{"id":94969,"date":"2026-03-31T15:33:37","date_gmt":"2026-03-31T18:33:37","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=94969"},"modified":"2026-04-17T01:47:42","modified_gmt":"2026-04-17T04:47:42","slug":"pedro-friedrich-o-blues-tem-uma-historia-muito-profunda-que-passa-pela-vivencia-pelo-sofrimento-e-pela-resistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/31\/pedro-friedrich-o-blues-tem-uma-historia-muito-profunda-que-passa-pela-vivencia-pelo-sofrimento-e-pela-resistencia\/","title":{"rendered":"Pedro Friedrich: &#8220;O blues tem uma hist\u00f3ria muito profunda, que passa pela viv\u00eancia, pelo sofrimento e pela resist\u00eancia&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/joao.paulo.barreto.824529\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/pedrodeltablues\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pedro Friedrich<\/a> \u00e9 uma das novas caras do blues brasileiro. Focado no Delta Blues, fase inicial do estilo que surgiu no final do s\u00e9culo XIX, \u00e0s margens do rio Mississippi, nos Estados Unidos, Pedro Friedrich j\u00e1 lan\u00e7ou seis \u00e1lbuns (os dois mais recentes, \u201cThe Real Blues\u201d, de 2023, e \u201cWork Hard\u201d, de 2025, ao lado do gaitista Jefferson Gon\u00e7alves), passando por refer\u00eancias como Robert Johnson, Big Bill Broonzy, Blind Blake e Memphis Minnie.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos shows, o guitarrista friburguense mostra can\u00e7\u00f5es do blues raiz, de nomes como Tom Ball e Kenny Sultan, e aprofunda o lado musical com pontua\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas: \u201cEu trago a lenda do Robert Johnson, falo das enchentes do Mississippi, explico um pouco das afina\u00e7\u00f5es abertas e do slide, mas sempre com cuidado para n\u00e3o virar uma aula. A ideia \u00e9 ajudar o p\u00fablico a entender melhor o que est\u00e1 ouvindo sem quebrar o fluxo\u201c, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta conversa com o Scream &amp; Yell, Pedro Friedrich conta como se aproximou de Jefferson Gon\u00e7alves e revela como Eric Clapton, Stevie Ray Vaughan e Johnny Winter o inspiraram, al\u00e9m de falar da import\u00e2ncia de nomes brasileiros do blues, como \u00c1lvaro Assmar, Eric Assmar e Andr\u00e9 Christovam. \u201cO blues ainda \u00e9 uma linguagem pouco difundida no Brasil, ent\u00e3o existe esse trabalho de base mesmo, de formar p\u00fablico\u201d, acredita o guitarrista. Leia a conversa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Work Hard\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_k4r3-qdseLyhexi10OHJm3XdrPwJmJSmw\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A proposta de um mergulho pela Hist\u00f3ria do Blues, passando pelo desenvolvimento do estilo musical desde seu surgimento com as work songs oriundas do per\u00edodo da escravid\u00e3o dos povos afrodescendentes nos Estados Unidos do final do s\u00e9culo XIX e pelo surgimento de nomes \u00edcones do estilo traz um leque de possibilidades fabuloso para o repert\u00f3rio. Como voc\u00ea estruturou essa abordagem de cada fase desse per\u00edodo inicial?<\/strong><br \/>\nOlha, na pr\u00e1tica, isso \u00e9 sempre um equil\u00edbrio bem delicado. Existe, sim, uma linha hist\u00f3rica muito clara dentro do blues, mas, no palco, eu n\u00e3o consigo, e nem acho que faria sentido, seguir isso de forma totalmente cronol\u00f3gica. O meu foco acaba sendo muito mais recriar o clima de cada \u00e9poca. Quando a gente ouve aquelas grava\u00e7\u00f5es antigas, elas t\u00eam muitas limita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. Ent\u00e3o, parte do meu trabalho \u00e9 justamente tentar trazer aquela ess\u00eancia de volta, na forma de tocar, na din\u00e2mica e na inten\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, eu preciso pensar no show como um espet\u00e1culo. \u00c9 voz e viol\u00e3o, Delta Blues, ent\u00e3o, a ordem das m\u00fasicas precisa funcionar para prender a aten\u00e7\u00e3o, criar contrastes e manter o p\u00fablico envolvido do in\u00edcio ao fim. Ent\u00e3o, mesmo passando por refer\u00eancias como Robert Johnson, Big Bill Broonzy, Blind Blake ou Memphis Minnie, eu organizo tudo de uma forma mais musical