{"id":94745,"date":"2026-03-17T00:01:05","date_gmt":"2026-03-17T03:01:05","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=94745"},"modified":"2026-04-04T23:51:22","modified_gmt":"2026-04-05T02:51:22","slug":"bianca-gismonti-manuel-de-oliveira-conversas-musicais-entre-brasil-e-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/17\/bianca-gismonti-manuel-de-oliveira-conversas-musicais-entre-brasil-e-portugal\/","title":{"rendered":"Bianca Gismonti &#038; Manuel de Oliveira: conversas musicais entre Brasil e Portugal"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/amusicadofabio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fabio Machado<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s alguns minutos de conversa com a brasileira <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/biancagismontitrio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bianca Gismonti<\/a> e o portugu\u00eas <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/manueldeoliveiraguitar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Manuel de Oliveira<\/a>, \u00e9 not\u00e1vel a conex\u00e3o que o duo apresenta para al\u00e9m da m\u00fasica. Durante entrevista realizada por chamada de v\u00eddeo ao Scream &amp; Yell, ambos estavam tranquilos e sintonizados em suas respostas, de forma que a rela\u00e7\u00e3o &#8211; criada ainda antes da pandemia ap\u00f3s Manuel descobrir o trabalho de Bianca nas redes sociais &#8211; parece ser at\u00e9 mais antiga, dada a intimidade e similaridade no pensamento. \u201cVi a Bianca tocar e eu fiquei fascinado porque, independentemente da Bianca ter o seu g\u00eanero musical, est\u00e1 obviamente impregnado da linha <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=gismonti\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">gismontiana<\/a>, ela tem uma identidade muito pr\u00f3pria com a qual eu me identifiquei muito\u201d, revela Manuel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, a hist\u00f3ria de ambos tem pontos semelhantes, ainda que separados por um oceano de dist\u00e2ncia. A pianista Bianca tem uma rela\u00e7\u00e3o com m\u00fasica que vem do ber\u00e7o trazida principalmente pelo pai, o instrumentista e compositor Egberto Gismonti. \u201cM\u00fasica \u00e9 uma linguagem na minha fam\u00edlia. Ela n\u00e3o \u00e9 \u2018vamos parar\u2026\u2019, \u00e9 tudo. [&#8230;] Minha m\u00e3e era atriz, mas era muito influenciada por m\u00fasica.\u201d Por sua vez, Manuel tamb\u00e9m teve o pai como refer\u00eancia para descobrir seus pr\u00f3prios caminhos musicais atrav\u00e9s do viol\u00e3o: \u201cEu como autodidata, que aprendi tamb\u00e9m com o meu pai, o meu pai era exatamente isso. O meu pai sempre procurava os pontos de contato, de di\u00e1logo, entre as culturas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 muito surpreendente mesmo como a gente consegue ter identifica\u00e7\u00f5es com pessoas que voc\u00ea, enfim, n\u00e3o conhecia, mas existem hist\u00f3ricos de alguma maneira similares, existem percursos que v\u00e3o sendo trilhados paralelamente e quando esse encontro se d\u00e1, toda essa hist\u00f3ria pr\u00e9via, ela se manifesta\u201d, reflete Bianca. Para ela, h\u00e1 uma \u201cm\u00e1gica\u201d no formato do duo, onde a simplicidade e a complexidade se encontram revelando novos caminhos na improvisa\u00e7\u00e3o. A entrevista pode ser conferida na \u00edntegra a seguir.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bianca Gismonti &amp; Manuel de Oliveira \u2014 L\u00f4ro (live at Casinha do N\u00facleo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yI9y0BhBzFI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como os caminhos de voc\u00eas se cruzaram e de quem foi a ideia de fazer essa parceria?<\/strong><br \/>\nManuel: Ent\u00e3o, acho que posso come\u00e7ar eu, n\u00e3o \u00e9, Bianca?