{"id":95008,"date":"2026-04-02T00:02:01","date_gmt":"2026-04-02T03:02:01","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=95008"},"modified":"2026-04-22T03:17:54","modified_gmt":"2026-04-22T06:17:54","slug":"entrevista-manu-joker-uganga-revela-livro-sobre-cena-do-triangulo-mineiro-fala-sobre-ganeshu-e-40-anos-de-barulho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/04\/02\/entrevista-manu-joker-uganga-revela-livro-sobre-cena-do-triangulo-mineiro-fala-sobre-ganeshu-e-40-anos-de-barulho\/","title":{"rendered":"Entrevista: Manu Joker (Uganga) revela livro sobre cena do Tri\u00e2ngulo Mineiro, fala sobre \u201cGaneshu\u201d e 40 anos de barulho"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ociocretino\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ativo na m\u00fasica pesada desde os anos 80, o m\u00fasico <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/manuhenriquesjoker\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Manu Joker<\/a> \u00e9 um dos nomes ligados \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da cena de sons extremos no Brasil. No underground de Minas Gerais, ele passou por bandas importantes como o Angel Butcher e o Sarc\u00f3fago, com quem gravou o EP \u201cRotting\u201d (1989), um registro que se tornaria refer\u00eancia para in\u00fameras bandas ao redor do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e9 com o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ugangaofficial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uganga<\/a>, banda que fundou em 1993, que Manu consolidou sua identidade art\u00edstica. O grupo nasceu como um projeto paralelo &#8211; j\u00e1 que seus integrantes tamb\u00e9m participavam de outras bandas -, mas aos poucos se tornou a prioridade do m\u00fasico. Misturando thrash metal, hardcore e outras vertentes mais agressivas do rock, o Uganga passou por mudan\u00e7as de forma\u00e7\u00e3o, lan\u00e7ou uma sequ\u00eancia s\u00f3lida de \u00e1lbuns e construiu uma trajet\u00f3ria que inclui turn\u00eas pelo Brasil e pela Europa, al\u00e9m do registro ao vivo \u201cEurocaos ao Vivo\u201d (2013), gravado durante uma dessas passagens pelo continente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho mais recente \u00e9 \u201c<a href=\"https:\/\/onerpm.link\/194214539587\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ganeshu<\/a>\u201d (2025), oitavo \u00e1lbum de est\u00fadio do Uganga. No disco, a banda amplia seu repert\u00f3rio ao incorporar elementos pouco usuais ao metal &#8211; como dub e drum\u2019n\u2019bass &#8211; al\u00e9m de refer\u00eancias espirituais e culturais diversas. O pr\u00f3prio t\u00edtulo reflete essa proposta: uma fus\u00e3o entre \u201cGanesha\u201d, da tradi\u00e7\u00e3o hindu, e \u201cExu\u201d, das religi\u00f5es afro-brasileiras, s\u00edmbolos ligados \u00e0 abertura de caminhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gravado no est\u00fadio Rocklab, em An\u00e1polis (GO), e produzido por Manu Joker ao lado de Gustavo Vazquez, o \u00e1lbum equilibra peso direto e experimenta\u00e7\u00e3o, refor\u00e7ando a identidade de uma banda que nunca se prendeu muito a r\u00f3tulos r\u00edgidos dentro da m\u00fasica pesada. A arte de capa, assinada por Artur Fontenelle, refor\u00e7a essa ideia ao representar uma figura que funde simbolicamente essas duas entidades espirituais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo da entrevista com o Scream &amp; Yell a seguir, Manu fala sobre a concep\u00e7\u00e3o de \u201c<a href=\"https:\/\/onerpm.link\/194214539587\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ganeshu<\/a>\u201d, sobre a mistura de refer\u00eancias da banda, que vai de Black Sabbath a Bob Marley, de Public Enemy ao Clube da Esquina, e sobre a trajet\u00f3ria do Uganga como uma banda que nunca se encaixou completamente em uma \u00fanica cena. O vocalista tamb\u00e9m revela que est\u00e1 preparando um livro em dois volumes sobre a cena musical do Tri\u00e2ngulo Mineiro, compreendendo quatro d\u00e9cadas. Confira a entrevista completa abaixo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ganeshu\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nmLOU2VFv4FJyaXTZpdZhhc6n3kiWFl0c\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estava lendo as infos do \u201cGaneshu\u201d e havia uma perspectiva dele sair em formato f\u00edsico em fevereiro. Como est\u00e1 isso?<\/strong><br \/>\nTivemos um pequeno atraso, que \u00e9 at\u00e9 uma coisa meio esperada se tratando de underground (risos). Mas est\u00e1 para sair. Estamos lan\u00e7ando em parceria com v\u00e1rios selos independentes para viabilizar a cota f\u00edsica. A gente acredita muito nesse formato ainda e consegue vender bem pegando estrada. Quanto mais a gente pega estrada, mais vende <a href=\"https:\/\/www.incendioshop.com.br\/musica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">e tem a loja tamb\u00e9m<\/a>. Sempre existe uma demanda por material f\u00edsico e com esse \u00e1lbum n\u00e3o seria diferente. A previs\u00e3o \u00e9 final de fevereiro ou come\u00e7o de mar\u00e7o ter a prensagem em CD. Estamos trabalhando para viabilizar o vinil tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o os formatos f\u00edsicos seriam CD e vinil?