{"id":93747,"date":"2026-02-05T00:21:34","date_gmt":"2026-02-05T03:21:34","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=93747"},"modified":"2026-03-24T10:56:41","modified_gmt":"2026-03-24T13:56:41","slug":"entrevista-miragem-brinda-o-primeiro-disco-com-outros-delirios-fim-de-festa-session-ao-vivo-de-psicodelia-caseira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/02\/05\/entrevista-miragem-brinda-o-primeiro-disco-com-outros-delirios-fim-de-festa-session-ao-vivo-de-psicodelia-caseira\/","title":{"rendered":"Entrevista: Miragem brinda o primeiro disco com \u201cOutros Del\u00edrios (Fim de Festa)\u201d, session ao vivo de psicodelia caseira"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ociocretino\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns discos de estreia chegam como cart\u00e3o de visitas; outros, como convite pra se perder num lugar que voc\u00ea ainda n\u00e3o conhece direito. \u201c<a href=\"https:\/\/offstep.link\/296394421230\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Muitos Caminhos Prum Lindo Del\u00edrio\u201d<\/a>, lan\u00e7ado em outubro de 2024 pela banda paulistana <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/miragemviagem\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Miragem<\/a>, segue mais o segundo caso: um \u00e1lbum que parece vir de um sonho estranho, em que psicodelia, folk, p\u00f3s-punk enevoado e synth pop oitentista se misturam numa n\u00e9voa de sons e efeitos let\u00e1rgicos. Um ano depois, essa mesma n\u00e9voa reaparece em \u201c<a href=\"https:\/\/offstep.link\/252008074552\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Outros Del\u00edrios (Fim de Festa)<\/a>\u201d, session ao vivo lan\u00e7ada em 13 de novembro de 2025 que reinterpreta quatro faixas do disco em um clima lis\u00e9rgico de fim de noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banda formada por Camilla Loureiro (voz, guitarra, piano), Rafael Quebrante (baixo), Gustavo Espar\u00e7a (guitarra), Lucas Soares (bateria) e Mariana Nogueira (teclado) vive num equil\u00edbrio curioso entre caos e amarra\u00e7\u00e3o sobre suas escolhas musicais. \u201cAcho que nunca seguimos uma linha s\u00f3. \u00c9 sempre meio ca\u00f3tico\u201d, diz Camilla. Segundo Rafael, Camilla quer escrever em \u201ctrilh\u00f5es de estilos diferentes\u201d e ele tenta costurar tudo isso como pode na mixagem. As refer\u00eancias do grupo passam por muitos caminhos: Sonic Youth, Weyes Blood, Mitski, Rita Lee, J\u00fapiter Ma\u00e7\u00e3, Beach House, Jeff Buckley, O Som Nosso de Cada Dia, mas tamb\u00e9m por Twin Peaks, Charli XCX e Fiona Apple. Mas nada entra como cita\u00e7\u00e3o literal: s\u00e3o diferentes influ\u00eancias que perfazem uma forma de olhar pro mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O curioso \u00e9 que esse universo, que hoje parece t\u00e3o coeso, nasceu de uma pessoa notoriamente t\u00edmida tentando aprender a se expor. Camilla cresceu introspectiva, com dificuldade de se abrir, e come\u00e7ou a explorar letras como forma de botar para fora grande parte de seus questionamentos e sonhos. \u201cSempre amei m\u00fasicas em que sentia que o artista se abria, mostrava o cora\u00e7\u00e3o. Aprender a escrever sobre isso foi um exerc\u00edcio mesmo. No come\u00e7o, eu me for\u00e7ava a colocar no papel. Depois foi ficando mais natural. Mas ensaiar e cantar algo t\u00e3o pessoal foi bem dif\u00edcil. Nas primeiras vezes eu tremia\u201d, lembra a vocalista. \u201cAgora eu sofro e transformo em m\u00fasica, sen\u00e3o fico puta de sofrer \u00e0 toa (risos). Preciso colocar pra fora de algum jeito!\u201d, resume.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Apelo\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/V6tqTj6nKSk?list=OLAK5uy_loLUutwscZl0Mk0Bxe2UYmGpO_A8k3otg\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00e1lbum de estreia (na integra acima) tamb\u00e9m foi fruto de um per\u00edodo longo e dolorido. \u201cEsse disco foi um processo de sofr\u00eancia\u201d, admite Rafael. Foram quatro anos de grava\u00e7\u00e3o, quase tudo em casa, no tempo livre entre outros trabalhos. \u201cTeve uma \u00e9poca em que eu fiquei meio doente mesmo, porque j\u00e1 fazia uns tr\u00eas meses que eu estava mixando as faixas tipo 14 horas por dia, dormindo s\u00f3 tr\u00eas.\u201d Entre gambiarra de home studio, percal\u00e7os internos e t\u00e9cnicos e perfeccionismo de ambos, o \u00e1lbum foi tomando forma aos trancos, at\u00e9 encontrar uma unidade sonora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u201cMuitos Caminhos Prum Lindo Del\u00edrio\u201d n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sofrimento. Ele tamb\u00e9m tem um eixo conceitual que foi se revelando aos poucos, muito influenciado por uma fase em que o casal se aproximou, meio que sem querer, de um culto esot\u00e9rico. Da\u00ed surgiu a ideia de ressignificar um mundo chato em algo m\u00e1gico: imagens como \u201ccachoeiras v\u00eam do meio do cimento\u201d e a passagem de \u201cEterna Distra\u00e7\u00e3o\u201d para \u201cMuitos Caminhos\u201d e \u201cNada \u00e9 Urgente\u201d v\u00e3o costurando essa transforma\u00e7\u00e3o. \u201cAcho legal acreditar em umas bobeiras\u201d, diz Camilla, fazendo um pouco de piada consigo mesma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como desdobramento natural, a session gravada ao vivo para celebrar o primeiro anivers\u00e1rio do \u00e1lbum, \u201cOutros Del\u00edrios (Fim de Festa)\u201d pega \u201c\u00d3cio\u201d, \u201cApelo\u201d, a faixa-t\u00edtulo e \u201cNada \u00e9 Urgente\u201d e puxa o del\u00edrio alguns cent\u00edmetros a mais, com o sax e backing vocals da convidada Tha\u00eds Neres, texturas que passeiam entre jazz, psicodelia lo-fi caseira. A est\u00e9tica do disco de estreia continua l\u00e1, mas agora soa como registro de um after em c\u00e2mera lenta, quando ningu\u00e9m sabe se a noite acabou ou se ainda cabe mais uma rodada alco\u00f3lica, como se o del\u00edrio resolvesse se esticar madrugada adentro por amigos que s\u00e3o inimigos do fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A seguir, voc\u00ea confere uma longa conversa do Scream &amp; Yell com Camilla e Rafael, que falam sobre o processo de grava\u00e7\u00e3o do disco no intervalo entre empregos, as refer\u00eancias que moldaram o \u00e1lbum, a constru\u00e7\u00e3o das letras cheias de abstra\u00e7\u00f5es e imagens on\u00edricas, e como foi transportar todas essas viagens. Vale botar o \u00e1lbum e a session como trilha sonora para a leitura.