{"id":94803,"date":"2026-03-21T00:20:31","date_gmt":"2026-03-21T03:20:31","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=94803"},"modified":"2026-04-08T10:50:48","modified_gmt":"2026-04-08T13:50:48","slug":"entrevista-nina-maia-e-a-cartografia-intima-de-inteira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/21\/entrevista-nina-maia-e-a-cartografia-intima-de-inteira\/","title":{"rendered":"Entrevista: Nina Maia e a cartografia \u00edntima de \u201cInteira\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ociocretino\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mineira de origem e paulistana de forma\u00e7\u00e3o, a cantora, compositora, instrumentista e produtora <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/___ninamaia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nina Maia<\/a> lan\u00e7ou seu primeiro \u00e1lbum solo, \u201c<a href=\"https:\/\/youtube.com\/playlist?list=OLAK5uy_lUdqmaTc2RytEPfKDexktKYisslGZCHCM&amp;si=nQyn5WOORn3zH-Rb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Inteira<\/a>\u201d (2024), com uma bagagem que foge do comum para algu\u00e9m na casa dos 20 anos: um ep com a banda Eiras e Beiras, trilhas para o cinema, colabora\u00e7\u00f5es com nomes como Liniker, Maria Gad\u00fa e Iza (em \u201cI Will Survive&#8221;), al\u00e9m de uma trajet\u00f3ria como compositora iniciada ainda na adolesc\u00eancia. Esse come\u00e7o precoce n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um detalhe, mas tamb\u00e9m ajuda a explicar um pouco a densidade emocional que atravessa seu disco de estreia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Filha do guitarrista Philippe Fargnoli (ex Dead Fish e atual CPM22), seria f\u00e1cil enquadrar sua hist\u00f3ria dentro de uma narrativa previs\u00edvel de heran\u00e7a musical. Mas o que caracteriza seu trabalho \u00e9 justamente o desvio: Nina construiu um caminho distante do rock e hardcore que marcam a trajet\u00f3ria do pai para se aproximar de uma MPB contempor\u00e2nea que absorve elementos eletr\u00f4nicos e uma est\u00e9tica minimalista, em que o sil\u00eancio e a textura t\u00eam tanta import\u00e2ncia quanto a melodia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cInteira\u201d, tradi\u00e7\u00e3o e experimenta\u00e7\u00e3o se tensionam e se mesclam. Sim, h\u00e1 ecos de Marisa Monte, samba e m\u00fasica brasileira na condu\u00e7\u00e3o das can\u00e7\u00f5es, mas eles s\u00e3o atravessados por texturas que aproximam sua sonoridade de artistas como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Luiza+Lian\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Luiza Lian<\/a> e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Ava+Rocha\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ava Rocha<\/a>, al\u00e9m da sensibilidade pop global de Billie Eilish e uma intensidade interpretativa a la Beth Gibbons (Portishead). O resultado \u00e9 uma est\u00e9tica que valoriza os detalhes: vocais baixos e \u00e0s vezes sussurrados conduzem letras sobre inseguran\u00e7as, desejos e autodescoberta, formando uma esp\u00e9cie de \u201cMPB p\u00f3s-anal\u00f3gica\u201d, na qual o org\u00e2nico e o sint\u00e9tico se misturam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas outro aspecto significativo de \u201dInteira\u201d est\u00e1 em sua dimens\u00e3o narrativa. O \u00e1lbum se organiza como uma cartografia de um sujeito em forma\u00e7\u00e3o em &#8220;Caricatura\u201d, que parte da d\u00favida e da fragmenta\u00e7\u00e3o para buscar um tipo de identidade. Escritas ao longo de anos da vida de Maia, as can\u00e7\u00f5es capturam diferentes est\u00e1gios desse processo, com respostas nem sempre resolvidas, e \u00e9 justamente nessa suspens\u00e3o que o \u00e1lbum ganha for\u00e7a. Ele registra algu\u00e9m tentando se montar pe\u00e7a por pe\u00e7a &#8211; n\u00e3o por acaso, ele termina originalmente com \u201cInteira\u201d (a vers\u00e3o deluxe do disco ganhou mais quatro faixas).