{"id":94576,"date":"2026-03-05T00:02:34","date_gmt":"2026-03-05T03:02:34","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=94576"},"modified":"2026-03-25T00:55:38","modified_gmt":"2026-03-25T03:55:38","slug":"critica-disponivel-na-prime-video-man-on-the-run-esmiuca-a-vida-de-paul-mccartney-em-sua-fase-wings","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/05\/critica-disponivel-na-prime-video-man-on-the-run-esmiuca-a-vida-de-paul-mccartney-em-sua-fase-wings\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: Dispon\u00edvel na Prime Video, &#8220;Man on The Run&#8221; esmi\u00fa\u00e7a a vida de Paul McCartney em sua fase Wings"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/joao.paulo.barreto.824529\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vinte e sete anos de idade pode representar aquele per\u00edodo em que muita gente, ainda tentando encontrar um caminho art\u00edstico dentro da m\u00fasica, pensa em formar sua primeira (ou segunda, ou terceira&#8230;) banda no intuito de se desafiar dentro dessa esp\u00e9cie de batalha criativa que \u00e9 expressar-se atrav\u00e9s de letras, melodias e acordes. \u00c9 aquela fase em que muito marmanjo ainda pode morar com os pais (nenhum problema nisso) e, qui\u00e7\u00e1, possui um pr\u00f3prio quarto individual para poder se trancar e se dedicar aos apelos da criatividade. \u00c9 muito prov\u00e1vel que esses impulsos criativos, inclusive, sejam sufocados por uma necessidade de sobreviv\u00eancia que vai acabar levando a pessoa para uma carreira frustrada em alguma outra \u00e1rea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para James Paul McCartney, no entanto, essa idade (uma marca, inclusive, marcada pelo \u201cClube dos 27\u201d, termo usado para a not\u00f3ria lista de m\u00fasicos famosos que morreram aos 27 anos) representou n\u00e3o um come\u00e7o em uma carreira musical, mas um ponto de ruptura. Um final (para muitos, precoce) da banda de maior reconhecimento e \u00eaxito comercial \/art\u00edstico na hist\u00f3ria do rock. Quando os Beatles lan\u00e7aram seu canto dos cisnes, \u201cAbbey Road\u201d, em setembro de 1969, decretando o t\u00e9rmino da banda, seu, naquele momento, l\u00edder e maior entusiasta pela continuidade dos trabalhos de cria\u00e7\u00e3o ao lado dos parceiros de mais de uma d\u00e9cada, com apenas 27 anos, percebeu que era hora de jogar a toalha e seguir em frente. Mas n\u00e3o que isso fosse muito f\u00e1cil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo no disco com a famosa capa da faixa de pedestres uma mescla de reconcilia\u00e7\u00e3o e despedida dos tr\u00eas amigos e colegas profissionais ap\u00f3s o conturbado projeto \u201cGet Back\u201d, gravado em janeiro daquele mesmo 1969, mas lan\u00e7ado somente no ano seguinte sob o nome de \u201cLet it Be\u201d, Paul McCartney viu-se ap\u00f3s o lan\u00e7amento do projeto final dos Beatles sem um norte espec\u00edfico. A banda se despeda\u00e7ou de forma gradativa, mas n\u00e3o por animosidades exacerbadas. Naquele ano, John, Paul, George e Ringo j\u00e1 n\u00e3o eram mais os garotos de apenas (pasme) seis anos antes, quando conquistaram o mundo com a Beatlemania. Eram casados, possu\u00edam fam\u00edlia, focos diferentes para o futuro. Junto a isso, discord\u00e2ncias contratuais em rela\u00e7\u00e3o a empres\u00e1rios come\u00e7avam a minar a rela\u00e7\u00e3o entre eles. O fim era n\u00e3o s\u00f3 iminente, mas, tamb\u00e9m, necess\u00e1rio. Mesmo que judicialmente a banda s\u00f3 tenha terminado alguns anos depois (e n\u00e3o sem muitas brigas e honor\u00e1rios advocat\u00edcios, importante frisar), um pr\u00f3ximo passo para Paul p\u00f4de surgir naquele final da efervescente d\u00e9cada.