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Miragem - Outros Del\u00edrios (Fim De Festa) Session Completa\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FTKDy6jCglg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco passeia por vibes bem diferentes ao longo do tracklist, mas ao mesmo tempo parece que ele \u00e9 bem amarrado por uma est\u00e9tica de som. Durante a grava\u00e7\u00e3o, voc\u00eas j\u00e1 pensaram em seguir uma linha est\u00e9tica ou isso foi surgindo aos poucos mesmo?<\/strong><br \/>\nCamilla: Acho que nunca seguimos uma linha s\u00f3. \u00c9 sempre meio ca\u00f3tico\u2026 (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: A Camilla tem vontade de escrever m\u00fasica em trilh\u00f5es de estilos diferentes, e ela n\u00e3o repete. Se faz uma m\u00fasica de um jeito, a pr\u00f3xima j\u00e1 \u00e9 outra coisa. Isso j\u00e1 acontecia no Grave, essa vontade de experimentar. N\u00f3s dois somos bem ecl\u00e9ticos. E se voc\u00ea se prende a um estilo s\u00f3, cansa r\u00e1pido. Tentar unir as coisas esteticamente acaba ficando mais na minha m\u00e3o na hora de mixar. E nesse disco eu tive que mudar muita coisa de timbre e est\u00e9tica por necessidade mesmo, n\u00e3o por escolha. Foram quatro anos gravando. No meio disso, o nosso baterista [Ant\u00f4nio] faleceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00e9rio? Meus sentimentos. Imagino que isso tenha impactado tudo\u2026<\/strong><br \/>\nRafa: Total. A segunda m\u00fasica do disco, \u201cExpectativa\u201d, foi gravada com ele aqui em casa. Foram dois canais est\u00e9reo. Depois disso, a gente demorou pra se recompor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: \u00c9, foi mais ou menos um ano sem fazer nada mesmo\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: Sem conseguir nem encostar nos instrumentos, sabe? Tanto que, se voc\u00ea procurar no YouTube, tem v\u00eddeos de um show nosso aqui em casa, e \u00e9 o show em que ele ainda tocava com a gente. Hoje em dia, a gente est\u00e1 com o Lucas na bateria e \u00e9 bem diferente, tanto no estilo de tocar quanto no som da banda. Mudou muito, sabe? Acho que at\u00e9 quando a gente voltou, foi com uma outra cabe\u00e7a\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: Numa vibe diferente, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: Total. Tipo: mano, tem que valorizar muito cada segundo disso aqui. Nada \u00e9 garantido, nada. E at\u00e9 hoje \u00e9 assim. Cada pequena coisa que acontece, a gente para e pensa: \u201ccaramba, que da hora isso que t\u00e1 rolando\u201d. A gente fica feliz s\u00f3 de ver as coisas acontecendo, de estar todo mundo respirando, sabe? Mas quando voltamos a gravar, j\u00e1 tinha se passado muito tempo\u2026 E a\u00ed, quando finalmente gravamos bateria em outro est\u00fadio, o t\u00e9cnico esqueceu o microfone da caixa no ch\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: A \u00fanica coisa que a gente n\u00e3o gravou aqui em casa foi a bateria, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: Sim. Sete m\u00fasicas com bateria gravada, duas com drum machine e uma com o Ant\u00f4nio, que foi gravada aqui. E mesmo assim, quando o t\u00e9cnico mandou os arquivos, estava tudo desorganizado; bumbo embaixo de outra faixa, tom em cima de outra\u2026 Tive que remontar tudo no dedo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E sobre os vocais? D\u00e1 pra notar uma voz mais &#8220;escondida&#8221; em algumas faixas&#8230;<\/strong><br \/>\nCamilla: Sim, eu estava com um problema na grava\u00e7\u00e3o da voz. Quando ia gravar, \u00e0s vezes no meio da nota come\u00e7ava um ru\u00eddo esquisito, como se viesse do fundo da garganta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: Era um chiado. E a\u00ed, se eu subisse o volume da voz, o ru\u00eddo virava protagonista. Ent\u00e3o a mixagem da voz foi toda baseada em esconder isso: texturas de vinil, reverb, tirar agudo\u2026 Depois a gente descobriu que era s\u00f3 aumentar o ganho e dar dois passos pra tr\u00e1s. (risos) Mas a\u00ed j\u00e1 tinha gravado o disco inteiro. A\u00ed eu tento esconder como posso. Eu aprendi a mixar voz com um professor super tradicional, e ele tinha umas regras muito r\u00edgidas, como achar que todas as consoantes e vogais tinham que ficar no mesmo volume na automa\u00e7\u00e3o. A\u00ed eu pensava: \u201cMeu parceiro, isso a\u00ed n\u00e3o \u00e9 uma pessoa cantando, n\u00e3o!