{"id":94833,"date":"2026-03-24T10:39:06","date_gmt":"2026-03-24T13:39:06","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=94833"},"modified":"2026-04-12T23:31:59","modified_gmt":"2026-04-13T02:31:59","slug":"fletcher-dragge-pennywise-as-pessoas-precisam-parar-de-ouvir-mentiras-americanas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/24\/fletcher-dragge-pennywise-as-pessoas-precisam-parar-de-ouvir-mentiras-americanas\/","title":{"rendered":"Fletcher Dragge (Pennywise): &#8220;\u00c9 preciso parar de ouvir mentiras americanas&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lage.guilherme66\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Guilherme Lage<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2005 o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/_pennywise\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pennywise<\/a> lan\u00e7ou um disco chamado &#8220;The Fuse&#8221;. Um \u00e1lbum que marcou um per\u00edodo de leve &#8220;cis\u00e3o&#8221; criativa no processo sempre colaborativo em que os m\u00fasicos compunham. Naquela \u00e9poca, quando o jeito mais f\u00e1cil de ter acesso \u00e0 m\u00fasica de grandes bandas era por meio dos famigerados &#8220;Shareaza&#8221; e &#8220;Lime Wire&#8221; (lembra deles?), um amigo passou algumas noites em claro, baixando faixa atr\u00e1s de faixa e decidiu me contar: \u201ccara, consegui! Vem aqui amanh\u00e3 e traz um CD pra gravar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquele ano, &#8220;The Fuse&#8221; se tornou um \u00e1lbum de cabeceira. Tocando sem parar entre uma ida \u00e0 escola e outra, se n\u00e3o aos meus ouvidos, aos do meu irm\u00e3o. Passadas mais de duas d\u00e9cadas do lan\u00e7amento, decidi contar essa anedota a Fletcher Dragge, guitarrista da banda, que reagiu de forma surpresa. &#8220;Que legal! Esse \u00e9 o seu disco favorito ent\u00e3o?\u201d. Este foi apenas um dos grandes momentos divididos neste papo com o Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Pennywise \u00e9 uma daquelas bandas que marcam vidas. Formado em 1988, os m\u00fasicos logo se tornaram os reis da cena californiana que emergia no fim dos anos 80. Com os lan\u00e7amentos dos EPs &#8220;A Word from the Wise&#8221; e &#8220;Wildcard&#8221;, no ano seguinte \u00e0 seu nascimento, o grupo come\u00e7ou a ganhar p\u00fablico para muito al\u00e9m das praias e quintais de Hermosa Beach, cidade natal do quarteto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por ali os m\u00fasicos se sacramentaram como deuses entre moicanos e skatistas, que se divertiam em meio a barris de cerveja enxugados por menores de idade. Tudo com a banda de nome de palha\u00e7o monstro de Stephen King no palco. A partir de 1991 come\u00e7aram sua longa hist\u00f3ria de amor com a Epitaph, talvez a gravadora punk mais importante do fim do s\u00e9culo XX, ajudando a lan\u00e7ar nomes como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Bad+Religion\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bad Religion<\/a>, NOFX e os suecos do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=refused\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Refused<\/a> ao estrelato mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da parceria surgiram 12 discos, cl\u00e1ssicos como &#8220;Unknown Road&#8221; (1993), &#8220;Full Circle&#8221; (1997), &#8220;Straight Ahead&#8221; (1999) e &#8220;From The Ashes&#8221; (2003). O \u00faltimo deles, &#8220;Never Gonna Die&#8221;, veio ao mundo em 2018. Claro que em uma discografia t\u00e3o robusta, a banda conhecida por riffs r\u00e1pidos e marcantes, al\u00e9m de refr\u00f5es memor\u00e1veis, contaria com um enorme cat\u00e1logo de hinos, como &#8220;Fight Till You Die&#8221;, &#8220;Fuck Authority&#8221;, &#8220;My Own Country&#8221;, &#8220;6th Avenue Nightmare&#8221; e a lind\u00edssima &#8220;Bro Hymn Tribute&#8221;, em homenagem ao finado baixista Jason Thirsk.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa, Fletcher contou como foi encarar o microfone para dar vida a &#8220;Ace of Spades&#8221;, cl\u00e1ssico do Mot\u00f6rhead, regravado pela banda no ano passado. Mais ainda, causos sobre tomar umas com deus em pessoa, quer dizer, Lemmy, bem ali na casa do baixista, o Rainbow, na Sunset Boulevard. Tamb\u00e9m houve espa\u00e7o para rememorar sobre como era passar os dias surfando, andando de skate e enchendo o pote de cerveja, todo santo dia, como ele mesmo diz, naquela Calif\u00f3rnia que j\u00e1 n\u00e3o existe mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fletcher tamb\u00e9m se lembra com um sorriso de porradarias hist\u00f3ricas com metaleiros nos anos 80: &#8220;eles eram o inimigo!&#8221;. Sobrou f\u00f4lego? Pois ele tem e muito para mandar Donald Trump para a puta que pariu!! Leia com &#8220;Never Gonna Die&#8221; no talo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pennywise - &quot;American Lies&quot; (Full Album Stream)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6z1pRF1Inlc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu estava ouvindo o \u201cNever Gonna Die\u201d outro dia e uma m\u00fasica como \u201cAmerican Lies\u201d realmente causa um grande impacto hoje em dia, principalmente por conta de toda a loucura com o ICE nos Estados Unidos, toda a quest\u00e3o dos ataques ao Ir\u00e3, ent\u00e3o gostaria de te perguntar: voc\u00ea acha que as pessoas ainda acreditam em mentiras americanas?<\/strong><br \/>\nSe elas acreditam? Est\u00e3o comendo essas mentiras na porra do caf\u00e9 da manh\u00e3. Eles n\u00e3o s\u00f3 acreditam nele (Trump), eles o tratam como um deus! \u00c9 uma loucura, cara. Infelizmente eu amo os Estados Unidos, tenho que dizer isso. Eu sou um patriota, porque quero resolver os problemas que temos por aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas pessoas que dizem \u201cn\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 patriota, voc\u00ea tem que ir embora daqui\u201d, porque eu estou reclamando dos problemas que temos aqui, elas s\u00e3o loucas, isso \u00e9 uma coisa totalmente maluca. Essas pessoas acreditam e apoiam esse filho da puta e engoliram todo aquele papo de quando ele estava disputando a elei\u00e7\u00e3o, tudo o que ele falava, tipo \u201cn\u00e3o vamos mais entrar em guerras\u201d ou \u201cvamos divulgar os arquivos do Epstein\u201d, \u201cvamos diminuir o pre\u00e7o dos alimentos\u201d, \u201cvamos dar uma vida \u00f3tima aos fazendeiros, trabalhadores do