{"id":94640,"date":"2026-03-11T01:21:02","date_gmt":"2026-03-11T04:21:02","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=94640"},"modified":"2026-04-15T00:41:42","modified_gmt":"2026-04-15T03:41:42","slug":"entrevista-chris-ballew-fala-de-seu-disco-solo-e-relembra-projetos-com-mark-sandman-beck-e-o-sucesso-com-the-presidents-of-the-usa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/11\/entrevista-chris-ballew-fala-de-seu-disco-solo-e-relembra-projetos-com-mark-sandman-beck-e-o-sucesso-com-the-presidents-of-the-usa\/","title":{"rendered":"Entrevista: Chris Ballew fala de seu disco solo e relembra projetos com Beck, Mark Sandman e The Presidents of the USA"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/hebertonbas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Heberton Barreira<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deitado no sof\u00e1, com a cabe\u00e7a apoiada em um travesseiro e alegando dores nas costas, de bon\u00e9, camisa quadriculada e jeito de moleque, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/chrisballew\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Chris Ballew<\/a>, aos 60 anos, pede desculpas por n\u00e3o estar sentado, mas faz quest\u00e3o de responder a todas as perguntas com fluidez e aten\u00e7\u00e3o aos detalhes. O coelhinho j\u00e1 n\u00e3o salta pelo palco como nos anos 90. Mas o menino dos sapatinhos fofinhos continua vivo nas m\u00e3os de quem sempre transformou a pr\u00f3pria profiss\u00e3o em uma esp\u00e9cie de m\u00fasica de brinquedo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ballew parece destinado aos duos. Tocou como m\u00fasico de rua em Boston ao lado do amigo Phil Franklin, com quem formou o Egg. Mais tarde, criou o Supergroup com Mark Sandman, de quem herdou as ideias minimalistas. Depois de um per\u00edodo acompanhando Beck \u2014 com quem chegou a dividir um apartamento em Los Angeles e tamb\u00e9m a formar um duo por algum tempo \u2014, voltou a Washington e montou o The Presidents of the United States of America com dois amigos: o guitarrista Dave Dederer e o baterista Jason Finn. Em suas palavras, \u201cuma banda de tr\u00eas patetas tentando fazer rock and roll\u201d. O grupo encerrou as atividades em 1997, retornou em 2002 \u2014 em parte gra\u00e7as a Krist Novoselic \u2014, mas a reuni\u00e3o durou pouco e se limitou a apresenta\u00e7\u00f5es espor\u00e1dicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de pendurar a gravata de presidente \u2014 posto que rendeu seis \u00e1lbuns \u2014 e de gravar 19 discos vestindo as cal\u00e7as de beb\u00ea do Caspar Babypants em um prol\u00edfico intervalo de 11 anos, o coelho parece cansado e decidiu armar a rede de flanela para descansar em sua velha e cinzenta Seattle. Permanece, por\u00e9m, na retina de uma gera\u00e7\u00e3o sua imagem franzina e empolgante: dan\u00e7ando, com as m\u00e3ozinhas em gingado, no clipe de \u201cPeaches\u201d; saltando e posando em silhueta com o baixo de duas cordas em \u201cLump\u201d, s\u00edntese do estilo que ele pr\u00f3prio batizou de funge \u2014 fus\u00e3o de fun e grunge \u2014, termo que lamenta n\u00e3o ter lan\u00e7ado \u00e0 \u00e9poca do Presidents.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu \u00faltimo trabalho, \u201c<a href=\"https:\/\/chrisballew.org\/chris-ballew\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Starting To Get Light<\/a>\u201d (2026), integra uma sequ\u00eancia de lan\u00e7amentos semestrais e manifesta seu amor por jams psicod\u00e9licas, groovadas e aconchegantes. A delicadeza nas min\u00facias que relembra, somada \u00e0 ternura do olhar, revela um Chris Ballew paciente, quase zen, que ainda gosta de evocar as marcas na madeira do piano deixadas pelo menino de dois anos que batia nas teclas com um martelo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As m\u00e3os que se movimentam para completar as pr\u00f3prias palavras s\u00e3o as mesmas que continuam presenteando o p\u00fablico que o acompanha de perto. Os \u00e1lbuns dessa fase atual \u2014 assim como os de projetos como The Giraffes, Sampladelic e Egg \u2014 est\u00e3o dispon\u00edveis nas plataformas e tamb\u00e9m em seu site <a href=\"https:\/\/chrisballew.org\/chris-ballew\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">para quem quiser baixar e ouvir<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora tenha alcan\u00e7ado, em certo momento, o topo da montanha com os Presidents nos anos 90, seguiu com seus projetos paralelos, ouvindo sua voz interior para trilhar em vales menores, apenas para aproveitar a estrada, relaxar e assim, ficar. Leia a conversa e ou\u00e7a o disco abaixo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Starting To Get Light\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_n0yAk_bhGlE0A06D0PuGPdbJXEwWk3IPM\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ontem eu estava tirando um cochilo, acordei, coloquei meus \u201cPuffy Little Shoes\u201d (sapatinhos fofinhos) (risos), abri o Instagram \u2014 e de repente o The Presidents estava de volta na SiriusXM. A\u00ed percebi que era o Presidents\u2019 Day nos EUA. Foi uma reuni\u00e3o pontual? Voc\u00eas chegaram a tocar ao vivo?