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Produzido ao lado de Yann Dardenne, do selo <a href=\"https:\/\/selokirecords.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Seloki Records<\/a>, o disco tamb\u00e9m revela um forte senso de autonomia: Nina assina a produ\u00e7\u00e3o e toca diversos instrumentos. Ainda assim, o trabalho nasce de um ambiente profundamente colaborativo, refletido tanto na rede criativa da Seloki quanto na banda que a acompanha ao vivo, com nomes como Francisca Barreto, Valentim Frateschi, Thales Hash e Thalin. Segundo a pr\u00f3pria Nina, essa dimens\u00e3o coletiva \u00e9 central no seu trabalho e reflete um tra\u00e7o mais amplo de sua gera\u00e7\u00e3o, marcada por redes de troca e cria\u00e7\u00e3o compartilhada vis\u00edvel tamb\u00e9m em artistas que se dividem em outros projetos paulistanos, como Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo, Pelados e Fern\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista ao Scream &amp; Yell, Nina Maia aborda a cria\u00e7\u00e3o de \u201cInteira\u201d, seus bastidores e a import\u00e2ncia de construir em conjunto em um cen\u00e1rio cada vez mais individualizado.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"CARICATURA\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VpPL0VeQamI?list=OLAK5uy_lUdqmaTc2RytEPfKDexktKYisslGZCHCM\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Queria come\u00e7ar perguntando sobre a prepara\u00e7\u00e3o para o Lollapalooza. Como est\u00e3o os ensaios?<\/strong><br \/>\nCara, est\u00e1 indo bem! Est\u00e1 sendo um processo muito legal e muito coletivo de constru\u00e7\u00e3o. Eu me sinto muito bem acompanhada pelas pessoas que est\u00e3o envolvidas no meu projeto. Tem a galera do Seloki [Records], que \u00e9 basicamente uma turma de amigos que se ajuda e colabora nos projetos uns dos outros. O <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/yanndardenne\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Yann [Dardenne]<\/a>, que \u00e9 meu companheiro e co-produtor do \u00e1lbum, vai tocar guitarra comigo no show. Isso tamb\u00e9m est\u00e1 sendo uma coisa super legal de fazer. Tem tamb\u00e9m o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/12\/tres-shows-janine-exclusive-os-cabides-ott0papi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Otto Dardenne<\/a>, que \u00e9 o outro bra\u00e7o da Seloki Records, que faz toda a parte de design e dire\u00e7\u00e3o visual. A gente est\u00e1 com o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/rollinos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gabriel Rolinos<\/a>, que est\u00e1 fazendo a parte de tel\u00e3o com a gente, e estou trabalhando a dire\u00e7\u00e3o de movimento com a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/mariliacurtolo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mar\u00edlia Curtolo<\/a>. Ent\u00e3o est\u00e1 sendo uma grande oportunidade de me aprofundar em v\u00e1rios aspectos do projeto. O show do Lolla tamb\u00e9m abre portas para desenvolver coisas que v\u00e3o ficar comigo e que v\u00e3o fortalecer o projeto. Est\u00e1 sendo massa. Estou bem feliz!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A banda que vai tocar com voc\u00ea no Lolla \u00e9 o Pedro Lacerda na bateria, a Francisca Barreto no cello, o Thales Hash na viola, o Yann Dardenne na guitarra e o Valentim Frateschi no baixo e synth?