campo\u201d, bl\u00e1, bl\u00e1, bl\u00e1, sabe? Tudo isso era mentira, um monte de merda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E agora o que esse cara fez foi nos mandar de volta 100 anos ao passado, ele conseguiu deixar o mundo inteiro puto, bravo com a gente. Ele est\u00e1 fazendo loucuras, matando gente inocente. A merda do ICE est\u00e1 fora de controle. Voc\u00ea v\u00ea esses caras mascarados, sem identifica\u00e7\u00e3o, sequestrando pessoas nas ruas. Cidad\u00e3os americanos! Isso \u00e9 uma loucura! E ainda temos pessoas nesse pa\u00eds apoiando ele, \u00e9 inacredit\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu conhe\u00e7o muita gente que se identifica como republicana, que votou no Trump e hoje diz \u201cN\u00e3o foi por isso que eu votei nele, eu cometi um erro\u201d. E \u00e9 tipo: \u00e9, cometeu mesmo. N\u00f3s te avisamos que era um erro antes mesmo de tudo isso acontecer, voc\u00ea n\u00e3o lembra da \u00faltima vez que ele foi presidente? N\u00e3o lembra o que ele fazia? Que ele arrancava os direitos das pessoas, jogava fora a liberdade das pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele ignorava a constitui\u00e7\u00e3o, ignorava o congresso, ignorava a Corte Suprema, \u00e9 uma loucura. Ent\u00e3o, sim, as pessoas est\u00e3o acreditando nas mentiras americanas. E sabe o que \u00e9 o pior? \u00c9 que o Trump \u00e9 um g\u00eanio. Odeio dizer isso, porque acho que ele \u00e9 uma das pessoas mais burras no planeta Terra, mas o lance de g\u00eanio dele foi que ele come\u00e7ou a dizer para as pessoas \u201cah, isso \u00e9 fake news, aquilo \u00e9 fake news\u201d. Ent\u00e3o, basicamente, se voc\u00ea apoia o Trump, acredita em tudo que ele diz incondicionalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o quando alguma not\u00edcia, a \u00fanica coisa que ele precisa fazer \u00e9 dizer \u201cisso \u00e9 fake news\u201d. Agora a pr\u00f3xima desculpa vai ser \u201cAh, isso \u00e9 IA, n\u00e3o \u00e9 real, n\u00e3o \u00e9 uma filmagem de verdade, \u00e9 IA\u201d. Ent\u00e3o assim, como uma frasezinha de merda, com duas palavras \u201cfake news\u201d, ele conseguiu fazer uma lavagem cerebral completa nessas pessoas. E essas pessoas n\u00e3o observam a situa\u00e7\u00e3o com profundidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu vou a fundo em tudo, eu pesquiso as coisas, descubro se alguma coisa \u00e9 verdade ou mentira, porque existem sim algumas informa\u00e7\u00f5es falsas contra essa administra\u00e7\u00e3o, mas h\u00e1 muita, muita verdade contra eles. Estamos em uma situa\u00e7\u00e3o perigosa, estamos tornando o mundo um lugar perigoso e, cara, eu mal posso esperar pra ver ele longe do cargo e espero que aconte\u00e7a logo, sabe? Porque as pessoas precisam parar de ouvir mentiras americanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fico pensando em algumas m\u00fasicas do Pennywise, como \u201cFuck Authority\u201d, \u201cMy own Country\u201d, \u00e9 louco olhar como passados 20 anos, 25 anos, continua tudo a mesma merda. E est\u00e1 sempre relevante, porque o governo nos Estados Unidos \u00e9 corrupto, controlado por oligarcas ricos, que roubam o dinheiro do povo, d\u00e3o para os amigos ricos deles. S\u00e3o todos uns filhos da puta, todos no mesmo time, est\u00e3o dividindo todo mundo, fazendo todo mundo brigar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o pior, enquanto fazem isso, eles come\u00e7am a atirar bombas no Ir\u00e3, para \u201clibertar o Ir\u00e3\u201d. Ah, voc\u00ea quer dizer roubar o petr\u00f3leo deles, n\u00e9? Em outras palavras: roubar o petr\u00f3leo para que a China n\u00e3o tenha acesso. A gente sabe muito bem o que est\u00e1 acontecendo, mas a maior parte das pessoas nem se importa. Elas ficam repetindo isso de \u201cn\u00f3s estamos libertando o Ir\u00e3\u201d. Claro que estamos. Do mesmo jeito que libertamos o Iraque, n\u00e9?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pennywise - &quot;Fuck Authority&quot;\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/j5arZGgyGSc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tempos como esse me lembram dessa frase do Henry Rollins, que ele diz \u201cagora \u00e9 hora de punk rock, foi pra isso que o Joe Strummer te treinou\u201d e \u00e9 bem isso mesmo que est\u00e1 acontecendo, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nSim, com certeza! Eu acho que o punk rock se afastou muito da pol\u00edtica com o passar dos anos. N\u00f3s sempre nos focamos muito na parte das pol\u00edticas sociais, por exemplo, o valor das pessoas, a amizade, lealdade. Mas claro, nos focamos na parte de falar do governo tamb\u00e9m. Acho que muitas das bandas novas n\u00e3o est\u00e3o se aproximando muito de quest\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que existe tamb\u00e9m um pouco de \u201cmedo\u201d, sabe? Isso porque, olha o que est\u00e1 acontecendo. A pol\u00edcia pode vir bater na porta da sua casa e te prender, porque voc\u00ea est\u00e1 dizendo \u201cfoda-se o Trump\u201d ou porque voc\u00ea est\u00e1 atravessando uma fronteira, h\u00e1 esse risco tamb\u00e9m. Mas ao mesmo tempo, ir ao Facebook ou Instagram e dizer \u201cfoda-se Donald Trump, foda-se essa administra\u00e7\u00e3o, se voc\u00ea segue o Trump, me exclua, nunca mais fale comigo\u201d, isso n\u00e3o conserta a situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem nenhum tipo de impacto real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que \u00e9 preciso tentar algo diferente, tentar conversar com essas pessoas. Porque se voc\u00ea s\u00f3 gritar com elas, elas v\u00e3o dizer \u201cv\u00e1 se foder\u201d tamb\u00e9m e v\u00e3o construir uma barreira ainda mais alta para qualquer tipo de di\u00e1logo. Para mim, acho que tento encontrar algum tipo de interesse em comum. Conversar com essa pessoa e realmente perguntar: e sobre essa quest\u00e3o? Acha que temos algo em comum aqui? Acha que podemos concordar nisso aqui?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s n\u00e3o somos realmente inimigos, cara, e acho que seguindo em frente \u00e9 necess\u00e1rio encontrar algum jeito de coexistir de forma pac\u00edfica, onde todo mundo entrega alguma coisa. N\u00e3o vou dizer que \u00e9 f\u00e1cil encontrar qualquer jeito disso acontecer, mas eu diria que isso n\u00e3o est\u00e1 acontecendo s\u00f3 nos Estados Unidos, infelizmente.