{"id":93902,"date":"2026-02-10T09:18:53","date_gmt":"2026-02-10T12:18:53","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=93902"},"modified":"2026-03-18T10:24:56","modified_gmt":"2026-03-18T13:24:56","slug":"lollapalooza-brasil-2026-deftones-turnstile-e-o-rock-como-commodity-cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/02\/10\/lollapalooza-brasil-2026-deftones-turnstile-e-o-rock-como-commodity-cultural\/","title":{"rendered":"Lollapalooza Brasil 2026: Deftones, Turnstile e o rock como commodity cultural"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/fernandoyokota\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fernando Yokota<\/a>\u00a0<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na d\u00e9cada de 1930, Theodor Adorno denunciava uma forma pobre de m\u00fasica que ganhava popularidade por sua suposta acessibilidade, seja por sua &#8220;simplicidade&#8221; ou pela possibilidade de adquiri-la na forma de grava\u00e7\u00f5es em disco: o frankfurtiano tinha em sua al\u00e7a de mira o jazz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Avance para o presente e temos o rock, ou pelo menos sua vertente mais tradicional, como o Adorno de 2026 reivindicando um certo &#8220;lugar de virtude&#8221;, n\u00e3o raramente escorregando para a vers\u00e3o da cultura pop da &#8220;tradi\u00e7\u00e3o e dos bons costumes&#8221;. O g\u00eanero, no entanto, resiste por diversos meios, mas tomemos a nostalgia, que em princ\u00edpio seria princ\u00edpio ativo unicamente a servi\u00e7o de um discurso esteticamente conservador, como objeto de interesse e que tem no lineup do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Lollapalooza\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lollapalooza Brasil<\/a> deste ano dois exemplos not\u00e1veis.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"20 Years of White Pony\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PLNRsYvRgbfmpds3pr6cvJCp2R9cL6RTW5\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Deftones e o &#8220;p\u00eandulo da nostalgia&#8221;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;White Pony&#8221;, cl\u00e1ssico indisput\u00e1vel dos Deftones, foi lan\u00e7ado h\u00e1 26 anos. A dist\u00e2ncia entre o Lollapalooza 2026 e o lan\u00e7amento do \u00e1lbum \u00e9 a mesma que a dist\u00e2ncia entre o &#8220;White Pony&#8221; e &#8220;Sheer Heart Attack&#8221; do Queen ou &#8220;Gita&#8221; de Raul Seixas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe uma ideia de que, na cultura pop, ocorre a cada duas ou tr\u00eas d\u00e9cadas o que chamam de &#8220;p\u00eandulo da nostalgia&#8221;, ou seja, algo que um dia foi moda, deixou de ser e agora volta a ser. No caso dos Deftones, o fogo no mato seco acontece por conta de meios como o Tik Tok, que concederam \u00e0 m\u00fasica dos californianos o poder da transcend\u00eancia geracional. Uma banda que, em seu pico, encheu casas de m\u00e9dio porte, agora n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 co-headliner em grandes festivais como tamb\u00e9m quebra a barreira do nicho de &#8220;banda de metal&#8221;, coabitando posters com artistas como Sabrina Capenter e Tyler, The Creator, sendo ressignificada como trilha sonora de sexo para uma Gera\u00e7\u00e3o Z.<\/p>\n<figure id=\"attachment_93909\" aria-describedby=\"caption-attachment-93909\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-93909\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/turnstile.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/turnstile.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/turnstile-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-93909\" class=\"wp-caption-text\"><em>Turnstile no Brasil em 2024 \/ Fotos de Fernando Yokota<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O liquidificador de estilos do Turnstile<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na outra ponta do fim de semana no Aut\u00f3dromo de Interlagos temos o igualmente co-headliner Turnstile, que integra uma onda de regenera\u00e7\u00e3o da imagem da cidade de Baltimore, por muito tempo entendida como sin\u00f4nimo de viol\u00eancia urbana e degrada\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cidade encontra um lugar peculiar na psiqu\u00e9 estadunidense, uma esp\u00e9cie de f\u00eanix relutante da