{"id":94664,"date":"2026-03-12T00:59:48","date_gmt":"2026-03-12T03:59:48","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=94664"},"modified":"2026-03-31T15:34:27","modified_gmt":"2026-03-31T18:34:27","slug":"entrevista-a-longevidade-do-street-bulldogs-vem-da-combinacao-entre-honestidade-constancia-e-conexao-real-diz-fabio-sonrisal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/12\/entrevista-a-longevidade-do-street-bulldogs-vem-da-combinacao-entre-honestidade-constancia-e-conexao-real-diz-fabio-sonrisal\/","title":{"rendered":"&#8220;A longevidade do Street Bulldogs vem da combina\u00e7\u00e3o entre honestidade, const\u00e2ncia e conex\u00e3o real&#8221;, diz F\u00e1bio Sonrisal"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos 1990, quando o punk\/hardcore brasileiro expandia suas fronteiras para al\u00e9m dos grandes centros e das estruturas tradicionais, o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/streetbulldogs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Street Bulldogs<\/a> surgiu como um desses vetores que ajudaram a costurar a cena de baixo para cima: na base da fita, da carta, do zine, do corre independente e da conex\u00e3o real entre pessoas. Vindo de Pindamonhangaba (SP), o grupo construiu uma trajet\u00f3ria s\u00f3lida no underground sem recorrer a atalhos apostando, sobretudo, em uma \u00e9tica DIY que se tornaria marca registrada da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, em mar\u00e7o de 2026, o Street Bulldogs volta aos palcos para uma curta turn\u00ea de reuni\u00e3o que passa por Curitiba (13\/03), S\u00e3o Paulo (14\/03 e 19\/03) e Belo Horizonte (15\/03) &#8211; <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/streetbulldogs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">infos aqui<\/a>. A forma\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u00faltima da hist\u00f3ria da banda: F\u00e1bio Sonrisal, Japa, Koala, Guilherme e L\u00e9o Bulldog \u2014 este vindo de Dublin especialmente para os shows. Mais do que um aceno nost\u00e1lgico, o reencontro nasce de um impulso org\u00e2nico, reacendido ap\u00f3s uma jam em dezembro de 2024 que surpreendeu a pr\u00f3pria banda pela intensidade da resposta do p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O retorno tamb\u00e9m carrega um peso simb\u00f3lico. Mesmo sem registros de est\u00fadio dessa forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, F\u00e1bio define o per\u00edodo como um dos mais importantes da trajet\u00f3ria do Street Bulldogs: \u201c\u00c9 a \u00faltima forma\u00e7\u00e3o, a que ficou desde 2005 at\u00e9 o fim\u2026 pra mim, foi uma das mais marcantes\u201d. O cuidado em preservar a hist\u00f3ria da banda ao longo dos anos ajuda a explicar por que o nome segue mobilizando p\u00fablico: \u201cNunca fez sentido voltar por conveni\u00eancia ou nostalgia vazia. Preservar esse sil\u00eancio ao longo dos anos tamb\u00e9m foi uma forma de manter a integridade do que constru\u00edmos\u201d, pontua F\u00e1bio, que respondeu perguntas do Scream &amp; Yell por e-mail. Leia abaixo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Street Bulldogs -  Document\u00e1rio - We Are the One\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/49QzASlJjlw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Street Bulldogs surgiu nos anos 90, num momento muito espec\u00edfico do punk\/hardcore brasileiro. Olhando em retrospecto, que tipo de lacuna ou necessidade voc\u00eas acreditam ter preenchido naquela cena?<\/strong><br \/>\nNos anos 90, a cena punk\/hardcore brasileira estava se expandindo, mas ainda havia poucas bandas conectando o som r\u00e1pido e mel\u00f3dico com uma \u00e9tica DIY consistente e at\u00e9 um certo di\u00e1logo com a cena internacional. O Street Bulldogs surgiu nesse espa\u00e7o, com um som direto e energ\u00e9tico e, principalmente, uma postura de trabalho independente, baseada em coletividade, troca de cartas, fitas, zines e organiza\u00e7\u00e3o de shows. Mais do que preencher uma lacuna musical, eu acho que a banda ajudou a fortalecer pontes e mostrar que era poss\u00edvel produzir, circular e existir fora das estruturas tradicionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A banda construiu uma trajet\u00f3ria s\u00f3lida e respeitada dentro do underground, mesmo sem grandes estruturas. O que voc\u00ea acredita que fez o Street Bulldogs atravessar gera\u00e7\u00f5es e ainda mobilizar p\u00fablico tantos anos depois do fim?