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pennywise \u2013 Ace of Spades (Official Visualizer)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OjBfoUKbfAY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E falando um pouco sobre m\u00fasica, eu curti demais a vers\u00e3o de \u201cAce of Spades\u201d que voc\u00eas fizeram. Pode me contar um pouco sobre como o Mot\u00f6rhead se conecta \u00e0 hist\u00f3ria do Pennywise?<\/strong><br \/>\nCrescendo no punk rock, os metaleiros eram seus inimigos, cara. Voc\u00eas saem na porrada direto, tipo, uma vez por semana, sempre uma briga grande. E o Mot\u00f6rhead era tipo uma banda de metal, mas um cara uma vez chegou com uma jaqueta do Mot\u00f6rhead e eu j\u00e1 fui falar com ele \u201cpor que voc\u00ea est\u00e1 usando essa merda de jaqueta?\u201d e ele disse: porque o Mot\u00f6rhead \u00e9 uma porra de uma banda de punk rock! E come\u00e7amos a discutir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a\u00ed o cara colocou \u201cAce of Spades\u201d pra tocar e eu nunca vou me esquecer daquilo, foi tipo \u201cque porra \u00e9 essa? Isso \u00e9 punk rock\u201d. Mas o Lemmy n\u00e3o estava tentando ser metaleiro ou punk, ele era um verdadeir rock n\u2019 roller. Ent\u00e3o, quando o assunto \u00e9 m\u00fasica, eu n\u00e3o quero saber se \u00e9 rap, se \u00e9 country western. Punk rock \u00e9 um estado mental, ent\u00e3o eu sempre considerei o Mot\u00f6rhead como uma banda punk. \u00c9 tipo o Metallica, com o \u201cRide The Lightning\u201d, aquilo era punk rock, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o n\u00f3s crescemos indo a shows do Mot\u00f6rhead, que eram simplesmente incr\u00edveis, e o Lemmy era tipo um deus, ele \u00e9 a ep\u00edtome do rock n\u2019 roll. Ele \u00e9 meu \u00eddolo n\u00famero 1 na vida quando o assunto s\u00e3o m\u00fasicos. O jeito com que ele vivia, se portava, como n\u00e3o havia nenhuma besteira com ego. Ele tratava as pessoas com respeito, ele dizia a verdade, ele n\u00e3o era um personagem, cara. Ele realmente vivia aquilo. A vida dele era aquilo mesmo: estava no bar, bebendo, tocando m\u00fasica, pegando a estrada, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu tive a oportunidade de estar no est\u00fadio com ele quando ele estava regravando \u201cAce of Spades\u201d para o Guitar Hero, sabe? E eu dei uma carona pra ele at\u00e9 em casa. E a\u00ed estavamos dirigindo em meio \u00e0 Sunset Boulevard, com Lemmy no banco do carona, de chap\u00e9u de cowboy, com \u201cAce of Spades\u201d no volume m\u00e1ximo na caminhonete. E l\u00e1 estava eu, dirigindo, passando pelo o Whiskey, o The Roxy, pensando \u201co que? isso \u00e9 a vida real mesmo? Lemmy aqui agitando \u2018Ace of Spades\u2019?\u201d (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Levei ele pra casa, levei o baixo dele ao andar de cima pra ele, aquele Rickenbacker lend\u00e1rio, o \u201cRickenbastard\u201d, ficamos na casa dele um pouco e logo depois o levei para o Rainbow, e tomei umas com ele por l\u00e1. Foi uma experi\u00eancia muito legal e muito forte, de me conectar com ele. Um produtor com quem trabalhamos muito recentemente, Cameron Webb, produziu os \u00faltimos seis discos do Mot\u00f6rhead e era um grande amigo do Lemmy e foi ele que produziu esse cover.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ent\u00e3o eu disse a ele \u201ccara, Ace of Spades, irm\u00e3o!\u201d e o Jim (Lindberg, vocalista do Pennywise), me disse: voc\u00ea canta! E eu disse: o que? E ele me fala: voc\u00ea soa mais como o Lemmy. E eu falei: \u00e9, mas n\u00f3s devemos soar como Pennywise, n\u00e3o como Mot\u00f6rhead. E ele disse: n\u00e3o, vai nessa! E eu pensei: porra, claro que eu vou nessa! N\u00e3o sabia se eu ia conseguir fazer algo legal, porque n\u00e3o sou vocalista, nunca cantei uma m\u00fasica inteira do Pennywise ou coisa assim, fa\u00e7o mais backing vocals, mas foi uma honra enorme!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed a gravadora gostou, o feedback dos f\u00e3s foi muito legal, claro que algumas pessoas ficaram dizendo \u201caah, isso \u00e9 uma merda! Lemmy \u00e9 deus, voc\u00ea n\u00e3o vai substitu\u00ed-lo!\u201d, esse tipo de coisa. E assim, n\u00e3o, cara, n\u00e3o estou tentando substituir o Lemmy. ningu\u00e9m nunca conseguiria substitu\u00ed-lo, eu estou tentando honr\u00e1-lo. Foi realmente um privil\u00e9gio fazer parte disso e, na real, de conseguir fazer isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ah, e o Cameron me deu essa letra aqui (Fletcher se levanta para mostrar uma letra do Mot\u00f6rhead, escrita a punho por Lemmy em uma folha de papel, emoldurada na estante). Essa \u00e9 uma letra feita a m\u00e3o por Lemmy, e o que ele fazia, quando escrevia letras para os \u00e1lbuns, \u00e9 que quando ele n\u00e3o gostava de algo, simplesmente amassava e jogava no lixo. E a\u00ed o Cameron tirou da lata de lixo e me deu de presente no meu anivers\u00e1rio de 50 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o eu diria que essa \u00e9 a nossa conex\u00e3o com o Mot\u00f6rhead, e acho que fizemos um bom trabalho, sabe? O Byron (McMackin, baterista da banda), simplesmente detonou! E al\u00e9m disso, todo o equipamento do Lemmy estava no est\u00fadio, os amplificadores dele, os baixos, ent\u00e3o pudemos usar tudo aquilo. O Randy (Bradbury, baixista), p\u00f4de tocar o baixo do Lemmy, usar os amplificadores dele. Eu toquei meu solo de guitarra com o amplificador do Lemmy. Foi incr\u00edvel.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pennywise - Knocked Down\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LaMAZ3862d4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando eu tinha uns 13 anos, o \u201cThe Fuse\u201d saiu, eu e meu irm\u00e3o ficamos obcecados com o disco. Tem coisas ali que s\u00e3o marcantes demais. O riff de \u201cKnocked Down\u201d, o solo de guitarra em \u201c6th Avenue Nightmare\u201d. Estava pensando, voc\u00ea pode contar um pouco sobre como foi o processo de composi\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o daquele \u00e1lbum? Porque \u00e9 um disco muito especial pra mim.