{"id":94604,"date":"2026-03-07T09:37:50","date_gmt":"2026-03-07T12:37:50","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=94604"},"modified":"2026-04-06T01:47:27","modified_gmt":"2026-04-06T04:47:27","slug":"faixa-a-faixa-conheca-divertimento-album-que-une-o-trio-retrato-brasileiro-com-o-pianista-marcelo-onofri","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/07\/faixa-a-faixa-conheca-divertimento-album-que-une-o-trio-retrato-brasileiro-com-o-pianista-marcelo-onofri\/","title":{"rendered":"Faixa a faixa: Conhe\u00e7a &#8220;Divertimento&#8221;, \u00e1lbum que une o trio Retrato Brasileiro \u00e0 Marcelo Onofri"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>faixa a faixa por <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DVOhOtuDla-\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Gabriel Peregrino<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Composto por Gabriel Peregrino (vibrafone), Guilherme Saka (guitarra) e Th\u00e9o Fraga (contrabaixo), o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/retrato.brasileiro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Retrato Brasileiro<\/a> prop\u00f5e em &#8220;<a href=\"https:\/\/tratore.ffm.to\/p2koaey\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Divertimento<\/a>&#8221; (2026), ao lado de Marcelo Onofri (piano), uma sonoridade pouco convencional dentro da m\u00fasica instrumental brasileira, sem bateria e com forte di\u00e1logo entre timbres, contrapontos e narrativas. \u201cApesar de a maioria das obras j\u00e1 terem sido gravadas em algum momento da carreira do Marcelo, ele nunca havia trabalhado com essa forma\u00e7\u00e3o. A guitarra el\u00e9trica e o vibrafone trouxeram uma nova cor para m\u00fasicas que ele j\u00e1 havia gravado em outros contextos, fomos desenvolvendo juntos os arranjos e sentindo quais pe\u00e7as encaixavam melhor no conjunto que quer\u00edamos construir\u201d, explica o trio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Musicalmente, as obras de Onofri s\u00e3o compostas a partir de uma fus\u00e3o entre refer\u00eancias da m\u00fasica de concerto (Bach, Ravel), da m\u00fasica brasileira (Tom Jobim, Gilberto Gil) e da tradi\u00e7\u00e3o latino-americana, como em \u201cTragitango\u201d, homenagem a Astor Piazzolla. O t\u00edtulo &#8220;<a href=\"https:\/\/tratore.ffm.to\/p2koaey\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Divertimento<\/a>&#8221; sintetiza tanto a est\u00e9tica musical quanto o processo de cria\u00e7\u00e3o do disco. Al\u00e9m de remeter \u00e0 ideia de pe\u00e7as camer\u00edsticas, o nome traduz o clima de troca, experimenta\u00e7\u00e3o e prazer coletivo que marcou os ensaios e grava\u00e7\u00f5es. \u201c\u00c9 um disco muito energ\u00e9tico, diverso e divertido de ouvir. Uma homenagem que tamb\u00e9m \u00e9 um encontro de amizades\u201d, define o trio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora a maioria das faixas j\u00e1 existisse no repert\u00f3rio de Marcelo, &#8220;<a href=\"https:\/\/tratore.ffm.to\/p2koaey\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Divertimento<\/a>&#8221; apresenta uma composi\u00e7\u00e3o totalmente in\u00e9dita, escrita por Onofri durante os pr\u00f3prios ensaios de grava\u00e7\u00e3o: \u201cAmoraefrans\u201d, m\u00fasica dedicada aos sobrinhos de Marcelo, nascidos durante a pandemia do Covid-19, uma can\u00e7\u00e3o que foi constru\u00edda coletivamente em um processo artesanal. \u201cFoi muito interessante, porque pudemos acompanhar de perto o modo como o Marcelo comp\u00f5e, com a gente participando ativamente, quase como um laborat\u00f3rio. Em alguns momentos, a gente parava de tocar e ele continuava ao piano, improvisando ou j\u00e1 compondo algo novo, como se aquilo j\u00e1 estivesse escrito h\u00e1 muito tempo\u201d, relembra Gabriel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro destaque \u00e9 \u201cKabrum\u201d, faixa que incorpora uma poesia do pr\u00f3prio Onofri, originalmente publicada em seu \u00e1lbum &#8220;Tempor\u00e2neo&#8221; (2008). No novo