<\/strong><br \/>\n(risos) N\u00e3o. N\u00e3o exatamente. A gente s\u00f3 assumiu a programa\u00e7\u00e3o da r\u00e1dio, tocando algumas m\u00fasicas dos anos 90 e coisas assim. Mas hoje em dia a gente se re\u00fane mais pra almo\u00e7ar e falar de dinheiro. N\u00e3o fazemos m\u00fasica. Ent\u00e3o\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ah, que pena! Mas valeu a tentativa (risos). S\u00f3 uma coisa antes de come\u00e7ar: Go Hawks?<\/strong><br \/>\nClaro! A gente foi l\u00e1 e ganhou tudo. Foi demais. Fui a uma festa de Super Bowl bem divertida com um monte de amigos. E teve uma hora em que o outro time, os Patriots, estava com a bola e antes da jogada come\u00e7ar eu meio que falei: \u201cIntercep\u00e7\u00e3o! Intercep\u00e7\u00e3o! Intercep\u00e7\u00e3o!\u201d Falei em voz alta sete vezes. E o cara dos Patriots lan\u00e7ou uma intercepta\u00e7\u00e3o. Os Seahawks pegaram a bola naquela jogada. Ent\u00e3o eu \u201cprevi\u201d a jogada \u2014 foi muito legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi demais. Ent\u00e3o, vamos come\u00e7ar\u2026 Voc\u00ea j\u00e1 lan\u00e7ou dez discos solo \u2014 \u201cStarting To Get Light\u201d \u00e9 o mais recente \u2014 e descreveu essa fase como se estivesse sendo movido pelo seu amor por aquelas jams psicod\u00e9licas cheias de fuzz, e groovadas. O que essa sequ\u00eancia de discos est\u00e1 te permitindo explorar que nem o The Presidents nem o Caspar Babypants realmente permitiam?<\/strong><br \/>\nEssa m\u00fasica que estou fazendo agora \u00e9, antes de tudo, muito relaxante. Estou fazendo pra mim e pra quem quiser ouvir. Na maioria das vezes fa\u00e7o esses \u00e1lbuns porque quero escut\u00e1-los. Estou pegando m\u00fasicas antigas que estavam inacabadas. Algumas dos anos 80. Ideias velhas que foram muito mal gravadas, mas a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 boa, algumas letras s\u00e3o boas, algumas melodias s\u00e3o boas e alguns timbres tamb\u00e9m. Ent\u00e3o tenho pegado pequenos peda\u00e7os dessas m\u00fasicas antigas e terminado elas, o que \u00e9 muito divertido. Sem press\u00e3o nenhuma, s\u00f3 bons momentos. Sinto que estou no auge da minha capacidade t\u00e9cnica. E eu simplesmente gosto de fazer algo com as m\u00e3os. \u00c9 meio que pra n\u00e3o ficar entediado que estou fazendo isso \u2014 que foi muito do motivo pelo qual formamos bandas nos anos 90: s\u00f3 pra n\u00e3o ficar entediados.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Caspar Babypants - Stompy the Bear\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dqM_zebYsDg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E ao mesmo tempo voc\u00ea tem mergulhado mais <a href=\"https:\/\/chrisballew.org\/art\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">nas artes visuais<\/a> \u2014 desenhar te d\u00e1 um tipo de imers\u00e3o diferente do que a m\u00fasica proporciona?<\/strong><br \/>\nFaz alguns anos que n\u00e3o desenho. \u00c9 engra\u00e7ado, isso vai e volta. De vez em quando fico super inspirado e desenho loucamente, com um estilo totalmente novo e tudo mais \u2014 bem, n\u00e3o totalmente novo, mas levo pra dire\u00e7\u00f5es diferentes. Mas agora estou totalmente focado na m\u00fasica. Mas a arte \u00e9 divertida. Muita coisa vem quando estou meditando, fazendo yoga ou respirando profundamente, pensando na consci\u00eancia e no presente de estar vivo. E de alguma forma essas pequenas formas, ideias e personagens entram em foco durante essas sess\u00f5es. A\u00ed eu desenho pra lembrar daquela sensa\u00e7\u00e3o ou daquela ideia por tr\u00e1s \u2014 ideias sobre consci\u00eancia, sobre ser humano, estar vivo e eventualmente morrer \u2014 todo esse tipo de coisa deliciosamente divertida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 descreveu o Mark Sandman, do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Morphine\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Morphine<\/a>, como um mentor \u2014 voc\u00eas tocaram juntos no Supergroup \u2014 e aquele momento em que ele te enviou a guitarra de duas cordas hoje parece quase simb\u00f3lico. O que voc\u00ea acha que ele estava te passando com aquilo?<\/strong><br \/>\nAcho que a ideia de que menos \u00e9 mais \u2014 ou de que menos j\u00e1 \u00e9 suficiente. Quando eu andava com o Mark meu estilo era cheio de palavras, composi\u00e7\u00e3o super densa, muita atividade, bing bing bing bing, eu era tipo um coelhinho maluco pulando no palco, e o Mark era muito parado e centrado. Acho que ele estava me dizendo: \u201ccalma, fica um pouco mais na sua, mais suave\u201d. Mas n\u00e3o funcionou. Eu sa\u00ed e formei o Presidents e fiquei pulando como um coelho por anos (risos). Mas ele tamb\u00e9m me deu o presente do minimalismo, que eu amo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o voc\u00ea ainda sente a influ\u00eancia dele quando reduz tudo ao m\u00ednimo?<\/strong><br \/>\nCom certeza. Quando estou gravando, muitas vezes coloco coisa demais \u2014 sintetizadores, bateria, violinos, guitarras, baixos, banjos e tudo mais \u2014 e depois come\u00e7o a tirar. Muto as faixas e fa\u00e7o o que chamo de \u2018mute party\u2019. E \u00e9 a\u00ed que a m\u00fasica ganha vida. Esse tipo de minimalismo \u00e9 muito divertido.