{"id":950,"date":"2009-03-13T07:54:38","date_gmt":"2009-03-13T10:54:38","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=950"},"modified":"2023-03-29T00:23:08","modified_gmt":"2023-03-29T03:23:08","slug":"a-poderosa-polly-scattergood","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/03\/13\/a-poderosa-polly-scattergood\/","title":{"rendered":"A poderosa Polly Scattergood"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/polly_scatt1.jpg\"><\/a><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/polly_scatt.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-951\" title=\"polly_scatt\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/polly_scatt.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"446\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/polly_scatt.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/polly_scatt-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/polly_scatt-300x297.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Por Danilo Corci<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela \u00e9 lourinha, brit\u00e2nica, prot\u00e9g\u00e9 de gravadora (Mute), tem uma voz peculiar, que a muitos lembrar\u00e1 Bj\u00f6rk, \u00e9 novinha de tudo, 22 anos (ainda que o padr\u00e3o atual j\u00e1 a considere \u201cvelhinha\u201d), adora crossmedia e est\u00e1 conquistando cora\u00e7\u00f5es e mentes na Inglaterra. Polly Scattergood acaba de colocar no mercado o disco que leva seu nome e a imprensa inglesa aproveitou para rotul\u00e1-la de um cruzamento entre Bj\u00f6rk e Tori Amos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bizarro ent\u00e3o? Talvez. Ao ouvi-la de maneira perdida, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil em pensar que se est\u00e1 ouvindo uma nova can\u00e7\u00e3o de uma das duas cantoras. Mas Polly tem um jeito \u00fanico e diferente de se posicionar &#8211; seu flerte com a veia pop \u00e9 ineg\u00e1vel &#8211; sempre h\u00e1 um fundinho que flerta com o eletr\u00f4nico de FM. O que torna, ent\u00e3o, Polly uma artista para se prestar aten\u00e7\u00e3o? A resposta \u00e9 simples: falta de compromisso. Querendo saber um pouco mais sobre isso, eu conversei com Polly via e-mail para entender um pouco melhor esse \u201cfen\u00f4meno\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o \u00e9 simples. Pense bem, hoje ser singer\/songwriter (cantora\/compositora) \u00e9 um m\u00e9rito, cr\u00edticos se derramam, p\u00fablico fiel \u00e9 arrebatado, mesmo quando muita destas SS sejam malas de dar d\u00f3. Polly Scattergood parece ser bem consciente do que faz, parece n\u00e3o ligar muito para essa carga \u201cFiona Apple\u201d de ser, mesmo que, ao se apresentar ao p\u00fablico de l\u00edngua portuguesa, ela confirme a regra: \u201cEu diria que eu sou uma musicista do Reino Unido, escrevo minhas pr\u00f3prias m\u00fasicas e as cantos. Adoro fazer experi\u00eancias com sons diferentes e acabei de lan\u00e7ar meu primeiro disco\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas ent\u00e3o, o que quer doce Polly? \u201cA m\u00fasica sempre esteve comigo, havia um piano em casa e compus minha primeira can\u00e7\u00e3o aos doze anos.\u201d. S\u00e9ria s\u00edndrome de Maysa? Polly nem tem tamanha ousadia, seu jeito de enxergar m\u00fasica \u00e9 mais calcado na ironia do que na raiva. \u201cHumor negro para mim \u00e9 essencial e isso vem de poesias criadas por gente como Leonard Cohen e de s\u00e9ries de TV como Six feet under. Sou atra\u00edda pelo humor negro, n\u00e3o sei bem por qu\u00ea. Acho que o mundo \u00e9 t\u00e3o estranho que, \u00e0s vezes, devemos tentar ver algum humor na coisa toda.\u201d. E \u00e9 justamente neste humor que Polly se afasta de maneira radical de suas companheiras de singers\/songwriters. Enquanto boa parte delas veneram o sofrimento ou exprimem uma revolta despudorada, ela resolve tirar sarro, como logo na abertura de \u201cCrystal breaks\u201d: \u201cVoc\u00ea j\u00e1 se perguntou porque n\u00f3s nunca viramos um casal? N\u00f3s bebemos muito gin, n\u00f3s bebemos muito gin.\u201d &#8211; e isso em uma can\u00e7\u00e3o sobre a fal\u00eancia de um relacionamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas ai vem os r\u00f3tulos \u00f3bvios de bj\u00f6rquismo e que, tamb\u00e9m obviamente, ela finge n\u00e3o se atentar: \u201cEu n\u00e3o ligo. As pessoas tem essa necessidade de rotular e colocar em caixas as coisas e, por mim, tudo bem, desde que elas n\u00e3o se importem se eu resolver sair de uma das caixas para entrar em outra.\u201d. Mas o tributo \u00e0 islandesa transparece quando ela afirma: \u201cEu sou uma musicista e a ideia de ficar presa numa \u00fanica caixa me assusta. Eu quero experimentar, fazer coisas diferentes e, eventualmente, at\u00e9 errar.\u201d. Neste aspecto, os que a rotulam de Bj\u00f6rk inglesa n\u00e3o est\u00e3o errados, afinal experimentalismos s\u00e3o a marca registrada de Bj\u00f6rk. E o tom de lamento de can\u00e7\u00f5es como \u201cBreathe in breath out\u201d, pontuada por acordes lind\u00edssimos de piano fazem a remiss\u00e3o direta \u00e0 Tori Amos, com um filtro antiang\u00fastia latente que a norte-americana tem de melhor. E neste universo h\u00edbrido que Polly transita, sua m\u00fasica soa original e distante o suficiente das inspira\u00e7\u00f5es. Sobra at\u00e9 espa\u00e7o para uma pequena piada, se assim voc\u00ea quiser ler a can\u00e7\u00e3o \u201cBunny club\u201d assim: \u201cChame-me de falsa, senhor, voc\u00ea pode. Voc\u00ea pode me chamar de fraude, pode at\u00e9 me chamar de puta, se quiser\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E nestes tempos de hiperm\u00eddia, Polly Scattergood, uma \u201cnative\u201d da tecnologia, tamb\u00e9m arrumou tempo para lan\u00e7ar um curta-metragem no YouTube: \u201cAdoro arte, m\u00fasica, filmes, tenho diferentes maneiras de querer me expressar. Este projeto do YouTube foi ador\u00e1vel, ainda mais que fiz com meu amigo Tom. E se eu puder, adoraria repetir a experi\u00eancia.