<\/strong><br \/>\nO CD j\u00e1 \u00e9 certeza, j\u00e1 est\u00e1 tudo feito: arte gr\u00e1fica fechada, selos definidos, s\u00f3 finalizando detalhes para mandar para a f\u00e1brica. Em paralelo a isso, estamos tentando viabilizar o vinil, que \u00e9 mais complicado, porque est\u00e1 muito caro no Brasil. Estamos vendo possibilidade via edital e tamb\u00e9m com selos. Na Europa existe uma chance mais concreta de sair uma prensagem em vinil vermelho. Mas s\u00e3o v\u00e1rias correrias que estamos vendo ao mesmo tempo e o mais certo mesmo agora \u00e9 o CD em mar\u00e7o. Vamos fazer em digipack ou em acr\u00edlico com slipcase.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas j\u00e1 t\u00eam experi\u00eancia com lan\u00e7amentos anteriores via edital?<\/strong><br \/>\nSim. J\u00e1 escrevemos e aprovamos projetos municipais, estaduais e tamb\u00e9m fomos contemplados pela Wacken Foundation, no lan\u00e7amento do [\u00e1lbum] \u201cServus\u201d [2019]. Nunca dependemos disso para a banda existir ou dar seus passos, conseguimos manter uma certa regularidade de lan\u00e7amentos desde o in\u00edcio. Mas ao mesmo tempo, fomos aprendendo a trabalhar com editais porque \u00e9 uma ajuda tremenda. Como temos um curr\u00edculo razo\u00e1vel, vez ou outra conseguimos esse tipo de apoio.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"UGANGA - Tem Fogo! (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nWCR2MqQ6eM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao longo de todos esses anos de correria no underground, com certeza voc\u00ea sabe de boas hist\u00f3rias para um livro sobre a cena do Tri\u00e2ngulo Mineiro. J\u00e1 pensou sobre isso?<\/strong><br \/>\nAcho que \u00e9 a primeira vez que falo isso publicamente: estou preparando um livro. Eu escrevia uma coluna chamada \u201cO Som do Bico da Galinha\u201d num fanzine daqui da regi\u00e3o que era do meu irm\u00e3o, Marco. Esse fanzine durou sete anos, teve v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es. Era um fanzine de bolso com entrevistas, resenhas, coberturas de shows. E tinha essa coluna na qual eu escrevia a minha vis\u00e3o sobre a cena do Tri\u00e2ngulo Mineiro. Come\u00e7ou ali pelo in\u00edcio dos anos 2000 e durou uns sete anos. Minha ideia seria fazer uma revis\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o desses textos, com imagens de memorab\u00edlia que tenho e depoimentos da galera numa est\u00e9tica similar ao \u201cMate-me Por Favor\u201d [seminal livro de Gillian McCain e Legs McNeil sobre o in\u00edcio do movimento punk]. A ideia \u00e9 ter meus textos e complementar com as impress\u00f5es de algu\u00e9m que era da cena, passou por aqui ou de alguma forma estivesse envolvida com o tema. Estou pensando em dividir em volumes, e o volume 1 contemplaria de 1982 a 2002, quando saiu o primeiro \u00e1lbum do Uganga. A\u00ed teria muita coisa, como Sarc\u00f3fago, Angel Butcher, in\u00fameros festivais e bandas\u2026 Eu optei por n\u00e3o ficar falando s\u00f3 do meu corre e sim de tudo que estava rolando. Sempre documentei e guardei muita coisa. Quero deixar a parte textual pronta ainda esse ano e espero lan\u00e7ar at\u00e9 2027.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que massa! O livro j\u00e1 tem t\u00edtulo?<\/strong><br \/>\nTalvez o t\u00edtulo da minha coluna mesmo, que era \u201cO Som do Bico da Galinha\u201d, uma alus\u00e3o a \u201co som do Tri\u00e2ngulo Mineiro\u201d. N\u00e3o sei se vou manter esse nome ou mudar, mas talvez incluindo um subt\u00edtulo mais explicativo. Ainda estou decidindo se mantenho esse nome estranho e esquisito (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea j\u00e1 tem alguma editora interessada? J\u00e1 apresentou o projeto do livro para algu\u00e9m?<\/strong><br \/>\nAinda n\u00e3o. Inscrevemos em edital, mas se n\u00e3o aprovar, vamos buscar parceiros independentes, como fazemos com os discos. Mas acho que tem boas chances de ser aprovado por ser realmente um documento que teria sobre a cena em formato de texto mesmo. Tem um outro livro que cataloga bandas, que \u00e9 feito por um amigo meu daqui e tem tanto o Uganga quanto o Sarc\u00f3fago, Angel Butcher e tal, mas do jeito que eu estou fazendo com cronologia, falando de datas e de shows importantes e tudo, ainda n\u00e3o tem. Ent\u00e3o acho que vai ser um produto interessante para quem for estudar a m\u00fasica independente do Tri\u00e2ngulo Mineiro, porque n\u00e3o \u00e9 focado s\u00f3 em metal: tem hardcore tamb\u00e9m, eu falo da cena de rap, indie\u2026 Enfim, eu venho circulando por um rol\u00ea mais amplo desde o come\u00e7o. Ent\u00e3o trato de toda essa galera. Acredito que existe demanda para ser aprovado, mas se n\u00e3o for, a\u00ed a gente vai falar com selos independentes e encontrar parceiros. Acho realmente que vai ficar um trabalho bem interessante, porque tenho um arm\u00e1rio que \u00e9 tipo um sarc\u00f3fago mesmo (risos), que tem flyer desde 1984, fanzines e fotografias daquela \u00e9poca. Ent\u00e3o estou recorrendo muito a ele para escrever e como tem muito material legal, a gente vai inserir tamb\u00e9m as fotos dessa memorabilia para ficarem registradas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sarc\u00f3fago - The Lust\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9vy0_J7z_O4?list=PL8MgqXJYAMVwu45J88l2lBuYRCeXEFT7o\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando ao \u201cGaneshu\u201d: o disco \u00e9 bem pesado, mas tem momentos experimentais, como em \u201cPsicoraio Dub\u201d. No faixa a faixa do \u00e1lbum, voc\u00ea disse que considera doom e dub como primos e o drum\u2019n\u2019bass como o sobrinho. Como assim?