gera\u00e7\u00e3o Z, que tenta renascer das cinzas do capitalismo tardio e que acolhe figuras como Luigi Mangione (este, natural de Baltimore) como estandartes da resist\u00eancia contra um sistema que os abandonou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que de forma menos controversa que no caso de Mangione, o Turnstile representa a gera\u00e7\u00e3o que ressignifica o rock atrav\u00e9s de um coquetel de diversidade social (Franz Lyons, baixista, \u00e9 negro e Meg Mills assumiu uma das guitarras em 2023) e de estilos, com a banda misturando hardcore, yacht rock e reggae em m\u00fasicas de tr\u00eas minutos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse &#8220;liquidificador musical&#8221; s\u00f3 funciona pelo fato da banda faz\u00ea-lo de forma org\u00e2nica, express\u00e3o de uma gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 capaz de ver Bad Brains, The Specials e o Police como um espectro de influ\u00eancias, sem a lente do sectarismo musical.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"TURNSTILE - SEEIN\u2019 STARS \/ BIRDS [OFFICIAL VIDEO]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/a95G2GzB3t0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O headliner, essa figura m\u00edstica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seja pela ressignifica\u00e7\u00e3o por parte dos f\u00e3s como no caso dos Deftones, ou pela abordagem ecum\u00eanica de estilos do Turnstile, o lineup do Lollaalooza, analisado do ponto de vista do rock, gera interesse por propor uma resposta para uma pergunta que os f\u00e3s se relutam em fazer: quem encabe\u00e7ar\u00e1 os festivais depois que os Metallicas, os Iron Maidens e os AC\/DCs aposentarem?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/pca.st\/3p7s5i23\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Neste podcast<\/a>, Kam Haq, curador do Download Festival no Reino Unido para a Live Nation falou, entre outras coisas, sobre a dificuldade de se encontrar (e produzir) novos headliners atualmente. <a href=\"https:\/\/pca.st\/3p7s5i23\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vale a pena ouv\u00ed-lo<\/a>!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Curiosamente, o Brasil tem lugar peculiar nessa quest\u00e3o. Nos \u00faltimos anos, artistas como o System Of A Down, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/12\/03\/ao-vivo-em-sao-paulo-bring-me-the-horizon-faz-maior-show-de-sua-historia-e-prova-que-e-gigante\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bring Me The Horizon<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Evanescence\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Evanescence<\/a> e, recentemente, o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Avenged+Sevenfold\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Avenged Sevenfold<\/a>, fizeram no pa\u00eds suas maiores apresenta\u00e7\u00f5es fora de festivais, mostrando um prov\u00e1vel caminho que o mapa dos festivais possa seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir dessa perspectiva, o Lollapalooza de 2026 passa a ser terreno etnogr\u00e1fico f\u00e9rtil. Para quem as bandas v\u00e3o tocar? Qual a idade dessas pessoas? O que elas escutam? Exageros \u00e0 parte, s\u00e3o quest\u00f5es que est\u00e3o diretamente relacionadas \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do rock como commodity cultural relevante, absolvendo-a do destino de ser trilha sonora de charutaria e motoclube pelo resto da eternidade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-93905 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/lolla1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/lolla1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/lolla1-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/fernandoyokotafotografia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fernando Yokota<\/a>\u00a0\u00e9 fot\u00f3grafo de shows e de rua. Conhe\u00e7a seu trabalho:\u00a0<a href=\"http:\/\/fernandoyokota.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/fernandoyokota.com.br\/\u00a0<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Lollapalooza de 2026 \u00e9 um terreno etnogr\u00e1fico f\u00e9rtil. Para quem as bandas v\u00e3o tocar? Qual a idade dessas pessoas? 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