\u201d. O que ajuda a entender um pouco mais como Polly caminha no mundo e porque ela se posiciona apartada de Bj\u00f6rk e Amos est\u00e1 em seus interesses: \u201cTenho ouvido demais Vampire Weekend. E lendo Kill your friends, do John Niven.\u201d. Em tempo, Niven foi diretor art\u00edstico da London, subsidi\u00e1ria da Polygram, e no livro conta os bastidores da Cool Britannia da d\u00e9cada de 90. \u201cNitrogen pink\u201d, a primeira m\u00fasica que ela lan\u00e7ou, em 2008, mostra bem essas influ\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Polly tamb\u00e9m pode ser encaixada no perfil do que as gravadoras procuram, desesperadamente, para enfrentar a crise do mercado e da pirataria: juventude ao extremo (vide Mallu no Brasil, a Soap&amp;Skin na \u00c1ustria e assim vai). A sorte de Polly \u00e9 que, ao inv\u00e9s de ingressar n cat\u00e1logo de uma major em decad\u00eancia, ela foi para a queridinha brit\u00e2nica Mute Records, de Daniel Miller, que apesar de ser parte da EMI, caminha solitariamente com a mesma proposta da funda\u00e7\u00e3o &#8211; sons diferentes, mas que tenham de ser bons, ou seja, coisas como Einst\u00fcrzende Neubauten, Throbbing Gristle, Cabaret Voltaire, Goldfrapp, Moby, Nick Cave, Laibach, al\u00e9m do Depeche Mode e Erasure. Estes dois \u00faltimos tiveram o dedo de Vince Clark, que tamb\u00e9m j\u00e1 se colocou para trabalhar com Polly ao remixar \u201cOther too endless\u201d: \u201cFoi sensacional, eu adorei. Acho incr\u00edvel ouvir algu\u00e9m que pegou minha m\u00fasica e colocou sua marca nela. E pra mim, que estou t\u00e3o pr\u00f3xima do que fa\u00e7o, isso \u00e9 especial. Amei a vers\u00e3o de Clarke\u201d. E, tendo todo o arsenal da gravadora a seu dispor, Polly fica um pouco mais sombria quando pensa no futuro da ind\u00fastria: \u201cA Mute \u00e9 muito boa, mas esse lance de baixar m\u00fasica \u00e9 bem triste. Mas acredito que os verdadeiros amantes de m\u00fasica ir\u00e3o pagar por ela em algum momento porque se no final todo mundo roubar, a ind\u00fastria da m\u00fasica quebra e n\u00e3o haver\u00e1 dinheiro para nada, principalmente para o que \u00e9 mais importante para mim: pagar os m\u00fasicos para irem ao est\u00fadio e gravar.\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O discurso de Polly est\u00e1 bem afinado com a estrat\u00e9gia da Mute. Na era em que o conceito de disco parece cada vez mais condenado, a gravadora lan\u00e7ou digitalmente \u201cNitrogen pink\u201d no final de 2008, fez o mesmo com \u201cI hate de way\u201d no come\u00e7o de 2009 at\u00e9 que agora, no dia 9 de mar\u00e7o, o \u00e1lbum chega fisicamente \u00e0s lojas (nem precisa dizer que j\u00e1 \u00e9 encontrado na web). \u201cAndo bem ocupado com shows e com a promo\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum. Mas escrevo r\u00e1pido, j\u00e1 tenho um segundo disco pronto mesmo antes de terminar as grava\u00e7\u00f5es do primeiro.\u201d. Sinais do tempo e bem explicado a aten\u00e7\u00e3o da gravadora. Despejar material parece ser a solu\u00e7\u00e3o da \u2018nova m\u00fasica\u2019 para manter o artista respirando na aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico e na possibilidade de tornar-se um neg\u00f3cio. E isso, a nova gera\u00e7\u00e3o de cantores e bandas sabem fazer muito bem, como Polly.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As dez can\u00e7\u00f5es do disco ep\u00f4nimo de estr\u00e9ia de Polly Scattergood revelam, de fato, uma cantora e letrista talentosa, uma musicista ainda em busca de um caminho seu, caminho que passa por estranhas can\u00e7\u00f5es pop distorcidas por uma vis\u00e3o atrav\u00e9s de um copo de vidro da cantora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E n\u00e3o duvide, a experi\u00eancia de entrar no mundo esfuma\u00e7ado e difuso de Polly \u00e9 extremamente poderosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Danilo Corci \u00e9 jornalista e editor dos sites <a href=\"http:\/\/www.speculum.art.br\">Speculum<\/a> e <a href=\"http:\/\/mojobooks.com.br\/\">Mojo Books<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Danilo Corci Ela \u00e9 lourinha, brit\u00e2nica, prot\u00e9g\u00e9 de gravadora (Mute), tem uma voz peculiar, que a muitos lembrar\u00e1 Bj\u00f6rk, \u00e9 novinha de \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/03\/13\/a-poderosa-polly-scattergood\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":120,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[34],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/950"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/120"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=950"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/950\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":955,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/950\/revisions\/955"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=950"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=950"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=950"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}