<\/p>\n<figure id=\"attachment_94641\" aria-describedby=\"caption-attachment-94641\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-94641\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/supergroup.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/supergroup.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/supergroup-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-94641\" class=\"wp-caption-text\"><em>Supergroup: Mark Sandman na guitarra e Chris Ballew no baixo<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea saiu em turn\u00ea com o Beck bem no come\u00e7o, quando tudo ainda estava se formando. O que aprendeu observando ele de perto?<\/strong><br \/>\nNossa, muita coisa! Eu era o \u00fanico da banda que n\u00e3o morava em Los Angeles, ent\u00e3o ele deixou eu morar com ele. A gente virou meio que um duo por um tempo. Sa\u00edamos juntos pra fazer r\u00e1dio \u2014 se ele tinha uma sess\u00e3o numa r\u00e1dio eu ia junto com meu banjinho e a gente tocava. Dirig\u00edamos muito conversando sobre por que achamos que a m\u00fasica \u00e9 importante e o que era bom e ruim no estado da m\u00fasica naquela \u00e9poca, em 1994. Mas principalmente, a criatividade dele era t\u00e3o intensa e incr\u00edvel que eu n\u00e3o entendia como ele conseguia acessar tanta inspira\u00e7\u00e3o t\u00e3o r\u00e1pido. O que ele fazia era puxar de tradi\u00e7\u00f5es antigas \u2014 blues, folk \u2014 coisas atemporais \u2014 e colocar as colagens l\u00edricas modernas e as ideias surrealistas dele em cima de formatos musicais antigos e s\u00f3lidos. Depois, quando fiz o Caspar Babypants, fiz meio que a mesma coisa. Ouvi folk antigo, cantigas de ninar, cantigas infantis e atualizei com minha pr\u00f3pria perspectiva. Aprendi isso com o Beck \u2014 s\u00f3 fui entender anos depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o \u2014 \u201cfunge\u201d \u00e9 fun grunge, certo? Eu vi voc\u00ea falando disso numa entrevista no YouTube. Quais bandas voc\u00ea colocaria nesse mesmo estilo?<\/strong><br \/>\nEu queria ter pensado em \u201cfunge\u201d l\u00e1 em 1994. Teria sido incr\u00edvel (risos), porque perguntavam pra gente o tempo todo: \u201cok, isso foi grunge\u2026 ent\u00e3o o que voc\u00eas s\u00e3o?\u201d E a gente respondia: \u201cN\u00e3o sei!\u201d (risos). A gente falava bastante sobre como viemos da tradi\u00e7\u00e3o musical que existia antes do grunge, que era o party rock de Seattle. Tipo The Kingsmen, The Sonics, The Wailers (The Fabulous Wailers), Young Fresh Fellows, Paul Revere and The Raiders\u2026 E n\u00e3o me entenda mal: eu amei a explos\u00e3o do grunge. Amei a m\u00fasica, amei o Nirvana. Nirvana era o nirvana pra mim. Na verdade, eu estava tentando fazer m\u00fasica tipo Nirvana antes de o Nirvana aparecer. Eu tinha uma guitarrinha de quatro cordas, botava distor\u00e7\u00e3o e tentava capturar alguma coisa. A\u00ed saiu \u201cNevermind\u201d e eu s\u00f3 pensei: \u201cAh, isso a\u00ed \u00e9 muito melhor do que o que eu estava tentando fazer. Vou s\u00f3 ouvir isso.\u201d A gente era diferente, mas o Kim Thayil do Soundgarden era um grande f\u00e3 do Presidents. Ele ia a todos os shows. Eu tinha a sensa\u00e7\u00e3o de que ele meio que defendia a gente pra galera do territ\u00f3rio do grunge, como uma banda que realmente tinha talento e se importava com o que estava fazendo. Ele acabou tocando guitarra no nosso disco de estreia. Ent\u00e3o tivemos um grande endosso de um \u00edcone do grunge.<\/p>\n<figure id=\"attachment_94642\" aria-describedby=\"caption-attachment-94642\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-94642\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/beck.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/beck.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/beck-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/beck-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-94642\" class=\"wp-caption-text\"><em>Beck e Chris Ballew no Cafe Troy, em Los Angeles, 1994<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea e o Dave Dederer t\u00eam aquela hist\u00f3ria cl\u00e1ssica do ensino m\u00e9dio \u2014 voc\u00ea disse que ele era o cara descoado e voc\u00ea o nerd de cabelo tigelinha (risos). Voc\u00ea sentiu que essa din\u00e2mica virou?<\/strong><br \/>\n\u00c9 bem verdade. (risos) O Dave era muito mais cool do que eu. Com certeza. Eu era totalmente invis\u00edvel, ningu\u00e9m mesmo, at\u00e9 come\u00e7ar a tocar piano nos shows de talentos da escola e tal, e a\u00ed as pessoas come\u00e7aram a pensar: \u201cPera\u00ed\u2026 que hist\u00f3ria \u00e9 essa desse garoto?\u201d Mas o Dave era tipo: ele tinha um black loiro, cabelo cacheado, era todo sarado, e ia escalar rochas e tocar rock and roll na guitarra e tudo mais. Ele parecia um n\u00edvel cool absolutamente inalcan\u00e7\u00e1vel (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea come\u00e7ou no piano aos quatro anos, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nSim, comecei a ter aulas de piano aos quatro. Antes disso eu batia no piano com um martelo, quando tinha uns dois anos. Eu ficava martelando, martelando\u2026 e depois, quando tinha quatro, cinco, seis anos e estava praticando, via todas as marcas no piano do martelo que eu tinha usado. Comecei a martelar o piano aos dois, mas a tocar de verdade aos quatro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse garoto ainda est\u00e1 nas suas m\u00e3os quando voc\u00ea toca?