\u201d (risos) \u00c9 mais f\u00e1cil meter o compressor no talo e cantar. Ent\u00e3o fui meio que batendo de frente com isso e desenvolvendo meu jeito. Resultado: todas as m\u00fasicas do disco t\u00eam no m\u00ednimo umas cinco vozes da Camilla empilhadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: S\u00f3 \u201cTurbilh\u00e3o\u201d \u00e9 uma faixa solo, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: \u00c9, foi a \u00fanica. Eu falei: \u201cEssa m\u00fasica \u00e9 muito pessoal, tem que soar como se voc\u00ea estivesse no quarto com a Camila\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: \u00c9 literalmente um take meu cantando e tocando viol\u00e3o, e acabou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: Tinha que ser s\u00f3 ela, sem produ\u00e7\u00e3o demais. J\u00e1 nas outras, usamos efeitos, sobreposi\u00e7\u00f5es de voz pra clarear palavras ou abrir mais a m\u00fasica. Tanta coisa que n\u00e3o dava nem pra regravar depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: Agora estou tentando deixar o processo mais leve. Pessoalmente, sinto que n\u00e3o vale a pena ficar encucando com cada micro detalhe. Al\u00e9m disso, a gente curte bandas com est\u00e9tica de voz mais no fund\u00e3o mesmo. Mas acho que eu tamb\u00e9m tenho vergonha de deixar a voz muito alta. Me exponho, mas ainda fico t\u00edmida com isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: Eu teria deixado mais alto, mas entendo. No fim das contas, eu que coloco a voz na mix, ent\u00e3o acabo equilibrando. Mas a gente sempre teve essa tens\u00e3o. Quando fiz uns cursos de produ\u00e7\u00e3o, os professores achavam a gente maluco (risos). Eles n\u00e3o entendiam a proposta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: Tem muita gente na ind\u00fastria da m\u00fasica brasileira que \u00e9 bem quadrada com mixagem, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: Total. Mas foi voc\u00ea que me disse: \u201cfoda-se, faz o que voc\u00ea gosta\u201d. Mesmo assim, tem partes que eu ainda fico inseguro. Tento colocar minhas loucuras de forma sutil. Tipo em \u201cMuitos Caminhos Prum Lindo Del\u00edrio\u201d: no segundo verso tem um uma parte em que usei um mantra da Camila. Reverti a voz, coloquei reverb separado, desinverti o reverb invertido, distribu\u00ed delay&#8230; Fiz esse mantra invertido bizarro. Mas fui abaixando o volume pra n\u00e3o parecer que tem mil pessoas falando na sua cabe\u00e7a (risos). Virou mais uma textura que uma coisa expl\u00edcita.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Miragem - Muitos Caminhos Prum Lindo Del\u00edrio (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pPrzsgCq6QA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando nisso, o disco come\u00e7a com uma fala ao contr\u00e1rio. O que \u00e9 aquilo?<\/strong><br \/>\nRafa: A Camila s\u00f3 falou \u201cinventa a\u00ed um come\u00e7o esquisito\u201d, e eu fiz isso a\u00ed. (risos). Eu peguei a voz dela, inverti, fiz o mesmo com a guitarra, joguei delay, uma bagun\u00e7a&#8230; E montei aquilo l\u00e1. Ela ouviu e falou \u201cbala!\u201d Foi isso. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas podem contar o que \u00e9 ou \u00e9 segredo? (risos)<\/strong><br \/>\nCamilla: Ah, \u00e9 que a resposta \u00e9 meio chata&#8230; O Rafa pegou a minha voz de algum take que em que estava cantando e ele inverteu. Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nada super pensado, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: Fiquei brincando com a revers\u00e3o at\u00e9 achar algo que soasse bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: A\u00ed eu at\u00e9 brinquei que parecia a Xuxa ao contr\u00e1rio, falando \u201cadoro o diabo\u201d, essas coisas&#8230; (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como voc\u00ea faz essas partes ao vivo?<\/strong><br \/>\nCamilla: N\u00e3o fa\u00e7o, mas seria interessante tentar isso ao vivo. A gente tem experimentado algumas texturas novas no palco, aos poucos. A gente tem uma caixinha de pl\u00e1stico amarela, pequenininha, que \u00e9 um neg\u00f3cio engra\u00e7ado, chama Mantra Box. Voc\u00ea vai passando por ela e tem um monte de mantra maluco gravado. No \u00faltimo show, coloquei no captador da guitarra, bem no come\u00e7o de \u201cApelo\u201d, e a\u00ed ficam umas texturas, umas paradas doidas rolando. Estamos come\u00e7ando a experimentar umas maluquices assim, devagarzinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 o processo de composi\u00e7\u00e3o? Voc\u00ea pensa primeiro na letra? Primeiro na melodia? Como funciona?<\/strong><br \/>\nCamilla: J\u00e1 tive v\u00e1rios processos diferentes. Pra mim, \u00e9 natural escrever melodia, tenho mais facilidade nisso. Mas tem vezes que estou frustrada ou sentindo muito alguma coisa, a\u00ed escrevo tudo que tem pra escrever, n\u00e3o necessariamente em formato de m\u00fasica, sabe? A\u00ed revisito aquilo, dou forma, e j\u00e1 fa\u00e7o a melodia junto. Geralmente n\u00e3o demoro pra fazer a harmonia, a melodia, porque acho que \u00e9 o que eu mais gosto, o que \u00e9 mais f\u00e1cil. \u00c0s vezes j\u00e1 vem um arranjo bem claro, tipo &#8220;essa m\u00fasica tem que ser assim, com bateria tal, ou mais psicod\u00e9lica, ou mais punkzinha&#8221;, a\u00ed j\u00e1 me vem bem claro. Outras vezes eu fa\u00e7o a m\u00fasica inteira voz e viol\u00e3o. Eu componho muito no viol\u00e3o, ali\u00e1s, acho que \u00e9 onde mais componho, de longe. Fa\u00e7o voz e viol\u00e3o e estou reclamando de alguma coisa (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Mariana era uma f\u00e3 e amiga que foi efetivada como tecladista? Como foi essa hist\u00f3ria?<\/strong><br \/>\nCamilla: A Mari sempre trabalhou com a gente com audiovisual: fotos, clipes, essas coisas. Mas al\u00e9m disso, ela sempre esteve por perto, dando ideias, querendo participar. A entrada dela na banda foi meio curiosa: a gente tinha um show marcado e o Gustavo caiu de skate, quebrou a perna e se machucou feio. No show, a gente dividia o teclado e algumas partes eu tocava, outras ele. E a\u00ed pensei: \u201cPutz, se o Gustavo n\u00e3o puder tocar, o que ele faz que ningu\u00e9m mais consegue fazer?\u201d Como a Mari j\u00e1 tinha comentado que queria aprender teclado e eu tinha emprestado um pra ela um tempo antes, perguntei: \u201cSer\u00e1 que voc\u00ea consegue tirar essa m\u00fasica aqui pra tocar ao vivo com a gente, se o Gustavo n\u00e3o conseguir?