{"id":93775,"date":"2026-02-08T23:07:28","date_gmt":"2026-02-09T02:07:28","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=93775"},"modified":"2026-03-20T00:26:13","modified_gmt":"2026-03-20T03:26:13","slug":"my-chemical-romance-em-sao-paulo-george-orwell-teria-muito-do-que-se-orgulhar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/02\/08\/my-chemical-romance-em-sao-paulo-george-orwell-teria-muito-do-que-se-orgulhar\/","title":{"rendered":"My Chemical Romance em S\u00e3o Paulo: George Orwell teria muito do que se orgulhar"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a><br \/>\nfotos de\u00a0<a class=\"x1i10hfl xjbqb8w x1ejq31n x18oe1m7 x1sy0etr xstzfhl x972fbf x10w94by x1qhh985 x14e42zd x9f619 x1ypdohk xt0psk2 x3ct3a4 xdj266r x14z9mp xat24cr x1lziwak xexx8yu xyri2b x18d9i69 x1c1uobl x16tdsg8 x1hl2dhg xggy1nq x1a2a7pz notranslate _a6hd\" tabindex=\"0\" role=\"link\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/bmaisca\/\">@bmaisca<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Houve um tempo em que, por algum motivo estapaf\u00fardio que a hist\u00f3ria parece ter procurado enterrar, a palavra \u201cemo\u201d podia ser quase ofensiva. N\u00e3o era nada legal ser chamado assim, especialmente se o tal apodo vinha de algu\u00e9m usando alguma camiseta de alguma banda de metal obscura (ou n\u00e3o), coturnos e pins de alguma banda punk obscura (ou n\u00e3o). Claro, havia aqueles que se orgulhavam em serem chamados assim. Em retrospecto, talvez houvesse muita coisa para se orgulhar, mesmo: assim como em qualquer per\u00edodo da hist\u00f3ria da arte, a primeira d\u00e9cada dos anos 2000 trouxe muito de memor\u00e1vel, e muito que poderia \u2013 ou deveria \u2013 ser facilmente esquecido. Acima destes dois extremos, no entanto, existem obras que se sobressaem. Trabalhos que rompem amarras de qualquer g\u00eanero, reducionista ou n\u00e3o, e fogem do ef\u00eamero em prol de mirar no atemporal. E \u00e9 nesse microcosmo que habita \u201cThe Black Parade\u201d, terceiro disco de est\u00fadio do My Chemical Romance, lan\u00e7ado originalmente em 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se alastraram as not\u00edcias de que a banda norte-americana \u2013 formada por Gerard Way (vocais), Ray Toro (guitarras), Mikey Way (baixo), Frank Iero (guitarras), e acrescida do baterista Jarrod Alexander \u2013 retornaria ao Brasil pela primeira vez em 18 anos, ap\u00f3s interromper suas atividades em 2013, a repercuss\u00e3o pegou a todos de surpresa. N\u00e3o pelo previs\u00edvel apelo que esta turn\u00ea (que tamb\u00e9m passou pelo Chile, pelo Peru e pela Argentina) teria junto aos f\u00e3s de longa data, que acompanharam o lan\u00e7amento da breve discografia do grupo em tempo real, mas sim pela forma celebrat\u00f3ria com a qual o an\u00fancio foi recebido pelas gera\u00e7\u00f5es mais novas. Tal foi a cena testemunhada na noite do \u00faltimo 05 de fevereiro, quando uma multid\u00e3o multi-geracional lotou o Allianz Parque, em S\u00e3o Paulo, para o primeiro dos dois shows que o quinteto faria na capital paulista. Os \u00fanicos, ali\u00e1s, desta turn\u00ea em solo brasileiro. E, ainda por cima, com um acr\u00e9scimo: seguindo a proposta dos shows que vinham recentemente realizando no exterior, estas apresenta\u00e7\u00f5es tinham como principal chamariz a execu\u00e7\u00e3o, na \u00edntegra, de seu disco mais celebrado, \u00e0s v\u00e9speras de seu vig\u00e9simo anivers\u00e1rio.<\/p>\n<figure id=\"attachment_93777\" aria-describedby=\"caption-attachment-93777\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-93777\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/the-hives-2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/the-hives-2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/the-hives-2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-93777\" class=\"wp-caption-text\"><em>The Hives<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que prometia ser uma noite memor\u00e1vel em muitos sentidos n\u00e3o poderia ter come\u00e7ado de forma diferente: afinal, o My Chemical Romance