<\/strong><br \/>\nAh, essa \u00e9 uma \u00f3tima forma de colocar. Gostei disso: \u201cnas minhas m\u00e3os\u201d. Sim, acho que ele est\u00e1 l\u00e1, principalmente hoje em dia, porque estou experimentando, batendo em coisas estranhas e tentando inventar maneiras de fazer a bateria soar como bateria sem ser bateria. Acho que o garoto ainda est\u00e1 nas minhas m\u00e3os. Gostei disso. Talvez eu roube pra uma letra (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem aquele texto do Ira Robbins <a href=\"https:\/\/trouserpress.com\/reviews\/presidents-of-the-united-states-of-america\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">na Trouser Press<\/a> que chama a banda de \u201cinstantaneamente pegajosa e massivamente irritante\u201d (risos). Ele chega a citar a banda como um misto do funk visceral do Spin Doctors com a extravag\u00e2ncia dada\u00edsta do They Might Be Giants. Hoje voc\u00ea l\u00ea isso como elogio?<\/strong><br \/>\nTudo bem. Acho que jornalistas de m\u00fasica, especialmente naquela \u00e9poca, tinham um tom meio blas\u00e9, tipo: \u201cJ\u00e1 vi de tudo, n\u00e3o te conhe\u00e7o, me impressione\u201d. Sabe? \u201cAqui estamos agora, nos entretenha.\u201d Eu adoro essa frase do Nirvana porque \u00e9 meio esse jeito passivo e entediado de interagir com a criatividade dos outros. No fim das contas isso n\u00e3o me incomoda. Recebi um conselho muito bom da Madonna \u2014 de todas as pessoas \u2014 ela disse: \u201cN\u00e3o fique esperando aclama\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica pelo que voc\u00ea faz, porque sua banda \u00e9 divertida e engra\u00e7ada. E apesar de todo o trabalho que voc\u00ea coloca na sua arte, voc\u00ea n\u00e3o vai ser reconhecido por causa da natureza da sua m\u00fasica, que \u00e9 divertida e pra cima.\u201d Ent\u00e3o eu segui esse conselho e coisas como essa n\u00e3o me incomodam nem um pouco.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Presidents of the United States of America - Lump (Version A) (Official HD Music Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xjwkXYB4nHs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi, de fato, sair da banda naquele momento?<\/strong><br \/>\nNa verdade, acho que n\u00e3o est\u00e1vamos no auge quando sa\u00ed. Foi em 1997. T\u00ednhamos lan\u00e7ado o segundo disco e ele n\u00e3o foi t\u00e3o bem quanto o primeiro, e ainda est\u00e1vamos em turn\u00ea e tudo mais, mas n\u00e3o era t\u00e3o intenso quanto antes. Ent\u00e3o eu sa\u00ed num pequeno vale, n\u00e3o num pico (risos). Eu queria sair no auge \u2014 pensei que talvez pud\u00e9ssemos ser tipo os Sex Pistols e fazer um disco incr\u00edvel e desaparecer \u2014 mas foi tentador demais seguir pela Estrada de Tijolos Amarelos (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando voc\u00eas voltaram em 2002 \u2014 como foi reaprender fisicamente aquelas m\u00fasicas? E o Krist Novoselic teve mesmo culpa nessa reuni\u00e3o?<\/strong><br \/>\nTeve, sim. Durante os cinco anos em que ficamos separados fizemos um disco do Presidents chamado \u201cFreaked Out and Small\u201d. Fizemos um v\u00eddeo com uma performance de cada m\u00fasica com o Duff McKagan, do Guns N\u2019 Roses, no baixo \u2014 ent\u00e3o ele \u00e9 tipo o quarto Beatle (risos). O quarto President. E formamos uma banda e fizemos um disco com o rapper Sir Mix-a-Lot. Mas a\u00ed as pessoas come\u00e7aram a perguntar: &#8220;Bem, voc\u00eas voltariam pra uma reuni\u00e3o?&#8221; E a gente respondia: &#8220;N\u00e3o.&#8221; S\u00f3 que quando o Krist pediu pra gente tocar com ele \u2014 ele ia receber um pr\u00eamio num evento da National Academy of Recording Arts and Sciences pelo ativismo pol\u00edtico \u2014 ele precisava de uma banda e chamou o Presidents. Tocamos quatro m\u00fasicas. Foi muito divertido. Foi a primeira vez que dissemos sim, mesmo n\u00e3o sendo exatamente um show do Presidents. Depois pensamos: \u201cSabe de uma coisa? Est\u00e1 na hora.\u201d E marcamos um show de reuni\u00e3o para o Ano-Novo de 2002. Ensaiar foi incr\u00edvel, porque eu tinha esquecido onde colocar as m\u00e3os, como cantar as m\u00fasicas\u2026 tive que reaprender tudo. E enquanto reaprendia pensava: \u201cMeu Deus, eu amo essas m\u00fasicas!\u201d (risos). Eu as ouvi sem a press\u00e3o associada a elas, sem toda aquela intensidade que a experi\u00eancia de ser contratado e fazer turn\u00ea trazia, que tinha ido embora. E eram s\u00f3 as m\u00fasicas. E eu amo essas m\u00fasicas. Foi como estar na melhor banda cover do Presidents do mundo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Happy And You Know It | Official Trailer | HBO\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fZuvEvNeuFA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aquele document\u00e1rio da HBO, \u201cHappy and You Know It\u201d, lan\u00e7ado no final de 2025, tem sua participa\u00e7\u00e3o destacada ali, como um cara que veio de uma banda alternativa dos anos 90 e se aventurando no mundo de m\u00fasicas infantis, como o Caspar Babypants. Voc\u00ea fala sobre a capacidade que a m\u00fasica tem em criar um v\u00ednculo entre gera\u00e7\u00f5es, m\u00fasica para divertir crian\u00e7as e adultos. Olhando pra tr\u00e1s \u2014 o Presidents j\u00e1 fazia isso sem perceber?