{"id":94535,"date":"2026-03-03T00:53:33","date_gmt":"2026-03-03T03:53:33","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=94535"},"modified":"2026-04-08T10:53:51","modified_gmt":"2026-04-08T13:53:51","slug":"entrevista-phylipe-nunes-araujo-centraliza-o-agreste-na-musica-brasileira-em-disco-de-estreia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/03\/entrevista-phylipe-nunes-araujo-centraliza-o-agreste-na-musica-brasileira-em-disco-de-estreia\/","title":{"rendered":"Entrevista: Phylipe Nunes Ara\u00fajo centraliza o agreste na m\u00fasica brasileira em disco de estreia"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/assessoriza\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Izabela Costa<\/a><\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um disco de contempla\u00e7\u00e3o das miudezas da vida. Can\u00e7\u00f5es criadas enquanto fuga do amor rom\u00e2ntico. A m\u00fasica colorida pelo verdinho caracter\u00edstico do agreste pernambucano. Essas s\u00e3o algumas das possibilidades de leituras dadas por <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/phylipe_\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Phylipe Nunes Ara\u00fajo<\/a> a respeito de seu primeiro \u00e1lbum de est\u00fadio, <a href=\"https:\/\/bfan.link\/phylipe-nunes-araujo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">hom\u00f4nimo<\/a>, lan\u00e7ado em outubro de 2025, nas plataformas digitais e em disco de vinil e CD com distribui\u00e7\u00e3o global via Far Out Recordings (Reino Unido).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algu\u00e9m que carrega o interior como origem, mas n\u00e3o como limite, Phylipe \u00e9 natural de Santa Cruz do Capibaribe, agreste de Pernambuco, mas j\u00e1 viveu em Macei\u00f3 (AL), Olinda (PE) e Santo Amaro (BA). Desde 2025 reside em S\u00e3o Paulo (SP), onde vem criando seu espa\u00e7o na cena autoral paulistana, com shows j\u00e1 realizados em palcos como a Casa de Francisca e o Freak Est\u00fadio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oper\u00e1rio musical desde a adolesc\u00eancia, quando tocava em festas de casamento e anivers\u00e1rios de 15 anos, passando depois pelos bares de m\u00fasica ao vivo, foi em 2015, ao se mudar para Macei\u00f3, que come\u00e7ou a se forjar com mais afinco como artista autoral. Foi ali, na capital alagoana, que Phylipe estabeleceu la\u00e7os importantes com artistas como Bruno Berle e Batata Boy, produtores de seu debut.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa parceria, inclusive, \u00e9 parte do que faz de Phylipe Nunes Ara\u00fajo \u201cum disco matuto\u201d, com m\u00fasicas menos pop, \u201cnuma linguagem mais puxada para as nossas coisas\u201d, como explica o pr\u00f3prio Phylipe para, logo em seguida, se contradizer. \u201cMas depois eu me liguei que, talvez por eu estar morando em Santa Cruz naquele momento, talvez eu n\u00e3o estivesse t\u00e3o na onda da matutice tamb\u00e9m n\u00e3o, por isso tem um quezinho meio pop\u201d, ele revela a respeito do processo criativo que concebeu numa s\u00f3 tacada o disco e seu lan\u00e7amento anterior, o EP \u201cLajeiro\u201d (2024), financiado via Funcultura\/PE.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma entrevista feita exclusivamente para o Scream &amp; Yell, no final de 2025, por v\u00eddeochamada, comigo em S\u00e3o Paulo e Phylipe no Recife, o artista contou de modo mais aprofundado sua rela\u00e7\u00e3o familiar com a m\u00fasica, as andadas que marcaram sua vida at\u00e9 aqui, a entrada para um selo gringo e o agreste como centro e ponto de partida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando penso que estou neste lugar de artista nordestino, quero quebrar a expectativa das pessoas n\u00e3o nordestinas sobre o que elas acham que um artista nordestino \u00e9. A experi\u00eancia urbana para mim, no interior de Pernambuco, \u00e9 t\u00e3o comum quanto para quem viveu a vida inteira em S\u00e3o Paulo\u201d, ele completa. \u201cEstereotipar \u00e9 mais jogar contra do que qualquer outra coisa e eu tenho medo de me tornar uma caricatura de nordestino.