trouxe ningu\u00e9m menos do que o The Hives como sua luxuosa atra\u00e7\u00e3o de abertura. Sim, os suecos v\u00eam estreitando cada vez mais seus la\u00e7os com o Brasil e com a Am\u00e9rica Latina; sim, n\u00e3o faz muito tempo <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=the+hives\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que eles estiveram aqui pela \u00faltima vez<\/a>; sim, a hiperatividade c\u00eanica do quinteto, e, sobretudo, do frontman \u201cHowlin\u2019\u201d Pelle Almqvist, pode ser um pouco demais \u00e0s vezes. E, mesmo assim, os \u201cScorpions do indie rock\u201d (como observado por um membro do p\u00fablico, em alus\u00e3o ao combo alem\u00e3o de hard rock e sua igualmente terna rela\u00e7\u00e3o com audi\u00eancias tupiniquins ao longo dos anos) fizeram, com seus curtos 50 minutos, e tocando para um p\u00fablico alheio, o que a maior parte das bandas n\u00e3o conseguiria fazer \u201cjogando em casa\u201d, com o dobro do tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Interessante, inclusive, notar a maneira com a qual as can\u00e7\u00f5es do Hives servem ao legado do rock garageiro do in\u00edcio do mil\u00eanio da mesma maneira que os registros do My Chemical Romance o fazem junto a seu pr\u00f3prio nicho: dizer que um set list que cont\u00e9m \u201cTick Tick Boom\u201d, \u201cWalk Idiot Walk\u201d e \u201cHate To Say I Told You So\u201d \u00e9 capaz de levantar qualquer multid\u00e3o melanc\u00f3lica \u00e9, no m\u00ednimo, uma redund\u00e2ncia. Acompanhado pelos guitarristas Nicholaus Arson e Vigilante Carlstroem, o baixista Dr. Matt Destruction e o baterista Chris Dangerous, Almqvist correu, pulou, foi para o p\u00fablico e falou portugu\u00eas \u2013 um idioma com o qual o cantor vem se familiarizando bem \u2013 enquanto vestia, como seus colegas, uma roupa adornada de cord\u00f5es de luzes que complementaram bem um show curto, no qual mesmo faixas dos discos mais recentes, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/08\/25\/musica-nostalgico-repetitivo-ou-ate-mesmo-cringe-o-fato-e-que-o-som-do-the-hives-ainda-funciona-em-2023-e-muito-bem\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Death of Randy Fitzsimmons<\/a>\u201d (2023) e \u201cThe Hives Forever Forever The Hives\u201d (2025), figuraram. Foi curto, mas bonito.<\/p>\n<figure id=\"attachment_93778\" aria-describedby=\"caption-attachment-93778\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-93778\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/mcr6.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"574\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/mcr6.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/mcr6-300x230.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-93778\" class=\"wp-caption-text\"><em>My Chemical Romance<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eram quase 21 horas quando, ap\u00f3s ajustes protocolares, um homem vestido de zelador entrou no palco, brandindo uma vassoura como se estivesse limpando o ch\u00e3o. O que se seguiu foi uma prociss\u00e3o de atores e atrizes, em antecipa\u00e7\u00e3o \u00e0 entrada da pr\u00f3pria banda, uniformizada com os trajes que figuraram nos clim\u00e1ticos clipes dirigidos por Mark Webb, \u00e0 \u00e9poca de \u201cThe Black Parade\u201d. Atuando tanto quanto os outros membros do elenco presentes no palco, e precedidos por um v\u00eddeo no qual um locutor estoico introduz brevemente alguns detalhes da trama que vai suceder, os m\u00fasicos iniciam a primeira parte do espet\u00e1culo, no qual atravessam o repert\u00f3rio do celebrado disco em sua ordem original. E a recep\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia ter sido mais calorosa: o volume ensurdecedor dos gritos dos seguidores dedicados parecia surpreender at\u00e9 mesmo a pr\u00f3pria banda, que mesmo assim demonstrou esfor\u00e7o em se ater aos personagens que vivem ao longo da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e1 a\u00ed um ponto importante a ser discutido: a trama apresentada em si. Embora alguns detalhes tenham sido deixado