{"id":94890,"date":"2026-03-27T00:38:48","date_gmt":"2026-03-27T03:38:48","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=94890"},"modified":"2026-04-15T14:19:56","modified_gmt":"2026-04-15T17:19:56","slug":"lollapalooza-brasil-2026-12-shows-de-uma-edicao-marcada-por-leques-publicidade-e-falta-de-identidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/27\/lollapalooza-brasil-2026-12-shows-de-uma-edicao-marcada-por-leques-publicidade-e-falta-de-identidade\/","title":{"rendered":"Lollapalooza Brasil 2026: 12 shows de uma edi\u00e7\u00e3o marcada pela falta de identidade, pela publicidade excessiva e por leques"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de <a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Capelas<\/a><br \/>\n<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quantos festivais cabem num festival? No caso do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Lollapalooza\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lollapalooza<\/a> 2026 \u2013 ou seria \u201clequepallooza\u201d? \u2013, s\u00e3o muitos. H\u00e1 um evento s\u00f3 para quem \u00e9 f\u00e3 de divas pop. Outro s\u00f3 para quem gosta de rock, ou s\u00f3 de rap, ou at\u00e9 mesmo do k-pop rec\u00e9m-chegado ao Lolla. Um terceiro, frequentado por menos gente, come\u00e7a com um sol de rachar e tem algumas das melhores bandas independentes do Brasil. E h\u00e1, claro, quem esteja ali por apenas um ou dois shows e prefira passar o dia colado na grade ou, ainda, numa fila de uma ativa\u00e7\u00e3o \u2013 isso para n\u00e3o falar em quem vai s\u00f3 para dar close com um lookinho ou compra o ingresso para passar o dia dan\u00e7ando no palco eletr\u00f4nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para quem faz parte de algum desses grupos, a experi\u00eancia de viver um evento m\u00faltiplo pode ser curiosa. Os otimistas podem olhar pelo vi\u00e9s de louvar a diversidade e a conviv\u00eancia debaixo de sol forte. Os pessimistas, por sua vez, podem apontar a disparidade na curadoria, a distin\u00e7\u00e3o de p\u00fablicos (pode um f\u00e3 de k-pop curtir a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Papangu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Papangu<\/a>?) e a falta de identidade do festival. Mas, em sua 13\u00aa edi\u00e7\u00e3o, talvez a identidade do Lollapalooza seja justamente a falta de identidade, com atra\u00e7\u00f5es que se intercalam como num feed algor\u00edtmico, sempre com alguma publicidade no meio.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-94893 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/lolla1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/lolla1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/lolla1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A men\u00e7\u00e3o insistente ao marketing n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa. Todo mundo precisa ganhar dinheiro, \u00e9 verdade, mas a exist\u00eancia de n\u00e3o uma, mas duas \u201cpra\u00e7as de ativa\u00e7\u00f5es\u201d torna a jornada de um Lollapalooza ainda mais cansativa para quem se disp\u00f5e a trocar de palcos em busca das melhores atra\u00e7\u00f5es, num sobe-e-desce-ladeira incessante. Mais que isso, os estandes de marcas tamb\u00e9m s\u00e3o obst\u00e1culos num cen\u00e1rio em que o fluxo de pessoas j\u00e1 \u00e9 um desafio natural. Mas se quem paga o t\u00e1xi \u00e9 quem manda no show, faz parte do processo conviver com isso no capitalismo tardio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em termos de estrutura, \u00e9 preciso dizer ainda que este foi um Lollapalooza de muitos acertos. Os banheiros s\u00e3o, em geral, limpos, bem distribu\u00eddos e bem montados. A estrutura \u00e9 confort\u00e1vel, ainda que pese a falta de sombra num festival que come\u00e7a \u00e0s 12h. H\u00e1 hidrata\u00e7\u00e3o gratuita \u2013 claro, a qualidade da \u00e1gua poderia ser melhor, mas s\u00f3 sua exist\u00eancia evita o pior. H\u00e1 uma grande variedade de op\u00e7\u00f5es de comida e bebida \u2013 o ponto negativo na m\u00e9dia \u00e9 apenas a exist\u00eancia da cerveja Flying Fish (uma radler, com lim\u00e3o siciliano, rec\u00e9m-lan\u00e7ada por aqui pela Ambev) como alternativa \u00e0s american lagers de cada dia. E, querendo ou n\u00e3o, o Lollapalooza ainda segue sendo um dos festivais mais acess\u00edveis para quem usa o transporte p\u00fablico, ainda que problemas de escoamento tenham acontecido nos tr\u00eas dias.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-94894 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/lolla2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/lolla2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/lolla2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao falar de m\u00fasica, tamb\u00e9m h\u00e1 aqui acertos e erros. H\u00e1 anos, h\u00e1 quem fale em uma crise de headliners, mas o Lollapalooza 2026 provou que h\u00e1 novas op\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis no mercado para encher pistas afora. Talvez soe estramb\u00f3tico pensar em Sabrina Carpenter e Chappell Roan para um festival que tem origens no rock alternativo, mas esse movimento j\u00e1 havia sido feito anteriormente por outro evento que carrega a marca de ditar tend\u00eancias: o Primavera Sound espanhol de 2025, que tinha as duas novas divas ao lado de Charli XCX como cabe\u00e7as de cartaz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com resultados variados, como se ver\u00e1 a seguir, a presen\u00e7a das artistas pop (e tamb\u00e9m de Tyler, the Creator) \u00e9 uma boa not\u00edcia para quem n\u00e3o aguenta mais ver uma varia\u00e7\u00e3o entre Strokes, Metallica, Arctic Monkeys e\u2026 The Killers no topo dos lineups. Mas vale o aviso: pela multid\u00e3o que atraiu no secund\u00e1rio palco Samsung, Lorde claramente teve sua popularidade sobredimensionada (talvez por culpa dos baixos n\u00fameros de seus trabalhos mais recentes).