\u201d<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Muito Dengo\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_demlXvp1VM?list=OLAK5uy_ltsQimblUvkNVXGMhPofOx5UmVMdxl7gk\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma das mem\u00f3rias mais marcantes que tenho a seu respeito, Phylipe, aconteceu em outubro de 2024, em Macei\u00f3, no Carambola Lab, quando voc\u00ea realizou o show de lan\u00e7amento do EP \u201cLajeiro\u201d, lan\u00e7ado naquele mesmo ano. O que era para ser uma passagem de som acabou virando uma primeira sess\u00e3o e depois, no hor\u00e1rio divulgado oficialmente para o show, voc\u00ea fez uma segunda sess\u00e3o. Lembro que essa pequena confus\u00e3o, na verdade, foi um momento muito massa, porque voc\u00ea se apresentou com a mesma energia nas duas vezes. Naquele dia voc\u00ea poderia ter feito apenas um show, mas fez dois e com a mesma alegria a noite toda. De onde vem essa energia? Como \u00e9 que a m\u00fasica bate na sua vida?<\/strong><br \/>\nMas, para responder, tenho que voltar algumas casas. A minha rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica come\u00e7a quase como uma obriga\u00e7\u00e3o: comecei a estudar m\u00fasica sob uma proje\u00e7\u00e3o da minha m\u00e3e. Ela n\u00e3o conseguiu estudar viol\u00e3o, nunca teve tempo de aprender a tocar e a\u00ed, pensou: \u201cah, vou colocar meu menino para fazer aula\u201d. Minha m\u00e3e trabalha com aluguel de roupas para festas juninas, casamentos, ent\u00e3o, quando eu passo a ter algum repert\u00f3rio em MPB, ela me coloca para tocar em eventos. Desde meus 11, 12 anos de idade, eu tocava muito em casamentos, batizados, festas de 15 anos, tudo, tudo. Mas era sempre uma obriga\u00e7\u00e3o, num lugar de \u201ctrabalho\u201d mesmo. S\u00f3 percebi que eu queria seguir com isso quando percebi que podia criar minhas pr\u00f3prias m\u00fasicas. E a\u00ed fazer m\u00fasica virou a divers\u00e3o da minha vida. Provavelmente voc\u00ea me viu sorrindo nas duas sess\u00f5es por isso. Eu estava me divertindo tocando aquelas m\u00fasicas. E acho que talvez eu tenha at\u00e9 sugerido a parada de fazer duas sess\u00f5es por essa coisa de n\u00e3o ter frescura de tocar. J\u00e1 toquei em todo tipo de lugar que voc\u00ea possa imaginar, todo tipo de som em todas as situa\u00e7\u00f5es mais pitorescas poss\u00edveis. Al\u00e9m disso, era especial voltar a Macei\u00f3, j\u00e1 morei l\u00e1 por um tempo. Eu estava revendo alguns amigos, revendo um lugar onde fui muito feliz. Eu nunca tinha visto o bairro do Jaragu\u00e1 t\u00e3o movimentado \u00e0 noite, antes da pandemia n\u00e3o era assim. Ent\u00e3o foi isso mesmo: estava vivendo uma situa\u00e7\u00e3o muito boa, num lugar muito legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Inclusive foi em Macei\u00f3 tamb\u00e9m que soube mais ou menos como se deu a sua entrada no selo Far Out. A hist\u00f3ria &#8211; fofoca, risos &#8211; que soube, foi: voc\u00ea tinha uma gama de can\u00e7\u00f5es, o selo escolheu algumas para um disco e deixou as outras para voc\u00ea trabalhar como quisesse &#8211; no caso, o EP \u201cLajeiro\u201d. Essa informa\u00e7\u00e3o procede?