{"id":95034,"date":"2026-04-06T01:28:23","date_gmt":"2026-04-06T04:28:23","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=95034"},"modified":"2026-04-06T01:46:03","modified_gmt":"2026-04-06T04:46:03","slug":"entrevista-romulo-froes-fala-sobre-boneca-russa-um-disco-de-separacao-de-luto-de-perda-de-derrota-de-frustracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/04\/06\/entrevista-romulo-froes-fala-sobre-boneca-russa-um-disco-de-separacao-de-luto-de-perda-de-derrota-de-frustracao\/","title":{"rendered":"Entrevista: R\u00f4mulo Fr\u00f3es fala sobre &#8220;Boneca Russa&#8221;, um disco &#8220;de separa\u00e7\u00e3o, de luto, de perda e frustra\u00e7\u00e3o\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/amusicadofabio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fabio Machado<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">As primeiras notas do contrabaixo ac\u00fastico, atacado insistentemente com o arco, cortam o ar repetidas vezes, quase como uma porta rangendo ou uma mesa sendo arrastada numa casa vazia. N\u00e3o demora muito para a voz anunciar: \u201cAgora foi, n\u00e3o vai mais voltar atr\u00e1s\u201d. A voz \u00e9 de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/romulo_froes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">R\u00f4mulo Fr\u00f3es<\/a> e o contrabaixo ac\u00fastico \u00e9 de Marcelo Cabral, o \u00fanico instrumentista a acompanhar Fr\u00f3es em \u201c<a href=\"https:\/\/found.ee\/romulofroes_bonecarussa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Boneca Russa<\/a>\u201d (2026), seu mais recente e mais revelador trabalho solo. Revelador porque, al\u00e9m do pr\u00f3prio formato onde sua voz \u00e9 acompanhada apenas pelas notas e efeitos criados por Cabral, tamb\u00e9m \u00e9 um exerc\u00edcio de cura ao tratar do fim de um relacionamento amoroso: \u201cEstou dizendo que \u00e9 um disco de cura, ainda que seja um grande clich\u00ea, mas \u00e9 verdade. Ent\u00e3o, nas can\u00e7\u00f5es, fui tratando desses sentimentos todos, de perda, de derrota, do luto, de frustra\u00e7\u00e3o\u201d, comenta Fr\u00f3es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c1lbuns que tratam desse tema n\u00e3o s\u00e3o novidade (para citar dois, s\u00f3 nesse s\u00e9culo tivemos \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/10\/30\/esse-voce-precisa-ouvir-os-20-anos-de-sea-change-o-disco-de-fim-de-relacionamento-de-beck\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sea Change<\/a>\u201d de Beck, em 2002, e \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/12\/02\/otto-lanca-um-dos-discos-do-ano\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Certa Noite Acordei de Sonhos Intranquilos<\/a>\u201d, de Otto, em 2009). Mas poucas vezes um autor se mostrou t\u00e3o vulner\u00e1vel como R\u00f4mulo Fr\u00f3es em \u201cBoneca Russa\u201d. Dos nomes das can\u00e7\u00f5es (\u201cA Vida Que J\u00e1 Era\u201d, \u201cA Felicidade Perdida\u201d, \u201cA Minha Vida sem Voc\u00ea\u201d) a versos como a abertura de \u201cA Hora M\u00e1gica\u201d, citada no par\u00e1grafo acima, o processo de luto \u00e9 escancarado e trazido sem rodeios. O contraponto aparece justamente nos arranjos de Marcelo Cabral, cuja abordagem n\u00e3o-convencional para o contrabaixo ac\u00fastico cria paisagens sonoras que mudam constantemente: h\u00e1 momentos g\u00e9lidos e contemplativos, como em \u201cRenda Portuguesa\u201d, mas tamb\u00e9m h\u00e1 ritmos pulsantes conversando com os versos em \u201cVaso Ruim\u201d e \u201cA Vida Que J\u00e1 Era\u201d, e texturas instigantes em \u201cA Casa de P\u00e9\u201d e\u201dUm Estandarte Para Mim\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pr\u00f3prio Fr\u00f3es admite que Cabral \u00e9 parte fundamental de \u201c<a href=\"https:\/\/found.ee\/romulofroes_bonecarussa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Boneca Russa<\/a>\u201d: \u201cEsse disco poderia ser um disco meu e do Cabral. Obviamente n\u00e3o \u00e9 porque a hist\u00f3ria \u00e9 minha, n\u00e3o daria para compor as m\u00fasicas com o Cabral, sabe? A hist\u00f3ria \u00e9 minha. Mas o Cabral \u00e9 metade do disco, ele ocupa esse lugar\u201d. A partir de uma parceria antiga &#8211; que j\u00e1 mostrava sementes dessa sonoridade em \u201cBarulho Feio\u201d, trabalho anterior de Fr\u00f3es, ao grupo Passo Torto -, a dupla consegue tratar uma cole\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es sobre t\u00e9rmino sob um prisma que vai al\u00e9m da dor de cotovelo, causando outras sensa\u00e7\u00f5es al\u00e9m da mera \u201csofr\u00eancia\u201d. Dessa forma, h\u00e1 momentos de curiosidade, inquieta\u00e7\u00e3o, e pura beleza (como no caso de \u201cOlga\u201d, m\u00fasica que encerra o \u00e1lbum com uma hist\u00f3ria igualmente bela partilhada por Fr\u00f3es nessa entrevista). O resultado \u00e9 um disco que n\u00e3o \u00e9 nem um pouco f\u00e1cil, mas que revela a import\u00e2ncia de encarar e fazer as pazes com as pr\u00f3prias dores por meio da arte. Confira a entrevista na \u00edntegra, realizada por chamada de v\u00eddeo, a seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Ou\u00e7a &#8220;Boneca Russa&#8221; abaixo<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"A hora m\u00e1gica\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kudreSDk3tQ?list=OLAK5uy_l5qD0Z9MyIWVGsPIDbPi0G9LdPs3vks_8\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SCREAM &amp; YELL: O tema dessa entrevista vai ser principalmente \u201cBoneca Russa\u201d. E se eu tivesse que definir esse disco num sentimento, seria inquieta\u00e7\u00e3o: desde o primeiro som do baixo ac\u00fastico ali, com arco em \u201cA Hora M\u00e1gica\u201d, fica uma sensa\u00e7\u00e3o que \u00e9 quase de estranheza, mas ao mesmo tempo tem a familiaridade da sua voz, das melodias. Como foi o processo de pensar a sonoridade e os arranjos desse disco?