim desde jovem. E com a m\u00fasica, eu transito por diferentes fases e diferentes estilos, e gosto de ser muito aberto. E sinto que gosto de absorver muitas influ\u00eancias diferentes e tentar ser um indiv\u00edduo tamb\u00e9m \u2014 ter meu pr\u00f3prio som. Mas tamb\u00e9m beber de todas essas coisas diferentes. E eu n\u00e3o gostaria de ser apenas homog\u00eaneo, apenas parecido, ter algo que est\u00e1 dentro de alguma estrutura. Gosto de pensar al\u00e9m disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea <a href=\"https:\/\/toneglow.substack.com\/p\/tone-glow-076-steve-gunn\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">disse uma vez que Americana<\/a> \u00e9 sua categoria menos favorita. [risos imediatos] Qual \u00e9 a diferen\u00e7a para voc\u00ea entre se inspirar na tradi\u00e7\u00e3o e ficar preso a ela? E mudar para uma gravadora como a No Quarter, ao lado de artistas como Will Oldham, parece encontrar uma comunidade de viajantes que entendem essa distin\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAcho que sim. Acho que minha ideia de trabalhar com a No Quarter foi quando vi que o Will estava trabalhando com eles, e alguns outros artistas. N\u00e3o quero ficar preso \u00e0 m\u00e1quina do indie rock em si. Eu quero apenas fazer discos e seguir em frente, mas tamb\u00e9m fazer turn\u00eas. E essa gravadora \u00e9 t\u00e3o boa porque eles s\u00e3o muito apoiadores. \u00c9 muito simples. Voc\u00ea faz o disco, ele sai, e eles trabalham com o que voc\u00ea quer \u2014 sem perguntas sobre a arte, sem ensaios fotogr\u00e1ficos extravagantes com jaquetas de couro, ou videoclipes caros, ou nada disso. \u00c9 mais sobre a m\u00fasica. E para mim, \u00e9 onde estou, na minha, entre aspas, &#8220;carreira&#8221;. E eu s\u00f3 quero continuar tocando, manter uma pegada pequena tamb\u00e9m \u2014 n\u00e3o viajar com uma banda grande e fazer essas grandes ondas de express\u00e3o e campanhas enormes no Instagram e redes sociais. Eu quero quase voltar a um modelo antigo, onde voc\u00ea faz discos e toca, e talvez 200 pessoas venham te ver, e voc\u00ea vende seus discos. \u00c9 sobre esse aspecto de conex\u00e3o. E n\u00e3o sei, eu meio que queria manter as coisas simples. Mas tamb\u00e9m trabalhar com uma gravadora onde h\u00e1 pessoas que respeito muito, como Michael Hurley, por exemplo, e Will Oldham.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu vi o Richard Thompson no cat\u00e1logo do selo.<\/strong><br \/>\nEle lan\u00e7ou a trilha sonora do Herzog, que \u00e9 um \u00f3timo disco. E o que \u00e9 legal tamb\u00e9m \u00e9 que o Mike, da No Quarter, tamb\u00e9m relan\u00e7a discos que as pessoas deveriam ouvir. Gosto muito da est\u00e9tica dele. Uma grande influ\u00eancia para mim foi esse m\u00fasico chamado Sandy Bull, e o Mike relan\u00e7ou esse disco ao vivo do Sandy Bull que \u00e9 um dos meus favoritos. Ent\u00e3o, sim, n\u00f3s temos gostos parecidos. E acho que quando voc\u00ea trabalha com uma gravadora maior, voc\u00ea n\u00e3o sabe exatamente com quem est\u00e1 falando, e muitas vezes voc\u00ea \u00e9 s\u00f3 um peixe pequeno num cat\u00e1logo enorme. Tem muito apoio quando o disco est\u00e1 prestes a sair, e a\u00ed ele sai e voc\u00ea fica: &#8220;cad\u00ea todo mundo?&#8221; Ent\u00e3o sinto que posso me apoiar no que estou fazendo com um pouco mais de equil\u00edbrio. E n\u00e3o estou me distanciando demais do que posso fazer.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Steve Gunn &amp; Mike Cooper - Saudade do Santos-o-Velho (Official Audio)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mpCOGCWCjXY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea trabalhou com Kurt Vile, Kim Gordon, Mike Cooper\u2026 O que te atrai nas pessoas com quem voc\u00ea colabora?<\/strong><br \/>\nO Mike Cooper \u2014 foi algu\u00e9m de quem me tornei grande f\u00e3 porque conheci os discos dele. Ele era compositor nos anos 60, mas depois ele mudou criativamente e se tornou mais improvisador, e morou em Londres e tocou com esses m\u00fasicos experimentais. E ele \u00e9 parecido, \u00e9 um apreciador profundo de m\u00fasica do mundo todo, e \u00e9 um cara muito interessante. E fui procurado por uma gravadora, a Revenant, de Nova York, e naquela \u00e9poca a Revenant estava fazendo esses lan\u00e7amentos colaborativos onde eles perguntavam aos m\u00fasicos: &#8220;Com quem voc\u00ea sonha em colaborar?&#8221; E eu pensei que havia algumas semelhan\u00e7as entre eu e o Mike Cooper no que diz respeito \u00e0 improvisa\u00e7\u00e3o e \u00e0 composi\u00e7\u00e3o. E ent\u00e3o sugeri: &#8220;Podemos contatar o Mike e ver?&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea faz shows solo, com as m\u00fasicas no formato mais simples. Isso soa como um retorno \u00e0s origens? Est\u00e1 mais pr\u00f3ximo de como voc\u00ea imaginava as can\u00e7\u00f5es no in\u00edcio?<\/strong><br \/>\nParece um retorno \u00e0s origens, sim. \u00c9 como eu comecei. Ent\u00e3o \u00e9 como um ciclo completo. Como comecei com um viol\u00e3o ac\u00fastico em trens pela Europa, e com o m\u00ednimo de equipamento. E naquela \u00e9poca eu n\u00e3o sabia o que estava fazendo \u2014 talvez eu ainda n\u00e3o saiba o que estou fazendo \u2014 mas parece uma conex\u00e3o de ciclo completo com como a m\u00fasica come\u00e7ou e como ela se desenvolve. E voltar \u00e0 simplicidade \u00e9 muito bom. E como eu disse antes, eu preciso poder fazer turn\u00eas, e poder fazer isso \u2014 sinto que agora \u00e9 importante continuar fazendo, mas fazer de forma inteligente, fazer de uma maneira que n\u00e3o seja excessiva, certo? E ainda assim poder tocar na frente das pessoas e ter essa conex\u00e3o. E eu posso fazer isso sozinho. Algumas pessoas t\u00eam dificuldade e t\u00eam medo, mas para mim eu adoro porque isso proporciona muita liberdade. Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 trabalhando para uma grande bilheteria, ou algo patrocinado por uma corpora\u00e7\u00e3o, ou um grande est\u00e1dio. Voc\u00ea est\u00e1 mais tentando se conectar com as pessoas, e as pessoas ali s\u00e3o apreciadoras profundas, e a sala est\u00e1 em sil\u00eancio, e elas est\u00e3o vivenciando aquela performance. Ent\u00e3o eu sei que isso parece muito simplista, mas sendo um m\u00fasico em turn\u00ea nos \u00faltimos 10 anos ou mais \u2014 h\u00e1 maneiras de fazer isso, h\u00e1 maneiras de estar consciente do que voc\u00ea est\u00e1 realmente fazendo e do que est\u00e1 produzindo. E eu tento manter tudo isso em mente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Daylight Daylight&#8221; foi escrito no Brooklyn e gravado em Chicago. \u00c9 um \u00e1lbum sobre chegar a algum lugar, em vez de seguir em frente?<br \/>\nAcho que sim. \u00c9 quase como uma morte ps\u00edquica, ou um novo come\u00e7o. E sim, acho que \u00e9 mais uma chegada. \u00c9 uma partida da minha m\u00fasica antiga e do meu antigo tipo de identidade, por assim dizer. E sim, eu queria criar algo novo e viver nisso. E sinto que \u00e9 algum tipo de chegada, e \u00e9 tamb\u00e9m uma oferenda, sabe. Eu n\u00e3o gosto de escrever m\u00fasicas excessivamente pessoais, e gosto de colocar a m\u00fasica l\u00e1 fora e ver como ela volta. E essa \u00e9 sempre a parte mais interessante de fazer esse tipo de m\u00fasica \u2014 estou num clube na Su\u00e9cia e um cara vem at\u00e9 mim e me faz o elogio mais significativo, sabe, ele passou por uma trag\u00e9dia na vida e minha m\u00fasica o ajudou. E se eu posso fazer isso, isso \u00e9 uma motiva\u00e7\u00e3o para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agora voc\u00ea est\u00e1 em turn\u00ea na Europa. Planos para vir ao Brasil? Alguma turn\u00ea na Am\u00e9rica do Sul no futuro?<\/strong><br \/>\nEu adoraria. Quer dizer, se meu agente me escrevesse e me dissesse que h\u00e1 propostas acontecendo, eu diria sim, por favor, me envie. Ent\u00e3o estou esperando que um dia aconte\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se vier ao Brasil, especialmente a Bras\u00edlia, conhe\u00e7o o lugar perfeito para voc\u00ea tocar: Santu\u00e1rio Dom Bosco. Voc\u00ea iria adorar a igreja e sua ac\u00fastica. Imagine aquelas m\u00fasicas ecoando ali na luz da manh\u00e3\u2026 voc\u00ea tocando &#8220;Nearly There&#8221;\u2026 seria celestial. Mas n\u00e3o esque\u00e7a &#8220;Be Still Moon&#8221;!<\/strong><br \/>\nAh, n\u00e3o vou esquecer n\u00e3o [risos].<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Steve Gunn - &quot;Lurker&quot; (Live at Atlantic Sound Studios) [Official Video]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kSjy41Te2eU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Steve Gunn - Full Performance (Live on KEXP)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qzMHxQSxXKY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Steve Gunn: NPR Music Tiny Desk Concert\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2bMVMjOMRkU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Steve Gunn performs &quot;Way Out Weather&quot; - Pitchfork Music Festival 2015\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Qgq-DpFwMhg?list=PLELPthu3tmEAKPjy48BRis4pOE0Vl7qf3\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/hebertonbas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Heberton Barreira<\/a>\u00a0\u00e9 estudante de jornalismo, bandolinista e animador stop-motion. Criador do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/yayatedance\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@yayatedance<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Sebasti\u00e1n Mortiz.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Seus \u00faltimos discos \u2014 &#8220;Music for Writers&#8221; e &#8220;Daylight Daylight&#8221;, lan\u00e7ados em 2025 \u2014 s\u00e3o como dois irm\u00e3os criados por um pai que n\u00e3o imp\u00f5e, mas disp\u00f5e.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/04\/08\/steve-gunn-nao-quero-ficar-preso-a-maquina-do-indie-rock-quero-apenas-fazer-discos-e-seguir-em-frente\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":164,"featured_media":95127,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[8160],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95124"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/164"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=95124"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95124\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":95131,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95124\/revisions\/95131"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95127"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=95124"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=95124"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=95124"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}