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-94896 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/lolla4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/lolla4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/lolla4-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2026, o Lollapalooza tamb\u00e9m acerta na programa\u00e7\u00e3o de artistas brasileiros: a escala\u00e7\u00e3o contendo \u201cnovatos\u201d como Jadsa, Papangu, Oru\u00e3, Varanda e Cidade Dormit\u00f3rio d\u00e1 frescor ao festival e justifica que muita gente chegue cedo em Interlagos, enquanto a presen\u00e7a de nomes como o Mundo Livre S\/A d\u00e1 certa justi\u00e7a hist\u00f3rica a grandes bandas do rock nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pecado, por\u00e9m, est\u00e1 no miolo, na escolha de bandas m\u00e9dias internacionais que ajudam a transformar um show ou dois numa experi\u00eancia festivaleira de fato. S\u00e3o tr\u00eas erros, na verdade. O primeiro \u00e9 apostar em bandas que est\u00e3o mais que cansadas de vir ao Pa\u00eds e n\u00e3o t\u00eam muito o que apresentar de novo \u2013 e o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Interpol\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Interpol<\/a> \u00e9 o melhor exemplo. Outro \u00e9 trazer nomes interessantes sem contexto \u2013 caso do Cypress Hill, que funcionaria melhor no mesmo dia de Tyler. E o terceiro \u00e9 apostar mais nos n\u00fameros de streaming ou em hits do TikTok do que no que se faz no palco, o que resulta em shows fracos como os de Men I Trust, TV Girl ou Lewis Capaldi.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-94897 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/lolla5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/lolla5.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/lolla5-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode parecer exagero, mas a verdade \u00e9 que a irrelev\u00e2ncia de um artista pesa no valor do ingresso \u2013 ainda mais para um festival que se disp\u00f5e a cobrar R$ 500 por uma meia-entrada di\u00e1ria ou R$ 1340 no pacote de estudante para os tr\u00eas dias. N\u00e3o est\u00e1 f\u00e1cil para ningu\u00e9m e os custos de realizar um festival s\u00f3 pioram num universo de conflitos e incerteza global, mas cada um pode fazer sua parte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, quem foi ao Lollapalooza pode ser feliz em Interlagos \u2013 especialmente se n\u00e3o esqueceu de passar protetor solar. Ao longo de tr\u00eas dias, n\u00e3o foram poucos os bons shows, especialmente para quem se disp\u00f4s a sair de sua bolha e encarar algo diferente. Seria humanamente imposs\u00edvel assistir a tudo que o Lollapalooza oferece. Por isso, o que o Scream &amp; Yell traz na cobertura a seguir s\u00e3o polaroides de alguns dos principais shows (para o bem e para o mal) entre os dias 20 e 22 de mar\u00e7o. S\u00e3o amostras de um festival que j\u00e1 est\u00e1 marcado no calend\u00e1rio do f\u00e3 brasileiro de m\u00fasica, mas que ainda pode evoluir muito. P\u00e9 na t\u00e1bua.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/27\/lollapalooza-2026-convidados-apontam-os-melhores-shows-do-festival\/\"><em>Lollapalooza 2026: convidados apontam os melhores shows do festival<\/em><\/a><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-94903\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/viagraboys.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/viagraboys.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/viagraboys-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Viagra Boys &#8211; sexta-feira, 15h50 &#8211; Palco Samsung<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deve haver algo na \u00e1gua da Su\u00e9cia que faz o pa\u00eds gerar bons frontmen \u2013 algo que os brasileiros sabem bem, dada a quantidade de vezes que Pelle Almqvist e os seus <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Hives\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hives<\/a> t\u00eam passado por aqui. Se depender do que fizeram no Lollapalooza, os compatriotas do Viagra Boys j\u00e1 podem preparar os documentos para tirar seu CPF. Em sua primeira passagem pelo Brasil, ap\u00f3s cancelarem a vinda no <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/11\/10\/especial-a-estreia-do-primavera-sound-em-sao-paulo-na-visao-de-cinco-colaboradores-do-scream-yell\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Primavera Sound 2022<\/a>, o sexteto fez uma apresenta\u00e7\u00e3o en\u00e9rgica, conduzida pelo vocalista Sebastian Murphy. Ele pode n\u00e3o ter o humor de Almqvist, mas compensa com uma presen\u00e7a corporal intensa: sem medo de exibir o torso tatuado (e gastar litros de protetor solar nos tr\u00f3picos), Murphy \u00e9 o d\u00ednamo que conecta a usina sonora da banda \u00e0 energia da plateia, como se nota em \u201cMan Made of Meat\u201d ou \u201cSlow Learner\u201d. Tal como outro grande sueco \u2013 Dennis Lyxz\u00e9n, do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Refused\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Refused<\/a> \u2013, o vocalista do Viagra Boys tamb\u00e9m pede \u201cPalestina livre\u201d e canta contra \u201cos malditos fascistas\u201d que est\u00e3o no mundo em \u201cTroglodyte\u201d. O p\u00fablico responde com uma roda punk que se equilibra entre o pogo e a pista, \u00e0s vezes mais lembrando um carrossel do que um liquidificador. Faz sentido: \u00e0s vezes, importa mais o contato entre os corpos do que o impacto. Al\u00e9m disso, \u00e9 not\u00e1vel que a verve punk do grupo vem ganhando contornos dan\u00e7antes, gra\u00e7as \u00e0 flauta e ao saxofone de Oskar Carls, que brilha na grudenta \u201cUno II\u201d. \u00c9 com Carls como protagonista, ali\u00e1s, que o show vira um \u201cpoper\u00f4 do dem\u00f4nio\u201d em sua reta final, com uma execu\u00e7\u00e3o de treze (!) minutos de \u201cResearch Chemicals\u201d (assista a um trecho acima). N\u00e3o \u00e9 que esse rem\u00e9dio faz bater uma onda forte?<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-94901\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/blood-orange.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/blood-orange.