<\/strong><br \/>\nR\u00f4mulo Fr\u00f3es: Eu acho que inquieta\u00e7\u00e3o (\u00e9 um sentimento que) tem muito a ver, apesar de eu j\u00e1 n\u00e3o estar mais sentindo essa inquieta\u00e7\u00e3o agora, porque esse \u00e9 o meu disco de separa\u00e7\u00e3o, n\u00e9? \u00c9 um disco que come\u00e7o a compor quando meu casamento chegou ao fim, um longo casamento. E a\u00ed estou sozinho e estou querendo dar conta de tudo aquilo, tentando entender tudo aquilo. E as can\u00e7\u00f5es foram um jeito, um modo que eu encontrei para suportar mesmo a dor do luto. Estou dizendo que \u00e9 um disco de cura, ainda que seja um grande clich\u00ea, mas \u00e9 verdade. Ent\u00e3o, nas can\u00e7\u00f5es, eu fui tratando desses sentimentos todos, do sentimento de perda, do sentimento de derrota, do sentimento do luto, de frustra\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, inquieta\u00e7\u00e3o, eu acho que \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o leg\u00edtima. Mas, de novo, ainda que dois anos depois do acontecido, eu j\u00e1 n\u00e3o sinta mais essa inquieta\u00e7\u00e3o &#8211; pelo menos n\u00e3o t\u00e3o profunda quanto (na \u00e9poca que) eu compus as can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A coisa do som, que \u00e9 um assunto muito importante para mim: eu fui compondo essas can\u00e7\u00f5es. Obviamente, eu n\u00e3o falei assim: \u201cNossa, vou fazer um disco disso\u201d. Teria sido muito maquiav\u00e9lico e pouco sincero se eu falasse assim: \u201cVou fazer um disco\u201d. Mas comecei a compor e fui compondo. De repente, eu tinha um conjunto de can\u00e7\u00f5es que conversavam, que se organizavam. Falei: \u201cT\u00e1 bom, beleza (\u00e9 um disco sobre uma separa\u00e7\u00e3o)\u201d. Ent\u00e3o, bora l\u00e1 fazer esse disco. De cara pensei: \u201cCara, \u00e9 um disco muito \u00edntimo, \u00e9 o meu disco mais pessoal de longe\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o que os outros n\u00e3o sejam, mas esse tinha uma urg\u00eancia muito grande. Ent\u00e3o, \u00e9 pessoal no sentido que, quando eu compus as can\u00e7\u00f5es, ou a maioria delas, eu estava muito aberto, muito fragilizado. Ent\u00e3o, tem uma coisa ali muito na veia. E eu achava que, por isso mesmo, seria um disco mais \u00edntimo. N\u00e3o imaginava uma banda tocando, n\u00e3o imaginava um som de banda, ou arranjos grandiosos, ou o que o valha. Por outro lado, tamb\u00e9m n\u00e3o queria que fosse um disco de \u201cMPBzona\u201d, o compositor triste tocando seu viol\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E me lembrei que, no processo do meu disco que se chama \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=tS2DAxf6GQc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Barulho Feio<\/a>\u201d (lan\u00e7ado em 2014), antes de entrar em est\u00fadio e fazer os shows onde eu testava o repert\u00f3rio, era somente eu e o (Marcelo) Cabral. Eu ia com o meu viol\u00e3o, era voz e viol\u00e3o e o Cabral. E eu fiz muitos shows assim, e era super bonito. E, em algum momento, o &#8220;Barulho Feio&#8217; seria isso. Mas a\u00ed, foi chegando perto do disco, n\u00e3o me lembro muito bem o motivo, o Guilherme Held e o Thiago Fran\u00e7a entraram. \u00d3timo, ficou lindo o disco. O disco ainda \u00e9 vazio, ainda \u00e9 cheio de sil\u00eancios, mesmo com o som da rua que botei. Legal. Mas me lembrei disso e falei: \u201cCara, eu acho que esse disco agora vai dar certo, esse neg\u00f3cio s\u00f3 eu e o Cabral\u201d. E a coisa foi andando, foi andando. Me lembrei que no \u201cBarulho Feio\u201d tem uma faixa, que \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o do Cabral, justamente, com o clima, que se chama \u201cCad\u00ea\u201d, e era s\u00f3 o Cabral. E eu me animei e falei: \u201cCara, e se for s\u00f3 o Cabral\u2026\u201d<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"R\u00f4mulo Fr\u00f3es - Cad\u00ea [Ao vivo @Baixo]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fQUOQX-9PZs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cad\u00ea\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1PvZarMpTxY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque s\u00f3 o Cabral n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o Cabral, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um baixo ac\u00fastico. O Cabral \u00e9 um artista extraordin\u00e1rio, e eu conhe\u00e7o do que ele \u00e9 capaz de fazer com aquele baixo ac\u00fastico. A gente teve uma viv\u00eancia muito intensa e grande no Passo Torto. Ent\u00e3o, eu sabia que aquele baixo ac\u00fastico&#8230; N\u00e3o seria um disco da Esperanza Spalding. N\u00e3o seria um disco de jazz do baixista e voz. Eu sabia que era outra coisa. Eu sabia que o Cabral ia trazer as paradas dele com looping, efeitos. Me animei e falei: \u201cCabral, bora fazer esse disco s\u00f3 n\u00f3s dois?