disco, o poema surge recitado, criando um raro momento de palavra dentro de um trabalho majoritariamente instrumental. A pe\u00e7a funciona como um mantra introspectivo, inspirado em dias de chuva e recolhimento. Fortemente influenciado pela m\u00fasica erudita e pelas artes c\u00eanicas, Marcelo Onofri concebe suas obras como personagens em movimento. \u201cEle pensa as melodias como se fossem cenas: di\u00e1logos, caminhadas, encontros. Muitas faixas parecem trilhas de filmes que n\u00e3o existem\u201d, explica o grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A arte da capa \u00e9 assinada pela ilustradora <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/malubragante.art\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Malu Bragante<\/a>. A artista acompanhou ensaios do grupo e desenvolveu uma ilustra\u00e7\u00e3o inspirada nos m\u00fasicos e em seus instrumentos, evitando a fotografia tradicional e apostando em um retrato l\u00fadico e sens\u00edvel, tamb\u00e9m artesanal como a constru\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum. &#8220;Divertimento&#8221; tamb\u00e9m marca um momento especial na trajet\u00f3ria do Retrato Brasileiro, que completou dez anos de carreira em 2025. Ao longo dessa d\u00e9cada, o trio realizou turn\u00eas internacionais, participou de festivais no Brasil e no exterior e consolidou uma linguagem pr\u00f3pria, situada entre a m\u00fasica popular e a m\u00fasica de concerto. O novo \u00e1lbum simboliza a maturidade art\u00edstica do grupo e seu encontro com um dos compositores mais singulares da m\u00fasica instrumental brasileira contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abaixo, o vibrafonista Gabriel Peregrino comenta, faixa a faixa, as 13 can\u00e7\u00f5es de &#8220;Divertimento&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Divertimento\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_lWFyoG0Pxoovwiz_S5hYHRqknjqMCMT8s\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>01) \u201cLancelot\u2019s Adventures\u201d &#8211;<\/strong> \u00c9 a faixa que abre o disco. Ela j\u00e1 havia sido gravada anteriormente no \u00e1lbum \u201cLancelot&#8217;s Adventure\u201d, de 2013, e talvez seja a m\u00fasica que mais evidencie esse lado narrativo do Marcelo, essa capacidade de contar hist\u00f3rias atrav\u00e9s da m\u00fasica. A gente n\u00e3o sabe exatamente de onde vem o nome Lancelot, nem quem \u00e9 esse personagem, mas \u00e9 uma m\u00fasica muito imag\u00e9tica. D\u00e1 pra imaginar um cavalo, um percurso, talvez um guerreiro em deslocamento. A m\u00fasica atravessa muitas atmosferas: come\u00e7a mais escura, com um tema que soa como algu\u00e9m se aproximando; depois surge um motivo muito marcante, que reaparece ao longo da pe\u00e7a e cria mem\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguida, h\u00e1 uma parte mais lenta e intensa, quase como se uma orquestra inteira estivesse tocando, e depois uma melodia melanc\u00f3lica, mas calma, em modo maior. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de estar lendo um livro ou assistindo a um filme. O Marcelo constr\u00f3i personagens dentro da m\u00fasica, e isso fica muito claro nessa faixa. O arranjo tamb\u00e9m nasceu dessa ideia de revelar quem s\u00e3o esses personagens por meio dos instrumentos. Foi uma das m\u00fasicas em que o Marcelo pediu mudan\u00e7as bem espec\u00edficas: a guitarra precisava de distor\u00e7\u00e3o, um timbre diferente, que representasse algu\u00e9m novo, algo que ainda n\u00e3o tinha aparecido nas outras faixas do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m inclu\u00edmos o bong\u00f4. O Marcelo sentiu que s\u00f3 o vibrafone n\u00e3o daria conta do pulso r\u00edtmico e que era preciso um instrumento de percuss\u00e3o para sustentar esse movimento constante, quase como o som de um cavalo caminhando ou galopando. Esse pulso firme atravessa boa parte da m\u00fasica. Al\u00e9m disso, \u00e9 uma das faixas que traz momentos claros de improvisa\u00e7\u00e3o, com uma sess\u00e3o no meio e outra no final. Como abertura do disco, ela apresenta muito bem esse universo narrativo e imag\u00e9tico que atravessa todo o \u00e1lbum.