<\/strong><br \/>\nO \u201cLajeiro\u201d foi financiado pelo Funcultura [Fundo Pernambucano de Incentivo \u00e0 Cultura]. Treze m\u00fasicas foram gravadas para este projeto. Metade delas, voz e viol\u00e3o. E as outras, eu vinha acompanhado de banda. A ideia era essa: uma metade mais vazia e a outra mais cheiona. S\u00f3 que o processo se arrastou um bocado e nesse meio tempo, quando a gente estava quase finalizando o projeto, a Far Out apareceu. E a\u00ed a fofoca que voc\u00ea recebeu foi: a Far Out queria uma boa parte das m\u00fasicas feitas com banda e o \u201cLajeiro\u201d ficaria s\u00f3 voz e viol\u00e3o praticamente. Da forma que a gente gravou, ficaria muito mais vazio do que parece. N\u00e3o \u00e9 por exemplo que nem o disco de agora [\u201cPhylipe Nunes Ara\u00fajo\u201d, de 2025], que a instrumenta\u00e7\u00e3o \u00e9 um pouco mais contida, mais t\u00edmida. Tem menos instrumentos, quase n\u00e3o tem bateria. Ao mesmo tempo, a Far Out queria muito que o meu primeiro disco fosse com eles &#8211; mercadologicamente era muito interessante para eles isso. Ent\u00e3o para equilibrar as coisas, remanejei algumas can\u00e7\u00f5es do \u201cLajeiro\u201d, que seria um disco, para o \u00e1lbum que soltamos com a Far Out. Por isso que o \u201cLajeiro\u201d virou EP (ou\u00e7a abaixo). Explicamos tudo para o Funcultura e ficou tudo bem tamb\u00e9m. Em geral, est\u00e1 sendo bem legal o meu primeiro disco sair pela Far Out, traz um certificado para o trabalho.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Lajeiro\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mDhXZCcBvTbmON9d7wh-dMg72vykjuDps\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como eles [equipe Far Out] chegaram at\u00e9 voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nFoi atrav\u00e9s de Bruno [Berle]. N\u00e3o sei se voc\u00ea sabe dessa hist\u00f3ria, mas o Bruno chegou na Far Out atrav\u00e9s da Orquestra de Tambores de Alagoas, que j\u00e1 lan\u00e7ou um disco pelo selo tamb\u00e9m [\u201cBantus e Caet\u00e9s\u201d, de 2010]. O Bruno iria lan\u00e7ar por outro selo, mas um dos integrantes da Orquestra falou pra ele: \u201cManda seus arquivos pro pessoal da Far Out\u201d. Bruno mandou e bom, o resto \u00e9 hist\u00f3ria. Tem duas m\u00fasicas minhas no primeiro \u00e1lbum que Bruno lan\u00e7ou com eles &#8211; \u201cNo Reino dos Afetos\u201d (2022) &#8211; e uma no seguinte &#8211; \u201cNo Reino dos Afetos 2\u201d (2024). Ent\u00e3o, desde antes de fazer o \u201cLajeiro\u201d eu j\u00e1 achava massa que tinham m\u00fasicas minhas l\u00e1 [no cat\u00e1logo da Far Out], por causa dos discos de Bruno. E pensava: \u201cvai que um dia\u2026\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Queria mesmo te perguntar sobre isso. Separando em dois eixos, &#8211; EP e disco -, qual a sua leitura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s est\u00e9ticas e temas trabalhados em cada um deles?<\/strong><br \/>\nO \u201cLajeiro\u201d tem uma coisa de estar num lugar isolado, olhando o mundo de cima, tem muito essa onda. Ele foi gravado em 2022, eu estava morando em Santa Cruz do Capibaribe. Decidi fazer um disco matuto mesmo, pegar umas m\u00fasicas menos popzinhas, mais estrainhas, numa linguagem mais puxada para as nossas coisas. Mas depois eu me liguei que, talvez por eu estar morando em Santa Cruz naquele momento, talvez eu n\u00e3o estivesse t\u00e3o na onda da matutice tamb\u00e9m n\u00e3o, por isso tem um quezinho meio pop tamb\u00e9m. \u00c9 meio misturado. Acho que \u201cEstrela\u201d \u00e9 que mais foge disso, vai mais pra um pop rock assim, uma coisa mais psicod\u00e9lica. Mas \u00e9 isso mesmo, uma coisa que vai mais de m\u00fasica feita no agreste, mas com uma experimenta\u00e7\u00e3ozinha, uma coisa com banda. Apesar