\u201d E ele adorou a ideia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E uma coisa que eu intu\u00eda e que se confirmou logo no primeiro ensaio \u00e9 que eu n\u00e3o queria que ficasse um disco muito modorrento, muito arrastado. Tipo, &#8220;\u00f3, vida, \u00f3, azar&#8221; Eu falei: \u201cCara, o Cabral vai inventar umas paradas l\u00e1\u201d. E n\u00e3o deu outra. Na primeira m\u00fasica que mostrei pra ele, ele j\u00e1 botou a m\u00fasica pra frente. Uma m\u00fasica que me lembro muito \u00e9 \u201cA Casa de P\u00e9&#8221;, que, assim como todas, \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o trist\u00edssima. E ela era muito lenta. E eu cantava assim: (cantarola um trecho) \u201cOlha bem por dentro da\u2026\u201d E a\u00ed, o Cabral, sem nem perguntar pra mim, meteu a m\u00fasica&#8230; E a\u00ed, eu falei: \u201cP\u00f4, legal, legal. Ele vai movimentar esse disco\u201d. Ainda vai deixar a inquieta\u00e7\u00e3o, como voc\u00ea disse. O disco ainda ser\u00e1 triste, ainda ser\u00e1 angustiante, porque est\u00e1 l\u00e1 na can\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem como fugir disso. Mas ele \u00e9 muito respons\u00e1vel por n\u00e3o deixar um disco chato, sabe? Acho que ele deixou o disco mais din\u00e2mico. Do que poderia ter sido, por exemplo, se eu fosse no est\u00fadio eu e o meu viol\u00e3o. Acho que foi um grande acerto eu ter chamado o Cabral.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"A casa de p\u00e9\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PMMAmAImK6E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Interessante. Eu vou voltar nesse tema da tristeza mais tarde, mas antes: acho engra\u00e7ado que voc\u00ea acabou respondendo uma pergunta que eu tinha aqui, porque fui olhar sua discografia pra ver se eu achava algum disco que tivesse uma sonoridade semelhante ao \u201cBoneca Russa\u201d. E o que chegou mais pr\u00f3ximo foi o \u201cBarulho Feio\u201d. E agora que voc\u00ea falou, fica meio \u00f3bvio. Mas eles t\u00eam essa mesma aura, s\u00e3o arranjos mais abstratos, umas coisas que lidam mais com a ambi\u00eancia do que com uma forma de can\u00e7\u00e3o que a gente t\u00e1 mais acostumado a ver.<\/strong><br \/>\nSim, e a coisa r\u00edtmica n\u00e3o \u00e9 feita necessariamente por um instrumento de produ\u00e7\u00e3o, n\u00e9? Que \u00e9 uma coisa que a gente explorou muito no Passo Torto &#8211; no Passo Torto n\u00e3o tinha uma bateria, mas eu acho que \u00e9 isso mesmo. E, sobretudo, essa faixa que estou falando, \u201cCad\u00ea\u201d. Tanto que a gente j\u00e1 fez um ensaio aberto do \u201cBoneca Russa\u201d e incluiu \u201cCad\u00ea\u201d pelo arranjo que ela tem e pela tem\u00e1tica de rompimento amoroso e de tristeza, de luto. Ent\u00e3o, acho que o \u201cBarulho Feio\u201d \u00e9 um primo-irm\u00e3o desse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a diferen\u00e7a \u00e9 que o \u201cBarulho Feio\u201d n\u00e3o tinha essas can\u00e7\u00f5es confessionais. At\u00e9 poderia chamar o \u201cBarulho Feio\u201d de um disco de luto, mas n\u00e3o no sentido de um luto pessoal. Um luto, assim, quase como\u2026 ali, eu estava discutindo um pouco em 2014 isso j\u00e1. Imagina hoje em dia. A falta de escuta, a falta de aten\u00e7\u00e3o para os trabalhos que eu lan\u00e7ava era um pouco eu dando conta de um lugar, de um ambiente: \u201cCara, realmente, eu acho que acabou essa parada\u201d. Ningu\u00e9m vai mais ouvir. A\u00ed eu falo assim (declama um trecho da letra): \u201cNingu\u00e9m cantar\u00e1, ningu\u00e9m pintar\u00e1, ningu\u00e9m filmar\u00e1\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um pouco eu lamentando. Por isso que eu vou l\u00e1 e coloco o som da rua no disco. Um pouco para tamb\u00e9m explicitar a falta de aten\u00e7\u00e3o com o objeto art\u00edstico. Com uma audi\u00e7\u00e3o mesmo. E eu t\u00f4 falando de 2014, sendo que o disco foi composto em 2013.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Romulo Fr\u00f3es &quot;Barulho Feio&quot; - videoclipe\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IYXz1py1Svc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas continua atual, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, piorou, piorou profundamente. L\u00e1 ainda tinha alguma audi\u00e7\u00e3o dividida por telas. Agora tem uma audi\u00e7\u00e3o totalmente fragmentada. O disco (&#8220;Barulho Feio&#8221;) estava l\u00e1 lidando com algum tipo de luto, digamos assim. Mas esse agora \u00e9 na veia. Esse agora \u00e9&#8230; Eu falei tamb\u00e9m numa outra entrevista. Tem um outro disco muito pessoal para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que \u00e9 o disco que eu fiz com o Tiago Rosas. O disco que eu fiz na pandemia, que se chama \u201cNa Goela\u201d (2023). Ele \u00e9 muito pessoal porque minha m\u00e3e morreu de Covid. E o disco trata sobre a Covid o tempo inteiro. Trata sobre a pandemia. Eu falo o nome da minha m\u00e3e no disco. Mas era um pessoal coletivo. Era um pessoal que era meu, que era seu, que era de todo mundo, de todo o mundo. Obviamente que eu estava numa escala um pouco diferente, porque eu tinha perdido a minha m\u00e3e. Mas&#8230; Mas ent\u00e3o era um