{"id":94619,"date":"2026-03-09T09:18:41","date_gmt":"2026-03-09T12:18:41","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=94619"},"modified":"2026-04-08T00:53:48","modified_gmt":"2026-04-08T03:53:48","slug":"entrevista-a-musica-ao-vivo-nunca-vai-acabar-apostam-os-irlandeses-do-ye-vagabonds-com-o-novo-disco-all-tied-together","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/09\/entrevista-a-musica-ao-vivo-nunca-vai-acabar-apostam-os-irlandeses-do-ye-vagabonds-com-o-novo-disco-all-tied-together\/","title":{"rendered":"Entrevista: \u201cA m\u00fasica ao vivo nunca vai acabar\u201d, apostam os irlandeses do Ye Vagabonds com o disco &#8220;All Tied Together\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ociocretino\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s mais de uma d\u00e9cada lapidando um folk de harmonias delicadas entoadas entre os irm\u00e3os Br\u00edan e Diarmuid Mac Gloinn, o duo <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/yevagabonds\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ye Vagabonds<\/a> chegou agora ao ponto mais maduro de sua trajet\u00f3ria. \u201c<a href=\"https:\/\/yevagabonds.ffm.to\/alltiedtogether\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">All Tied Together<\/a>\u201d (2025) &#8211; lan\u00e7ado em janeiro pelo selo River Lea, da Rough Trade Records &#8211; sintetiza o caminho iniciado no EP \u201cRose &amp; Briar\u201d (2015) e desenvolvido nos discos \u201cYe Vagabonds\u201d (2017), \u201cThe Hare\u2019s Lament\u201d (2019) e \u201cNine Waves\u201d (2022), consolidando a identidade autoral da dupla.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNeste \u00e1lbum parece que finalmente chegamos a um lugar para o qual v\u00ednhamos rumando h\u00e1 muito tempo\u201d, conta Br\u00edan. \u201cA gente vem se movendo nessa dire\u00e7\u00e3o por todos esses 11 ou 12 anos em que somos uma banda. Ent\u00e3o, de certa forma, parece que finalmente fizemos o \u00e1lbum que sempre quisemos fazer, o que \u00e9 muito legal\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gravado quase que totalmente ao vivo em uma casa em Galway, na Irlanda, sob produ\u00e7\u00e3o de Philip Weinrobe &#8211; conhecido por trabalhos com Big Thief e Adrienne Lenker -, o disco aposta em sess\u00f5es espont\u00e2neas, gravadas sem o uso de fones, com todos os m\u00fasicos no mesmo ambiente e evitando distra\u00e7\u00f5es de smartphones. O resultado \u00e9 um som mais org\u00e2nico e cinematogr\u00e1fico, centrado nas harmonias vocais que se tornaram marca registrada da dupla.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Profundamente ligado a mem\u00f3rias de lugares e rela\u00e7\u00f5es dos irm\u00e3os, \u201c<a href=\"https:\/\/yevagabonds.ffm.to\/alltiedtogether\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">All Tied Together<\/a>\u201d atravessa temas como a passagem do tempo e transi\u00e7\u00f5es entre comunidades locais, com can\u00e7\u00f5es que funcionam quase como contos musicais. Por exemplo, a faixa The Flood\u201d, que tamb\u00e9m inspira o t\u00edtulo do \u00e1lbum com um verso da letra, revisita a efervescente cena art\u00edstica e pol\u00edtica de Dublin de uma d\u00e9cada atr\u00e1s. \u201cEst\u00e1vamos na casa dos 20 anos e t\u00ednhamos acabado de conhecer algumas pessoas que eram punks e squatters, era um per\u00edodo muito vibrante\u201d, relembra Diarmuid.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Musicalmente, o disco expande o universo do duo com a presen\u00e7a de colaboradores como Shahzad Ismaily e Sam Amidon, al\u00e9m de um conjunto de instrumentistas que refor\u00e7a o car\u00e1ter coletivo das sess\u00f5es ao vivo. O primeiro single, \u201cOn Sitric Road\u201d, apresentou essa nova fase com um registro intimista filmado em Dublin, enquanto \u201cThe Flood\u201d trouxe uma dimens\u00e3o mais cinematogr\u00e1fica ao projeto. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 uma faixa como &#8220;Danny\u201d com a participa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios m\u00fasicos, justamente para corroborar esse senso de comunidade que permeia o \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAcho que o fato de nossas experi\u00eancias estarem cada vez mais atomizadas e abstra\u00eddas umas das outras e do mundo por meio da experi\u00eancia online faz com que a necessidade de um senso de coletividade cres\u00e7a quase em paralelo&#8221;, pontua Diarmuid. \u201c\u00c0 medida que o mundo fica cada vez mais online, e que a IA se torna cada vez mais presente, mais profunda se torna a nossa necessidade de conex\u00e3o e de estar junto. E \u00e9 por isso que acredito que a m\u00fasica ao vivo nunca vai acabar\u201d, profetiza o m\u00fasico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa com o Scream &amp; Yell a seguir, Br\u00edan e Diarmuid falam via Zoom sobre o processo criativo do disco, a filosofia por tr\u00e1s das grava\u00e7\u00f5es, as hist\u00f3rias que inspiraram o \u00e1lbum e o que esperam do futuro, incluindo o desejo de tocar na Am\u00e9rica Latina e Brasil.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"All Tied Together\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nE2QLh4dD8tzPGHpYZWDgl3gXZyNS7HFs\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Oi, pessoal. Como voc\u00eas est\u00e3o?<\/strong><br \/>\nBr\u00edan: Oi, tudo bem? Estamos em New Orleans agora. Na verdade, est\u00e1 quente em New Orleans\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>New Orleans <a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/?s=New+Orleans\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00e9 uma cidade legal<\/a>. Voc\u00eas v\u00e3o tocar por a\u00ed?<\/strong><br \/>\nBr\u00edan: Vamos encontrar algumas pessoas de umas r\u00e1dios aqui. Ent\u00e3o estamos meio que passeando e conhecendo pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas j\u00e1 conhecem a cidade?<\/strong><br \/>\nDiarmuid: N\u00e3o, \u00e9 a nossa primeira vez aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Br\u00edan: Mas n\u00f3s temos muitos amigos em New Orleans.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diarmuid: Quase parece que a gente j\u00e1 conhece a cidade, porque temos muitos amigos que passaram por aqui, especialmente ao longo dos anos. Nos \u00faltimos dez anos, conhecemos muitos m\u00fasicos que vieram para c\u00e1 e moraram aqui, e eles meio que trouxeram a atmosfera com eles. Ent\u00e3o nos parece familiar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando sobre o novo disco \u201cAll Tied Together\u201d, que saiu no fim de janeiro: gostaria de saber como voc\u00eas enxergam a evolu\u00e7\u00e3o de voc\u00eas desde o primeiro EP, \u201cRose and Brier\u201d, de 2015, o \u00e1lbum de estreia de 2017, at\u00e9 esse novo lan\u00e7amento.<\/strong><br \/>\nBr\u00edan: \u00c9 engra\u00e7ado, porque de certa forma neste \u00e1lbum parece que finalmente chegamos a um lugar para o qual v\u00ednhamos rumando h\u00e1 muito tempo. A gente vem se movendo nessa dire\u00e7\u00e3o por todos esses 11 ou 12 anos em que somos uma banda. Ent\u00e3o, de certa forma, parece que finalmente fizemos o \u00e1lbum que sempre quisemos fazer, o que \u00e9 muito legal. N\u00e3o poder\u00edamos ter feito esse \u00e1lbum dez anos atr\u00e1s. N\u00f3s n\u00e3o \u00e9ramos os m\u00fasicos e compositores que somos agora. Ele \u00e9 um reflexo de tudo o que fizemos nos \u00faltimos 10 ou 11 anos e tamb\u00e9m uma resposta a tudo isso, eu acho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que inspirou o t\u00edtulo do novo \u00e1lbum e como ele se conecta com as novas m\u00fasicas?