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>02) \u201cVelho Texas\u201d:<\/strong> \u00c9, de certa forma, a m\u00fasica que deu origem ao encontro entre o Retrato Brasileiro e o Marcelo Onofri. No meu recital de formatura na Unicamp, convidei o Marcelo para tocar comigo e tamb\u00e9m chamei os meninos do trio. J\u00e1 que estar\u00edamos todos juntos, pensei: \u201cpor que a gente n\u00e3o faz uma m\u00fasica junto?\u201d. Foi em 2019, a primeira vez que o Retrato tocou com o Marcelo, e a pe\u00e7a que escolhemos foi justamente \u201cNo Velho Texas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu lembro que as pessoas acharam muito bonita, o resultado foi realmente especial. A sonoridade, a composi\u00e7\u00e3o e esses instrumentos combinaram de um jeito muito natural. Acho que essa m\u00fasica \u00e9 importante no repert\u00f3rio justamente por isso: foi a partir dela que surgiu a vontade de juntar esses dois universos e desenvolver esse trabalho em torno da m\u00fasica do Marcelo. \u00c9 uma m\u00fasica que, olhando de fora, parece simples, mas tem uma melodia muito intelig\u00edvel, muito acess\u00edvel. \u00c9 uma can\u00e7\u00e3o que toca as pessoas, e isso fica claro depois dos shows: muita gente vem comentar que \u00e9 a preferida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O t\u00edtulo remete a um lugar que, na verdade, nunca existiu de fato. O Marcelo conta que escreveu essa m\u00fasica na \u00c1ustria, e que na cabe\u00e7a dele havia uma refer\u00eancia a um hino. Esse \u201chino imagin\u00e1rio\u201d acabou se transformando nesse tema. Ele chama de \u201cNo Velho Texas\u201d porque o Texas vira quase um s\u00edmbolo de um lugar gen\u00e9rico, um territ\u00f3rio imaginado, algo que existia antes de ser o que \u00e9 hoje. Quando perguntam por que Texas, ele mesmo diz que n\u00e3o sabe exatamente, que \u00e9 mais uma ideia de espa\u00e7o, de mem\u00f3ria, de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00fasica tamb\u00e9m traz vozes no meio do arranjo: gritos, falas, sons que n\u00e3o dizem nada de forma literal, mas criam uma camada sonora muito comovente. Essa, inclusive, \u00e9 uma das minhas preferidas do disco. Acho que o arranjo re\u00fane tudo: os timbres dos instrumentos, que j\u00e1 dialogam muito bem entre si, e, de repente, essas vozes ao fundo, trazendo outras melodias, outras presen\u00e7as, gritos e falas que n\u00e3o explicam, mas evocam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 como se a m\u00fasica abrisse um espa\u00e7o de imagina\u00e7\u00e3o: voc\u00ea n\u00e3o sabe exatamente o que est\u00e1 sendo dito, mas sente que aquilo quer dizer alguma coisa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"No Velho Texas (Marcelo Onofri) | Retrato Brasileiro &amp; Marcelo Onofri\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/iYSm4ASDN1Y?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>04) \u201cSegundo Motivo da Rosa\u201d &#8211;<\/strong> \u00c9 uma valsa in\u00e9dita que o Marcelo apresentou pra gente durante os ensaios. A gente estava resgatando algumas m\u00fasicas e decidindo o que entraria ou n\u00e3o no disco, quando ele disse: \u201ctem uma coisa nova aqui que eu fiz\u201d, e tocou essa valsa, cantando pra gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00fasica foi composta a partir do poema \u201cO Segundo Motivo da Rosa\u201d, da Cec\u00edlia Meireles. O Marcelo musicou o poema, ent\u00e3o a letra da can\u00e7\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3pria poesia da Cec\u00edlia. Quando ele mostrou, a gente sentiu que poderia funcionar muito bem tamb\u00e9m como uma pe\u00e7a instrumental, porque tinha tudo a ver com o clima e com a cor dos instrumentos. \u00c9 uma m\u00fasica bem solta, constru\u00edda a partir da melodia e da rela\u00e7\u00e3o direta com o texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso \u00e9 algo muito forte no trabalho do Marcelo: a melodia nasce do sentido da palavra, do movimento do texto. Ele j\u00e1 musicou poemas de Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, M\u00e1rio Quintana e Olga Savary, sempre partindo dessa escuta atenta do que o texto pede.