de eu sair um pouco dessa rota, de como eu entendo e sinto essa coisa de \u201cm\u00fasica do agreste\u201d nas coisas que fa\u00e7o, tudo est\u00e1 muito ligado a isso. O disco \u00e9 um complemento desse universo, s\u00f3 que mais pop. E \u00e9 um produto feito para uma gravadora gringa, tem que pensar nisso tamb\u00e9m. O \u201cLajeiro\u201d foi feito para o Funcultura e a gente tinha que circular com ele por Pernambuco. Apesar de rolar, n\u00e3o tinha essa pretens\u00e3o de projetar algo para fora. Nesse outro ele j\u00e1 tem isso, n\u00e9? Sonoridade, escolha de repert\u00f3rio tamb\u00e9m\u2026 Mas os dois trabalhos tem muito do agreste. E o que eu venho fazendo de novo eu acho que tem ainda mais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Phylipe Nunes Arau\u0301jo - Bixin (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/riPaBee6vAU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E isso \u00e9 massa. \u00c9 seu centro, seu ponto de partida, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nEstou curtindo fazer isso, porque em nenhum momento estou sentindo que estou caindo num lugar de caricatura, entendeu? Isso \u00e9 o que me instiga a continuar fazendo essa parada. N\u00e3o estou for\u00e7ando uma barra de nordestino, n\u00e3o estou for\u00e7ando o sotaque\u2026 Tem uma naturalidade porque estou me divertindo fazendo. E a\u00ed tem essa onda tamb\u00e9m: eu tenho um EP de 2015 que eu gravei moleque, do quarto de casa. Uma coisa meio MPB com umas guitarras, umas viagens adolescentes. E um \u00e1lbum demo que nunca foi lan\u00e7ado, esse a\u00ed \u00e9 mais de \u201clove songs\u201d. Ali por 2018 at\u00e9 o come\u00e7o da pandemia eu fiquei encucado que eu s\u00f3 sabia fazer m\u00fasica de amor, a\u00ed eu fiquei: \u201cVou parar com isso e escrever outras coisas\u201d. Passei uns anos com essa pira e eu aprendi a fazer isso com \u201cLajeiro\u201d, que re\u00fane m\u00fasicas que n\u00e3o est\u00e3o nesse contexto de amor rom\u00e2ntico.. Tipo \u201cBrasil\u201d, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cBrasil\u201d \u00e9 uma das minhas favoritas do EP, ali\u00e1s!<\/strong><br \/>\nTamb\u00e9m gosto muito dela, adoro tocar ao vivo. \u00c9 uma m\u00fasica que o refr\u00e3o tem uma palavra s\u00f3, as pessoas come\u00e7am a cantar junto ali, \u00e9 muito legal. E foi isso: com \u201cLajeiro\u201d aprendi a fazer m\u00fasicas que n\u00e3o falam de amor. Tem \u201cRevoada\u201d, \u201cPeixe\u201d, can\u00e7\u00f5es com outros contextos, outros assuntos. E isso tamb\u00e9m se complementa no disco, ele traz outras gamas de assunto. Tem m\u00fasicas de amor no disco, mas que n\u00e3o necessariamente s\u00e3o m\u00fasicas de amor rom\u00e2ntico. Por exemplo, \u201cTemperim\u201d, que \u00e9 uma m\u00fasica que eu fiz com a minha companheira, Raisa Feitosa, as pessoas j\u00e1 me falaram que lembram da m\u00e3e ou da av\u00f3. Porque fala do afeto em cozinhar para algu\u00e9m. Um afeto que pode ser familiar, de amizade. Eu me sinto muito satisfeito de ter chegado nisso, de n\u00e3o ficar nessas s\u00f3 de amor rom\u00e2ntico. J\u00e1 me comentaram sobre isso: \u201cgostei do seu disco, ele \u00e9 repleto de assuntos!