{"id":93794,"date":"2026-02-09T01:06:15","date_gmt":"2026-02-09T04:06:15","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=93794"},"modified":"2026-03-13T00:40:51","modified_gmt":"2026-03-13T03:40:51","slug":"entrevista-o-pavement-superou-em-muito-todas-as-nossas-expectativas-reflete-bob-nastanovich-num-papo-sobre-amigos-cavalos-e-berros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/02\/09\/entrevista-o-pavement-superou-em-muito-todas-as-nossas-expectativas-reflete-bob-nastanovich-num-papo-sobre-amigos-cavalos-e-berros\/","title":{"rendered":"Entrevista: &#8220;O Pavement superou todas as nossas expectativas&#8221;, diz Bob Nastanovich num papo sobre amigos, cavalos e berros"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/hebertonbas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Heberton Barreira<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poucas figuras do rock independente norte-americano re\u00fanem contrastes t\u00e3o fortes quanto <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nastanovich67\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bob Nastanovich<\/a>. Conhecido por sua presen\u00e7a intensa no palco com o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Pavement\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pavement,<\/a> ele dividiu a vida adulta entre a an\u00e1lise de corridas de cavalos e a cultura do rock underground. \u00c0 primeira vista, esses dois mundos parecem incompat\u00edveis, mas Nastanovich fala de ambos com a mesma mistura de devo\u00e7\u00e3o, autocr\u00edtica e humor seco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde que a primeira fase do Pavement chegou ao fim, em 1999, Nastanovich trabalhou de forma incans\u00e1vel no universo das corridas de cavalos, acumulando dezenas de empregos, criando cavalos nos Estados Unidos e na Inglaterra e perseguindo um sonho que ele pr\u00f3prio admite ser economicamente irracional falando sem rodeios sobre o pre\u00e7o disso tudo. Ainda assim, insiste que a busca continua valendo a pena, mesmo que, como ele mesmo diz, isso o deixe \u201cgeralmente bem quebrado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa honestidade se estende \u00e0 maneira como ele enxerga o sucesso do Pavement. A banda, segundo ele, superou de forma absurda qualquer expectativa que tinha, inclusive financeira. O que come\u00e7ou como um projeto art\u00edstico modesto acabou se tornando uma presen\u00e7a cultural perp\u00e9tua, constantemente redescoberta por novas gera\u00e7\u00f5es. Nastanovich segue genuinamente surpreso com essa sobrevida, especialmente ao ver a banda atravessar a viraliza\u00e7\u00e3o no TikTok e tocar para plateias de festivais cheias de f\u00e3s mais jovens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No palco, Nastanovich sempre funcionou como uma esp\u00e9cie de regulador humano de voltagem, canalizando o caos em movimento. Seu papel evoluiu de forma decisiva ap\u00f3s a sa\u00edda do baterista original <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/03\/16\/primeiro-baterista-do-pavement-gary-young-e-tema-do-otimo-documentario-louder-than-you-think\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gary Young<\/a>, uma presen\u00e7a brilhante e inst\u00e1vel cuja cren\u00e7a na tens\u00e3o como motor criativo frequentemente levava a banda ao limite. Nastanovich olha para aqueles anos com compaix\u00e3o, n\u00e3o com nostalgia, reconhecendo tanto o perigo quanto a eletricidade daquele per\u00edodo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m do Pavement, sua vis\u00e3o de mundo foi moldada pela r\u00e1dio universit\u00e1ria \u2014 que, como ele mesmo diz, era \u201cbasicamente nossa vida social\u201d \u2014, por Hoboken no in\u00edcio dos anos 1990, com o Yo La Tengo a poucos quarteir\u00f5es de dist\u00e2ncia, e por refer\u00eancias como o guitar pop neozeland\u00eas, o panorama musical de Athens e a atitude punk da era SST. Ele continua desconfiado da mitifica\u00e7\u00e3o e da idolatria, seja em rela\u00e7\u00e3o ao Grateful Dead \u2014 uma banda de que nunca gostou \u2014, seja das narrativas f\u00e1ceis sobre sucesso no rock. Observa o hype com curiosidade, mas sem necessariamente se engajar, como no caso do Geese, cuja ascens\u00e3o ele acompanha \u00e0 dist\u00e2ncia, mesmo sem ter ouvido os discos. Ao falar do sucesso tardio de \u201cHarness Your Hopes\u201d nas plataformas de streaming, recorre a uma li\u00e7\u00e3o mais anal\u00f3gica, lembrando das plateias que iam a shows do Butthole Surfers apenas para ouvir \u201cPepper\u201d, o hit da MTV, e depois iam embora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nastanovich pensa com cuidado sobre selos e lealdade \u2014 brincando que seria engra\u00e7ado receber David Byrne nos bastidores dizendo: \u201cSou o Bob do Pavement. A gente \u00e9 meio que a banda-carro-chefe da Matador. Bem-vindo \u00e0 Matador\u201d \u2014 e \u00e9 ferozmente protetor de seus companheiros, em especial Stephen Malkmus, a quem ele rejeita com firmeza qualquer r\u00f3tulo de \u201cSlacker King\u201d. Esse senso de lealdade se estende com a mesma for\u00e7a a Steve West, amigo de uma vida inteira, cuja estabilidade, musicalidade e confiabilidade silenciosa ele claramente admira. A rela\u00e7\u00e3o entre os dois antecede o Pavement em d\u00e9cadas, enraizada numa adolesc\u00eancia compartilhada, em trajet\u00f3rias paralelas e num respeito m\u00fatuo que sobreviveu a ciclos e expectativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que se revela aqui n\u00e3o \u00e9 uma postura ir\u00f4nica ou distante, mas um compromisso constante \u2014 com a m\u00fasica, com os cavalos, com amizades que duram d\u00e9cadas e com uma vida criativa constru\u00edda tanto no esfor\u00e7o di\u00e1rio quanto nos acasos do caminho. Nastanovich pode brincar dizendo que \u00e9 irrespons\u00e1vel, mas o ponto em comum \u00e9 claro: ele est\u00e1 presente. Continua interessado. Continua seguindo em frente. Com seus gritos e berros j\u00e1 cl\u00e1ssicos e inconfund\u00edveis, Bob Nastanovich \u00e9 Bob Scream &amp; Yell. Leia a conversa abaixo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pavement at Primavera Sound 2022 Barcelona\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QgCJJY23i7o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E a\u00ed, Bob! Como v\u00e3o as coisas?<\/strong><br \/>\nEst\u00e1 tudo \u00f3timo! Bom te ver, amigo. E voc\u00ea, como tem passado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tudo \u00f3timo por aqui! E por a\u00ed?<\/strong><br \/>\nTamb\u00e9m estou bem. Bem mesmo. Est\u00e1 frio. Fazer o qu\u00ea?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E os cavalos, como est\u00e3o?<\/strong><br \/>\nOs meus s\u00e3o bem lentos e fofos. N\u00e3o exatamente o que voc\u00ea procura num cavalo de corrida, ali\u00e1s. Definitivamente n\u00e3o \u00e9 esse o objetivo, mas eles s\u00e3o muito fofos. S\u00f3 n\u00e3o s\u00e3o r\u00e1pidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos come\u00e7ar por a\u00ed. Voc\u00ea ainda coleta dados para o <a href=\"https:\/\/www.thorograph.