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No arranjo de \u201cSegundo Motivo da Rosa\u201d, a melodia \u00e9 o ponto central. Mesmo sem a letra estar presente, a gente se guiava o tempo todo pelo que o texto diz, lembrando em que momento da poesia estamos, o que est\u00e1 sendo dito ali, e deixando que isso conduzisse a forma de tocar. \u00c9 uma m\u00fasica que revela esse lado do Marcelo ligado \u00e0 can\u00e7\u00e3o e \u00e0 palavra, algo que tamb\u00e9m vem muito da influ\u00eancia do trabalho dele com as artes c\u00eanicas, onde o texto e o gesto t\u00eam um papel fundamental.<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"DBB I (Marcelo Onofri) | Retrato Brasileiro &amp; Marcelo Onofri\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yEBACx7zgPU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>05, 03 e 11) \u201cDBB 1\u201d, \u201cDBB 2\u201d e \u201cDBB 3\u201d<\/strong> formam uma esp\u00e9cie de trilogia dentro do disco e s\u00e3o obras que t\u00eam muito a cara do Marcelo. A sigla DBB significa Divertimento Barroco Brasileiro, um nome que ele mesmo criou para definir essas pe\u00e7as, que brincam com o sotaque barroco da m\u00fasica contrapont\u00edstica misturado com elementos da m\u00fasica brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o m\u00fasicas muito bem escritas e bastante elaboradas. As ideias s\u00e3o cheias de contrapontos, as harmonias caminham juntas, as vozes se entrela\u00e7am o tempo todo. Uma das grandes refer\u00eancias do Marcelo, que ele mesmo diz ser um livro de cabeceira, \u00e9 Bach, especialmente \u201cO Cravo Bem Temperado\u201d, que \u00e9 uma obra totalmente constru\u00edda a partir do contraponto. E a m\u00fasica brasileira tamb\u00e9m tem muito dessa l\u00f3gica: baixos caminhando, melodias dialogando com outras vozes, linhas que se cruzam o tempo todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando voc\u00ea ouve os DBBs, d\u00e1 essa sensa\u00e7\u00e3o de estar escutando algo muito barroco, algo que lembra Bach, mas com um sotaque brasileiro muito forte. \u00c9 tudo muito sincopado, animado, com um car\u00e1ter quase l\u00fadico. Essa mistura entre o rigor do contraponto e a leveza da m\u00fasica brasileira \u00e9 o que d\u00e1 identidade aos DBB 1, 2 e 3, e cada um deles ainda tem sua pr\u00f3pria atmosfera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas foram tamb\u00e9m as primeiras grava\u00e7\u00f5es feitas com a forma\u00e7\u00e3o de guitarra, baixo, vibrafone e piano. Os arranjos foram nascendo nos ensaios, porque s\u00e3o m\u00fasicas com muitas vozes acontecendo ao mesmo tempo, quase como um quebra-cabe\u00e7a entre os instrumentos: quem faz o qu\u00ea, quem acompanha, quem dobra, quem sai, quem entra. O baixo muda de fun\u00e7\u00e3o, o piano \u00e0s vezes tira a m\u00e3o, depois volta, algu\u00e9m inventa uma frase, outro responde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que, dentro de todo o disco, os DBBs s\u00e3o as faixas que melhor mostram como esses instrumentos funcionam juntos. E, pra mim, s\u00e3o tamb\u00e9m as que mais revelam a ess\u00eancia do Marcelo como compositor: esse equil\u00edbrio entre sofistica\u00e7\u00e3o, humor, rigor t\u00e9cnico e esp\u00edrito brasileiro.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>06) \u201cRumbaba\u201d &#8211;<\/strong> Tamb\u00e9m \u00e9 uma m\u00fasica relativamente recente, composta pelo Marcelo, e traz influ\u00eancias de ritmos da Am\u00e9rica Latina, como o bolero e a salsa, mas trabalhados de forma mais contempor\u00e2nea \u2014 o que j\u00e1 aparece no pr\u00f3prio nome da faixa. Ela foi a outra m\u00fasica do disco em que optamos por incluir o bong\u00f4, justamente para trazer esse sabor percussivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por ser uma faixa relativamente curta em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s outras, e por ter um ar muito diferente, quase como uma quebra de expectativa, sentimos que fazia todo sentido inclu\u00ed-la no \u00e1lbum. Para refor\u00e7ar essa diferen\u00e7a, colocamos um solo de bong\u00f4: \u00e9 a \u00fanica m\u00fasica do disco que traz, nos arranjos, um solo de um instrumento de percuss\u00e3o que n\u00e3o faz parte do trio base.