pessoal que eu dividia com todo mundo. Esse (&#8220;Boneca Russa&#8221;) \u00e9 um disco pessoal, pessoal, pessoal, pessoal, pessoal mesmo. Claro que sou um compositor. E eu trabalhei, eu ajustei, eu aprimorei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E eu formatei de um jeito que voc\u00ea pode se tocar por essas can\u00e7\u00f5es. Que qualquer pessoa que esteja vivendo qualquer tipo de luto, n\u00e3o que seja exatamente um luto amoroso, pode tamb\u00e9m se tocar por ela. Mas o cerne das can\u00e7\u00f5es s\u00e3o hist\u00f3rias minhas. A pessoa para a qual eu fiz o disco, se ela ouvir o disco, cada linha ela saber\u00e1 do que eu estou dizendo. A cada verso que eu digo ali, a pessoa vai dizer&#8230; \u201cAh, t\u00e1, t\u00e1, t\u00e1\u2026\u201d. Vai ser um checklist de 100% dessa historinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para mim o disco n\u00e3o soa t\u00e3o necessariamente melanc\u00f3lico ou triste. Talvez por conta da est\u00e9tica dele, dos arranjos e tudo. Para mim \u00e9 uma coisa que s\u00e3o paisagens mais abertas. \u00c9 uma coisa mais contemplativa, mas que ainda est\u00e1 tratando de um fim de ciclo. Uma coisa que \u00e9 pesada, querendo ou n\u00e3o. Mas pensando nisso, como foi a tua decis\u00e3o de querer traduzir essa experi\u00eancia pessoal como uma forma de arte? Porque tem muita vulnerabilidade envolvida nesse processo.<\/strong><br \/>\nCara, como eu disse, foi um neg\u00f3cio de cura. N\u00e3o que eu tenha achado que, na hora que eu come\u00e7asse a fazer, eu iria me curar. Uma coisa que eu fiz, n\u00e3o foi de imediato, mas logo veio, foi fazer terapia, coisa que eu nunca tinha feito. Ent\u00e3o, sei l\u00e1, fui fazer terapia seis meses depois do ocorrido. Esses primeiros seis meses, acho que as can\u00e7\u00f5es foram as minhas terapeutas. Entrei num processo, num certo processo que depois, fui entender depois, de depress\u00e3o \u00e0s avessas. Ao inv\u00e9s de ser a depress\u00e3o mais conhecida, de se prostrar e n\u00e3o fazer nada, como eu tinha uma filha de 10 anos, na altura tinha 8, para criar, e pela primeira vez eu ia cri\u00e1-la sozinha, sozinha no sentido da guarda compartilhada, n\u00e3o estaria eu, ela e a m\u00e3e. Quando ela estivesse comigo, estaria s\u00f3 eu e ela. Ent\u00e3o, eu n\u00e3o tinha o luxo de, tipo: \u201cCara, n\u00e3o estou podendo\u2026\u201d. N\u00e3o d\u00e1 para voc\u00ea virar para uma menina de 8 anos e falar: \u201cMano, me deixa que eu estou mal\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, eu fiz uma chave ao contr\u00e1rio: a chave da hiperatividade. Eu era o louquinho da hiperatividade, de montar uma casa nova, de botar uma casa de p\u00e9, como diz uma das faixas. O disco, durante muito tempo, se chamou \u201cA Casa de P\u00e9\u201d, depois mudou. De levantar uma nova casa, de levantar uma nova rela\u00e7\u00e3o com a minha filha, de entender como \u00e9 que era a minha vida agora, de entender a minha vida financeira, quanto \u00e9 que eu tenho que ganhar agora, j\u00e1 que agora eu n\u00e3o divido o aluguel, o aluguel est\u00e1 tudo no meu nome. Essas coisas, das mais \u201ccomunzinhas\u201d at\u00e9 as mais profundas. Eu n\u00e3o estava preparado para esse momento. Ent\u00e3o, o disco veio desse jeito. Uma das coisas que eu sei fazer (\u00e9 desenhar), eu voltei nesse processo a desenhar, porque eu n\u00e3o desenhava h\u00e1 30 anos. A\u00ed voltei a desenhar. Eu estava em busca de sa\u00eddas para a sobreviv\u00eancia, do tipo, o que eu tenho que fazer? O que eu posso fazer? Ser\u00e1 que eu vou dar uma oficina? Ser\u00e1 que eu vou dar uma mentoria? Vou voltar a desenhar? Vou vender desenho? E ir fazendo m\u00fasica, e compondo, e sofrendo, e n\u00e3o sei o qu\u00ea. Ent\u00e3o, n\u00e3o teve muito um pensamento. Foi uma rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu acho que as can\u00e7\u00f5es, sobretudo as que eu fiz nesse primeiro momento, foi uma esp\u00e9cie de rea\u00e7\u00e3o mesmo. Foi uma esp\u00e9cie de ant\u00eddoto, sabe? Tudo que eu n\u00e3o tinha conversado com a pessoa, que eu deveria ter conversado e eu n\u00e3o conversei, eu acabei conversando nas can\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, \u00e9 um disco muito aberto, muito expl\u00edcito, muito louco. E isso me preocupou durante muito tempo, porque eu n\u00e3o queria que soasse um disco ressentido, por exemplo. Eu n\u00e3o queria que fosse um disco de vingan\u00e7a, em hora nenhuma. Eu n\u00e3o queria expor a pessoa. Esse n\u00e3o \u00e9 um disco de vingan\u00e7a, mas \u00e9 um disco de explicita\u00e7\u00e3o, de um sentimento. E a\u00ed, agora, dois anos depois, que eu comecei a dar entrevistas e comecei a receber as mensagens das pessoas, voc\u00ea at\u00e9 mudou um pouquinho essa sensa\u00e7\u00e3o, mas 99,99%&#8230; \u201cNossa, que disco triste, R\u00f4mulo! Meu Deus, R\u00f4mulo!