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Thoro-Graph<\/a>?<\/strong><br \/>\nSim. E tamb\u00e9m fa\u00e7o dois programas de r\u00e1dio na <a href=\"https:\/\/www.horseracingradio.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Horse Racing Radio Network<\/a>, \u00e0s quintas e sextas-feiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Poderia explicar brevemente como voc\u00ea chegou nesse trabalho com cavalos e an\u00e1lise de corridas?<\/strong><br \/>\nBasicamente, eu virei f\u00e3 de corridas de cavalos ainda crian\u00e7a. Quando me mudei para Nova York \u2014 ou melhor, para Hoboken, em Nova Jersey \u2014 eu era motorista de \u00f4nibus em Manhattan.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hoboken? \u00c9 a mesma cidade onde o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Yo+La+Tengo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Yo La Tengo<\/a> come\u00e7ou, certo? Voc\u00ea j\u00e1 conhecia os caras naquela \u00e9poca?<\/strong><br \/>\nSim. Eles moravam a uns quatro quarteir\u00f5es de dist\u00e2ncia. O <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Steve+Shelley\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Steve Shelley<\/a>, baterista do Sonic Youth, morava l\u00e1. O Bob Bert, o baterista original do Sonic Youth, tamb\u00e9m morava l\u00e1. Mas o mais importante de Hoboken \u00e9 que havia uma loja de discos incr\u00edvel chamada Pier Platters e um pequeno espa\u00e7o fant\u00e1stico para shows chamado Maxwell\u2019s. Ambos ficavam muito perto da minha casa, o que era maravilhoso. E, al\u00e9m disso, dava para pegar um trem de 20 minutos por um d\u00f3lar at\u00e9 Nova York, onde, naquela \u00e9poca, estava acontecendo muita coisa no underground. Havia v\u00e1rios lugares muito legais \u2014 o CBGB\u2019s, o Pyramid Club e muitos outros. Foi um momento excelente para me mudar para l\u00e1. Eu tinha acabado a universidade e fui para Hoboken com 22 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minha forma\u00e7\u00e3o profissional era bem rudimentar. Estudei US Government (and Civics), mas nunca pensei seriamente em fazer faculdade de Direito. Acabei aprendendo a ser motorista de \u00f4nibus. Durante a adolesc\u00eancia, eu tinha me envolvido profundamente com m\u00fasica, principalmente atrav\u00e9s da cole\u00e7\u00e3o de discos da r\u00e1dio universit\u00e1ria. Quando cheguei \u00e0 UVA (The University of Virginia), havia muita gente interessante por l\u00e1. Meu grupo de amigos inclu\u00eda pessoas muito talentosas, entre elas Stephen Malkmus e David Berman. E eu consegui convenc\u00ea-los a se mudar para a regi\u00e3o de Nova York.<\/p>\n<figure id=\"attachment_93797\" aria-describedby=\"caption-attachment-93797\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-93797\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/bob1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/bob1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/bob1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-93797\" class=\"wp-caption-text\"><em>Bob Nastanovich \/ foto de Emma Berry<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea virou propriet\u00e1rio de cavalos nessa \u00e9poca? E o Malkmus e o Berman se formaram?<\/strong><br \/>\nSim. O Stephen era um ano mais velho. Ele se formou \u2014 era um aluno excelente, com dupla gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria e Ingl\u00eas. O David, claro, era um poeta brilhante e n\u00e3o teve dificuldade nenhuma em concluir o curso. Eu, por outro lado, era um estudante irrespons\u00e1vel, ent\u00e3o foi mais complicado. Mas enfim, todos n\u00f3s nos mudamos para a regi\u00e3o de Nova York, e foi ali que o Silver Jews come\u00e7ou \u2014 especificamente no meu apartamento na Willow Avenue, que ficava no subsolo. O Pavement j\u00e1 existia. A banda tinha come\u00e7ado alguns anos antes, na Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Stephen se formou um ano antes da gente e passou esse tempo viajando pelo mundo. Acho que ele gastou praticamente todas as economias nisso. Depois voltou para Stockton, que \u00e9 um lugar meio deprimente na Calif\u00f3rnia, onde o Pavement surgiu. Ele estava basicamente esperando o momento de se mudar de novo. Havia muita coisa acontecendo em Nova York, e n\u00f3s o convencemos a ir para l\u00e1. Foi por essa \u00e9poca que o Pavement decidiu sair em turn\u00ea pela primeira vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ligando isso \u00e0s corridas de cavalos: morar naquela regi\u00e3o significava ter acesso a corridas de alt\u00edssima qualidade. Eu passava praticamente todo o meu tempo livre, quando n\u00e3o estava indo a shows, indo \u00e0s corridas e acompanhando o esporte. Durante os anos 1990, o Pavement n\u00e3o ganhava muito dinheiro no come\u00e7o. Come\u00e7amos a ganhar dinheiro mesmo depois de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/04\/22\/discografia-comentada-todos-os-discos-do-pavement\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Crooked Rain<\/a>\u201d (1994), principalmente com turn\u00eas. Fizemos muitas turn\u00eas. E, conforme os anos 1990 avan\u00e7avam, eu passei a perseguir o sonho de ser propriet\u00e1rio de cavalos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois deixei Nova York e me mudei para o Kentucky, que \u00e9 um grande polo de corridas nos Estados Unidos, e continuei perseguindo esse sonho. Quando o Pavement acabou em 1999, ap\u00f3s a turn\u00ea do \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/04\/22\/discografia-comentada-todos-os-discos-do-pavement\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Terror Twilight<\/a>\u201d, eu tinha economizado algum dinheiro e percebi que precisava arrumar empregos no mundo das corridas. Desde o fim do Pavement, j\u00e1 tive provavelmente entre 15 e 20 empregos diferentes nessa \u00e1rea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 verdade que voc\u00ea \u00e9 o primeiro americano a ter ido a todas as 60 pistas de corrida do Reino Unido?<\/strong><br \/>\nSim. A primeira vez que o Pavement foi para a Inglaterra foi em 1992, e eu fiquei completamente fascinado pela cultura das corridas no Reino Unido. Fui ao meu primeiro hip\u00f3dromo em 1993, e aquilo foi muito encantador para mim. O primeiro hip\u00f3dromo que visitei foi o de Beverley, que \u00e9 pequeno, no norte da Inglaterra. Depois fui a Newmarket, que \u00e9 um dos mais famosos \u2014 o Rowley Mile. Durante aqueles primeiros anos de turn\u00eas na Inglaterra, conheci meu melhor amigo, John MacArthur, e decidimos tentar visitar todos os 60.