<\/p>\n<figure id=\"attachment_94579\" aria-describedby=\"caption-attachment-94579\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-94579\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/manontherun3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/manontherun3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/manontherun3-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-94579\" class=\"wp-caption-text\"><em>Paul e Linda<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dispon\u00edvel na Prime Video, \u201cPaul McCartney: Homem em Fuga&#8221; (&#8220;Man on the Run\u201d, 2025), document\u00e1rio dirigido por Morgan Neville (ganhador do Oscar em 2014 com \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/01\/6%c2%ba-in-editbrasil-um-filme-por-dia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">20 Feet from Stardom<\/a>\u201d), aborda justamente esse per\u00edodo da vida do maior compositor vivo do s\u00e9culo XX. O momento em que o m\u00fasico precisou virar a p\u00e1gina dos anos 1960 e seguir em frente com outra proposta de banda. Mas n\u00e3o sem antes encarar os traumas internos que ainda precisavam ser superados. Naquela fase, Paul encontrou no \u00e1lcool a sa\u00edda para a ang\u00fastia de n\u00e3o mais ter sua rotina criativa ao lado dos amigos de inf\u00e2ncia. Em um dos trechos de sua biografia, \u201cMany Years From Now\u201d (1997), escrita por Barry Miles, Macca comenta a ocasi\u00e3o em que quase sufocou no seu pr\u00f3prio travesseiro, diante de um estado f\u00edsico let\u00e1rgico e lament\u00e1vel de entrega \u00e0 bebida e \u00e0 depress\u00e3o. Um novo caminho era crucial para mant\u00ea-lo vivo. Literal e artisticamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir de preciosas imagens de arquivo, o filme de Neville ilustra o per\u00edodo criativo do compositor ao formar sua nova banda, a Wings, ao lado de sua esposa, Linda McCartney (que n\u00e3o tocava profissionalmente, mas aprendeu aos poucos), e do ex\u00edmio m\u00fasico Denny Laine. A cria\u00e7\u00e3o da p\u00e9rola \u201cBand on the Run\u201d, disco lan\u00e7ado em 1973, \u00e9 detalhada no document\u00e1rio como um per\u00edodo tanto de imers\u00e3o criativa e descobertas, quanto de crescimento conjunto de seus membros perante os desafios de se iniciar um novo grupo musical. Gravado em Lagos, na Nig\u00e9ria, um dos locais onde a EMI possu\u00eda est\u00fadios, o trabalho traz esse reflexo cultural do encontro de uma mente f\u00e9rtil como a do compositor de dezenas de hits que definiram a d\u00e9cada anterior com a riqueza musical do pa\u00eds africano e sua m\u00fasica. O resultado presenteia o p\u00fablico com um \u00e1lbum que fez o ex-beatle constatar que ainda era capaz de compor para al\u00e9m dos fab four.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas junto a essa constata\u00e7\u00e3o profissional, \u201cMan on the Run\u201d (que tem o mesmo <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/08\/19\/man-on-the-run-mccartney-nos-anos-70\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">da biografia escrita por Tom Doyle<\/a> lan\u00e7ada em 2014) tem no encontro afetivo de Paul com sua rec\u00e9m formada fam\u00edlia a base para sua reconstru\u00e7\u00e3o pessoal. Nos dias de quase ex\u00edlio em sua isolada e buc\u00f3lica fazenda no interior da Esc\u00f3cia, quando se dedicou a trabalhos manuais e contou com o suporte de Linda e de seus filhos, o rapaz de Liverpool, encontrando a serenidade advinda do tempo e da paternidade, p\u00f4de perceber-se ainda capaz de se manifestar criativamente. L\u00e1, comp\u00f4s m\u00fasicas que viriam a estampar alguns dos seus discos solos iniciais, como o hom\u00f4nimo debute individual, al\u00e9m de \u201cRam\u201d e \u201cWild Life\u201d, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/06\/22\/discografia-comentada-paul-mccartney\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ambos de 1971<\/a>. Nas imagens trazidas pela montagem do filme de Neville, vemos McCartney sereno, feliz, distante dos atritos comerciais advindos do final da banda que formou ao lado dos amigos de Liverpool. E