<\/strong><br \/>\nIsso, essa \u00e9 a banda completa que tem feito os shows comigo. Vai ter tamb\u00e9m a participa\u00e7\u00e3o do Thalin, que vai cantar uma m\u00fasica que a gente est\u00e1 lan\u00e7ando. Ela se chama \u201cAndo Vagando\u201d. Basicamente \u00e9 um remix de \u201cAmargo\u201d, uma m\u00fasica minha que est\u00e1 no meu disco. O Thalin e o Shirts &#8211; que \u00e9 o nome do produtor\/DJ que fez a produ\u00e7\u00e3o da faixa e assina como artista tamb\u00e9m &#8211; fizeram essa vers\u00e3o meio drum \u2018n\u2019 bass, com versos do Thalin. \u00c9 uma faixa super energ\u00e9tica. Ele vai entrar no show e cantar essa m\u00fasica com a gente. O Thalin tocou comigo no palco por alguns anos e gravou todas as baterias do \u00e1lbum. Ele \u00e9 meu grande amigo, irm\u00e3o, e a gente se conhece desde moleque. Ent\u00e3o n\u00e3o faria sentido ele n\u00e3o estar com a gente nesse momento tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ANDO VAGANDO\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Q0NUfzQQLMM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea toca no domingo, por volta de 13h40, entre Papisa, Papangu e Mundo Livre S\/A e o show do Balu Brigada. Tem algum artista que voc\u00ea quer muito ver no festival?<\/strong><br \/>\nSim, muitos! No domingo tem shows super legais que eu definitivamente quero assistir. O show do Oru\u00e3, por exemplo, que \u00e9 logo depois do meu. Eles s\u00e3o um conjunto maravilhoso e uma banda muito importante do Rio. Mas tamb\u00e9m tem artistas gringos que eu queria muito ver. Eu confesso que para mim, Lorde e Tyler, the Creator s\u00e3o shows incr\u00edveis para fechar o domingo. Mas tem shows tamb\u00e9m na sexta e no s\u00e1bado que eu queria muito ver, como a Doechii, que eu sou super f\u00e3, e Chappell Roan, que me trouxe muita alegria nesses anos de 2023 e 2024, quando ela estourou e foi lindo de acompanhar. Mas vai ser maravilhoso ver o show do Tyler. O que eu j\u00e1 vi da era \u201cChromakopia\u201d dele \u00e9 uma aula de tudo: entrega, performance, desenho de palco, fluxo de show, luz, figurino. Estou louca para ver!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Tyler est\u00e1 naquele filme, &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/01\/25\/critica-marty-supreme-prova-que-timothee-chalamet-e-o-ator-mais-promissor-de-sua-geracao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marty Supreme<\/a>&#8221; n\u00e9? Eu estava assistindo e n\u00e3o sabia que ele estava no cast, foi uma surpresa pra mim!<\/strong><br \/>\n\u00c9, eu vi que ele t\u00e1 l\u00e1, mas ainda n\u00e3o vi esse filme n\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando para o seu disco: al\u00e9m de compor e cantar, voc\u00ea toca baixo, piano, teclado e guitarra no \u00e1lbum. Como foi gravar tudo isso? Tem algum outro instrumento que voc\u00ea toca que n\u00e3o entrou no disco?<\/strong><br \/>\nO processo de produ\u00e7\u00e3o do disco foi super legal e importante pra mim. Foi feito a quatro m\u00e3os, sendo eu e o Yann Dardenne, que co-produziu comigo. Ele foi um parceiro criativo muito especial, porque ele me deu espa\u00e7o para propor e botar minha pr\u00f3pria m\u00e3o, mesmo sendo a minha primeira vez produzindo. Isso foi muito importante para mim: que minhas ideias fossem contempladas. Eu j\u00e1 tinha minhas demos que gravei sozinha no quarto, produzindo no computador. Mas eu tava muito afim de gravar esse disco, de bot\u00e1-lo no mundo. Sendo a primeira vez fazendo isso, \u00e9 claro que existem inseguran\u00e7as, mas ele foi um parceiro muito maravilhoso de trabalho, porque me deu esse espa\u00e7o. Ent\u00e3o, toda a oportunidade de gravar algum instrumento que a gente tinha, ele falava: &#8220;Pega voc\u00ea, faz voc\u00ea\u201d. Porque a maioria das linhas de baixo, piano ou guitarra s\u00e3o coisas que eu escrevi e j\u00e1 tocava, ent\u00e3o foi super importante colocar a m\u00e3o mesmo e fazer. N\u00e3o sei se posso dizer que toco mais algum instrumento, mas por enquanto s\u00e3o esses (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m da voz, qual voc\u00ea considera seu instrumento principal?