claros atrav\u00e9s das apari\u00e7\u00f5es de v\u00eddeos nos grandes tel\u00f5es presentes no palco (claramente inspiradas em v\u00eddeos de propaganda europ\u00e9ia e sovi\u00e9tica da metade do s\u00e9culo XX), muitos elementos s\u00e3o mantidos nas sombras, at\u00e9 mesmo a fim de ampliar a sensa\u00e7\u00e3o de imers\u00e3o no show. O uso de um idioma fict\u00edcio, chamado \u201ckeposhka\u201d (que fez sua primeira apari\u00e7\u00e3o nas apresenta\u00e7\u00f5es do ano passado), na representa\u00e7\u00e3o de mensagens e slogans ao longo da noite, s\u00f3 ajuda a aumentar o mist\u00e9rio da narrativa que envolve um macabro manic\u00f4mio controlado por opressivos guardas, vestidos com uniformes militares e tapa-olhos, e onde os membros do grupo servem como uma esp\u00e9cie de grupo residente. Muito disso, no entanto, fica aberto \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o, o que tamb\u00e9m v\u00eam gerando teorias mil em meio \u00e0 fanbase da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o mais digno de nota \u2013 como n\u00e3o poderia deixar de ser \u2013 \u00e9 a m\u00fasica: com um time seleto de m\u00fasicos se ocupando de instrumentos auxiliares, como os teclados (a cargo de Jamie Muhoberac) e violino (cortesia de Kayleigh Goldsworthy), \u00e9 palp\u00e1vel, e ineg\u00e1vel, o comprometimento dos cinco principais integrantes em preservar os arranjos e atmosferas originais do \u00e1lbum. \u201cThe End.\u201d inicia o show de modo bomb\u00e1stico, embora seja iniciada pelo viol\u00e3o de Ray Toro. O ritmo engata, por\u00e9m, a tempo das agitadas \u201cDead!\u201d e \u201cThis is How I Disappear\u201d, onde o trabalho percussivo de Jarrod Alexander se faz destacar mais. \u00c9 ap\u00f3s \u201cThe Sharpest Lives\u201d, por\u00e9m, que o primeiro grande momento da noite se faz presente: \u201cWelcome to the Black Parade\u201d \u00e9 entoada por todos os presentes, em un\u00edssono, como uma esp\u00e9cie de mantra. No palco, os dois guitarristas se alternam tamb\u00e9m nos backing vocals, com Frank Iero se concentrando em melodias e partes r\u00edtmicas enquanto Ray Toro (que lembrava um pouco Max Cavalera, em alguns r\u00e1pidos momentos) se encarregava dos \u00f3timos solos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_93779\" aria-describedby=\"caption-attachment-93779\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-93779 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/mcr7.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"661\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/mcr7.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/mcr7-300x264.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-93779\" class=\"wp-caption-text\"><em>My Chemical Romance<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, desde o come\u00e7o, todas as aten\u00e7\u00f5es se voltaram para Gerard Way: magn\u00e9tico, intenso em suas express\u00f5es faciais e linguagem corporal, e sem poupar as pr\u00f3prias cordas vocais, o cantor deu tudo de si em uma interpreta\u00e7\u00e3o que remete, ainda que muito levemente, \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o populista cheia de conflitos de Bob Geldof em \u201cPink Floyd: The Wall\u201d (1982). Al\u00e9m de conduzir a audi\u00eancia com maestria na dobradinha \u201cI Don\u2019t Love You\u201d\/\u201dHouse of Wolves\u201d, sem romper o personagem em nenhum momento, Way desfila pelo palco, interage com figurantes (um, em particular, \u00e9 o principal coadjuvante da hist\u00f3ria), com um fantoche, na sinistra \u201cCancer\u201d e com um olho gigante, que acentua a subtrama de paran\u00f3ia e vigil\u00e2ncia orwelliana presente durante o show.