<\/strong><br \/>\nCara, eu sempre falei isso na banda, e a gente j\u00e1 deu muita risada disso. Mas \u00e9 porque, se voc\u00ea for pensar, o dub e o doom, e a\u00ed o doom\/stoner, que \u00e9 o que veio muito do Sabbath\u2026 a gente est\u00e1 falando de um lado da Jamaica e do outro basicamente do Black Sabbath. Mas ambos s\u00e3o lentos, t\u00eam uma \u201cgordura\u201d. Tem um peso extra, uma dose boa de psicodelia. Ent\u00e3o eu vejo muito essas conex\u00f5es. Tem conex\u00f5es bem chapadas, digamos assim, entre os dois estilos. Aquela coisa hipn\u00f3tica, e ao mesmo tempo o peso muito presente em ambos. E a gente usa isso. Em m\u00fasicas como, por exemplo, \u201cCouro Cru\u201d, a gente come\u00e7a parecendo que est\u00e1 tocando um doom mesmo, mas voc\u00ea sente um feeling meio Jamaica ali, que faz parte das nossas refer\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1989 eu estava no Sarc\u00f3fago, mas j\u00e1 tava ligado em ragga, em rap tamb\u00e9m. Ent\u00e3o s\u00e3o estilos que venho pesquisando h\u00e1 muito tempo e, por sorte, outros integrantes do Uganga tamb\u00e9m curtem. A galera n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 do metal ou do hardcore, apesar de ser a nossa base prim\u00e1ria. Mas \u00e9 aquilo: gostamos muito do dub, do doom, da drum\u2019n\u2019bass, na parte r\u00edtmica. O rap em algumas levadas, a pr\u00f3pria m\u00fasica mineira\u2026 artistas tipo o pessoal do Clube da Esquina, 14 Bis\u2026 tudo isso influencia a gente, porque faz parte de uma forma\u00e7\u00e3o musical que vem da nossa g\u00eanese. Ent\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel. Concordo que o \u201cGaneshu\u201d tem uma dose experimental bem latente, mas diria que toda a nossa discografia teve faixas que v\u00e3o mais pra esses lados. Se voc\u00ea pegar o primeiro \u00e1lbum, tem m\u00fasicas tipo \u201cOuro de Julho\u201d que j\u00e1 t\u00eam coisas de drum, de sample\u2026 e a pr\u00f3pria \u201cCouro Cru\u201d, que tamb\u00e9m \u00e9 do primeiro \u00e1lbum. Ent\u00e3o a gente vive nesse caldeir\u00e3o a\u00ed que mistura Black Sabbath, Bob Marley, Augustus Pablo, Kraftwerk, L\u00f4 Borges\u2026 a gente \u00e9 muito influenciado por essas coisas loucas. Mistura tudo isso num liquidificador profano com muita da ess\u00eancia do metal extremo mineiro dos anos 80, do punk rock\u2026 principalmente o punk nacional e o europeu dos anos 80 tamb\u00e9m. Falo mais a respeito do meu background, n\u00e9? Porque hoje em dia toco com caras de gera\u00e7\u00f5es diferentes. Ent\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel que eles tamb\u00e9m tragam as viv\u00eancias e as refer\u00eancias deles. Isso tamb\u00e9m \u00e9 uma caracter\u00edstica do Uganga. A nossa f\u00f3rmula \u00e9 ampla justamente porque o nosso processo \u00e9 democr\u00e1tico. Ent\u00e3o o que a gente aprendeu foi manter essa democracia de uma maneira que n\u00e3o descaracterize a ess\u00eancia. Diria que hoje a gente tem uma sonoridade que, quem est\u00e1 mais familiarizado com a banda, escuta e sabe que \u00e9 n\u00f3s. A gente tem uma certa assinatura. E ela vem de aprender a misturar, mas com um senso comum do que \u00e9 a sonoridade do Uganga, independente das influ\u00eancias diversas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Psicoraio Dub\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/aUW1F4SZ_Eg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 tocar com integrantes mais jovens, sendo que voc\u00ea est\u00e1 nesse rol\u00ea desde os anos 80?<\/strong><br \/>\nCara, \u00e9 uma loucura. Comecei na cena em 1985, quando o Angel Butcher foi formado. Em 1986 a gente lan\u00e7ou a primeira demo. E desde ent\u00e3o nunca parei. De 1985 pra c\u00e1, se fiquei seis meses na minha vida sem ter uma banda, foi muito. \u00c9 muito tempo no Uganga, n\u00e9? Mais um per\u00edodo no Sarc\u00f3fago, Angel Butcher e v\u00e1rios outros projetos tamb\u00e9m que fui desenvolvendo junto com outras atividades. Sou arquiteto e sempre trabalhei, mas me mantive sempre envolvido com a cena. E \u00e9 muito louco, porque quando o Uganga foi formado, em 1993, eu era um dos mais jovens, mas hoje sou o anci\u00e3o da banda (risos). Muito engra\u00e7ado! A galera vai saindo, as coisas v\u00e3o mudando\u2026 e eu optei por ficar. Acredito que isso \u00e9 grande parte de quem eu sou. O nosso baterista tem a idade da banda, e o baixista e o guitarrista s\u00e3o mais jovens do que o Uganga. Olha que maluco! O nosso guitarrista, Vin\u00edcius Luz, aprendeu a tocar guitarra na pandemia, saiu do videogame pra guitarra. Isso mostra o quanto essa gera\u00e7\u00e3o \u00e9 precoce, porque o cara toca pra caralho. O Igor, nosso baixista, est\u00e1 ali beirando os 30 anos tamb\u00e9m. O tio dele foi baterista do Uganga, ent\u00e3o ele cresceu indo nos nossos shows. E o nosso batera \u00e9 o Juninho, que vem de uma outra cena: ele come\u00e7ou tocando na igreja, na Bahia. Apesar de ser natural de Minas, ele morou na Bahia na inf\u00e2ncia, e quando voltou, j\u00e1 era m\u00fasico. A\u00ed se ligou em metal, em m\u00fasica extrema, e veio parar no Uganga. Ent\u00e3o s\u00e3o v\u00e1rios caminhos que se encontraram nesse momento da banda. E eu acho isso