\u201d E \u00e9 engra\u00e7ado que eu n\u00e3o sinto mais essa tristeza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O disco, para mim, quando eu gravei, eu j\u00e1 gravei sob outro signo. Eu j\u00e1 estava feliz. Nas imagens de bastidores estou dando risada. Quando compus as can\u00e7\u00f5es, eu estava nesse mood. Quando fui gravar e agora que eu estou lan\u00e7ando, eu n\u00e3o estou mais nele. Ent\u00e3o, \u00e9 curioso para mim perceber isso das pessoas falando: \u201cNossa, como\u2026\u201d Mas a\u00ed tamb\u00e9m \u00e9 assim: \u201cNossa, como esse disco \u00e9 triste. Mas ele \u00e9 lindo. Mas ele me tocou. Mas eu n\u00e3o consigo parar de ouvir\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cada um vai ter uma vis\u00e3o, mas talvez isso venha de como a pessoa vai olhar primeiro para a obra, n\u00e9? Se voc\u00ea olhar primeiro para as letras, por exemplo, isso a\u00ed \u00e9 bem triste, pesado.<\/strong><br \/>\nO primeiro verso do disco \u00e9: \u201cN\u00e3o vai mais voltar atr\u00e1s\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00f3 que para mim, eu absorvo as letras, mas tamb\u00e9m os arranjos junto, tendo o pensamento mais como m\u00fasico. E eu acho que o trabalho do Marcelo Cabral meio que deu uma quebrada na coisa e trouxe uma dimens\u00e3o diferente que \u00e9 s\u00f3 da melancolia.<\/strong><br \/>\nE ele tem um peso igual ao meu. Esse disco poderia ser um disco meu e do Cabral. Obviamente n\u00e3o \u00e9 porque a hist\u00f3ria \u00e9 minha, n\u00e3o daria para compor as m\u00fasicas com o Cabral, sabe? A hist\u00f3ria \u00e9 minha. Mas o Cabral, ele \u00e9 metade do disco, ele ocupa esse lugar. N\u00e3o \u00e9 um m\u00fasico acompanhante. N\u00e3o \u00e9 algu\u00e9m que eu passei uma partitura para tocar. N\u00e3o, ele \u00e9 parte fundamental do que acontece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E pensando nessa rela\u00e7\u00e3o entre a tua voz e o contrabaixo dele, voc\u00ea j\u00e1 me falou que tinha o som dele em mente. Mas quando voc\u00ea estava trabalhando nas letras, voc\u00ea chegou a pensar numa harmonia mais tradicional com o viol\u00e3o, com o instrumento? Ou voc\u00eas foram fazendo na hora, assim, esses arranjos?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, eu mostrei as can\u00e7\u00f5es para o Cabral, as minhas can\u00e7\u00f5es MPB\u00edsticas, como sempre. Acordes dissonantes. Tinha uma harmonia, que o Cabral ignorou espetacularmente. Ele s\u00f3 queria saber qual era a harmonia para ele fazer a parada dele. Tudo bem, acho que at\u00e9 que ele respeita a nota. Ele n\u00e3o mudou o tom. Tem at\u00e9 alguma que eu acho que ele pediu para mudar, porque ele achava que se eu cantasse mais para fora, n\u00e3o me lembro qual ia ser legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, assim, n\u00e3o, totalmente ignorando a harmonia. Mesma estrutura. Muitas delas ele mudou o andamento. Ele botou para frente. Ele falou de formas. Ele falava, &#8220;p\u00f4, achava que tinha que repetir aqui&#8221;. Ou em vez de botar o refr\u00e3o, agora p\u00f5e l\u00e1 s\u00f3 na frente. E eu fui topando e fui fazendo junto com ele. Ent\u00e3o \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o muito \u00edntima mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a\u00ed, \u00f3bvio, uma conviv\u00eancia de anos, de d\u00e9cadas e de trabalhos. Ent\u00e3o s\u00e3o os artistas que eu tenho profunda liga\u00e7\u00e3o. Como eu disse, eu n\u00e3o pensei num baixo ac\u00fastico. Eu pensei no Cabral. Eu n\u00e3o penso num saxofone. Eu penso no Thiago. Eu n\u00e3o penso no cavaquinho. Eu penso no Rodrigo (Campos). Eu n\u00e3o penso numa cantora. Eu penso na Ju\u00e7ara (Mar\u00e7al). Ent\u00e3o eles n\u00e3o s\u00e3o instrumentistas. Eles s\u00e3o artistas com quem eu sei lidar, com quem eu sei o que esperar deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, quando eu aposto no Cabral, eu j\u00e1 sabia que ia vir coisas lindas. E uma certa \u201cfalta de respeito\u201d, com muitas aspas. Ele n\u00e3o est\u00e1 preocupado com um cantor ali. Ele est\u00e1 mandando ver na minha voz e meio atravessando. Mas uma coisa interessante, \u00e9 que por causa desse comportamento tamb\u00e9m, eu acho que eu estou cantando diferente. E eu acho que eu nunca cantei t\u00e3o bem na minha discografia. Porque eu tive espa\u00e7o. \u00c9 s\u00f3 n\u00f3s dois. E s\u00e3o dois graves, n\u00e9? S\u00e3o dois graves, eu n\u00e3o conto. E a\u00ed eu percebi que eu tinha espa\u00e7o. Virei quase um declamador das letras, tem um tom meio pastoral, \u00e0s vezes: (cantarola) \u201cOlhe bem por dentro da ferida, veja-se l\u00e1 dentro\u201d. Quase como um pastor. Veja se l\u00e1 dentro tem sa\u00edda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem uma coisa meio&#8230; Olhe bem, meio mastigada. Pouco, para usar um termo dos professores de canto, pouco \u201ccantabile\u201d, n\u00e9? Mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 rap, longe disso. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 Luiz Tatit, a coisa da fala. \u00c9 outra coisa. Tem um neg\u00f3cio meio&#8230; Que eu acho que tamb\u00e9m \u00e9 pessoal. Tamb\u00e9m \u00e9 um testemunho. Eu acho que tem algo de testemunho. Eu n\u00e3o sou religioso, mas eu acho que tem algo de testemunho. E eu gravei as 13 vozes num \u00fanico dia. Comecei de manh\u00e3, terminei no final do expediente, assim, das 10 \u00e0s 6 (horas). Gravei as 13 faixas. E n\u00e3o \u00e9 que eu fiz um take s\u00f3. Eu fiz, sei l\u00e1, 3 ou 4 ou 5 de cada m\u00fasica. Ent\u00e3o passei um dia inteiro. E parecia que tinha que ser naquele&#8230; &#8220;N\u00e3o, hoje \u00e9 o dia. Se eu vier aqui amanh\u00e3, eu j\u00e1 vou estar pensando diferente. N\u00e3o, hoje \u00e9 o dia&#8221;. A\u00ed eu fui l\u00e1 e&#8230; O Cabral tamb\u00e9m estava presente nessa sess\u00e3o. Foi muito importante ele ir de fora para pescar umas coisas. Enfim, acho que tem um tom de testemunho no meu canto.