<\/strong><br \/>\nAcho que sim. Eu sempre, acho que na composi\u00e7\u00e3o, eu tendo a buscar a inclus\u00e3o, incluir todas as pessoas, independentemente da idade. Consigo imaginar crian\u00e7as pequenas gostando do Presidents. E ou\u00e7o de adultos que deixam os filhos na escola e continuam ouvindo Caspar Babypants. Sem pensar muito sobre isso, eu simplesmente considero toda a humanidade, todas as idades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O p\u00fablico infantil te ensinou a enxergar algo em voc\u00ea que antes voc\u00ea n\u00e3o conseguia?<\/strong><br \/>\nDe certa forma, porque, por alguma raz\u00e3o, sempre tive esse impulso de fazer m\u00fasica que fosse transparente no sentido de mostrar honestamente quem realmente sou. Primeiro tive que descobrir quem eu era, e depois fazer m\u00fasica sem nenhuma pretens\u00e3o. S\u00f3 entendi isso quando o Caspar surgiu. Eu costumava dizer que o Presidents era um planeta: o n\u00facleo era a inoc\u00eancia, e a camada externa era a insinua\u00e7\u00e3o adulta. Funcionava por causa do atrito entre os dois. Com o Caspar eu tirei a camada adulta e ficou s\u00f3 o n\u00facleo inocente. E pensei: \u201cesse sou eu de verdade.\u201d Tocar para crian\u00e7as me fez sentir que cheguei ao fim de uma jornada de vida em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 transpar\u00eancia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Presidents of the United States of America - Peaches (Official HD Music Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3GCrzjVdmSg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na mesma \u00e9poca do lan\u00e7amento do primeiro disco do Presidents, aqui no Brasil aconteceu um fen\u00f4meno: os Mamonas Assassinas \u2014 uma banda totalmente irreverente, pura com\u00e9dia \u2014 e as fam\u00edlias amavam. A banda foi abra\u00e7ada por crian\u00e7as e adultos. A hist\u00f3ria \u00e9 tr\u00e1gica \u2014 eles morreram num acidente de avi\u00e3o em mar\u00e7o de 1996 \u2014 mas as m\u00fasicas ainda carregam essa sensa\u00e7\u00e3o de brincadeira quando tocam. Era alegria coletiva, humor de quinta s\u00e9rie, sem limites (risos). Como voc\u00ea v\u00ea o humor funcionando na m\u00fasica que une gera\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nEu sinto que, se eu n\u00e3o fosse m\u00fasico, minha profiss\u00e3o dos sonhos seria a de comediante de stand-up, porque \u00e9 algo extraordin\u00e1rio. O humor e a risada \u2014 quando as pessoas recebem algo engra\u00e7ado \u2014 quebram o c\u00e9rebro delas por um segundo. D\u00e3o um instante de ilumina\u00e7\u00e3o em que elas n\u00e3o est\u00e3o preocupadas consigo mesmas, com o ego, com dores, com as fric\u00e7\u00f5es do mundo. Naquele momento em que voc\u00ea ri de algo engra\u00e7ado, voc\u00ea \u00e9 um Buda. Voc\u00ea est\u00e1 iluminado (risos). \u00c9 s\u00f3 um segundo, mas est\u00e1 l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E eu tenho tr\u00eas comediantes que amo: Mitch Hedberg, Steven Wright e Emo Philips. Os tr\u00eas criam realidades e depois quebram sua mente. \u00c9 maravilhoso. Ent\u00e3o acho que o humor \u00e9 muito importante porque tamb\u00e9m \u00e9 multigeracional, atravessa linguagem, atravessa tudo. \u00c9 lindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No filme tem uma parte em que um cara diz que n\u00e3o queria ser o pai cool \u2014 tipo: \u201cAqui, filho, isso \u00e9 Captain Beefheart.\u201d Quando voc\u00ea vira pai, se rende a esse universo infantil e de repente percebe que est\u00e1 ouvindo folk o tempo todo. E claro, n\u00e3o tem como escapar da Disney.<\/strong><br \/>\nSim (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um dia eu e minha esposa levamos nossa filha a um desses espet\u00e1culos \u2014 acho que era Disney on Ice \u2014 e de repente apareceu o vocalista de uma banda punk chamada Plebe Rude. Eu cheguei nele e falei: \u201cPhilippe Seabra!!\u201d e ele respondeu na hora: \u201cEu tamb\u00e9m tenho uma filha\u2026\u201d (risos). Ent\u00e3o, se voc\u00ea tem filha, n\u00e3o tem como escapar das m\u00fasicas da Disney \u2014 nem sendo o cantor mais punk do mundo.<\/strong><br \/>\nCom certeza, cara (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E aquele momento do filme em que voc\u00ea explica que na sua composi\u00e7\u00e3o, imagina a fam\u00edlia exausta dentro do carro \u2014 todo mundo com calor, com fome, cansado, irritado, querendo fazer xixi \u2014 e pergunta: \u201cEssa m\u00fasica vai ajudar essa fam\u00edlia?\u201d Parece ser um teste de composi\u00e7\u00e3o muito poderoso. Voc\u00ea ainda pensa nas m\u00fasicas desse jeito?<\/strong><br \/>\nPenso sim. Penso. Acho que cada arco, sabe, os Presidents foram um arco, o Caspar foi um arco, essa coisa nova que estou fazendo agora \u00e9 um arco no qual ainda estou. Eles funcionam quando tenho um prop\u00f3sito e uma paleta. O prop\u00f3sito da m\u00fasica dos Presidents pra mim era fazer uma plateia numa casa noturna se elevar e ficar alegre junto, ao vivo. Na minha opini\u00e3o, nunca descobrimos realmente como fazer discos \u2014 \u00e9ramos uma banda ao vivo. A paleta eram as guitarras de duas e tr\u00eas cordas, a bateria min\u00fascula.