muito rico, cara. Eu realmente n\u00e3o tenho distin\u00e7\u00e3o de credo, ra\u00e7a, cor, prefer\u00eancia ou posicionamento; respeito e aprendo com o diferente. Pra mim \u00e9 muito foda essa troca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro de tudo, j\u00e1 rola uma amizade. A gente j\u00e1 pegou horas e horas de estrada juntos pra testar a conviv\u00eancia, e os caras s\u00e3o pessoas legais de conviver. S\u00e3o m\u00fasicos talentosos e est\u00e1 sendo uma troca muito legal. Principalmente pelas quatro personas musicais que est\u00e3o compondo a banda nesse momento. O Juninho toca no &#8220;Ganeshu\u201d e a gente j\u00e1 comp\u00f4s junto ali. E os outros dois a gente est\u00e1 come\u00e7ando a compor juntos agora, estamos na pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o do novo \u00e1lbum e est\u00e1 sendo muito foda, cara. E \u00e9 engra\u00e7ado porque \u00e0s vezes nem tudo que os caras gostam eu gosto, e vice-versa. A gente fica meio que zoando um ao outro por causa disso. O nosso guitarrista veio me mostrar Poliphia\u00a0esses dias. Eu falei: \u201cPorra, mano\u2026 n\u00e3o, isso a\u00ed j\u00e1 \u00e9 muito pra mim\u201d. A\u00ed eu mostro, sei l\u00e1, pro batera um D-Beat podr\u00e3o, mal gravado, dos anos 80, e o cara talvez n\u00e3o se conecte tanto tamb\u00e9m com isso. Mas \u00e9 legal. A gente est\u00e1 aprendendo a lidar com essas diferen\u00e7as de uma maneira muito leve. E eu acredito que o novo disco vai mostrar isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2026, o que ainda faz sentido manter no DNA do Uganga e o que voc\u00eas j\u00e1 deixaram para tr\u00e1s?<\/strong><br \/>\nA sonoridade do Uganga foi moldada por duas duplas de irm\u00e3os: eu e o Marco, meu irm\u00e3o, e o Cristian e o Ras. Essas duas duplas est\u00e3o em todos os \u00e1lbuns, desde o primeiro at\u00e9 o \u201cServus\u201d. Ent\u00e3o acredito que essa sonoridade foi moldada muito na troca que n\u00f3s quatro tivemos ali, aprendendo a compor juntos, equacionando as nossas diferen\u00e7as e criando uma assinatura que ficou mais percept\u00edvel do \u201cVolume 3\u201d [2010] pra c\u00e1. Eu acho que ali a gente encontrou a nossa sonoridade. Respeito e gosto dos \u00e1lbuns anteriores, mas eles ainda s\u00e3o discos de busca. Eu tinha acabado de sair do Sarc\u00f3fago, os caras estavam vindo do hardcore mel\u00f3dico, o nosso guitarrista tinha tocado ska\u2026 ent\u00e3o cada um vinha de um segmento diferente. Do \u201cVolume 3\u201d pra frente, acho que a gente encontrou o nosso som e ele vem se desenvolvendo desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensando em caracter\u00edsticas que v\u00e3o ser mantidas, eu acho que uma delas \u00e9 a abordagem das letras. Apesar de ter um vi\u00e9s cr\u00edtico, nunca \u00e9 panflet\u00e1rio, nunca \u00e9 sobre verdades absolutas. Sempre tem uma influ\u00eancia muito grande da espiritualidade, que pode ou n\u00e3o ter a ver com religi\u00e3o. Tem uma inspira\u00e7\u00e3o est\u00e9tica tanto no hindu\u00edsmo quanto nas religi\u00f5es de matriz africana. Se voc\u00ea pegar o primeiro \u00e1lbum, tem uma m\u00fasica chamada \u201cCouro Cru\u201d, que fala de quilombo, de navio negreiro, e ao mesmo tempo tem \u201cAtitude L\u00f3tus\u201d, que remete ao hindu\u00edsmo e yoga. Ent\u00e3o isso tudo sempre permeou o nosso universo. Essa parte l\u00edrica eu cuido sozinho desde o come\u00e7o, mas a parte musical \u00e9 criada de maneira democr\u00e1tica entre n\u00f3s. E eu vou muito nesse lado de pensar no mundo, mas falar disso com a linguagem das ruas, com o que est\u00e1 \u00e0 minha volta. Acredito que isso v\u00e1 continuar, assim como algumas coisas mais hist\u00f3ricas aqui e ali, como refer\u00eancias ao canga\u00e7o, \u00e0 Segunda Guerra Mundial\u2026 de vez em quando eu vou nesses temas e vou continuar abordando porque me interessam muito. Mas no geral \u00e9 mais sobre viv\u00eancia mesmo: ang\u00fastias, raivas, alegrias, d\u00favidas, questionamentos. O \u201cGaneshu\u201d tem muito essa coisa de celebrar aquilo que a gente n\u00e3o sabe, a n\u00e3o obrigatoriedade de ter respostas pra tudo. Ent\u00e3o acredito que essa busca vai continuar na l\u00edrica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E musicalmente, eu diria que o groove nunca vai sair. Eu sou disc\u00edpulo de Black Sabbath, e acho que metal e hardcore t\u00eam que ter groove. Essa coisa do quadril engessado \u00e9 mais coisa de power metal alem\u00e3o. Gosto de v\u00e1rias bandas alem\u00e3s, mas entendo que ali o groove n\u00e3o \u00e9 o essencial. No nosso caso, voc\u00ea pensa em \u201cFairies Wear Boots\u201d, do Sabbath e d\u00e1 pra rimar em cima daquilo ali. \u00c9 groove puro, n\u00e9, mano? Ou \u201cSeek and Destroy\u201d, do Metallica. P\u00f4, groove pra caralho. E no nosso caso tem at\u00e9 mais, porque a gente gosta de Faith No More, de Red Hot Chili Peppers, de Biohazard\u2026 ent\u00e3o o groove vai estar sempre presente. Mas eu diria que a banda hoje est\u00e1 com um apuro t\u00e9cnico um pouco maior, que \u00e9 fruto de evolu\u00e7\u00e3o e dos integrantes atuais. A gente tem dois estudantes de m\u00fasica e isso ajuda a trazer um pouco mais de requinte instrumental. Ao mesmo tempo, acho que a banda soa mais brutal e urgente tamb\u00e9m. A gente voltou a ter m\u00fasicas menores, blast beats, enfim. Acho que a refer\u00eancia primal do crossover est\u00e1 mais na cara e o experimental vira o tempero. \u00c9 o or\u00e9gano que a gente joga no final: um pouco de dub aqui, um pouco de psicodelia ali, alguma coisa de eletr\u00f4nica, uma participa\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m do rap, que \u00e9 algo que tem em todos os \u00e1lbuns tamb\u00e9m. Mas a base \u00e9 um crossover de 2026 \u00e0 nossa maneira: sem querer soar retr\u00f4 ou saudosista, mas que t\u00e1 bem extremo, bem brutal e bem urgente.