|<\/strong><br \/>\nO piano. \u00c9 onde eu mais sinto que consigo explorar coisas e me expressar melhor. Se eu sento no piano para compor ou tocar, sinto que consigo me expressar melhor do que no viol\u00e3o. O viol\u00e3o \u00e9 mais limitado para mim. Mas eu adoro guitarra tamb\u00e9m; comecei a compor quando ganhei uma do meu pai. Isso me fez ter vontade de escrever minhas pr\u00f3prias m\u00fasicas. Depois fui estudar piano mais a fundo e percebi que ele \u00e9 um instrumento que me d\u00e1 uma gama enorme de possibilidades: grave, agudo, ritmo, harmonia, melodia, din\u00e2mica. Hoje ele \u00e9 meu instrumento mais pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea fez aulas ou \u00e9 autodidata?<\/strong><br \/>\nFiz aulas. Me formei recentemente na EMESP Tom Jobim e conclu\u00ed tr\u00eas anos de estudo em Canto Popular, com uma forma\u00e7\u00e3o te\u00f3rica tamb\u00e9m. Mas tive aulas com grandes mestres, professores como Andr\u00e9 Hossoi, do Barbatuques, que me ensinou muita coisa de instrumento e teoria; Marcelo Maito, que \u00e9 meu grande mestre do piano. Tive aula h\u00e1 um tempo tamb\u00e9m com Yaniel Matos, cellista e pianista cubano. Todos eles para mim s\u00e3o grandes mestres, pessoas que respeito muito.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Nina Maia - AMARGO Feat. Francisca Barreto (Ao Vivo no Sonast\u00e9rio)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7cceJ9itBII?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu vi v\u00eddeos de shows seus e percebi que voc\u00ea \u00e9 bem perform\u00e1tica no palco, mesmo tocando piano. De onde vem isso? Voc\u00ea acha que tem alguma rela\u00e7\u00e3o com teatro?<\/strong><br \/>\nEu diria que n\u00e3o. Essa rela\u00e7\u00e3o de atua\u00e7\u00e3o ou teatro \u00e9 um lugar que eu ainda n\u00e3o explorei tanto. Eu acho que talvez essa qualidade \u201cperform\u00e1tica\u201d, no sentido de maneira de ser, talvez venha do quanto para mim cantar e tocar m\u00fasica me conecta com um lugar mais profundo e diferente do dia a dia, uma coisa menos racional. \u00c9 o momento que eu consigo me desprender do que sou no dia a dia e entrar num outro plano. Tamb\u00e9m acho que minhas grandes refer\u00eancias e artistas que me inspiram se permitem serem atravessados pela m\u00fasica, que a emo\u00e7\u00e3o os atravesse. Ent\u00e3o, se estou tocando e cantando uma m\u00fasica que requer algum grau de introspec\u00e7\u00e3o, falando sobre dor, ou ent\u00e3o que precise de confian\u00e7a, sensualidade ou at\u00e9 mesmo de deboche, tudo isso \u00e9 como um instrumento daquela can\u00e7\u00e3o, para atravessar e deixar esses sentimentos virem. Eu acho que, no geral, talvez eu possa ser vista como uma pessoa t\u00edmida, com certeza introspectiva e reservada. Mas para mim, a m\u00fasica \u00e9 um lugar para externalizar coisas. A composi\u00e7\u00e3o principalmente, mas o palco tamb\u00e9m seria, n\u00e9? E \u00e9 uma forma de deixar sair os sentimentos que n\u00e3o transparecem no dia a dia, ou um outro jeito de se expressar que n\u00e3o aparece no cotidiano, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes de subir no palco voc\u00ea ainda sente nervosismo?