do que cronol\u00f3gica. As hist\u00f3rias entram mais como pontua\u00e7\u00f5es mesmo, bem diretas. Eu trago a lenda do Robert Johnson, falo das enchentes do Mississippi, explico um pouco das afina\u00e7\u00f5es abertas e do slide, mas sempre com cuidado para n\u00e3o virar uma aula. A ideia \u00e9 ajudar o p\u00fablico a entender melhor o que est\u00e1 ouvindo sem quebrar o fluxo. E tem tamb\u00e9m as releituras. Eu toco coisas de artistas como Tom Ball e Kenny Sultan, que j\u00e1 v\u00eam dessa tradi\u00e7\u00e3o do blues raiz, misturado com ragtime e bluegrass, e que tamb\u00e9m reinterpretam m\u00fasicos mais antigos. Ent\u00e3o, o show acaba mostrando essa continuidade natural do blues. No fim, costumo dizer que n\u00e3o \u00e9 uma aula de hist\u00f3ria, \u00e9 uma experi\u00eancia. \u00c9 mais sobre fazer a pessoa sentir essas diferentes fases do Delta Blues do que, necessariamente, entender tudo de forma cronol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na sua discografia, trabalhos como \u201cMe and the Delta Blues\u201d, \u201cThe Real Blues vol. 1 e Vol. 2\u201d, \u201cWork Hard\u201d (ao lado de Jefferson Gon\u00e7alves) mostram essa influ\u00eancia do per\u00edodo inicial do blues. Como essa vertente do estilo lhe atraiu e norteou seu estilo pr\u00f3prio?<\/strong><br \/>\nEssa conex\u00e3o com o blues mais tradicional veio muito de forma natural pra mim. Cresci em um ambiente muito musical por influ\u00eancia do meu pai. Tinha um ba\u00fa de discos de vinil em casa com The Beatles, Led Zeppelin, Hendrix, Genesis, Yes, Camel, Pink Floyd, Rush, Van Halen e Johnny Winter, entre outros. Eu ouvia muito rock, mas, naquela \u00e9poca, eu nem sabia que o bllues j\u00e1 estava ali dentro de tudo aquilo. Com o tempo, comecei a ir mais a fundo e teve um momento muito marcante, que foi quando eu vi um DVD do Eric Clapton tocando sozinho, voz e viol\u00e3o. Aquilo me chamou muita a aten\u00e7\u00e3o. Logo depois, conheci o trabalho do Stevie Ray Vaughan , e fui atr\u00e1s das influ\u00eancias dele. A\u00ed comecei a entender que tudo aquilo vinha de uma tradi\u00e7\u00e3o muito mais antiga. O que mais me pegou foi justamente essa forma de tocar. O m\u00fasico fazendo baixo, harmonia e melodia ao mesmo tempo, com uma pulsa\u00e7\u00e3o muito forte, cantando por cima. \u00c9 quase como se fosse uma banda inteira em uma pessoa s\u00f3. Isso me fascinou e me fez querer ir cada vez mais na raiz, at\u00e9 chegar em nomes como Robert Johnson. A partir da\u00ed, virou um caminho sem volta. Comecei a mergulhar nesse universo, conhecer outros artistas, entender melhor essa linguagem e me apaixonar por esse jeito de fazer m\u00fasica. E isso acabou norteando completamente o meu estilo. Naturalmente, isso foi parar nos meus trabalhos e no meu show. A ideia sempre foi tentar resgatar essa ess\u00eancia, n\u00e3o s\u00f3 na forma de tocar, mas, tamb\u00e9m,trazendo o contexto, as hist\u00f3rias, para manter essa cultura viva e aproximar o p\u00fablico desse universo. No fundo, \u00e9 uma tentativa de fazer as pessoas entenderem e sentirem o que \u00e9 o blues de uma forma mais profunda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Seus dois discos mais recentes foram em colabora\u00e7\u00e3o com Jefferson Gon\u00e7alves e queria aproveitar para lhe perguntar sobre essa parceria. Como se deu esse encontro e como \u00e9 a qu\u00edmica criativa entre voc\u00eas dois?<\/strong><br \/>\nEssa parceria com o Jefferson Gon\u00e7alves tem uma hist\u00f3ria bem legal. Eu o conheci de longe primeiro, quando eu ainda era mais novo, devia ter uns 18 anos. Fui assistir a um show dele em Aldeia Velha e fiquei impressionado. Eu j\u00e1 acompanhava alguns v\u00eddeos dele na internet, mas ao vivo foi outra coisa. Parecia que tinham v\u00e1rias gaitas tocando ao mesmo tempo. Depois do show, fui falar com ele, elogiei, trocamos uma ideia r\u00e1pida, peguei seu contato. Mas acabou ficando por isso mesmo naquele momento. Anos depois, quando eu j\u00e1 estava mais mergulhado no universo do blues, principalmente estudando muito Robert Johnson, comecei a postar alguns v\u00eddeos tocando. E a\u00ed, de forma bem natural, o Jefferson come\u00e7ou a interagir, comentar, e a