\u201d. Isso \u00e9 uma parada massa tamb\u00e9m, \u00e9 um disco curto, ele tem 23 minutos. As m\u00fasicas s\u00e3o curtas, mas elas v\u00e3o para v\u00e1rios lugares, ent\u00e3o n\u00e3o se tem a impress\u00e3o de ser um disco curto, d\u00e1 a impress\u00e3o de que tem muita coisa ali dentro dele. E de fato \u00e9 o que acontece, tem muita coisa contida ali. Essa pesquisa se intensificou quando passei a gravar mais, estou chegando em lugares da composi\u00e7\u00e3o que ainda n\u00e3o havia chegado antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Phylipe, tanto o disco, quanto o EP, s\u00e3o breves, feitos de m\u00fasicas curtas, que fazem dos dois lan\u00e7amentos, dois projetos de se ouvir r\u00e1pido. Ao mesmo tempo, estamos nesse contexto de metamorfose de consumo musical via plataformas digitais, onde ouvir um disco ganhou diferentes dimens\u00f5es. Como voc\u00ea enxerga seus trabalhos como resposta \u00e0 essa l\u00f3gica vigente no momento?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma onda pensar nisso, visse? Eu nunca pensei conscientemente em fazer m\u00fasicas curtas para me adaptar a essas novas formas de consumo. \u00c9 mais uma coisa que eu fa\u00e7o h\u00e1 muito tempo. Muito tempo mesmo. Uma das primeiras m\u00fasicas que eu fiz \u00e9 uma m\u00fasica super curta, se chama \u201cPequena\u201d. Ela inclusive quase saiu no \u201cLajeiro\u201d, o Nyron [Higor] toca ela \u00e0s vezes nos shows dele. \u00c9 uma m\u00fasica bem curta, de um minuto e meio. Dez anos atr\u00e1s n\u00e3o tinha tiktok e tal. N\u00e3o estou dizendo que estou inventando nada n\u00e3o, pelo amor de Deus, muito pelo contr\u00e1rio. Talvez seja mais uma coisa de \u201cpregui\u00e7a do compositor\u201d, no sentido de que, tipo assim: tem ali um A, um refr\u00e3o e um B. Se sinto que j\u00e1 est\u00e1 legal, mas tive a ideia de um C que parece outra coisa, muito provavelmente eu vou come\u00e7ar a fazer outra m\u00fasica. Eu n\u00e3o vou prolongar aquela se ela j\u00e1 est\u00e1 legal, com 2 minutos. E a\u00ed \u00e9 uma onda tamb\u00e9m porque isso terminou virando um tra\u00e7o do meu trabalho &#8211; as m\u00fasicas um pouco curtas. \u00c9 massa porque \u00e0s vezes d\u00e1 pra repetir a m\u00fasica, ao vivo isso funciona muito legal. D\u00e1 para fazer vers\u00f5es mais estendidas, suprir um pouco dessa expectativa do p\u00fablico. Mas nunca ouvi nenhuma reclama\u00e7\u00e3o a respeito disso. J\u00e1 ouvi coisa do tipo: \u201cA m\u00fasica \u00e9 curta e quando acaba eu boto pra ouvir de novo\u201d. E a\u00ed acaba entrando nessa l\u00f3gica de novo consumo, que ao inv\u00e9s de ouvir uma vez, a pessoa ouve duas, n\u00e9? Nunca foi algo que me incomodou e nem que reclamaram. Talvez porque eu tenha sabido usar isso como uma ferramenta mesmo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"subindo a ladeira ao vivo no freak studio\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9sT5biH7XlI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como isso se configura nos shows?<\/strong><br \/>\nEu tenho uma penca de m\u00fasicas. Coisas que j\u00e1 gravei, coisas que ainda vou gravar\u2026 Aquele show no Carambola Lab foi um experimento para mim tamb\u00e9m. Me pediram um repert\u00f3rio de uma hora e vinte e eu fiquei: \u201cuou, uma hora e vinte, caramba, minhas m\u00fasicas s\u00e3o curtas, vamos ver no que vai dar!\u201d. Naquelas sess\u00f5es eu toquei umas 20 ou 22 m\u00fasicas diferentes. Isso \u00e9 massa, n\u00e3o enjoa, principalmente quando \u00e9 voz e viol\u00e3o, saca? Quando \u00e9 voz e viol\u00e3o, acho enfadonho quando \u00e9 sempre a mesma harmonia, muitas vezes me distraio. Essa coisa de repetir m\u00fasica tamb\u00e9m me lembra meu tempo de bar, que eu tocava a mesma m\u00fasica duas ou tr\u00eas vezes, todo mundo b\u00eabado, n\u00e3o tinha como perceber. S\u00f3 que \u00e9 aquela coisa, fica um neg\u00f3cio morgado. Pelo bem da performance, tenho preferido fazer isso. De tr\u00eas em tr\u00eas minutos vai vir outra ideia, outra harmonia, outra melodia, outro assunto, estou bem nessa onda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para terminar, amplio um poucos os cen\u00e1rios, Phylipe. Voc\u00ea vem do agreste pernambucano, mas j\u00e1 morou em Macei\u00f3, teve uma experi\u00eancia no interior da Bahia, e agora est\u00e1 vivendo em S\u00e3o Paulo, indo e voltando de Recife. Nisso tudo, voc\u00ea lan\u00e7ou um EP e disco, este com aporte de um selo internacional. Nessas movimenta\u00e7\u00f5es todas, voc\u00ea acha que est\u00e1 conseguindo passar o seu trabalho de um jeito que voc\u00ea considera saud\u00e1vel ou sente que ainda lida com alguns entraves e leitura reducionistas?