\u201d Ela topou, aprendeu direitinho\u2026 E a\u00ed foi pegando gosto, foi aprendendo mais e a gente foi incluindo ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: \u00c9 engra\u00e7ado porque a Mari j\u00e1 fazia v\u00eddeo com a gente h\u00e1 muito tempo, desde quando a banda ainda se chamava Grave. Ela sempre gravou clipes, teve contato com m\u00fasicos, mas nunca tinha encostado em um instrumento, s\u00f3 olhava de longe. E agora, com a Miragem, ela realmente deu os primeiros passos e se dedicou de verdade. Ainda rola um nervosismo no palco, o que \u00e9 normal, mas com o tempo passa. Acho que ela evoluiu absurdamente bem pro tempo que t\u00e1 tocando. E, honestamente, al\u00e9m do som, a presen\u00e7a dela faz bem pra banda. A energia muda com ela junto, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: Total. A gente comentou sobre isso esses dias. Hoje em dia \u00e9 mais comum ver uma vocalista mulher e o resto da banda ser homem, e fica uma energia meio &#8220;moleque&#8221;. Com a entrada da Mari, muda um pouco a vibe e \u00e9 uma mudan\u00e7a boa!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando um pouco no tempo: a banda antes se chamava Grave, \u00e9 isso?<\/strong><br \/>\nCamilla: Isso! Nos prim\u00f3rdios era a Grave. Na real, a banda nasceu de um TCC que eu fiz. Estudei design, mas sempre toquei guitarra e curti m\u00fasica. Teve uma fase que deixei a m\u00fasica um pouco de lado pra focar nos estudos. S\u00f3 que, na \u00e9poca do TCC, eu queria uma desculpa pra voltar a fazer m\u00fasica. A\u00ed inventei de gravar um EP e a gente come\u00e7ou a experimentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: E eu tava come\u00e7ando a estudar produ\u00e7\u00e3o musical. A\u00ed comprei meu primeiro computador, devia ter uns 20 ou 22 anos, e a gente foi gravando. Era bem no estilo \u201cseja o que Deus quiser\u201d. \u00c9 bem diferente da Miragem. Porque quando conheci a Camilla, ela j\u00e1 tocava muito. A gente se conheceu com 13 anos, na escola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: Isso, \u00e9ramos da mesma sala.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: Ela j\u00e1 era um absurdo na guitarra. A gente jogava Guitar Hero com guitarra, baixo, bateria e vocal. Todo mundo tocava os instrumentos correspondentes, menos eu, que ainda n\u00e3o tocava baixo. A\u00ed os caras falaram: \u201cCompra um baixo a\u00ed e vamos tocar\u201d. A\u00ed comprei um Eagle por 300 conto. Foi a\u00ed que comecei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: E ele tem esse baixo at\u00e9 hoje!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E tira um baita som dele. Parab\u00e9ns!<\/strong><br \/>\nRafa: Mano, gosto demais dele. N\u00e3o vendo por nada nesse mundo. E foi com ele que comecei a tocar com a galera. A\u00ed a gente fundou a Milk Friends.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: Era nossa banda do col\u00e9gio. Tocava AC\/DC, Beatles, Arctic Monkeys\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: Mas a gente toca junto desde sempre, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: Sim, desde essa \u00e9poca. E o Lucas e o Gustavo tamb\u00e9m tocam juntos desde os 13 anos, mesmo que a gente ainda n\u00e3o conhecesse eles naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Miragem - N\u00e3o Aguento Mais Sonhar Com Voc\u00ea (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Yqn6HlD7vzo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como foi que voc\u00eas come\u00e7aram a tocar juntos?<\/strong><br \/>\nCamilla: A gente era os roqueiros da sala da escola (risos). Tinha um amigo de outra turma que era o descolado: tinha banda, tocava guitarra e cantava. A gente achava ele o \u201crock star da escola\u201d. A\u00ed um dia surgiu a ideia de tocar junto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: Lembro direitinho. A gente falou: \u201cP\u00f4, vamos ensaiar um dia?\u201d Ele era mais velho, mas topou. A\u00ed no ensaio ele j\u00e1 mandou: \u201cVamos compor uma m\u00fasica ent\u00e3o\u201d. Ele se colocou na banda automaticamente (risos). E a gente s\u00f3 foi aceitando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: Nessa \u00e9poca toc\u00e1vamos mais cover. Ele escrevia umas coisas, a gente fazia os arranjos. Mas eu s\u00f3 fui come\u00e7ar a compor letra, melodia, tudo junto, bem mais pra frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas quando a banda se chamava Grave, j\u00e1 era m\u00fasica autoral?<\/strong><br \/>\nCamilla: J\u00e1, foi a\u00ed que comecei mesmo, mas era bem diferente. Eu n\u00e3o sabia escrever letra, ent\u00e3o a gente fazia umas m\u00fasicas meio engra\u00e7adas. A gente curtia o desenho antigo da She-Ra, que tem uma vibe meio psicod\u00e9lica. Teve um epis\u00f3dio que a gente pegou umas falas e transformou em m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: O epis\u00f3dio se chamava \u201cNeblina do Sono\u201d, muito bom (risos). E nessa \u00e9poca a gente teve ideias muito malucas: \u201cVamos fazer stoner com dub?\u201d, \u201cVamos tentar anos 80 eletr\u00f4nico?\u201d, \u201cVamos compor algo esquisito do ET Bilu?\u201d. E a gente sentava e fazia (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: Era tudo meio brincadeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: E agora n\u00e3o, agora a Camilla virou uma grande compositora. Ela chega com as m\u00fasicas prontas e eu dou uns pitacos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: Agora eu sofro e transformo em m\u00fasica, sen\u00e3o fico puta de sofrer \u00e0 toa (risos). Preciso colocar pra fora de algum jeito!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Camilla, voc\u00ea parece um pouco mais introspectiva. Como foi colocar isso para fora nas letras? Foi dif\u00edcil?