gente come\u00e7ou a trocar ideia. A partir da\u00ed, rolou uma conex\u00e3o muito legal. Ele come\u00e7ou a me apresentar outros artistas, outras refer\u00eancias que eu ainda n\u00e3o conhecia. Ent\u00e3o, foi uma troca muito rica mesmo. Em um momento a gente pensou em fazer algo juntos e acabou gravando \u00e0 dist\u00e2ncia. Foi assim que nasceu o projeto &#8220;The Real Blues&#8221;. A qu\u00edmica vem muito dessa admira\u00e7\u00e3o m\u00fatua e, tamb\u00e9m, da forma como ele encara a m\u00fasica. O Jefferson \u00e9 um cara muito generoso, com muito conhecimento e uma identidade muito forte tocando. E isso acaba somando muito com o que eu busco tamb\u00e9m dentro do blues. Com o tempo, al\u00e9m da parceria musical, virou uma amizade tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, \u00e9 um projeto que nasceu de forma bem natural e que at\u00e9 hoje \u00e9 muito especial pra mim.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Walking Blues - The Real Blues\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RMWRPQpOlUU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nas suas apresenta\u00e7\u00f5es, \u00e9 poss\u00edvel ver sua destreza no uso do slide guitar, bem como na performance com o resonator. Como tais instrumentos se fixaram em seu trabalho como forma de influ\u00eancia?<\/strong><br \/>\nEssa rela\u00e7\u00e3o com o slide veio muito cedo pra mim. Eu lembro que tinha uns 13, 14 anos quando meu pai me mostrou um show do Johnny Winter no festival de Woodstock. Ele estava tocando uma guitarra de 12 cordas com slide e aquilo me pegou de um jeito muito forte. Eu j\u00e1 tocava guitarra, mas n\u00e3o fazia ideia do que era aquilo. Era um som meio hipnotizante, uma coisa muito diferente. A partir dali comecei a tentar entender como aquilo funcionava. Fui atr\u00e1s de material, muita coisa de fora, porque, na \u00e9poca, n\u00e3o tinha tanta informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel aqui no Brasil. Apesar de eu ter estudado tamb\u00e9m nomes do Delta como Robert Johnson e Son House, a minha base mais t\u00e9cnica de slide vem muito do Johnny Winter, que tem uma abordagem mais desenvolvida nesse sentido. Isso acabou moldando bastante a minha forma de tocar. J\u00e1 o resonator entrou na minha vida de uma forma mais inesperada. Eu n\u00e3o tinha, e ainda n\u00e3o tenho esse instrumento (risos). Acabei tendo contato quando fui gravar em est\u00fadio com o produtor Rodrigo Garcia, que j\u00e1 trabalhou com a C\u00e1ssia Eller. Usei um resonator que estava l\u00e1 no est\u00fadio e aquilo acabou abrindo um novo caminho pra mim. Essas grava\u00e7\u00f5es entraram no meu primeiro trabalho, \u201cMe and the Delta Blues\u201d, e foram feitas no est\u00fadio Porangaret\u00e9 (RJ). Era um momento em que eu ainda estava amadurecendo essa linguagem e entendendo melhor como trazer esse som para o meu trabalho. Ent\u00e3o, tanto o slide quanto o resonator foram caminhos que surgiram de forma muito org\u00e2nica. Um veio de uma influ\u00eancia muito forte l\u00e1 atr\u00e1s, quase como um impacto mesmo, e o outro apareceu como oportunidade, mas acabou se tornando parte importante da minha identidade sonora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sendo de Salvador, \u00e9 imposs\u00edvel para mim n\u00e3o falar de nomes como os de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Assmar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00c1lvaro e Eric Assmar<\/a>, cuja utiliza\u00e7\u00e3o de tais elementos se tornaram marcas na cria\u00e7\u00e3o blueseira. Sendo um m\u00fasico de uma mesma gera\u00e7\u00e3o de Eric, voc\u00ea poderia falar um pouco sobre a influ\u00eancia dele em seu trabalho, bem como de outros nomes brasileiros como Andr\u00e9 Christovam e do pr\u00f3prio \u00c1lvaro Assmar?