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Caspar, o prop\u00f3sito era unir fam\u00edlias. A paleta eram viol\u00f5es, pequenas percuss\u00f5es, tecladinhos. E nessa fase nova o prop\u00f3sito \u00e9 algu\u00e9m colocar fones de ouvido, se deitar e fazer uma viagem psicod\u00e9lica pelo pop. A paleta \u00e9 sintetizadores, guitarras com fuzz, brinquedos quebrados (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, quando estou compondo, penso logo de cara: qual \u00e9 o prop\u00f3sito? Se \u00e9 algu\u00e9m relaxando de fone, n\u00e3o posso colocar uma parte que vai do super silencioso pro super alto muito r\u00e1pido. Isso guia todas as decis\u00f5es criativas. Sen\u00e3o voc\u00ea fica paralisado com op\u00e7\u00f5es demais \u2014 a tal da paralisia da escolha. Por isso amo limita\u00e7\u00f5es. Foi outra coisa que o Mark Sandman me deu com a guitarra de duas cordas: \u201caqui est\u00e1 uma limita\u00e7\u00e3o \u2014 trabalhe com ela\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Caspar Babypants - Googly Eyes\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/a1eZXClDGQ0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 veio ao Brasil?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, nunca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A gente tem m\u00fasica infantil muito interessante aqui \u2014 Palavra Cantada, \u201c<a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2017\/11\/26\/o-segundo-musica-de-brinquedo-do-pato-fu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">M\u00fasica de Brinquedo<\/a>\u201d do Pato Fu, nos anos 90, tinha as trilhas do R\u00e1-Tim-Bum e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/02\/03\/entrevista-bruno-capelas-fala-sobre-o-castelo-ra-tim-bum\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Castelo R\u00e1-Tim-Bum<\/a>, nos anos 2000, ali\u00e1s, at\u00e9 alguns anos atr\u00e1s, o Pequeno Cidad\u00e3o\u2026 voc\u00ea j\u00e1 explorou m\u00fasica infantil de fora dos EUA?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o muito. Eu meio que sa\u00ed da fase do Caspar, mas agora que voc\u00ea falou isso pode ser interessante conferir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea poderia conhecer, por exemplo, o &#8220;M\u00fasica de Brinquedo&#8221; do Pato Fu. Pato Fu \u00e9 uma banda de rock alternativo aqui e \u201cM\u00fasica de Brinquedo\u201d \u00e9 o projeto paralelo deles. Eles tocam todo tipo de instrumento de brinquedo \u2014 guitarras de brinquedo, at\u00e9 uma bateria de brinquedo \u2014 e ajustam tudo para obter o melhor som poss\u00edvel no show. Acho sinceramente que voc\u00ea deveria conhecer alguns artistas como Paulo Tatit, John Ulhoa, Fernanda Takai, Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra\u2026<\/strong><br \/>\nTalvez voc\u00ea possa me mandar esses nomes por e-mail que eu dou uma olhada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com certeza. Quando voc\u00ea diz que \u201cv\u00ea\u201d a m\u00fasica \u2014 como \u00e9 isso? Cor? Forma? Movimento?<\/strong><br \/>\nParece com\u2026 qual \u00e9 o nome dele\u2026 pera\u00ed. Tem um artista\u2026 em quem estou pensando\u2026 Pera\u00ed, vou pesquisar. (Pede para esperar enquanto pesquisa no celular). Quero ter certeza de que vou acertar. Vai valer a pena. Sim, Mir\u00f3 (Joan Mir\u00f3). \u00c9 isso que me vem \u00e0 mente quando vejo, penso sobre m\u00fasica. (Mostra na tela do celular algumas imagens do artista espanhol Joan Mir\u00f3). \u00c9 assim que a m\u00fasica se parece para mim. <em>(mostra imagens).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De alguma forma, isso me lembra<a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?q=porl+thompson+artwork\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> as pinturas do Porl Thompson<\/a>.<\/strong><br \/>\nPorl Thompson?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O cara que era guitarrista do The Cure.<\/strong><br \/>\nAh, s\u00e9rio?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Posso estar enganado, mas a arte dele veio \u00e0 mente.<\/strong><br \/>\nIncr\u00edvel. Vou procurar. Eu descobri um livro\u2026 Eu estava na casa de um amigo. Eles t\u00eam uma grande biblioteca de livros de arte e peguei um livro do Mir\u00f3 e pensei: &#8220;Meu Deus!&#8221; Quer dizer, eu conhecia da faculdade de arte. Estudei arte, ent\u00e3o conhecia o Mir\u00f3, mas realmente me impactou: &#8220;\u00c9 isso! \u00c9 assim que eu vejo a m\u00fasica.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No est\u00fadio voc\u00ea busca a energia do momento e conserta depois ou tenta fazer o take perfeito?<\/strong><br \/>\nO jeito que trabalho agora depende muito do uso do computador para fazer loops. \u00c9 \u00f3timo porque posso pegar meu celular. Talvez eu toque guitarra. Tenho uma pequena ideia de que gosto, pego o celular, gravo. E ent\u00e3o jogo aquela grava\u00e7\u00e3o no Pro Tools, o software de grava\u00e7\u00e3o, e fa\u00e7o um loop de uma se\u00e7\u00e3o. E a partir da\u00ed, vou construindo. Ent\u00e3o, \u00e9 meio que uma combina\u00e7\u00e3o, sabe, algo que parece talvez um pouco desleixado, engra\u00e7ado e estranho, quando voc\u00ea faz o loop, ganha uma vibe de intencionalidade. Com certeza, estou me esfor\u00e7ando para obter a grava\u00e7\u00e3o perfeita, mas \u00e0s vezes n\u00e3o conseguir \u00e9 mais interessante. Acho que \u00e9 uma maneira de colocar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o equipamento m\u00ednimo j\u00e1 basta pra voc\u00ea? Voc\u00ea faz m\u00e1gica com o que tem ou busca o setup perfeito?