<\/strong><br \/>\nNaquele disco o processo de composi\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o foi bem feio, pra te falar a verdade, cara. Est\u00e1vamos brigando muito, sempre brigamos muito no est\u00fadio. N\u00f3s somos muito intensos e muito apaixonados quando tentamos criar as coisas. \u201c6th Avenue Nightmare\u201d, foi o Randy que comp\u00f4s, aquela ali \u00e9 bem legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cKnocked Down\u201d eu acho que o Jim comp\u00f4s a m\u00fasica inteira e eu, obviamente, vim com aquela coisa, daquelas palhetadas pra baixo que fa\u00e7o nos riffs, mas foi meio que uma \u00e9poca bem esquisita. Porque normalmente normalmente sou eu mandando m\u00fasica pro Jim e ele escreve as letras, ou rolava algo que eu dizia \u201caqui est\u00e1 a m\u00fasica e aqui est\u00e1 a minha ideia para a letra e a melodia\u201d, a\u00ed ele trabalha a partir disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou eu j\u00e1 jogo uma m\u00fasica completa pra ele: \u201cAqui est\u00e1 a m\u00fasica, aqui est\u00e1 a letra, est\u00e1 tudo pronto. Voc\u00ea quer escrever o segundo verso?\u201d e ele diz: \u201csim, quero escrever o segundo verso\u201d. Ent\u00e3o h\u00e1 muita elabora\u00e7\u00e3o, mas no \u201cThe Fuse\u201d, as coisas ficaram meio que \u201cbom, essa \u00e9 sua m\u00fasica, vou fazer do jeito que voc\u00ea quer\u201d. N\u00e3o teve muito essa coisa colaborativa, de um ajudar o outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Soa um pouco estranho, mas o Jim dizia \u201ceu compus a m\u00fasica desse jeito e quero ela desse jeito\u201d. E eu tentava falar algo, tipo \u201csim, mas eu posso fazer algo assim com a guitarra?\u201d e ele dizia: n\u00e3o! Fa\u00e7a do jeito que eu fiz. Foi mais um \u00e1lbum independente, no sentido que cada um fazia suas pr\u00f3prias coisas, mas \u00e9 meio estranho. Tem umas m\u00fasicas \u00f3timas ali, mas h\u00e1 outras que eu fico meio\u2026 sei l\u00e1. \u00c9 meio que uma coisa esquisita, meio que irregular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E eu acho que foi o \u00fanico \u00e1lbum que j\u00e1 fizemos que foi daquele jeito. Por exemplo, o Jim escreveu \u201cFox TV\u201d e a\u00ed me disse: \u00e9 desse jeito, toque assim. E eu dizia: tudo bem, mas e se tentarmos assim? E ele dizia: n\u00e3o! Ent\u00e3o foi meo que um trabalho mais direto. Mas esse disco que te fez curtir o Pennywise ent\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, sim. Esse disco foi a minha introdu\u00e7\u00e3o ao Pennywise.<\/strong><br \/>\nIsso \u00e9 louco, n\u00e9? Porque se uma pessoa nos conheceu na \u00e9poca do \u201cAbout Time\u201d, esse tamb\u00e9m se torna o \u00e1lbum favorito dela, sabe? Ent\u00e3o eu entendo isso muito bem. Agora, se vamos tocar alguma m\u00fasica daquele disco? (The Fuse), eu n\u00e3o sei, mas podemos dar uma olhadinha no setlist e ver se conseguimos colocar uma pra voc\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E j\u00e1 que voc\u00ea falou sobre per\u00edodos feios e dif\u00edceis, uma coisa que queria perguntar: desde o fim da pandemia muitas bandas t\u00eam reclamado que casas de show ficam com parte da grana do merch delas. Sempre considerei isso uma das maiores babaquices que uma casa de shows pode fazer. Como isso afeta voc\u00eas? Como uma banda de hardcore punk na estrada e vendendo merch?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma loucura, porque para algumas bandas esse \u00e9 o \u00fanico jeito de ganhar qualquer dinheiro. Tipo, para uma banda jovem, se voc\u00ea fizer 400 d\u00f3lares por noite, isso cobre a alimenta\u00e7\u00e3o, um quarto de hotel, gasolina. J\u00e1 era. Ent\u00e3o se eles vendem 500 d\u00f3lares ou 1 mil d\u00f3lares em merch, essa \u00e9 a vida deles. A\u00ed essas casas pegam 25% dessas vendas. \u00c9 tipo: que porra \u00e9 essa que voc\u00ea est\u00e1 fazendo? Alguns festivais est\u00e3o pegando 45%, o que coloca muita press\u00e3o nas bandas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 tocamos em festivais que estavam querendo pegar 45% e dissemos: \u201cn\u00e3o, voc\u00eas que se fodam, n\u00e3o vamos fazer isso! Chega, ponto final\u201d. N\u00f3s boicotamos isso, conseguimos fazer com que todas as bandas boicotassem na Warped Tour, sem vender merch no festival. Levamos todo o merch para um estacionamento depois do show e todos os f\u00e3s e vieram e comprar o merch todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se voc\u00ea cobrar uma taxa de 35%, a banda tem que, no m\u00ednimo, aumentar uns 10 d\u00f3lares no pre\u00e7o de uma camisa, \u00e9 por isso que voc\u00ea v\u00ea essas camisetas car\u00edssimas em festivais, \u00e9 um absurdo enorme. Eu fiquei sabendo que a Live Nation est\u00e1 abrindo m\u00e3o da porcentagem que eles levam, mas isso de ficar com uma parcela do que a banda vende acontece h\u00e1 muito tempo, n\u00e3o \u00e9 nada novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o muitas vezes nosso agente dizia diretamente ao contratante: \u201colha s\u00f3, se o Pennywise vier tocar no seu espa\u00e7o, voc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o ficar com nenhum dinheiro da venda de merchandise\u201d. Porque, pensa bem, quando nossos f\u00e3s v\u00e3o a alguma casa de shows, eles consomem cerca de 30 mil d\u00f3lares, 40 mil d\u00f3lares, s\u00f3 em bebida. Olha isso!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se tocamos numa casa para mil pessoas, isso rende 30 mil d\u00f3lares para a casa. Claro, eles t\u00eam que pagar uns 10 mil d\u00f3lares deste total, mas ainda assim t\u00eam um lucro de 20 mil d\u00f3lares, n\u00e9? Eles n\u00e3o d\u00e3o esse dinheiro pra gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles n\u00e3o repassam nenhum dinheiro para as bandas quando as pessoas est\u00e3o estacionando os carros do lado de fora por 30 d\u00f3lares ou por alguma besteira tipo um \u201cMetallica Parking\u201d, em que as pessoas pagam a porra de 200 d\u00f3lares para estacionar um carro, em uma casa aqui de L.A. Eu fiquei muito revoltado com isso, tipo: porra, voc\u00ea est\u00e1 maluco? Voc\u00ea consegue ir a cinco shows do Pennywise s\u00f3 com o dinheiro que est\u00e1 gastando pra estacionar o seu carro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, no fim do dia, todas essas coisas s\u00e3o grandes besteiras. N\u00f3s protestamos e algumas casas est\u00e3o come\u00e7ando a parar com isso, assim como a Live Nation, que parece ter entendido, tipo \u201cei, isso \u00e9 o que voc\u00ea faz da vida, ent\u00e3o vamos fazer dinheiro com os ingressos, com o estacionamento, no bar. Vamos te dar um adiantamento\u201d. Porque isso \u00e9 muito tenso, especialmente para bandas pequenas, ter que pagar esses pre\u00e7os no lugar em que est\u00e3o tocando.