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"R\u00f4mulo Fr\u00f3es - N\u00e3o h\u00e1, mas derruba [Ao vivo @Baixo]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/G1IAU-a99Hg?list=PLlBxzn_l0J4Lwv1-aXIAHeb9Q4TG8wT4w\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea comentou que j\u00e1 fizeram um ensaio aberto na Casa de Francisca. Primeiro, eu queria saber o que voc\u00ea achou da resposta ali. E se voc\u00eas dois pretendem continuar fazendo apresenta\u00e7\u00f5es nesse formato de baixo-voz. Mas, ao mesmo tempo, eu me pergunto o qu\u00e3o desafia para voc\u00ea executar as can\u00e7\u00f5es dessa forma. Porque, como voc\u00ea falou, voc\u00ea est\u00e1 ali meio que&#8230; praticamente sem nenhum suporte de harmonia. S\u00e3o dois solistas ali criando a can\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\nCara, em rela\u00e7\u00e3o a isso, estou muito escolado. Porque o Passo Torto era uma loucura. Porque n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o tinha harmonia, como tinha uma polifonia de frases. O Rodrigo fazia (faz uma onomatopeia imitando um instrumento): \u201cp\u00e9p\u00e9p\u00e9p\u00e9p\u00e9\u201d&#8230; O Kiko fazia: \u201cp\u00f3c\u00f3t\u00f3cot\u00f3\u201d&#8230; E o Cabral fazia: \u201ct\u00f3t\u00f3t\u00f3t\u00f3\u201d\u2026 N\u00e3o tinha base nenhuma para cantar naquela porra. Era uma \u201cruideira\u201d do cacete. Ent\u00e3o, aprendi ali com eles. E, na maior parte das vezes, eu quase n\u00e3o tocava. Eu n\u00e3o era capaz de tocar como aqueles animaizinhos. Ou ent\u00e3o dava s\u00f3 umas \u201cbolachas\u201d. Eu era mais o cantor ali. Al\u00e9m de compositor, de muitas m\u00fasicas. E aprendi a cantar meio sem nada. Quase como uma mem\u00f3ria&#8230; Uma mem\u00f3ria mel\u00f3dica. Que \u00e9 uma coisa que eu desenvolvi tamb\u00e9m, do ponto de vista tonal. Nos velhos anos 90, onde voc\u00ea tocava no&#8230; 90, n\u00e3o. Come\u00e7o dos anos 2000. Tocava nos botecos com som ruim pra caralho, na Rua Augusta, duas da manh\u00e3, com a plateia falando mais alto que voc\u00ea. E voc\u00ea tendo que cantar sem ouvir a banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu aprendi a cantar sem ouvir a banda. E depois eu aprendi a cantar sem ouvir harmonia. Ent\u00e3o, quanto a isso, acho que eu me viro. Agora\u2026 Deu super certo esse show. Eu acho que \u00e9 um show para lugares como aquele. A Sala B da Francisca. Eu falei em algum lugar que eu estou muito afim de tocar em livraria. Eu estou afim de tocar em floricultura, sabe assim? \u00c9 um disco para tocar aqui assim, para estar eu e voc\u00ea aqui. Ent\u00e3o, acho que deu super certo isso. E eu acho que tem um desafio maior, mas que ser\u00e1 vencido plenamente, e que j\u00e1 foi vencido nesse ensaio aberto, que \u00e9 o do Cabral. Que \u00e9 o de construir as paradas ao vivo. Ent\u00e3o, por exemplo, a \u201cCasa de P\u00e9\u201d, que tem aquele (imita o arranjo do contrabaixo): \u201cqu\u00e9imquimqu\u00e9inqu\u00e9m\u201d&#8230; Primeiro ele faz aquele neg\u00f3cio\u2026 A\u00ed mete l\u00e1 no loop dele. A\u00ed, depois ele pega a unha dele e risca o captador do baixo e faz (outro) loop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inclusive, isso \u00e9 maravilhoso para a audi\u00eancia. A audi\u00eancia ama essas porras, n\u00e9? \u00c9 uma esp\u00e9cie de um m\u00e1gico construindo a m\u00e1gica na sua frente! E eu fico esperando ele. Alguma hora ele come\u00e7a a tocar efetivamente a m\u00fasica no baixo. E isso deu super certo, porque ele fez muito rapidamente. N\u00e3o ficou uma coisa mala, tipo: \u201cCaralho, mano, tem que esperar esse maluco montar esse loop\u201d. \u00c9 super bonito de ver. Visualmente \u00e9 bonito de ver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem uma coisa bonita de ver, que s\u00e3o dois totens no palco. \u00c9 um baixo ac\u00fastico e eu, que tenho o tamanho de um baixo ac\u00fastico (risos), o meu shape \u00e9 meio de um baixo ac\u00fastico, ent\u00e3o deu super certo. Estou muito afim de tocar. J\u00e1 falei para o Cabral, vou tocar em galeria de arte, j\u00e1 at\u00e9 recebi convite, sabe? \u00c9 isso, porque obviamente eu n\u00e3o vou tocar em festival. Obviamente eu n\u00e3o vou tocar, sei l\u00e1 onde, no Circo Voador. N\u00e3o vai rolar. Vai rolar um Sesc, porque sempre rola, n\u00e9? Mas acho que tem que ser lugares pequenininhos mesmo. Eu acho massa, inclusive, a facilidade, a possibilidade de tocar. S\u00f3 n\u00e3o d\u00e1 para ser absolutamente ac\u00fastico, porque o Cabral precisa de eletricidade para montar os efeitos. Mas \u00e9 um show \u00edntimo mesmo, um show&#8230; Tem uma galeria de um amigo meu, n\u00e3o \u00e9 galeria exatamente, \u00e9 um ateli\u00ea coletivo barra galeria, vai come\u00e7ar a rolar uns showzinhos no por\u00e3o. Falei: \u201cCara, \u00e9 o lugar desse show!