<\/strong><br \/>\nOlha s\u00f3, at\u00e9 agora rolaram mais coisas estranhas sobre mim na imprensa brasileira do que na gringa. Disseram que eu era do sert\u00e3o, um erro geogr\u00e1fico crasso. Mas no geral, tem sido bem tranquilo. E eu tamb\u00e9m n\u00e3o abro para ningu\u00e9m t\u00e3o f\u00e1cil assim essa coisa da minha identidade. N\u00e3o me intimida de forma alguma que algu\u00e9m fa\u00e7a uma leitura reducionista sobre mim, sobre meu sotaque, seja na minha frente ou n\u00e3o. At\u00e9 agora n\u00e3o encontrei nenhum entrave &#8211; at\u00e9 por ser meio desbocado tamb\u00e9m. Algumas coisas que vejo s\u00f3 dou risada mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tipo o que?<\/strong><br \/>\nAlgumas cr\u00edticas publicadas na Europa e no Jap\u00e3o, por exemplo, sa\u00edram com alguns detalhes que eu acho pitorescas. No Jap\u00e3o o disco tem sido vendido como \u201cfolk psicod\u00e9lico\u201d [risadas]. P\u00f4, se \u00e9 isso que vai fazer a galera l\u00e1 se interessar, vamo que vamo. Mas, apesar disso, todas as mat\u00e9rias que vi na gringa, o pessoal sempre acerta o nome da cidade [Santa Cruz do Capibaribe], acertam que \u00e9 no Nordeste&#8230; Eu dei uma entrevista para o pessoal da Far Out que eles utilizaram no press release e foi massa tamb\u00e9m, porque venho recebendo algumas perguntas da galera de fora muito engra\u00e7adas. Tem um trecho no press release do selo onde eu digo que nem toda vez que algu\u00e9m do Brasil toca um viol\u00e3o de nylon vai ser bossa nova e pra uma galera isso foi um choque de ler. \u201cComo assim n\u00e3o \u00e9 bossa nova?\u201d. Todas as entrevistas que dei pro pessoal de fora eles perguntam dessa cita\u00e7\u00e3o, de onde ela vem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Talvez pelo viol\u00e3o de nylon, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nSim, a minha m\u00fasica traz uma est\u00e9tica muito galgada no viol\u00e3o de nylon, mas tamb\u00e9m tem muito forr\u00f3, inspira\u00e7\u00f5es interioranas e urbanas. Porque o agreste tem isso. Caruaru, por exemplo: voc\u00ea est\u00e1 na cidade, mas saindo dali, n\u00e3o muito longe, voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 numa fazenda de onde nem d\u00e1 mais pra ver o centro da cidade. Enfim, n\u00e3o tenho me incomodado muito com essas coisas n\u00e3o. Em S\u00e3o Paulo mesmo, eu ando muito com nordestinos. Sulistas e sudestinos eu escolho a dedo. Mas no geral \u00e9 isso: lancei um trabalho e agora estou vendo como isso est\u00e1 chegando nas pessoas. E \u00e9 massa perceber que \u00e9 um disco muito nordestino &#8211; em linguagem, acento, musicalidade, instrumenta\u00e7\u00e3o, arranjos e tals. Ao mesmo tempo, ningu\u00e9m tem levado isso para um lado de fetichiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 uma caricatura. Esse disco coloca uma pe\u00e7a que faltava no quebra cabe\u00e7a.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-94537 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/philipe.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"541\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/philipe.