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pennywise - Homesick\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BBtXL9NAPXk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nos anos 80, quando voc\u00eas estavam come\u00e7ando, voc\u00eas tocavam em muitas festas nos quintais das pessoas. Pode me contar um pouquinho sobre como eram aqueles shows? Porque eram uma banda independente, tocando literalmente na casa de algu\u00e9m, como era essa experi\u00eancia?<\/strong><br \/>\nNaquela \u00e9poca, a n\u00e3o ser que algu\u00e9m conhecesse a sua banda, de jeito nenhum voc\u00ea ia conseguir tocar em uma casa de shows, sabe? Em Hollywood come\u00e7aram com esse lance chamado \u201cpay to play\u201d. Os contratantes te ofereciam algo como: voc\u00ea pode tocar no The Whiskey, mas voc\u00ea tem que vender 200 ingressos por 10 d\u00f3lares. E a\u00ed eles ficavam com a grana toda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, basicamente, o que acontecia, \u00e9 que voc\u00ea daria a eles 2 mil d\u00f3lares. Voc\u00ea vai sair de casa, vender os ingressos pros seus amigos e a\u00ed, talvez venda mais uns 100 ingressos por fora, que a\u00ed sim consegue ficar um dinheiro para a banda, isso era chamado \u201cpay to play\u201d. Ent\u00e3o como n\u00e3o t\u00ednhamos nenhum lugar pra tocar, faz\u00edamos essas festas com uns amigos, compr\u00e1vamos uns barris de cerveja e era isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o a forma que eu usava para atrair as pessoas e as bandas para os shows era que eu comprava um barril grande de cerveja, por uns 50 d\u00f3lares e lig\u00e1vamos pra todo mundo na cidade e d\u00edziamos \u201cvai rolar um fest\u00e3o por aqui, o Pennywise vai tocar\u201d. Da\u00ed 50 pessoas apareciam, conforme as coisas aumentavam, 100 pessoas apareciam, da\u00ed 200, 300, come\u00e7ou a virar uma loucura (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, quando chegava o 4 de julho, em que acontecem essas festas enormes na praia por aqui, o que eu fazia era pegar minha bicicleta e encontrar algum cara por ali, que estava tomando cerveja com os amigos dele. Dava pra ver que aquele cara estava curtindo com os amigos em casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que eu fazia era me aproximar desses caras e perguntar: e a\u00ed, o que vai fazer nesse 4 de julho? E ele dizia: vamos tomar umas cervejas. E eu dizia: voc\u00ea quer uma banda pra agitar a festa? Eu toco numa banda. A gente pode tocar bem aqui na sua varanda. Tudo que a gente precisa \u00e9 de uma extens\u00e3o, que a\u00ed podemos ligar o equipamento e tocamos de gra\u00e7a, sem problema nenhum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cara me perguntava: \u201cuau, e que tipo de m\u00fasica vai rolar?\u201d E eu dava uma enrolada: \u201cah, uns covers\u201d, eu n\u00e3o conto pra eles que \u00e9 punk rock, sabe? (risos). Ent\u00e3o a gente deixava combinado: \u201cBeleza ent\u00e3o, nos vemos aqui \u00e0s 15h! Fechado\u201d. No outro dia eu arrumava todo o equipamento com os meus amigos, o pessoal da banda j\u00e1 estava pela cidade, j\u00e1 bebendo, curtindo, porque todo mundo come\u00e7a a curtir j\u00e1 a umas 8h da manh\u00e3 nesses feriados, saindo pra curtir de bicicleta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banda chega no local \u00e0s 15h, e a\u00ed do nada aparecem umas 500 pessoas, 800 pessoas, 2 mil pessoas. Conforme a banda ia crescendo, o p\u00fablico tamb\u00e9m crescia muito, e foi a\u00ed que come\u00e7amos a tocar em clubes e tudo isso, mas ainda toc\u00e1vamos nessas festas, de gra\u00e7a. E as pessoas come\u00e7avam a surtar: \u201cque porra \u00e9ssa? Como toda essa gente veio parar aqui?\u201d E eu s\u00f3 falava: \u201cpois \u00e9, cara, \u00e9 isso, vamo nessa!\u201d E os donos da casa ficavam meio que: \u201cok, vamo nessa ent\u00e3o\u201d (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a\u00ed come\u00e7\u00e1vamos a tocar, um mosh enorme come\u00e7ava, a\u00ed come\u00e7avam tamb\u00e9m umas brigas enormes. A pol\u00edcia era chamada e ia at\u00e9 o local, e isso acontecia toda vez, em toda festa. Algumas vezes toc\u00e1vamos quatro m\u00fasicas, numa pr\u00f3xima festa toc\u00e1vamos tr\u00eas, \u00e0s vezes n\u00e3o toc\u00e1vamos nenhuma m\u00fasica e a pol\u00edcia j\u00e1 acabava com a festa. E \u00e0s vezes toc\u00e1vamos 10 m\u00fasicas, era totalmente imprevis\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fizemos isso por anos e anos, cara. Todo 4 de julho, era uma tradi\u00e7\u00e3o. Isso meio que nos tornou mais populares, porque quando finalmente come\u00e7amos a tocar em clubes j\u00e1 coloc\u00e1vamos umas 400 pessoas em uma casa, tranquilamente, em Hollywood. Foi a\u00ed tamb\u00e9m que mais contratantes come\u00e7aram a perceber \u201cporra, esses caras t\u00eam f\u00e3s!\u201d. \u00cdamos tocar em Santa Barbara e umas 300 pessoas pegavam a estrada para ir a Santa Barbara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">T\u00ednhamos essa conex\u00e3o muito grande com amigos, que fomos construindo bem devagar e que culminou em tudo isso que somos hoje, sabe? Assinamos com a Epitaph Records, fomos crescendo como banda. Era muito legal, quer dizer, ainda \u00e9. Eu ainda adoro tocar em festas de quintal, tocamos em uma h\u00e1 uns tr\u00eas anos para um amigo que tinha c\u00e2ncer e foi muito legal. Mas todo ano eu fa\u00e7o quest\u00e3o de tocar no 4 de julho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falo com os caras da banda: \u201ce a\u00ed, bora!\u201d E eles meio que reclamam: \u201cah, n\u00e3o, \u00e9 um trabalh\u00e3o fazer esses shows\u201d. E eu digo a eles: \u201ctudo que voc\u00ea tem que fazer \u00e9 aparecer e tocar\u201d. Ent\u00e3o nunca est\u00e1 fora de quest\u00e3o pra gente tocar em uma festa de quintal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu estou tentando organizar uma coisa em que tocamos em umas 6 ou 7 festas em Los Angeles. Vamos fazer um concurso, se voc\u00ea ganhar o concurso, a gente aparece na sua casa, voc\u00ea chama seus amigos e a gente toca no seu quintal por uma hora e logo depois vamos pra outra cidade. Vai ser muito legal!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pennywise - &quot;Same Old Story&quot;\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LGmw84OSU74?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E nos anos 80 o punk rock era gigante na Calif\u00f3rnia. Por que voc\u00ea acha que isso aconteceu? Por que acha que o g\u00eanero se tornou t\u00e3o popular por a\u00ed?