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso levou cerca de 25 anos. Na verdade, um pouco menos, porque os hip\u00f3dromos ficam espalhados por todo o Reino Unido. Foi uma empreitada e tanto, bastante exigente. Especialmente considerando que, se eu fosse para l\u00e1 por um m\u00eas, o m\u00e1ximo que dava para conhecer eram uns dez hip\u00f3dromos novos. Mas sim, decidimos fazer isso \u2014 e conseguimos. Gastamos muito dinheiro pelo caminho, bebemos muita cerveja e vimos coisas incr\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema \u00e9 que, durante esse per\u00edodo, eu passei a achar que era financeiramente vi\u00e1vel criar e reproduzir cavalos de corrida. Ao longo de mais de 40 anos da minha vida, percebi que isso n\u00e3o era verdade \u2014 eu simplesmente n\u00e3o sou rico o suficiente para isso. Como resultado, tomei muitas decis\u00f5es extremamente irrespons\u00e1veis. Eu estou competindo com algumas das pessoas mais ricas do mundo. Tive um pouco de sucesso, nada digno de nota. Tive cavalos lindos \u2014 h\u00e1 fotos deles por toda esta casa. Alguns pagaram, outros ajudaram a bancar alguns dos mais lentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu n\u00e3o tenho filhos, ent\u00e3o os cavalos que criei s\u00e3o meus filhos. E s\u00e3o filhos muito caros (risos). Infelizmente, n\u00e3o consigo v\u00ea-los com tanta frequ\u00eancia. Tenho alguns aqui nos Estados Unidos e outros na Inglaterra. Eles ficam em Newmarket com um casal maravilhoso \u2014 o treinador John Barry e sua esposa, Emma Barry, que s\u00e3o dois dos meus melhores amigos. No momento, as esperan\u00e7as ainda s\u00e3o altas. Mas quanto antes algo bom acontecer, melhor \u2014 se \u00e9 que voc\u00ea me entende.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pavement - &quot;Stereo&quot;\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GrJyTeuQCzo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E sempre conciliando isso em paralelo com a banda\u2026<\/strong><br \/>\nEnquanto isso, o Pavement continua ativo o suficiente para que eu consiga pagar quase todas as contas. Mas, por causa da minha decis\u00e3o nada s\u00e1bia de ser propriet\u00e1rio de cavalos, eu geralmente estou bem quebrado. Mesmo assim, tudo isso vale a pena para mim. Vale a pena. Voc\u00ea persegue o seu sonho. Algumas pessoas t\u00eam sucesso, outras conseguem realizar, e outras escolhem participar do jogo mais dif\u00edcil do mundo para vencer \u2014 que \u00e9 o das corridas de cavalos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso, em poucas palavras, resume o qu\u00e3o irrealista eu sou. Acho que desperdicei muita boa fortuna, se \u00e9 que isso existe, com o Pavement. A banda superou em muito todas as nossas expectativas, inclusive as financeiras. N\u00f3s s\u00f3 esper\u00e1vamos ser uma banda de que algumas pessoas gostassem. Era uma grande emo\u00e7\u00e3o fazer m\u00fasica, tocar ao vivo, ver as pessoas gostarem das m\u00fasicas, receber boas cr\u00edticas. N\u00e3o esper\u00e1vamos continuar depois de 1999 \u2014 pelo menos eu n\u00e3o esperava \u2014 porque eu n\u00e3o toco m\u00fasica de verdade. Eu certamente n\u00e3o escrevo m\u00fasica. N\u00e3o sei improvisar com outras pessoas. Tudo o que eu sei fazer \u00e9 cumprir o meu papel no Pavement (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se eu tiver sorte \u2014 e agora estamos tocando de forma bem espor\u00e1dica, como nesses shows recentemente anunciados nos Estados Unidos em julho \u2014 \u00e9 dif\u00edcil ficar seis meses sem tocar e depois subir no palco. \u00c9 fisicamente exigente para algu\u00e9m que est\u00e1 fora de forma como eu. Mas o p\u00fablico\u2026 as pessoas s\u00e3o realmente apaixonadas pelo Pavement. Elas me carregam. Eu dependo bastante do entusiasmo da plateia. E, al\u00e9m disso, eu amo a maioria das m\u00fasicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Legal! Vamos falar um pouco sobre a sua aprecia\u00e7\u00e3o por bandas da Nova Zel\u00e2ndia. No livro \u201c<a href=\"https:\/\/amzn.to\/3ZTBy7Q\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Needles &amp; Plastic<\/a>\u201d, do Matthew Goody, h\u00e1 uma cita\u00e7\u00e3o sua na contracapa: \u201cShepherd e seus brilhantes colaboradores entregaram a produ\u00e7\u00e3o lend\u00e1ria n\u00e3o s\u00f3 de nomes centrais como The Clean, The Chills e Tall Dwarfs, mas tamb\u00e9m capturaram o melhor de favoritos pessoais meus como Able Tasmans, Bird Nest Roys, Look Blue Go Purple e The Verlaines\u201d. Como a cena da Nova Zel\u00e2ndia entrou na sua vida? Isso foi antes ou depois do Pavement come\u00e7ar?<\/strong><br \/>\nR\u00e1dio universit\u00e1ria. Comecei a ser DJ na r\u00e1dio universit\u00e1ria aos 16 anos. Depois, quando fui para a Universidade da Virg\u00ednia, t\u00ednhamos uma r\u00e1dio universit\u00e1ria excepcional chamada WTJU, que ainda existe, embora hoje o formato seja mais s\u00e9rio e profissional do que era naquela \u00e9poca. O Berman tinha um programa, o Malkmus tinha um programa, o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/11\/03\/entrevista-de-volta-ao-brasil-yo-la-tengo-relembra-show-no-swu-e-lamenta-partida-de-hermeto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">James McNew<\/a> do Yo La Tengo tinha um programa, o John Beers do Happy Flowers\u2026 muitos amigos meus estavam l\u00e1. A r\u00e1dio era basicamente a nossa vida social, e tamb\u00e9m havia uma boa loja de discos na cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos aqueles discos da Flying Nun \u2014 Tall Dwarfs, The Clean, e todas as bandas que voc\u00ea mencionou \u2014 chegavam \u00e0 r\u00e1dio. De modo geral, uma grande parte dos DJs se apaixonou pela guitarra pop da Nova Zel\u00e2ndia. Aquilo come\u00e7ou em meados dos anos 1980 e, de certa forma, continua at\u00e9 hoje. Em 1993, o Pavement foi convidado para tocar na Austr\u00e1lia e na Nova Zel\u00e2ndia. Foi uma grande emo\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m intimidante. Voc\u00ea subia no palco e todos os seus <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/02\/01\/a-estrada-do-the-bats-ate-sua-11a-curva-corner-coming-up\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">her\u00f3is do rock da Nova Zel\u00e2ndia<\/a> \u2014 e eram dezenas \u2014 estavam na plateia, te vendo tocar. Voc\u00ea realmente admirava todos eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maioria foi muito legal conosco. Fizemos v\u00e1rios shows com bandas incr\u00edveis. Eu era f\u00e3 de uma banda underground chamada The Dead C. Eles n\u00e3o gostavam do Pavement e deixaram isso bem claro. Acho que achavam que o Pavement era mais barulhento e meio fr\u00edvolo. O que, sinceramente, n\u00e3o d\u00e1 muito para discutir. Eles provavelmente estavam certos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>David Kilgour, Hamish Kilgour, Robert Scott \u2014 voc\u00ea chegou a conhecer esses caras?<\/strong><br \/>\nAh, sim. Tocamos com eles. Nunca tocamos com o The Chills, mas certamente tocamos em alguns dos mesmos festivais que o The Clean. Eles eram simplesmente muito bons no que faziam. Influenciaram o nosso som, mas, na verdade, influenciaram o som de todo mundo. Era meio impressionante que um pa\u00eds t\u00e3o pequeno tivesse uma cena t\u00e3o vibrante, com dezenas de bandas boas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso acontece em outros lugares tamb\u00e9m \u2014 como em Athens, na Ge\u00f3rgia, mais ou menos na mesma \u00e9poca, ou um pouco antes. R.E.M., Pylon, The B-52\u2019s, Love Tractor\u2026 tantas bandas. Acho que quando voc\u00ea est\u00e1 numa cena realmente vibrante, os artistas s\u00e3o constantemente desafiados a ficar melhores.