<\/strong><br \/>\nAcho que a longevidade do Street Bulldogs vem da combina\u00e7\u00e3o entre honestidade, const\u00e2ncia e conex\u00e3o real com as pessoas. Mesmo sem grandes estruturas, sempre fizemos tudo com prop\u00f3sito. As m\u00fasicas nasceram de experi\u00eancias verdadeiras, e isso atravessa o tempo. Al\u00e9m disso, o v\u00ednculo criado com a cena nunca foi baseado em modismo, mas em identifica\u00e7\u00e3o e respeito m\u00fatuo. Quando algo \u00e9 constru\u00eddo assim, ele n\u00e3o pertence s\u00f3 a uma \u00e9poca, continua fazendo sentido para quem chega depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esses shows de reuni\u00e3o n\u00e3o partem de uma l\u00f3gica nost\u00e1lgica \u00f3bvia, mas de uma vontade que surgiu a partir de uma jam recente. Em que momento voc\u00ea percebeu que aquilo poderia ir al\u00e9m de uma celebra\u00e7\u00e3o pontual?<\/strong><br \/>\nJustamente com a resposta do p\u00fablico nesse show \u201cjam\u201d que fizemos em dezembro de 2024. Reacendeu uma vontade de fazer de novo, n\u00e3o de voltar com a banda, mas fazer uma tour de reuni\u00e3o. A ideia era fazer nos mesmos moldes da jam, com outros vocais participando, mas acho que isso deu uma cutucada no L\u00e9o, que acabou topando vir fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea comentou que n\u00e3o esperava que aquela jam tivesse um impacto t\u00e3o forte. O que mais te surpreendeu emocionalmente naquele encontro com ex-membros, convidados e o p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nSurpreendeu porque era pra ser uma festa, reencontro de velhos amigos e celebrar o document\u00e1rio da Chuva TV. A gente n\u00e3o tinha ideia que seria daquele jeito, t\u00e3o forte como se fosse h\u00e1 15 anos atr\u00e1s. Os convidados foram escolhidos a dedo, pessoas das quais gostamos e admiramos, que fazem parte da hist\u00f3ria. E no fim, foi tudo foda demais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"CALL ME AT HOME - STREET BULLDOGS ao vivo no Hangar 110 21\/12\/2024 #hangar110 #show\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QDgfzKriHKA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O retorno conta com a forma\u00e7\u00e3o que gravou o DVD, com o Leo Bulldog vindo de Dublin especialmente para os shows. O quanto essa forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica pesa para que a reuni\u00e3o fa\u00e7a sentido art\u00edstica e simbolicamente?<\/strong><br \/>\n\u00c9 a \u00faltima forma\u00e7\u00e3o n\u00e9? A que ficou desde 2005 at\u00e9 o fim. Eu, Japa, Koala, Guilherme e o L\u00e9o. N\u00e3o faria muito sentido ser diferente, apesar de n\u00e3o termos gravado nenhum disco com essa forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, pra mim, foi uma das mais marcantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ap\u00f3s o encerramento das atividades em 2010, o Street Bulldogs sempre pareceu preservar uma aura de respeito, sem desgastes ou retornos oportunistas. Isso foi algo consciente ao longo dos anos?<\/strong><br \/>\nSim, isso sempre foi consciente. Quando a banda encerrou as atividades, existia um sentimento de ciclo cumprido e um respeito muito grande pela nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria e pelas pessoas que caminharam com a gente. Nunca fez sentido voltar por conveni\u00eancia ou nostalgia vazia. Preservar esse sil\u00eancio ao longo dos anos tamb\u00e9m foi uma forma de manter a integridade do que constru\u00edmos. Se a banda voltasse a se encontrar, teria que ser por um motivo verdadeiro, com prop\u00f3sito e no tempo certo. Acho que \u00e9 justamente isso que mant\u00e9m esse respeito vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O repert\u00f3rio promete atravessar toda a discografia da banda. Como foi o processo de revisitar essas m\u00fasicas hoje, com outro distanciamento de tempo, idade e viv\u00eancia?<\/strong><br \/>\nRevisitar essas m\u00fasicas hoje \u00e9 quase como reencontrar vers\u00f5es mais jovens de n\u00f3s mesmos. Existe um distanciamento natural do tempo, da idade e das experi\u00eancias vividas com as outras bandas que tivemos, mas a ess\u00eancia continua intacta. Algumas letras ganham novos significados, certos arranjos soam diferentes no corpo de hoje, e a gente toca com mais consci\u00eancia do que cada fase representou. Ao mesmo tempo, a energia e a urg\u00eancia que deram origem a essas m\u00fasicas continuam presentes, mas s\u00f3 que agora acompanhadas de maturidade e gratid\u00e3o (odeio essa palavra, mas \u00e9 real) por tudo o que elas nos permitiram viver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Existe alguma can\u00e7\u00e3o do grupo que voc\u00ea sente que ganhou um novo significado ao ser tocada agora, quase duas d\u00e9cadas depois de ter sido composta?