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/philipe-300x216.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em que sentido, Phylipe?<\/strong><br \/>\nPra dar uma margem assim, mostrar um nordeste real, nada que caia na caricatura. Eu acho que \u00e0s vezes o artista nordestino cai nesse lugar de caricatura porque no eixo Rio-S\u00e3o Paulo \u00e9 uma parada que vende. Talvez seja por isso que meu disco esteja rolando mais para fora do Brasil do que pra c\u00e1. \u00c9 um trabalho s\u00e9rio, pensado, mas que n\u00e3o \u00e9 caricatura. L\u00e1 fora abra\u00e7am mais do que aqui. Talvez se eu for\u00e7asse mais o meu sotaque. Ou at\u00e9 mesmo a minha imagem, a roupa que visto, passasse a vestir mais coisas de algod\u00e3o cru\u2026 Talvez vendesse mais. O fundamento da m\u00fasica \u00e9 o agreste, mas com outras influ\u00eancias est\u00e9ticas tamb\u00e9m, sabe? Por exemplo: no clipe de \u201cBixin\u201d foi uma escolha est\u00e9tica grav\u00e1-lo no interior. Eu poderia pegar qualquer lugar com mato em S\u00e3o Paulo e fazer isso. Mas n\u00e3o \u00e9 assim, sabe? Ao mesmo tempo que ali a gente n\u00e3o fez nenhuma caricatura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 imagem. S\u00f3 estava ali, num lugar bonito, verdinho. \u201cNordeste tem que ser seco, bota um filtro s\u00e9pia a\u00ed\u201d, sabe? N\u00e3o, n\u00e3o. Est\u00e1vamos saindo do inverno ali, estava tudo lindo. Serve tamb\u00e9m para as pessoas saberem dessa rela\u00e7\u00e3o, que a experi\u00eancia urbana para mim, no interior de Pernambuco, \u00e9 t\u00e3o comum quanto para quem viveu a vida inteira em S\u00e3o Paulo. Obviamente n\u00e3o na mesma propor\u00e7\u00e3o e com outras refer\u00eancias, mas essa \u00e9 a onda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E isso tamb\u00e9m dialoga muito com os seus pr\u00f3prios processos migrat\u00f3rios, n\u00e9? Dentro do Nordeste e atualmente fora dele tamb\u00e9m.<\/strong><br \/>\nSim, isso tamb\u00e9m \u00e9 fruto das migra\u00e7\u00f5es todas que venho fazendo. Passei a entender melhor de onde venho depois que sa\u00ed de Santa Cruz. Entendi que n\u00e3o preciso ficar preso a este universo est\u00e9tico. Ser um \u201cartista do coco\u201d, ser um \u201cartista do forr\u00f3\u201d, isso meio que prende. E ao mesmo tempo, est\u00e1 tudo ali, na m\u00fasica. O maracatu est\u00e1 ali. O forr\u00f3 de Caruaru tamb\u00e9m. Eu n\u00e3o preciso mostrar o ch\u00e3o rachado, sabe? Brincar com essas refer\u00eancias me permitiu expandir mais. E tem tamb\u00e9m as coautorias, que comp\u00f5em uma parte muito forte deste trabalho. A primeira parte inteira do disco s\u00e3o can\u00e7\u00f5es feitas em coautorias. Tem alagoanos, uma sergipana, baianos e pernambucanos, uma miscel\u00e2nea que agregou demais. Todos trouxeram experi\u00eancias de suas moradas. \u00c9 um disco com muitas perspectivas, que viaja por v\u00e1rios lugares e fala de um agreste cosmopolita. Sim, sou do interior de Pernambuco, mas com acesso ao mundo todo. E tem um vi\u00e9s cinematogr\u00e1fico na m\u00fasica tamb\u00e9m, uma preocupa\u00e7\u00e3o imag\u00e9tica que me fez trazer coisas que os nordestinos v\u00e3o reconhecer nas entrelinhas, mas que n\u00e3o vai ficar uma coisa for\u00e7ada e que tamb\u00e9m n\u00e3o deixa de ser universal, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma coisa que todo mundo entende e compartilha, independente de onde vem ou est\u00e1 vivendo, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nIsso! Por exemplo: desde o lan\u00e7amento do disco, \u201cTemperim\u201d foi uma m\u00fasica que cresceu muito. E \u00e9 uma m\u00fasica que v\u00e9i, ela foi escrita toda em \u201cnordestin\u00eas\u201d, \u00e9 