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Elephant 6 Recording Co. | Official Trailer\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PCzXf5ZiE3k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 assistiu ao document\u00e1rio \u201cThe Elephant 6 Recording Co.\u201d? A Rebecca Cole aparece nele falando da banda dela, The Minders. Isso \u00e9 tudo Athens, certo?<\/strong><br \/>\nSim, isso \u00e9 tudo Athens. Eu n\u00e3o vi o document\u00e1rio, mas a Rebecca Cole, que hoje \u00e9 nossa tecladista, aparece nele. Ela foi uma parte importante daquela cena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Robert Schneider\u2026<\/strong><br \/>\nO <a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/apples_resenha.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Apples in Stereo<\/a> foi a banda que abriu os shows do Pavement. Aquilo acabou sendo a nossa porta de entrada para aquela cena. A quest\u00e3o \u00e9 que muita coisa aconteceu nos cinco anos seguintes ao fim do Pavement. Foi um per\u00edodo em que eu meio que me desliguei de ouvir m\u00fasica. Eu senti que j\u00e1 tinha feito aquilo \u2014 foi tudo o que fiz pelos 20 anos anteriores \u2014 e precisava pensar em outra coisa. Ent\u00e3o acabei perdendo muitas oportunidades de ver essas bandas no auge, o que foi decepcionante. Para mim, tudo relacionado ao Elephant 6 acabou chegando em retrospecto. Eu perdi o bonde, basicamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tamb\u00e9m parece que a K Records, com o Calvin Johnson, segue uma filosofia parecida. Voc\u00ea v\u00ea esse mesmo esp\u00edrito nas cenas das quais fez parte ou nos selos e bandas com que sempre se sentiu mais pr\u00f3ximo \u2014 como a Matador, ou at\u00e9 o seu pr\u00f3prio selo, a <a href=\"https:\/\/brokerstiprecords.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brokers Tip Records<\/a>?<\/strong><br \/>\nO meu pr\u00f3prio selo \u00e9 meio que um fracasso, basicamente porque eu o criei num momento em que as bandas que lancei tinham pouqu\u00edssimo sucesso comercial. Eram bandas desconhecidas que eu achava \u2014 e ainda acho \u2014 que faziam m\u00fasicas muito boas. Todo o selo foi constru\u00eddo em torno da Brokers Tip prensando algumas centenas de discos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o o selo n\u00e3o est\u00e1 aberto para receber material de bandas novas?<\/strong><br \/>\nBem, as pessoas me mandavam m\u00fasicas e perguntavam se eu poderia lan\u00e7ar. E eu ficava feliz em fazer isso. A ideia era apenas empatar os custos. Todo o lucro, se houvesse, seria destinado \u00e0s bandas. Infelizmente, como tantas iniciativas nobres daquela \u00e9poca, tudo dependia de as bandas fazerem turn\u00eas em espa\u00e7os pequenos e venderem discos nos shows ou nas bancas de merchandising. A maioria dos discos saiu pouco antes da COVID, ent\u00e3o as bandas n\u00e3o puderam sair em turn\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acabei ficando com caixas e mais caixas de discos encalhados. Era uma opera\u00e7\u00e3o de uma pessoa s\u00f3, e era muito dif\u00edcil promover os lan\u00e7amentos. Nunca foi minha inten\u00e7\u00e3o criar um selo para crescer. A ideia era apenas lan\u00e7ar discos de amigos que eu achava que faziam m\u00fasica legal, para que eles pudessem vender quando tocassem ao vivo. A m\u00fasica ao vivo ficou parada por mais de dois anos, e agora eu tenho caixas de discos. Basicamente, encerrei o selo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso dos selos com os quais o Pavement trabalhou \u2014 Drag City, Matador, Domino, Creative Man no Jap\u00e3o, Felahin na Austr\u00e1lia \u2014, sempre lidamos com pessoas com a mesma mentalidade. Gosto musical parecido, vis\u00e3o parecida. Eles queriam fazer neg\u00f3cios, n\u00f3s quer\u00edamos tocar m\u00fasica. Com exce\u00e7\u00e3o de um selo, fizemos escolhas muito boas. Fomos roubados por um selo ingl\u00eas chamado Big Cat. Acho que eles levaram algum dinheiro nosso \u2014 teria que perguntar ao Scott \u2014 algo em torno de 100 mil d\u00f3lares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, \u00e9 tudo Matador. A Matador comprou todo o cat\u00e1logo h\u00e1 cerca de dez anos. Fomos uma das primeiras bandas do selo, e eles sempre nos trataram incrivelmente bem. Conhecemos toda a equipe. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o longa e bem-sucedida. Eles mudaram bastante ao longo dos anos. \u00c9 preciso se adaptar aos tempos e continuar encontrando gente jovem e interessante para lan\u00e7ar m\u00fasica. Pelo que posso dizer, acho que eles t\u00eam feito um bom trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 curioso ser colega de selo do David Byrne, do Talking Heads. Eles lan\u00e7aram o disco novo dele, e ele \u00e9 obviamente um cara do Hall da Fama do Rock and Roll. Eu o vi n\u00e3o faz muito tempo em Atlanta e achei que seria engra\u00e7ado ir aos bastidores e receb\u00ea-lo no selo dizendo: \u201cEu sou o Bob, do Pavement. A gente \u00e9 meio que a banda-carro-chefe da Matador. Bem-vindo \u00e0 Matador.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele \u00e9 centenas de vezes maior do que o Pavement jamais ser\u00e1. Mas ainda assim \u00e9 uma grande alegria continuar fazendo isso. \u00c9 completamente inesperado ver jovens realmente apaixonados pelo Pavement. Eu n\u00e3o vou reclamar disso. \u00c9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"\u201cHarness Your Hopes\u201d - Pavement (LIVE on The Late Show)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lEArKI76lhE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas, em termos de tentar fugir do algoritmo, o selo n\u00e3o ajuda muito ao lan\u00e7ar grandes compila\u00e7\u00f5es que incluem essa m\u00fasica, certo?<\/strong><br \/>\nAcho que o que \u201cHarness Your Hopes\u201d faz \u00e9 atrair pessoas que talvez nunca tivessem prestado aten\u00e7\u00e3o na banda. E a\u00ed elas percebem que h\u00e1 muito mais ali do que s\u00f3 aquela m\u00fasica. Ela \u00e9 uma boa m\u00fasica. Eu n\u00e3o odeio a can\u00e7\u00e3o. Mas ela n\u00e3o estaria nem no meu top 40 do Pavement. Ainda assim, temos que toc\u00e1-la toda noite. Eu fa\u00e7o os setlists, ent\u00e3o costumo coloc\u00e1-la perto do final para que os jovens n\u00e3o v\u00e3o embora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aprendi isso com o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Butthole+Surfers\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Butthole Surfers<\/a> no come\u00e7o dos anos 1990. Eles tinham um hit na MTV, \u201cPepper\u201d, e metade do p\u00fablico ia aos shows s\u00f3 para ouvir aquela m\u00fasica. Lembro de v\u00ea-los uma vez na Broadway, em Nova York: quando o show come\u00e7ou, havia umas duas mil pessoas; depois que tocaram \u201cPepper\u201d, sobraram umas oitocentas. Aquela era a quarta m\u00fasica do set. Tenho medo de que, se tocarmos \u201cHarness Your Hopes\u201d como terceira ou quarta m\u00fasica, as pessoas simplesmente v\u00e3o fazer outra coisa. A gente aprende essas coisas com o tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 disse em outras ocasi\u00f5es que o Minutemen \u00e9 uma das suas bandas favoritas.