\u201d Por\u00e3o, assim, tipo clube de jazz, sabe? N\u00e3o \u00e9 um disco de jazz, mas \u00e9 um disco para clubes de jazz, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem aquele da Lapa, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/09\/25\/tres-perguntas-anna-vis-fala-sobre-seu-novo-projeto-o-e-afirma-as-musicas-brasileiras-sao-experimentais-de-nascenca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que a Anna Vis est\u00e1 fazendo a curadoria<\/a>\u2026<\/strong><br \/>\nPerfeito. S\u00f3 que l\u00e1 \u00e9 ac\u00fastico mesmo, n\u00e9? Mas a\u00ed eu j\u00e1 pensei nisso, daria pra abrir uma exce\u00e7\u00e3o (risos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Romulo Fro\u0301es - Olga\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UcCO1oHmDO8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Queria falar tamb\u00e9m da \u00faltima faixa, que \u00e9 \u201cOlga\u201d, e voc\u00ea j\u00e1 falou da sua filha aqui, e pelo que eu li, ela \u00e9 uma homenagem \u00e0 sua filha, foi feita com Alice Coutinho. Achei interessante que ela me soa quase como uma cantiga de ninar, um clima mais de acalento, se a gente for olhar para o restante das m\u00fasicas ali &#8211; menos sombria, \u00e9 mais solar, talvez? Voc\u00ea j\u00e1 tinha em mente que ela encerraria esse disco, que tinha essa inten\u00e7\u00e3o de trazer esse olhar para sua filha? Voc\u00ea j\u00e1 tinha pensado em uma ordem para essas can\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, ela n\u00e3o estava na lista. Quando falei em fazer um disco, tamb\u00e9m n\u00e3o pensei em ordem e tal, mas \u00e9 isso: como eu disse anteriormente, eu n\u00e3o queria que fosse um disco de ressentimento, que fosse um disco de vingan\u00e7a, que fosse um disco de acerto de contas, do tipo, um disco acusat\u00f3rio: \u201cVeja bem, voc\u00ea, n\u00e3o sei o qu\u00ea, voc\u00ea abriu m\u00e3o do nosso amor\u201d&#8230; Que \u00e9 um assunt\u00e3o da MPB &#8211; ali\u00e1s, um assunt\u00e3o de compositores que eu amo, como Lupic\u00ednio Rodrigues e Orestes Barbosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um assunt\u00e3o, mas eu n\u00e3o queria que fosse isso, porque n\u00e3o era isso. Era um disco mais do que para ela, era um disco para mim, para eu entender o que eu fiz de errado, por exemplo, o que eu deixei de fazer e tal, e tamb\u00e9m um disco declara\u00e7\u00e3o de amor tamb\u00e9m, no fundo. Falei isso em algum lugar: se tivesse lan\u00e7ado ele cinco meses depois do ocorrido, seria um disco de testamento, tipo assim: \u201cAh, olha s\u00f3, sobrou isso aqui\u201d. Dois anos depois, eu acho que \u00e9 um disco de tributo a uma hist\u00f3ria de amor que deu certo, acabou, mas deu certo. Dentre as coisas que deu certo, a\u00ed que entra a Olga, a minha filha, a nossa filha. E a\u00ed essa can\u00e7\u00e3o \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o muito antiga, o modo como ela foi feita \u00e9 muito curioso e bonitinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dez anos atr\u00e1s, prestes a ela nascer, a gente saiu com amigos e eu enchi a cara, enchi muito a cara, fiquei muito b\u00eabado, e dormi de roupa\u2026 cara, n\u00e3o me lembro das vezes que aconteceu isso na minha vida. A\u00ed, na madrugada a Alice me acorda e fala assim: \u201c\u00d3, estourou a bolsa\u201d. E a\u00ed eu: \u201cZum\u201d! Uma adrenalina doente assim, passou a bebedeira em dois segundos. E logo em seguida ela fala assim: &#8220;Terminei a letra\u201d. Ela estava ali (com os nossos amigos) meio presenciando os beberr\u00f5es, porque obviamente ela n\u00e3o estava bebendo, e meio que terminou a letra (enquanto a gente bebia). E eu falei: \u201cCaralho, ent\u00e3o a m\u00fasica foi feita, foi terminada nessa hora!\u201d Eu j\u00e1 tinha composto a melodia, falado: \u201dAh, vou fazer uma can\u00e7\u00e3o para ela\u2026\u201d J\u00e1 tinha esse nome escolhido, e a\u00ed foi na mesma hora, dando a not\u00edcia do nascimento, quer dizer, do breve nascimento, dali a algumas horas, e terminamos a letra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o tem essa essa hist\u00f3ria bonitinha. E nesse movimento de n\u00e3o deixar um disco ressentido &#8211; e eu j\u00e1 tinha conquistado isso, j\u00e1 achava que as can\u00e7\u00f5es estavam dando coisa -, eu me lembrei de \u201cOlga\u201d, e falei: \u201ccara, \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil de entrar num disco meu\u201d. Porque \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o muito \u00edntima, porque eu vou botar uma m\u00fasica para a minha filha. Tem casos da MPB, bastante, mas a minha\u2026 H\u00e1 10 anos, eu lancei muitos discos, e obviamente ela n\u00e3o tinha lugar, e ela tamb\u00e9m n\u00e3o teria lugar num repert\u00f3rio de uma outra cantora, por exemplo. E falei: \u201ccara, \u00e9 o disco, \u00e9 esse disco, ela \u00e9 fruto dessa hist\u00f3ria que eu estou contando aqui, ent\u00e3o esse \u00e9 o disco para ela\u201d. E tamb\u00e9m, a\u00ed sim, quando eu tive a ideia dela, imediatamente eu falei: \u201c\u00c9 a \u00faltima faixa do disco, porque \u00e9 quase como um al\u00edvio c\u00f4mico\u201d. N\u00e3o \u00e9 c\u00f4mico, mas \u00e9 tipo assim: \u201cUfa, caralho, eu j\u00e1 estava aqui, n\u00e3o aguento\u2026\u201d A pen\u00faltima faixa, que \u00e9 uma das que eu mais gosto, \u00e9 triste pra caralho: (cantarola) \u201cN\u00e3o h\u00e1 boa dor, a pedra faz\u201d, e ela termina assim: \u201cPrimeira vez que se jogou no mar\u2026\u201d Quase uma cena de suic\u00eddio, e a\u00ed voc\u00ea fala: \u201cImagina terminar a porra do disco assim\u201d. A\u00ed entra a \u201cOlga\u201d, que tamb\u00e9m, a ideia da grava\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o veio junto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O disco estava pronto j\u00e1, mixado e masterizado, e eu resgatei esse \u00e1udio de quando ela tinha 4 anos de idade, uns \u00e1udios totalmente existencialistas, n\u00e9: \u201cComo \u00e9 que \u00e9 ficar sozinho?