<\/strong><br \/>\nDiarmuid: Muitas das m\u00fasicas novas s\u00e3o relacionadas \u00e0 Dublin de cerca de 10 ou 12 anos atr\u00e1s, quando encontramos pela primeira vez essa comunidade musical que tamb\u00e9m era uma esp\u00e9cie de cena pol\u00edtica de base. Est\u00e1vamos na casa dos 20 anos e t\u00ednhamos acabado de conhecer algumas dessas pessoas de New Orleans que chegaram l\u00e1. Algumas delas eram punks e squatters de Dublin, e era um per\u00edodo muito vibrante. E o que realmente aconteceu naquela \u00e9poca foi que uma comunidade se formou, especialmente em torno de ocupa\u00e7\u00f5es. Havia esse tipo de complexo ocupado, um grupo de cerca de 40 e poucas pessoas que ocuparam um galp\u00e3o em Dublin, em meio a uma crise habitacional que ainda continua em Dublin e s\u00f3 piora cada vez mais. Essas pessoas estavam respondendo \u00e0 crise por meio de a\u00e7\u00e3o direta, ocupando espa\u00e7os. Elas ocuparam esse galp\u00e3o e criaram hortas comunit\u00e1rias, espa\u00e7os de performance, espa\u00e7os de arte\u2026 Era uma cena muito vibrante e um modo de vida meio ca\u00f3tico. N\u00f3s est\u00e1vamos mais na periferia dessa cena, mais envolvidos no lado criativo e menos na a\u00e7\u00e3o direta, porque \u00e9ramos m\u00fasicos constantemente em turn\u00ea na \u00e9poca. Ent\u00e3o era uma comunidade meio provis\u00f3ria que se formava, e a qualquer momento as pessoas podiam estar conectadas por ocupar uma casa em algum lugar e, com um dia de aviso, serem despejadas e desaparecerem. E aquele grupo de pessoas que estava todo ligado acabava se desfazendo. Isso parecia resumir bem o sentimento daquela \u00e9poca, essa comunidade provis\u00f3ria de pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Br\u00edan: Bom, aquela frase da m\u00fasica \u201cThe Flood\u201d&#8230; \u201cHouve um tempo em que nos mant\u00ednhamos flutuando, todos amarrados, subindo e descendo.\u201d De certa forma, fala sobre como essa comunidade podia ser muito prec\u00e1ria. \u00c0s vezes existem apenas fios muito finos segurando as pessoas juntas, e naquele caso essa comunidade estava meio distante. Mas, por outro lado, esse \u201ctodos amarrados\u201d como tema aponta para a ideia de que tudo est\u00e1 conectado, que cada hist\u00f3ria de cada m\u00fasica do \u00e1lbum se conecta \u00e0s outras. Algu\u00e9m que foi meio deixado para tr\u00e1s quando \u00e9ramos mais jovens\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diarmuid: \u2026ou algu\u00e9m encontrando estabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Br\u00edan: \u2026ou encontrando estabilidade, ou a sensa\u00e7\u00e3o da passagem do tempo, percebendo que voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 mais no in\u00edcio dos seus 20 anos e que aquela longa noite que voc\u00ea achava que nunca iria acabar, na verdade acabou. Todas essas coisas est\u00e3o conectadas. Tudo est\u00e1 ligado. E tudo isso s\u00e3o partes de uma \u00fanica hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-94623 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/ye2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"448\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/ye2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/ye2-300x179.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 interessante a forma como voc\u00eas pensaram no t\u00edtulo, o verso da m\u00fasica e como essas coisas est\u00e3o conectadas, porque hoje em dia estamos vivendo muita individualidade por causa das redes sociais. Voc\u00eas pensam sobre isso? Como lidam com as redes sociais?<\/strong><br \/>\nBr\u00edan: Bom, \u00e9 algo em que pensamos bastante. Uma das m\u00fasicas do nosso \u00e1lbum anterior [\u201cAn Island\u201d] tem o verso \u201csozinhos e juntos \u00e9 tudo o que jamais seremos\u201d, que foi inspirado por um pensamento durante o lockdown. Acho que foi quando isso ficou mais evidente durante os confinamentos e a pandemia. O que realmente tentamos fazer com a nossa m\u00fasica \u00e9 criar um grande espa\u00e7o inclusivo no qual as pessoas possam entrar e participar. \u00c9 m\u00fasica para ser vivida e participada, n\u00e3o apenas observada. Ent\u00e3o fazemos o poss\u00edvel para envolver as pessoas, o p\u00fablico, criar algo com que as pessoas possam cantar juntas, fazer com que elas se sintam parte de algo maior, e n\u00e3o apenas indiv\u00edduos. Esse \u00e9 um grande objetivo nosso, \u00e9 um ponto muito importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diarmuid: Sim. Acho que o fato de nossas experi\u00eancias