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bianca: Sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manuel: Enfim, Egberto Gismonti \u00e9 uma grande refer\u00eancia para mim, e houve um dia que passando, penso que foi no Facebook, encontrei (a Bianca), e eu n\u00e3o sabia sequer que Egberto tinha uma filha que tocava, e vi a Bianca tocar e\u00a0 fiquei fascinado porque, independentemente dela ter o seu g\u00eanero musical, est\u00e1 obviamente impregnado da linha gismontiana, ela tem uma identidade muito pr\u00f3pria com a qual eu me identifiquei muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Criei coragem de escrever \u00e0 Bianca, ainda antes da pandemia, para lhe apresentar o meu trabalho, e a gente conversou, mas depois, enfim, veio uma pandemia que adiou essa possibilidade de a gente poder fazer alguma coisa em conjunto. E no ano passado, a prop\u00f3sito de um convite que me fizeram para estar num festival em Bel\u00e9m do Par\u00e1, eu voltei ao contato com a Bianca e assim surgiu esse primeiro encontro, essa estreia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bianca: Manuel entrou em contato comigo nessa \u00e9poca, como ele falou, e eu me lembro que eu pedi, ou ele enviou, n\u00e3o sei, grava\u00e7\u00f5es de composi\u00e7\u00f5es e eu venho de uma linhagem de compositores, ent\u00e3o a composi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma coisa que sempre me chama, eu lembro claramente da coisa que ele sempre fala, da influ\u00eancia dele tamb\u00e9m com o Paco de Lucia, que sempre foi uma refer\u00eancia tamb\u00e9m para mim, ent\u00e3o na \u00e9poca j\u00e1 foi surpreendente, mas o interessante, quando ele me escreveu no final do ano passado, \u00e9 que u n\u00e3o me recordava (da nossa conversa pr\u00e9-pandemia), porque tinham sido, sei l\u00e1, cinco anos antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E assim, dessas coisas da vida, eu aceitei o convite e a\u00ed depois eu fui escutar novamente. Claro que tive uma identifica\u00e7\u00e3o total, mas \u00e9 muito bonito como os caminhos musicais (se cruzam), eu sempre fico surpresa com isso, sabe, Fabio? A vida toda vinculada com m\u00fasica, minha fam\u00edlia, mas \u00e9 muito surpreendente mesmo como a gente consegue ter identifica\u00e7\u00f5es com pessoas que voc\u00ea, enfim, n\u00e3o conhecia, mas existem hist\u00f3ricos de alguma maneira similares, existem percursos que v\u00e3o sendo trilhados paralelamente e quando esse encontro se d\u00e1, toda essa hist\u00f3ria pr\u00e9via, ela se manifesta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o com o Manuel foi muito isso que aconteceu. E eu tamb\u00e9m venho de um hist\u00f3rico de encontros, de parcerias, ent\u00e3o mais uma vez \u00e9 uma coisa que me surpreende nesse sentido e esse formato de duo \u00e9 uma coisa que eu amo, h\u00e1 24 anos que toco com uma pianista, Cl\u00e1udia Castelo Branco, com o duo GisBranco e acho que a coisa do duo tem essa m\u00e1gica, de uma coisa muito crua, simples, mas ao mesmo tempo profunda e complexa. E \u00e9 o que vem acontecendo com o Manuel desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bianca Gismonti &amp; Manuel de Oliveira \u2014 Primavera (live at Casinha do N\u00facleo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KgbJm0a2zYg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vi que voc\u00eas lan\u00e7aram recentemente no YouTube o v\u00eddeo de &#8220;Primavera&#8221;, que foi gravado na casinha do N\u00facleo. Como foi a experi\u00eancia dessa grava\u00e7\u00e3o e se tem outras desse tipo a\u00ed que voc\u00eas ainda pretendem lan\u00e7ar.<\/strong><br \/>\nManuel: Vai, Bianca, vai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bianca: Al\u00e9m desse encontro musical, n\u00f3s somos dois super empreendedores. Ent\u00e3o a gente fez esse encontro em Bel\u00e9m e a\u00ed o Manuel ia ficar um tempo no Brasil ainda, de f\u00e9rias, e a gente inventou um outro show, porque tinh\u00e1mos que tocar de novo, aproveitar que ele estava no Brasil. E a\u00ed a gente procurou alguns lugares e a casinha do N\u00facleo, que \u00e9 coordenada pelo Benjamin Taubin, que \u00e9 um grande pianista brasileiro, paulista, foi a ocasi\u00e3o que resultou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E nessa oportunidade, comentei com o Manuel e falei: &#8220;Vamos aproveitar, porque, claro, temos um Atl\u00e2ntico no meio dos dois pa\u00edses, que hoje em dia \u00e9 muito f\u00e1cil de aproximar, mas n\u00e3o \u00e9 diariamente&#8221;. Ent\u00e3o, como os dois estavam muito entusiasmados com o encontro, com o resultado disso, pensei da gente aproveitar essa oportunidade para filmar. O Manuel tamb\u00e9m tem uma produtora, mexe com \u00e1udio, mixagem, tudo, ent\u00e3o a gente resolveu gravar o \u00e1udio e o v\u00eddeo. E por eu ter tido j\u00e1 experi\u00eancia com a equipe da Pavirada, que \u00e9 da Dani Gurgel, que \u00e9 uma super