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, h\u00e1 a cad\u00eancia de piano do Bild, que traz um momento de improvisa\u00e7\u00e3o mais livre, com outra cor sonora, funcionando como um respiro para os ouvidos e criando mais uma quebra de expectativa. \u201cRumbaba\u201d mistura um car\u00e1ter dan\u00e7ante com uma melodia menos intuitiva, que foge do \u00f3bvio e surpreende o ouvinte. \u00c9 justamente essa combina\u00e7\u00e3o que d\u00e1 o sabor especial da m\u00fasica.\u201d<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Herbst Tag (Marcelo Onofri) | Retrato Brasileiro &amp; Marcelo Onofri\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WxD-H9ED_dw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>07) \u201cHerbsttag\u201d &#8211;<\/strong> \u00c9 um nome em alem\u00e3o que significa \u2018dia de outono\u2019. Essa \u00e9 uma das m\u00fasicas que o Marcelo escreveu em Viena, na \u00e9poca em que morava, estudava e trabalhava l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em compara\u00e7\u00e3o com as outras faixas do disco, \u00e9 uma m\u00fasica mais simples. Ela tem uma estrutura bastante ligada ao jazz: um tema curto, a partir do qual se desenvolvem os improvisos. Quando o Marcelo apresentou essa m\u00fasica pra gente, ele disse que achava que ficaria linda com o trio, que combinava muito com as sonoridades do vibrafone, da guitarra e do baixo. Ele j\u00e1 deixou claro que n\u00e3o tocaria piano nessa faixa, queria ouvir o trio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante os ensaios, o Marcelo ficava ouvindo, fazendo apontamentos e instigando a gente com imagens. Ele dizia: \u201cimaginem que isso \u00e9 um dia de outono, mas n\u00e3o um outono brasileiro, um outono em Viena\u201d. E come\u00e7ava a descrever as \u00e1rvores, as cores mais avermelhadas, o clima ameno, as pessoas mais introspectivas, aquele ar nost\u00e1lgico da cidade. Falava tamb\u00e9m de um c\u00e9u diferente, com outra luz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como nenhum de n\u00f3s tinha vivido isso de perto, a gente precisava imaginar tudo enquanto tocava, tentando traduzir em som o que ele queria dizer com aquelas imagens. A cada vez que toc\u00e1vamos, ele refor\u00e7ava: \u201cconta uma hist\u00f3ria\u201d. O arranjo de \u201cHerbsttag\u201d acabou nascendo exatamente dessa ideia: o que \u00e9 um dia de outono em Viena vivido pelo Marcelo, e como o trio poderia recriar essa atmosfera musicalmente.<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Tragitango (Marcelo Onofri) | Retrato Brasileiro &amp; Marcelo Onofri\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LOKS4vOIxWI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>08) \u201cTragitango\u201d &#8211;<\/strong> \u00c9 um tango que o Marcelo comp\u00f4s em homenagem a Astor Piazzolla, talvez o maior compositor do novo tango argentino, um m\u00fasico consagrado mundialmente e refer\u00eancia fundamental para quem estuda m\u00fasica instrumental. A obra do Piazzolla tem essa caracter\u00edstica de transitar entre o popular e o erudito, algo que tamb\u00e9m \u00e9 uma influ\u00eancia muito forte tanto na m\u00fasica do Marcelo quanto no trabalho do trio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa \u00e9 uma das minhas m\u00fasicas preferidas do repert\u00f3rio. D\u00e1 pra perceber o quanto o Marcelo estuda a fundo os compositores que o influenciam: ele consegue criar uma homenagem que carrega claramente a linguagem do Piazzolla, o jeito dele de escrever, mas sem perder a pr\u00f3pria identidade. Voc\u00ea