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/blood-orange-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Blood Orange &#8211; sexta-feira, 16h55 &#8211; Palco Budweiser<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escalado para substituir Lola Young, Blood Orange tamb\u00e9m estreou no Brasil gra\u00e7as ao Lollapalooza \u2013 a rigor, o d\u00e9but aconteceu na v\u00e9spera, no Cine Joia, para uma plateia repleta de f\u00e3s. N\u00e3o foi o que ocorreu em Interlagos: com a pista tomada por aficionados por Sabrina Carpenter, Dev Hynes fez um show clim\u00e1tico, grooveiro e cool, talvez at\u00e9 cool demais para empolgar os ouvintes da americana. O ingl\u00eas bem que tentou: virtuose, em menos de 15 minutos ele j\u00e1 tinha passeado por guitarra, baixo, piano e violoncelo \u2013 neste \u00faltimo, trouxe o momento mais surpreendente da apresenta\u00e7\u00e3o, em uma releitura pungente de \u201cHow Soon Is Now?\u201d, dos Smiths. Na sequ\u00eancia, Hynes se \u201crecolheu\u201d: evidenciando a faceta de produtor, o brit\u00e2nico abriu espa\u00e7o para Eva Tolkin e Ian Isiah soltarem a voz, num resultado mais exatamente bonito do que impactante. Ainda assim, foi mais interessante do que boa parte do dia. Afinal, naquela tarde o Scalene j\u00e1 havia feito uma apresenta\u00e7\u00e3o t\u00e9trica no palco Flying Fish. J\u00e1 o Interpol, que tocou ap\u00f3s Hynes em sua s\u00e9tima (!) passagem pelo Brasil, apostou no mais do mesmo: das 13 can\u00e7\u00f5es apresentadas em Interlagos, dez vieram de \u201cTurn On The Bright Lights\u201d, \u201cAntics\u201d e \u201cOur Love to Admire\u201d, a trinca inicial do grupo. Seria OK, n\u00e3o fosse o fato de que h\u00e1 dois anos, os nova-iorquinos tocaram aqui <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/06\/12\/tres-shows-em-sao-paulo-selton-interpol-e-wry\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">celebrando os dois primeiros discos<\/a>, j\u00e1 bastante marcados por uma din\u00e2mica repetitiva. At\u00e9 mesmo na est\u00e9tica a banda segue igual, com Paul Banks sustentando o topete de sempre \u2013 embora a passagem do tempo pare\u00e7a lhe aproximar de um Josh Homme sem whey protein.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-94904 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/deftones.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/deftones.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/deftones-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Deftones &#8211; sexta-feira, 20h10 &#8211; Palco Samsung<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os frequentadores do Lollapalooza, a diversidade de p\u00fablicos \u00e9 uma das caracter\u00edsticas mais apreciadas \u2013 tal como o Norvana, o festival parece querer unir todas as tribos. Mais ou menos: de um lado, \u00e9 uma boa ideia mercadol\u00f3gica para lotar o Aut\u00f3dromo. Do outro, a proposta pode gerar uma curadoria cheia de disparidades sonoras, al\u00e9m de contribuir para certo senso de falta de identidade. Na sexta-feira, o choque \u00e9 percept\u00edvel do ponto de vista crom\u00e1tico, entre o preto dos ouvintes de Deftones e os tons past\u00e9is dos f\u00e3s de Sabrina Carpenter, com figurinos entre o rosa-beb\u00ea e o azul-calcinha. Quest\u00f5es est\u00e9ticas \u00e0 parte, fato \u00e9 que o Deftones fez um show impressionante no palco Samsung. Muito desse efeito se deve ao vocalista Chino Moreno: ele \u00e9 incapaz de se manter parado e est\u00e1 disposto a se conectar com qualquer infeliz que esteja distra\u00eddo durante o show, como bem definiu o ficcional Jeff Bebe de \u201cQuase Famosos\u201d. At\u00e9 mesmo quando precisa ficar im\u00f3vel, ao tocar guitarra, ele \u00e9 capaz de comandar dezenas de milhares de pessoas a bater palmas. T\u00e3o interessante quanto observar Moreno, por\u00e9m, \u00e9 contrapor o \u201cnovo\u201d e o \u201cvelho\u201d Deftones, num repert\u00f3rio que deu espa\u00e7o tanto para o \u201cshoegaze contempor\u00e2neo\u201d do recente \u201cPrivate Music\u201d, de 2025 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/02\/19\/scream-yell-os-melhores-discos-internacionais-de-2025\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">quarto disco mais votado do Melhores do Ano Scream &amp; Yell<\/a>), quanto para can\u00e7\u00f5es pesadas dos cl\u00e1ssicos \u201cAround the Fur\u201d e \u201cDiamond Eyes\u201d. \u00c9 curioso: apesar da faceta mais contemplativa ter sido abra\u00e7ada pela juventude do TikTok, \u00e9 nela que residem os momentos menos engajados do p\u00fablico \u2013 diferentemente do que acontece nos momentos mais metal, com ampla participa\u00e7\u00e3o popular. N\u00e3o foi um show para iniciantes, mas pouco importa: s\u00f3 estava ali quem queria ver o Deftones mesmo.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-94907 size-full aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Sabrina-Carpenter.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"933\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Sabrina-Carpenter.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Sabrina-Carpenter-241x300.jpg 241w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Sabrina Carpenter &#8211; sexta-feira, 21h30 &#8211; Palco Budweiser<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Lollapalooza \u00e9, inegavelmente, um festival de voca\u00e7\u00e3o pop: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/10\/16\/infografico-lollapalooza-1991-2013\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">por mais que sua origem<\/a> seja no rock alternativo, aqui no Brasil o evento sempre esteve conectado com as \u201cAM e FM do elevador\u201d. Sendo assim, parece t\u00e3o surpreendente quanto sintom\u00e1tico dos nossos tempos que, at\u00e9 Sabrina Carpenter subir no palco, t\u00e3o poucos refr\u00f5es pop tenham sido executados na sexta-feira em Interlagos. Felizmente, a loirinha (como \u00e9 chamada carinhosamente pelos f\u00e3s) veio para corrigir isso em sua en\u00e9sima passagem pelo pa\u00eds \u2013 ela j\u00e1 esteve aqui em 2017, 2019 e duas vezes em 2023 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/06\/05\/com-money-a-frente-de-music-mita-festival-sp-quase-poe-a-perder-bons-shows-de-mars-volta-lana-del-rey-florence-e-haim\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no MITA<\/a> e abrindo para Taylor Swift). Musicalmente, o show segue a cartilha de refer\u00eancias do pop cl\u00e1ssico: h\u00e1 muito de ABBA, da primeira Madonna (em especial, a de \u201cMaterial Girl\u201d) e de Dolly Parton no som de Sabrina. H\u00e1 can\u00e7\u00f5es dan\u00e7antes, h\u00e1 melodias grudentas e at\u00e9 mesmo um momento de voz &amp; Jazzmaster \u00e0 beira do palco com um guitarrista gal\u00e3 (\u201cBecause I Liked a Boy\u201d). \u00c9 bem-feito, f\u00e1cil de gostar \u2013 e o p\u00fablico adora, chamando-a de \u201cgostosa\u201d (\u201cthat means hot?