diante do desafio cr\u00edtico advindo das cobran\u00e7as e recep\u00e7\u00e3o negativa de alguns dos discos iniciais, a meta auto-imposta (e cumprida) de construir a obra-prima com a capa repleta de &#8220;fugitivos&#8221; da pris\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Paul McCartney: Man on the Run - Official Trailer | Prime Video\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pBcllNrY0u8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao optar por n\u00e3o trazer imagens atuais ou a presen\u00e7a f\u00edsica de sua fonte principal em entrevistas recentes (apenas sua voz \u00e9 ouvida), o filme coloca sua audi\u00eancia junto com o pr\u00f3prio Paul a revisitar aqueles momentos e a se surpreender com sua trajet\u00f3ria durante a d\u00e9cada de 1970 e culminando com o fat\u00eddico 8 de dezembro de 1980 e o t\u00e9rmino do Wings alguns meses depois, em 1981. Outras vozes s\u00e3o ouvidas em falas pontuais, como as dos pr\u00f3prios integrantes de sua banda p\u00f3s Beatles em suas diversas forma\u00e7\u00f5es, bem como de outros not\u00f3rios, Linda McCartney e suas filhas, al\u00e9m de Mick Jagger e Sean Ono Lennon, que traz uma fala precisa sobre a demonstra\u00e7\u00e3o do luto do melhor amigo do seu pai ao ser arguido por rep\u00f3rteres acerca da morte de John Lennon.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com uma montagem din\u00e2mica a trazer imagens ic\u00f4nicas de diversos filmes que constru\u00edram o imagin\u00e1rio cin\u00e9filo do s\u00e9culo XX e que encontram ecos na pr\u00f3pria hist\u00f3ria de Paul (a cena com Steve McQueen encarcerado a refletir o m\u00fasico detido em uma cadeia japonesa \u00e9 hil\u00e1ria), \u201cMan on the Run\u201d cria esse mosaico ilustrativo daquele recorte de uma fase de reconstru\u00e7\u00e3o pessoal e profissional de um artista, agora, em sua plenitude e tranquilidade advinda da terceira idade. E ao pensar que aquela \u00e9 apenas uma de suas sete d\u00e9cadas (!!) profissionais \u00e9 algo que sempre gera uma mescla de espanto, admira\u00e7\u00e3o e gratitude no p\u00fablico, seja ele f\u00e3 ou n\u00e3o dos Beatles e de Paul.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-94577 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/manontherun.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"938\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/manontherun.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/manontherun-240x300.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde, de Salvador, e \u00e9 autor de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/11\/11\/entrevista-mitico-guitarrista-baiano-alvaro-assmar-ganha-biografia-joao-paulo-barreto-fala-sobre-uma-vida-blues\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uma Vida Blues<\/a>\u201d, biografia de \u00c1lvaro Assmar.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Document\u00e1rio esmi\u00fa\u00e7a a vida de Paul McCartney em sua fase Wings a representar seu renascimento art\u00edstico p\u00f3s Beatles \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/05\/critica-disponivel-na-prime-video-man-on-the-run-esmiuca-a-vida-de-paul-mccartney-em-sua-fase-wings\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":94578,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4,3],"tags":[1187],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94576"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=94576"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94576\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":94581,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94576\/revisions\/94581"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/94578"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=94576"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=94576"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=94576"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}