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Uganga &amp; Eremita - Couro Cru (Live from Manifesto Cerrado)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mIlB0CePZ2A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A banda se formou em Uberaba (MG), mas agora voc\u00ea mora em Araguari (MG), certo?<\/strong><br \/>\nExato. \u00c9 na pontinha do \u201cbico da galinha\u201d ali, quase em Goi\u00e1s. At\u00e9 por isso que a gente foi gravar no Rock Lab. A cena do Tri\u00e2ngulo Mineiro, desde os anos 80, pela proximidade geogr\u00e1fica, sempre teve uma conex\u00e3o muito forte com a galera de Goi\u00e2nia (GO). V\u00e1rias bandas dali: Mortu\u00e1rio, Asgard, Terminator\u2026 a galera da cena hardcore tamb\u00e9m tinha muita banda ali desde o come\u00e7o. E a galera de l\u00e1 vinha pra c\u00e1, junto com a galera de Bras\u00edlia. Ent\u00e3o a cena do Centro-Oeste, pela proximidade geogr\u00e1fica com a gente, sempre dialogou bastante. E a escolha pelo Rock Lab se justifica por v\u00e1rios fatores. Primeiro que o Gustavo \u00e9 um contempor\u00e2neo: quando ele estava gravando com o Siecrist pela Cogumelo [Records], eu estava gravando com o Sarc\u00f3fago. Ent\u00e3o a gente vem da mesma cena dali. E ao mesmo tempo, o cara j\u00e1 gravou Macaco Bong, Molho Negro, Violins, v\u00e1rias bandas que v\u00e3o pra outro lado\u2026 Ent\u00e3o isso \u00e9 muito legal pra gente, ter essa vis\u00e3o mais ampla. \u00c0s vezes \u00e9 necess\u00e1rio uma compreens\u00e3o que v\u00e1 al\u00e9m do metal e do hardcore pra trabalhar com a banda. E o Gustav\u00e3o tem muito isso, ent\u00e3o a gente divide a produ\u00e7\u00e3o. Eu cuido mais da parte de pr\u00e9-grava\u00e7\u00e3o, de preparar a banda e as composi\u00e7\u00f5es, e ele vai na capta\u00e7\u00e3o e na timbragem, porque o cara sabe os caminhos pra tirar uma sonoridade que nos agrada: uma pegada mais org\u00e2nica, mas tudo bem definido. E a gente inclusive vai repetir com ele na pr\u00f3xima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas est\u00e3o pensando em gravar material novo quando?<\/strong><br \/>\nA gente est\u00e1 na pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o agora. E o plano \u00e9 o seguinte: at\u00e9 o \u201cServus\u201d, todos os nossos \u00e1lbuns tiveram 13 faixas. Depois dele, a gente mudou um pouco essa l\u00f3gica: sempre trabalhando com sete faixas, como se fossem as sete espadas da Umbanda. Ent\u00e3o vamos repetir esse formato de sete faixas e acredito que v\u00e3o estar prontas at\u00e9 agosto. A ideia \u00e9 gravar no segundo semestre e o plano inicial seria lan\u00e7ar no come\u00e7o de 2027. Mas vamos ver como as coisas se desenrolam.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SARC\u00d3FAGO HIST\u00d3RIA\u2013 A BANDA QUE CHOCOU O MUNDO! Do Underground ao Culto Eterno\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6YqShwvWp6Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O metal sempre flertou com uma est\u00e9tica de poder de um macho invenc\u00edvel. Me parece que o Uganga se afasta disso. \u00c9 uma escolha pol\u00edtica ou instintiva?<\/strong><br \/>\nVoc\u00ea v\u00ea, eu venho do Sarc\u00f3fago, que \u00e9 talvez uma das bandas mais profanas da hist\u00f3ria. Mas ao mesmo tempo venho num caminho de busca espiritual desde essa \u00e9poca. Tive a sorte de n\u00e3o ser doutrinado em nada e isso me deu espa\u00e7o pra estudar, experimentar, descobrir. E uma coisa com a qual eu realmente n\u00e3o compactuo \u00e9 com imposi\u00e7\u00e3o. E muitas vezes o hardcore e o metal s\u00e3o muito impositivos. Eu cresci assim. Os caras mais velhos te intimando pra fazer question\u00e1rio\u2026 nos anos 80 tinha uma babaquice disso. E desde aquela \u00e9poca eu n\u00e3o me deixei dobrar por isso, n\u00e3o. No nosso discurso, a gente tem essa ideia de fortalecer aquilo que voc\u00ea \u00e9, se sentir apoiado em ser quem voc\u00ea \u00e9 e acolhido no nosso ambiente. Porque a gente n\u00e3o quer impor nada, nenhum tipo de ideologia. \u00c9 claro que eu me posiciono politicamente nas letras, apesar de n\u00e3o defender partido. Cada um faz o que quer. Tenho uma orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 esquerda; sempre votei na esquerda desde 1989, quando votei pela primeira vez. Mas isso n\u00e3o quer dizer que eu n\u00e3o tenha cr\u00edticas \u00e0 esquerda tamb\u00e9m. Eu sou contra todos que tentam apontar o dedo na nossa cara e falar o que a gente tem que fazer. A gente se posiciona: o Uganga \u00e9 uma banda libert\u00e1ria na ess\u00eancia e por isso que a gente simpatiza muito com o hindu\u00edsmo. No hindu\u00edsmo voc\u00ea estuda justamente pra aprender a respeitar e aceitar o diferente como seu irm\u00e3o ou irm\u00e3. Ent\u00e3o a gente est\u00e1 muito nessa vibe de n\u00e3o querer impor nada. No show tamb\u00e9m; a gente n\u00e3o fica tentando comandar