<\/strong><br \/>\nCamilla: Sim, foi bem dif\u00edcil. Especialmente no processo do primeiro disco, que foi quando realmente comecei a compor sobre o que eu sentia, coisas mais profundas pra mim. Eu cresci muito introspectiva e t\u00edmida, sempre tive dificuldade de me abrir com as pessoas. Mas eu sempre amei m\u00fasicas em que sentia que o artista se abria, mostrava o cora\u00e7\u00e3o. Sempre me tocou muito. E aprender a escrever sobre isso foi um exerc\u00edcio mesmo. No come\u00e7o, eu meio que me for\u00e7ava a colocar no papel, fazer sair. Depois foi ficando mais natural. Mas ainda teve a parte de mostrar isso pras pessoas, ensaiar, cantar algo t\u00e3o pessoal. Nossa, nas primeiras vezes eu tremia, ficava muito nervosa. Era estranho me expor desse jeito. Eu era bem insegura com isso, mas fui continuando. E o Rafa sempre me apoiou muito\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: Mas de verdade, voc\u00ea aprendeu a escrever numa velocidade absurda. Isso me surpreendeu muito. Eu lembro que voc\u00ea disse \u201cmano, deixa eu ouvir umas m\u00fasicas nacionais\u201d, a\u00ed foi mergulhar no Milton, no Djavan&#8230; E seis meses depois, voltou escrevendo letra. Pra mim, \u00e9 um processo que levaria anos, mas achei muito r\u00e1pido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: Foi um intensiv\u00e3o. Eu pesquisava \u201ccomo escrever m\u00fasica\u201d, fazia curso online\u2026 Depois cansei, porque \u00e0s vezes era tudo muito quadrado. Mas foi um estudo real.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Miragem - Eterna Distra\u00e7\u00e3o (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GcKcaCO5b9Y?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem te deu aquela sensa\u00e7\u00e3o de \u201cnossa, que lindo isso, quero escrever assim\u201d?<\/strong><br \/>\nCamilla: Ah, na \u00e9poca, eu estava ouvindo muito Fiona Apple e ela tinha acabado de lan\u00e7ar \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/26\/meu-disco-favorito-de-2020-fiona-apple\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fetch The Bolt Cutters<\/a>\u201d, o disco me pegou muito. Li uma mat\u00e9ria em que ela falava do significado de cada m\u00fasica e isso me marcou. Tamb\u00e9m gosto muito da Mitski, da Weyes Blood\u2026 E de m\u00fasica brasileira, claro: Milton Nascimento \u00e9 uma refer\u00eancia forte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: A gente \u00e9 muito f\u00e3 de Charlie Brown tamb\u00e9m. Oficialmente, a gente gosta MUITO de Charlie Brown. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: (risos) T\u00e1 ali como grande influ\u00eancia, com certeza. Mas quando me perguntam isso, d\u00e1 branco. A\u00ed depois lembro de uns 15 nomes que n\u00e3o falei na hora&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vi que voc\u00eas aprenderam muita coisa durante o processo de grava\u00e7\u00e3o, inclusive como n\u00e3o gravar um disco. Al\u00e9m do que o Rafa j\u00e1 comentou, quais foram as maiores dificuldades?<\/strong><br \/>\nCamilla: Nossa, muitas coisas. Teve a parte pr\u00e1tica, de gerenciar o tempo, entender como fazer as coisas, em que momento, em qual ordem faz mais sentido\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: Teve tamb\u00e9m a quest\u00e3o de prazo. A gente ficou muito tempo nesse processo, e a\u00ed chegou uma hora em que a Camilla falou: \u201cMano, tal dia o disco tem que estar pronto.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: \u00c9 que tinha composi\u00e7\u00f5es minhas que j\u00e1 eram antigas. E eu sou uma pessoa que quer fazer v\u00e1rias coisas diferentes, n\u00e9? Ent\u00e3o eu estava tipo: \u201cCaramba, quero que isso esteja no mundo logo, pra eu poder fazer outras coisas tamb\u00e9m.\u201d Eu j\u00e1 estava me sentindo presa. Era algo que eu queria muito lan\u00e7ar, mas estava demorando tanto\u2026 e eu j\u00e1 com outras ideias, querendo seguir em frente, e aquilo ainda n\u00e3o tinha sa\u00eddo. D\u00e1 uma frustra\u00e7\u00e3o, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: Esse disco foi um processo de sofr\u00eancia. Teve uma \u00e9poca em que eu fiquei meio doente mesmo, porque j\u00e1 fazia uns tr\u00eas meses que eu estava mixando as faixas tipo 14 horas por dia, dormindo s\u00f3 tr\u00eas. Mas no final, consegui corrigir as coisas que queria. Foi isso: bater a cabe\u00e7a na parede at\u00e9 ficar bom, t\u00e1 ligado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: E o foda \u00e9 que fomos n\u00f3s dois que produzimos o disco. O Rafa ficou mais com a parte da grava\u00e7\u00e3o e da mixagem, mas a gente tem ideias diferentes e os dois s\u00e3o perfeccionistas, s\u00f3 que de jeitos distintos. Ent\u00e3o a gente batia cabe\u00e7a, querendo fazer algo foda, mas tamb\u00e9m sem passar mais cinco anos nisso, sabe? Foi emocionalmente desgastante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: Exato. Tanto que, pro pr\u00f3ximo, a gente j\u00e1 est\u00e1 tipo: \u201cMano, vamos na paz de Cristo.\u201d (risos) S\u00f3 gravar e ver no que d\u00e1. E, sinceramente, n\u00e3o quero mais trabalhar com grava\u00e7\u00f5es que a gente n\u00e3o ficou feliz desde o come\u00e7o. Isso me pegou muito. Porque quando o som j\u00e1 t\u00e1 bom na grava\u00e7\u00e3o, mixar \u00e9 uma beleza. Agora, quando voc\u00ea ouve e pensa \u201ct\u00e1 ruim\u201d, tem que tentar consertar\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Teve m\u00fasicas que voc\u00eas trabalharam e acabaram n\u00e3o entrando no disco?<\/strong><br \/>\nCamilla: Teve algumas ideias no come\u00e7o, mas a gente decidiu meio r\u00e1pido o que entraria. Lembro de mostrar uma demo e o Rafa dizer: \u201cN\u00e3o gostei\u201d (risos). A gente filtrou logo no in\u00edcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: E naquela \u00e9poca nem tinha um conceito fechado de disco. Quando definimos, percebemos que aquelas m\u00fasicas n\u00e3o eram s\u00f3 ideias soltas, tinham um sentido em conjunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: A gente viu que umas oito m\u00fasicas meio que contavam uma hist\u00f3ria. \u201cMuitos Caminhos Para Um Del\u00edrio\u201d foi a \u00faltima que escrevi e pensei: \u201cEst\u00e1 faltando uma m\u00fasica de maluco aqui\u201d (risos). Ao longo do disco, eu fico meio que reclamando, e sinto que essa faixa \u00e9 uma resposta a \u201cEterna Distra\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: Porque n\u00e3o tem como explicar \u201cMuitos Caminhos\u201d sem entrar no assunto magia (risos). Teve uma \u00e9poca em que a gente meio que entrou sem querer pra um culto&#8230; (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00e9rio? Como foi isso?