<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o, Hermosa Beach, onde vivemos, \u00e9 meio que um lugar muito importante. \u00c9 uma cidade litor\u00e2nea pequena, e o surfe meio que come\u00e7ou ali. Assim, come\u00e7ou no Hava\u00ed, mas os verdadeiros surfistas da Calif\u00f3rnia come\u00e7aram aqui. Havia essas lojas de surfe, que faziam pranchas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a\u00ed o skate apareceu, todo mundo estava na praia, surfando de manh\u00e3, andando de skate, a\u00ed surgiram pistas. A\u00ed come\u00e7amos a andar de skate em piscinas vazias nos quintais das pessoas. Eu cresci, literalmente, andando de skate com Tony Alva, Christian Hosoi e o Tony Hawk, quando ele ainda era bem novinho. O Hosoi mesmo ainda era bem moleque quando o conheci.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu era muito amigo do Tony Alva e o Jim Muir, da Dogtown. Mike Muir e Mike Smith eram meus melhores amigos, continuam alguns dos meus melhores amigos at\u00e9 hoje. Ent\u00e3o, sabe, caras como Rodney Mullen. N\u00f3s and\u00e1vamos de skate nessas piscinas todo santo dia. Fic\u00e1vamos por a\u00ed dirigindo pela cidade, fumando um baseado, tomando cerveja e andando de skate nas piscinas. Era legal demais!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o isso meio que se desenvolveu em dire\u00e7\u00e3o ao punk rock, sabe? Porque de repente t\u00ednhamos o Black Flag. Era algo tipo \u201cisso \u00e9 m\u00fasica agressiva, e n\u00f3s somos skatistas, somos agressivos\u201d. Jay Adams (outro skatista lend\u00e1rio, fazia parte do time da Zephyr nos anos 70, ao lado de Tony Alva e Stacy Peralta, integrava os \u201cZ Boys\u201d, tr\u00eas atletas apontados como respons\u00e1veis por popularizar o skate como \u00e9 hoje), foi um dos primeiros caras a ficar realmente ligado no punk rock.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele come\u00e7ou a andar com o Black Flag, ir a shows. Ele e o Duane Peters (vocalista do fant\u00e1stico U.S Bombs), ent\u00e3o o punk rock e o skate andavam de m\u00e3os dadas. Eu, literalmente, ia surfar de manh\u00e3, andar de skate a tarde, ensaiar com a banda a noite e tomar cerveja e compor m\u00fasicas de punk rock em 1981, sabe? E a\u00ed come\u00e7amos a tocar nessas festas em quintais, com a minha primeira banda punk.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o isso continuou por anos, talvez mudando alguns hor\u00e1rios aqui e ali, talvez surfando a noite, tomar cerveja, ir pra uma festa, ficar doid\u00e3o. A pol\u00edcia aparece, a\u00ed a gente atira umas garrafas nos policiais, queimar coisas, loucura mesmo. E depois, com o Pennywise, quando come\u00e7amos a fazer v\u00eddeos e essas coisas, eles come\u00e7aram a pegar nossas m\u00fasicas, principalmente o Rodney Mullen, um grande amigo, eles pegavam nossas m\u00fasicas e usavam de trilha sonora para os v\u00eddeos deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E eu ficava: porra, isso \u00e9 incr\u00edvel, todas essas lendas do skate est\u00e3o pegando nossas m\u00fasicas para usar de trilha sonora nos filmes deles. E depois veio a galera do snowboarding, depois da BMX. O Taylor Steele (cineasta) fez um filme chamado \u201cMomentum\u201d, em que surfistas como Kelly Slater, Kalani Robb, Shane Dorian, que estavam mudando o surfe, apareciam. E a\u00ed, de repente, \u00e9ramos a trilha sonora para esse tipo de coisa, e fez tudo crescer no mundo inteiro, como no Brasil, em que o surfe \u00e9 enorme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o as pessoas lan\u00e7avam esses v\u00eddeos de surfe, com o Pennywise tocando e todo mundo ficava \u201cporra, que som legal, adoro isso, me d\u00e1 adrenalina\u201d. Ent\u00e3o crescer em Hermosa foi uma experi\u00eancia \u00fanica, porque t\u00ednhamos todas essas coisas incr\u00edveis acontecendo. Black Flag, Descendents, Redd Kross, Circle Jerks, tivemos acesso a todas essas bandas na adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imagina, \u00edamos a festas em quintais com o Black Flag tocando, Descendents tocando em uma escola, foi uma Meca cultural de influ\u00eancias t\u00e3o enorme por aqui e n\u00f3s todos s\u00f3 \u201cboom!\u201d, levamos para o mundo, o que foi muito incr\u00edvel.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Millencolin - &quot;Penguins And Polar Bears&quot;\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/A4Ee8OWpmqA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas est\u00e3o vindo ao Brasil com o Millencolin, que \u00e9 uma grande combina\u00e7\u00e3o, na minha opini\u00e3o. Voc\u00eas se conhecem h\u00e1 muito tempo, certo? Eu vejo similaridades entre as duas bandas, ainda que sejam bandas bem diferentes e originais. Como essa amizade com a cena sueca come\u00e7ou?<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o, n\u00f3s assinamos com a Epitaph e o Bad Religion lan\u00e7ou o \u201cSuffer\u201d pelo selo, logo havia v\u00e1rias bandas assinadas. NOFX, Rancid, Pennywise, L7, e essas bandas come\u00e7aram a ganhar muita visibilidade pelo mundo, e excursionar pela Europa. Quando voc\u00ea come\u00e7a a fazer turn\u00eas pela Europa, obviamente, acaba indo \u00e0 Su\u00e9cia. Ent\u00e3o voc\u00ea v\u00ea essas bandas de l\u00e1 e pensa \u201cporra, isso \u00e9 muito bom!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pessoas na Su\u00e9cia e no Jap\u00e3o s\u00e3o muito inteligentes e eles fazem tudo bem. Fazem bons carros, comida \u00f3tima, m\u00fasica boa. Eles pegam influ\u00eancias de outros pa\u00edses e eles quase que aperfei\u00e7oam tudo isso. Ent\u00e3o eu comecei a ter contato com as bandas da Burning Heart Records (selo sueco que lan\u00e7ou discos de bandas como Millencolin, Refused, The Hives, No Fun At All, Bombshell Rocks e muito mais!), com o No Fun At All.