<\/strong><br \/>\nSinto sim. Mas acho que depende muito do dia e do show. Tem shows que sinto que tudo passa num piscar de olhos. Tem outros em que \u00e0s vezes sinto que estou me observando de fora, \u00e9 muito doido. Tem dias em que estou mais presente, de corpo e alma. Em outros, pode ser algo mais mec\u00e2nico, quase autom\u00e1tico. Mas o nervosismo varia. Acho que n\u00e3o tem como negar isso para mim, mesmo que a m\u00fasica seja esse lugar no qual eu me aterro. J\u00e1 me ajuda muito, porque se estou me sentindo mal, ansiosa ou desconectada, a m\u00fasica \u00e9 o lugar onde eu consigo me reconectar, aterrar. Mas tem dias e dias. Acho que por isso que tamb\u00e9m \u00e9 especial e por isso requer treino, pr\u00e1tica, ensaio, resist\u00eancia f\u00edsica\u2026 Porque tem dias em que voc\u00ea vai receber aquilo, e botar para fora em termos de som. E tem dias que \u00e9 mais dif\u00edcil, mas acho que essa \u00e9 a gra\u00e7a da jornada toda.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Nina Maia - MENININHA (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ryaQsIxhDXs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tem algum ritual antes de entrar no palco?<\/strong><br \/>\nCara, eu acho que um ritual muito importante para mim sempre \u00e9 a concentra\u00e7\u00e3o com a banda e quem mais vai estar comigo em cima do palco. A gente se abra\u00e7a, se olha no olho, passo a sequ\u00eancia das m\u00fasicas e o que cada um vai fazer em geral. Isso sempre \u00e9 importante para mim. E a gente fala palavras de for\u00e7a e de gratid\u00e3o por estar junto, por essas pessoas estarem do meu lado, e eu relembro o porqu\u00ea que a gente ama tanto fazer m\u00fasica. Porque \u00e0s vezes quando voc\u00ea vai entrar no palco e bate um grande nervosismo, \u00e0s vezes \u00e9 bom tentar se reconectar ao m\u00e1ximo \u00e0 origem do nosso amor pela m\u00fasica e do porqu\u00ea a gente faz. \u00c9 aquela coisa: toda a prepara\u00e7\u00e3o foi feita, todo o ensaio foi feito, agora \u00e9 se entregar e curtir e se algum erro aparecer a gente vai dar um jeito de passar por ele e fazer isso sem tentar se frustrar, porque n\u00e3o existe certo ou errado. Ent\u00e3o esse momento de olhar no olho das pessoas que v\u00e3o estar comigo e se sentir grato \u00e9 bem importante, porque se entro no palco desconectada disso \u00e9 bem mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Imagino que esse momento deve dar bem mais seguran\u00e7a, porque v\u00ea que n\u00e3o est\u00e1 ali sozinha; mesmo sendo um projeto solo, dessa forma voc\u00eas se sentem mais como uma unidade em cima do palco, n\u00e9?<\/strong><br \/>\n\u00c9! Apesar de ser meu projeto solo, de eu bater no peito, bancar meu nome e isso ser o meu sonho e o que me move, n\u00e9? Sou uma mulher que tem o pr\u00f3prio projeto, que comp\u00f5e, que canta, que produz e que conta as pr\u00f3prias hist\u00f3rias e se expressa artisticamente de uma maneira, mas n\u00e3o se faz nada disso sozinha. As pessoas que est\u00e3o junto comigo d\u00e3o sentido a isso. Seria diferente se eu tivesse constru\u00eddo tudo sozinha, contratado pessoas s\u00f3 para chegar e fazer. N\u00e3o, tudo tem sido sobre constru\u00e7\u00e3o, processo, ensaios, encontros, conversas, risadas, choros \u00e0s vezes (risos)&#8230; E porque \u00e9 uma grande oportunidade da vida poder trabalhar com o que ama. \u00c9 ao mesmo tempo uma grande loucura e um grande \u201csalto de f\u00e9\u201d, como uma das m\u00fasicas do disco, que representa muito o que \u00e9 fazer m\u00fasica como artista independente no Brasil. \u00c9 um momento que faz sentido, quando nos conectamos um com o outro e a\u00ed d\u00e1 for\u00e7a. Ent\u00e3o eu mergulhei em muitas coisas novas e isso vai seguir comigo depois desse show. De certa forma \u00e9 minha primeira vez subindo num palco grande desses. \u00c9 o meu come\u00e7o de carreira, o meu primeiro \u00e1lbum, tenho 22 anos e olha que legal, estar subindo no palco do Lollapalooza, sabe? N\u00e3o vou ser a artista mais experiente dali, de fato. Talvez o nervosismo me afete de alguma forma, mas tem