<\/strong><br \/>\nAh, com certeza. Quando eu era garoto, eles eram deuses para mim. Eu cresci em Richmond, na Virg\u00ednia, que sempre teve uma cena art\u00edstica e musical muito forte. Eu e o Steve West crescemos l\u00e1 \u2014 conhe\u00e7o ele desde crian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, voc\u00eas parecem o tipo de dupla com quem seria hil\u00e1rio tomar uma cerveja.<\/strong><br \/>\nBom, sim\u2026 ele \u00e9 bem mais engra\u00e7ado do que eu, na verdade. Eu falo muito mais. Deixo ele maluco porque falo demais. A gente se conhece desde os 13 anos e somos amigos desde ent\u00e3o. \u00c9 completamente inexplic\u00e1vel que ainda estejamos fazendo isso juntos. Ele \u00e9 um dos meus melhores amigos desde crian\u00e7a, mas provavelmente eu s\u00f3 o veria uma vez por ano, ou algo assim, se n\u00e3o fosse pelo Pavement. Porque a vida \u00e9 assim mesmo, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje n\u00f3s dois estamos na casa dos 60. Ele tem dois filhos e mora nas montanhas da Virginia. Nossas m\u00e3es moram a uns cem metros uma da outra, o que \u00e9 meio engra\u00e7ado. A minha m\u00e3e tem 89 anos e a dele uns 94. As duas s\u00e3o vi\u00favas. Elas n\u00e3o se veem com frequ\u00eancia, mas quando se encontram sempre riem do fato de seus filhos estarem numa banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Steve queria ser roqueiro desde os 15 anos. Comprou sua primeira bateria aos 14 e fez o primeiro show da vida no anivers\u00e1rio de 16 anos da minha irm\u00e3, no quintal dos meus pais. Ele \u00e9 um cara brilhante. \u00c9 pedreiro, gosta de trabalhar com as m\u00e3os, mora nas montanhas e \u00e9 um artista muito focado. Estudou escultura, esculpe, pinta \u2014 e pinta muito bem. \u00c9 meio que um homem renascentista, mas tamb\u00e9m um baterista extremamente confi\u00e1vel. Muito s\u00f3lido. Ele n\u00e3o fala muito. Responde \u00e0s perguntas. N\u00e3o fica enrolando como eu (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando \u00e0 quest\u00e3o do Minutemen: o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Mike+Watt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mike Watt<\/a> falava em \u201cjam econo\u201d, conceito que virou at\u00e9 o t\u00edtulo do document\u00e1rio \u201cWe Jam Econo: The Story of the Minutemen\u201d, dirigido pelo Tim Irwin. Todo aquele universo da SST \u2014 Minutemen, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=H%C3%BCsker+D%C3%BC\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">H\u00fcsker D\u00fc<\/a>, Black Flag\u2026<\/strong><br \/>\nMeat Puppets, Saccharine Trust\u2026 muitas bandas realmente boas. No come\u00e7o, quase todas do sul da Calif\u00f3rnia, mas depois isso se espalhou para outras partes do pa\u00eds. O Mike Watt e o D. Boon eram her\u00f3is para mim. Eu comprei todos os discos quando era adolescente. A \u00fanica vez que vi o D. Boon ao vivo foi poucas semanas antes de ele morrer. Ele morreu perto do Natal, quando eu tinha 18 anos. Aquilo foi devastador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essas bandas adotavam uma \u00e9tica DIY, mantendo os custos baixos e encontrando liberdade numa improvisa\u00e7\u00e3o mais curta e econ\u00f4mica. D\u00e1 para dizer que, no in\u00edcio, o Malkmus e o Scott fizeram escolhas parecidas, valorizando o lo-fi?<\/strong><br \/>\nBasicamente, o que estava acontecendo no come\u00e7o do Pavement era que eles s\u00f3 queriam fazer m\u00fasica que achavam legal. A\u00ed eles trombaram com o Gary Young, e o Gary conseguia gravar aquilo. Quando conheceram o Gary, eles j\u00e1 sabiam quem ele era. Ele era meio que um sujeito exc\u00eantrico da cidade. S\u00f3 havia um est\u00fadio onde dava para gravar, e ele era o dono. E era barato. Esse filme, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/03\/16\/primeiro-baterista-do-pavement-gary-young-e-tema-do-otimo-documentario-louder-than-you-think\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Louder Than You Think (A Lo-Fi History of Gary Young and Pavement<\/a>&#8220;, de Jed Rosenberg)\u201d, \u00e9 incr\u00edvel. \u00c9\u2026 o Gary era muito inteligente, apesar de todos os excessos. Muito esperto, confiante e ador\u00e1vel. Ele era realmente muito engra\u00e7ado.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"LOUDER THAN YOU THINK: THE LO-FI HISTORY OF GARY YOUNG AND PAVEMENT \/\/\/ TRAILER\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cZgD4um0pIE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No document\u00e1rio aparecem aquelas coisas dele fazer parada de m\u00e3o (plantar bananeira), tocar bateria daquele jeito, subir no banco da bateria\u2026<\/strong><br \/>\nSim, aquilo era ele performando. Ele ficava empolgado demais tocando. Fora do palco \u2014 na van, ou quando voc\u00ea ia visit\u00e1-lo \u2014 ele continuava sendo um sujeito fascinante. Muito inteligente. A gente amava o Gary. A gente tolerava muitas das excentricidades dele, mesmo sabendo que aquilo adicionava muito estresse. Aquela era a inten\u00e7\u00e3o dele. Ele acreditava que bandas tocavam melhor sob tens\u00e3o. A gente n\u00e3o acreditava nisso. N\u00e3o acho que o Pavement funcionasse assim. Acho que aquilo nos deixava muito estressados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que o Malkmus, em especial, ficou com uma esp\u00e9cie de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico de trabalhar com o Gary. Ele deixava todos n\u00f3s desconfort\u00e1veis. Eu cheguei a checar o pulso dele v\u00e1rias vezes em turn\u00ea, porque ele simplesmente n\u00e3o se cuidava. Mas todos n\u00f3s temos problemas. \u00c9 incr\u00edvel que o Gary tenha vivido at\u00e9 os 70 anos. Ele saiu da banda \u2014 n\u00f3s n\u00e3o o demitimos. Quando ele saiu, isso nos permitiu expandir. Conseguimos fazer mais m\u00fasicas, tocar mais shows, porque n\u00e3o era t\u00e3o desgastante. N\u00e3o poderiam existir duas personalidades mais diferentes do que o Gary e o Steve West.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O document\u00e1rio deixa muito claro como ele era com\u00e9dia.<\/strong><br \/>\nA gente amava ele. O Mark amava ele. O Scott amava ele. Todo mundo amava o Gary. No que diz respeito ao \u201cjam econo\u201d, quando bandas sa\u00edam em turn\u00ea nos anos 1980 e 1990, voc\u00ea tinha uma van barata e n\u00e3o tinha dinheiro para contratar ningu\u00e9m. Comprava equipamentos ruins, jogava tudo dentro da van e ca\u00eda na estrada. Os Minutemen e bandas assim faziam isso o tempo todo. Tinha uma banda de Richmond chamada Honor Roll que fazia a mesma coisa. Virou uma esp\u00e9cie de ideal rom\u00e2ntico: tocar 36 shows em 40 dias, dormir na van ou em hot\u00e9is horr\u00edveis, tocar em partes perigosas das cidades, tocar por uma hora, carregar tudo de volta e dirigir sabe-se l\u00e1 quantas horas at\u00e9 o pr\u00f3ximo lugar. O Pavement sempre teve o mesmo agente de shows. Contratamos ele em 1991. Ele faz um trabalho incr\u00edvel, mas \u00e9 exigente. Ele nos manda para todo canto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pensando em bandas como The Feelies, Television, Can, Stereolab ou Yo La Tengo, faz sentido pensar no Pavement \u2014 e nessas bandas \u2014 como algo como um \u201cjam moderado\u201d, em contraste com a ideia de \u201cjam econo\u201d do Watt?