<\/strong><br \/>\nRafa: Cara, na real foi meio sem querer. Eu fui fazer terapia com uma psic\u00f3loga, e a mulher come\u00e7ou com uns papos de: \u201cN\u00e3o, porque eu sou sacerdotisa de um culto, de um templo, a gente faz ritual&#8230;\u201d E eu fiquei tipo: \u201cAh, t\u00e1 bom. Sem preconceito religioso, n\u00e9?\u201d S\u00f3 que foi um ano e meio dela me enchendo o saco: \u201cVoc\u00ea tem que fazer ritual, tem que tomar ayahuasca, tem que n\u00e3o sei o qu\u00ea&#8230;\u201d A\u00ed eu acabei fazendo o ritual. S\u00f3 que eu sou bem ci\u00eancia, sabe? P\u00e9 no ch\u00e3o total. Fiquei o tempo todo pensando \u201cvamos falar dessa qu\u00edmica a\u00ed\u201d, tanto na quest\u00e3o qu\u00edmica mesmo quanto no processo psicol\u00f3gico do ritual. Foi uma parada que, no fim, senti que ajudou. Mas a gente ficou muito amigo da galera do culto, a ponto de chegar l\u00e1 e jogar videogame, fumar uma maconha&#8230; Quando a gente viu, a gente j\u00e1 estava no culto! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembro que a sacerdotisa chegou pra mim e disse: \u201cEnt\u00e3o, est\u00e1 todo mundo bravo porque voc\u00ea n\u00e3o foi iniciado. Voc\u00ea est\u00e1 aqui com a gente, mas n\u00e3o entrou no c\u00edrculo de bruxaria. Vai ter que se iniciar. S\u00e3o 13 bruxas, voc\u00ea vai ser um dos 13 bruxos&#8230;\u201d E eu: \u201cT\u00f4 muito de boa disso a\u00ed, t\u00f4 muito suave de me iniciar\u201d (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: E a\u00ed depois teve todas as tretas internas l\u00e1 entre eles, e o neg\u00f3cio meio que implodiu mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: \u00c9. E eles meio que acreditavam de verdade, s\u00f3 que, pra n\u00e3o parecer que eram malucos, falavam aquela ideia de que \u201cmagia \u00e9 a transmuta\u00e7\u00e3o interna sua perante a realidade\u201d. Tipo: em vez de mudar o mundo, voc\u00ea muda por dentro, e isso muda a forma como voc\u00ea percebe o mundo, t\u00e1 ligado? E a\u00ed \u201cMuitos Caminhos\u201d \u00e9 100% sobre isso, sobre recontextualizar as coisas. A Camilla fala \u201ccachoeiras v\u00eam do meio do cimento\u201d, e isso \u00e9 sobre um chuveiro, t\u00e1 ligado? \u00c9 essa coisa de ressignificar tudo como uma coisa m\u00e1gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: \u00c9 que eu estava numa \u00e9poca que eu escrevia muita m\u00fasica no chuveiro. Da\u00ed essa frase veio disso (risos). E ainda sobre essa coisa da magia: eu cresci com meus pais que s\u00e3o umbandistas, ent\u00e3o tamb\u00e9m fui criada indo a terreiro, vendo umas coisas assim&#8230; ent\u00e3o, pra mim, foi menos estranho entrar num culto sem querer, sabe? Mas depois tamb\u00e9m fiquei tipo: \u201cAcho que deu j\u00e1, n\u00e3o est\u00e1 mais legal.\u201d Hoje em dia eu n\u00e3o tenho nenhuma pr\u00e1tica, tipo, n\u00e3o frequento nenhum lugar nem nada. Mas foi bom enquanto durou. Acho que entrar num culto por uns dois meses pode ser bom pra criatividade, \u00e0s vezes, n\u00e9? (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: Uma coisa meio Tim Maia no Racional, assim&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: Total. E tem uma coisa: \u00e0s vezes eu fico irritada porque tamb\u00e9m sou uma pessoa um pouco c\u00e9tica, pensando no meu background. Mas \u00e0s vezes fico de saco cheio de ser sempre assim, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: Esse \u00e9 o ponto que eu trouxe quando a Camilla come\u00e7ou a compor as m\u00fasicas. Meu trampo \u00e9 mestrar RPG pra gringo, ent\u00e3o fico escrevendo um milh\u00e3o de hist\u00f3rias e contando. Sempre joguei RPG, sou o cara das hist\u00f3rias. A\u00ed chegou uma hora que eu falei: \u201cO disco precisa de uma hist\u00f3ria.\u201d Quando a Camilla comp\u00f4s \u201cmuitos caminhos pro mesmo del\u00edrio\u201d, eu pensei: \u201cEssa \u00e9 a hist\u00f3ria.\u201d Sobre encontrar um mundo que voc\u00ea acha chato, que voc\u00ea n\u00e3o se identifica, e aos poucos aprender a ressignificar essas mesmas coisas como algo bonito e m\u00e1gico. E \u00e9 nisso que termina: tem \u201cMuitos Caminhos\u201d, que \u00e9 a grande ressignifica\u00e7\u00e3o, \u00e9 a m\u00fasica mais doida, e depois vem a \u00faltima, que \u00e9 \u201cNada \u00e9 Urgente\u201d, que fala sobre como \u00e9 bom estar num jardim, tocar com os amigos, e realmente ressignificar uma tarde numa casa de concreto chata numa experi\u00eancia mega m\u00e1gica, uma coisa inesquec\u00edvel entre a gente. Digo m\u00e1gica no sentido emocional mesmo. Uma coisa especial, t\u00e1 ligado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: Acho que o jeito que as pessoas vivem hoje em dia faz parecer bobo falar de magia. Mas eu sinto falta dessas coisas bobas e inocentes tamb\u00e9m. Acho legal acreditar em umas bobeiras. Por que n\u00e3o? \u00c9 divertido!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: Eu acho isso bonito. J\u00e1 falei v\u00e1rias vezes: eu sou meio \u201cmauz\u00e3o\u201d, t\u00e1 ligado? Queria n\u00e3o ser. Quando vejo essa inoc\u00eancia, acho bonito. Fico tipo: \u201cP\u00f4, eu queria&#8230; mas\u2026\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: \u00c9 a sua crian\u00e7a interior, sabe? Crian\u00e7a \u00e9 muito criativa. E acho muito legal tentar cultivar isso de algum jeito.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Miragem - \u00d3cio (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/21ZOKlBW_1E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa tentativa de enxergar o mundo de forma mais l\u00fadica me lembra coisas do David Lynch, como aquela frase: \u201cAs pessoas ficam tentando entender o sentido da vida\u2026 Mas a vida n\u00e3o faz sentido.