escuta e pensa: \u201ctem a cara do Piazzolla, mas tamb\u00e9m tem a cara do Marcelo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Marcelo conta que, quando foi estudar em Viena, tocava principalmente obras de compositores europeus. Em uma das provas, ele resolveu tocar uma pe\u00e7a do Piazzolla, que j\u00e1 estava em ascens\u00e3o no cen\u00e1rio internacional, mas ainda era pouco executado naquele contexto. Como latino-americano tocando Piazzolla na Europa, ele acabou chamando muita aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o tempo, essa rela\u00e7\u00e3o se aprofundou ainda mais: o Marcelo chegou a formar um grupo dedicado exclusivamente \u00e0 obra do Piazzolla, com o qual fez turn\u00eas pela \u00c1ustria e por outros pa\u00edses da regi\u00e3o. Isso mostra o quanto a m\u00fasica latino-americana, especialmente o tango e a escrita do Piazzolla, \u00e9 uma influ\u00eancia central no repert\u00f3rio dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTragitango\u201d \u00e9, portanto, uma homenagem muito bem constru\u00edda. D\u00e1 pra sentir que \u00e9 o trabalho de algu\u00e9m que estudou profundamente outro compositor, entendeu sua linguagem e soube trazer isso para si, incorporando personalidade e criando algo pr\u00f3prio.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>09) \u201cKabrum\u201d &#8211;<\/strong> \u00c9 uma m\u00fasica que o Marcelo j\u00e1 havia gravado no \u00e1lbum \u201cTempor\u00e2neo\u201d, de 2008. Ele conta que a comp\u00f4s em um momento muito introspectivo e sempre descreve essa m\u00fasica quase como um mantra. \u00c9 bem calma, daquelas que remetem a dias de chuva, quando voc\u00ea est\u00e1 sentado no quarto ouvindo a \u00e1gua bater na janela. Acho que, se voc\u00ea escutar essa m\u00fasica de olhos fechados, ela evoca exatamente essa sensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No arranjo, a gente quis interferir o m\u00ednimo poss\u00edvel. Foi uma daquelas m\u00fasicas em que ningu\u00e9m teve vontade de \u201cmexer\u201d, de inventar algo a mais. A ideia era preservar justamente esse car\u00e1ter repetitivo, calmo, sem excesso de informa\u00e7\u00e3o. Ela tem praticamente duas vozes na melodia e o baixo, que se repetem continuamente, refor\u00e7ando essa ideia de mantra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A gente tamb\u00e9m pensou que era importante ter uma m\u00fasica assim no meio do show: um momento de pausa, de descanso, uma quebra na din\u00e2mica do repert\u00f3rio. Depois que a faixa j\u00e1 estava gravada, surgiu a ideia de incluir o texto. Apesar de o disco ser instrumental, eu lembrei dessa poesia, e o Marcelo topou gravar, porque somente em vozes n\u00e3o tem problema. A palavra entra apenas no final da m\u00fasica, quase de surpresa, dizendo algo delicado e bonito. \u00c9 uma poesia linda, tamb\u00e9m de autoria do Marcelo, que completa a atmosfera da faixa.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>10) \u201cAmoraefrans\u201d &#8211;<\/strong> \u00c9 uma das duas m\u00fasicas in\u00e9ditas do disco. O Marcelo a comp\u00f4s em homenagem aos sobrinhos dele, Amora e Francisco, que nasceram durante a pandemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00fasica come\u00e7ou a surgir em um dos ensaios, quando o Marcelo apareceu com apenas oito compassos escritos. Ele trouxe um papel todo manuscrito, com cerca de vinte segundos de ideias musicais, e prop\u00f4s: \u201cvamos experimentar?