\u201d A\u00ed ela pergunta como \u00e9 que \u00e9 ficar sozinho, depois ela fala: \u201cNossa, mam\u00e3e, s\u00e3o tantas hist\u00f3rias, n\u00e9? E a gente vai esquecer todas\u201d. Ent\u00e3o eu falei: \u201cMeu Deus, isso parece um recado do passado\u201d. A\u00ed eu falei com o Cac\u00e1 Lima, que \u00e9 o engenheiro da YB (e respons\u00e1vel pela grava\u00e7\u00e3o de \u201cBoneca Russa\u201d), pedi muitas desculpas, falei: \u201cCac\u00e1, eu preciso botar essa grava\u00e7\u00e3o na faixa\u201d. E a\u00ed o disco termina com aquela fofurice l\u00e1, fazendo umas perguntas existencialistas, e eu acho que a pessoa sai do disco menos \u201caaargh\u201d, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed o disco estava pronto, entendeu? Esses processos de disco que v\u00e3o (e vem), eu disse que o disco chamava \u201cA Casa de P\u00e9\u201d durante muito tempo, mas quando eu compus \u201cBoneca Russa\u201d, e essa met\u00e1fora do (recita um trecho da letra): \u201cDebaixo da pele tem outra pele, debaixo do sil\u00eancio, o sil\u00eancio, debaixo de tudo ainda, ainda debaixo essa dor, doendo\u201d\u2026 Essa met\u00e1fora que foi um pouco conquistada na terapia, que \u00e9 essa coisa de ficar se olhando, e de ir tirando as cascas, e de ir investigando, ir tirando uma boneca, e tirando a outra boneca, e nunca chega na bonequinha do centro, eu achei uma met\u00e1fora bonita pro disco, fora que \u00e9 um nome mais sonoro, um nome mais forte, \u201cBoneca Russa\u201d, do que \u201cA Casa de P\u00e9\u201d. No processo, algu\u00e9m perguntou: \u201c\u00c9 A Casa de Pedra\u201d? Eu falei, pronto, j\u00e1 deu errado, a pessoa j\u00e1 entendeu o nome errado, j\u00e1 fudeu. \u201cBoneca Russa\u201d ningu\u00e9m entende errado, e eu achei a met\u00e1fora do do desnudamento, tem a ver com desnudamento tamb\u00e9m, tem a ver com tirar a casca, tem a ver com olhar pra dentro, tem a ver com tudo isso, n\u00e9, psicanaliticamente falando, eu acho que era o nome mais forte e acho que eu acertei nisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, muitas camadas, literalmente. Bom, Romulo, estou no finalzinho do tempo aqui, se n\u00e3o poderia continuar falando desse e de outros discos a\u00ed por mais um tempo. Queria agradecer demais pelo seu tempo e pela conversa, e espero muito poder ver esse trabalho ao vivo a\u00ed com o Marcelo Cabral, assim que poss\u00edvel.<\/strong><br \/>\nEm breve, em abril, em abril minha retina acho que j\u00e1 estar\u00e1 100% [nota do redator: R\u00f4mulo estava se recuperando de uma cirurgia na retina no per\u00edodo em que a entrevista foi realizada]. Vai ter um lan\u00e7amento na Casa de Francisca, fique ligado que vai rolar na Casa de Francisca (<a href=\"https:\/\/bileto.sympla.com.br\/event\/117604\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dia 08 de abril<\/a>), n\u00e3o l\u00e1 no espa\u00e7o pequeno, mas no sal\u00e3o principal e tal, que tamb\u00e9m vai ser um lugar legal de fazer o show, voc\u00ea vai ver.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-95038 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/romulo1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"932\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/romulo1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/romulo1-241x300.jpg 241w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/amusicadofabio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fabio Machado<\/a>\u00a0\u00e9 m\u00fasico e jornalista (n\u00e3o necessariamente nessa ordem). Baixista na Falsos Conejos, Mevoi, Thrills &amp; the Chase e outros projetos.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Eu n\u00e3o queria que fosse um disco de vingan\u00e7a, em hora nenhuma. Eu n\u00e3o queria expor a pessoa. Esse n\u00e3o \u00e9 um disco de vingan\u00e7a&#8221;, refor\u00e7a Romulo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/04\/06\/entrevista-romulo-froes-fala-sobre-boneca-russa-um-disco-de-separacao-de-luto-de-perda-de-derrota-de-frustracao\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":143,"featured_media":95039,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7548,4833,3],"tags":[4788],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95034"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/143"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=95034"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95034\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":95041,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95034\/revisions\/95041"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95039"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=95034"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=95034"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=95034"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}