\u201d, responde a cantora) e cantando \u201cSabrina, eu te amo\u201d. \u00c9 na est\u00e9tica, contudo, que Sabrina parece pertencer a seu tempo: \u00e0 primeira vista, a cantora parece apenas revisitar o visual de American Bombshell, com toques ora de cowgirl, ora de pin-up, ora de nostalgia anos 1970 (em especial, pelos v\u00eddeos divertidos que ajudam a matar tempo entre uma troca e outra de figurino). Fosse s\u00f3 isso, Sabrina seria uma presa f\u00e1cil para o olhar masculino \u2013 e tamb\u00e9m um desperd\u00edcio comercial: afinal, o homem h\u00e9tero gosta mesmo \u00e9 de falso nove e escanteio curto, n\u00e3o de divas pop. Assim, o que Sabrina faz \u00e9 um deslocamento interessante: seja pela ultrafeminilidade (na maquiagem, na cor das roupas e nas coreografias) ou por um jogo de domin\u00e2ncia, ela repele os homens \u2013 e atrai gays e garotas, que realmente gosta e gastam com o que ela tem a oferecer. Pode parecer discurso acad\u00eamico, mas \u00e9 f\u00e1cil de entender quando a cantora solta a voz no delicioso hit \u201cManchild\u201d \u2013 em que diz preferir homens incompetentes \u2013 ou, ainda, em \u201cBed Chem\u201d, quando leva para a cama dois rapazes, mas ambos se beijam antes de atac\u00e1-la. E, claro, h\u00e1 at\u00e9 o momento em que os homens s\u00e3o totalmente dispensados: em \u201cJuno\u201d, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/02\/10\/cinema-juno-de-jason-reitman\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que parte do roteiro de Diablo Cody<\/a> para falar de posi\u00e7\u00f5es sexuais, ela repete o mise-en-scene de algemar uma garota bonita e \u201cprende\u201d a cantora Luisa Sonza \u2013 embora a jogada da ind\u00fastria tenha sa\u00eddo pela culatra, com a ga\u00facha sendo vaiada por muitos dos presentes. Ao final de 90 minutos, \u00e9 preciso dizer que trata-se de um concerto que n\u00e3o mudar\u00e1 vidas. H\u00e1 falhas, claro: Sabrina \u00e0s vezes parece carecer de ritmo entre uma faixa e outra e o repert\u00f3rio ainda depende muito apenas de dois discos. Ainda assim, pelo car\u00e1ter deliciosamente pop, \u00e9 um show que diverte e agrada, tanto quanto chupar um Sundae cheio de calda de chocolate.<\/p>\n<hr \/>\n<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-94911 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Jadsa.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"734\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Jadsa.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Jadsa-300x294.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Jadsa &#8211; s\u00e1bado, 12h45 &#8211; Palco Budweiser<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO que existe \u00e9 o mesmo ovo de sempre, chocando o mesmo novo. Muito prazer\u201d. Foi assim, citando Itamar Assump\u00e7\u00e3o, que Jadsa subiu ao palco Budweiser para se apresentar a um novo p\u00fablico. A for\u00e7a de Jadsa ao vivo n\u00e3o \u00e9 exatamente um segredo \u2013 em 2025, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/26\/apca-elege-os-melhores-de-2025-nas-artes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ela venceu o pr\u00eamio de melhor show pela APCA<\/a> \u2013, mas \u00e9 ineg\u00e1vel que, mesmo tocando cedo, uma apari\u00e7\u00e3o no Lolla pode mudar a carreira de um artista de patamar. Com o sol castigando a moleira, a baiana agarrou a oportunidade com unhas e dentes, abrindo o show com algumas de suas melhores can\u00e7\u00f5es \u2013 \u201cTremedeira\u201d, \u201cBig Bang\u201d e a deliciosa \u201cSem Edi\u00e7\u00e3o\u201d, que chegou com improvisos percussivos, o baixo marcante de Pedro Bienemann e um refr\u00e3o pronto para a gera\u00e7\u00e3o Instagram. Os f\u00e3s de Chappell Roan, que j\u00e1 tomavam seu lugar junto \u00e0 grade, aprovaram usando os leques de arco-\u00edris, numa sinestesia digna das texturas coloridas que Jadsa pinta com guitarra e voz. Outro momento marcante foi \u201cSol na Pele\u201d, cujo apelo c\u00e1lido conquistou o p\u00fablico. Para quem <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=jadsa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">j\u00e1 conhece Jadsa<\/a>, nada de novo sob o sol: foi o melhor show do s\u00e1bado. (Na sequ\u00eancia, quem tamb\u00e9m fez bonito foi a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/26\/scream-yell-recomenda-varanda-lanca-o-album-beirada-sonhando-levar-seu-som-para-todos-os-cantos-do-pais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Varanda<\/a>, de Juiz de Fora (MG): apesar do choque entre a postura de palco descontra\u00edda e as letras introspectivas, o grupo fez um show que come\u00e7ou morno e terminou em alto n\u00edvel. Destaque ainda para a boa participa\u00e7\u00e3o de Dinho Almeida, dos Boogarins. Outro concerto bacana da tarde de s\u00e1bado foi o da Cidade Dormit\u00f3rio: comemorando 10 anos, a banda de Sergipe trafegou entre a psicodelia e o rock triste, sem esquecer do groove \u00e0 la Alabama Shakes.)<\/p>\n<hr \/>\n<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-94912 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/foto-em-grupo.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/foto-em-grupo.