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com uma vocalista devidamente caracterizada fazendo as vezes de Liza Minelli (que participou das grava\u00e7\u00f5es do disco) na clim\u00e1tica \u201cMama\u201d, o My Chemical Romance deu in\u00edcio \u00e0 segunda parte do disco, que teve continuidade com a \u00f3tima \u201cSleep\u201d e uma brilhante \u201cTeenagers\u201d, tamb\u00e9m acompanhada em coro pelo p\u00fablico. \u201cDisenchanted\u201d tamb\u00e9m incluiu um show de luzes em meio ao p\u00fablico, que acompanhou com as lanternas dos celulares, e \u201cFamous Last Words\u201d, com um impressionante show pirot\u00e9cnico cheio de chamas por todos os lados do palco, trouxe um \u00e9pico e hipnotizante cl\u00edmax para um show recheado de momentos \u00e9picos e hipnotizantes. Mas, quando todos j\u00e1 pensavam ter visto o encerramento da primeira parte do show (algo indicado pela reprise de \u201cThe End.\u201d), veio a faixa-b\u00f4nus \u201cBlood\u201d, na qual Gerard Way, trajado como m\u00e9dico, \u201ceviscerou\u201d o principal coadjuvante do show, que foi trazido ao palco sobre uma maca. Com sangue falso espirrando, e sob gritos e aplausos do p\u00fablico, os integrantes da banda, ainda caracterizados, foram removidos por \u201cguardas\u201d do manic\u00f4mio, e o dram\u00e1tico final do repert\u00f3rio de \u201cThe Black Parade\u201d foi sucedido por alguns minutos de chiados nos tel\u00f5es, acompanhados de uma violoncelista, sozinha, na penumbra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e9 claro que havia mais. Muito mais: j\u00e1 sem os uniformes sombrios, muito mais despojados e \u00e0 vontade fora dos personagens que interpretaram at\u00e9 ent\u00e3o, os m\u00fasicos voltaram ao palco, dando sequ\u00eancia a um set que revisitou seus discos anteriores e posteriores. \u201cNa Na Na (Na Na Na Na Na Na Na Na Na)\u201d \u2013 do derradeiro \u201cDanger Days: The True Lies of the Fabulous Killjoys\u201d (2010) \u2013 foi ovacionada, enquanto \u201cSkylines and Turnstiles\u201d (do debut do grupo, \u201cI Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love\u201d, de 2002) e o lado B \u201cHeaven Help Us\u201d apelaram para a parcela mais hardcore da fanbase. \u201cThe World Is Ugly\u201d (da colet\u00e2nea \u201cConventional Weapons\u201d), antecedida por um falante, e berrante, Gerard \u2013 que agradeceu ao elenco que participou da execu\u00e7\u00e3o de \u201cThe Black Parade\u201d, fez piadas, e mencionou o fato de esta ser n\u00e3o apenas a primeira turn\u00ea completa da banda pela Am\u00e9rica Latina, como tamb\u00e9m os dezoito anos que se passaram desde sua \u00faltima visita \u2013 figurou pela primeira vez no setlist desta turn\u00ea.<\/p>\n<figure id=\"attachment_93781\" aria-describedby=\"caption-attachment-93781\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-93781\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/mcr10.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"629\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/mcr10.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/mcr10-300x252.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-93781\" class=\"wp-caption-text\"><em>My Chemical Romance<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cHang \u2018Em High\u201d (\u201cPara a melhor banda do mundo, o The Hives\u201d, de \u201cThree Cheers for Sweet Revenge\u201d, 2004) e \u201cThank You for the Venom\u201d, em seguida, foram incr\u00edveis, e prepararam o terreno tanto para o hit \u201cI\u2019m Okay (I\u2019m Not Okay)\u201d (tamb\u00e9m de \u201cThree Cheers&#8230;\u201d) quanto para outra estr\u00e9ia nesta excurs\u00e3o: \u201cCemetery Drive\u201d, dedicada por Way ao amigo e parceiro Gabriel B\u00e1 \u2013 co-criador da s\u00e9rie em quadrinhos \u201cThe Umbrella Academy\u201d \u2013 e seu irm\u00e3o, o tamb\u00e9m quadrinista F\u00e1bio Moon, que estavam presentes no Allianz. Exaustos, os integrantes do MCR eram s\u00f3 sorrisos quando encaminharam o show para o fim: primeiro com a sensacional \u201cHeadfirst for Halos\u201d, e, em seguida, com uma previs\u00edvel, por\u00e9m n\u00e3o menos cat\u00e1rtica \u201cHelena\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A guitarra de Ray Toro, escorada nos amplificadores, ainda reverberava microfonia quando o quinteto deu adeus ao p\u00fablico, que come\u00e7ou a esvaziar o est\u00e1dio. Ficou, por um momento, a esperan\u00e7a de um bis, que n\u00e3o veio. Mas n\u00e3o \u00e9 como se precisasse: com um repert\u00f3rio de 24 m\u00fasicas, incluindo a\u00ed um trabalho ambicioso, meticuloso, e angular apresentado do in\u00edcio ao fim, n\u00e3o houve quem n\u00e3o tivesse ficado satisfeito com o Espet\u00e1culo (sim, com E mai\u00fasculo) presenciado no est\u00e1dio do Palmeiras. \u00c9 certo que houveram repetitivas falhas no tel\u00e3o \u2013 que apagava e retomava a transmiss\u00e3o aleatoriamente \u2013 e o som, em determinados setores das arquibancadas, se mostrou um pouco embolado, tornando dif\u00edcil entender alguns dos coment\u00e1rios do frontman.