\u201d. Cada um de n\u00f3s leu uma voz da partitura, eu, o Guilherme e o Th\u00e9o, enquanto o Marcelo acompanhava e pedia para ouvir. A partir da\u00ed, a m\u00fasica come\u00e7ou a nascer de verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ensaio ap\u00f3s ensaio, a gente foi construindo a faixa coletivamente. A cada encontro, surgia um peda\u00e7o novo: test\u00e1vamos ideias, grav\u00e1vamos no celular, volt\u00e1vamos na semana seguinte, escrev\u00edamos mais um trecho, troc\u00e1vamos partes, experiment\u00e1vamos outros caminhos. O Marcelo ia propondo, ajustando, mudando instrumentos, dizendo \u201cisso funciona\u201d, \u201cisso n\u00e3o\u201d, \u201cvamos tentar de outro jeito\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi um processo muito interessante, porque pudemos acompanhar de perto o modo como o Marcelo comp\u00f5e, com a gente participando ativamente, quase como um laborat\u00f3rio. Em alguns momentos, a gente parava de tocar e ele continuava ao piano, improvisando ou j\u00e1 compondo algo novo, como se aquilo j\u00e1 estivesse escrito h\u00e1 muito tempo. Ele sempre dizia: \u201cse eu n\u00e3o lembrar depois, \u00e9 porque n\u00e3o era pra ficar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferente das outras m\u00fasicas do disco, que j\u00e1 chegaram prontas e foram sendo estudadas e ensaiadas, \u201cAmora e France\u201d foi se formando aos poucos, diante da gente. Talvez por isso, e tamb\u00e9m por ser uma homenagem aos sobrinhos, ela tenha uma atmosfera muito infantil, brincalhona e afetuosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00fasica dialoga bastante com a ideia do contraponto barroco: parte de um tema que vai se desenvolvendo ao longo da pe\u00e7a, apresenta outros temas e se transforma. A gente sempre dizia nos ensaios: \u201cpensa nas crian\u00e7as, vamos brincar\u201d. E acho que \u00e9 exatamente isso que essa m\u00fasica evoca.<\/p>\n<figure id=\"attachment_94605\" aria-describedby=\"caption-attachment-94605\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-94605\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/divertimento3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/divertimento3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/divertimento3-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/divertimento3-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-94605\" class=\"wp-caption-text\"><em>Arte da capa de &#8220;Divertimento&#8221;<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>11) &#8220;Bild 2 (zwei)&#8221; &#8211; <\/strong>Outro nome dif\u00edcil de pronunciar, em alem\u00e3o, significa algo como \u2018imagem dois\u2019, \u2018quadro dois\u2019 ou \u2018paisagem dois\u2019. Essa \u00e9 uma m\u00fasica muito especial, porque o Marcelo conta que foi com ela que ele se descobriu compositor de fato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele estava em Viena, na \u00c1ustria, andando de trem, quando olhou pela janela e viu uma paisagem totalmente diferente do Brasil: um campo aberto, quase deserto, e um rolo de feno passando. Aquela imagem, algo que ele nunca tinha visto antes, despertou imediatamente uma melodia na cabe\u00e7a dele. Foi uma inspira\u00e7\u00e3o muito forte. Quando chegou em casa, sentou ao piano e come\u00e7ou a escrever a m\u00fasica a partir dessa ideia. \u00c9 ali que ele entende que precisa compor, que precisa dar forma \u00e0s melodias e harmonias que surgem pra ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma m\u00fasica bastante complexa e acabou sendo uma das mais dif\u00edceis do repert\u00f3rio. N\u00e3o encontramos nenhuma grava\u00e7\u00e3o anterior dela, pelo que sabemos, n\u00e3o est\u00e1 em nenhum disco do Marcelo, ent\u00e3o essa acabou sendo uma grava\u00e7\u00e3o in\u00e9dita. O pr\u00f3prio Marcelo conta que fazia muito tempo que n\u00e3o tocava essa m\u00fasica, e que ela foi a primeira que ele comp\u00f4s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu tinha o manuscrito da pe\u00e7a, uma partitura antiga que o Marcelo havia me dado, e sugeri que a gente fizesse a m\u00fasica mesmo assim. Eu nunca tinha ouvido, mas queria experimentar. Depois dos ensaios, o Marcelo comentou que a m\u00fasica tinha tudo a ver com esses instrumentos e que o resultado tinha ficado lindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O arranjo foi tamb\u00e9m um trabalho de resgate: revisitar a partitura, conferir o que estava escrito, corrigir algumas coisas. A gente tocava o que estava no papel e o Marcelo ia lembrando, apontando ajustes, at\u00e9 chegar a um momento em que ele percebeu que