estarem cada vez mais atomizadas e abstra\u00eddas umas das outras e do mundo por meio da experi\u00eancia online faz com que a necessidade de um senso de coletividade cres\u00e7a quase em paralelo. \u00c9 uma necessidade que esperamos conseguir abordar de alguma forma. Acho que \u00e9 disso que se tratam os encontros culturais, no fim das contas. \u00c0 medida que o mundo fica cada vez mais online, e que a IA se torna cada vez mais presente, mais profunda se torna a nossa necessidade de conex\u00e3o e de estar junto. E \u00e9 por isso que acredito que a m\u00fasica ao vivo nunca vai acabar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Assisti ao videoclipe de &#8220;The Flood\u201d e achei muito bonito. Parece ter sido filmado em um \u00fanico take, e imagino que tenha sido dif\u00edcil de fazer. O v\u00eddeo basicamente mostra o Jimmy Southward dan\u00e7ando, e voc\u00eas n\u00e3o aparecem nele, mas tiveram algum envolvimento na ideia do v\u00eddeo?<\/strong><br \/>\nBr\u00edan: Ah, sim. N\u00f3s estivemos muito envolvidos no conceito e na escrita do roteiro, de certa forma. Ent\u00e3o, sim, est\u00e1vamos absolutamente envolvidos na cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diarmuid: Foi um processo colaborativo entre n\u00f3s, o cineasta Ellias Grace e o Jimmy tamb\u00e9m. Acho que o que torna o v\u00eddeo forte \u00e9 justamente essa abertura \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Br\u00edan: E n\u00f3s quer\u00edamos fazer em um \u00fanico take porque seria o equivalente em v\u00eddeo de gravar um \u00e1lbum ao vivo, sabe? \u00c9 parecido. Voc\u00ea tem que seguir o fluxo, ter um pouco de adrenalina no corpo e pensar r\u00e1pido. N\u00e3o \u00e9 como reconstruir algo manipulando o tempo. Voc\u00ea v\u00ea tudo acontecendo ali, na sua frente. E, como espectador, acho que isso fica evidentemente mais interessante tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ye Vagabonds - The Flood (Official Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Z2nT790QSW0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Legal. Este \u00e9 o primeiro \u00e1lbum em que voc\u00eas trabalharam com o produtor Philip Weinrobe. Como foi trabalhar com ele em est\u00fadio? O que voc\u00eas acham que ele trouxe para o som da banda?<\/strong><br \/>\nBr\u00edan: Foi um processo incr\u00edvel. O Phil tem um m\u00e9todo muito forte, muito bem definido, e ele \u00e9 focado na m\u00fasica e nas letras. Ent\u00e3o t\u00ednhamos um plano e o seguimos, o plano do Phil. T\u00ednhamos que come\u00e7ar muito cedo todos os dias. Gravamos em uma casa, em vez de um est\u00fadio. Gravamos tudo ao vivo, em vez de fazer overdubs e construir o \u00e1lbum depois. Ningu\u00e9m usava fones de ouvido. N\u00e3o havia fones nem celulares por perto. T\u00ednhamos que deixar os celulares bem longe da sala. Sem sapatos [risos], todo mundo bem pr\u00f3ximo. Todo mundo olhando para as letras o tempo todo. Isso criou um foco muito bonito na m\u00fasica, porque t\u00ednhamos uma estrutura a seguir, todo mundo podia ver o que estava acontecendo, e tudo girava em torno do texto e das letras. O Phil tinha uma abordagem muito bonita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diarmuid: Ele tem uma filosofia incr\u00edvel, \u00e9 muito filos\u00f3fico. Antes de nos reunirmos para gravar na casa, ele nos incentivou a ler o mesmo livro. Era um livro que ele queria que l\u00eassemos por causa das ideias filos\u00f3ficas, e \u00e9 literalmente uma conversa. O livro se chama \u201cThe Conversation\u201d e \u00e9 uma conversa entre Michael Ondaatje e Walter Murch (NE: \u201cThe Conversations: Walter Murch and the Art of Editing Film\u201d), o grande editor de cinema, e Michael, o autor. Basicamente, \u00e9 sobre o processo criativo, sobre edi\u00e7\u00e3o, sobre muitas coisas. O Philip achou que, se l\u00eassemos o mesmo livro, isso nos colocaria na mesma sintonia. At\u00e9 esses pequenos detalhes tornaram o processo especial, diferente de outras experi\u00eancias de grava\u00e7\u00e3o que j\u00e1 tivemos. Com certeza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando sobre processo criativo, como voc\u00eas costumam escrever suas m\u00fasicas? Voc\u00eas t\u00eam algum tipo de ritual ou cada m\u00fasica segue seu pr\u00f3prio caminho?