a plateia. Eu prefiro muito mais uma coisa de catarse, de todo mundo entrar numa conex\u00e3o com a gente ali e fazer um ritual e cada um se manifestar da maneira que quiser. Essa coisa impositiva, agressiva, opressora\u2026 inclusive a gente tem um \u00e1lbum chamado \u201cOpressor\u201d [2014], que fala muito disso e tem uma entidade na capa que simboliza esses elementos. \u00c9 algo que me interessa pra escrever, mas n\u00e3o faz parte da minha conduta ou do que acredito, ou do caminho que eu quero seguir trilhando. Eu tamb\u00e9m j\u00e1 errei, tive postura impositiva, j\u00e1 tive aquela desinforma\u00e7\u00e3o adolescente cheia de testosterona. Voc\u00ea acaba indo por caminhos que hoje voc\u00ea olha e fala: \u201c\u00c9\u2026 n\u00e3o devia ter ido por ali\u201d. Mas que bom que tirei um aprendizado de saber que aquilo n\u00e3o era legal. Desde o come\u00e7o do Uganga, l\u00e1 em 1993, eu j\u00e1 tinha deixado v\u00e1rios h\u00e1bitos pra tr\u00e1s; tinha pegado outro caminho, mudado de turma. Busquei uma vida mais saud\u00e1vel, comecei a me questionar, a me interessar pelo que pode existir no mundo que eu n\u00e3o enxergo. Isso acho que \u00e9 mais latente no Uganga. O Angel Butcher era pol\u00edtica por pol\u00edtica; o Sarc\u00f3fago era \u201cquanto mais blasfemo, melhor\u201d. E o Uganga j\u00e1 \u00e9 outra coisa: \u00e9 um momento meio \u201cuau, que viagem louca\u201d e \u201co que eu t\u00f4 concluindo disso tudo at\u00e9 agora?&#8221;. \u00c9 meio por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea lida com radicalismo e gente escrota na cena?<\/strong><br \/>\nEu acho que a nossa cena \u00e9 muito embalada, sabe? Ao mesmo tempo em que surfa num hype, fala que \u00e9 genial, depois j\u00e1 come\u00e7a a querer arrancar a cabe\u00e7a dos caras. Ent\u00e3o a minha cr\u00edtica, o meu cinismo punk, ele vai at\u00e9 mais longe. Ele se volta tamb\u00e9m pra quem est\u00e1 \u00e0 minha volta em muitos casos, porque parece que certas pessoas s\u00e3o obrigadas a falar bem ou a falar mal de bandas espec\u00edficas. Mas o quanto disso vem realmente de uma conclus\u00e3o pr\u00f3pria? \u00c9 f\u00e1cil voc\u00ea ser raso e ser tratado como genial. E grande parte disso vem da pr\u00f3pria cena. Em muitos casos, a galera quer ver a banda antiga tocar o material dos anos 80, porque o novo j\u00e1 n\u00e3o interessa pra elas. Tudo isso \u00e9 uma rede de pregui\u00e7a, modismo, comodismo e car\u00eancia afetiva na qual a gente est\u00e1 chafurdando j\u00e1 faz um bom tempo, tentando sair. Radicalismo sempre teve. Aquela coisa de: \u201cPorra, o cara tocou no Sarc\u00f3fago e agora tem m\u00fasica com rap\u201d, esse papo raso. O cara n\u00e3o sabe que Public Enemy j\u00e1 fazia parte da minha ess\u00eancia h\u00e1 tempos. O cara consome o que eu fiz, valoriza a sonoridade que a gente criou, mas n\u00e3o respeita nem as influ\u00eancias que vieram desse processo. N\u00e3o \u00e9 porque no \u201cRotting\u201d, do Sarc\u00f3fago, n\u00e3o tem rap que eu n\u00e3o escutasse naquela \u00e9poca. E mesmo que eu tivesse come\u00e7ado a escutar ontem, tamb\u00e9m seria um direito meu. Ent\u00e3o assim, a gente sempre foi muito julgado: pela galera do rap, pelos radicais do metal e do hardcore. E a nossa postura sempre foi duas coisas: primeiro desd\u00e9m, e segundo dedo do meio em riste. Cara, \u00e9 sempre isso pra todo esse radicalismo. E antes de tudo tem que ter verdade, n\u00e9? A sua verdade voc\u00ea sabe qual \u00e9. A minha eu sei. E esses caras muitas vezes querem falar da verdade dos outros. Gostar ou n\u00e3o gostar \u00e9 direito de cada um. Agora, a maneira como isso \u00e9 colocado\u2026 a gente volta naquela postura impositiva, agressora, atrasada. Espiritualmente velha, eu diria.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Uganga - A Profecia (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MVoJgBRNsgs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que mais te incomoda no Brasil de hoje e o que ainda d\u00e1 respiro?<\/strong><br \/>\nCara, o que mais me incomoda\u2026 eu n\u00e3o vou sair do clich\u00ea, n\u00e3o: \u00e9 a extrema direita cafona e extremamente radical. Eu acho que n\u00e3o tem nada que sufoque mais o planeta hoje em dia do que esse pensamento. Esse bando de fanatizados religiosos, cara. Todo mundo quer ser guia espiritual, cientista pol\u00edtico, mercen\u00e1rio\u2026 E no fim das contas n\u00e3o passam de um bando de covardes, desesperados e corporativistas. Tenho repulsa pela extrema direita brasileira. Isso \u00e9 uma coisa minha. Iisso n\u00e3o quer dizer que eu morra de amores por tudo que a esquerda faz ou que eu ache que uma extrema esquerda radical seja a solu\u00e7\u00e3o. Pra mim, muitas vezes o caminho do di\u00e1logo \u00e9 o melhor. Mas o que a extrema direita tem feito com o Brasil, juntamente com o fanatismo neopentecostal, eu acho que \u00e9 uma das coisas mais podres, nojentas e irritantes que existem hoje em dia, na minha vis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea conversa sobre pol\u00edtica com quem entra na banda?