j\u00e1 n\u00e3o lembrava mais exatamente o que o piano fazia. A partir da\u00ed, ele foi reconstruindo a m\u00fasica aos poucos, tocando, testando, relembrando at\u00e9 reencontrar aquela vers\u00e3o de muitos anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das coisas que a gente mais gosta nessa m\u00fasica \u00e9 o final, quando todos os instrumentos param e fica s\u00f3 o piano, numa cad\u00eancia solo. No show, a gente at\u00e9 brinca com isso, porque muita gente acha que aquela parte est\u00e1 escrita, mas o Marcelo est\u00e1 improvisando. \u00c9 um momento que sempre emociona, tanto ao vivo quanto no est\u00fadio: cada vez surge uma ideia diferente, quase como se nascesse uma m\u00fasica nova ali na hora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No est\u00fadio, lembro que gravamos cerca de tr\u00eas takes justamente por causa dessas cad\u00eancias finais. Ficamos um tempo escolhendo qual delas ficaria no disco. No fim, \u00e9 uma m\u00fasica que a gente gostou muito de fazer, um resgate importante de uma obra muito antiga do Marcelo, que se encaixou perfeitamente na atmosfera do \u00e1lbum.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>13) \u201cTio Juba\u201d &#8211;<\/strong> Entrou no repert\u00f3rio porque sentimos falta de algo mais explicitamente brasileiro no disco. A gente pensou: \u201cpoxa, vamos colocar esse samba\u201d. \u00c9 uma m\u00fasica curtinha, muito boa, animada, pra cima, e que eu sempre gostei de ouvir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 toquei essa m\u00fasica com o Marcelo em outras forma\u00e7\u00f5es, inclusive com percuss\u00e3o, e achamos que fazia todo sentido inclu\u00ed-la. O Guilherme toca cavaquinho e viol\u00e3o de sete cordas, vem muito desse universo do samba e do choro. Eu tamb\u00e9m toco percuss\u00e3o e j\u00e1 toquei essa m\u00fasica com pandeiro e tamborim, ent\u00e3o pensamos: \u201cvamos fazer isso de um jeito diferente\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acabamos criando um arranjo com vibrafone, baixo e guitarra, tentando trazer um car\u00e1ter mais percussivo para esses instrumentos, e funcionou muito bem. \u00c9 uma das faixas que tamb\u00e9m tem vozes: gravamos alguns coros no est\u00fadio e, nos shows, a gente canta, grita, se diverte bastante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela entrou no disco por ser uma m\u00fasica curta, animada e que tem tudo a ver com o Marcelo e com esse jeito dele, bem divertido, de fazer m\u00fasica de forma coletiva.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"#RetratoDigital | Retrato Brasileiro convida Marcelo Onofri I\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/b3oNAoRLeSY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"#RetratoDigital | Retrato Brasileiro convida Marcelo Onofri II\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7aPellz-1cA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Da fus\u00e3o entre refer\u00eancias da m\u00fasica de concerto (Bach, Ravel), da m\u00fasica brasileira (Tom Jobim, Gilberto Gil) e da tradi\u00e7\u00e3o latino-americana nasce o \u00e1lbum &#8220;Divertimento&#8221;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/07\/faixa-a-faixa-conheca-divertimento-album-que-une-o-trio-retrato-brasileiro-com-o-pianista-marcelo-onofri\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":94606,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[8112,8113],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94604"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=94604"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94604\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":94610,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94604\/revisions\/94610"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/94606"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=94604"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=94604"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=94604"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}