essa compaix\u00e3o com esse momento que \u00e9 de primeira vez, de come\u00e7o de jornada, mas tudo feito com muita inten\u00e7\u00e3o, com muita dedica\u00e7\u00e3o, como constru\u00e7\u00e3o, com responsabilidade. Ent\u00e3o, tem sido tudo isso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SALTO DE F\u00c9 - Nina Maia (Ao Vivo no Teatro Centro da Terra)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mHcHOscJrEs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea est\u00e1 em in\u00edcio de carreira em termos, n\u00e9? \u00c9 o seu primeiro disco solo, mas voc\u00ea j\u00e1 teve uma certa bagagem com trilhas sonoras e a banda Eiras e Beiras anteriormente. Pelo que ouvi, s\u00e3o sons bem diferentes, mas voc\u00ea chegou a ter m\u00fasicas suas no grupo?<\/strong><br \/>\nNo Eiras a gente compunha coletivamente. Era muito bom tamb\u00e9m, era um super grupo. Tinha sete pessoas, inclusive o Thalin no meio. O Eiras foi um projeto de escola que fizemos no colegial, enquanto estud\u00e1vamos m\u00fasica, afim de experimentar, mergulhar e se impressionar tamb\u00e9m uns com os outros, do tipo \u201colha essa minha ideia aqui&#8221;. Estava estudando muita m\u00fasica instrumental, jazz, MPB lado B, coisas assim. A gente estava ouvindo muito Hermeto [Pascoal], Coltrane, Herbie Hancock, coisas mais prog tamb\u00e9m e compondo em conjunto. Ent\u00e3o isso tamb\u00e9m era uma bagagem superinteressante, tanto de palco, por tocar em festivais de bandas, e depois por ter lan\u00e7ado um EP. Inclusive foi por esse primeiro trabalho que conheci o Yann e o Otto e a galera do Seloki Records: tocando na casa que eles tinham e depois produzindo com eles. Tudo isso realmente \u00e9 uma bagagem que me fortaleceu para estar aqui hoje em dia e pisar num palco grande. Com certeza foi importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cCaricatura\u201d foi escrita quando voc\u00ea tinha 14 anos. \u00c9 minha interpreta\u00e7\u00e3o e posso estar falando besteira, mas \u00e9 como se voc\u00ea colocasse na mesa suas inseguran\u00e7as e procurasse uma imagem para se espelhar. Como \u00e9 para voc\u00ea cantar essa m\u00fasica hoje?<\/strong><br \/>\nCara, eu acho muito bonito e empoderador cantar ela hoje em dia. Muitas m\u00fasicas do \u00e1lbum foram escritas a partir de um ponto de d\u00favida, de procura, de tentar encontrar a mim mesma. Por isso que o disco se chama \u201cInteira\u201d e tamb\u00e9m \u00e9 a \u00faltima m\u00fasica do disco. Eu acho que existe uma linha narrativa que pode ser feita porque todas essas m\u00fasicas t\u00eam indaga\u00e7\u00f5es, d\u00favidas, medos e todos ainda buscando, tentando achar a mim mesma, n\u00e9? Acho que \u201cKa\u00f4\u201d, a segunda m\u00fasica do disco, tamb\u00e9m fala disso. \u00c9, \u201ceu n\u00e3o gosto de quem eu sou, tenho medo de ficar s\u00f3. N\u00e3o que me falte, n\u00e3o que me sobra, n\u00e3o que me reste, mas vou\u201d, n\u00e9? Eu t\u00f4 indo, t\u00f4 procurando algo. \u201cCaricatura\u201d abre o disco e escrevi na \u00e9poca da escola, com 14 anos, come\u00e7ando a se entender como gente, a criar a pr\u00f3pria identidade e ao mesmo tempo todas essas camadas, personas, caricaturas, a maneira com que voc\u00ea quer ser vista para que voc\u00ea se sinta mais forte ou mais protegida, a rela\u00e7\u00e3o com a beleza feminina, essa nossa no\u00e7\u00e3o enraizada de valida\u00e7\u00e3o a partir da apar\u00eancia\u2026 Enfim, todas essas quest\u00f5es. E \u201cCaricatura\u201d para mim parte de tudo isso, mas existe realmente um cerne que \u00e9: t\u00f4 procurando a mim mesma. E para mim \u00e9 lindo cantar isso hoje em dia, porque ainda s\u00e3o coisas que sinto que eu atravessei e descobri, que consegui deixar para tr\u00e1s tamb\u00e9m. Mas