musicista, cantora, compositora incr\u00edvel, mas \u00e9 tudo, trabalha com v\u00eddeo, foto, \u00e9 uma super fot\u00f3grafa. E a\u00ed eu tive a ideia de a gente gravar \u00e0 tarde e \u00e0 noite. Ent\u00e3o a gente tem sim o material de oito m\u00fasicas, na verdade, que a gente est\u00e1 lan\u00e7ando a cada semana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E eu acho que a gente tamb\u00e9m vai lan\u00e7ar o disco. A gente n\u00e3o esperava, mas \u00e9 uma sonoridade absolutamente natural, espont\u00e2nea, e a Casinha do N\u00facleo \u00e9 um espa\u00e7o muito aconchegante, pequeno, que as pessoas ficam meio misturadas com os m\u00fasicos. &#8220;A Primavera&#8221; \u00e9 uma composi\u00e7\u00e3o do Manuel que eu fiquei completamente apaixonada. Depois fui ver que ele me falou, que fez tamb\u00e9m, inspirada na m\u00fasica do meu pai. E a gente tem outras sete para virem por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manuel: A &#8220;Primavera&#8221; \u00e9 uma m\u00fasica que eu compus j\u00e1 tenho uns anos, sei l\u00e1, em 2002, uma coisa assim. Eu lembro-me que foi uma fase que eu tinha descoberto Egberto, ent\u00e3o eu estava ouvindo muito, e naturalmente, eu como autodidata sou totalmente influenciado por essa coisa de ouvir m\u00fasica. Ent\u00e3o ela entra naturalmente naquilo que eu estou procurando no viol\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E quando comecei a fazer o tema, eu percebiuma influ\u00eancia clara (de Egberto). E toca-la com a Bianca foi uma coisa&#8230; Ali\u00e1s, todos os temas. A gente come\u00e7ou os ensaios e basicamente n\u00f3s come\u00e7amos a tocar e fizemos o show todo. Fomos vendo um pormenor aqui ou ali. Mas \u00e9 assim, s\u00e3o escolas muito diferentes, s\u00e3o influ\u00eancias diferentes, mas t\u00eam toda uma identidade partilhada que foi muito f\u00e1cil de juntar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, na verdade, sentir mesmo uma coisa fascinante e que realmente me impulsiona e me entusiasma muito neste trabalho com a Bianca \u00e9 essa sensa\u00e7\u00e3o de que&#8230; E n\u00f3s ainda estamos neste \u00e2mbito de composi\u00e7\u00f5es de cada um, estamos trabalhando j\u00e1 num futuro de fazer composi\u00e7\u00f5es em conjunto, mas ainda neste \u00e2mbito de tocar as minhas composi\u00e7\u00f5es com a Bianca d\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de completude. Parecia que n\u00e3o faltava nada, mas de repente a Bianca entra ali e diz assim, claro, faz todo sentido. Ent\u00e3o \u00e9 muito bom.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bianca Gismonti &amp; Manuel de Oliveira - T\u00faneis de Nuvem (live at Casinha do N\u00facleo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tj27GUqgXFI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o eu imagino que parte do repert\u00f3rio nessas apresenta\u00e7\u00f5es de agora vai ser em torno dessas m\u00fasicas novas feitas em parceria, certo? Mas uma parte desse repert\u00f3rio \u00e9 fruto da improvisa\u00e7\u00e3o ali no momento ou voc\u00eas t\u00eam uma vis\u00e3o mais espec\u00edfica do que vai entrar no setlist, do arranjo que vai ser, o que \u00e9 criado ali no momento, na hora que voc\u00eas entram no palco, e o que voc\u00eas definem com anteced\u00eancia na hora de tocar.<\/strong><br \/>\nBianca: Ent\u00e3o, na verdade, as parcerias em conjunto a gente ainda n\u00e3o fez, mas existem composi\u00e7\u00f5es novas nessa leva agora de shows que a gente vai fazer, tanto que eu compus a partir desse encontro mesmo com o Manuel, como ele comentou, que a viv\u00eancia e as m\u00fasicas v\u00e3o influenciando. Eu acho que todo compositor e criador tem isso. As experi\u00eancias v\u00e3o estimulando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o tem composi\u00e7\u00f5es novas, mas como ele estava comentando, quando a gente toca junto, e a\u00ed j\u00e1 linkando com a sua pergunta, \u00e9 sempre muito aberto, na realidade, a cria\u00e7\u00e3o do outro. Ent\u00e3o acho que tem uma disponibilidade, um espa\u00e7o que se abre. As composi\u00e7\u00f5es est\u00e3o feitas, mas obviamente elas podem ter a forma que for. E eu acho que tamb\u00e9m quando se tem encontros, isso serve para amizade, para trabalho, para qualquer coisa. Quando a gente tem conflu\u00eancia no di\u00e1logo, voc\u00ea, na verdade, n\u00e3o se preocupa em desenhar o percurso. Ent\u00e3o acho que isso acontece muito com o Manuel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naturalmente, \u00e9 \u00f3bvio que voc\u00ea tem uma estrutura de composi\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o apenas existem sess\u00f5es de improvisa\u00e7\u00e3o, propriamente dita, como eu acho que ela est\u00e1 em constante abertura. E \u00e9 uma coisa at\u00e9 que a gente salienta muito o Manuel, de deixar sempre esse frescor, porque \u00e9 interessante, porque essa abertura da cria\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea, ela traz a presen\u00e7a do pr\u00f3prio instrumentista. Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nem s\u00f3 uma quest\u00e3o do ouvinte, a gente tamb\u00e9m se sente vivo, porque a gente vai sendo surpreendido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o eu acho que \u00e9 uma mistura disso, de uma base de composi\u00e7\u00f5es ou de arranjos tamb\u00e9m, m\u00fasicas do meu pai, tem o Zeca Afonso tamb\u00e9m, um grande compositor portugu\u00eas, etc. Mas sempre com essa abertura de experimenta\u00e7\u00e3o, eu diria. E tem improvisa\u00e7\u00e3o sim, mas eu acho que \u00e9 uma abertura de experimenta\u00e7\u00e3o, da gente ouvindo e surpreendendo. Como comentei, a gente escuta esse material gravado e fica assim: &#8220;gente, que frescor&#8221;, entendeu? Porque a coisa vai surpreendendo mesmo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Egberto Gismonti - Live at Li\u00e8ge Guitar Festival (1983) | Qwest TV\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/P_oLbisOxTM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas j\u00e1 falaram a\u00ed duas refer\u00eancias, mas eu queria saber outras mais espec\u00edficas &#8211; acho que a pergunta cabe para os dois, mas de forma invertida. Refer\u00eancias da Bianca em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica portuguesa, de que maneira pode ter impactado voc\u00ea durante a sua vida, e para o Manuel, de que maneira a m\u00fasica brasileira impactou ao longo da sua trajet\u00f3ria. A gente j\u00e1 falou do Egberto, que obviamente est\u00e1 na vida de voc\u00eas dois, mas se voc\u00eas quiserem falar de outros nomes, outros artistas.<\/strong><br \/>\nManuel: Ent\u00e3o, a m\u00fasica brasileira entra na minha vida muito cedo, sendo que eu fui muito influenciado, um grande percurso da minha vida, pelo flamenco, pela m\u00fasica ib\u00e9rica, uma vertente mais r\u00edtmica. E para mim, escutar a m\u00fasica brasileira era sempre uma coisa um pouco \u00e0 dist\u00e2ncia, porque eu n\u00e3o me atrevia a entrar numa musicalidade t\u00e3o mel\u00f3dica e t\u00e3o harm\u00f4nica, pelo menos como m\u00fasico. Mas eu tenho uma rela\u00e7\u00e3o com o Brasil j\u00e1 muito antiga, um dos meus primeiros concertos com plateia, eu tinha 18 anos, foi em Niter\u00f3i, e essa rela\u00e7\u00e3o que o Brasil tem com a sua pr\u00f3pria m\u00fasica e os artistas, e a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, para mim \u00e9 absolutamente \u00fanica e \u00e9 fascinante, de fato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E principalmente nos \u00faltimos anos, tenho me atrevido um pouco mais, ainda agora mesmo, com a Bianca, \u00e9 como voltar para a escola, tocando m\u00fasica dela e m\u00fasica de Egberto tamb\u00e9m, m\u00fasicas que eu n\u00e3o me teria atrevido antes a experimentar, e \u00e9 um processo extremamente estimulante. Grandes refer\u00eancias do Baden Powell, do Egberto Gismonti, o Tom Jobim, Hermeto, enfim, tantos. \u00c9 muito dif\u00edcil de eleger porque \u00e9 realmente uma for\u00e7a da natureza a m\u00fasica, quer dos artistas, quer do povo brasileiro, do quanto amam a m\u00fasica e o papel que a m\u00fasica desempenha nas suas vidas, \u00e9 uma coisa que \u00e9 absolutamente fascinante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bianca: Manuel estava falando dessa coisa do concerto em Niter\u00f3i, com 18 anos, e eu estava lembrando, Fabio, que comecei a tocar com meu pai muito nova, com 15 anos, eu e meu irm\u00e3o &#8211; ele \u00e9 violonista &#8211; j\u00e1 viajavamos para todos os lugares. Tenho uma brincadeira que com 15 meus irm\u00e3os j\u00e1 falavam assim: &#8220;Eu quero ir para casa, n\u00e3o quero fazer turn\u00ea!