<\/strong><br \/>\nDiarmuid: Acho que nosso processo evoluiu bastante ao longo da escrita desse \u00e1lbum. O que tentamos fazer foi aplicar consist\u00eancia; basicamente aparecer todos os dias para compor. Ir para a mesa todos os dias escrever, por quase um ano. Dentro desse ano, testamos muitos processos e truques diferentes. Mas a consist\u00eancia foi a principal coisa. Sempre aparecer, sempre estar ali, sempre sentar \u00e0 mesa e escrever todos os dias. Essa foi a \u00fanica constante. E se voc\u00ea faz isso e continua aplicando processos diferentes, voc\u00ea deixa espa\u00e7o para que a inspira\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a. Como dizem, a musa gosta de encontrar voc\u00ea trabalhando, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Br\u00edan: Uma coisa que fazemos que \u00e9 bem interessante, \u00e9 que temos uma liga\u00e7\u00e3o muito forte com a tradi\u00e7\u00e3o do canto na Irlanda. Existe uma tradi\u00e7\u00e3o oral muito viva e multigeracional. Parte dessa tradi\u00e7\u00e3o envolve voc\u00ea ouvir algu\u00e9m cantando uma m\u00fasica, lembrar dela e cant\u00e1-la depois, mas a nossa mem\u00f3ria n\u00e3o lembra perfeitamente de tudo. A gente n\u00e3o lembra em alta defini\u00e7\u00e3o, lembramos com a imagina\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o h\u00e1 m\u00fasicas que aprendemos com outros cantores e que cantamos hoje de forma completamente diferente quando voltamos a ouvir uma grava\u00e7\u00e3o original. Sem perceber, fizemos pequenas mudan\u00e7as. Um processo que trouxemos para a nossa composi\u00e7\u00e3o \u00e9 que, muitas vezes, um de n\u00f3s escreve uma m\u00fasica e mostra para o outro, e o outro canta essa m\u00fasica. Assim, ele ouve a can\u00e7\u00e3o sob outra perspectiva. \u00c0s vezes eu esque\u00e7o exatamente como era a melodia, e ele n\u00e3o me corrige, apenas deixa acontecer, escuta a diferen\u00e7a e pensa \u201cisso \u00e9 interessante, eu gosto disso\u201d ou \u201cn\u00e3o gosto disso\u201d. \u00c9 uma das coisas com as quais brincamos. H\u00e1 muito mais envolvido, na verdade. Tentamos muitos m\u00e9todos diferentes, e como o Diarmuid disse, a rotina \u00e9 o mais importante. Tratamos isso como exerc\u00edcio e como ritual. \u00c9 algo que precisamos fazer todos os dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu sei que \u00e9 dif\u00edcil escolher uma, mas qual \u00e9 a m\u00fasica favorita de voc\u00eas entre as 12 que gravaram?<\/strong><br \/>\nBr\u00edan: \u201cDanny\u201d \u00e9 provavelmente a que mais nos empolga. Tivemos que escolher uma como single, mas achamos que seria errado lan\u00e7\u00e1-la primeiro, porque h\u00e1 nove m\u00fasicos tocando nessa m\u00fasica. Assim como \u201cThe Flood\u201d, n\u00f3s a gravamos no mesmo dia com Sam Amidon. Ent\u00e3o lan\u00e7ar essa faixa primeiro seria uma representa\u00e7\u00e3o equivocada do \u00e1lbum. Mas \u00e9 provavelmente a m\u00fasica que mais nos empolga e uma das grava\u00e7\u00f5es que mais nos animam. Mesmo ouvindo agora, ainda fico empolgado com ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diarmuid: Totalmente. At\u00e9 o processo de escrev\u00ea-la e as descobertas que foram acontecendo ao longo do caminho foram muito empolgantes para n\u00f3s. Acho que ela abriu um caminho para um jeito de escrever que eu adoraria explorar mais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ye Vagabonds - Danny (Official Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EtUEN7N7yZM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Legal. Eu sei que voc\u00eas v\u00e3o fazer turn\u00ea pelos Estados Unidos, Europa e Irlanda. Mas voc\u00eas j\u00e1 t\u00eam planos para uma turn\u00ea pela Am\u00e9rica Latina, do Sul ou Brasil?