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles me deram um CD quando eu estava na Europa, que eu levei pra casa e quando ouvi fiquei de cara. Fiquei pensando \u201cque porra \u00e9 essa? Qu\u00e3o boa \u00e9 essa banda? Eles soam como o Pennywise, como o Bad Religion, com um pouquinho de sotaque sueco\u201d. Ent\u00e3o consegui coloc\u00e1-los junto \u00e0 Theologian Records, que foi nosso primeiro selo nos Estados Unidos, com que desse uma aten\u00e7\u00e3o ao No Fun At All e isso resultou na Epitaph lan\u00e7ando o disco por aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Burning Hearts, com o Peter (Ahlqvist, fundador do selo), que simplesmente teve essa ideia, ele simplesmente tirou o selo do ch\u00e3o, sabe? E a\u00ed essas bandas suecas incr\u00edveis come\u00e7aram a aparecer. Millencolin, Satanic Surfers, No Fun At All, toda essa m\u00fasica incr\u00edveis. Todas elas s\u00e3o bem diferentes. Algumas s\u00e3o mais mel\u00f3dicas, o Satanic Surfers \u00e9 uma banda muito r\u00e1pida, O Millencolin faz uma m\u00fasica um pouco mais direcionada, com um pouco mais de influ\u00eancias pop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, cara, os suecos sabem muito bem o que est\u00e3o fazendo, eles s\u00e3o foda! Ent\u00e3o, claro, quando est\u00e1vamos todos na mesma gravadora, come\u00e7amos a tocar shows com eles, vendo eles tocando por aqui, tocando juntos em festivais aqui nos Estados Unidos, provavelmente a Warped Tour ou algo assim, e ficamos muito amigos deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 uma boa combina\u00e7\u00e3o, porque o Pennywise \u00e9 mais de um hardcore r\u00e1pido e agressivo, e o Millencolin \u00e9 um pouco mais \u201ctranquilo\u201d, mas eles continuam sendo uma banda agressiva, fazendo um punk rock com um pouco mais de melodia. Eles s\u00e3o caras muito legais, e estar na estrada com pessoas com quem voc\u00ea se d\u00e1 bem \u00e9 muito importante. Eles curtem, gostam de festejar, n\u00e3o s\u00e3o de loucuras, mas n\u00f3s curtimos todos juntos, ficamos juntos no backstage.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s adoramos ver eles tocando, eles adoram nos ver tocando, eles s\u00e3o caras incr\u00edveis, n\u00e3o tenho elogios o suficiente para fazer a eles. As pessoas da Su\u00e9cia s\u00e3o t\u00e3o gente boa, cara, n\u00e3o tem drama, n\u00e3o tem tempo ruim com eles. E essa vai ser, provavelmente, a melhor turn\u00ea brasileira que n\u00f3s j\u00e1 fizemos. Entre as duas bandas, o p\u00fablico da\u00ed \u00e9 incr\u00edvel, todo mundo vai pirar! Vai ser uma explos\u00e3o, vai ser muito, muito bom!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pennywise - Bro Hymn\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7wMwmzfBVOE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas j\u00e1 vieram ao Brasil v\u00e1rias vezes, como voc\u00ea mesmo disse, sabem como o p\u00fablico \u00e9 maluco. O que est\u00e1 esperando dos shows? Voc\u00ea gosta de alguma banda brasileira? Se sim, qual sua favorita? Vou chutar uma: o Dead Fish, talvez?<\/strong><br \/>\nVou ser o primeiro a admitir que n\u00e3o conhe\u00e7o o suficiente sobre bandas ao redor do mundo, estava at\u00e9 conversando sobre isso em uma entrevista recente, que disse \u201cporra, cara, tem tanta coisa rolando na minha vida por aqui, que fica dif\u00edcil prestar tanta aten\u00e7\u00e3o\u201d, sabe? (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu produzo muitas bandas, ajudo nas coisas do Pennywise, ent\u00e3o a vida fica t\u00e3o movimentada e cheia, mas de vez em quando eu recebo algum CD de alguma banda como o No Fun At All, o Cigar, algu\u00e9m me manda um CD. Eu queria muito ter mais oportunidades, porque preciso ir a uma loja de discos no Brasil e comprar as coisas das bandas locais, porque claro que h\u00e1 bandas brasileiras fant\u00e1sticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu queria conhecer mais m\u00fasica brasileira, porque conhe\u00e7o algumas coisas, eu poderia at\u00e9 dizer que adoro o Sepultura, sabe? Mas a\u00ed n\u00e3o vale, porque todo mundo conhece o Sepultura (risos). Eu quero ouvir as coisas do underground. E essa \u00e9 uma boa ideia, acho que nessa viagem vou me lembrar e me cobrar de comprar alguns discos, encorajar as bandas: por favor, me tragam coisas, me tragam CDs, sei l\u00e1, me manda uma mensagem tipo \u201cme chama no Instagram pra voc\u00ea poder conhecer a minha banda\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas sim, claro, sei que h\u00e1 grandes bandas no Brasil e no mundo todo. E \u00e9 uma coisa t\u00e3o legal poder ser parte de uma cena em que podemos conhecer e influenciar pessoas, porque estamos por a\u00ed j\u00e1 h\u00e1 40 anos. E direto alguma banda se aproxima da gente e diz \u201ccara, aqui est\u00e1 o meu CD, eu cresci ouvindo o Pennywise\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea ficaria surpreso de ver quantas bandas, \u00e0s vezes bandas que nem s\u00e3o de punk rock, dizendo que fomos uma grande influ\u00eancia, ent\u00e3o fico feliz demais de ser parte da cena e eu adoraria um dia fazer uma turn\u00ea por a\u00ed e tocar s\u00f3 com bandas brasileiras, umas tr\u00eas bandas brasileiras. Em alguns festivais que tocamos h\u00e1 muitas bandas brasileiras de hardcore, e sei que h\u00e1 um festival em que vamos tocar a\u00ed em Bras\u00edlia, em maio (Por\u00e3o do Rock), que vai ter muitas bandas brasileiras. Ent\u00e3o estou ansioso para ir a\u00ed, curtir essas bandas, conversar com elas, e fazer novos amigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pode me falar qu\u00e3o importante a Epitaph foi para voc\u00eas e para as bandas punk nos anos 80 quando voc\u00eas come\u00e7aram?<\/strong><br \/>\nNos anos 80 a Epitaph, pra mim, n\u00e3o era uma coisa t\u00e3o grande, porque eu era mais por dentro da SST (Records), ouvia mais o Black Flag, H\u00fcsker D\u00fc e Minutemen, porque eu estava morando em Hermosa Beach. Obviamente eu conhecia a Epitaph, o Bad Religion, sabe? Aquele \u00e1lbum \u201cHow Can Hell Be Any Worse?\u201d \u00e9 um dos melhores \u00e1lbuns j\u00e1 escritos, e a\u00ed tamb\u00e9m havia coisas rolando como Dead Kennedys com a Alternative Tentacles (selo fundado por Jello Biafra).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A coisa mais importante da Epitaph \u00e9 porque eles nunca desistiram, eles sempre continuaram seguindo em frente. O punk rock em 1983 meio que come\u00e7ou a dar uma ca\u00edda, em 84 as bandas estavam mudando o som delas. E com isso tamb\u00e9m, muitos selos come\u00e7aram a fechar, casas de show n\u00e3o autorizavam o punk rock, porque \u201cera muito perigoso\u201d e toda essa merda, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a\u00ed o Bad Religion lan\u00e7ou o \u201cSuffer\u201d em 1988. Eu estava numa loja de discos e perguntei \u201co que \u00e9 isso?\u201d e o cara da loja disse: \u201c\u00e9 o disco novo do Bad Religion\u201d. E eu disse: \u201cporra nenhuma! Bad Religion n\u00e3o lan\u00e7ou um disco novo, eles n\u00e3o est\u00e3o nem tocando mais\u201d. E o cara disse: \u201cn\u00e3o, cara, est\u00e3o sim! Saca s\u00f3 essa porra\u201d. Eu comprei, levei pra casa, coloquei pra tocar. Acho que devo ter sido a primeira pessoa na cidade a conseguir aquele disco e fiquei de cara, tipo \u201c caralho! que porra \u00e9 essa?