<\/strong><br \/>\nUma espec\u00edfica eu acho que n\u00e3o, com o passar do tempo, algumas m\u00fasicas deixam de ser apenas um retrato daquele momento e passam a dialogar com tudo o que veio depois. Temas como pertencimento, resist\u00eancia e seguir em frente ganham outra profundidade quando carregam anos de estrada, perdas, conquistas e mudan\u00e7as pessoais. Ao toc\u00e1-las hoje, mais de duas d\u00e9cadas depois, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 mem\u00f3ria, no final das contas \u00e9 reconhecer a estrada toda percorrida e perceber que aquelas ideias continuam vivas e talvez at\u00e9 necess\u00e1rias.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Street Bulldogs - Adolf - Ultrasom MTV 1998\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/D8S5nkrzQT8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os tr\u00eas shows acontecem em capitais com cenas bastante distintas \u2014 Curitiba, S\u00e3o Paulo e Belo Horizonte. O que voc\u00ea espera de cada uma dessas noites e do encontro com p\u00fablicos t\u00e3o diferentes?<\/strong><br \/>\nS\u00e3o as cidades onde a gente tocava com maior frequ\u00eancia e n\u00e3o acho que sejam p\u00fablicos t\u00e3o diferentes. Acredito que vai ser inferno na terra em todas elas. Eu queria muito ter feito um show aqui em Pindamonhangaba, que \u00e9 a cidade natal da banda, e at\u00e9 tinha um esquema bem massa com a prefeitura e far\u00edamos um show aberto, de gra\u00e7a, numa pra\u00e7a onde costuma ter os eventos da cidade, mas devido as datas e ao pouco tempo do L\u00e9o por aqui, n\u00e3o deu certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esses reencontros tamb\u00e9m ser\u00e3o registrados em v\u00eddeo com a ideia de um document\u00e1rio. O que voc\u00eas sentem necessidade de preservar e contar dessa hist\u00f3ria a partir desse material audiovisual?<\/strong><br \/>\nEstamos viajando com um videomaker pra registrar a tour, n\u00e3o especificamente os shows, mas talvez fazer uma esp\u00e9cie de document\u00e1rio sobre esse revival. A necessidade vem justamente por provavelmente ser a \u00faltima vez mesmo que essa banda ir\u00e1 se juntar pra tocar, deixar esse registro se torna importante, at\u00e9 mais pra gente mesmo do que para as pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O punk\/hardcore brasileiro passou por muitas transforma\u00e7\u00f5es desde os anos 1990 e 2000. Como voc\u00ea enxerga hoje o lugar do Street Bulldogs dentro dessa hist\u00f3ria?<\/strong><br \/>\nVejo o Street Bulldogs como parte de uma gera\u00e7\u00e3o que ajudou a consolidar e expandir o hardcore brasileiro para al\u00e9m do seu territ\u00f3rio imediato. A gente surgiu num momento de in\u00edcio de efervesc\u00eancia na cena e contribuiu fortalecendo redes (n\u00e3o as sociais), trocas e circula\u00e7\u00e3o, conectando a cena local com outras cidades e at\u00e9 pa\u00edses, sempre dentro da \u00e9tica DIY. \u00c9 bom dizer que n\u00e3o se trata de protagonismo, mas de participa\u00e7\u00e3o ativa em um movimento coletivo que abriu caminhos pra muitas bandas, inspirou pessoas e mostrou que era poss\u00edvel construir uma trajet\u00f3ria consistente no underground. Hoje, olhando em retrospecto, \u00e9 gratificante perceber que fizemos parte dessa constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em meio a uma cena atual marcada por redes sociais, streaming e outras din\u00e2micas de consumo, o que voc\u00ea acredita que o Street Bulldogs ainda tem a dizer \u2014 no palco \u2014 em 2026?<\/strong><br \/>\nEm 2026, mesmo com redes sociais, streaming e consumo instant\u00e2neo, o que o Street Bulldogs leva ao palco continua sendo algo que nenhuma tecnologia vai substituir que \u00e9 a presen\u00e7a real\u2026 conex\u00e3o humana. A gente vem de uma cultura constru\u00edda no DIY, na coletividade da cena e na resist\u00eancia. Subir ao palco ainda \u00e9 sobre dividir energia, catarse coletiva, criar ou relembrar do pertencimento. Se, depois de um show, algu\u00e9m sai se sentindo parte de algo maior, ent\u00e3o a mensagem ainda continua viva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Existe algum limite emocional ou conceitual para esses reencontros? Esses tr\u00eas shows s\u00e3o um ponto final bem definido ou voc\u00eas preferem deixar a hist\u00f3ria aberta?