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/foto-em-grupo-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Foto em Grupo &#8211; s\u00e1bado, 15h50 &#8211; Palco Samsung<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imagine o leitor que um acidente nuclear aconteceu no Brasil \u2013 nada imposs\u00edvel no pa\u00eds do c\u00e9sio-137. Em vez de uma larga contamina\u00e7\u00e3o, o cataclisma foi mais prosaico, culminando no sumi\u00e7o de todos os registros da MPB. A exce\u00e7\u00e3o? Os \u00e1lbuns da carreira solo de Nando Reis \u2013 veja bem: sem Marisa Monte, sem C\u00e1ssia Eller, sem Tit\u00e3s, s\u00f3 a carreira solo! Pois bem: o Foto em Grupo \u00e9 a banda que emergiria depois dessa cat\u00e1strofe. Formada por Ana Caetano (Anavit\u00f3ria), Jo\u00e3o Ferreira (Daparte), Pedro Calais e Zani Cardoso (ambos do Lagum), a \u201csuperbanda de fofo pop\u201d fez no palco do Lollapalooza uma de suas primeiras apresenta\u00e7\u00f5es \u2013 ali\u00e1s, foi no an\u00fancio do lineup que o grupo revelou sua exist\u00eancia ao mundo. Um incauto poderia dizer que suas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o inofensivas, mas \u00e9 a est\u00e9tica que ofende. De um lado, o grupo almeja a pose de roqueiro radical com uma vis\u00e3o\u2026 pueril \u2013 em \u201cTe Odeio\u201d, Bolsonaro, Trump e os red pill s\u00e3o equiparados \u00e0 palheta que cai dentro do viol\u00e3o ou \u00e0 an\u00e1lise obsessiva de \u201cintera\u00e7\u00f5es sociais numa noitada\u201d. Do outro, quando busca ser pop, \u00e9 obviamente a\u00e7ucarado demais. E quando tenta apostar em uma cover esperta (\u201cTop Top\u201d, dos Mutantes), acaba amplificando justamente o que n\u00e3o \u00e9 \u2013 ainda mais pela mem\u00f3ria da vers\u00e3o de C\u00e1ssia Eller em seu \u201cAc\u00fastico MTV\u201d. Claro que, em Interlagos, o grupo mostrou dom\u00ednio de palco: afinal, Ana e Pedro h\u00e1 anos enchem casas de shows pelo pa\u00eds \u2013 e ningu\u00e9m passa tantos anos na profiss\u00e3o sem aprender um truque ou outro. Mas o resultado \u00e9 vazio, tanto quanto um dos principais versos de uma de suas can\u00e7\u00f5es: \u201cmorrer deve ser chato demais\u201d. Senhor, por que me abandonaste?<\/p>\n<hr \/>\n<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-94913 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/cypress.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/cypress.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/cypress-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Cypress Hill &#8211; s\u00e1bado, 18h &#8211; Palco Samsung<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembra aquele papo de disparidade est\u00e9tica do Lolla? Pois \u00e9: n\u00e3o h\u00e1 prova melhor disso do que a programa\u00e7\u00e3o do s\u00e1bado, que contrapunha a diva pop Chappell Roan e o \u201csom FM de dentista\u201d de Lewis Capaldi ao dubstep de Skrillex. No meio disso tudo, como quem foi esquecido no churrasco, estava o hist\u00f3rico grupo de rap latino-californiano Cypress Hill \u2013 e a sensa\u00e7\u00e3o em Interlagos \u00e9 de que os f\u00e3s preferiram conferir os shows solo do grupo em Curitiba, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/18\/ao-vivo-cypress-hill-em-porto-alegre\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em Porto Alegre<\/a> e na Audio. N\u00e3o que a baixa ades\u00e3o do p\u00fablico tenha intimidado B-Real, Sen Dog, Eric Bobo (percuss\u00e3o) e DJ Lord, substituto em turn\u00ea de DJ Muggs. Alternando ingl\u00eas e espanhol, eles fizeram a plateia jogar as m\u00e3os para o alto, apuraram os graves e defumaram o palco com aquela que deixou o Eric bobo, em meio a hinos como \u201cHits from the Bong\u201d, \u201cI Wanna Get High\u201d e \u201cWhen the Shit Goes Down\u201d. Os iniciados no repert\u00f3rio at\u00e9 poderiam reclamar que faltaram mais vers\u00f5es direto de \u201cLos Grandes \u00c9xitos en Espa\u00f1ol\u201d \u2013 o que viria bem a calhar em meio \u00e0 vaga latina que o Brasil vive atualmente. Foi dif\u00edcil, por\u00e9m, botar reparo tamanha a energia do grupo, que encerrou sua apresenta\u00e7\u00e3o com \u201cBombtrack\u201d, dos amigos do RATM, e o hit \u201c(Rock) Superstar\u201d. (Quando tudo acabou, o palco ao lado foi ocupado por TV Girl, que \u00e9 um cara, enquanto o Men I Trust, que tocou na sexta, \u00e9 liderado por uma mulher. Ambos fazem shows bem mornos, e nem uma cover de \u201cFemme Fatale\u201d ajudou o TV Girl. Assim, para completar o clima de baile de favela, a \u00fanica sequ\u00eancia poss\u00edvel foi conferir o set de Mu540 (l\u00ea-se \u201cmus\u00e3o\u201d) no palco Perry: potente, o DJ fez um set que alternou as mais brabas do funk putaria com petardos nost\u00e1lgicos, incluindo um \u201caquecimento\u201d funk \u00e0 base de \u201cYoung Folks\u201d, de Peter, Bjorn &amp; John, e cita\u00e7\u00f5es de \u201cI Follow Rivers\u201d (Lykke Li) e \u201cI Don\u2019t Know Why\u201d (Moony, direto do \u201cSummer Eletrohits 5\u201d). Uma del\u00edcia).<\/p>\n<hr \/>\n<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-94914 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MORIVA_LOLLA26_21032026_PALCOBUDWEISER_CHAPELLROAN_@DIEGOPADILHA-0306-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MORIVA_LOLLA26_21032026_PALCOBUDWEISER_CHAPELLROAN_@DIEGOPADILHA-0306-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MORIVA_LOLLA26_21032026_PALCOBUDWEISER_CHAPELLROAN_@DIEGOPADILHA-0306-copiar-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Chappell Roan &#8211; s\u00e1bado, 21h30 &#8211; Palco Budweiser<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">De todas as frases que poderiam ser gritadas no show de uma diva pop, uma das mais improv\u00e1veis \u2013 ao menos at\u00e9 a manh\u00e3 daquele s\u00e1bado \u2013 era \u201cfoda-se o Flamengo\u201d. Mas ela apareceu justamente na boca das jovens f\u00e3s de Chappell Roan, em refer\u00eancia a <a href=\"https:\/\/www.popload.com.br\/o-melhor-do-x-uma-chappell-roan-um-jorginho-do-flamengo-e-um-jude-law-entram-num-bar-edition\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um imbr\u00f3glio entre celebridades<\/a> que s\u00f3 mesmo o roteirista do Brasil poderia escrever. Mais que isso: a frase ajuda a expor diversas fraturas que existem no pop contempor\u00e2neo. Chappell j\u00e1 ganhou Grammy, j\u00e1 teve m\u00fasica em trilha de novela (\u201cSuper Graphic Ultra Modern Girl\u201d era o tema de Maria de F\u00e1tima na recente vers\u00e3o de \u201cVale Tudo\u201d) e tem hits que, n\u00e3o fosse o tempero s\u00e1fico, poderiam muito bem tocar em r\u00e1dios easy-listening de qualquer