&#8221;, de tanto que a gente viajava, mas a gente ia muito para Portugal tocar, meu pai sempre tocou muito l\u00e1. Eu acho at\u00e9 que mais antigamente. E como ele sempre tamb\u00e9m foi uma pessoa de parcerias, eu acompanhava muito parcerias dele com m\u00fasicos portugueses, ent\u00e3o sempre recebi essa influ\u00eancia, tanto quanto refer\u00eancias dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas eu me lembro que o meu primeiro impacto, o meu e de 99,9% dos brasileiros, foi o Madredeus. Eu escutava o dia inteiro, era completamente viciada naquilo, e eu nem tinha conhecimento se aquilo era fado ou n\u00e3o era fado, se era isso ou se era aquilo, assim, eu escutava como eu escutava centenas de outros discos que sempre foram disponibilizados, e durante muitos anos eu fiquei muito viciada nisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estou falando dos grandes impactos; o meu segundo grande impacto, que mudou radicalmente a minha vida, \u00e9 o M\u00e1rio Laginha e a Maria Jo\u00e3o, que \u00e9 o pianista com a cantora, que eu fiquei completamente, sabe, ca\u00ed no abismo, porque primeiramente, na verdade, eu escutei quando n\u00e3o tinha essa coisa ainda de voc\u00ea botar e procurar na internet, eu escutei uma grava\u00e7\u00e3o de uma cantora com uma voz muito inusitada, que eu fiquei, &#8220;quem \u00e9 essa pessoa que est\u00e1 cantando?&#8221; S\u00f3 que eu ouvia aquele piano e tinha m\u00fasicos brasileiros, eu sabia, &#8220;ah, tem uns m\u00fasicos brasileiros tocando&#8221;, mas eu falei, &#8220;n\u00e3o, esse pianista n\u00e3o \u00e9 brasileiro, porque tem uma coisa tamb\u00e9m nisso, assim, a gente&#8221;&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Um Choro Feliz\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/g5MpdN4Ri6M?list=OLAK5uy_nGY16jzcXSwkNglzxjsSqt1ClK1C0AS1s\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 da linguagem, n\u00e9? Da maneira como o m\u00fasico toca.<\/strong><br \/>\nBianca: E voc\u00ea n\u00e3o reconhece, entendeu? Eu ficava, &#8220;isso que parece com isso aqui, mas n\u00e3o \u00e9&#8230;&#8221; E a\u00ed eu fiquei, Fabio, completamente enlouquecida que eu tinha que descobrir quem era aquele pianista, entendeu? Eu entrei numa e eu n\u00e3o sabia que grava\u00e7\u00e3o era aquela, s\u00f3 que tinha uma das faixas que tinha participa\u00e7\u00e3o do Lenine, ent\u00e3o eu fui procurar, e descobri, que \u00e9 um disco lindo chamado \u201cChorinho Feliz\u201d da Maria Jo\u00e3o com o M\u00e1rio, e tem muitos m\u00fasicos brasileiros e composi\u00e7\u00f5es dos dois. Foi um turning point total, que \u00e9 essa coisa que tamb\u00e9m tem muito na vida do Manuel, que \u00e9 essa coisa da influ\u00eancia da m\u00fasica africana, entendeu? Que os dois, a Maria Jo\u00e3o e o Mario tamb\u00e9m tem<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o foram, s\u00e3o dois far\u00f3is, mas tem Zeca Afonso que eu fui conhecer absurdamente s\u00f3 agora, atrav\u00e9s do Manuel. E parcerias dos pr\u00f3prios m\u00fasicos brasileiros, com compositores e criadores portugueses, isso sempre. Mas eu acho que tem sempre essa oportunidade, e \u00e9 interessante, porque o Brasil, ele \u00e9 meio, \u00e9 maravilhoso, porque \u00e9 muito amplo, mas a gente fica meio tipo ali, porque \u00e9 miscigenado e tem tudo aqui, ent\u00e3o a gente fica meio satisfeito nas influ\u00eancias aqui do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E tem uma coisa interessante, o Manuel estava falando, n\u00e3o me atrevi a tocar, e eu acho que eu tenho uma coisa, como tiveram muitas influ\u00eancias, eu nem sei direito, entendeu? O que eu toco, se \u00e9 m\u00fasica brasileira, se n\u00e3o \u00e9, se \u00e9 africana, se \u00e9 cubana, se \u00e9 nada, se \u00e9 l\u00edrico, se \u00e9 erudito. Ent\u00e3o, no fundo, \u00e9 isso, sei l\u00e1, chega uma m\u00fasica do Manu ou chega do Zeca Afonso e eu vou tocar a forma que eu tocaria, qualquer outra, se fosse nigeriana ou se fosse, no fundo, o que eu sei fazer, o que eu sei fazer. N\u00e3o adianta forjar algo que n\u00e3o existe em mim. Ent\u00e3o \u00e9 muito bonito, porque as parcerias tamb\u00e9m possibilitam que a gente v\u00e1, de alguma maneira\u2026 eu estou roubando influ\u00eancias portuguesas atrav\u00e9s do Manuel, sem saber o que s\u00e3o, entendeu? Ent\u00e3o tem um pouco essa mescla.