<\/strong><br \/>\nMeu setup \u00e9 min\u00fasculo e nada profissional (risos). Um microfone, um laptop, uma interface, monitores Focal, um piano Yamaha e um iPad cheio de sintetizadores. Fica no canto de um quarto de h\u00f3spedes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Minimalismo total.<\/strong><br \/>\nExato.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Giraffes - Zero Friction\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ie41hq8GcZQ?list=PLh-nJjzDqW1GV3jmaoxUu1tVI_TOBAmyw\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No seu site <a href=\"https:\/\/chrisballew.org\/the-giraffes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">voc\u00ea descreve o The Giraffes<\/a> como uma banda de mentirinha feita de bonecos e brinquedos \u2014 um espa\u00e7o mais sombrio e solit\u00e1rio. O que isso te permitiu emocionalmente que o Presidents n\u00e3o permitia?<\/strong><br \/>\nEssa \u00e9 uma boa pergunta. Acho que ser mais melanc\u00f3lico, ser meio sombrio. Durante todo o tempo em que estive nos Presidents, tinha essa vozinha dentro de mim dizendo: &#8220;Parab\u00e9ns pelo seu sucesso. Mas voc\u00ea precisa continuar empurrando sua criatividade para novas \u00e1reas. E continuar crescendo.&#8221; A banda, pra mim, era uma paleta limitada. E isso n\u00e3o era ruim. Era apenas o estado das coisas. Eram como cores prim\u00e1rias: vermelho, amarelo, azul, talvez verde e laranja. E s\u00f3. E eu estava sedento por obter todos os outros sons, outros instrumentos, elementos sinf\u00f4nicos, sabe, piano, que foi o que aprendi a tocar, e metais, e todos os tipos de baterias eletr\u00f4nicas e pequenas coisas estranhas. Ent\u00e3o, eu estava realmente sedento por mais cores para brincar e simplesmente decidi que essa seria uma boa maneira de experimentar. Foi como um p\u00e9 na \u00e1gua, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica que estou fazendo atualmente. \u00c9 como se eu n\u00e3o tivesse chegado exatamente l\u00e1 com os Giraffes, mas \u00e9 a coisa mais pr\u00f3xima do que estou fazendo agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aquele v\u00eddeo no YouTube, do Egg em 1988 no Middle East Caf\u00e9 \u00e9 o come\u00e7o de tudo (assista abaixo). Se voc\u00ea e o Phil Franklin assistissem hoje, o que diriam para aqueles dois caras no palco?<\/strong><br \/>\n(risos) Boa pergunta. Voc\u00ea faz boas perguntas. Gosto das suas perguntas. N\u00e3o falo com o Phil h\u00e1 muito tempo, mas acho que quando aquela banda acabou, eu tinha a impress\u00e3o de que o Phil estava meio desanimado com ela. \u00c9 engra\u00e7ado, acabei de encontrar, numa caixa grande de memorabilia que tenho, encontrei um cart\u00e3o postal do Phil e ele dizia o quanto amava a banda. E eu n\u00e3o achava que ele amava, mas ele amava. Aquela era uma banda divertida e d\u00e1 pra reconhecer algumas m\u00fasicas dos Presidents ali: &#8220;Naked and Famous&#8221;, que \u00e9 a m\u00fasica em que o Kim Thayil acabou tocando no nosso \u00e1lbum de estreia. Mas d\u00e1 pra encontrar uma vers\u00e3o de 1988 com o Egg. E o Egg tamb\u00e9m tocava na rua, no metr\u00f4, na Harvard Square, em Boston, e ia pra Nova York de vez em quando. E o Middle East\u2026 Est\u00e1vamos tocando na rua um dia e um cara chamado Billy Ruane, que fazia a programa\u00e7\u00e3o daquele espa\u00e7o de shows, passou por l\u00e1 e nos convidou pra tocar no Middle East. E isso meio que nos conectou com toda aquela cena. Foi uma \u00e9poca muito divertida. Shows super divertidos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Egg (ft. Chris Ballew &amp; Phil Franklin) 11-09-1988 Middle East Cafe\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3JDb7Z162xA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Caspar est\u00e1 mesmo aposentado?<\/strong><br \/>\nSim, por enquanto. Sou muito f\u00e3 do &#8220;nunca diga nunca&#8221;. Porque nunca se sabe, mas\u2026 Fiz 19 \u00e1lbuns, 362 m\u00fasicas e fiz 1300 shows. Acho que j\u00e1 tem material suficiente pra acompanhar a inf\u00e2ncia inteira de algu\u00e9m. Se as m\u00fasicas come\u00e7arem a cair do c\u00e9u de novo, eu volto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para a alegria das crian\u00e7as\u2026 e dos adultos. (risos) Ok\u2026 mais duas, as cl\u00e1ssicas obrigat\u00f3rias. Preciso perguntar\u2026 por raz\u00f5es de esperan\u00e7a. Existe algum cen\u00e1rio \u2014 show beneficente, seus filhos pedindo \u2014 que faria voc\u00ea subir ao palco com o Presidents mais uma vez? Mesmo num formato ac\u00fastico?