\u201d<\/strong><br \/>\nCamilla: Ele tamb\u00e9m era essa mistura, n\u00e9? Uma coisa densa, sombria, mas com um olhar quase infantil, m\u00e1gico. O David Lynch foi uma grande inspira\u00e7\u00e3o pra gente em muitas coisas. Principalmente essa parte mais filos\u00f3fica dele. Me identifico demais com essa ideia de que as palavras limitam o que algo realmente significa. Ele dizia que n\u00e3o era um cara das palavras, e eu sinto isso tamb\u00e9m. Quando tento explicar minhas m\u00fasicas, parece que n\u00e3o consigo. Porque o que eu quero dizer est\u00e1 al\u00e9m do que as palavras alcan\u00e7am. At\u00e9 musicalmente, \u201cTwin Peaks\u201d influenciou. Por exemplo, a faixa \u201cApelo\u201d tem muita inspira\u00e7\u00e3o nisso. Tem umas partes ao contr\u00e1rio e um intervalo que tem um synth mais soturno&#8230; \u00e9 o mesmo intervalo da m\u00fasica da Laura Palmer. Eu falo isso porque \u00e9 literalmente inspirado mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: Acho que isso tem muito a ver com como a Camilla come\u00e7ou a escrever letras. A gente conversava bastante sobre isso: quanto mais direta e \u00f3bvia a letra, menos interessante ela \u00e9. A gente ficava circulando em volta da ideia. Tipo, n\u00e3o \u00e9 pra parecer que a m\u00fasica est\u00e1 te dizendo algo direto. \u00c9 pra voc\u00ea sentir no fundo da cuca, sabe? De um jeito que bate diferente pra cada pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E \u00e9 curioso, porque tem m\u00fasica que \u00e9 sobre algo super espec\u00edfico, mas v\u00e1rias pessoas escutam e acham que \u00e9 sobre outra coisa. \u00c9 preciso ser vago o suficiente pra gerar identifica\u00e7\u00e3o, mas ter verdade e emo\u00e7\u00e3o o bastante pra ser real, pra ter peso. S\u00f3 que esse equil\u00edbrio \u00e9 muito dif\u00edcil de encontrar.<\/strong><br \/>\nCamilla: Eu fico nesse conflito o tempo todo, porque gosto de muitas coisas diferentes. E ultimamente tenho curtido umas paradas bem diretas tamb\u00e9m. Tipo a Charli XCX, que fala que o disco dela \u00e9 tipo um di\u00e1rio \u2014 super direto e reto. E tem a Doja Cat tamb\u00e9m, que contou que aquele rap que bombou era literalmente uma hist\u00f3ria real que aconteceu com ela. Ent\u00e3o fico sempre nesse dilema, n\u00e9? Gosto tanto das coisas mais abstratas quanto das bem diretas&#8230; E a\u00ed fico tentando equilibrar tudo isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea comentou da influ\u00eancia da Charlie XCX. Voc\u00ea acha que d\u00e1 pra perceber algo dela nas m\u00fasicas de voc\u00eas, especialmente nesse disco?<\/strong><br \/>\nCamilla: Olha, eu acho que n\u00e3o teve uma influ\u00eancia direta, com certeza n\u00e3o foi nada que eu pensei na \u00e9poca. Mas tem algumas m\u00fasicas, por exemplo &#8220;T\u00e3o T\u00e3o Distante&#8221;, que eu escrevi e fiquei pensando: \u201cputz, ser\u00e1 que t\u00e1 meio bobo?\u201d, tipo, muito direto, sabe? Fico nessa d\u00favida de &#8220;ser\u00e1 que n\u00e3o tem nada muito inovador aqui?&#8221;. E a\u00ed eu fico lutando contra mim mesma, querendo complicar coisas que n\u00e3o precisam ser complicadas. Mas no fim eu penso: tudo bem ter uma m\u00fasica assim. Acho que faz sentido. Ent\u00e3o tem umas que eu julguei por estarem simples demais, mas eu tamb\u00e9m tento abra\u00e7ar essa simplicidade, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vi que lan\u00e7aram os clipes de \u201cMuitos Caminhos Prum Lindo Del\u00edrio\u201d e \u201cEterna Distra\u00e7\u00e3o\u201d, com anima\u00e7\u00f5es quadro a quadro, motion design, e queria saber: quanto tempo voc\u00ea passa fazendo aquilo?<\/strong><br \/>\nCamilla: Nossa, foi um tempo, uns tr\u00eas meses, acho. Uns tr\u00eas meses focada s\u00f3 nisso. Tr\u00eas meses de muita tendinite (risos). Eu trabalho como freelancer, ent\u00e3o aproveitei uma janela de tempo que n\u00e3o tinha muito trabalho para focar nisso. Foram esses tr\u00eas meses desenhando o sapo e fazendo a anima\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma linguagem meio r\u00fastica, n\u00e9? Para deixar mais polido, ia precisar de muito mais tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sem precisar explicar se n\u00e3o quiser, vai que \u00e9 segredo, mas por que tem um sapo? Vi que em algumas ilustra\u00e7\u00f5es suas tem um cavalinho tamb\u00e9m. Tem alguma simbologia especial?<\/strong><br \/>\nCamilla: \u00c9 um pouco, e ao mesmo tempo n\u00e3o \u00e9. Acho que tem um lance meio David Lynchiano, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: Eu lembro que a gente estava trocando ideia sobre o clipe e eu falei \u201cmano, vamos criar um personagem legal, porque personagem \u00e9 algo que as pessoas se apegam\u201d. A\u00ed a Camila falou \u201ce se for um sapo?\u201d e ele virou o personagem. E a gente tinha acabado de comprar uma est\u00e1tua de sapo, tipo enfeite de jardim, num brech\u00f3. Era um sapo velho, meio na vibe do sap\u00e3o. Quando foi, o sapo da Camila virou especial, assim&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: Eu acho o sapo um personagem divertido. Tem uns simbolismos que eu pensei para o clipe, que conversam com a m\u00fasica. N\u00e3o vou revelar tudo (risos), mas tem uma pedra ali que meio que vira o sapo. A pedra representa a coisa mais r\u00edgida, quadrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: \u00c9 aquela ideia de ressignificar, transformar a pedra em um ser vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: O sapo representa mais a parte m\u00e1gica. Tem at\u00e9 umas cartas de tarot que eu usei, peguei simbolismos e fiz umas coisas inspiradas. \u00c9 isso.<\/p>\n<figure id=\"attachment_93748\" aria-describedby=\"caption-attachment-93748\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-93748 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/miragem.