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 interessante voc\u00ea ter falado nisso, que voc\u00ea n\u00e3o pensa exatamente em qual forma, em qual estilo voc\u00ea est\u00e1 tocando, e imagino que deve ser tamb\u00e9m fruto da sua cria\u00e7\u00e3o, como voc\u00ea falou, de m\u00fasica desde cedo. E eu me lembrei que um dos discos que a minha namorada comprou recentemente foi o \u201cEm Fam\u00edlia&#8221;, do Egberto Gismonti. Acho que \u00e9 o seu irm\u00e3o na capa ainda, bebezinho e tudo mais. Acho que o que fica ali daquela imagem \u00e9 que aquela fam\u00edlia vive m\u00fasica desde o ber\u00e7o, literalmente. Imagino que para voc\u00ea deva ter sido dessa forma, desde o come\u00e7o voc\u00ea tendo essa refer\u00eancia musical, como linguagem mesmo.<\/strong><br \/>\nBianca: \u00c9, totalmente. Porque, na verdade, eu brinco, m\u00fasica \u00e9 uma linguagem na minha fam\u00edlia. Ela n\u00e3o \u00e9 \u201cvamos parar\u2026\u201d, \u00e9 tudo. Eu j\u00e1 comentei isso com o Manuel, meu pai afinando o viol\u00e3o e eu e meu irm\u00e3o chorando. Minha m\u00e3e era atriz, mas era muito influenciada por m\u00fasica. A gente desde crian\u00e7a, que eu tamb\u00e9m costumo comentar, a m\u00fasica da inf\u00e2ncia era a \u201cSagra\u00e7\u00e3o da Primavera\u201d (de Igor Stravinsky). A disson\u00e2ncia, a conson\u00e2ncia, o folclore. Meu pai sempre foi muito ligado a paj\u00e9s. A gente \u00e9 muito ligado tamb\u00e9m \u00e0 m\u00fasica folcl\u00f3rica, ao mesmo tempo a m\u00fasicas super complexas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minha m\u00e3e sempre teve liga\u00e7\u00e3o com m\u00fasica popular. Ent\u00e3o nunca teve, nunca foi me dito \u201cesta fronteira voc\u00ea n\u00e3o pode passar\u201d ou \u201cexiste uma linha que divide\u201d, entendeu? Meu pai \u00e9 um eterno lutador e ele \u00e9 uma pessoa crente da miscigena\u00e7\u00e3o mesmo. Ent\u00e3o tem uma coisa da escola do Mario de Andrade. A gente foi catequizado nessa vertente de n\u00e3o se ver mesmo de extin\u00e7\u00e3o. Reconhecer, obviamente, as caracter\u00edsticas, por\u00e9m sem uma distin\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, de estilo e, na verdade, transitar na medida do que voc\u00ea tem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada ingrediente que voc\u00ea vai tendo no seu card\u00e1pio voc\u00ea vai utilizando no que voc\u00ea&#8230; E sai, como o Manuel estava falando, ainda mais quando voc\u00ea tem parcerias, encontros, nas quais voc\u00ea tem essa liberdade, aquilo se manifesta. E \u00e9 bonito quando se h\u00e1 esse espa\u00e7o para sair porque voc\u00ea descobre e vai, como eu estou te dizendo, aprendendo, ele est\u00e1 falando, voltar \u00e0 escola. Isso \u00e9 a melhor forma, enquanto a gente est\u00e1 aprendendo, a gente est\u00e1 bem. Ent\u00e3o acho que as parcerias que permitem que a gente tenha essa abertura de aprendizado, evolu\u00e7\u00e3o e aprofundamento que \u00e9 incr\u00edvel. Mas sim, essa coisa de\u2026 E a composi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, na minha casa sempre teve a coisa de criar, ent\u00e3o&#8230; Tudo vira a cria\u00e7\u00e3o de alguma coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manuel: \u00c9 muito interessante estares a falar sobre essa quest\u00e3o do teu pai e da miscigena\u00e7\u00e3o porque isso \u00e9 uma ideologia tamb\u00e9m. E eu lembro-me que muito recentemente, numa reflex\u00e3o que me pediram para fazer no \u00e2mbito do Festival MIMO, sobre a guitarra ib\u00e9rica, sobre o meu percurso, e eu como autodidata, que aprendi tamb\u00e9m com o meu pai, o meu pai era exatamente isso. O meu pai sempre procurava os pontos de contato, de di\u00e1logo, entre as culturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dizia assim, \u201colha, Manoel, olha aqui o flamenco, \u00e9 como o fado, \u00e9 como o tango, \u00e9 como o blues\u201d. Ent\u00e3o essa coisa de explorar territ\u00f3rios, di\u00e1logos e comunidades, isso \u00e9 uma coisa muito presente nessa forma, uma maneira de estar na cria\u00e7\u00e3o (pausa) irada, n\u00e3o \u00e9? (risos)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Manuel de Oliveira - CAMINHOS MAGN\u00c9TICOS, Tribute to Paco de Lucia\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PDXQq6u3W-A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muito legal como a cria\u00e7\u00e3o, as pessoas que envolvem a gente na fam\u00edlia e tudo mais, v\u00e3o moldando a gente nessas refer\u00eancias tamb\u00e9m. Por mais que a gente aprenda a parte t\u00e9cnica e tudo mais, voc\u00eas t\u00eam essas refer\u00eancias familiares que tamb\u00e9m meio que moldaram voc\u00eas a chegarem at\u00e9 onde voc\u00eas est\u00e3o.