grande cidade brasileira \u2013 como \u201cGood Luck Babe\u201d, que aparece justamente neste contexto no filme \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/02\/22\/critica-bugonia-e-o-fim-do-mundo-como-o-conhecemos-e-as-abelhas-se-sentem-bem\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bugonia<\/a>\u201d. Ainda assim, e a despeito da posi\u00e7\u00e3o de headliner num dos maiores festivais do Pa\u00eds, Kayleigh Rose Amstutz (seu nome de batismo) era uma ilustre desconhecida para muita gente at\u00e9 o seguran\u00e7a-gate. Ao vivo, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender o porqu\u00ea: se Sabrina Carpenter ainda flerta com o imagin\u00e1rio masculino heterossexual, Chappell est\u00e1 totalmente apartada dele. Sua persona em cena, entre a princesa pop e a drag queen, constr\u00f3i um universo em que os homens s\u00e3o meramente decorativos. \u00c9 um clube exclusivo \u2013 mas que est\u00e1 longe de ser para poucos: apesar de liderar o \u00fanico dia sem ingressos esgotados do Lolla, \u00e9 Chappell quem mais preenche o gramado do palco Budweiser. Ao construir essa atmosfera de intimidade com ares de festa do pijama, a americana acaba deixando alguns buracos no caminho. O palco em formato de castelo, por exemplo, acaba mais por esconder a cantora do p\u00fablico do que dar destaque a ela. A intera\u00e7\u00e3o com a audi\u00eancia \u00e9 ora travada, ora protocolar. Em vez de apresentar a banda no final, para consagr\u00e1-la, Chappell o faz j\u00e1 na quarta m\u00fasica, como quem l\u00ea uma lista de supermercado. E musicalmente, apesar de ter boas ideias que atravessam o country (\u201cThe Subway\u201d, digna de Shania Twain), a new wave, o hard rock e o power pop (\u201cHot to Go\u201d \u00e9 puro Cheap Trick coreografado), a execu\u00e7\u00e3o \u00e9 feita de forma atabalhoada \u2013 seja na salada de ritmos em \u201cFemininomenon\u201d, seja na vers\u00e3o canhestra para o cl\u00e1ssico \u201cBarracuda\u201d, do Heart. Os f\u00e3s, claro, balan\u00e7am os leques e correspondem \u00e0s coreografias, mas h\u00e1 um descompasso entre a devo\u00e7\u00e3o que sai da plateia e a entrega que se v\u00ea do palco. Pode ser apenas uma circunst\u00e2ncia espec\u00edfica, um dia ruim, por\u00e9m a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 que faltou vontade a Chappell. Parece que nem tomou caf\u00e9 da manh\u00e3 direito, p\u00f4.<\/p>\n<hr \/>\n<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-94915 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MORIVA_LOLLA26_22032026_PALCOFLYINGFISH_PAPANGU_@DOPAMINEBLUR-6942-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MORIVA_LOLLA26_22032026_PALCOFLYINGFISH_PAPANGU_@DOPAMINEBLUR-6942-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MORIVA_LOLLA26_22032026_PALCOFLYINGFISH_PAPANGU_@DOPAMINEBLUR-6942-copiar-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Papangu &#8211; domingo, 12h45 &#8211; Palco Flying Fish<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de dominar as paradas mundiais e ganhar um Oscar, o k-pop finalmente chegou ao Lollapalooza. A estreia oficial foi no s\u00e1bado, com o Riize, mas a grande expectativa era mesmo pelas Katseye, girl group global formado num reality show, escalado para fechar a noite no palco Flying Fish. Formada por muitas crian\u00e7as e adolescentes (e alguns pais pacientes), a base de f\u00e3s chegou logo cedo a Interlagos e se postou diante da grade com seus indefect\u00edveis leques. Antes do k-pop, por\u00e9m, o p\u00fablico teve de conhecer o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/08\/29\/entrevistao-papangu-volta-com-rock-troncho-e-hermetocore-no-segundo-album-lampiao-rei\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">hermetocore da Papangu<\/a>. Direto de Jo\u00e3o Pessoa para o mundo, o sexteto viveu no Lollapalooza um momento de transi\u00e7\u00e3o. De um lado, completava uma volta ol\u00edmpica ap\u00f3s a consagra\u00e7\u00e3o com \u201cLampi\u00e3o Rei\u201d \u2013 lan\u00e7ado em 2024, o disco levou o grupo a tocar fora do Brasil e chamar a aten\u00e7\u00e3o pela mistura de rock progressivo, heavy metal, m\u00fasica nordestina e jazz fusion. Do outro, o show em Interlagos tamb\u00e9m serviu como pontap\u00e9 inicial para o ciclo de \u201cCelestial\u201d, trabalho que o grupo lan\u00e7ar\u00e1 em agosto pela Deck \u2013 no palco, o primeiro single, \u201cCalado (De Olho)&#8221;, apontou um caminho bem interessante. Entre o presente e o futuro pr\u00f3ximo, o grupo fez um de seus melhores espet\u00e1culos recentes: com tempo contado em 45 minutos, a Papangu limou solos exagerados e fez execu\u00e7\u00f5es enxutas e firmes para hinos recentes como \u201cBoitat\u00e1\u201d, \u201cOferenda no Alguidar\u201d e \u201cS\u00e3o Francisco\u201d, sem deixar de lado os vocais guturais, os teclados marcantes e as galinhas de borracha \u2013 estas, distribu\u00eddas em fartura \u00e0 plateia. O p\u00fablico retribuiu balan\u00e7ando os leques e gritando \u201cuh, \u00e9 boitat\u00e1!\u201d, num dos coros para ficar na hist\u00f3ria do festival.<\/p>\n<hr \/>\n<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-94916 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MORIVA_LOLLA26_22032026_PALCOBUDWEISER_MUNDOLIVRESA_@DIEGOPADILHA-1172-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MORIVA_LOLLA26_22032026_PALCOBUDWEISER_MUNDOLIVRESA_@DIEGOPADILHA-1172-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MORIVA_LOLLA26_22032026_PALCOBUDWEISER_MUNDOLIVRESA_@DIEGOPADILHA-1172-copiar-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Mundo Livre S\/A &#8211; domingo, 14h45 &#8211; Palco Budweiser<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo ano, uma banda institui\u00e7\u00e3o do rock brasileiro tem sua vez no Lollapalooza. Em 2026, foi a hora do Mundo Livre S\/A, que subiu ao palco com um leve atraso ap\u00f3s quest\u00f5es t\u00e9cnicas. N\u00e3o que isso tenha sido um problema: em quase 60 minutos, Fred Zero Quatro e seus companheiros enfileiraram hits e mais hits. Didaticamente, o grupo abriu os trabalhos com uma sequ\u00eancia do seminal \u201cSamba Esquema Noise\u201d (1994): o manifesto \u201cManguebit\u201d, \u201cRios (Smart drugs), pontes e overdrives\u201d e o delicioso balan\u00e7o de \u201cMusa da Ilha Grande\u201d. Depois, veio a incr\u00edvel \u201cPastilhas Coloridas\u201d, agradando tanto \u00e0 turma do leque que dava at\u00e9 para imaginar, por um instante, que os acess\u00f3rios arco-\u00edris eram uma homenagem \u00e0 bandeira de Pernambuco. Com guitarras ao alto, o grupo enveredou ainda por \u201cCompromisso de Morte\u201d e \u201cComputadores Fazem Arte\u201d \u2013 esta \u00faltima surgiu vigorosa, num arranjo punk capaz de retomar o esp\u00edrito garageiro e a for\u00e7a da mensagem de Fred, d\u00e9cadas antes de qualquer GPT. Ainda no car\u00e1ter premonit\u00f3rio, outra boa sacada foi a inclus\u00e3o no repert\u00f3rio de \u201cUm M\u00edssil Desgovernado\u201d \u2013 \u201ca gente n\u00e3o t\u00e1 sendo oportunista n\u00e3o, essa \u00e9 de 2000\u201d, brincou Fred sobre a can\u00e7\u00e3o de \u201cPor Pouco\u201d (2000). Do mesmo \u00e1lbum, o hit \u201cMeu Esquema\u201d apareceu numa vers\u00e3o leve, com o vocalista enfatizando a influ\u00eancia do aniversariante Jorge Ben e trocando o bolsonarista Rivaldo por \u201cRebeca Andrade mandando um voo\u201d. O esp\u00edrito de Ben tamb\u00e9m veio na suingada \u201cBolo de Ameixa\u201d, enquanto \u201cO Mist\u00e9rio do Samba\u201d deu uma piscadela a Tom Z\u00e9. Na prova dos nove, o Mundo Livre S\/A fez um grande show em esp\u00edrito de festival, agradando os mangueboys e arregimentando novos convertidos para a igreja do Manguebit. Am\u00e9m!<\/p>\n<hr \/>\n<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-94917 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MORIVA_LOLLA26_22032026_FLYINGFISH_ORUA_@DOPAMINEBLUR-7839-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MORIVA_LOLLA26_22032026_FLYINGFISH_ORUA_@DOPAMINEBLUR-7839-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MORIVA_LOLLA26_22032026_FLYINGFISH_ORUA_@DOPAMINEBLUR-7839-copiar-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Oru\u00e3 &#8211; domingo, 16h55 &#8211; Palco Flying Fish<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que h\u00e1 numa letra? A banda carioca Oru\u00e3 sabe bem: apenas um \u201cM\u201d a separa do cantor hom\u00f3fono, filho do traficante Marcinho VP e atual foragido da Justi\u00e7a. Do an\u00fancio do lineup \u00e0 hora da apresenta\u00e7\u00e3o, muita gente confundiu o grupo de L\u00ea Almeida (guitarra), Jo\u00e3o Casaes (synths), Bigu Medine (baixo) e Ana Zumpano (bateria) com o rapper carioca e preferiu n\u00e3o se aproximar. Azar de quem n\u00e3o foi ao palco Flying Fish: tocando para uma plateia praticamente formada por f\u00e3s do Katseye, o quarteto aproveitou a \u201cgolden hour\u201d para iluminar o fim de tarde de domingo com seus sons psicod\u00e9licos. Portando uma Giannini Jazzmaster, L\u00ea Almeida foi o indie guitar hero que n\u00f3s merecemos, enquanto Ana tra\u00e7ava ritmos m\u00e2ntricos e Casaes disparava camadas e mais camadas de seus instrumentos. A cena ficava ainda mais divertida ao se olhar para o gramado, onde os jovens ouvintes de k-pop ensaiavam coreografias para mais tarde. Outro toque bacana na apresenta\u00e7\u00e3o foi a participa\u00e7\u00e3o de Caxtrinho em \u201cDe Se Envolver\u201d, puro Jorge Ben em samba esquema noise. Pouco antes do final, um gracejo de Almeida resumiu o esp\u00edrito da coisa: \u201cEsse aqui \u00e9 o nosso epis\u00f3dio em Acapulco\u201d \u2013 e quem dera que um show desses pudesse ser t\u00e3o reprisado no Lollapalooza quanto Chaves na tev\u00ea. (Pouco tempo depois, no palco principal, o Turnstile fez uma apresenta\u00e7\u00e3o potente, cheia de rodas de pogo e sinalizadores, mas que deixou d\u00favidas: em meio aos experimentos com sintetizadores e as melodias mais pop de \u201cNever Enough\u201d, ser\u00e1 que o grupo ser\u00e1 capaz de manter sua veia punk? Ou ceder\u00e1 aos apelos da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica? Cenas dos pr\u00f3ximos cap\u00edtulos\u2026 em breve).<\/p>\n<hr \/>\n<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-94918\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/lorde3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/lorde3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/lorde3-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Lorde &#8211; domingo, 20h10 &#8211; Palco Samsung<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cada quatro anos, um fen\u00f4meno se repete no Brasil. Copa do Mundo? Elei\u00e7\u00e3o? N\u00e3o: um show da cantora Lorde, raro caso de artista que trouxe todas as suas turn\u00eas para o pa\u00eds. N\u00e3o que ela se lembre: logo no come\u00e7o do show, a neozelandesa simplesmente <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/11\/10\/especial-a-estreia-do-primavera-sound-em-sao-paulo-na-visao-de-cinco-colaboradores-do-scream-yell\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ignorou o show do Primavera Sound 2022<\/a> ao dizer que \u201ctinha muito a contar\u201d <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/11\/19\/balanco-popload-festival-2018\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">para o p\u00fablico desde 2018<\/a>. \u201cN\u00f3s crescemos juntos. Eu era um beb\u00ea, agora sou a irm\u00e3 mais velha\u201d, disse a cantora ao p\u00fablico que superlotou o palco Samsung \u2013 a ponto de fazer muita gente considerar, antes mesmo do show come\u00e7ar, que Lorde \u00e9 quem deveria ter sido a headliner do dia. Parte do \u201crebaixamento\u201d se deve aos dois \u00faltimos discos da cantora: lan\u00e7ados em 2022 e 2025, respectivamente, \u201cSolar Power\u201d e \u201cVirgin\u201d foram pontos abaixo da m\u00e9dia para a artista tanto em cr\u00edtica como em popularidade. Com tempo enxuto, Lorde deu tratamento d\u00edspar aos \u00e1lbuns em S\u00e3o Paulo: as can\u00e7\u00f5es de \u201cSolar Power\u201d foram limadas do repert\u00f3rio, enquanto a obra mais recente serviu como espinha dorsal do setlist. \u00c0 primeira vista, parecia for\u00e7a\u00e7\u00e3o de barra \u2013 ainda mais quando a cantora executou apenas uma vers\u00e3o reduzida (e cantada em un\u00edssono) de seu primeiro