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/miragem.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/miragem-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/miragem-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-93748\" class=\"wp-caption-text\"><\/em> <em>Arte da capa de &#8216;Muitos Caminhos Prum Lindo Del\u00edrio&#8221;, da Miragem<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vi pelo Instagram que voc\u00ea <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DBuZq4VPp1P\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pintou umas telas<\/a> com temas das m\u00fasicas, das faixas, e tamb\u00e9m a capa do disco. Essas telas surgiram antes ou depois das m\u00fasicas?Como foi esse processo?<\/strong><br \/>\nCamilla: Acho que todas as pinturas vieram depois do disco. Pintar \u00e9 algo que sempre gostei muito, mas raramente botava a m\u00e3o na massa mesmo, sabe? Tipo, l\u00e1 na \u00e9poca do TCC eu at\u00e9 pensei &#8220;preciso de uma desculpa para voltar a pintar&#8221;. Quando fomos lan\u00e7ar as m\u00fasicas, fiquei pensando em como seria a capa do single, do disco&#8230; A\u00ed pensei \u201cp\u00f4, seria legal se fosse pintado\u201d. Eu gosto de pinturas mais abstratas tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, pensei que seria uma boa desculpa para pintar, sabe? S\u00f3 fui pintar mesmo porque tinha o prazo de lan\u00e7ar a m\u00fasica, e era sempre em cima da hora. A\u00ed acabei pintando todas as capas dos singles e a capa do disco. Achei bem legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafa: Deu um trabalho absurdo, n\u00e9? Quando voc\u00ea terminou, ficou \u201cnunca mais\u201d (risos)?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Camilla: Ficou aquele trauma logo depois de terminar, sim. Mas j\u00e1 faria de novo. \u00c9 aquele trauma t\u00edpico depois que termina. A capa do disco foi uma coisa que eu n\u00e3o conseguia decidir como seria. Fiquei conversando com amigas pra ver ideias e tal, e elas falaram \u201cah, tem as capas dos s\u00edmbolos que voc\u00ea pintou, e a Joana falou que seria legal ser um auto retrato seu, para mostrar um outro lado\u201d. Como era uma coisa mais figurativa, principalmente o rosto sendo meu, fiz v\u00e1rias vers\u00f5es, um milh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea pintaria para algu\u00e9m, tipo, se algu\u00e9m quisesse uma capa de disco para lan\u00e7ar? Faria esse tipo de trabalho?<\/strong><br \/>\nCamilla: Sim, \u00e9 at\u00e9 uma coisa que eu penso. Comecei fazendo pra gente mesmo, mas eu super pensaria em trampar com isso para outras bandas, tanto capa, pintura, quanto clipe de anima\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma coisa que eu adoraria fazer. Eu acabo trabalhando com design, mas se eu puder migrar aos poucos pra fazer mais coisas para artistas, acho que seria muito massa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00daltima pergunta: quais os pr\u00f3ximos planos de voc\u00eas? Est\u00e3o comprando material para um pr\u00f3ximo disco?<\/strong><br \/>\nRafa: Olha, quando eu terminei de trabalhar no \u00e1lbum, a Camilla virou pra mim e falou \u201cJ\u00e1 compus outro!\u201d (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Camilla: Tenho 15 m\u00fasicas, quer ouvir? (risos). Tenho bastante composi\u00e7\u00e3o feita, mas estou naquela indecis\u00e3o de qual roupagem vai ter, sabe? Acho que tem bastante trabalho ainda, mas estamos vendo com calma e testando uma coisa ou outra.<\/strong><br \/>\nRafa: E eu falei que a gente tamb\u00e9m t\u00e1 naquele lance de que a gente aprendeu como n\u00e3o fazer um disco e o pr\u00f3ximo a gente quer fazer certo, sabe? N\u00e3o quero pular pro pr\u00f3ximo processo sem estar preparado, tem que ser mais tranquilo. A gente tem que olhar pra tr\u00e1s e ver o processo como algo gostoso, divertido, sustent\u00e1vel a longo prazo. Ent\u00e3o, a gente t\u00e1 muito nessa de que o processo \u00e9 t\u00e3o importante quanto o resultado final. Se n\u00e3o estiver feliz com o que t\u00e1 fazendo ali na hora, aquilo s\u00f3 vai morrer com o tempo, vai ficar insustent\u00e1vel mesmo. Ent\u00e3o a gente t\u00e1 esperando esse momento ainda, respirando.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Miragem - Amor Secreto @ a porta maldita 12.09.2024\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hkOTfNwBM18?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Fatias #acoustic\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/531B8FXMJXc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Miragem - Eterna Distra\u00e7\u00e3o @ a porta maldita 12.09.2024\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/H1hn3E8bvxo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A est\u00e9tica do disco de estreia continua l\u00e1, mas agora soa como registro de um after em c\u00e2mera lenta, quando ningu\u00e9m sabe se a noite acabou ou se ainda cabe mais uma rodada&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2026\/02\/05\/entrevista-miragem-brinda-o-primeiro-disco-com-outros-delirios-fim-de-festa-session-ao-vivo-de-psicodelia-caseira\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":93749,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[8092],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93747"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93747"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93747\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":93750,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93747\/revisions\/93750"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93749"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93747"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93747"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93747"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}