{"id":94392,"date":"2026-02-21T01:38:11","date_gmt":"2026-02-21T04:38:11","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=94392"},"modified":"2026-03-18T00:46:25","modified_gmt":"2026-03-18T03:46:25","slug":"critica-para-sempre-medo-mostra-que-o-raio-da-boa-sorte-nao-cai-varias-vezes-no-mesmo-lugar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/02\/21\/critica-para-sempre-medo-mostra-que-o-raio-da-boa-sorte-nao-cai-varias-vezes-no-mesmo-lugar\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: \u201cPara Sempre Medo\u201d mostra que o raio da boa sorte n\u00e3o cai v\u00e1rias vezes no mesmo lugar"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o d\u00e1 para culpar Osgood Perkins por n\u00e3o ser perfeito o tempo todo. Mas o fato \u00e9 que, especialmente depois do surpreendente sucesso de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/09\/03\/cinema-longlegs-vinculo-mortal-pode-nao-ser-o-filme-de-terror-do-ano-mas-e-deleite-de-assistir\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Longlegs<\/a>\u201d (2024), as expectativas para qualquer novo projeto do diretor aumentaram vertiginosamente. Tanto \u00e9 que, s\u00f3 em 2025, o homem conseguiu enfileirar dois projetos diferentes. Por um lado, \u201cO Macaco\u201d (&#8220;The Monkey&#8221;) se beneficia de muito do que deu certo em seu longa mais aclamado, al\u00e9m de poder se amparar em um roteiro que adapta uma hist\u00f3ria menos conhecida, por\u00e9m n\u00e3o menos instigante, de Stephen King. O sucesso da cr\u00edtica, se n\u00e3o se converteu em n\u00fameros esmagadores de p\u00fablico, pelo menos foi o suficiente para conseguir solidificar um enredo que tem tudo para se converter em um futuro cult.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, a mesma mar\u00e9 de boa sorte n\u00e3o se estendeu a \u201cPara Sempre Medo\u201d (\u201cKeeper\u201d, 2025 \u2013 que tradu\u00e7\u00e3o mequetrefe, convenhamos), que chega agora aos cinemas brasileiros ap\u00f3s um per\u00edodo generoso de exibi\u00e7\u00e3o nos cinemas estrangeiros. A distribui\u00e7\u00e3o da Neon, indicativa (para muitos) de qualidade cinematogr\u00e1fica, pode ser algo enganosa aqui: mesmo um elenco enxuto, com potencial e dedica\u00e7\u00e3o, e uma hist\u00f3ria conduzida por um argumento pertinente n\u00e3o conseguem salvar este projeto de ser uma decep\u00e7\u00e3o, ainda que relativamente. Ao inv\u00e9s de um desastre anunciado, o que fica \u00e9 a impress\u00e3o de potencial desperdi\u00e7ado.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-94397 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/parasempremedo3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/parasempremedo3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/parasempremedo3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Liz (Tatiana Maslany) \u00e9 uma pintora que vive um dilema afetivo. Isso porque, \u00e0s v\u00e9speras de completar um ano de seu relacionamento com o m\u00e9dico Malcolm (Rossif Sutherland), ela ainda sofre de certa desconfian\u00e7a \u2013 e o comportamento algo evasivo do namorado n\u00e3o ajuda a reprimir a possibilidade da exist\u00eancia de uma fam\u00edlia secreta, ou de outras amantes. Assim, a proposta de um fim de semana comemorativo em uma casa na floresta se torna mais do que promissora. A casa, uma heran\u00e7a familiar, passa longe de ser privativa. Janelas sem cortinas, portas que n\u00e3o trancam e amplas janelas, se causam estranhamento, n\u00e3o chegam a assustar a jovem, \u00e0 princ\u00edpio. As coisas come\u00e7am a mudar, entretanto, com o aparecimento de um bolo de chocolate, que teria sido preparado pela pessoa respons\u00e1vel por cuidar da casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o demora muito para que Liz tamb\u00e9m seja apresentada ao primo de Malcolm, Darren (Birkett Turton), que mora em outra casa na mesma propriedade, e cujo comportamento \u00e9 completamente diferente ao de seu familiar: mis\u00f3gino, nojento e arrogante, o rapaz toma como principal alvo sua acompanhante, a jovem Minka (Eden Weiss), que, em segredo, tamb\u00e9m parece ter tido uma experi\u00eancia estranha com um bolo de chocolate muito parecido com o oferecido a Liz. \u00c9 ap\u00f3s ingerir o tal bolo, entretanto, que a mo\u00e7a come\u00e7a a ser acometida por estranhas e perturbadoras alucina\u00e7\u00f5es, que indicam uma trama mais sombria que ocorre dentro da casa. Sozinha em casa ap\u00f3s um chamado de trabalho de Malcolm, Liz precisa correr contra o tempo para entender as violentas vis\u00f5es, e como estas representam uma amea\u00e7a muito maior do que ela pr\u00f3pria imagina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma breve olhada na sinopse de \u201cPara Sempre Medo\u201d pode ser o suficiente para decifrar a trama praticamente inteira do filme \u2013 no pior sentido. Se, no papel, a ideia do roteiro (escrito por Nick Lepard) \u00e9 instigante, a realiza\u00e7\u00e3o simplesmente n\u00e3o funciona. Mesmo as alus\u00f5es iniciais protocolares ao grande mist\u00e9rio que habita o