<\/strong><br \/>\nCada um faz do seu jeito. De todas essas bandas que voc\u00ea mencionou, eu estive pr\u00f3ximo de algumas. O Stereolab, quando estava no auge, nos anos 1990, era uma m\u00e1quina muito bem azeitada. Uma banda desafiadora, interessante, com pessoas muito talentosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Yo La Tengo tem uma \u00e9tica de trabalho e uma determina\u00e7\u00e3o incr\u00edveis. Eu os vi pela primeira vez quando tinha 18 anos. Eles tocavam na nossa universidade mais ou menos uma vez por ano, antes de ficarem grandes. O Ira \u00e9 um guitarrista excelente, e a Georgia \u00e9 uma baterista muito boa. O Stereolab j\u00e1 \u00e9 outra coisa \u2014 muito estilo, a Laeticia, todo aquele universo. Eles se separaram, voltaram\u2026 \u00e9 outra era. E a\u00ed voc\u00ea tem bandas como o Sonic Youth, que fizeram tudo do jeito deles e foram extremamente importantes para a cena de Nova York.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recentemente, o Lee Ranaldo falou sobre a economia das m\u00fasicas e dos solos curtos no punk e no new wave. Isso surgiu numa entrevista sobre o Bob Weir, que faleceu no in\u00edcio deste m\u00eas, e sobre o Grateful Dead como uma esp\u00e9cie de \u201cjam n\u00e3o econ\u00f4mico\u201d.<\/strong><br \/>\n\u00c9\u2026 eu nunca gostei muito do Grateful Dead. Eu era punk demais, e o que realmente me afastava eram os f\u00e3s. Eles pareciam propositalmente lesados. Eu nunca curti aquela mentalidade hippie de se desligar da sociedade e se entupir de drogas psicod\u00e9licas. N\u00e3o sou contra as drogas psicod\u00e9licas, mas sempre quis estar atento ao que est\u00e1 acontecendo. Para mim, eles soavam como uma banda de blues que improvisava. Obviamente, influenciaram milhares de bandas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, se uma m\u00fasica tem mais de cinco minutos, ela precisa ser muito boa. Muitas bandas se apaixonam por um refr\u00e3o e transformam o que poderia ser uma \u00f3tima m\u00fasica de tr\u00eas minutos em algo de cinco minutos e meio, e a\u00ed ela perde a for\u00e7a. Essa \u00e9 outra raz\u00e3o pela qual eu amo os Minutemen. A dura\u00e7\u00e3o m\u00e9dia das m\u00fasicas deles era de uns 80 segundos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu nunca entendi muito bem o Bob Weir ou o Jerry Garcia. Eu n\u00e3o sei tocar guitarra, e acho que para realmente apreciar o Grateful Dead voc\u00ea provavelmente precisa tocar. O Jerry Garcia \u00e9 geralmente considerado um guitarrista brilhante, mas esse tipo de guitarra nunca me atraiu. Ao mesmo tempo, voc\u00ea n\u00e3o pode julgar as pessoas pelo que elas gostam ou deixam de gostar. O importante \u00e9 que elas gostem de m\u00fasica. Para mim, \u00e9 muito mais interessante descobrir bandas relativamente desconhecidas. Existem milh\u00f5es de bandas, e a maioria nunca ser\u00e1 ouvida \u2014 mesmo que as m\u00fasicas sejam boas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_93810\" aria-describedby=\"caption-attachment-93810\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-93810\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/2024-05-19-Pavement-C6-Fest-3000px-0F7A1264-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"755\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/2024-05-19-Pavement-C6-Fest-3000px-0F7A1264-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/2024-05-19-Pavement-C6-Fest-3000px-0F7A1264-copiar-298x300.jpg 298w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/2024-05-19-Pavement-C6-Fest-3000px-0F7A1264-copiar-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-93810\" class=\"wp-caption-text\"><em>Bob Nastanovich durante o show do Pavement no <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/05\/21\/pavement-chief-adjuah-e-dinner-party-fazem-shows-inesqueciveis-no-c6-fest-2024\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">C6 Fest 2024<\/a>, em S\u00e3o Paulo \/ Foto de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/fernandoyokota\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fernando Yokota<\/a><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Geese tem chamado bastante aten\u00e7\u00e3o ultimamente. Voc\u00ea chegou a ouvir o disco novo deles?<\/strong><br \/>\nEles est\u00e3o enormes agora. Eu nunca ouvi uma m\u00fasica sequer, mas sei que muita gente gosta deles. Eles s\u00e3o muito populares. Quando vejo bandas assim, penso nelas como bandas que est\u00e3o \u201cpegando no tranco\u201d, come\u00e7ando a engrenar. Acho que era mais ou menos assim que est\u00e1vamos em 1993 ou 1994. Havia um burburinho em torno da gente. Ent\u00e3o, sim, o Geese \u00e9 meio que a banda de 2025. E existem v\u00e1rias outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tenho notado que eles est\u00e3o fazendo shows grandes, encabe\u00e7ando festivais e coisas do tipo. Conhe\u00e7o v\u00e1rias pessoas com \u00f3timo gosto musical que gostam deles. Tenho um amigo da Isl\u00e2ndia que est\u00e1 morando em T\u00f3quio com a esposa por quatro meses, e o Geese vai tocar l\u00e1. O show esgotou muito r\u00e1pido, e ele me ligou perguntando se eu conhecia algu\u00e9m da banda para tentar conseguir ingresso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Talvez leve um tempinho para \u201centrar\u201d na m\u00fasica deles.<\/strong><br \/>\nTalvez. Eu ainda n\u00e3o me dei ao trabalho. S\u00f3 montei minha vitrola de novo pela primeira vez em tr\u00eas anos, porque tenho vivido de forma muito transit\u00f3ria. Tenho uns 50 discos ainda lacrados que preciso ouvir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando \u00e0 ideia de m\u00fasicas curtas e econ\u00f4micas, outra banda que vem \u00e0 mente \u00e9 o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=Guided+by+Voices\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Guided by Voices<\/a>, com o Robert \u201cProlific\u201d Pollard: uma f\u00e1brica turbo de composi\u00e7\u00f5es.