fico orgulhosa de cantar isso agora e pela menina que escreveu a m\u00fasica aos 14 anos, cheia de d\u00favidas. E eu ficaria super feliz com 14 anos de saber que eu t\u00f4 subindo num palco e cantando essa m\u00fasica assim. Ent\u00e3o, para mim \u00e9 massa, ainda curto muito tocar as m\u00fasicas do disco, ainda n\u00e3o sinto uma sensa\u00e7\u00e3o de esgotamento ou cansa\u00e7o, porque tenho orgulho e \u00e9 algo que eu queria muito fazer e eu fiz e gravei, est\u00e1 no mundo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Nina Maia - AMARGO (Outtake - Ao Vivo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/a7wuItwHwDo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 citou artistas como Marisa Monte e Billie Eilish como influ\u00eancias. Que outras refer\u00eancias talvez n\u00e3o apare\u00e7am tanto no seu som?<\/strong><br \/>\nAh, eu acho que uma grande refer\u00eancia de artista para mim desde nova \u00e9 a Nina Simone, tanto como pianista quanto int\u00e9rprete, compositora e artista em geral. Se bobear tamb\u00e9m pela entrega emocional e pela liberdade, as varia\u00e7\u00f5es em palco, da m\u00fasica estar sempre viva. Ela sempre foi uma grande artista que t\u00e1 comigo. Eu acho que posso falar tamb\u00e9m da Ros\u00e1lia, que sempre cito, mas n\u00e3o sei o quanto est\u00e1 expl\u00edcito no meu disco, mas ela \u00e9 uma grande refer\u00eancia para mim de artista, produtora, criadora, ousada, corajosa, inteligente. Eu diria tamb\u00e9m do Tim Bernardes. \u00c9 um artista que eu ou\u00e7o desde muito nova e que me inspira muito. Acho que \u201cSalto de F\u00e9\u201d tem ele ali tamb\u00e9m. Acho que ele influencia muitas das minhas composi\u00e7\u00f5es. Tem a galera do trip hop tamb\u00e9m que me influencia muito: Portishead, Massive Attack que eu curto muito e que foram pontos que eu e o Yann pensamos neles durante a produ\u00e7\u00e3o do disco. E Lana Del Rey tamb\u00e9m, que eu cresci ouvindo. Os arranjos vocais, na melancolia que existe, que t\u00e1 ali em mim tamb\u00e9m!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando voc\u00ea falou da influ\u00eancia da Nina Simone, uma outra coisa que pensei ao ver os v\u00eddeos de voc\u00ea cantando e tocando piano me lembrou um pouco o tipo de entrega da Chan Marshall (Cat Power) no palco.<\/strong><br \/>\nAi, sim! Eu amo ela tamb\u00e9m!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 a vi falando bastante da Nina Simone. Acho que as refer\u00eancias acabam se encontrando por ali tamb\u00e9m.<\/strong><br \/>\nQue legal. Sim!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"[ARTSY CLUB LIVE] Nina Maia &#039;Sua&#039;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4QZ_bNjvNPg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E depois do Lollapalooza, quais s\u00e3o os pr\u00f3ximos passos?<\/strong><br \/>\nNesse ano meu intuito \u00e9 rodar com o show o m\u00e1ximo que eu puder. E possivelmente tamb\u00e9m colaborar com outras pessoas. Por exemplo, esse single que gravei com Thalin e outros que est\u00e3o engatilhados, mas que ainda n\u00e3o posso falar. Tenho a vontade de iniciar o laborat\u00f3rio do meu pr\u00f3ximo \u00e1lbum, mas n\u00e3o sei se vai dar tempo de entrar no est\u00fadio ainda esse ano, mas com certeza j\u00e1 estou fazendo esse mergulho meio sozinha. Mas quero iniciar com a galera em breve, quem sabe ainda esse ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 tem shows marcados depois do Lolla?<\/strong><br \/>\nSim. Tem Porto Alegre (RS) dia 16 de abril e em S\u00e3o Paulo na Casa Natura Musical, dia 30 de abril.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem algo que voc\u00ea acha importante dizer que a gente n\u00e3o cobriu na entrevista?