<\/strong><br \/>\nBianca: E tem uma coisa bonita, Fabio, que assim &#8211; estou falando da minha sensa\u00e7\u00e3o, e obviamente voc\u00ea pode come\u00e7ar sem ter tido ningu\u00e9m da fam\u00edlia que voc\u00ea conhe\u00e7a, mas a minha sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 que \u00e9 uma \u00e1rvore mesmo. Existe uma raiz e voc\u00ea vai seguindo. Ent\u00e3o parece que aquela coisa, e claro que a gente est\u00e1 sempre construindo tamb\u00e9m para os ouvintes ou para as pessoas que se inspiram nisso, mas \u00e9 bonito porque cria uma profundidade e ao mesmo tempo um sentido desse desenho da vida, esse arco da vida, que no fundo cada um \u00e0 sua maneira tem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode ser atrav\u00e9s da escuta, n\u00e3o necessariamente a de um pai ou de uma m\u00e3e, de um tio, mas cada um tem a sua hist\u00f3ria. Eu brinco, eu dou aula de piano h\u00e1 muitos anos e eu falo para os alunos que, para mim, o importante \u00e9 o seguinte: o que n\u00e3o pode se perder \u00e9 aquele v\u00ednculo com a m\u00fasica. N\u00e3o interessa, na verdade, qual \u00e9 o seu percurso com o instrumento. Porque alguma coisa te levou, todo mundo \u00e9 acometido pela escuta musical de alguma forma, ent\u00e3o eu acho que tem esse vi\u00e9s mesmo que voc\u00ea est\u00e1 falando, que \u00e9 muito bonito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A gente est\u00e1 chegando no tempo da entrevista, mas eu tenho uma pergunta aqui para encerrar que tem a ver com um tema mais moderno, mas acho que seria interessante. A m\u00fasica de voc\u00eas, o trabalho de voc\u00eas, eu vejo que \u00e9 muito focado na escuta, no improviso, na cria\u00e7\u00e3o do momento, mas principalmente uma coisa muito org\u00e2nica. E existe uma discuss\u00e3o cada vez maior sobre m\u00fasica e outros conte\u00fados gerados por intelig\u00eancia artificial nesses tempos atuais. Como voc\u00eas enxergam o trabalho que voc\u00eas fazem, que \u00e9 algo que vai totalmente no lado oposto dessas tecnologias, em meio desse cen\u00e1rio que muitas vezes traz preocupa\u00e7\u00e3o para o artista, traz incerteza?<\/strong><br \/>\nManuel: Ent\u00e3o, como disseste, e eu concordo totalmente com essa quest\u00e3o da organicidade que existe aqui entre no trabalho que desempenho e que estamos a fazer juntos, \u00e9 essa viv\u00eancia mesmo. Para mim, em qualquer projeto, mas acho que \u00e9 uma maneira de estar, o que eu encontrei assim, de muito estruturado em mim, que \u00e9 na m\u00fasica, eu estou na viv\u00eancia. Antes, at\u00e9 mesmo, \u00e9 claro que se eu vou ao encontro da Bianca Gismonti, \u00e9 porque h\u00e1 uma quest\u00e3o, h\u00e1 uma identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas essa identifica\u00e7\u00e3o no contato com a m\u00fasica, acima de tudo, est\u00e1 na viv\u00eancia. Nessa viv\u00eancia de estar a tocar e de estar a fazer aquilo que \u00e9, aquele v\u00ednculo que estava a Bianca ainda h\u00e1 pouco falando, que \u00e9 essa coisa que \u00e9 para mim tamb\u00e9m uma \u00e2ncora, porque somos m\u00fasicos profissionais e empreendedores e h\u00e1 toda uma pan\u00f3plia de preocupa\u00e7\u00f5es em torno disso, mas h\u00e1 uma coisa que tem que estar sempre presente e \u00e9 esse v\u00ednculo. Eu acredito que \u00e9 nessa viv\u00eancia que esse meu v\u00ednculo tamb\u00e9m se amplia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que diz respeito \u00e0 Intelig\u00eancia Artificial e nessa discuss\u00e3o, a mim n\u00e3o me assusta, eu acho que a Intelig\u00eancia Artificial \u00e9 uma ferramenta \u00fatil sob o ponto de vista art\u00edstico. Eu tamb\u00e9m sempre fui muito tecnol\u00f3gico e gosto de brincar com essas coisas, portanto, para mim inclusive tenho gostado de desenvolver um projeto com um amigo que faz imagem com Intelig\u00eancia Artificial, que \u00e9 exatamente trabalhar com imagem pr\u00e9-produzida em Intelig\u00eancia Artificial e ao vivo provocar ela com improvisa\u00e7\u00e3o em tempo real. A gente brinca que lhe chama arte animal. Mas \u00e9 isso, preocupa\u00e7\u00e3o zero. A n\u00e3o ser, claro, sob os pontos de vista jur\u00eddicos e legais no que diz respeito \u00e0 propriedade intelectual, claro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bianca: Ent\u00e3o, toda novidade assusta, n\u00e9? Eu acho que todo movimento, em qualquer inst\u00e2ncia, que seja diferente de uma norma, a gente tem, a tend\u00eancia humana \u00e9 ter recha\u00e7o. Acho que \u00e9 natural que se tenha muito medo porque a gente desconhece. Eu, pessoalmente, n\u00e3o tenho ainda v\u00ednculo e pr\u00e1tica para te falar sobre uma experi\u00eancia pessoal. Eu sei de aplicativos e diversas formas de utiliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 muito interessante que pessoas t\u00eam me inscrito porque sabem que eu tenho muito essa coisa org\u00e2nica. &#8220;Voc\u00ea poderia usar? Eu sei que voc\u00ea faz arranjos, mas poderia usar?&#8221; E eu acho que \u00e9 isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As ferramentas est\u00e3o a\u00ed, elas v\u00e3o ser usadas. E \u00e9 muito maravilhoso, eu acho, entendendo que a tecnologia em todos os \u00e2mbitos, ela vai avan\u00e7ando para que a gente possa experimentar. E \u00e9 natural, tamb\u00e9m, que uma novidade gere ao exagero. Ent\u00e3o, assim, a gente utiliza muito aquilo. Talvez, num outro momento, pode utilizar menos. Mas eu acho que \u00e9 isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A gente analisa as tecnologias anteriores hoje como naturais, mas elas foram fenomenais e acreditava-se que era imposs\u00edvel, que n\u00e3o podia se seguir. Eu acho que o mundo sempre se adapta. Ent\u00e3o, eu acho muito maravilhoso, na realidade, todo o caminho de novidade e de experimenta\u00e7\u00e3o. Mas eu, pessoalmente, ainda n\u00e3o tenho uma utiliza\u00e7\u00e3o para te dar esse relato. Numa futura entrevista, quem sabe? Mas eu vejo com bons olhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manuel: Perfeito. Realmente, a preocupa\u00e7\u00e3o que eu tenho, maior, tem a ver, realmente, com a quest\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o dessas tecnologias, sempre pelo poder, que \u00e9 um poder financeiro e n\u00e3o sei o que mais. Assim como \u00e9 utilizado o streaming, assim como s\u00e3o utilizadas tecnologias onde a divis\u00e3o de receita com os artistas n\u00e3o \u00e9 justa. E isso \u00e9, de facto, uma preocupa\u00e7\u00e3o. Agora, sob o ponto de vista criativo, a intelig\u00eancia artificial sem a nossa criatividade n\u00e3o \u00e9 nada.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bianca Gismonti &amp; Manuel de Oliveira - Aroma a Mar (live at Casinha do N\u00facleo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fqhU09Z0oys?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"\u201cPiano Station\u201d (Bianca Gismonti) by Bianca Gismonti Trio - Hunnia Records\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GUatxy523Wc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sarau do Tempo Livre com Bianca Gismonti e Manoel de Oliveira\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/odKf-w-zAjQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/amusicadofabio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fabio Machado<\/a>\u00a0\u00e9 m\u00fasico e jornalista (n\u00e3o necessariamente nessa ordem). Baixista na Falsos Conejos, Mevoi, Thrills &amp; the Chase e outros projetos.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Manuel descobriu o trabalho de Bianca nas redes sociais antes da pandemia, criou coragem e fez contato propondo um projeto conjunto que s\u00f3 veio come\u00e7ar a ganhar forma em 2025. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/17\/bianca-gismonti-manuel-de-oliveira-conversas-musicais-entre-brasil-e-portugal\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":143,"featured_media":94746,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7547,3],"tags":[7584,8123],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94745"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/143"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=94745"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94745\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":95023,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94745\/revisions\/95023"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/94746"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=94745"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=94745"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=94745"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}