<\/strong><br \/>\nCara, assim\u2026 obviamente, eu gostaria que n\u00e3o tivesse que lidar com certas quest\u00f5es, com pessoas com esse outro tipo de vis\u00e3o, n\u00e9? Acho que quando o cara vem tocar no Uganga \u00e9 meio imposs\u00edvel ele ser bolsonarista, por exemplo. Mas dentro do nosso espectro sempre v\u00e3o existir diferen\u00e7as. A gente conversa muito sobre diferen\u00e7as de vis\u00e3o de mundo, at\u00e9 porque a gente tem diferen\u00e7as de idade, de influ\u00eancias, de tudo. Ent\u00e3o uma vis\u00e3o um pouco diferente sempre vai existir. Mas tem algumas coisas que s\u00e3o intoler\u00e1veis, n\u00e9? Tanto numa amizade quanto numa parceria profissional. E no caso do Uganga, muitas vezes as duas coisas se misturam. N\u00e3o necessariamente voc\u00ea precisa virar amigo da pessoa, mas o ambiente tem que ser amig\u00e1vel. Ent\u00e3o eu procuro conversar e prestar muita aten\u00e7\u00e3o nas pessoas com quem estou lidando. Muitos integrantes do Uganga eu j\u00e1 conhecia desde a inf\u00e2ncia, ent\u00e3o o briefing j\u00e1 vinha meio pronto. Mas nos casos mais recentes, a gente conversa bastante. E todo mundo tem uma vis\u00e3o mais progressista, mais libert\u00e1ria e de respeito. Do ponto de vista espiritual, cada um enxerga a vida de uma maneira. Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 obrigado a ter ou n\u00e3o ter f\u00e9, isso vai de cada um. Mas gosto de ter pessoas com valores interessantes do meu lado. N\u00e3o que eu seja exemplo de porra nenhuma, t\u00e1? Muito pelo contr\u00e1rio. Mas justamente porque estou buscando evoluir, quero estar ao lado de pessoas que tamb\u00e9m est\u00e3o nessa busca. N\u00e3o quero gente que me puxe pro meu pior. Ent\u00e3o procuro criar um ambiente saud\u00e1vel e respeitoso. Outra coisa tamb\u00e9m s\u00e3o os excessos; cada um faz o que quer da vida. Gosto de um verde de vez em quando, tomo uma cerveja, os caras tamb\u00e9m e est\u00e1 tudo certo. Mas quando o cara perde o senso do entorno, principalmente com bebida, coca\u00edna, esse tipo de coisa, isso vira um problema. J\u00e1 tive experi\u00eancias com pessoas que levavam isso muito forte pro ambiente da banda e n\u00e3o era positivo. Hoje em dia cada um tem sua balada, seus h\u00e1bitos, mas precisa segurar a cabe\u00e7a na hora de tocar. Isso \u00e9 muito importante tamb\u00e9m, at\u00e9 pro ambiente ficar leve, porque a gente convive muito tempo junto. O underground \u00e9 assim: \u00e0s vezes s\u00e3o quatro caras dentro de um carro ou num quarto de hotel. Voc\u00ea n\u00e3o tem tanta individualidade quanto bandas que est\u00e3o num patamar maior. A gente j\u00e1 tem um certo conforto hoje, mas mesmo assim\u2026 cabe\u00e7a no lugar e respeito s\u00e3o fundamentais. E dentro disso, respeito total \u00e0 individualidade de cada um. At\u00e9 porque eu tamb\u00e9m n\u00e3o sou exemplo de boa conduta pra ningu\u00e9m.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"UGANGA - Confesso (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Y65h7aSb7zE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pelo que voc\u00ea est\u00e1 falando, daria para ser um bom exemplo sim. Se todo metaleiro fosse mais cabe\u00e7a aberta para diversos sons, talvez n\u00e3o tivesse um estere\u00f3tipo de pensamento retr\u00f3grado que geralmente \u00e9 associado a eles, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nPode ser, cara. Eu comecei a ouvir m\u00fasica muito por colet\u00e2neas. Ent\u00e3o o primeiro disco que comprei tinha de tudo: Oi!, punk, hard rock, synth pop, pop punk\u2026 Ent\u00e3o desde a g\u00eanese eu j\u00e1 estava ouvindo v\u00e1rias coisas diferentes que me emocionavam. Sempre fui aquele cara que estava tocando numa banda blasfema de death\/black metal brasileiro e, ao mesmo tempo, escutando <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/08\/24\/o-segundo-disco-da-legiao-urbana\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o \u201cDois\u201d da Legi\u00e3o Urbana<\/a>, entendeu? Sempre consumi muita coisa extrema e pesada, mas tamb\u00e9m sempre ouvi muita coisa diferente. Hoje mesmo eu estava ouvindo Discharge mais cedo. Mas ontem eu estava em Vinicius de Moraes. Amanh\u00e3 eu posso estar em hip hop, por exemplo. E est\u00e1 tudo certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea sente diferen\u00e7a entre o p\u00fablico antigo e quem chega agora no Uganga?<\/strong><br \/>\nEu penso que quem acompanha a gente desde o in\u00edcio j\u00e1 est\u00e1 acostumado a ser pego de surpresa. Porque \u00e9 inevit\u00e1vel, n\u00e9? Voc\u00ea pega um \u00e1lbum como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/04\/30\/entrevista-uganga\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cServus\u201d, que \u00e9 pesado pra caramba<\/a>, e l\u00e1 no meio tem uma m\u00fasica com batida eletr\u00f4nica, com uma cantora de frevo [Flaira Ferro] e um violeiro do interior mineiro [Luiz Salgado]. Ent\u00e3o quem est\u00e1 acostumado com a banda j\u00e1 sabe que essas coisas podem acontecer. E eu acho que a galera que est\u00e1 chegando agora, conhecendo a banda pelo \u201cGaneshu\u201d, pode ter a percep\u00e7\u00e3o de que a gente faz esse tipo de som desde o in\u00edcio. Mas na verdade a gente foi moldando essa sonoridade com o tempo, como eu te falei. Agora, o cara que escuta o \u201cGaneshu\u201d inteiro tamb\u00e9m vai ser pego de surpresa em alguns momentos. No meio do disco, tem um dub fundido com drum\u2019n\u2019bass, tocado de forma org\u00e2nica. Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 convencional pra um disco de crossover ter coisas assim. Acho que tanto quem chega agora quanto quem j\u00e1 conhece a banda h\u00e1 mais tempo acaba acostumado a ser pego de surpresa. Quem vai aos shows talvez pense que a gente \u00e9 um pouco mais fechado na f\u00f3rmula, porque ao vivo \u00e0s vezes voc\u00ea n\u00e3o vai tocar \u201cPsicoraio Dub\u201d ou \u201cPressentimento\u201d, por exemplo, quando \u00e9 um show mais curto. Ao vivo a gente soa at\u00e9 mais pesado, eu diria. Tem uma urg\u00eancia maior, um punk mais latente. Mas, via de regra, acho que todo mundo j\u00e1 est\u00e1 meio acostumado. A galera que est\u00e1 chegando agora est\u00e1 conhecendo um Uganga mais brutal. A gente meio que fez o contr\u00e1rio de v\u00e1rias bandas, que v\u00e3o amaciando o som com o tempo. A gente foi ficando mais casca-grossa, mais pesado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea acha que fazer m\u00fasica pesada por tanto tempo no Brasil \u00e9 teimosia, resist\u00eancia ou necessidade?<\/strong><br \/>\nEu fico com a terceira op\u00e7\u00e3o: necessidade. Eu j\u00e1 trabalhei com outros estilos musicais tamb\u00e9m, tanto como baterista quanto como vocalista. J\u00e1 toquei cover, j\u00e1 fiz baile de carnaval, j\u00e1 acompanhei MC como percussionista, toquei em projeto de dub&#8230; Teve momentos na minha trajet\u00f3ria em que eu tesava mais afim de tocar outras coisas, estudar, experimentar. Hoje em dia nem tanto, mas durante muito tempo fui explorando v\u00e1rias possibilidades. E hoje prefiro misturar essas refer\u00eancias dentro do Uganga. Mas, voltando \u00e0 sua pergunta\u2026 se fazer m\u00fasica pesada por tanto tempo no Brasil \u00e9 necessidade\u2026 pra mim \u00e9. Passei por outros estilos, experimentei, mas o meu grito primal vem muito dessa coisa pesada. Por isso que h\u00e1 pouco tempo voltei a tocar o repert\u00f3rio do Sarc\u00f3fago tamb\u00e9m. A gente fez um show em S\u00e3o Paulo com o Manu Joker &amp; The R\u00f6ttens tocando s\u00f3 Sarc\u00f3fago. De vez em quando aquele moleque de 18 anos que eu fui me inspira. Muito da minha forma\u00e7\u00e3o est\u00e1 ali: Suicidal Tendencies, Celtic Frost, Bathory, Black Sabbath, Exodus, Anthrax\u2026 e tamb\u00e9m Public Enemy. Isso tudo \u00e9 muito forte na minha g\u00eanese musical. Bob Marley tamb\u00e9m, claro, e muitas outras coisas. Mas falando da m\u00fasica pesada, \u00e9 isso que moldou muito quem eu sou. Ent\u00e3o acho que \u00e9 onde est\u00e1 a minha ess\u00eancia musical. Pode ser que em algum momento eu tenha um projeto de samba rock ou de trip hop. Pode acontecer, inclusive j\u00e1 pensei nisso. Quando o Uganga estava meio parado, pensei em lan\u00e7ar um trabalho s\u00f3 de rap mesmo, sem pretens\u00e3o de reinventar a roda, mas porque \u00e9 uma coisa que exercito h\u00e1 mais de tr\u00eas d\u00e9cadas. Ent\u00e3o \u00e9 algo que me sinto confort\u00e1vel pra experimentar, entendendo o meu lugar, sem querer \u201csentar na janela\u201d nem nada disso. Mas a minha ess\u00eancia ainda segue sendo a m\u00fasica pesada com groove, que mistura metal, hardcore e com muito rap na base. At\u00e9 na parte pesada o rap acaba estando presente na nossa sonoridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pra terminar: voc\u00ea acha que o Uganga \u00e9 parte de alguma cena espec\u00edfica?<\/strong><br \/>\nEu acho que a gente \u00e9 meio que um corpo estranho circulando por v\u00e1rias cenas. Comparando n\u00e3o por relev\u00e2ncia, nem por estilo, mas por esquisitice mesmo: eu diria que a gente faz parte daquele rol de bandas dos anos 90, tipo Rage Against the Machine, Faith No More\u2026 que vem dos 80, mas explodiu nos 90\u2026 tipo Helmet ou Morphine: cada uma no seu quadrado, mas todas meio tortas, sabe? Eu acho que o Uganga \u00e9 isso tamb\u00e9m: uma banda meio torta. A gente \u00e9 muito bem recebido na cena crossover, thrash, metal\u2026 at\u00e9 por causa da minha liga\u00e7\u00e3o com o Sarc\u00f3fago, ent\u00e3o at\u00e9 a galera mais radical acaba ouvindo e dialogando com a banda. Mas ao mesmo tempo, a gente j\u00e1 tocou em eventos de indie rock, j\u00e1 abriu show dos Racionais, tocamos com Krisiun, com o Matanza, no mesmo festival que a Elza Soares, abrimos show do Exodus\u2026 ent\u00e3o o Uganga acaba transitando bastante. Conseguimos navegar um pouco al\u00e9m da bolha do crossover e do thrash metal. Dentro disso, sempre vai ter algu\u00e9m que acha legal e outros que falam: \u201cP\u00f4, isso n\u00e3o \u00e9 pra mim\u201d. Ent\u00e3o acho que a gente t\u00e1 nessa categoria das bandas \u201cmais esquisitas\u201d. E eu gosto disso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ganeshu: 3 D\u00e9cadas, 4 Elementos (Document\u00e1rio - Parte 01) [ACESS\u00cdVEL EM LIBRAS E LEGENDAS]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4CNtGOLuQJ8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Faixa a Faixa \/ Track by Track - GANESHU - Ep. 01 - Igarap\u00e9s (Introdu\u00e7\u00e3o)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dM71WpWtyQc?list=PL5p7XDC8KAmrpRD9mzNIDa42gPELQXFRf\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Uganga no Cemit\u00e9rio do Bonfim - Belo Horizonte \/ MG\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gfmptv4K9rw?list=PL5p7XDC8KAmruqXljfC-LfS9Nx5i7fcMS\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Eu acho que a gente \u00e9 meio que um corpo estranho circulando por v\u00e1rias cenas. 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