cerne do longa n\u00e3o s\u00e3o bem constru\u00eddas o suficiente para gerar engajamento no espectador. Pelo contr\u00e1rio: se h\u00e1 um filme capaz de fazer com que cin\u00e9filos recorram ao celular para ver mensagens ou o feed de qualquer rede social, \u00e9 este. Do in\u00edcio, com tomadas ambiciosas e intrigantes que almejam (com pouco sucesso) criar uma aura enigm\u00e1tica, at\u00e9 o pouco inspirado final, \u00e9 tudo carregado na apar\u00eancia, por\u00e9m raso em subst\u00e2ncia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"PARA SEMPRE MEDO | Trailer Oficial Legendado\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wzpDHekJ_gw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo performances milagrosas n\u00e3o seriam capazes de salvar um enredo um tanto acomodado. E olha que Tatiana Maslany j\u00e1 provou ser uma atriz mais do que talentosa. O problema \u00e9 que sua personagem quase n\u00e3o consegue se decidir entre o empoderamento e a subjei\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil. E, dessa forma, a int\u00e9rprete n\u00e3o consegue convencer em nenhuma das duas frentes. N\u00e3o ajuda, claro, o fato de que seu principal coadjuvante tem o carisma de uma folha sulfite em branco. Rossif Sutherland n\u00e3o aparenta qualquer esfor\u00e7o em gerar aten\u00e7\u00e3o a seu personagem, e prova que n\u00e3o, talento n\u00e3o corre na fam\u00edlia \u2013 o sobrenome n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia: o ator \u00e9 filho do falecido Donald Sutherland, e meio-irm\u00e3o de Kiefer \u201cJack Bauer\u201d Sutherland. Com poucas passagens dedicadas ao machista Darren de Birkett Turton (quase caricato em sua atua\u00e7\u00e3o repulsiva), a responsabilidade de carregar uma trama bastante irregular cai sobre as costas de Maslany. E \u00e9 um fardo claramente pesado demais para uma pessoa s\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas escolhas visuais s\u00e3o interessantes, e a cinematografia trabalha bem com o ambiente isolado de uma casa rodeada por \u00e1rvores e um riacho. A trilha sonora, \u00e0 cargo do canadense Edo Van Breemen, oscila entre o surpreendente e o inexpressivo, apesar de se sobressair em momentos de maior tens\u00e3o. O trabalho de edi\u00e7\u00e3o talvez seja, aqui, o mais louv\u00e1vel: qualquer arremedo de susto que possa ser obtido aqui se deve totalmente \u00e0s tomadas mais longas, que v\u00e3o na contram\u00e3o de muito do que se faz no cinema contempor\u00e2neo. Trata-se de um elemento que poderia alienar muito do p\u00fablico de cinema mainstream, e que, em melhores circunst\u00e2ncias, poderia inclusive ajudar a configurar um novo cl\u00e1ssico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 exatamente isso que \u201cPara Sempre Medo\u201d claramente gostaria de ser. Ambicioso, contundente em sua interpreta\u00e7\u00e3o de temas mais atuais do que nunca, e embalado por um cineasta com credenciais mais do que comprovadas, por\u00e9m, o resultado vai pelo caminho contr\u00e1rio: acidentado, confuso, irregular e, ao fim, esquec\u00edvel. O tempo talvez far\u00e1 com que esta seja apenas uma glorificada nota de rodap\u00e9 nas not\u00e1veis carreiras de Osgood Perkins e Tatiana Maslany \u2013 e olhe l\u00e1. Melhor sorte na pr\u00f3xima.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-94395 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/parasempremedo.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1102\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/parasempremedo.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/parasempremedo-204x300.jpg 204w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4cfQaQO-YD4\">\u00a0Davi Caro<\/a>\u00a0\u00e9 professor<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4cfQaQO-YD4\">,<\/a>\u00a0tradutor, m\u00fasico, escritor e estudante de Jornalismo. Leia mais textos dele\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/davi-caro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ao inv\u00e9s de um desastre anunciado, o que fica \u00e9 a impress\u00e3o de potencial desperdi\u00e7ado.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/02\/21\/critica-para-sempre-medo-mostra-que-o-raio-da-boa-sorte-nao-cai-varias-vezes-no-mesmo-lugar\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":134,"featured_media":94396,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[7333],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94392"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/134"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=94392"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94392\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":94398,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94392\/revisions\/94398"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/94396"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=94392"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=94392"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=94392"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}