<\/strong><br \/>\nO Eric Assmar \u00e9 um nome muito importante dentro do blues no Brasil, e, hoje, tem uma influ\u00eancia direta no meu trabalho, muito por conta da troca que a gente vem construindo. A gente se conheceu durante a pandemia, quando gravamos juntos, \u00e0 dist\u00e2ncia, uma vers\u00e3o de \u201cNobody Knows You When You&#8217;re Down and Out\u201d. Mas essa aproxima\u00e7\u00e3o ficou muito mais forte agora, nessa minha vinda para Salvador. Acabei procurando o Eric, ele foi extremamente sol\u00edcito, me acolheu super bem na cidade, e, a partir da\u00ed, a gente come\u00e7ou a conviver mais, trocar mais ideias e aprofundar essa conex\u00e3o musical. \u00c9 um cara muito generoso, muito parceiro, com uma identidade muito forte tocando. Tem muita estrada. Ent\u00e3o, \u00e9 algu\u00e9m que eu admiro e com quem eu aprendo bastante. A partir desse contato, tamb\u00e9m fui me aprofundando mais no trabalho do \u00c1lvaro Assmar, que \u00e9 um nome fundamental dentro do blues nacional. \u00c9 impressionante a contribui\u00e7\u00e3o dele para a cena e a forma como ajudou a consolidar essa linguagem no Brasil. E quando a gente fala de blues no pa\u00eds, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o citar tamb\u00e9m o Andr\u00e9 Christovam, que \u00e9 um dos grandes pioneiros, principalmente na parte did\u00e1tica e na forma\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos. \u00c9 um trabalho que influenciou, direta ou indiretamente, toda uma gera\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, s\u00e3o artistas muito importantes, que ajudaram a construir e fortalecer o blues no Brasil e que continuam influenciando n\u00e3o s\u00f3 a minha gera\u00e7\u00e3o, mas, tamb\u00e9m, quem est\u00e1 chegando agora. Me sinto muito feliz de poder estar pr\u00f3ximo dessa cena e aprender com essas refer\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Oriundo de Nova Friburgo e tocando em Salvador nessa e em outras ocasi\u00f5es, como voc\u00ea tem encarado esse esfor\u00e7o de se fazer blues no Brasil?<\/strong><br \/>\nEu encaro isso como um desafio constante, mas tamb\u00e9m como um prop\u00f3sito. O blues ainda \u00e9 uma linguagem pouco difundida no Brasil, ent\u00e3o existe esse trabalho de base mesmo, de formar p\u00fablico, de apresentar essa m\u00fasica e tudo o que ela carrega. Porque n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 m\u00fasica. O blues tem uma hist\u00f3ria muito profunda, que passa pela viv\u00eancia, pelo sofrimento, pela resist\u00eancia dos povos afrodescendentes. Ent\u00e3o, quando eu levo isso para o palco, eu tamb\u00e9m sinto essa responsabilidade de transmitir essa ess\u00eancia, n\u00e3o s\u00f3 tocar as can\u00e7\u00f5es. Vindo de Nova Friburgo, eu senti a necessidade de expandir esse trabalho, de levar isso para outros lugares. E estar em Salvador tem sido muito importante nesse sentido. Muito por conta tamb\u00e9m do apoio do Eric Assmar, que tem sido uma ponte fundamental aqui. Ele \u00e9 um cara que acredita nisso, que tamb\u00e9m tem esse prop\u00f3sito de levar o blues para mais pessoas. Ent\u00e3o, acaba sendo uma constru\u00e7\u00e3o coletiva. Eu acho que isso \u00e9 muito a cena do Blues. \u00c9 quando os m\u00fasicos se apoiam, se conectam e trabalham juntos para manter essa m\u00fasica viva. No fim das contas, o esfor\u00e7o \u00e9 esse. Fazer um bom show, contar essas hist\u00f3rias, trazer essa sonoridade e, aos poucos, aproximar as pessoas desse universo. \u00c9 um trabalho de resist\u00eancia mesmo, de manter vivo n\u00e3o s\u00f3 um estilo musical, mas toda uma cultura.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Invers\u00f5es dos acordes no Blues\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NoWyq9G3Bbc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Queria lhe perguntar, tamb\u00e9m, acerca de sua pesquisa dentro do blues. Qual \u00e9 o seu desenvolvimento dentro desse campo?<\/strong><br \/>\nEu encaro essa pesquisa de uma forma muito pr\u00e1tica, muito ligada ao instrumento e \u00e0 escuta. N\u00e3o \u00e9 uma coisa s\u00f3 acad\u00eamica. \u00c9 um estudo que acontece no dia a dia mesmo, ouvindo grava\u00e7\u00f5es antigas, tentando entender como aqueles m\u00fasicos pensavam e como eles constru\u00edam aquele som. Muito do meu desenvolvimento vem de tirar m\u00fasicas nota por nota, observar a forma de tocar, as afina\u00e7\u00f5es, o uso do slide, a din\u00e2mica. Tentar chegar o mais perto poss\u00edvel daquela linguagem original, mas trazendo isso para o meu corpo, para a minha forma de tocar. Tamb\u00e9m passa muito por entender o contexto. Saber de onde