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu liguei para o Jason (Thirsk, baixista original da banda) e disse pra ele \u201cvem pra c\u00e1 agora!\u201d. Coloquei o disco de novo e piramos com o disco. A gente viajava e ficava dirigindo por Hollywood com a fita cassete daquele \u00e1lbum no carro e ele tinha s\u00f3 22 minutos de dura\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o pod\u00edamos toc\u00e1-lo duas vezes. Peg\u00e1vamos umas cervejas, um gor\u00f3, dirigindo por Hollywood, bebendo e cantando cada porra de letra naquele disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed depois veio o \u201cNo Control\u201d (outro \u00e1lbum do Bad Religion, lan\u00e7ado em 1989), e a\u00ed ficamos no mesmo rol\u00ea: era o \u201cSuffer\u201d e depois o \u201cNo Control\u201d, enquanto dirig\u00edamos por Hollywood tomando umas. Foi a\u00ed que a Epitaph come\u00e7ou a deixar uma marca nova, levando a coisa toda para um outro n\u00edvel. E a gente no Pennywise estava \u201cei, cara, queremos ser produzidos pelo Legendary Starbolt. N\u00f3s n\u00e3o sab\u00edamos que era o Brett Gurewitz (guitarrista do Bad Religion), n\u00e3o faz\u00edamos ideia\u201d (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falamos isso para um cara de uma r\u00e1dio, que quer\u00edamos ser produzidos pelo Legendary Starbolt e ele disse: \u201cah, esse \u00e9 o Brett, vou ligar pra ele e marcar uma reuni\u00e3o\u201d. Demos nosso single ao Brett, e ele disse: \u201c\u00e9 bom\u201d. Mas uma semana depois ele nos disse: \u201cn\u00e3o vou assinar voc\u00eas, n\u00e3o \u00e9 muito a cara do que eu tenho procurado\u201d. E eu disse: \u201cah, qual \u00e9, cara\u201d! E ele s\u00f3 me respondeu: \u201cme desculpe mesmo\u201d. Eu fiquei muito frustrado, a\u00ed come\u00e7amos a trabalhar em novas m\u00fasicas e j\u00e1 t\u00ednhamos umas 12 m\u00fasicas novas que n\u00e3o estavam naquele single, porque ele j\u00e1 era bem velho, j\u00e1 tinha uns seis meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o eu liguei pra ele e disse: \u201cEi, Brett, posso te mostrar algumas m\u00fasicas novas que n\u00f3s temos?\u201d E ele ficou meio que: \u201cah, t\u00f4 legal, cara, n\u00e3o precisa, obrigado, gosto muito de voc\u00eas, mas vou passar\u201d. E eu disse: \u201cDeixa eu ir a\u00ed na Epitaph e te mostrar tr\u00eas m\u00fasicas. Vai levar s\u00f3 15 minutos, se voc\u00ea n\u00e3o gostar eu vou embora, n\u00e3o vai te machucar, vai?\u201d (risos) E ele finalmente cedeu: \u201ct\u00e1 bom, chega a\u00ed\u201d!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu levei uma fita com 13 m\u00fasicas e mostrei duas m\u00fasicas pra ele. Ele ent\u00e3o vira pra mim e diz: \u201cO resto das m\u00fasicas \u00e9 nessa pegada?\u201d Quando eu disse que sim, ele s\u00f3 conseguiu responder: \u201cporra, voc\u00eas est\u00e3o assinados\u201d! As m\u00fasicas que mostrei para ele foram \u201cWouldn\u2019t it Be Nice\u201d e \u201cLiving For Today\u201d, e ele ficou de cara. E eu disse pra ele: \u201cPois \u00e9, cara, o single que te mostrei, tinha uma m\u00fasica r\u00e1pida, uma m\u00fasica em tempo m\u00e9dio, uma outra faixa mais \u201cfunky\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era a primeira coisa que t\u00ednhamos gravado, ent\u00e3o n\u00f3s meio que fomos com tudo, mas todas as novas m\u00fasicas era um \u201cboom!\u201d eram as faixas do \u201cdisco azul\u201d, sabe? (Disco de estreia e auto-intitulado do Pennywise, lan\u00e7ado em 1991, carinhosamente chamado pelos f\u00e3s de \u201cblue album\u201d ou \u201cdisco azul\u201d). Ali naquele CD que levei para ele estavam todas aquelas m\u00fasicas e ele ficou: puta merda, voc\u00eas est\u00e3o assinados, considerem-se assinados!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cara, isso foi t\u00e3o importante pra n\u00f3s, perguntamos a ele quantos \u00e1lbuns poder\u00edamos vender ele disse que talvez 2 mil c\u00f3pias, e n\u00f3s ficamos: porra!! Isso seria incr\u00edvel! E a\u00ed vendemos 10 mil c\u00f3pias, sabe? Quando chegamos ao \u201cUnknown Road\u201d (segundo \u00e1lbum da banda, lan\u00e7ado em 1993), t\u00ednhamos vendido 100 mil discos. E o \u201cUnknown Road\u201d vendeu umas 400 mil, 450 mil c\u00f3pias. Foi uma loucura, \u00e9 muito, muito incr\u00edvel ser parte da hist\u00f3ria da Epitaph!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pennywise | Wouldn&#039;t It Be Nice | Montreal, Quebec\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gCv4wmK-c5U?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"PENNYWISE - FULL CONCERT AT PUNK IN THE PARK, 2024 - SAN DIEGO\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/F6ucwAQNfL8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Guilherme Lage (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lage.guilherme66\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fb.com\/lage.guilherme66<\/a>) \u00e9 jornalista e mora em Vila Velha, ES.\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/guilherme-lage\/\">Leia outras entrevistas dele<\/a>!<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Banda desembarca no Brasil, ao lado do igualmente incr\u00edvel Millencolin, para cinco apresenta\u00e7\u00f5es em quatro cidades da We Are One Tour 2026,\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/24\/fletcher-dragge-pennywise-as-pessoas-precisam-parar-de-ouvir-mentiras-americanas\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":58,"featured_media":94834,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7550,36,3],"tags":[8130],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94833"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/58"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=94833"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94833\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":95175,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94833\/revisions\/95175"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/94834"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=94833"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=94833"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=94833"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}