<\/strong><br \/>\nIncr\u00edvel. O cara \u00e9 incr\u00edvel. Existem poucas pessoas assim, que escrevem 100 m\u00fasicas por ano. Tocamos muito com eles nos anos 1990. O Robert tinha um jeito meio confrontacional. Esse \u00e9 um dos problemas de estar numa banda: voc\u00ea gosta de outras bandas, a\u00ed conhece as pessoas, e se n\u00e3o se d\u00e1 bem com elas, isso acaba contaminando a forma como voc\u00ea ouve a m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=mogwai\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mogwai<\/a> era um grupo de pessoas ador\u00e1vel. Fizemos muitas turn\u00eas juntos. Os primeiros shows que eles tocaram fora de Glasgow foram abrindo para o Pavement em Londres \u2014 a primeira vez que tocaram em Londres. Essa \u00e9 a coisa estranha de estar numa banda. Voc\u00ea conhece muita gente, e isso afeta a forma como voc\u00ea escuta m\u00fasica. \u00c0s vezes \u00e9 melhor n\u00e3o conhecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a mesma coisa com corridas de cavalos. Existem treinadores que voc\u00ea admira pela forma como cuidam dos cavalos, mas a\u00ed voc\u00ea conhece a pessoa e n\u00e3o gosta dela. M\u00fasica \u00e9 cheia de gente que se leva a s\u00e9rio demais. Eu n\u00e3o gosto disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dito isso, algumas das pessoas favoritas da minha vida est\u00e3o em bandas. Todd Brashear, do Slint; Jason Loewenstein, do Sebadoh; Molly Neuman, do Bratmobile e do The Frumpies; Kathi Wilcox, do Bikini Kill. o Guy Picciotto, do Fugazi \u2014 nem sou um grande f\u00e3 do Fugazi, mas ele \u00e9 um cara incr\u00edvel. O Jim White, do Dirty Three, \u00e9 uma das pessoas mais engra\u00e7adas e legais que j\u00e1 conheci.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas voc\u00ea tamb\u00e9m conhece gente de quem n\u00e3o gosta, e isso torna a m\u00fasica mais dif\u00edcil de ouvir (risos). O Mark E. Smith odiava o Pavement. A gente \u201ccopiou\u201d ele \u2014 mas s\u00f3 duas ou tr\u00eas m\u00fasicas. Conheci a ex-esposa dele, a Brix, num show do Pavement em Londres alguns anos atr\u00e1s, e ela \u00e9 f\u00e3 do Pavement. Isso foi legal. O Thurston Moore \u00e9 uma das pessoas mais engra\u00e7adas que j\u00e1 conheci. Um cara sensacional.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-93799 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/bob2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/bob2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/bob2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/bob2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No \u201c<a href=\"https:\/\/podcasts.apple.com\/us\/podcast\/3-songs-podcast\/id1278507191\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Three Songs Podcast<\/a>\u201d, com o Mike Hogan, voc\u00ea chamou o Novos Baianos de banda perfeita para o ver\u00e3o. Acho que eu tamb\u00e9m te mandei algumas coisas do Brasil. Acho que cheguei a enviar Jacob do Bandolim tamb\u00e9m. Voc\u00ea se lembra <\/strong><strong>disso?<\/strong><br \/>\nQuem foi que eu chamei de banda perfeita para o ver\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Novos Baianos.<\/strong><br \/>\nFant\u00e1stico! Soavam muito bem. Fico feliz que voc\u00ea tenha me lembrado disso. Voc\u00ea me mandou umas coisas muito legais. Eu n\u00e3o sei praticamente nada de m\u00fasica brasileira, para ser sincero. Eu tenho voc\u00ea cobrindo o Brasil para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alguma outra banda brasileira com a qual voc\u00ea tenha se conectado?<\/strong><br \/>\nNa verdade, n\u00e3o. Eu dependo de voc\u00ea para me dizer quem \u00e9 legal (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sempre um prazer.<\/strong><br \/>\nVou te dizer uma coisa: fazer o \u201cThree Songs Podcast\u201d foi realmente interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A ideia do Mike Hogan era bacana.<\/strong><br \/>\nO Mike \u00e9 \u00f3timo. Ele \u00e9 tipo um bibliotec\u00e1rio. Os primeiros 100 programas s\u00e3o f\u00e1ceis. A maioria das pessoas que ama m\u00fasica e coleciona discos consegue falar sobre algumas centenas de bandas. Mas depois de 100 epis\u00f3dios \u2014 tr\u00eas m\u00fasicas por programa \u2014 quando voc\u00ea passa de 300 bandas, come\u00e7a a ficar complicado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A gente fez cerca de 170 epis\u00f3dios. Isso d\u00e1 mais de 500 bandas. Virou trabalho duro. Eu precisava ouvir muita coisa que nunca tinha ouvido antes, tentando encontrar algo interessante, o que na verdade foi um \u00f3timo exerc\u00edcio. Mas, com o tempo, ficou pesado demais. \u00c9 curioso que algu\u00e9m tenha ouvido aquilo. Talvez umas 500 pessoas acompanhassem regularmente. Foi muito divertido, mas acabou se tornando trabalhoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, se voc\u00ea me perguntasse \u00e0 meia-noite, eu n\u00e3o sei nem se conseguiria citar 500 bandas (risos). Estou velho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que disco voc\u00ea consegue colocar para tocar e ouvir at\u00e9 o fim, sem pular nada? Existe algum \u00e1lbum que s\u00f3 se revela quando voc\u00ea escuta inteiro?<\/strong><br \/>\nExistem dezenas. Muitos mesmo. Os primeiros discos do R.E.M. \u2014 \u201c<a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/remdiscografia.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Murmur<\/a>\u201d, \u201c<a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/remdiscografia.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Reckoning<\/a>\u201d\u2026 o \u201cSister\u201d, do Sonic Youth. \u201cTorch of the Mystics\u201d, do Sun City Girls. \u201cSpiderland\u201d, do Slint. \u00c9 uma quest\u00e3o de estado de esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em uma entrevista da Letterboxd, voc\u00ea citou alguns filmes favoritos \u2014 \u201cTubar\u00e3o\u201d, \u201cJimmy Carter: The Rock &amp; Roll President\u201d, \u201cO Homem que Viu o Infinito (Man Facing Southeast)\u201d e \u201cThe Thin Blue Line\u201d. Voc\u00ea tem filmes de anima\u00e7\u00e3o ou desenhos animados favoritos?<\/strong><br \/>\n\u00c9 engra\u00e7ado\u2026 a gente teve que ir ao Festival de Cinema de Nova York porque estavam exibindo \u201cPavements\u201d. Voc\u00ea tem que tirar foto como se fosse famoso, o que \u00e9 bem rid\u00edculo. Algu\u00e9m da Matador me disse que um site de cinema ia me perguntar quais tinham sido os \u00faltimos quatro filmes que eu tinha visto. Quando chegaram com a c\u00e2mera, perguntaram quais eram meus quatro filmes favoritos de todos os tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu tinha acabado de ver \u201cJimmy Carter: The Rock &amp; Roll President\u201d, que \u00e9 brilhante, e \u201cThe Thin Blue Line\u201d, que \u00e9 um document\u00e1rio incr\u00edvel. \u201cTubar\u00e3o\u201d eu j\u00e1 vi umas 100 vezes. Devo saber de cor cada di\u00e1logo do filme. Sobre anima\u00e7\u00e3o, tem um filme franc\u00eas chamado \u201cWinged Migration\u201d, que na verdade nem \u00e9 anima\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 lind\u00edssimo. Eu adorava \u201cOs Simpsons\u201d. Eu amo o Snoopy. Esses clipes curtos do Snoopy no Instagram s\u00e3o maravilhosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu n\u00e3o sou t\u00e3o descolado quanto voc\u00ea quando o assunto \u00e9 anima\u00e7\u00e3o. O Mark Ibold \u00e9 a pessoa certa para perguntar isso. Ele era um grande colecionador de quadrinhos e acabou sendo passado para tr\u00e1s, vendeu tudo por quase nada. O cara que comprou ganhou uma fortuna. Mas eu n\u00e3o descarto assistir a um bom filme de anima\u00e7\u00e3o, n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou do filme \u201cPavements\u201d. Existem outros dois document\u00e1rios: \u201cLouder Than You Think\u201d e \u201cSlow Century\u201d. Existe uma ordem ideal para assisti-los?