vem aquelas m\u00fasicas, o que estava acontecendo naquela \u00e9poca, quem eram aqueles artistas. Isso muda completamente a forma como voc\u00ea interpreta. E uma parte importante dessa pesquisa \u00e9 transformar tudo isso em algo vivo no palco. N\u00e3o adianta s\u00f3 estudar, eu preciso conseguir comunicar isso. Ent\u00e3o, o show acaba sendo uma extens\u00e3o dessa pesquisa, onde eu organizo essas informa\u00e7\u00f5es em forma de m\u00fasica e narrativa. E \u00e9 um processo cont\u00ednuo. Quanto mais eu aprofundo, mais eu descubro que ainda tem muita coisa pra aprender. O blues \u00e9 um universo muito grande, com muitos artistas e muita hist\u00f3ria. Ent\u00e3o, essa pesquisa nunca para.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m do repert\u00f3rio ac\u00fastico, voz e viol\u00e3o, voc\u00ea tem, tamb\u00e9m, um projeto el\u00e9trico, certo?<\/strong><br \/>\nO formato Delta Blues \u00e9 focado nessa coisa mais \u00edntima de voz e viol\u00e3o, dentro da ideia do \u201cHist\u00f3rias do Delta Blues\u201d. O projeto el\u00e9trico \u00e9 uma outra proposta, bem diferente. Apesar de ter, claro, muita influ\u00eancia do blues, ele vai mais para um caminho de blues rock. \u00c9 um show menos conceitual nesse sentido de narrativa hist\u00f3rica e mais voltado para a m\u00fasica em si, para a energia do repert\u00f3rio. Ali eu trago m\u00fasicas que fazem parte da minha trajet\u00f3ria, coisas que eu ouvia quando era mais novo e que sempre quis tocar. Acaba sendo quase uma celebra\u00e7\u00e3o desses momentos, com um repert\u00f3rio que vai mudando com o tempo, conforme as fases. Mas, mesmo sem a parte el\u00e9trica agora, a ideia \u00e9 que numa pr\u00f3xima vinda a Salvador isso possa acontecer. Dependendo do p\u00fablico e da receptividade, \u00e9 totalmente poss\u00edvel viabilizar um show el\u00e9trico por aqui tamb\u00e9m. E pra esse momento, j\u00e1 tem uma surpresa muito especial, que \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o do Eric Assmar. Ent\u00e3o, acho que isso j\u00e1 deixa a noite ainda mais especial.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"HEY HEY Pedro Friedrich Performance | Blues Roots: Songs and Stories Concert\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IGhRcRlyRWI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"PREACHIN&#039; BLUES Pedro Friedrich Performance | Blues Roots: Songs and Stories Concert\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/s5mg57ryxNQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"WALKING BLUES Pedro Friedrich Performance | Blues Roots: Songs and Stories Concert\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/C5zd7ejYEgo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde, de Salvador, e \u00e9 autor de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/11\/entrevista-mitico-guitarrista-baiano-alvaro-assmar-ganha-biografia-joao-paulo-barreto-fala-sobre-uma-vida-blues\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uma Vida Blues<\/a>\u201d, biografia de \u00c1lvaro Assmar.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pedro Friedrich revela como Eric Clapton, Stevie Ray Vaughan e Johnny Winter o inspiraram, al\u00e9m de falar da import\u00e2ncia de nomes brasileiros do blues, como \u00c1lvaro Assmar, Eric Assmar e Andr\u00e9 Christovam.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/31\/pedro-friedrich-o-blues-tem-uma-historia-muito-profunda-que-passa-pela-vivencia-pelo-sofrimento-e-pela-resistencia\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":94971,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[8135],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94969"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=94969"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94969\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":94972,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94969\/revisions\/94972"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/94971"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=94969"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=94969"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=94969"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}