<\/strong><br \/>\nDiarmuid: Adorar\u00edamos. Adorar\u00edamos mesmo. Ainda n\u00e3o temos planos, mas esperamos que, como temos feito mais entrevistas com r\u00e1dios e revistas latinas, talvez isso aconte\u00e7a em breve. Essa \u00e9 a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Br\u00edan: Sim. Eu viajei um pouco pelo M\u00e9xico e pela Am\u00e9rica Central, e o Diarmuid viajou um pouco pela Col\u00f4mbia. A gente adora essa parte do mundo, \u00e9 enorme, \u00e9 incr\u00edvel\u2026 e seria muito legal se conectar com m\u00fasicos de l\u00e1, com certeza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diarmuid: A gente ama muitas m\u00fasicas dessa parte do mundo h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Br\u00edan: E o ateli\u00ea onde trabalhamos todos os dias, fica em um bairro meio brasileiro de Dublin.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diarmuid: Na verdade, virou meio que o bairro brasileiro mesmo. O neg\u00f3cio que divide o pr\u00e9dio com a gente \u00e9 um caf\u00e9 brasileiro. Ent\u00e3o, quando est\u00e1vamos ensaiando antes dessa turn\u00ea, a gente descia para pegar coxinhas e caf\u00e9, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Legal. Ent\u00e3o, como brasileiro, por favor, venham tocar aqui e a gente garante muitas coxinhas para voc\u00eas [risos]! N\u00e3o sei se voc\u00eas s\u00e3o f\u00e3s de cacha\u00e7a, bebidas alco\u00f3licas e coisas assim. Voc\u00eas bebem \u00e1lcool?<\/strong><br \/>\nBr\u00edan: Eu n\u00e3o. Diarmuid tamb\u00e9m n\u00e3o bebe muito\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bom, talvez voc\u00eas possam dar s\u00f3 um gole para conhecer [risos]<\/strong><br \/>\nBr\u00edan: Beleza! [risos]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Minha \u00faltima pergunta: al\u00e9m da turn\u00ea, quais s\u00e3o os planos de voc\u00eas para o futuro pr\u00f3ximo?<\/strong><br \/>\nDiarmuid: Queremos come\u00e7ar a escrever as pr\u00f3ximas m\u00fasicas. Na verdade, j\u00e1 estamos come\u00e7ando a fazer isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Br\u00edan: Escrever \u00e9 simplesmente a melhor coisa. A gente ama isso. Escrever e fazer discos \u00e9 o que a gente mais gosta de fazer. Estamos bem felizes com o momento em que estamos na vida agora. Se pudermos continuar fazendo isso, seria \u00f3timo. Se pudermos continuar de forma sustent\u00e1vel, para nossas vidas, para nossas fam\u00edlias, e conseguir sustentar nossa vida desse jeito, seria muito legal.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ye Vagabonds - Mayfly (Live at The Lilliput Press)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WuCEC2kXlHY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ye Vagabonds - On Sitric Road (Live at The Lilliput Press)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hk0kPPyYqf8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ye Vagabonds - &quot;On Sitric Road&quot; - San Francisco, February 13th 2026\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/k4I_6qmw_d0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ap\u00f3s mais de uma d\u00e9cada lapidando um folk de harmonias delicadas, o duo Ye Vagabonds chegou agora ao ponto mais maduro de sua trajet\u00f3ria.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/09\/entrevista-a-musica-ao-vivo-nunca-vai-acabar-apostam-os-irlandeses-do-ye-vagabonds-com-o-novo-disco-all-tied-together\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":94624,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[8115],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94619"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=94619"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94619\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":94626,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94619\/revisions\/94626"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/94624"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=94619"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=94619"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=94619"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}