<\/strong><br \/>\n\u00c9, pensei nessa coisa do ac\u00fastico reduzido. A quest\u00e3o \u00e9: quando sinto nostalgia e volto a assistir v\u00eddeos no YouTube da gente em grandes festivais europeus ou em shows em casas noturnas, o n\u00edvel de energia, a invencibilidade juvenil que a gente simplesmente projetava, esse lado f\u00edsico, de pular, correr, cantar e tocar\u2026 eu sou uma pessoa diferente agora. O Dave bateu num cervo de bicicleta e machucou o ombro. O Jason n\u00e3o toca bateria h\u00e1 anos. Problemas no ombro. Eu tenho neuropatia nos p\u00e9s. Tenho problemas nos cotovelos, de tocar guitarra e usar o mouse no est\u00fadio. Ent\u00e3o, estamos todos quebrados, sabe. Estamos todos avariados. Ent\u00e3o, pensei: &#8220;Ok, e se a gente tocasse ac\u00fastico? E se a gente tivesse um alpendre no palco como cen\u00e1rio?&#8221; E fiz\u00e9ssemos meio que uma encena\u00e7\u00e3o ou algo assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas isso n\u00e3o \u00e9 real\u2026 sabe, as m\u00fasicas foram feitas para serem tocadas alto, ao vivo e com distor\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o foram feitas para serem tocadas daquele jeito, e acho que seria frustrante para todo mundo. Prefiro deixar a gente como est\u00e1. \u00c9 a vers\u00e3o de longo prazo de sair no primeiro disco e virar os Sex Pistols. O jogo de longo prazo ainda \u00e9: gostaria de manter a gente congelado como \u00e9ramos. Porque j\u00e1 fui a shows de reuni\u00e3o em que todo mundo est\u00e1 velho, de outras bandas, e n\u00e3o \u00e9 bom. N\u00e3o \u00e9 bom. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o vamos ter que correr atr\u00e1s do Krist Novoselic de novo\u2026<\/strong><br \/>\n(risos) Se ele pedir, talvez mude de ideia. Visitei ele recentemente na casa dele na floresta. Ele \u00e9 um bom homem.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Presidents of the United States of America ft. Krist Novoselic - &quot;On a Plain&quot; by Nirvana | MoPOP\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QzdhcI3WqyA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E se voc\u00ea pudesse conversar por um minuto com voc\u00ea mesmo em 1995 \u2014 no auge de \u201cLump\u201d \u2014 o que diria?<\/strong><br \/>\n(Fecha os olhos, respira fundo.) Eu diria: aproveite cada minuto do que est\u00e1 acontecendo, pegue mais leve, tenha paci\u00eancia e continue com o que funciona. Eu realmente queria que no nosso segundo disco \u2014 n\u00famero um, tiv\u00e9ssemos tirado um tempo para nos recompor, e n\u00famero dois, queria que tiv\u00e9ssemos continuado com o Conrad Uno no Egg Studios, onde fizemos nosso primeiro disco. Simplesmente continuar com aquilo. Em vez disso, fomos para um est\u00fadio grande, com equipamento grande e tudo grande, grande, grande. (risos) E n\u00e3o tinha a mesma vibe charmosa e compacta. Ent\u00e3o, eu diria \u00e0quela pessoa que o que funciona para essa banda \u00e9 o atrito entre quem voc\u00ea \u00e9 e o que est\u00e1 tentando fazer. Voc\u00ea est\u00e1 tentando fazer rock. Voc\u00eas s\u00e3o tr\u00eas nerds tentando fazer rock. E esse &#8220;tentar&#8221; faz com que a plateia tor\u00e7a por voc\u00eas e sinta empatia, tipo: &#8220;Ah, olha aquela bandinha ali tentando fazer rock. Eu amo eles. Quero colocar eles no meu bolso.&#8221; Em vez do que nos tornamos, que era apenas uma banda de rock comum que tinha que entregar num grande show de festival, e isso meio que infectou tudo o que faz\u00edamos e nos fez sentir que \u00e9ramos, sei l\u00e1, mais importantes do que \u00e9ramos. Ent\u00e3o, essas s\u00e3o todas as coisas que eu diria. Eu simplesmente diria: relaxa, aproveita o passeio, continue pequeno e pegue mais leve.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Presidents Of The United States of America - Lump (Live on 2 Meter Sessions, 1996)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/M90Vf_81OT0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Presidents of the United States of America - Peaches (Live on 2 Meter Sessions)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3l6BlPGxmag?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Presidents Of The USA - MTV Live From Mount Rushmore (Better quality)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OzCUPq8928U?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/hebertonbas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Heberton Barreira<\/a> \u00e9 estudante de jornalismo, bandolinista lo-fi.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Embora tenha alcan\u00e7ado, em certo momento, o topo da montanha com os Presidents nos anos 90, Chris segue com seus projetos paralelos\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/11\/entrevista-chris-ballew-fala-de-seu-disco-solo-e-relembra-projetos-com-mark-sandman-beck-e-o-sucesso-com-the-presidents-of-the-usa\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":164,"featured_media":94643,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[8116],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94640"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/164"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=94640"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94640\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":94653,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94640\/revisions\/94653"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/94643"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=94640"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=94640"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=94640"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}