<\/strong><br \/>\nAcho que eu queria destacar a pot\u00eancia da minha gera\u00e7\u00e3o. Vejo que somos pessoas muito m\u00faltiplas, com muitas refer\u00eancias e uma vontade e fome enorme de fazer acontecer. Tenho vivido um processo muito rico ao lado dessa galera, criando de forma independente, quase feita \u00e0 m\u00e3o, e isso \u00e9 muito especial. Tamb\u00e9m acredito muito no coletivo. Mas nada se constr\u00f3i sozinho e, pra mim, o mais bonito desse momento \u00e9 justamente poder fazer tudo junto, com artistas e pessoas muito potentes, cada um com seus pr\u00f3prios projetos, mas sempre colaborando entre si. Por isso, o Lollapalooza n\u00e3o \u00e9 uma conquista s\u00f3 minha. \u00c9 de uma turma inteira que est\u00e1 se dedicando, trabalhando junto, fortalecendo os projetos uns dos outros. E eu acredito muito na gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recentemente <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/16\/sophia-chablau-a-gente-devia-ter-um-debate-mais-aprofundado-sobre-os-caminhos-da-musica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">entrevistamos a Sophia Chablau<\/a> e percebi coisas similares ao que ela falou; a gera\u00e7\u00e3o de voc\u00eas tem uma coisa de ter seus projetos individuais, mas ao mesmo tempo prezar muito pela colabora\u00e7\u00e3o entre todos. Ela tem a banda dela com o Uma Enorme Perda de Tempo, mas tamb\u00e9m toca com o Felipe Vaqueiro, tem o Besouro Mulher. O Pelados tamb\u00e9m tem outros projetos agregados, como Fern\u00ea, o Lauiz e tal.<\/strong><br \/>\nEu sou muito f\u00e3 da Sophia Chablau. Pra mim, ela representa muito isso tudo. \u00c9 uma grande refer\u00eancia, n\u00e3o s\u00f3 como artista, mas pelo movimento que ela constr\u00f3i ao redor, pela forma como se coloca. E acho que esse \u00e9 um movimento que a gente tamb\u00e9m precisa sustentar. Eu at\u00e9 pensei em usar a palavra \u201cresistir\u201d, mas mais no sentido de buscar algo natural, porque a gente vive numa era muito digital, muito individualizada, em que \u00e9 f\u00e1cil se isolar e se desconectar. Ent\u00e3o, estar junto, colaborar, se encontrar fisicamente, acaba sendo uma forma de resist\u00eancia sim. Por isso, os shows nas casas independentes de S\u00e3o Paulo s\u00e3o t\u00e3o importantes. \u00c9 ali que as coisas ganham vida de verdade: quando a gente est\u00e1 presente, assistindo, tocando, trocando. Esse encontro, essa energia ao vivo, \u00e9 o que mant\u00e9m tudo vivo. E acho que o mais importante \u00e9 a gente continuar acreditando nisso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"CULTURA LIVRE | NINA MAIA | 03\/05\/2025\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xGHv5hGaV2E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mineira de origem e paulistana de forma\u00e7\u00e3o, a cantora, compositora, instrumentista e produtora Nina Maia lan\u00e7ou seu primeiro \u00e1lbum solo, \u201cInteira\u201d, em 2024.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/21\/entrevista-nina-maia-e-a-cartografia-intima-de-inteira\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":94804,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7547,3],"tags":[7193],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94803"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=94803"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94803\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":95054,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94803\/revisions\/95054"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/94804"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=94803"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=94803"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=94803"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}