<\/strong><br \/>\nA gente sempre tratou o Street Bulldogs com muito respeito pela nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria e pelo que a banda significa pra quem acompanhou o caminho. Esses reencontros n\u00e3o nascem de uma nostalgia vazia e barata, mas de uma vontade sincera de celebrar essa trajet\u00f3ria junto das pessoas. N\u00e3o existe um limite emocional pr\u00e9-definido, existe honestidade e isso \u00e9 o que basta pra gente. Esses tr\u00eas shows t\u00eam um sentido completo em si, como uma celebra\u00e7\u00e3o e um fechamento de ciclo, mas sem a necessidade de decretar um ponto final definitivo. A banda pode nunca mais vir a tocar juntos, mas a hist\u00f3ria continua viva nas pessoas, nas m\u00fasicas e em tudo o que constru\u00edmos juntos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Street Bulldogs sempre foi uma banda muito conectada \u00e0 viv\u00eancia real, \u00e0 rua, \u00e0 \u00e9tica do fa\u00e7a-voc\u00ea-mesmo. Esses valores ainda orientam suas escolhas hoje, tanto na m\u00fasica quanto fora dela?<\/strong><br \/>\nSem d\u00favida. O Street Bulldogs nasceu da viv\u00eancia real, da rua e da \u00e9tica do fa\u00e7a-voc\u00ea-mesmo, e esses valores n\u00e3o ficaram presos ao passado, eles obviamente continuam orientando nossas escolhas dentro e fora da m\u00fasica. O DIY nos ensinou autonomia, responsabilidade e senso de comunidade. A rua nos ensinou empatia, realidade e a conviv\u00eancia na cena mostrou que nada se constr\u00f3i sozinho. Mesmo com o mundo mudando, esses princ\u00edpios seguem sendo nossa b\u00fassola, pra tudo na vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m do retorno do Street Bulldogs aos palcos, voc\u00ea tamb\u00e9m est\u00e1 prestes a lan\u00e7ar um livro, um projeto que nasceu de muitas ideias, trabalho solit\u00e1rio e insist\u00eancia. O que te levou a transformar essa vontade em escrita e como esse processo dialoga com a sua trajet\u00f3ria na m\u00fasica e com esse momento de revisitar a hist\u00f3ria do Street Bulldogs?<\/strong><br \/>\nA vontade de escrever esse livro surgiu da necessidade de organizar mem\u00f3rias, dar sentido ao caminho percorrido e registrar uma hist\u00f3ria que n\u00e3o \u00e9 oficial. Afinal de contas, \u00e9 \u201ca (minha) hist\u00f3ria do Street Bulldogs\u201d, mas vivida por dentro. Sempre carreguei essas lembran\u00e7as comigo e chegou um momento em que entendi que elas tamb\u00e9m pertencem \u00e0s pessoas que dividiram a estrada com a gente. O processo foi solit\u00e1rio e insistente de certa forma. Revisitar as mem\u00f3rias \u00e9 algo muito pessoal. E foi feito no mesmo esquema de sempre, muito parecido com o esp\u00edrito DIY que sempre guiou minha trajet\u00f3ria na m\u00fasica. \u00c9 sobre fazer acontecer com os recursos dispon\u00edveis e sempre com verdade e (um pouco) de boa vontade.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"EPIS\u00d3DIO #01 Street Bulldogs - Guilherme Camargo e Rodrigo Koala\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-IpGaeOSVZE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0 escreve no Scream &amp; Yell desde 2014.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Street Bulldogs surgiu como um vetor que ajudou a costurar a cena hardcore brasileira de baixo para cima: na base da fita, da carta, do zine, do corre independente.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/12\/entrevista-a-longevidade-do-street-bulldogs-vem-da-combinacao-entre-honestidade-constancia-e-conexao-real-diz-fabio-sonrisal\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":94665,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[8118],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94664"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=94664"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94664\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":94667,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94664\/revisions\/94667"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/94665"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=94664"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=94664"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=94664"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}