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bom humor esbanjado pelos membros da banda, no entanto, \u00e9 um mais do que bem-vindo contraste com os t\u00f3picos pesados abordados por sua m\u00fasica, e sobretudo em sua obra-prima. Pode parecer hip\u00e9rbole barata chamar \u201cThe Black Parade\u201d de \u201co \u2018The Wall\u2019 da gera\u00e7\u00e3o Millenial\u201d; em termos de primor c\u00eanico, requinte narrativo, e ambi\u00e7\u00e3o sonora, entretanto, os paralelos com o trabalho do Pink Floyd se tornam mais ineg\u00e1veis. Trata-se, sim, de um show digno de um dos mais not\u00e1veis \u00e1lbuns dos anos 2000, concebido, em grande parte, por um nerd viciado em quadrinhos \u2013 dif\u00edcil n\u00e3o ver acenos ao futuro totalitarista de Alan Moore em \u201cV de Vingan\u00e7a\u201d aqui \u2013 e interpretado (de mais de uma forma poss\u00edvel) por um time de performers que amadureceu, soube respeitar o pr\u00f3prio legado e tamb\u00e9m o pr\u00f3prio hiato (al\u00f4, Los Hermanos) e soube entender a import\u00e2ncia da obra que deixou, n\u00e3o com servitude, mas com dignidade. Que o My Chemical Romance volte mais vezes, e n\u00e3o espere outros 18 anos: o termo \u201cemo\u201d pode, outrora, ter sido sin\u00f4nimo de xingamento, e depois pode at\u00e9 ter ca\u00eddo em desuso, como uma rel\u00edquia de tempos mais ing\u00eanuos. Mas, se tomado como equivalente ao que o My Chemical Romance fez, e faz, ele torna-se o mais sincero dos elogios.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/02\/08\/my-chemical-romance-cumpre-promessa-e-ilumina-uma-geracao-em-sao-paulo\/\"><em>Leia tamb\u00e9m: My Chemical Romance cumpre promessa e ilumina uma gera\u00e7\u00e3o em SP<\/em><\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-93780 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/mcr8.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"911\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/mcr8.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/mcr8-247x300.jpg 247w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4cfQaQO-YD4\">\u00a0Davi Caro<\/a>\u00a0\u00e9 professor<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4cfQaQO-YD4\">,<\/a>\u00a0tradutor, m\u00fasico, escritor e estudante de Jornalismo. Leia mais textos dele\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/davi-caro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Trata-se, sim, de um show digno de um dos mais not\u00e1veis \u00e1lbuns dos anos 2000, concebido, em grande parte, por um nerd viciado em quadrinhos&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/02\/08\/my-chemical-romance-em-sao-paulo-george-orwell-teria-muito-do-que-se-orgulhar\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":134,"featured_media":93782,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[6529,5046],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93775"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/134"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93775"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93775\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":94360,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93775\/revisions\/94360"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93782"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93775"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93775"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93775"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}