<\/strong><br \/>\n\u201cSlow Century\u201d fez sentido para mim porque a banda tinha acabado. Era uma forma de documentar os bastidores, mostrar como o Pavement funcionava. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2025\/07\/22\/critica-desorientador-pavements-e-muito-mais-que-um-documentario-a-exemplo-da-banda-e-sua-musica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">J\u00e1 o \u201cPavements\u201d me deixa desconfort\u00e1vel<\/a>. Fico muito autoconsciente vendo aquilo. \u00c9 confuso saber o que \u00e9 fiel aos fatos e o que n\u00e3o \u00e9. Eu n\u00e3o gosto quando cineastas mudam fatos por entretenimento. Fico feliz que as pessoas tenham se interessado, mas aquilo sempre me deixou desconfort\u00e1vel. \u201cLouder Than You Think\u201d \u00e9 \u00f3timo. Foi feito com or\u00e7amento baix\u00edssimo, e aquilo representa muito bem o que o Pavement era nos primeiros anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No Pavement, voc\u00ea sempre foi o \u201centertainer\u201d \u2014 essa empolga\u00e7\u00e3o com gritos e berros (hey! Scream and Yell!) ao interagir com o p\u00fablico. Voc\u00ea lembra desse show em Tilburg? (mostrando o v\u00eddeo do Bob gritando em \u201cRange Life\u201d pelo celular mesmo)<\/strong><br \/>\nSim. (risos) Eu sei gritar. Basicamente, eu toco brinquedos infantis e grito. Lembro que aquilo foi uma grande divers\u00e3o. Eu sou barulhento, grito e toco brinquedos infantis.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pavement - November 16, 1999 - Tilburg, Netherlands (whole show)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Xl1thlIGcEI?start=4238&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse senso de humor e essa postura no palco surgiram naturalmente? Foram se desenvolvendo com o tempo?<\/strong><br \/>\nO meu papel mudou quando o Gary saiu da banda. Quando o Steve West entrou, eu pude expandir o que fazia. Meu trabalho passou a ser olhar para o p\u00fablico e tentar tornar a experi\u00eancia agrad\u00e1vel, al\u00e9m de tentar enriquecer a m\u00fasica. Hoje eu sou mais flex\u00edvel. A Rebecca \u00e9 muito boa, ent\u00e3o n\u00e3o preciso mais me preocupar com teclados. Sempre me surpreendo com o fato de minha bateria ser \u201caceit\u00e1vel\u201d. A ideia da bateria dupla ainda funciona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As harmonias que a Rebecca cria nos backing vocals\u2026<\/strong><br \/>\nEla \u00e9 \u00f3tima com progress\u00f5es e vocais de apoio. Ela tira muita coisa das minhas m\u00e3os. J\u00e1 toquei em mais de mil shows, e ainda fico ansioso. \u00c9 uma excita\u00e7\u00e3o nervosa. As pessoas pagam muito caro hoje em dia para ver bandas, e eu quero que seja n\u00e3o s\u00f3 boa m\u00fasica, mas tamb\u00e9m algo divertido e empolgante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu amo estar no Pavement. Amo ir para a Am\u00e9rica do Sul. Tocamos recentemente no M\u00e9xico. Essa turn\u00ea que terminou em S\u00e3o Paulo \u2014 come\u00e7amos no Chile, depois Argentina e Uruguai. Montevid\u00e9u foi muito divertido. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/05\/21\/pavement-chief-adjuah-e-dinner-party-fazem-shows-inesqueciveis-no-c6-fest-2024\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">S\u00e3o Paulo foi mais dif\u00edcil<\/a> porque o lugar era enorme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas saem em turn\u00ea agora em julho, certo? Come\u00e7ando com Mosswood Meltdown Pre-Party?<\/strong><br \/>\nSim, ainda estamos resolvendo algumas coisas, mas j\u00e1 fechamos datas. Vamos come\u00e7ar tocando num festival em Oakland, na Calif\u00f3rnia, em meados de julho. Depois vamos tocar em Portland, Minneapolis, Chicago, Cleveland, Richmond \u2014 que \u00e9 um show especial para mim e para o Steve West, porque \u00e9 nossa cidade natal \u2014 e Nashville. Talvez acrescentemos mais datas. Nosso agente traz as propostas, a gente vota, e se o Malkmus n\u00e3o quiser fazer, n\u00e3o tem como. O Pavement nunca cancelou um show, o que \u00e9 impressionante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Malkmus \u00e9 o \u00fanico integrante que tocou em absolutamente todos os shows. Ele nunca faltou a um. Chamam ele de \u201cSlacker King\u201d, mas ele j\u00e1 tocou em umas sete bandas diferentes desde os 20 anos e nunca perdeu um show sequer. Ele definitivamente n\u00e3o \u00e9 um desleixado (risos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Four Favorites with Bob Nastanovich, Kathryn Gallagher and Lance Bangs (Pavements)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WNh1IIBbBLo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Slow Century (2002) - Pavement Documentary\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ffXTTsuVRfo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pavement- &quot;Harness Your Hopes&quot; (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/w2Ww_O3ceKU?list=PLqW1xsMiqApGFuRLepXwm4gii7rMuzc5a\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pavement - &quot;Intro For A Major Motion Picture&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/t-1_GBCMGT8?list=PLqW1xsMiqApGoixoOUjv_mJw9fzZZ-BZO\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pavement&#039;s Wowee Zowee as told by Bob Nastanovich (Full Interview)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/n9igF4jyq5w?list=PLqW1xsMiqApE_qwaNAJIiq4b6EzGuo6ys\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/hebertonbas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Heberton Barreira<\/a>\u00a0\u00e9 estudante de jornalismo, bandolinista e animador stop-motion. Criador do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/yayatedance\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@yayatedance<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O que se revela aqui n\u00e3o \u00e9 uma postura ir\u00f4nica ou distante, mas um compromisso constante \u2014 com a m\u00fasica, com os cavalos, com amizades que duram d\u00e9cadas&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/02\/09\/entrevista-o-pavement-superou-em-muito-todas-as-nossas-expectativas-reflete-bob-nastanovich-num-papo-sobre-amigos-cavalos-e-berros\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":164,"featured_media":93800,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4326],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93794"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/164"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93794"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93794\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":93855,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93794\/revisions\/93855"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93800"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93794"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93794"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93794"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}