sucesso, \u201cRoyals\u201d. Mas havia um sentido: \u201caos 29 no retorno de Saturno\u201d, o que Lorde tece ao longo de uma hora e meia \u00e9 um espet\u00e1culo minimalista do ponto de vista visual e sonoro, por\u00e9m repleto de significado. Longe dos cen\u00e1rios elaborados de Sabrina e Chappell, ela se vale de poucos aparatos (o ventilador de \u201cBuzzcut Season\u201d, a caixa de som em \u201cMan of the Year\u201d, uma cueca Calvin Klein em \u201cCurrent Affairs\u201d) e arranjos repletos de programa\u00e7\u00e3o para revisitar sua pr\u00f3pria jornada com maturidade. A execu\u00e7\u00e3o de \u201cSupercut\u201d, em que a cantora canta sobre uma crise obsessiva enquanto corre numa esteira, \u00e9 um tour de force, numa aula de combina\u00e7\u00e3o entre som e imagem \u2013 ou como diriam os jovens, \u00e9 \u201cabsolute cinema\u201d. A can\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m d\u00e1 in\u00edcio a uma sequ\u00eancia arrasadora sa\u00edda de \u201cMelodrama\u201d, com \u201cThe Louvre\u201d (\u201cas melhores can\u00e7\u00f5es s\u00e3o aquelas que eu escrevi apaixonada por algu\u00e9m \u2013 e essa \u00e9 uma delas\u201d) e \u201cLiability\u201d. \u201cTenho medo do mundo que temos \u2013 e achei que ia ser diferente quando eu tinha 20 anos. Mas quando sento aqui, vejo muita beleza e tenho f\u00e9\u201d, disse a cantora, antes de dar licen\u00e7a ao p\u00fablico para chorar com a can\u00e7\u00e3o, talvez uma das melhores baladas deste s\u00e9culo de ilus\u00f5es perdidas. Aplicada estudiosa da teoria do W, Lorde engata duas do disco mais recente com ares perform\u00e1ticos (\u201cMan of the Year\u201d e \u201cIf She Could See Me Now\u201d) antes de entregar ao p\u00fablico seu golpe final. Ao interpor o single \u201cWhat Was That?\u201d com as antigas \u201cTeam\u201d (de 2013) e \u201cGreen Light\u201d (de 2017), a neozelandesa n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 enfileirando petardos. Ela mostra que se sentir confuso, ansioso, apaixonado ou perplexo n\u00e3o s\u00e3o apenas sentimentos restritos \u00e0 adolesc\u00eancia, mas que fazem parte da vida de qualquer um, num ciclo fadado a se repetir. Depois de acelerar no sinal verde, Lorde explica mais uma vez porque foi chamada de \u201co futuro do pop\u201d por David Bowie: ela deixa o palco, abra\u00e7a o p\u00fablico e sobe numa pequena plataforma no meio da pista para encerrar o show com \u201cRibs\u201d \u2013 e \u00e9 assombroso pensar que uma garota de 16 anos escreveu um verso como \u201cit drives you crazy getting old\u201d (\u201cte enlouquece envelhecer\u201d). \u00c9 de arrepiar \u2013 e \u00e9 por causa de momentos como esse que seguimos nos apaixonando pela m\u00fasica e gastando a sola do sapato para ir a shows: pela expectativa de sentir algo como o que se sentiu ali em Interlagos. Por um instante, todos fomos infinitos de novo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-94920\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MORIVA_LOLLA26_20032026_EXPERIENCIA_DRONE_FABIOURA_002-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MORIVA_LOLLA26_20032026_EXPERIENCIA_DRONE_FABIOURA_002-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MORIVA_LOLLA26_20032026_EXPERIENCIA_DRONE_FABIOURA_002-copiar-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013 Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@noacapelas)<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista. Apresenta o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/programadeindie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a>\u00a0e escreve a newsletter\u00a0<a href=\"https:\/\/meusdiscosmeusdrinks.substack.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Meus Discos, Meus Drinks e Nada Mais<\/a>. Colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010.<\/em><\/p>\n<p><em>Fotos: Equipe Lollapalooza<\/em><br \/>\n<em>&#8211; Blood Orange, Chappell Roan, Jadsa, Mundo Livre S\/A de @<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/diegopadilha\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">diegopadilha;<\/a><\/em><br \/>\n<em>&#8211; Oru\u00e3, Papangu de @<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/dopamineblur\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dopamineblur<\/a><\/em><br \/>\n<em>&#8211; Cypress Hill de @<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/oxidany\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">oxidany<\/a><\/em><br \/>\n<em>&#8211; Fotos 2 e 3; Foto em Grupo de @<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/victorcarvalhoph\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">victorcarvalhoph<\/a><\/em><br \/>\n<em>&#8211; Fotos 4 e 5 de @<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/gabrielnafoto\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">gabrielnafoto<\/a><\/em><br \/>\n<em>&#8211; Sabrina Carpenter de @<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/alfredoflores\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">alfredoflores<\/a><\/em><br \/>\n<em>&#8211; Viagra Boys, Lorde e Deftones, reprodu\u00e7\u00e3o Youtube<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quantos festivais cabem num festival? No caso do Lollapalooza 2026 \u2013 ou seria \u201clequepallooza\u201d? \u2013, s\u00e3o muitos.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/27\/lollapalooza-brasil-2026-12-shows-de-uma-edicao-marcada-por-leques-publicidade-e-falta-de-identidade\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":94928,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7547,3],"tags":[190],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94890"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=94890"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94890\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":94931,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94890\/revisions\/94931"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/94928"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=94890"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=94890"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=94890"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}