toda informalzona. E tem muita gente entendendo a parada e se reconhecendo nela. Ao mesmo tempo, quem investiu em mim vem de fora e n\u00e3o do Brasil. Fico pensando nisso \u00e0s vezes. Ser\u00e1 que faltava ser um pouco mais clich\u00ea pra rolar aqui? Talvez se as coisas tivessem sido mais calculadas, elas teriam ca\u00eddo em outro lugar. Tem alguns errinhos no disco, mas eles s\u00e3o t\u00e3o honestos, que eu j\u00e1 vi as pessoas dizendo que sentiram \u201cerros na execu\u00e7\u00e3o do disco\u201d, mas que esses errinhos tornam o trabalho muito humano. E \u00e9 isso mesmo, tem essa parada. \u00c9 um trabalho que n\u00e3o vem com muitos processos de manipula\u00e7\u00e3o polidos, tem coisas que eu desafino mesmo, ele soa como se fosse ao vivo. Estereotipar \u00e9 mais jogar contra do que qualquer outra coisa e eu tenho medo de me tornar uma caricatura de nordestino. Ent\u00e3o, esteticamente, vou pra outros cantos. Tento n\u00e3o for\u00e7ar uma imagem do Nordeste que \u00e9 o que as pessoas j\u00e1 conhecem, com as vestimentas que as pessoas j\u00e1 esperam. Quando penso que estou neste lugar de artista nordestino, quero quebrar a expectativa das pessoas n\u00e3o nordestinas sobre o que elas acham que um artista nordestino \u00e9. E isso \u00e9 muito legal! Porque elas passam a reconhecer as coisas em outros termos, por outra narrativa, uma outra vis\u00e3o de Nordeste. N\u00e3o t\u00f4 interessado em falar que aqui faz calor, que \u00e9 quente a maior parte do ano. N\u00e3o, n\u00e3o. Vamos mostrar o verdinho do agreste, sabe? Tranquilo, tudo certo. Vamo s\u00f3 fazer da forma mais especial poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">.<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-94538\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/philipe2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"521\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/philipe2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/philipe2-300x208.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Izabela Costa \u00e9 jornalista, assessora de imprensa e produtora cultural. Desde 2017 atua de maneira aut\u00f4noma por meio de sua pr\u00f3pria ag\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o, a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/assessoriza\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@assessoriza<\/a>. Atualmente vive em situa\u00e7\u00e3o n\u00f4made entre os estados de S\u00e3o Paulo, Pernambuco e Alagoas.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Algu\u00e9m que carrega o interior como origem, mas n\u00e3o como limite, Phylipe \u00e9 natural de Santa Cruz do Capibaribe, agreste de Pernambuco, mas j\u00e1 viveu em Macei\u00f3 (AL), Olinda (PE) e Santo Amaro (BA)\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/03\/03\/entrevista-phylipe-nunes-araujo-centraliza-o-agreste-na-musica-brasileira-em-disco-de-estreia\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":129,"featured_media":94539,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[8105],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94535"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=94535"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94535\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":94540,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94535\/revisions\/94540"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/94539"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=94535"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=94535"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=94535"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}